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História Crepúsculo (Camren) - Capítulo 2


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Notas do Autor


OI CARALHOOOOOOOOOOOOOOOOO
eu sinceramente não sei se já existe alguma adaptação camren de twilight, se existe, deve ter sido excluída pois tem algum tempo que procuro e não encontro. me vendo querendo muito ler me perguntei pq eu mesma não adapto essa porra então aqui estou, aproveitem pq me levou tempo e eu não sou filha da puta.

Capítulo 2 - 1. À Primeira Vista


Minha mãe me levou ao aeroporto com as janelas do carro abertas. Fazia 24 graus em Phoenix, o céu de um azul perfeito e sem nuvens. Eu estava com a minha blusa preferida - sem mangas, de renda branca com ilhoses; eu a vesti como um gesto de despedida. Minha bagagem de mão era uma parka.

Na península Olympic, do noroeste do estado de Washington, há uma cidadezinha chamada Forks, quase constantemente debaixo de uma cobertura de nuvens. Chove mais nessa cidade insignificante do que em qualquer outro lugar dos Estados Unidos. Foi desse lugar e de suas sombras melancólicas e onipresentes que minha mãe fugiu comigo quando eu tinha apenas alguns meses de idade. Nessa cidade eu fui obrigada a passar um mês a cada verão até ter 14 anos. Foi então que finalmente bati o pé. Nos últimos três verões, meu pai, Alejandro, passou duas semanas de férias comigo na Califórnia.

Era em Forks que agora eu me exilava - uma atitude que eu assumi com muito pavor. Eu detestava Forks. Eu adorava Phoenix. Adorava o sol e o calor intenso. Adorava a cidade vigorosa e esparramada.

— Mila – disse minha mãe, pela centésima vez, antes de eu entrar no avião. — Você não precisa fazer isso.

Minha mãe é parecida comigo, a não ser pelo cabelo curto e as rugas de expressão.

Senti um espamo de Pânico ao fitar seus olhos arregalados e infantis. Como eu podia deixar que minha mãe, amorosa, instável e descuidada se virasse sozinha? É claro que ela agora tinha o Phil, então as contas provavelmente seriam pagas, haveria comida na geladeira, gasolina no carro e alguém pra chamar quando ela se perdesse, mas mesmo assim...

— Eu quero ir – menti. Sempre menti mal, mas ultimamente ando contando essa mentira com tanta frequência que agora parecia quase convivente.

— Diga a Alejandro que mandei lembranças.

— Vou dizer.

— Verei você em breve – insistiu ela. — Pode vir pra casa quando quiser... Eu volto assim que você precisar de mim. – mas eu podia ver, nos olhos dela, o sacrifício por trás da promessa.

— Não se preocupe comigo – insisti. — Vai ser ótimo. Eu te amo, mãe. – ela me abraçou com força por um minuto e depois entrei no avião, e ela se foi.

De Phoenix a Seattle são quatro horas de vôo, outra hora em um pequeno avião até Port Angeles, depois uma hora de carro até Forks. Voar não me incomodava, a hora do carro com Alejandro, era meio preocupante. Alejandro foi realmente gentil com tudo aquilo. Parecia realmente satisfeito que eu, pela primeira vez, fosse morar com ele por um período mais longo. Já me matriculara na escola e ia me ajudar a comprar um carro.

Mas sem dúvida seria estranho com Alejandro. Não éramos o que se chamaria de falantes, e eu não sabia se havia alguma cousa pra dizer. Sabia que ele estava bastante confuso com a minha decisão - como minha mãe antes de mim, eu não escondia o fato de detestar Forks. Quando pousamos em Port Angeles, estava chovendo. Não vi isso como presságio - era apenas inevitável. Eu já tinha dado adeus ao sol.

Alejandro me aguardava na rádiopatrulha. Eu também esperava por isso. Alejandro é o chefe de polícia para o bom povo de Forks. Minha principal motivação por trás da compra de um carro, apesar da verba escassa, eu me recusava a circular pela cidade em um carro com luzes vermelhas e azuis no teto. Nada deixa o trânsito mais lento do que um policial. Alejandro me deu um abraço desajeitado com um só braço quando eu cambaleei para fora do avião.

— É bom ver você, Mila – disse ele, sorrindo enquanto automaticamente me segurava e me firmava. — Você não mudou muito. Como está Sinu?

— A mamãe está bem. É bom ver você também, pai. – eu não tinha permissão para chamá-lo de Alejandro na frente dele. Eu só tinha algumas malas. A maior parte das minhas roupas do Arizona era leve demais pra Washington. Minha mãe e eu havíamos juntado nossos recursos para complementar meu guarda-roupa de inverno, mas ainda assim era reduzido. Coube tudo muito bem na mala da viatura.

— Achei um bom carro para você, baratinho – anunciou ele quando afivelamos o cinto.

— Que tipo de carro? – fiquei desconfiada do modo como ele disse “um bom carro para você em vez de simplesmente “um bom carro”.

— Na verdade é uma picape. Um Chevy.

— Onde achou?

— Lembra do Billy Mendes, de La Push? — La Push é a pequena reserva indígena no litoral.

— Não.

— Ele costumava pescar com a gente no verão. – incentivou Alejandro. Isso explica por que eu não me lembrava dele. Eu era bastante competente em bloquear da minha memória coisas dolorosas e desnecessárias. — Ele agora está numa cadeira de rodas – continuou Alejandro quando eu não respondi. — Não pode mais dirigir, e ofereceu a picape por um preço baixo.

— De que ano é? – eu podia ver, pela mudança em sua expressão, que esta era pergunta que ele esperava que eu não fizesse.

— Bom, o Billy trabalhou muito no motor... Na realidade só tem alguns anos – eu esperava que ele não me subestimasse a ponto de acreditar que eu desistiria com tanta facilidade.

— Quando foi que ele comprou?

— Em 1984, eu acho.

— Ele a comprou nova?

— Bom, não. Acho que era nova no início dos anos 60... Ou final dos anos 50, no máximo. – admitiu ele timidamente.

— Ih... Pai, eu não entendo nada de carros. Eu não conseguiria consertar se alguma coisa desse errado, e eu não posso pagar um mecânico.

— Mila, o troço funciona muito bem. Não fazem mais carros assim. – O troço, pensei comigo mesma. Era possível, como apelido, na melhor hipóteses.

— É barata barata mesmo? – afinal, essa era a parte que eu não poderia contemporizar.

— Bom, querida, já está quase comprado pra você. Como um presente de boas-vindas. – Alejandro me olhou de lado com uma expressão esperançosa.

Caramba. De graça.

— Não precisava fazer isso, pai. Eu mesma ia comprar um carro.

— Tudo bem. Quero que seja feliz aqui. – ele estava olhando para a estrada a frente ao dizer isso. Alejandro não ficava a vontade quando se tratava de externar emoções em voz alta. Herdei isso dele. Então fiquei olhando pra frente quando respondi.

— Foi muito gentil da sua parte. Eu agradeço muito. – não era necessário acrescentar que, para mim, era impossível ser feliz em Forks. Ele não precisava sofrer junto comigo. E a picape dada não se olham os dentes, nem o motor.

— Não foi nada. – murmurou ele, constrangido com a minha gratidão. Trocamos mais alguns comentários sobre o clima, que estava úmido, e a maior parte da conversa não passou disso. Ficamos olhando pela janela em silêncio. Era lindo, é claro; eu não podia negar isso. Tudo era verde: as árvores, os troncos cobertos de musgo, os galhos que pendiam das copas, a terra coberta de samambaias. Até o ar filtrava o verde das folhas. Era verde demais, um planeta alienígena.

Por fim chegamos a casa de Alejandro. Ele ainda morava na casinha de dois quartos que comprara com a minha mãe nos primeiros tempos de seu casamento. Aqueles foram os únicos tempos que o casamento teve, os primeiros. Ali, estacionada na rua na frente da casa que nunca mudava, estava minha nova, bem nova pra mim, picape. Era de um vermelho desbotado, com pára-lamas arredondados e uma cabine bulbosa. Pra minha grande surpresa, eu adorei. Não sabia se ia funcionar, mas podia me ver nela. Além disso, era um daqueles negócios sólidos que não quebram nunca - do tipo que se vê na cena de um acidente, a pintura sem um arranhão, cercado pelas peças do carro importado destruído.

— Caramba, pai, adorei! Obrigada! – agora meu pavoroso dia de amanhã seria bem menos terrível. Não teria que decidir entre andar três quilômetros na chuva até a escola ou aceitar uma carona na rádiopatrulha.

— Que bom que você gostou – disse Alejandro rudemente, de novo sem graça.

Apenas uma viagem foi necessária para levar minhas coisas para cima. Fiquei com o quarto do lado oeste, que dava pro jardim da frente. O quarto era família; me pertencia desde que nasci. O piso de madeira, as paredes azul-claras, o teto pontiagudo, as cortinas de renda amarela na janela, tudo isso fazia parte da minha infância. As única mudanças que Alejandro fizera foram trocar o berço por uma cama e acrescentar uma escrivaninha, a medida que eu crescia. A mesa agora tinha um computador de segunda mão, com a linha telefônica para o modem grampeado pelo chão até a tomada de telefone mais próxima. Isso fora estipulado por minha mãe, assim poderíamos manter contato facilmente. A cadeira de balanço dos meus tempos de bebê ainda estavam no canto. Só havia um banheiro pequeno no segundo andar, que eu teria que dividir com Alejandro. Estava tentando não pensar muito nisso.

Uma das melhores coisas em Alejandro é que e não fica rondando a gente. Deixou-me sozinha para desfazer as malas e me acomodar, uma proeza que teria sido quase impossível para a minha mãe. Era legal ficar sozinha, sem ter que sorrir e parecer satisfeita; um alívio olhar desanimadamente pela já ela para a chuva entristecendo tudo e deixar algumas lágrimas escaparem. Eu não estava com vontade de ter um acesso de choro. Ia economizar para a hora de dormir, quando teria que pensar na manhã que estava por vir.

A Forks High School tinha um total assustador de apenas 357, agora 358, alunos; em Phoenix, havia mais de setecentas pessoas só do meu ano. Todas as crianças daqui foram criadas juntas - seus avós engatinharam juntos. Eu seria a garota nova da cidade grande, uma curiosidade, uma aberração.

Talvez se eu parecesse uma verdadeira garota de Phoenix, pudesse tirar proveito disso. Mas fisicamente, nunca me encaixei em lugar nenhum. Eu devia ser bronzeada, atlética e loura, uma jogadora de vôlei ou uma líder de torcida, talvez, todas as coisas compatíveis com quem mora no vale do sol. Em vez disso, apesar do sol constante, eu tinha uma pele pouco dourada. E não tinha os olhos azuis ou o cabelo ruivo que poderiam me servir de desculpa. Sempre fui magra, mas meio mole, e obviamente não era uma atleta; não tinha a coordenação necessária entre mãos e olhos para praticar esportes sem me humilhar - e sem machucar a mim mesma e a qualquer pessoa que se aproximasse demais.

Quando terminei de guardar minhas roupas na antiga cômoda de pinho, peguei minhas nécessaire e fui ao único banheiro pra tomar um banho depois do dia de viagem. Olhei meu rosto no espelho enquanto escovava o cabelo úmido e embaraçado. Talvez fosse a luz, mas eu já parecia pálida, doentia. Minha pele podia ser bonita - era levemente dourada, quase comum -, mas tudo dependia da cor.

Ao ver meu reflexo pálido no espelho, fui obrigada a admitir que estava mentindo para mim mesma. Não era só fisicamente que eu não me adaptava. E quais seriam as minhas chances aqui? Se eu não conseguia achar um lugar pra mim em uma escola com quase três mil pessoas, imagina aqui.

Eu não me relaciono bem com as pessoas da minha idade. Talvez a verdade seja que eu não me relaciono bem com pessoas, e ponto final. Até a minha mãe, de quem eu era mais próxima do que qualquer pessoa do planeta, nunca esteve em sintonia comigo, nunca esteve completamente na mesma página. Às vezes me perguntava se via as mesmas coisas que o resto do mundo. Talvez vou esse um problema no meu cérebro. Mas não importava a causa. Só o que importava era o efeito. E amanhã seria só o começo.

Não dormi bem aquela noite, mesmo depois de chorar. Só fundo o ruído constante da chuva e do vento no telhado não desaparecia. Puxei o velho cobertor xadrez sobre a cabeça, e mais tarde coloquei no travesseiro. Mas só consegui dormir depois da meia noite, quando a chuva finalmente se aquietou em um chuvisco silencioso.
Só o que eu conseguia ver pela minha janela pela manhã era uma neblina densa, e podia sentir a claustrofobia rastejando em minha direção. Jamais se podia ver o céu aqui; parecia uma gaiola.

O café da manhã com Alejandro foi um evento silencioso. Ele me desejou boa sorte na escola. Agradeci sabendo que as esperanças eram nulas. A boa sorte geralmente me evitava. Alejandro saiu primeiro para a delegacia, que era sua esposa e família. Depois que ele partiu, fiquei sentada à velha mesa quadrada de carvalho, em uma das três cadeiras que não combinavam, e examinei a pequena cozinha, com as paredes escuras revestidas de madeira, armários de um amarelo vivo e piso de linóleo branco. Nada havia mudado. Minha mãe tinha pintado os armários 18 anos atrás em uma tentativa de colocar um raio de sol na casa.

Era impossível não perceber que Alejandro jamais superou a perda da minha mãe ao ficar nessa casa. Isso em deixou pouco a vontade. Não queria chegar cedo demais na escola, mas não conseguia mais ficar ali. Vesti meu casaco, e saí para a chuva.

Ainda chuviscava, mas não o suficiente pra me molhar enquanto eu procurava as chaves de casa que sempre ficavam escondidas atrás das plantas e a trancava. O barulho das minhas novas botas a prova d’água era irritante. Senti falta do barulho normal de cimento enquanto caminhava. Não pude parar para admirar minha nova picape como eu queria. Estava com pressa pra sair da névoa molhada que rondava minha cabeça e se grudava no meu cabelo por baixo do capuz. Dentro da caminhonete estava seco e bom. Obviamente, Billy e Alejandro tinham limpado o carro, mas os assentos ainda cheiravam vagamente à tabaco, gasolina e menta. O motor ligou rápido, para meu alívio, mas bem alto, ganhando vida ruidosamente e então chegando ao volume máximo. Bom, um caminhonete velha assim tinha que ter um defeito. O rádio velho funcionava, uma vantagem que eu não esperava.

Achar a escola não foi difícil, apesar de nunca ter estado lá antes. Ela ficava, assim como a maioria das coisas, bem perto da estrada. Não era obviamente uma escola, foi o painel, onde dizia “Escola de Forks”, que me fez parar. Parecia uma coleção de casas geminadas, construídas com tijolos marrons. Havia tantas árvores e moitas que não pude perceber seu tamanho logo no início. Onde estava a aparência de lugar público? Me perguntava nostalgicamente. Onde estavam as cercas e os detetores de metais?
Estacionei em frente ao primeiro prédio, onde havia uma pequena placa que dizia “secretaria”. Não havia mais carros estacionados ali, então tive certeza de que era proibido, mas decidi que pegaria instruções lá dentro ao invés de ficar andando em círculos na chuva como uma idiota. Saí a contragosto da caminhonete quentinha e fui por um caminho de pedra circundando por uma sebe escura. Respirei fundo antes de abrir a porta.

Lá dentro estava bem iluminado e bem mais quente do que imaginava. A secretaria era pequena, com uma pequena sala de espera com cadeiras dobráveis, carpete laranja, avisos e prêmios abarrotados pelas paredes e um grande e ruidoso relógio. A sala era partida ao meio por um grande balcão, cheia de cestas de arame repletas de papéis e anúncios coloridos colados na parte da frente. Havia três mesas atrás do balcão, uma delas ocupada por uma mulher ruiva e grande, usando óculos. Ela vestia uma camiseta roxa, que imediatamente me fez sentir com roupas demais. A ruiva olhou pra mim.

— Posso ajudá-la?

— Sou Camila Cabello – informei-lhe, e vi seus olhos demonstrarem reconhecimento imediato. Eu era esperada, tópico de fofocas, com certeza. A filha da ex-mulher do chefe de polícia finalmente retorna à casa.

— Claro – ela disse. Ela percorreu uma pilha precária de documentos em sua mesa até achar os que procurava. — Seu horário está aqui e um mapa da escola. – ela trouxe várias folhas até o balcão para me mostrar.

Ela me ditou todas as minhas aulas, mostrando-me no mapa a melhor maneira de chegar até elas, e me deu um papel para que todos os professores assinassem, que deveria trazer de volta no fim do dia. Ela sorriu para mim e desejou, como Alejandro, que eu gostasse de Forks. Sorri de volta da maneira mais convincente possível.

Quando cheguei de volta na caminhonete, outros alunos começavam a chegar. Fui atrás do tráfego, contornando a escola. Fiquei feliz ao ver que a maior parte dos carros eram velhos como o meu, nada muito chique. Em Phoenix morava num dos poucos bairros de classe baixa que estavam incluídos no Distrito Paradise Valley. Era comum ver um Mercedes ou Porsche novo no estacionamento dos alunos. O carro mais legal aqui era um brilhante Volvo, que se sobressaia. Mesmo assim, logo que estacionei desliguei o motor, para que o barulho enorme não chamasse atenção para mim.

Olhei para o mapa na caminhonete, tentando memorizá-lo agora, esperando que não fosse precisar andar com ele colado no nariz o dia todo. Enfiei tudo dentro da mochila, coloquei a alça sobre o ombro e respirei bem fundo. “Eu posso fazer isso”, menti muito mal para mim mesma. Ninguém ia me morder. Eu finalmente exalei e saí do carro. Fiquei com o rosto coberto pelo capuz enquanto caminhava até a calçada, cheia de adolescentes. Meu casaco preto e simples não se destacava na multidão, percebi com alívio.

Assim que cheguei do refeitório era fácil de ver o prédio três. Um grande “3” estava pintado num quadrado branco no casto leste do prédio. Senti minha respiração acelerar cada vez mais enquanto me aproximava da porta. Tentei segurar minha respiração enquanto seguia duas capas de chuva unisex através da porta.
A sala de aula era pequena. As pessoas na minha frente pararam assim que entraram a sala para pendurar seus casacos numa longa fileira de ganchos. Fiz o mesmo. Eram duas garotas. Uma loira com pele de porcelana, outra, também com a pele clara, tinha cabelos castanhos claro. Levei o papel para o professor, um homem alto e calvo. Sua mesa tinha uma placa que o identificava como Sr. Mason. Ele ficou me olhando assim que leu o meu nome, o que não era encorajador, e lógico que fiquei vermelha igual um tomate. Mas pelo menos ele me mandou sentar no fundo da sala sem me apresentar à turma. Era mais difícil para meus colegas ficarem me encarando enquanto eu estava no fundo da sala, mas de alguma forma eles conseguiam.

Fixei meu olhar na lista de leitura que o professor tinha me dado. Era bem básica: Brontë, Shakespeare, Chaucer, Faulkner. Já tinha lido todos. Isso era reconfortante... e chato. Fiquei pensando se minha mãe me mandaria minha pasta de trabalhos velhos, ou se ia pensar que isso era colar. Fiquei pensando em diferentes discussões que teria com ela enquanto o professor falava. Quando bateu o sinal, um garoto meio desajeitado, alto, e cabelo castanho como chocolate se encostou no batente da porta para falar comigo.

— Você é Camila Cabello, não é? – ele parecia do tipo muito prestativo, parte do clube de xadrez.

— Mila – corrigi. Todo mundo em volta se virou para me olhar.

— Onde é a sua próxima aula? – ele perguntou. Precisei olhar na mochila.

— Hm, Governo, com o professor Jefferson, no prédio seis. – não havia para onde olhar sem encontrar olhos curiosos.

— Estou indo para o prédio quatro, posso te mostrar o caminho... – definitivamente muito prestativo. — Sou Austin – ele adicionou.

Sorri discretamente.

— Obrigada. – pegamos nossos casacos e saímos para a chuva, que tinha ficado mais forte. Poderia jurar que muitas das pessoas andando atrás de nós estavam perto o suficiente para ficar ouvindo a conversa. Desejei não estar ficando paranóica.

— Então, aqui é bem diferente de Phoenix, hein? – ele perguntou.

— Muito.

— Não chove muito lá, não é?

— Três ou quatro vezes por ano.

— Uau, como será que é isso? – ele ficou imaginando.

— Ensolarado. – eu lhe disse.

— Você não parece tão bronzeada.

— Minha mãe é parte albina. – ele analisou meu rosto com apreensão e eu suspirei. Parecia que as nuvens e senso de humor não se misturavam. Alguns meses disso aqui e eu esqueceria como se usa sarcasmo. Andamos de volta ao redor do refeitório, em direção aos prédios que ficavam no sul, ao lado do ginásio. Austin me levou até a porta, apesar de estar bem claro que aquele era o prédio.

— Bem, boa sorte. – ele disse enquanto eu alcançava a maçaneta. — Talvez tenhamos outras aulas juntos. – ele soava esperançoso.

Sorri vagamente para ele e entrei.

O resto da manhã passou da mesma maneira. Meu professor de trigonometria, o Sr. Varner, a quem eu detestaria de qualquer forma por causa da matéria que ensinava, foi o único que me fez ficar na frente da turma e me apresentar. Eu gaguejei, fiquei vermelha, e tropecei no caminho para a mesa. Depois de duas aulas, comecei a reconhecer muitos dos rostos em cada uma delas. Sempre havia aqueles que eram mais corajosos e vinham se apresentar e me perguntar se eu estava de Forks. Tentei ser diplomática, mas o que eu mais fiz foi mentir bastante. Pelo menos não precisei usar o mapa.

Uma garota sentou do meu lado em ambas Trigonometria e Espanhol, e foi comigo até o refeitório na hora do almoço. Ela era alta, vários centímetros do que os meus 1,64. Não conseguia lembrar o nome da, então eu sorria e balançava a cabeça enquanto ela discorria sobre os professores e sobre as aulas. Não tentei acompanhar a conversa. Sentamos no final de uma mesa cheia com os amigos dela, os quais ela me apresentou. Esqueci seus nomes assim que ela os disse. Eles pareciam impressionados com a coragem dela para falar comigo. O garoto de Inglês, Austin, acenou para mim do outro lado do refeitório.

Foi ali, sentada no refeitório, tentando conversar com vários estranhos curiosos, que eu os vi pela primeira vez. Eles estavam sentados num canto do refeitório, o mais longe possível de onde eu estava. Eram cinco. Não conversavam e não comiam, apesar de cada um deles ter uma bandeja intocada de comida na sua frente. Eles não estavam me encarando, como a maior parte dos outros alunos, então era seguro ficar olhando para eles sem ter medo de encontrar um par de olhos excessivamente interessado. Mas não foi nenhuma dessas coisas que chamou, e prendeu, minha atenção.

Eles não se pareciam em nada. O único garoto, era grande - musculoso como um levantador de peso profissional, com cabelo escuro e encaracolado. As garotas eram opostos. As mais altas eram maravilhosas. Elas tinham uma silhueta linda, do tipo que se vê na capa da revista Sports Illustrated, na edição de roupas de banho, e daquelas que fazem as garotas se sentirem mal consigo mesma só por estarem na mesma sala. O cabelo da primeira era dourado, caia em cachos até o meio das costas. As outras duas se mantinham nos mesmos padrões, seus cabelos eram de uma cor única, como um castanho dourado, uma os tinha bem curto e a outra, comprido.

A última garota, tinha os cabelos pretos como a noite, meio bagunçados, magra mas musculosa, do tipo que tem as pernas torneadas e um leve tanquinho na barriga. Ela conseguia ser mais linda do que qualquer pessoa que eu já vi na vida, parecia mais jovem do que os outros, que pareciam que podiam estar na faculdade, ou até mesmo serem professores ao invés de alunos. E ainda assim, eles tinham uma característica em comum. Todos eram muito pálidos, eles eram os mais pálidos de todos os alunos dessa cidade sem sol. Todos tinham olhos bem escuros, apesar da diferença na cor dos cabelos. Além disso, eles tinham olheiras, sombras arroxeadas, como machucados. Como se todos eles tivessem passado a noite em claro, ou quase se recuperando de ter o nariz quebrado. Apesar de seus narizes, de todas as partes de seus corpos, serem perfeitamente retos e angulares. Mas não era por causa de tudo isso que eu não conseguia tirar os olhos deles. Eu os olhava por que seus rostos, tão diferentes, tão iguais, eram todos devastadoramente, inumanamente lindos. Eram rostos que você nunca espera encontrar além de, talvez, nas páginas editadas de uma revista de moda. Ou pintadas por um dos velhos mestres como a face de um anjo. Era difícil decidir quem era o mais belo, talvez as três lindas garotas de capas de revista, ou a garota com cabelos escuros como a noite.

Estavam todos olhando para longe, longe um dos outros, longe dos outros alunos, longe de qualquer coisa em particular que eu pudesse ver. Enquanto eu olhava, a garota loira alta levantou com a bandeja - o refrigerante fechado, a maçã inteira - e foi embora com um passo rápido e gracioso que deveria estar em uma passarela. Eu fiquei olhando, maravilhada com os passos de dançarina dela, até ela largar a bandeja e sair pela porta de trás, mais rápido do que eu imaginava ser possível. Meus olhos voltaram logo para os outros, que estavam lá, sem mudanças.

— Quem são eles? – perguntei a garota da aula de espanhol, de quem eu não lembrava o nome. Enquanto ela olhava para ver de quem eu estava falando - apesar de já saber, provavelmente, por causa do meu tom de voz - de repente ela olhou para ela, a de cabelos pretos, a mais linda de todos, talvez a mais jovem. Ela olhou para a garota do meu lado por só uma fração de segundo e então seus olhos escuros se dirigiram aos meus. Ela olhou para longe bem rápido, mais rápido do que eu conseguiria, apesar de numa onda de vergonha eu tenha baixado meus olhos na mesma hora. Naquele pequeno instante, seu rosto não aparentou interesse - era como se ela tivesse chamado o nome dela, e ela olhara numa resposta involuntária, já tendo decidido que não ia responder. A garota do meu lado riu envergonhada, olhando para a mesa.

— Aqueles são Lauren, Lucy e Troy Jauregui e Cara e Veronica Delevingne. A que foi embora é a Veronica. Todos vivem juntos com o Dr. Jauregui e a esposa dele. – ela falou isso meio entre dentes.

Olhei meio de lado para a garota linda, que agora olhava para a bandeja dela, picando um pãozinho com dedos pálidos e longos. Seus lábios se moviam rapidamente, seus lábios perfeitos mal se abrindo. Os outros três ainda olhavam para longe, ainda assim eu sentia que ela estava falando com eles. Nomes estranhos e poucos populares, eu pensei. Os tipos de nomes que avós tinham. Mas talvez fosse moda aqui.

Finalmente lembrei que a garota ao meu lado se chamava Hailey, um nome perfeitamente comum. Havia duas garotas chamadas Hailey na minha aula de História, em Phoenix.

— Eles são... muito bonitos. – lutei contra a óbvia intensidade do que disse.

— Sim! – Hailey concordou dando outro risinho. — Mas eles já estão juntos. Troy e Cara, e Lucy e Veronica. E moram juntos. – a voz dela continha todo o choque e reprovação de uma cidade pequena, pensei criticamente. Mas se eu fosse honesta, teria que admitir que até em Phoenix algo assim seria motivo de fofocas.

— Quem são os Jauregui? – perguntei. — Eles não se parecem...

— Ah, mas não são. O Dr. Jauregui tem 30 e poucos anos. São todos adotados. Já as Delevingne são irmãs.

— Elas não são um pouco velhas pra isso?

— Agora sim, Cara e Veronica já têm dezoito anos, mas vivem com a Sra. Jauregui desde que tinham oito. Ela é tia delas ou algo assim.

— Isso é bem legal, cuidarem de todas essas crianças assim, sendo tão jovens.

— Acho que sim. – Hailey admitiu relutantemente, e fiquei com a impressão de que ela não gostava do doutor e da esposa dele por algum motivo. Com os olhares que ela dava na direção deles, imaginei que o motivo fosse inveja. — Mas acho que a Sra. Jauregui não pode ter filhos. – ela disse, como se isso diminuísse a bondade deles.

Durante toda a conversa, meus olhos iam e voltavam para a mesa onde a estranha família estava sentada. Eles continuavam olhando para longe e não comendo.

— Eles sempre moraram em Forks? – perguntei. Com certeza eu os teria notado em algum dos meus verões aqui.

— Não. – ela disse num tom de voz que implicava que isso era óbvio, até alguém recém chegado como eu deveria saber. — Eles vieram pra cá dois anos atrás, vindos de algum lugar no Alasca. – senti uma onda de compaixão, e alívio. Compaixão porque, apesar de derem lindos, eram de fora, claramente não eram aceitos. Alívio porque eu não era a única novata aqui, e certamente não a mais interessante. Enquanto eu os analisava, a que parecia ser mais nova,  uma das Jauregui, olhou para mim e nossos olhos se encontraram, dessa vez com uma expressão evidente de curiosidade. Enquanto eu esquivava meu olhar, me pareceu que no dela havia alguma expectativa não alcançada.

— Qual delas é a garota de cabelos pretos? – perguntei. Espiei com o canto do olho e ela ainda me encarava, mas não como os outros alunos tinham feito durante todo o dia, a expressão dela era meio frustrada. Olhei para baixo novamente.

— Aquela é Lauren. Ela é maravilhosa, lógico, mas não perca tempo. Ela não namora. Nenhuma das garotas ou garotos daqui são bonitos o suficiente para ela, aparentemente. – ela desdenhou, um caso claro de rejeição. Fiquei me perguntando quando ela tinha rejeitado ela. Mordi o lábio para esconder um sorriso, e então olhei para ela novamente. Seu rosto estava virado para o outro lado, mas me pareceu, pelos músculos do rosto, que ela sorria também.

Após mais alguns minutos os quatro deixaram a mesa juntos. Todos eram notoriamente graciosos - até mesmo o grandalhão. Era algo desconcertante de observar. A que se chamava Lauren não olhou para mim novamente. Fiquei na mesa com Hailey e seus amigos mais tempo do que ficaria se estivesse sozinha ali. Estava ansiosa para não chegar atrasada nas aulas do meu primeiro dia. Uma das minhas novas conhecidas, que gentilmente me lembrou que seu nome era Ariana, tinha Biologia II comigo no próximo período. Fomos juntas para a aula, em silêncio. Ela era tímida também.

Quando entramos na sala de aula, Ariana foi sentar-se numa mesa de laboratório, com tampa preta, exatamente com as que eu estava acostumada. Ela já tinha um par. Na verdade, todas as mesas estavam ocupadas, com a exceção de uma. Ao lado da fileira do meio, reconheci Lauren Jauregui por seu cabelo peculiar, sentada ao lado da única cadeira vazia. Enquanto fui até o professor para me apresentar e pedir para que ele assinasse meu papel, secretamente observava Lauren. No momento em que passei, ela ficou rígida de repente. Ela me encarou novamente, seus olhos encontraram os meus com a mais estranha das expressões - era hostil, furiosa. Olhei para longe rapidamente, chocada, ficando vermelha rapidamente.
Tropecei num livro e precisei me segurar em uma mesa. A menina sentada ali riu. Tinha notado como os olhos dela eram negros, como carvão. O Sr. Banner assinou meu papel e me entregou um livro sem o besteirol das apresentações. Pude ver que nos daríamos bem. Obviamente, ele não tinha escolha a não ser mandar eu me sentar na única mesa vazia no meio da sala. Mantive meu olhar baixo enquanto ia me sentar ao lado dela, confusa com o olhar maldoso que ela tinha me dado. Não olhei para cima enquanto colocava o livro na mesa e me sentava, mas vi, com o canto do olho, sua postura mudar. Ela estava se inclinando para longe de mim, sentada bem na ponta da cadeira e virando o rosto como se eu tivesse cheiro ruim. Discretamente, cheirei meu cabelo. Tinha cheiro de morangos, que era o perfume do meu xampu preferido. Parecia um cheiro inocente o bastante. Deixei meu cabelo cair sobre meu ombro direito, criando uma cortina escura entre nós, e tentei prestar atenção no professor. Infelizmente a aula era sobre anatomia celular, algo que eu já tinha estudado. Fui fazendo anotações mesmo assim, sempre olhando para baixo. Não conseguia me conter e, de vez em quando, olhava para a garota estranha ao meu lado, através da cortina de cabelo. Durante a aula toda ela não relaxou a posição, sentada na ponta da cadeira, o mais longe possível de mim. Pude ver que sua mão sobre a perna esquerda estava em punho, os tendões se destacando sob a pele clara. Também não relaxou a mão sequer uma vez. As mangas da sua camiseta branca estavam puxadas até os cotovelos, e seu braço era surpreendentemente musculoso. Ela não era tão frágil quanto parecia quando comparada com o irmão grandalhão.

A aula parecia se arrastar mais do que as outras. Será que era por que o dia estava finalmente acabando ou por que eu esperava que seu pulso fosse relaxar? Ela nunca o fez. Ela estava tão imóvel que parecia que não respirava. Qual era o problema dela? Será que isso era o comportamento normal dela? Me questionei sobre o que tinha pensado sobre a amargura de Hailey durante o almoço. Talvez ela não fosse tão rancorosa como eu pensava. Não poderia ser comigo. Ela nunca tinha me visto na vida. Espiei de novo e me arrependi. Ela estava me olhando novamente, seus olhos negros cheios de repulsa. Enquanto me afastava dela, me espremendo na cadeira, a frase “se olhar matasse” cruzou minha mente.
Naquele momento o alarme bateu alto, me assustando, e Lauren Jauregui já tinha se levantado. Ela era muito mais alta do que tinha imaginado, e de costas para mim ela se foi fluidamente. Antes que qualquer um dos outros estivessem de pé, ela já tinha saído pela porta. Fiquei congelada no lugar, olhando para ela. Ela era muito mau. Não era justo. Comecei a juntar minhas coisas devagar, tentando bloquear a raiva que me consumia, para não acabar chorando. Por algum motivo, meu humor tinha ligação com meus canais lágrimas. Geralmente eu chorava quando estava com raiva, uma mania humilhante.

— Você não é Camila Cabello? – perguntou uma voz feminina. Olhei para cima e vi a garota sorrindo para mim de um jeito amigável. O cabelo bem arrumado, e o rosto limpo. Ela, com certeza, não achava que eu cheirava mal.

— Mila. – corrigi com um sorriso.

— Sou Amber.

— Oi, Amber.

— Precisa de ajuda pra encontrar sua próxima aula?

— Na verdade, estou indo para o ginásio. Acho que consegui achá-lo.

— Essa é a minha próxima aula também. – ela parecia extasiada, apesar de não ser muita coincidência numa escola tão pequena. Fomos para a aula juntas. Ela era conversadora, ela falava bastante, o que facilitava para mim. Ela tinha morado na Califórnia até os dez anos, então ela me entendia com relação som sol. E ela estava na minha aula de inglês também. Tinha sido a pessoa mais legal que conhecera aquele dia. Quando entramos no ginásio ela perguntou:

— Então, você fincou o lápis na Lauren Jauregui ou o quê? Nunca a vi agir assim. – então não tinha sido só eu que notara. E, aparentemente, não era assim que ela se comportava normalmente. Decidi bancar a desentendida.

— Era a garota sentada do meu lado em biologia? – perguntei fingindo ingenuidade.

— Sim – ela disse. — Parecia que ela estava com dor ou algo parecido.

— Não sei – respondi — Nunca conversei com ela.

— É uma garota estranha. – Amber ficou por ali ao invés de ir para o vestiário. — Se eu tivesse tido a sorte de sentar do seu lado, teria conversado com você.

Sorri para ela antes de ir me trocar. Ela era legal e claramente gostava de mim, mas isso não foi o bastante para diminuir minha irritação. Em Phoenix, só dois anos de EF eram obrigatórios, aqui, era obrigatório durante todos os anos. Forks literalmente era o meu inferno na Terra.

Assisti a quatros jogos de vôlei ao mesmo tempo. Lembrando quantas vezes tinha machucado a mim mesma - e os outros - jogando vôlei, me senti nauseada. O sinal tocou finalmente. Fui lentamente até a secretária para entregar minha papelada. A chuva tinha parado, mas o vento estava mais forte e mais frio. Me enrolei mais nas minhas roupas. Quando entrei na quente secretaria, quase me virei e saí de novo. Lauren Jauregui estava parada logo na minha frente. Novamente reconheci aquele cabelo cor de noite e desarrumado. Me encostei na parede, esperando a recepcionista me atender. Ela estava conversando com ela numa voz baixa e atraente. Logo peguei o motivo da conversa: ela queria trocar o período da aula de biologia para outro horário, qualquer outro. Não podia acreditar que era por minha causa. Tinha que ser outra coisa, algo que acontecera antes de eu entrar na sala. A expressão em seu rosto tinha que ser por outro motivo. Era impossível que essa estranha tivesse me detestado tanto assim, tão subitamente.

A porta abriu novamente, e o vento frio entrou de repente, levantando os papéis sobre a mesa, jogando meu cabelo sobre meu rosto. A garota que entrara simplesmente chegou na mesa, colocou um bilhete na cesta de arame e saiu novamente. Mas Lauren Jauregui ficou rígida e se virou lentamente para me olhar - o rosto dela era absurdamente lindo - com olhos fulminantes. Por um instante senti puro medo, levantando os pêlos dos meus braços. O olhar durou só um segundo, mas me congelou mais do que o vento enregelante. Ela se virou novamente para a recepcionista.

— Deixa para lá, então. – ela disse apressadamente com uma voz aveludada. — Vejo que é impossível. Muito obrigada pela ajuda. – se virou sem olhar para mim e saiu pela porta. Fui calmamente até a mesa, meu rosto branco ao invés de vermelho, e entreguei o papel assinado.

— Como foi seu primeiro dia, querida? – a recepcionista perguntou, materialmente.

— Bom – menti com a voz fraca. Ela não pareceu convencida.

Quando cheguei na caminhonete, era praticamente o último carro no estacionamento. Ela era como um refúgio, a coisa mais perto de um lar que eu tinha nesse buraco verde e úmido. Sentei lá dentro por um tempo, simplesmente olhando pelo vidro. Mas logo estava frio o bastante para precisar do aquecedor, então virei a chave e o motor ganhou vida. Peguei meu caminho de volta para a casa de Alejandro, lutando para não chorar durante todo o caminho.


Notas Finais


confesso que fico dando risada enquanto escrevo pq a bella é sem noção e o edinho é mais ainda
meta
bejos amores volto loguinho .


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