História Cretino Irresistivel - Capítulo 36


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Categorias Cretino Irresistível (Beautiful Bastard)
Tags Michaentina, Ronderista, Simbar, Zenerista
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Palavras 2.260
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Fantasia, Romance e Novela
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 36 - Cap 16 Parte 2


Ele agarrou meu braço antes que eu pudesse me aproximar da mesa para pegar

o telefone.

– Valentina. Você faz a reunião.

Ergui as sobrancelhas quase até a linha do cabelo.

– Como é?

Ele esperou.

– Eu fazer a reunião?

Ele assentiu.

– Sem você?

Ele assentiu novamente.

– Você vai me enviar para uma reunião sozinha?

– Srta. Zenere, como você é inteligente!

– Vá se ferrar! – eu disse, rindo e empurrando-o gentilmente. – E eu não vou fazer isso sem você.

– Por que não? Aposto que você conhece a conta tão bem quanto eu. Além disso, se remarcarmos, ele vai acabar fazendo uma viagem para Chicago com tudo pago e depois nos enviar a conta. Por favor, Valentina. 

Fiquei encarando seu rosto, esperando que ele começasse a sorrir e dissesse que estava brincando. Mas não estava. E, na verdade, eu conhecia sim a conta, e sabia todo o procedimento. Eu conseguiria fazer isso.

– Certo – eu disse, sorrindo e sentindo que talvez fosse possível resolver a nossa situação, afinal de contas. – Eu topo.

Seu rosto se tornou sério e ele usou uma voz que eu mal tinha ouvido nos últimos dias. Aquilo enviou pequenas ondas de desejo por meu corpo.

– Diga qual é o seu plano, srta. Zenere.

Assentindo, eu disse:

– Preciso me certificar que ele sabe os parâmetros e os prazos do projeto. Ficarei atenta com promessas exageradas, sei que o Gugliotti é famoso por fazer isso – quando Michael assentiu, sorrindo um pouco, eu continuei.

– Vou confirmar as datas do início do contrato e das apresentações.

Quando terminei de contar nos meus dedos esses cinco itens, seu sorriso aumentou.

– Você vai se sair bem.

Eu me inclinei e beijei sua testa suada.

– Eu sei.

Duas horas depois, se você me perguntasse se eu podia voar, eu diria em um instante que sim. Tudo foi perfeito na reunião. O sr. Gugliotti, que inicialmente não gostou muito de encontrar uma estagiária no lugar de um executivo da Ronda Media, amoleceu depois de ouvir as circunstâncias. E mais tarde pareceu impressionado com o nível de detalhes que eu providenciei.

Ele até me ofereceu um emprego.

– É claro, depois que você terminar com o sr. Ronda – ele disse com uma piscadela, e eu educadamente sorri de volta.

Eu não sabia se queria realmente terminar com o sr. Ronda

No caminho de volta da reunião, liguei para a Virginia e perguntei o que o Michael gostava de fazer quando estava doente. Como suspeitei, a última vez que ela pudera cuidar dele com canja de galinha e sorvete tinha sido ainda no colégio.

Ela ficou encantada de receber minha ligação, e tive de engolir o sentimento de culpa quando ela perguntou se ele estava se comportando. Assegurei que tudo estava indo bem e que ele tinha apenas uma indigestão e, claro, que eu diria para ele telefonar. Com uma sacola de supermercado nas mãos, entrei no quarto e parei na área da cozinha para guardar a comida e tirar meu casaco de linho.

Vestindo apenas minha roupa de baixo, entrei no quarto, mas Michael não estava lá. A porta do banheiro estava aberta, mas ele também não estava lá. Parecia que a camareira tinha arrumado o quarto, os lençóis estavam limpos e dobrados, e nossas roupas já não estavam mais espalhadas pelo chão. A porta da varanda estava aberta, deixando uma brisa entrar. Lá fora, encontrei ele sentado em uma cadeira, com os cotovelos apoiados nos joelhos e a cabeça nas mãos. Parecia ter tomado banho e estava vestindo um jeans escuro e uma camiseta verde de mangas curtas.

Minha pele se arrepiou com sua imagem.

– Oi – eu disse.

Ele olhou para cima e seus olhos percorreram cada curva minha.

– Caramba. Espero que você não tenha usado isso na reunião.

– Bom, eu usei – eu disse, rindo. – Mas usei debaixo de um lindo casaco azul- marinho.

– Bom – ele me puxou para perto, envolvendo completamente os braços em minha cintura e pressionando sua testa em minha barriga. – Eu senti sua falta.

Senti uma pequena pontada em meu peito. O que estávamos fazendo? Aquilo era real ou estávamos brincando de casinha por alguns dias para depois voltar ao normal? Não sabia se conseguiria voltar ao normal depois daquilo, e não sabia como seria o futuro.

Pergunte para ele, Valentina!

Seu olhar queimou meu rosto enquanto ele esperava que eu dissesse alguma coisa.

– Você está se sentindo melhor?

Covarde.

Seu rosto mostrou um pouco de decepção, mas ele logo escondeu isso.

– Sim. Como foi a reunião?

Embora eu ainda estivesse animada por causa da reunião e morrendo de vontade de contar cada detalhe, ele retirou seus braços da minha cintura e se arrumou na cadeira ao perguntar isso, e eu tive uma sensação irracional de frio e de vazio. Eu queria voltar dois minutos no tempo, quando ele disse que sentiu minha falta, e então eu poderia responder “Também senti sua falta”. Eu o beijaria e acabaríamos nos distraindo, e eu contaria sobre Gugliotti apenas horas mais tarde.

Mas em vez disso contei todos os detalhes da reunião – como o Gugliotti reagiu ao me ver, e como eu redirecionei seu foco para o projeto. Contei cada aspecto da discussão com tantos detalhes que, no fim da minha história, Michaelestava rindo baixinho.

– Meu Deus, você fala demais.

– Acho que deu tudo certo – eu disse, dando um passo adiante. Envolva seus braços em mim de novo. Mas ele não fez isso. Recostou-se na cadeira e mostrou um sorriso endurecido, do tipo que fazia quando encarnava o Cretino Irresistível.

– Você foi ótima, Valentina. Não estou nem um pouco surpreso.

Eu não estava acostumada com esse tipo de elogio vindo dele. Melhoria na caligrafia, uma boa chupada – essas eram as coisas que ele sabia notar. E fiquei surpresa ao perceber o quanto sua opinião importava para mim. Será que sempre fora assim? Será que ele começaria a me tratar diferente se nos tornássemos amantes ao invés de apenas termos umas transas casuais? Eu não  sabia se realmente queria que ele fosse um chefe mais educado, ou que tentasse misturar o papel de mentor e amante. A verdade é que eu gostava muito do Cretino Irresistível no trabalho, e também na cama.

Mas, assim que pensei nisso, percebi que agora a maneira como interagíamos antes parecia distante, como um par de sapatos que já não cabia mais nos pés. Eu estava dividida entre querer que ele dissesse algo cretino, me atirando de volta para a realidade, e querer que ele me puxasse para perto e beijasse meus seios através do tecido da lingerie.

De novo, Valentina. Essa é a razão número 750 mil para não transar com seu chefe.

Você acaba transformando um relacionamento bem definido numa confusão onde os limites não estão claros.

– Você parece tão cansado – sussurrei quando comecei a passar meus dedos nos cabelos atrás do seu pescoço.

– Eu estou – ele murmurou. – Ainda bem que não fui. Eu vomitei. Bastante.

– Obrigada por me contar – eu ri. Relutantemente, me afastei e pousei as mãos em seu rosto. – Eu trouxe sorvete, refrigerante e bolacha de água e sal. Qual você quer primeiro?

Ele encarou meu rosto, completamente confuso por um momento.

– Você ligou para a minha mãe?

Desci até a convenção por algumas horas durante a tarde para que ele pudesse dormir um pouco. Ele tentava mostrar um exterior forte, mas eu podia ver de longe que só um pouco de sorvete já fazia seu estômago embrulhar. Além disso, naquela convenção em particular ele mal podia dar dois passos sem ser parado e paparicado. Mesmo sem estar doente ele não conseguiria se concentrar em qualquer coisa que valesse a pena. Quando voltei para o quarto, ele estava esparramado no sofá em uma pose que não tinha nada de irresistível: sem camisa e com a mão dentro da cueca. Havia algo tão comum na maneira como ele estava sentado, entediado, olhando para a televisão. Fiquei grata pela lembrança de que aquele homem era, às vezes, apenas um homem. Apenas outra pessoa, andando pelo mundo, cuidando de suas coisas, sem passar cada segundo ateando fogo na vida dos outros.

E, no meio dessa epifania de que Michael era apenas Michael, fiquei com uma sensação louca de que havia a chance de ele estar se tornando o meu Apenas Michael. E, por um instante, desejei isso mais do que qualquer outra coisa no mundo.

Uma mulher com cabelos impossivelmente brilhantes virou a cabeça e sorriu para nós na televisão. Eu desabei no sofá ao lado dele.

– O que você está assistindo?

– Comercial de xampu – ele respondeu, tirando a mão de dentro da cueca para me tocar. Comecei a fazer uma piada sobre a mão na cueca, mas parei no momento em que ele começou a massagear meus dedos. – Mas O balconista acabou de começar.

– Esse é um dos meus filmes favoritos.

– Eu sei. Você estava falando sobre esse filme na primeira vez em que te vi.

– Na verdade, eu estava falando sobre a sequência – esclareci, e depois parei. – Espera, você lembra disso?

– É claro que eu lembro. Você soava como uma adolescente falando, mas parecia uma modelo. Que homem não se lembraria disso?

– Eu daria tudo para saber o que você estava pensando naquela hora.

– Eu estava pensando “Estagiária altamente comível à frente. Recuar, soldado. Recuar”.

Eu ri e me encostei em seu ombro.

– Deus, aquele primeiro encontro foi terrível.

Ele não disse nada, mas continuou passando o polegar em meus dedos, pressionando e acariciando. Nunca tinha recebido uma massagem na mão antes, e se ele tentasse começar sexo oral, eu talvez recusasse só para ele continuar com aquilo.

Uau, que grande mentira. Eu aceitaria aquela boca entre as minhas pernas a qualquer hora do dia...

– Como você quer que as coisas fiquem, Valentina? – ele perguntou, tirando minha mente daquele debate interno.

– O quê?

– Quando voltarmos para Chicago.

Encarei seu rosto, sentindo o sangue bombear com força pelas minhas veias.

– As coisas entre nós – ele acrescentou, com uma paciência forçada. – Você e eu. Valentina e Michael. Gato e rato. Eu sei que isso não deve ser fácil para você.

– Bom, eu tenho certeza que não quero brigar o tempo todo – bati em seu ombro de brincadeira. – Apesar de até gostar um pouco dessa parte.

Michael riu, mas não pareceu um som completamente feliz.

– Existe muito espaço depois de “não brigar o tempo todo”. Como você quer ficar?

Juntos. Quero ser sua namorada. Alguém que vê o interior da sua casa e fica por lá de vez em quando . Comecei a responder, mas as palavras evaporaram em minha garganta.

– Acho que depende de saber se seria realista pensar que isso pode dar em alguma coisa. 

Ele deixou minha mão cair e esfregou o rosto. O filme voltou do comercial e nós caímos naquele que deve ter sido o silêncio mais constrangedor da história do mundo.

Finalmente, ele pegou minha mão de volta e beijou a palma.

– Certo, garota. Eu consigo não brigar o tempo todo.

Fiquei olhando para seus dedos entrelaçados com os meus. Após o que pareceu uma eternidade, consegui dizer:

– Desculpe. Tudo isso ainda parece um pouco novo demais.

– Para mim também.

Caímos no silêncio novamente e continuamos a assistir ao filme, rindo nas mesmas cenas e lentamente mudando de posição até eu praticamente estar deitada em cima dele. Com o canto do olho, espiei o relógio na parede e mentalmente calculei as horas que nos restavam para continuar juntos em San Diego. Quatorze.

Restavam quatorze horas naquela perfeita realidade em que eu podia ter Michael a qualquer hora que quisesse, e não precisava ser em segredo, nem por causa de um desejo incontrolável, nem usando a raiva como nossa única maneira de fazer as preliminares.

– Qual é o seu filme favorito? – ele perguntou, virando meu corpo e pairando sobre mim. Sua pele estava muito quente e eu queria tirar minha blusa, mas não queria que se ele movesse nem um centímetro, nem por um segundo.

– Eu gosto de comédias – comecei. – Gosto de O Balconista, mas também gosto do Mong & Loide, Todo mundo quase morto, Chumbo grosso, Os sete suspeitos, coisas desse tipo. Mas tenho que dizer que meu filme favorito de todos os tempos provavelmente é Janela indiscreta.

– Por causa do Jimmy Stewart ou da Grace Kelly ? – ele perguntou, inclinando-se para beijar uma trilha de fogo em meu pescoço.

– Os dois, mas provavelmente mais por causa da Grace Kelly .

– Entendo. Você tem muito em comum com a Grace Kelly – sua mão subiu e ajeitou uma mecha de cabelo que havia se soltado do meu rabo de cavalo. – Ouvi falar que ela também tinha uma boca suja – ele acrescentou.

– Você adora minha boca suja.

– É verdade. Mas eu prefiro quando ela está cheia – ele disse, com o sorrisinho apropriado no rosto.

– Sabe, se você calasse a boca de vez em quando você seria quase perfeito.

– Mas então eu seria um rasgador de calcinhas silencioso, o que acho que é bem mais esquisito do que um chefão rasgador de calcinhas.

Eu me dissolvi em risadas enquanto ele fazia cócegas nas minhas costelas.

– Eu sei que você adora isso – ele grunhiu.

– Michael – eu disse, tentando soar desinteressada –, o que você faz com elas?

Ele me lançou um olhar sombrio e provocante.

– Guardo num lugar seguro.

– Posso ver?

– Não.

– Por quê? – perguntei, apertando os olhos na sua direção.

– Porque você vai tentar pegá-las de volta.

– Por que eu iria querer de volta? Você rasgou todas!

Ele sorriu maliciosamente, mas não respondeu.

– Por que você faz isso, afinal de contas?

Ele me estudou por um momento, obviamente considerando uma resposta.

Finalmente, se apoiou no cotovelo e colocou o rosto perto do meu.

– Pela mesma razão pela qual você gosta quando eu faço isso.

Então ele se levantou e me puxou para o quarto.



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