História Cretino Irresistivel - Capítulo 40


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Categorias Cretino Irresistível (Beautiful Bastard)
Tags Michaentina, Ronderista, Simbar, Zenerista
Visualizações 130
Palavras 2.117
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Fantasia, Romance e Novela
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 40 - Cap 19 Parte 2


Passou-se um minuto inteiro antes que eu conseguisse falar. Nesse tempo, o único som veio do meu irmão, dizendo:

– Mike, cara. O que aconteceu?

– Eu estraguei tudo – eu disse, pressionando meus olhos com as mãos.

O rosto do meu pai voltou ao normal e ele se sentou – na mesma cadeira em que, nem um mês antes, a Valentina também sentara, abrira as pernas e começara a se tocar, enquanto eu tentava manter a compostura ao telefone. Deus, como deixei a situação chegar a isso?

– Diga o que aconteceu – a voz do meu pai se tornou muito baixa: uma calmaria antes da tempestade. Afrouxei minha gravata, pois sentia que estava sufocando com o peso do meu próprio peito. A Valentina me deixou.

– Estamos juntos. Ou estávamos.

Kevin gritou “Eu sabia!” e meu pai gritou “Você o quê?”.

– Mas não antes de San Diego – eu disse, tentando acalmá-los. – Antes de San Diego nós estávamos apenas...

– Transando? – completou Kevin , recebendo um olhar duro do meu pai.

– Sim. Estávamos apenas...

Uma pontada de dor parecia perfurar meu peito. Sua expressão quando eu me inclinava para beijá-la. A maneira como eu tomava seu lábio entre os dentes. Sua risada em minha boca.

– E, como vocês dois sabem, eu era um idiota. Mas ela retribuía na mesma moeda – eu disse. – E, em San Diego, aquilo se transformou em algo mais.

Merda – estiquei o braço para pegar a carta, mas desisti. – Ela pediu mesmo demissão?

Meu pai assentiu, com uma expressão totalmente enigmática no rosto. Esse era seu superpoder: quanto mais emocional estivesse, menos emoções ele mostrava.

– É por causa disso que temos nossa política de fraternização, Mike – ele disse, atenuando a voz ao pronunciar meu nome. – Achei que você era mais esperto do que isso.

– Eu sei – esfreguei as mãos em meu rosto, fiz um gesto para Kevin se sentar e então contei todos os detalhes de quando tive aquela intoxicação alimentar, da reunião com Gugliotti e de como a Valentina cuidara muito bem de tudo. Deixei claro que tínhamos basicamente decidido ficar juntos, antes de eu encontrar Gugliotti na frente do hotel.

– Você é um filho da puta tão estúpido – disse meu irmão quando terminei de falar. Eu só pude concordar. Após um duro sermão e a promessa de que discutiríamos novamente todas as maneiras como eu estragara tudo, meu pai voltou ao seu escritório, para pedir que ela trabalhasse com ele até o fim do estágio. Se a Valentina decidisse continuar na empresa após o estágio, ela poderia facilmente se tornar um dos membros mais importantes de nossa equipe de marketing. Mas a preocupação do meu pai não era apenas com a Ronda Media.

Acontece que, se a Valentina fosse embora, ela teria menos de três meses para encontrar um novo estágio, aprender o trabalho e preparar um novo projeto para apresentar à banca examinadora. Por causa da influência da banca na faculdade de administração, a avaliação da empresa seria determinante para Valentina se graduar com honras e receber uma carta de recomendação do CEO da JT Miller.

Isso poderia alavancar ou destruir o começo de sua carreira. Kevin e eu ficamos sentados em completo silêncio. Ele me encarava e eu olhava para a janela. Quase podia sentir o quanto ele queria dar um chute no meu traseiro. Meu pai voltou ao meu escritório, pegou a carta de demissão e a dobrou três vezes. Eu ainda não tinha sido capaz de ler. Era uma carta digitada e, pela primeira vez desde que conhecera Valentina, eu queria ver aquela caligrafia ridícula dela ao invés de uma folha impressa e impessoal com fonte Times New Roman.

– Eu disse que esta empresa a valoriza muito, que esta família a ama e que nós queremos que ela fique – meu pai parou e seus olhos caíram sobre mim. – Ela disse que isso era mais uma razão para querer se tornar independente. Chicago se tornou um universo alternativo, no qual Billy Sianis nunca amaldiçoara os Cubs, a Oprah nunca existira e a Valentina Zenere não trabalhava mais para a Ronda Media. Ela se demitira. Ela se afastara de um dos maiores projetos da Ronda Media. Ela se afastara de mim.

Tirei os arquivos da Papadakis de sua gaveta. O contrato fora preparado pelo departamento legal enquanto estávamos em San Diego, só era preciso assinar. A Valentina poderia passar os dois últimos meses de seu MBA aperfeiçoando sua apresentação para a banca examinadora. Em vez disso, ela começaria tudo de novo em outra empresa.

Como ela podia ter aguentado tudo que eu fiz antes, mas desistir agora? Era mesmo tão importante eu a tratar como uma igual com um homem como o Gugliotti? Ela sacrificaria tudo entre nós por causa disso?

Com um gemido, suspeitei que o motivo para eu fazer essas perguntas era também o motivo para ela me deixar. Pensei que seria possível manter nossa relação e nossas carreiras, mas isso era porque eu já tinha provado o meu valor.

Acontece que ela ainda era a estagiária. Tudo que ela queria era a minha garantia de que sua carreira não sofreria por causa de nossa imprudência. Mas fiz exatamente o contrário.

Fiquei surpreso por o escritório não estar pegando fogo com a história do que eu tinha feito, mas parecia que apenas meu pai e kevin sabiam. A Valentina sempre guardou nosso segredo. Eu me perguntei se a Malena sabia e se ela ainda falava  com a Valentina.

Logo tive uma resposta. Alguns dias após Chicago mudar, a Malena entrou na minha sala sem bater na porta.

– Essa situação é completamente idiota.

Levantei os olhos, baixei o contrato que estava lendo e encarei seu rosto tempo o bastante para ela estremecer. Então eu disse:

– Quero lembrar a você que essa situação não é da sua conta.

– Como amiga dela, é sim.

– Como funcionária da Ronda Media, e como funcionária do Kevin , não, não é.

Ela me encarou por um momento e então assentiu.

– Eu sei. Eu nunca contaria a ninguém, se é isso que você está dizendo.

– É claro que é isso que estou dizendo. Mas também estou falando sobre seu comportamento. Não quero ver você invadindo minha sala sem bater.

Ela pareceu arrependida, mas não se abalou com meu olhar severo. Comecei a entender por que ela e a Valentina eram tão amigas: as duas tinham temperamento forte e eram ferozmente leais.

– Entendido.

– Posso perguntar por que você está aqui? Você falou com ela?

– Sim.

Esperei. Eu não queria pressioná-la para se tornar minha confidente, mas Deus, eu queria apertar aquele pescoço para arrancar cada detalhe que ela sabia.

– Ela recebeu uma oferta de emprego na Studio Marketing.

Soltei um suspiro tenso. Era uma empresa decente, mesmo que pequena. Uma empresa que estava crescendo e que tinha alguns bons executivos juniores, mas verdadeiros filhos da puta no topo.

– Com quem ela está trabalhando?

– Um cara chamado Julian.

Fechei os olhos para esconder minha reação. Troy Julian fazia parte do nosso conselho: era um egocêntrico com fama de ir atrás de garotas jovens. A Valentina sabia disso. No que então ela estava pensando?

Pense, seu idiota.

Ela provavelmente estava pensando que Julian teria os recursos para lhe dar um projeto substancial, que ela poderia apresentar em três meses.

– Qual é o projeto dela?

A Malena andou até a porta e a fechou.

– Comida de cachorro da Sanders.

Dei um soco na mesa. A fúria tomou conta da minha mente e fechei os olhos para me controlar e não descontar na assistente do meu irmão.

– Essa é uma conta muito pequena.

– Ela é só uma estudante de MBA, sr. Ronda. É claro que é uma conta pequena. Apenas alguém apaixonado deixaria ela trabalhar num contrato milionário de dez anos – sem olhar de volta para mim, ela se virou e foi embora.

A Valentina não atendia o celular ou o telefone de casa, nem respondia qualquer e- mail meu. Ela não me ligou, não passou no escritório e nem deu nenhuma indicação de que queria falar comigo. Mas, quando seu peito dói tanto que você nem consegue dormir, você acaba fazendo coisas como procurar o endereço da sua estagiária, dirigir até lá às cinco da manhã de um sábado e esperar ela sair.

E, quando ela não apareceu após quase um dia inteiro, eu convenci o porteiro do prédio dizendo que era seu primo e que estava preocupado com sua saúde. Ele me acompanhou até o apartamento e ficou atrás de mim enquanto eu batia na porta.

Meu coração estava quase saindo pela boca. Ouvi alguém se mexendo lá dentro, se aproximando da porta. Eu podia praticamente sentir seu corpo a centímetros do meu, separados apenas pela madeira. Pude ver uma sombra se movendo através do olho mágico. E então, o silêncio.

–Valentina.

Ela não abriu a porta. Mas também não se afastou.

– Linda, por favor, abra a porta. Preciso conversar com você.

Após o que pareceu uma hora, ela disse:

– Não posso, Michael.

Encostei minha testa na porta e pousei as duas mãos na madeira. Ter superpoderes seria útil ali. Mãos de fogo, sublimação, ou até mesmo a habilidade de encontrar a coisa certa para dizer. Mas agora, isso parecia impossível.

– Desculpe.

Silêncio.

– Valentina... Deus. Eu já entendi, certo? Brigue comigo por ser um tipo novo de idiota. Diga para eu ir me foder. Faça isso do jeito que quiser... só não desapareça.

Silêncio. Ela ainda estava ali. Eu podia sentir.

– Sinto sua falta. Merda, eu sinto muito a sua falta. Sinto demais.

– Michael, só... agora não, certo? Não posso fazer isso agora.

Ela estava chorando? Eu odiava não saber.

– Ei, amigo – o porteiro definitivamente soava como se aquele fosse o último lugar em que ele queria estar, e dava para perceber que estava irritado por eu ter mentido. – Não era por isso que você queria subir. Ela parece bem. Vamos embora.

Fui para casa e comecei a beber uísque. Por duas semanas, fiquei jogando sinuca em um boteco e ignorei minha família. Disse que estava doente e só saí da cama ocasionalmente para pegar uma tigela de cereal, encher meu copo ou usar o banheiro, onde olhava para meu reflexo e mostrava o dedo do meio para mim mesmo. Eu estava na pior e, como nunca experimentara nada assim antes, não fazia ideia de como sair dessa. Minha mãe apareceu com algumas compras de supermercado e as deixou na minha porta. Meu pai enviou mensagens diárias com atualizações do trabalho.

A Estela trouxe mais uísque.

Finalmente, Kevim apareceu com a única cópia das chaves da minha casa, derramou um balde de água fria na minha cabeça e então me deu um pouco de comida chinesa. Acabei comendo quando ele ameaçou colar fotos da Valentina nas  paredes da minha casa se eu não saísse logo dessa e voltasse ao trabalho. Durante as semanas seguintes, a Malena começou a suspeitar que eu estava ficando maluco e que precisava de uma atualização semanal. Ela manteve tudo em nível profissional, contando como a Valentina estava se saindo no novo emprego com Julian. Seu projeto caminhava bem. O pessoal da Sanders a adorava. Ela mostrara a campanha para os executivos e recebera o aval deles. Nada disso me surpreendeu. A Valentina era de longe melhor do que qualquer pessoa que trabalhava para eles.

Ocasionalmente, Malena deixava escapar algo a mais. 

Ela voltou a frequentar a academia”, 

“Ela parece melhor”,

“Ela cortou o cabelo um pouco mais curto e ficou muito bonito”, 

“Saímos com o pessoal no sábado à noite. Acho que ela se divertiu, mas foi embora cedo”.

Porque estava com alguém? , eu me perguntei. Então, afastei esse pensamento.

Eu não poderia nem imaginar sair com outra pessoa. O que tivemos fora algo muito forte, e eu tinha quase certeza que ela também não estava saindo com mais ninguém.

As atualizações nunca eram suficientes. Por que a Malena não tirava umas fotos escondida com o telefone? Eu tinha esperança de esbarrar na Valentina em uma loja ou na rua. Entrei na La Perla algumas vezes. Mas não a vi durante dois meses. 

Um mês passa voando quando você está se apaixonando pela mulher com quem está transando. Dois meses se tornam uma eternidade quando a mulher que você ama te deixa para trás.

Então, quando o dia da apresentação da Valentina se aproximou e a Malena disse que ela estava preparada e lidando com o Julian com mãos de ferro, mas que ao mesmo tempo parecia “triste e menos como ela mesma”, eu finalmente tomei coragem.

Sentei à minha mesa, abri o PowerPoint e o arquivo da Papadakis. Ao meu lado, o telefone tocou. Considerei não atender, pois queria me concentrar apenas naquilo.

Mas era um número desconhecido, e uma grande parte do meu cérebro queria pensar que poderia ser a Valentina.

– Aqui é o Michael Ronda.

A risada de uma mulher ecoou do outro lado da linha.

– Lindo, você é mesmo um Cretino Irresistível



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