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História Criminal - Capítulo 1


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Capítulo 1 - First duty.


Fanfic / Fanfiction Criminal - Capítulo 1 - First duty.

Eram cinco horas da manhã e eu caminhava por uma das ruas quase vazias de Chicago com o meu filho nos braços, reforçando a sua quentura com o meu próprio casaco grosso acima de suas costas. A manhã estava fria e eu cansado, após uma madrugada em claro por conta de meu serviço.

Trabalhar num departamento de Investigação não era nada fácil. Ainda que, ao contrário do que muitos pensam, eu não tivesse um cargo muito importante, muito menos fosse enviado para missões.

Pois é, há quem diga que trabalhar secretamente para o estado é por certo a coisa mais emocionante que fará na vida. Mas para mim, é praticamente um emprego comum; onde eu mais passo tempo em frente ao computador analisando fichas criminais, do que me envolvendo em casos na vida real.

Por vezes eu chegava até mesmo a me perguntar se essa situação valia a pena. Mesmo tendo perdido anos em treinamento com artes marciais e uso de armas, sequer podia mostrar o meu potencial.

É verdade que eu entendia de tecnologia e banco de dados, mas não deixava de ser um desperdício que tanto empenho físico tivesse sido jogado para o alto no momento em que descartaram o meu potencial e me colocaram por trás dos visores. Bom, eu já nem me incomodava tanto. Afinal, ainda que tivesse direito de morar no país, eu continuava sendo originalmente um estrangeiro asiático que não conseguiria uma vaga que um americano nato, poderia ocupar com honra. 

— Binho...

Resmungou o nome de sua pelúcia favorita, tremendo em meus braços e suspirei, vendo a fumaça que a baforada causou no ar gélido daquela época do ano.

Ainda que fosse ainda muito cedo, eu acabava de buscá-lo na casa de minha mãe. Se eu podia esperar um pouco? Sim, poderia. Mas ao saber que meu filho tinha passado a noite inteira com febre, não consegui nem mesmo cogitar a hipótese de ir direto para casa e dormir tranquilo.

Com a morte de minha ex-namorada após o seu nascimento, não houve muito o que eu pudesse fazer além de tomar a responsabilidade e vez ou outra, deixar aos cuidados da avó paterna que tentava ao máximo ensiná-lo nossa língua nativa, priorizando o inglês pelo mesmo ser oficialmente um cidadão nascido aqui.

Cheguei em casa e tranquei a porta com a chave e também com um lacre, garantindo ao menos um pouco mais de segurança.

O levei até o seu quarto e o coloquei deitado na cama, passando minha mão pela sua testa ainda muito quente. Suspirei preocupado, abrindo a gaveta da cômoda para tirar dali um termômetro. Logo que o coloquei debaixo de seu braço, ele acordou.

— P-Papai...

Resmungou todo choroso, se remexendo enquanto eu tentava pacientemente tirar a sua temperatura.

— Dói, dói papai. — tossiu.
— Dói onde filho?

Apontou para o peito chorando e eu senti meu coração se apertar. Ele era tudo para mim. Contando com minha mãe e meu irmão, — que por sinal estava na Coreia, — Hyeon é meu bem mais precioso em todo o mundo. E ver um filho sofrer é a pior sensação para um pai.

Ele não parava de tossir, seu peito chiava e ao medir o quanto de febre tinha, me assustei ao me deparar com anormais trinta e nove graus.

— Minha nossa, Hye... Eu vou ter que te levar ao médico agora.
— Papai, não! — tossiu mais. — P-Pufavoi não!

Saí pra pegar uma bolsa com seus documentos enquanto ele delirava de febre, dizendo coisas sem sentido. Sequer tinha completado seus quatro anos ainda. Era ainda um bebê pra mim e eu não sabia como reagir porque nunca tinha o visto tão ruim antes.

Corri com ele até o carro, levando junto seu cobertor. Eu não ousaria ir a pé, de táxi, muito menos de metrô como costumava fazer de percurso até o trabalho. Eu precisava ser rápido e muito.

Nenhum chá ou remédio caseiro dado pela minha eomma, tinha sido capaz de curá-lo. Eu não podia esperar mais um único dia. Já faziam 4 dias que ele tossia, tomando remédios todos os dias. Parecia uma simples gripe no começo, mas uma febre alta dessas, nunca aconteceu antes.

Eu até mesmo me sentia culpado por isso. Passava a noite ausente e quase metade do dia também distante por causa de meus afazeres. Se ao menos eu fosse mais presente, isso poderia ter sido evitado.

No pronto-socorro não demorou muito até que fosse atendido por um pediatra que fez uma cara nada boa, chamando os enfermeiros. Pediu raio-x e alguns exames dos quais o pequeno agitado, pareceu morrer de medo de fazer.

Mesmo acordado desde às 23h, não havia sono que fosse capaz de superar a minha preocupação naquele momento. Eu esperava aflito por uma resposta, um mínimo parecer do doutor.

Quando enfim veio em nossa direção, meu pequeno dormia com a respiração densa e barulhenta.

— Senhor Jeon, sinto muito mas o seu filho precisa ser internado agora mesmo. Pelo raio-x nós verificamos o seu pulmão quase completamente cheio; o caso de pneumonia dele é preocupante vindo de uma criança dessa idade. Como pai, não percebeu os sintomas antes?

Me olhou desconfiado. Nos Estados Unidos a paternidade é levada muito a sério. Em caso de negligência, eu poderia até mesmo ser preso ou perder a guarda dele.

— Eu percebi, por isso estava dando esses remédios...

Tirei da mochila com certa dificuldade, mostrando para ele que os analisou cuidadosamente, vendo muitos já pela metade.

— Certo. Vejo que fez o que pôde, então deixe o resto nas nossas mãos.

Fez sinal para duas enfermeiras que se aproximaram, tirando ele de meus braços.

— Doutor, é mesmo muito grave?

Perguntei, esperando por alguma resposta tranquilizadora.

— Muitas pessoas têm morrido de pneumonia esse ano, honestamente, não posso garantir que seu filho tenha chances. — disse simples, concluído com ainda mais frieza: — Calculo que em média, essa será a conta da internação:

Me entregou um papel e eu arregalei os olhos. Era muito dinheiro para que eu pudesse pagar. Com certeza entraria em dívidas se tentasse com o meu salário atual. Mesmo assim, era meu filho. Eu não poderia deixá-lo na mão. Eu faria o possível e o impossível.

[...]

Eu estava no quarto individual, sentado em uma poltrona confortável ao lado da cama. Eu o observava atentamente, repleto de aparelhos que me angustiavam só de olhar.

Não queria preocupar a minha mãe logo cedo, por isso não liguei para ela.

Esse mesmo hospital não me trazia boas lembranças. Foi aqui que Molly havia falecido. Minha ex teve complicações no parto e naquela mesma noite, veio a óbito. Ainda que não fôssemos casados, aquela situação doeu em mim.

Ela havia descoberto a gravidez após o nosso término. E mesmo que já não tivéssemos um relacionamento, nos comprometemos numa verdadeira amizade pelo bem da criança que iria nascer.

Seus pais foram contra a gravidez e deixaram isso claro desde o início, afastando-se dela ao descobrir que teria um filho de um estrangeiro. Para eles, até hoje esse era um desgosto.

Pensando em como pagaria pelo tratamento absurdamente caro do lugar, comecei a fazer as contas...

Na época em que nasceu, eu havia gastado cerca de quarenta mil dólares de conta hospitalar. Agora, o total ia ser ainda maior.

Depois de ver que não seria capaz de pagar, entrei em choque. Eu precisava fazer alguma coisa, ao menos conseguir um aumento ou o que fosse.

Liguei para Frank, um amigo meu de trabalho, perguntando se haveria possibilidade de eu ser promovido e ganhar um pouco mais, diante dessa situação em que estava vivendo.

Ligação On:

— Poxa vida, cara. Melhoras pro garoto. — suspirou. — Bom, o único modo de você ganhar bem aqui, é virando um investigador criminal ativo, como eu sou. Vai ter que pegar um caso e obter sucesso. Se conseguir isso numa missão forte, pode ter certeza que vai dar até pra pagar a conta à vista.
— Franklin, eu...

Passei as mãos pelos cabelos nervoso e fitei o chão.

— Eu vou ter que fazer isso... Me faz um favor? Procura um caso aí pra mim. Não importa o grau de dificuldade, me ajuda com essa que eu topo qualquer coisa.
— Tudo bem, nos vemos.

Ligação Off.

Mandei mensagem para a minha mãe, enfim avisando sobre o acontecido. Me aproximei da maca e acariciei os seus cabelos, me ajeitando no espaço livre ao seu lado, abraçando o corpo frágil do meu menino.

— O appa promete que vai dar tudo certo. — beijei o topo de sua cabeça e fechei os olhos.

[...]

Acordei chacoalhado pela minha eomeoni, que pedia carinhosamente que eu fosse para casa tomar um banho enquanto ela acompanhava a estadia do neto. Agradeci e com pesar eu fui embora.

Agora já estava de banho tomado e olheiras rasas, adentrando o departamento consideravelmente grande no centro da cidade.

Peguei o elevador moderno até o sétimo. Andar esse que eu não costumava frequentar devido o meu baixo cargo em comparação aos demais.

Assim que saí, olhei ao redor curioso. Poucas vezes tinha sido chamado ali. Não me surpreendi muito com os aparatos de última geração, considerando que sabia do potencial do lugar, ainda que não chegasse aos pés do FBI ou CIA.

— Bom que você chegou, separei três casos pra você. 

O acompanhei até sua pequena sala repleta de persianas. Colocou sobre a mesa três envelopes e abri um por um.

— Você tem certeza que posso pegar qualquer um? — o olhei.
— Claro. Só pede autorização pra chefe antes. Com o aval dela você pode e se conseguir, é promovido.

Me sentei na cadeira, lendo atentamente os dois primeiros casos. Um tratava-se sobre a procura de um plagiador de pinturas clássicas; o outro sobre um hacker da região, acusado de denegrir a imagem de artistas com vídeos íntimos. Esse foi o que mais me interessou, considerando a minha facilidade em descobrir qualquer um que usasse a rede.

— Você não viu esse aqui. — me empurrou o envelope. — Olha, não é por nada não, mas é o que mais paga bem.

Frank disse, cruzando os braços em frente ao corpo depois de ajeitar a manga da camisa. Ele era alto, atlético, tinha trinta e poucos anos e sua falta de cabelo nunca interferiu com o seu sucesso com as mulheres. Eu o chamava de careca abençoada, mas brincadeiras à parte, tínhamos uma séria questão a ser resolvida.

Abri o envelope, tirando dali de dentro vários papéis.

O caso era sobre Kimberly Carter, uma garota de 20 anos que curiosamente tinha sido testemunha de três crimes em períodos diferentes de sua vida. Um latrocínio, roubo a um mercado e um assassinato.

Ela não tinha histórico criminal algum e não haviam provas que mostrassem envolvimento com qualquer um dos casos, o que tornava tudo ainda mais curioso.

— Essa garota é um mistério. Não sabemos se tem pouca sorte e aparece nos lugares errados, em horas erradas ou um é gênio do crime... O pior de tudo é que é bem bonita.

Riu soprado, passando umas fotos dela por cima dos papéis. Eu precisava admitir... Se eu a visse na rua, nunca a confundiria com um perfil de assassino. Um corpo bonito, um rostinho simpático, um jeito simples de se vestir...

A recompensa em descobrir e obter provas sobre a sua inocência ou culpa, é de cento e cinquenta mil dólares. Soltei um assobio seguido de olhos arregalados ao ver tamanha quantia em dinheiro.

— Decidido. É esse aqui mesmo. — me levantei. — Vou falar com a chefe.
— Vai na fé, sei que consegue. Estuda bem esse caso!

Assenti e saí com o envelope confidencial até a sala da patroa. Uma mulher séria, de óculos e seus cinquenta e poucos anos.

Olhou pra mim com deboche e em seguida para os papéis.

— Você acha que dá conta desse caso, rapaz?
— Tenho certeza absoluta.

Respondi com firmeza. Me olhou um pouco e deu de ombros.

— Vou te dar uma chance. Você tem um ano pra dizer se ela é inocente ou não. Os meios que vai utilizar para fazer isso, não me interessam. Pode ir. — ia sair. — Já ia me esquecendo...

Abriu a gaveta, retirando dali um distintivo oficial, me jogando. Peguei, um pouco admirado.

— Cuidado pra quem mostra isso aí, garoto. — me entregou também uma arma. — Esse é seu kit, faça um trabalho útil com ele. A partir de hoje sua missão é externa. Você recebe o mesmo salário de seu último cargo enquanto isso, até que entregue o serviço extra completo.

Assenti e saí depois de algumas formalidades. Eu cheguei em casa rapidamente, lendo e relendo cada relatório. Fiz fichas, organizei hipóteses e deixei as dúvidas no ar.

Sabia que seria arriscado e que eu mesmo poderia ser colocado à prova. Tinha plena consciência de tudo o que poderia passar e mesmo assim, isso era o que menos importava no momento.

Sentado na cadeira de minha cozinha, anotei alguns dados importantes que encontrei em seus relatórios digitais, disponíveis apenas para aqueles que trabalhavam no departamento.

Sem histórico de relacionamento há três anos, trabalha numa lavanderia... Foi detida em 2018 por suspeita de estar envolvida num assassinato, mas liberada por falta de provas. Desde os 15 anos mudou de cidade diversas vezes. Atualmente seus pais estão morando no Texas e ela em Chicago já fazem quatro anos...

— Nem sei por onde começar... — suspirei, tocando meus ombros tensos.

Eu precisava planejar meus primeiros passos com cuidado, analisando cada mínimo detalhe antes de ir para a ação. Era a minha primeira investigação e eu precisava contar com imprevisibilidades e casualidades que poderiam acontecer durante o tempo.

A partir de amanhã eu iniciaria os preparativos para a minha aproximação. Não podia falhar, pelo bem de meu filho.

 


Notas Finais


Espero que gostem, opiniões serão bem-vindas! Obrigada por ler ❤❤


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