1. Spirit Fanfics >
  2. Crisântemo >
  3. . prólogo

História Crisântemo - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


. olá, faz um tempo que eu queria voltar a escrever histórias para o site, então decide fazer algo com base em um jogo que eu costumo mexer com bastante frequência. Confesso que fiquei em dúvida em qual campeão usaria, mas o Sett me caiu como luva, pois querendo fazer algo leve como um romance meio clichê, a história dele me parecia bem convidativa. De qualquer forma eu estou empolgada com a história e espero que vocês gostem também. Boa leitura ♡

Capítulo 1 - . prólogo


~ Durante a invasão de Noxus em Ionia;  em tempos já conturbados

 

A luz timidamente encontrou espaço entre a copa das árvores, entre os pequenos buracos das folhas, que fora o suficiente para que os feixes corressem entre eles e fossem ao encontro do rosto de Anthy, que lentamente acordara. Era a segunda vez que havia adormecido naquela mesma posição, com o corpo estirado sobre aquele galho, completamente envolto de, e somente, natureza. Os olhos permaneciam pesados e o corpo demorando para responder, se ela pudesse culpar algo, provavelmente seria o clima de Navori. Aquele dia em especial estava seco, bastante quente; algo natural para o verão. Mais cedo um leve chuvisco buscou amenizar o impacto do sol na terra. O cheiro de grama molhada era refrescante, mas o que Anthy mais amava era o aroma amadeirado. Seu corpo remexeu-se para o lado onde o nariz entrou em contato com a casca amarronzada. Naquele momento as cigarras já estavam agarradas no largo tronco buscando a melhor posição para que pudessem repercutir suas canções e os coelhos saíam de suas tocas para que pudessem alongar suas pernas; por um momento Anthy havia recordado de como era essa sensação de paz interior apenas ouvindo o cantar das andorinhas.

Recordou-se momentaneamente de que resolveu escalar aquela árvore até o galho mais resiste para que pudesse permitir o corpo de contemplar o silêncio e desfalecer. De fato, o miúdo corpo fazia suspenso do chão buscando um descanso para que o estômago realizasse o processo de derretimento da comida recém-chegada vinda do almoço. O fato era que no meio da natureza a menina encontrou conforto, muito mais do que havia em casa. Há algo de errado comigo, pensou ela consigo, ultimamente tenho tanto sono… O bocejo vindo em seguida refletia a sua insatisfação energética corporal, estava demasiadamente exausta. Delicadamente os dedos vieram a limpar seus olhos marejados que ainda respondia os impulsos nervosos com sonolência. Arriscou-se a buscar respostas para tal acontecimento, de repente a jovem Anthy franziu o cenho quando uma rápida lembrança daquele dia viera em fragmentos em sua mente. Os inúmeros pesadelos noturnos a impossibilitavam de ter boas noites de sono. Sempre que descansa a cabeça sobre o travesseiro, tudo era interrompido de maneira brusca. Odiava ter que mergulhar todas as madrugadas no mundo obscuro de sua mente, de maneira quase inconsciente. Aquele acontecimento a prendia em um loop eterno. Ela assistia tudo de novo. Sentia tudo de novo. A correnteza subindo sobre seu corpo. A densidade da água. Os pulmões cheios. Lembrava do desespero, do corpo de Ariel se afastando com velocidade para longe do dela. De… Ariel… 

De imediato seu campo de visão fora preenchido com lágrimas que embaçavam seus sentidos. A menina foi pega de surpresa, não esperava a presença delas naquele momento, mesmo que, no fundo, saberia que uma hora iria acontecer. A problemática da situação rondava no fator de que tudo era muito recente, por isso ainda lhe doía tanto relembrar. Era por esse mesmo motivo que permanecia distante o mais possível de casa. A mãe ainda permanecia bastante chorosa e o pai exausto; a foto do irmão na sala parecia atormentá-la muito mais. Era extremamente sufocante manter-se naquele ambiente, por isso sempre que possível pendurava-se nas árvores e por lá se estabelecia até o crepúsculo. Encontrou conforto na natureza e lá fez sua nova casa. Levou mais uma vez os dedos para secarem as lágrimas antes que teimassem em cair, era melhor que ela ocupasse sua mente nesse meio tempo. Antes que pudesse listar as atividades, uma voz familiar rompeu o silêncio do meio das árvores, atraindo sua atenção:

— Eu sou tão estúpido!

Havia bastante raiva naquele timbre aparentemente masculino. Curiosa, Anthy revirou-se para o lado mais uma vez para que focasse na parte abaixo de seu corpo. No meio de tantos galhos ela reconheceu um tom avermelhado de cabelo, e logo após isso vários socos foram desferidos contra o tronco da árvore. Não foram fortes o suficiente para que balançasse as folhas mais altas, mas a fúria em cada pancada era nítida. Temerosa que pudesse ser alguém que poderia machucá-la, a frase fora se repetindo até a menina perceber que se tratava de alguém aparentemente da sua idade. Com delicadeza, e optando em não fazer barulho, deslizou o corpo de galho em galho com maestria até alcançar o mais próximo possível do chão, sem tocá-lo. Era um menino. Analisando bem Anthy poderia julgar que o conhecia de algum lugar, aquela coloração de cabelo lhe era familiar até demais, mas pelo processo lento de pensar a memória atrasava para vir. Após notar o corte horizontal no meio do nariz, ela percebeu que se tratava de Sett, o menino fera.

Aquele nome repercutia bastante pela vila, talvez corresse mais que o vento. Quase todos sabiam que ele era fruto de um relacionamento moralmente errado. Uma vastaya com um humano. Por vezes Anthy o via brigando com os outros meninos e a mãe sempre alertava a ela e Ariel que deveriam ficar longe do meio vastaya. Mas não era como se o irmão gêmeo obedecesse, e indo junto às suas atitudes, Anthy fazia o mesmo. Poucas foram as vezes que trocaram algumas palavras, ela o achava ríspido demais, mas Ariel não tolerava o fato de que discriminam o garoto só por ser diferente. Com o tempo Anthy mudou sua visão de moleque encrenqueiro para alguém solitário e passou a tentar tolerar sua antipatia. Quando a mãe descobriu, Anthy jurou ter visto todos os cabelos de sua cabeça ficarem brancos. Irritada, proibiu os meninos de saírem sozinhos. Entretanto, após os acontecimentos dramáticos dentro da família, ela nem se importava mais se a filha estava em casa ou não. Aparentemente era ela quem queria ficar sozinha no momento. Não fora pega de surpresa pois já havia se acostumado com as características animalescas de Sett, entretanto apresentou-se bastante assustada após ver o sangue do garoto coberto de sangue.

— O que aconteceu com você? — Perguntou Anthy de maneira inesperada, onde eventualmente fez o garoto assustar-se com a voz feminina vindo de cima. Ele ergueu a cabeça surpresa para olhá-la, e vendo de quem se tratava, fechou o rosto mais uma vez,

— Não é da sua conta. — Cortou-a.

Anthy franziu o cenho, o menino era teimoso como uma pedra. Mas respirou fundo e não se deixou levar pelas emoções, pois claramente o corpo de Sett esbanjava impulsividade. Rapidamente a menina pendurou-se no galho e pisou no chão com maestria. Em pequenos passos aproximou-se mais do menino para perceber os visíveis hematomas pelos seus punhos e corpo esguio, alguns eram até recentes para que Anthy deduzisse que foram ocasionados dos socos dados contra a árvore. Entretanto ele não parecia se importar, era como se não sentisse mais a dor carnal, talvez a frustração e raiva foram fortes o suficiente para cegar essa resposta do corpo.

— Você entrou em uma briga de novo, não foi? — A menina questionou visivelmente preocupada com os machucados.

— Eles que vieram para cima de mim. — Justificou ele e em seguida deu os ombros. — Eu consegui lidar com tudo sozinho.

— Eu estou vendo. — Concluiu a menina com ironia, era nítido que Sett quase perdeu a batalha.

— E o que você está fazendo aqui afinal? Não tem mais família?

— Sua mãe sabe que você anda brigando na rua?

— Isso não é da sua conta! — Sett esbravejou em um grito de fúria, fazendo Anthy recuar temerosa.

A menina demonstrou certo receio de se manter próximo dele, que, por outro lado, lentamente percebeu a gravidade do seu impulso e as orelhas felinas baixaram levemente em arrependimento. Mas ele não ia se desculpar, ela estava invadindo o seu espaço, ele tinha o total direito de tratá-la daquela forma, senão começaria a ouvir piadas ao seu respeito e da mãe. Não iria ceder para uma menina magérrima que sabia escalar árvores ao invés de bordar.

Um clima de silêncio formou-se entre os dois e Anthy quase recuou do local, optando buscar algo para fazer, mas por algum motivo seus pés não se mexeram. No fundo, ela sentia pena daquele menino e não queria deixá-lo todo machucado naquele local. Seu pai, como um bom médico, havia lhe ensinado que jamais deveria abandonar feridos quando se pode fazer algo. De repente os neurônios de seu cérebro se chocaram e o conhecimento de que aquela árvore diante dos dois na verdade produziam folhas curativas.

— Eu posso fazer com que você chegue em casa sem que sua mãe saiba de tudo isso. — Afirmou com convicção. Suas habilidades eram algo que Anthy jamais duvidaria diante dos outros.

As orelhas de Sett ergueram-se. Curiosas? Atentas? Era difícil de interpretar, a certeza era de que Anthy havia chamado sua atenção com façanha.

— Como? — Perguntou o menino, ainda na defensiva. Queria saber até onde aquela conversa fiada iria terminar.

— A árvore. — Anthy apontou para os galhos fazendo o garoto erguer os olhos até eles. — É uma Corfrei. Olhe… 

A menina pendurou-se até alcançar um galho, de lá retirando as folhas com delicadeza para não machucar a árvore mais do que estava. O menino fera estava atento e surpreendeu-se ao ver a garota levar as plantas até a boca e mastigá-las. Um bolo esverdeado fora cuspido junto a saliva em sua mão.

— Sente. Eu irei passá-las pelos machucados e em algumas horas tudo estará curado. — Afirmou, mas vendo a desconfiança do meio vastaya, ela respirou fundo. — Confie, meu pai é médico, ele me ensinou muito sobre ervas.

Hesitante, Sett acatou o pedido, não porque confiava nela, mas sim pelo motivo de não querer decepcionar a mãe. Para ele era compreensível arriscar qualquer coisa para que não pudesse ver aquele rosto tão amoroso se afundar em tristeza. Não depois do que ele havia feito.

Sentado no chão, o menino esperou paciente que a companheira fizesse o que havia prometido. No começo, a ardência assolou cada machucado em que a erva era posta, mas havia apanhado tanto naquele dia que sequer tremeu pela dor. Mesmo que não quisesse acreditar, Anthy aparentava ter mãos leves, meio contraditório para alguém que sabe escalar árvores tão rápido. Talvez a delicadeza da menina facilitou o alívio na hora do remédio. Durante o processo, Anthy percebeu que Sett parecia bastante desconfortável, evitando olhá-la nos olhos ou falar qualquer palavra em sua direção. Apenas ficaram em silêncio, ambos. E talvez fosse melhor assim, ela gostava de silêncio e de cuidar de pessoas. No fim, ela estava se ocupando esse tempo todo.

— Obrigada. — Disse Sett, meio constrangido após a erva ser toda espalhada pelo seu corpo. O sorriso caloroso de Anthy o fez ficar levemente corado pela interação tão íntima com alguém. Ainda mais com uma mulher. Ele quase não se recordava de sentir tais sentimentos ao lado de alguém que não fosse sua mãe.

— O prazer foi meu. — Anthy retribuiu o carinho. — Mas por favor, tente ficar longe de brigas.

— Eu não prometo.

O comentário surpreendente arrancou risadas das meninas, que após vê-la gargalhar, fez com que o meio vastaya se sentisse mais à vontade em sua presença após emitir um leve sorriso de satisfação. Passaram-se horas desde que as duas crianças permaneceram debaixo daquela árvore conversando sobre os primeiros assuntos que vinham em suas cabeças. Sett não perguntara do irmão gêmeo, ele sabia o que ocorreu, e na verdade não queria estragar aquele momento. Talvez fosse a primeira vez em que ele se sentiu acolhido por alguém e não queria de maneira alguma renunciar àquele sentimento de ser querido. Por outro lado, Anthy parecia agradecida em ter alguém para conversar todo esse tempo, evitando que ela mesma caísse nas armadilhas mentais que aquele verão lhe havia proporcionado.


Notas Finais


. obrigado por lerem a história, comentários sempre são bem-vindos. Criticas construtivas também.
. eu me esforçarei para postar semanalmente novos capítulos, mas devido a minha rotina, algumas vezes posso atrasar, mas uma hora ele vai sair, pode ter certeza ♡


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...