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História Crises de Meia Idade - Capítulo 1


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Notas do Autor


Depois de muito tempo minha vontade de escrever voltou! Ia guardar essa história pro aniversário do Gintoki, mas decidi postar, só pra ter uma desculpa pra escrever ginhiji de novo. (っ ˘ω˘ς)

Capítulo 1 - Único: crises de meia idade


Aquela era uma das raras vezes em que Hijikata conseguiu algum tempo para ambos dentro do último mês. Com todas as patrulhas diurnas, os papéis apenas se acumulavam, e restava ao vice-comandante usar de suas noites para colocar a documentação em dia. A atividade criminosa em Edo parecia ter aumentado de maneira considerável ultimamente, e isso não ajudava em nada o moreno, deixava-o apenas em um constante estado de exaustão, que o levava a fumar ainda mais e abusar em dobro de seu condimento idolatrado.

No início, Gintoki passou a fazê-lo companhia, invadindo o quartel e consequentemente seu quarto furtivamente, roubando algumas horas para os dois, mas tal ato se tornou problemático, já que o yorozuya dificilmente permitia que Hijikata se concentrasse em seu trabalho, fosse com suas reclamações constantes por motivos triviais ou mesmo a necessidade de atenção, se iniciando com cochilos aconchegantes contra as costas do vice-comandante ou em seu colo, e por vezes, evoluindo para avanços nada inocentes, o que resultava numa noite perdida para o trabalho, já que mesmo a vontade de aço de Hijikata era incapaz de resistir.

A sede do yorozuya estava deserta a não ser pelos dois. Kagura havia sido convidada a jantar na casa de Shinpachi assim como Gintoki, que inventou uma desculpa qualquer, sabendo da folga do vice-comandante demoníaco. Sob tais circunstâncias, a Yato passaria a noite no dojo, retornando apenas na manhã seguinte, o que daria privacidade o suficiente para que Hijikata e Gintoki aproveitassem da tão preciosa oportunidade.

Hijikata fumava seu terceiro cigarro à janela, a yukata aberta apenas envolvendo seus ombros, revelando o tronco e o bom resultado da diligência de seu treinamento na arte da espada, enquanto Gintoki se mantinha estendido de costas no futon, com nada além da samba canção e o lençol cobrindo parcialmente o torso. Mesmo na penumbra, era possível notar as peças de roupas espalhadas pelo quarto, o que era normal quando se encontravam. Espalhafatosa era uma boa palavra para definir a relação deles, que por hora, preferiam manter em segredo. 

De fato, os dois ainda tentavam se acostumar à ideia de ver o outro com sentimentos que iam além da rivalidade, algo que se tornou impossível de negar depois de compartilharem do primeiro beijo, e então, da primeira noite, e com tamanho empenho, que nem toda bebida do mundo seria o suficiente para justificar.

Gintoki virou-se de lado, escorando a cabeça na palma da mão.

— Oi, seu viciado em nicotina, feche a janela, está começando a ficar frio… — argumentou, não referindo-se apenas ao ambiente, mas ao futon, dando tapinhas distraídos ao seu lado.

Hijikata deu uma última tragada longa, tomando seu tempo ao liberar a fumaça dentre os lábios antes de apertar a ponta do cigarro no cinzeiro.

— É melhor eu ir — concluiu, vestindo a yukata e unido-a na frente do corpo antes de sair pelo quarto a procura do obi.

— Por quê?! Desenvolveu complexo de Cinderela? Ainda não passa da meia noite...

— Estou com sono, cansado e dolorido, graças a um certo alguém — reclamou, esfregando a mão direita no ombro.

— Acha que as minhas costas também não doem? Deveria considerar a minha idade.

— Nós temos a mesma idade, idiota! E estou me referindo a essa maldita mordida não a todo resto — grunhiu a meia voz, apontando as marcas de dentes profundamente impressas na própria pele. — Agora vou ter que me esgueirar até para tomar banho, a fim de evitar perguntas…

Gintoki coçou o permanente natural, sentando-se no futon. Sua expressão não tinha um pingo de arrependimento, de fato, fazia pouco caso de Hijikata, já que suas escápulas também não se encontravam no auge do bem estar.

— Oogushi-kun, não seja teimoso. Acha mesmo que fica bem pra um adulto crescido como você ficar se fazendo de difícil? Se está com sono, tem um local perfeitamente adequado aqui para dormir, assim como um travesseiro — acrescentou, flexionando o braço a fim de destacar o bíceps.

— Tch, da última vez que passei a noite, a droga do seu despertador me deixou na mão, e tive que pular a janela às pressas para não ser pego pelo pirralho de óculos.

— Se preferir, posso te manter acordado… — sugeriu.

— Por que diabos está tão carente hoje?

— Quem aqui está carente, maldito? Um homem tem certas necessidades.

— Eu também sou homem e não estou choramingando como você — debochou, cruzando o quarto próximo ao futon ao avistar seu obi.

Gintoki estava sem paciência para maiores argumentos. Ele não precisava se justificar para Hijikata. Independente do quanto se fizessem de durões, eles estavam em uma espécie de relação, e tinham passado tempo demais longe um do outro. Um par de horas nos braços alheios não era nem de longe suficiente. Um homem de fato tem necessidades, mas estas não se satisfazem apenas de maneira carnal.

Sem uma palavra o yorozuya apenas agarrou a barra da yukata do distraído Hijikata, que mal teve tempo de processar o que acontecia antes de cair desajeitadamente no chão, e se ver imediatamente sob a sombra de Gintoki, que se colocou sobre o moreno, pressionando seus ombros contra o futon. 

Qualquer conspirador teria inveja do sorriso que Gintoki ostentava tão maliciosamente, assim como do olhar, cheio de segundas, terceiras e quartas intenções.

Hijikata trincou os dentes tentando se libertar, mas a gravidade em adição ao corpo volumoso do platinado não estavam a favor do vice-comandante.

— Que diabos está fazendo, idiota?

— Não me lembro de ter dito que poderia ir, Hijikata-kun.

— E eu de que preciso de autorização sua para isso.

Hijikata espalmou a mão na face de Gintoki a fim de afastá-lo, mas este simplesmente capturou-lhe ambos pulsos, e os mantiveram presos junto ao chão. Os lábios de Gintoki encontraram o peito de Hijikata, subindo até a parte mais sensível atrás da orelha do moreno, resvalando-os ali antes de deixar um beijo estalado e úmido, sussurrando em seguida:

— Já que precisa tanto de uma desculpa para ficar, talvez eu deva simplesmente fodê-lo de modo que você seja obrigado a perman-...

Gintoki foi bruscamente interrompido com a joelhada que levou nas costelas, se vendo completamente expulso de seu papel dominador. Furioso, ele sentou sobre o quadril de Hijikata, encarando-o de cima ao pressionar a lateral do corpo com uma careta.

— Que droga pensa que está fazendo, seu bastardo? Eu estava tentando ser super sexy, ok…?!

— Y-Yorozuya…

O tom do moreno não era de submissão ou de prazer, nem sua atenção estava voltada para ele, e sim, em direção a porta. A expressão de Hijikata era um misto de confusão e pânico, e Gintoki sentiu o estômago afundar em seu interior, já que sabia que não era tão bom ator assim ao ponto de provocar tamanhas emoções no outro. O yorozuya engoliu em seco antes de seguir a linha de visão do moreno, apenas para se deparar com a figura de Kagura completamente estática.

— K-Ka-Kagura…

A jovem yato simplesmente girou nos calcanhares ao ouvir seu nome, saindo acelerada.

— Oi, Gintoki, não vai fazer nada sobre isso?!! — Questionou o moreno, em desespero.

Mas bastou olhar para a expressão de Gintoki para entender que ele não estava em mínimas condições para isso. Durante todos aqueles anos de convivência, de todas as batalhas compartilhadas, era a primeira vez que o via sem saber o que fazer, completamente perdido.

Hijikata agarrou ambas as faces dele, virando o rosto de Gintoki em sua direção, já que sua voz parecia não surtir efeito algum.

— O que quer fazer, Yorozuya?

— Tinha certeza que tinha fechado a porta… — murmurou ele para ninguém em especial.

— Oi…

Independente dos esforços do vice-comandante, Gintoki se mantinha num universo paralelo ao dele.

— Tch.

O vice-comandante puxou o platinado para si, fazendo sua testa encontrar a dele numa pancada firme, que arrancou gemidos de dor dos dois. Gintoki encontrou os olhos do moreno, que se mantinha a observá-lo apesar dos xingamentos entredentes. Hijikata esperou um minuto inteiro antes de questioná-lo uma segunda vez, mas de maneira diferente:

— O que quer que eu faça, Gintoki?

— Kagura… ela… eles não sabem…

— Eu sei disso, por isso estou perguntando-... Argh! Maldito seja, Yorozuya — grunhiu o moreno, empurrando-o de seu colo com nenhum cuidado a fim de perseguir a jovem Yato, não se atentando mesmo a pegar a katana, a qual era sua companheira inseparável.

Hijikata parou um momento nas escadas, tentando deduzir para onde a Yato teria ido numa hora daquelas, mas para sua sorte não precisou pensar muito, já que avistou o topo da cabeça ruiva escondida num dos becos próximos. Ele não hesitou em ir até ela, embora não soubesse exatamente o que dizer.

— Precisamos conversar, China.

Kagura não ficou surpresa ao vê-lo ao seu lado, lançou apenas um olhar de cima a baixo, como se o avaliasse.

— Antes de mais nada, eu deveria denunciá-lo por atentado ao pudor, seu pervertido. Não sei o que o Gin-chan vê de tão especial nisso tudo… — concluiu, apontando com desprezo para o corpo dele, que na pressa, nem percebeu ainda estar exposto, já que a caça ao obi havia sido interrompida.

Hijikata fechou a yukata ligeiramente embaraçado, mantendo os braços cruzados a frente do peito. Aquilo não ajudava em nada a situação deles.

— Eu não queria atrapalhar… não sabia que vocês… só estava preocupada que o Gin-chan voltasse bêbado e acabasse dormindo do lado de fora.

Hijikata suspirou, encostando ao lado dela na parede. Teria acendido um cigarro caso estivesse com algo além das roupas do corpo.

— Não posso dizer que não te entendo.

Gintoki era dado a bebedeiras e jogatinas, isso quando não unia um defeito ao outro ao mesmo tempo. Hijikata já o resgatou uma ou duas vezes no passado, logo no início do relacionamento deles. Tal situação não tinha acontecido nos últimos meses, mas Hijikata não era positivo a ponto de pensar que o platinado tinha parado com seus vícios, simplesmente fora sortudo o suficiente para não esbarrar com Gintoki caído pelas ruas de Edo.

Kagura chutou uma pedrinha no chão, observando-a rolar até bater numa lata de lixo e um gato correr assustado viela a fora.

— Há quanto tempo isso vem acontecendo?

— Hmm… acho que por tempo demais…? 

Agora que ele parava para pensar, talvez tudo tivesse começado logo depois do ano novo, então há cerca de oito ou nove meses?! Realmente tempo demais, o que significava que não era mais algo tão trivial quanto pensou de início. E o fato de estar num beco, falando sobre isso com a alienígena adolescente que vivia sob o mesmo teto de seu amante… 

— Toushi…

— Hmm? — Ecoou distraidamente, ainda refletindo sobre das proporções que aquilo estava tomando.

— Isso significa que você gosta do Gin-chan?

Hijikata não estava fumando, mas engasgou mesmo assim, o que não serviu de nada para desviar a atenção da Yato e seus olhos azuis cheios de curiosidade. O moreno levou as costas de uma mão ao queixo, fixando o olhar nos próprios pés. Era uma pergunta que nem ele mesmo ainda se havia feito, mas a resposta parecia óbvia, embora colocá-la em palavras e aceitar o que sentia fosse um pouco mais difícil do que gostaria de assumir.

— H-Hm, b-bem, levando tudo em consideração… acho que-...

— Oi, seus idiotas.

Hijikata congelou ante a voz de Gintoki, que surgiu bem ao lado deles em seu traje noturno. O moreno levantou o rosto, esperando que suas faces não estivessem tão coradas quanto imaginava, mas qual não foi sua surpresa ao perceber que o yorozuya demonstrava tal qual expressão, tendo dificuldade mesmo de ostentar o olhar dele.

— Vocês estão falando alto demais, é impossível não ouvir de casa. Entrem antes que os vizinhos comecem a xingá-los — sugeriu, coçando a nuca de maneira embaraçada.

Kagura adiantou-se, parando na frente de Gintoki, que custou a encará-la.

— Gin-chan.

— S-Sim…!

— É melhor que trate o Toushi devidamente, ou você vai se ver comigo.

— Toushi? Quem é Toushi, sua pirralha?

— Ei, não tem algo de errado nisso tudo? Você não deveria estar me defendendo?! — Perguntou o platinado, completamente exasperado.

Kagura bufou, segurando Hijikata pelo pulso.

— Vamos Toushi, vou te proteger até o yorozuya, para que você não seja atacado por essa besta pervertida e esfomeada.

Hijikata e Gintoki se encararam confusos, mal tendo tempo de trocar uma palavra sequer, já que Kagura já o arrastava rua afora, subindo pelas escadas da sede do yorozuya. Gintoki estava grudado nos calcanhares de Hijikata, reclamando incansavelmente:

— K-Kagura-chan, de onde tirou isso? O que te faz pensar que sou assim? Sabe que sou completamente inofensivo!

Kagura o encarou com desprezo, colocando-se entre os dois de forma protetiva ao vice-comandante demoníaco logo que pisaram na sala.

 — Eu vi do que você é capaz, seu adulto de meia idade. Pobre Toushi, sofrendo por todo esse tempo em suas mãos! — E então, virando-se para Hijikata. — Eu sei que o Gin-chan pode ser um preguiçoso que não paga seus empregados, nem o aluguel, e só lê a Jump o dia todo, mas por favor, tome conta dele-... Até parece que eu diria algo assim!! Me compre sukonbu como compensação pelo resto de seus dias, seus idiotas excitados! Traumatizando uma pobre criança inocente como eu. Será que vou ter que ensinar vocês cabeças de vento a fazer algo tão simples quanto trancar as portas?!

Gintoki nem ao menos tentou se justificar, apenas aceitou a bronca como se tivesse cometido a pior das faltas e ouvisse a própria mãe.

Kagura se fechou em seu quarto-guarda-roupa quando se viu satisfeita de envergonhar os dois, deixando-os sozinhos, piscando como tolos, a processar as atitudes da Yato que ainda reclamava, embora sua voz estivesse abafada. Porém, ela ainda tinha algo a dizer de forma clara, levando-a a abrir a porta do guarda-roupa com força uma última vez.

— E você se comporte, Gin-chan! Não pense que não estarei ouvindo tudo que zzzz…

— Se vai dizer algo, ao menos fiquei acordada, idiota! — Reclamou Gintoki, ajeitando-a dentro do guarda-roupa e a cobrindo antes de fechar a porta com cuidado.

Hijikata estava sentado contra o encosto do sofá, sua expressão calma agora que tudo havia se ajeitado. Ele lançou um olhar a Gintoki antes de entrar no quarto do faz tudo, que o seguiu com a alma drenada, mostrando-se surpreso ao encontrá-lo sentado no futon, acendendo mais um cigarro.

— Pensei que fosse retornar ao Shinsengumi.

— Se vai travar como um idiota sempre que for enfrentar um dos pirralhos, talvez eu deva ficar até amanhã de manhã, afinal, ela não é a única, não é?

Gintoki sorriu para si mesmo, ajeitando-se logo atrás de Hijikata, enlaçando-o pela cintura com ambos os braços, deixando a testa descansar contra as costas do vice-comandante.

— Ao menos você não vai mais precisar se preocupar em ser pego — comentou à meia voz.

— Não, só vou acabar indo a falência por alimentar esses moleques pelo resto da vida.

— Hmm?! Pretende ficar comigo por tanto tempo assim?

Hijikata ficou em silêncio, tragando o cigarro pacientemente. Não era preciso que o moreno dissesse algo para que Gintoki soubesse a resposta, talvez porque o yorozuya pensasse de forma similar. Um sorriso se desenhou nos lábios do platinado ao se aconchegar ainda mais contra a calidez do vice-comandante demoníaco, sentindo então uma das mãos do moreno pousar sobre seu braço, e deslizar até encontrar sua mão, e ali manter a dele, firme.

 — Apenas cale a boca e durma, maldito.


Notas Finais


A minha concepção da relação ginhiji é que o Hijikata é a figura paterna responsável que os três (sim, os três!) precisavam. E que o Shinpachi e a Kagura aceitam ele desde o início, e tiram muito proveito do Hijikata, porque apesar do jeitão dele, ele adora os pirralhos e os enche de mimos. EU AMO GINHIJI, AAAAAA! ♥

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