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História Cristal blood - Capítulo 48


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Capítulo 48 - Eu ainda te amo


- Ryo? - Miu chegava na sala naquele domingo cedo.

- Já acordou? - perguntava com um sorriso.

A garota se sentava entre as pernas do alfa e se aconchegava nele. Encostava a cabeça em seu peito, conseguia ouvir o coração do outro bater.

- Já… - dizia meio sonolenta.

A garota sentia Ryo lhe envolver com os braços e lhe dar um beijo na testa. 

Miu fechava os olhos aproveitando aquele carinho.

Amava a sensação que aquilo lhe passava, obviamente não era diferente para o alfa.

Era um sentimento quente e calmo que vinha ao peito. Um que só as pessoas que encontram seus amores sentem.

- Quer tomar café? Dá pra fazer omelete… - Ryo perguntava baixinho, fazendo um carinho nas costas da garota em braços.

Han entrava na sala vendo aquela cena.

Sorria fraco vendo a garota ser tratada com tanto carinho e suavidade. 

Porém, não podia deixar de sentir algo triste.

Naquele dia, se completavam 4 anos da morte de Mirai. 

Se sentou no sofá e entregou uma xícara de café recém preparada para Ryo.

- Bom dia, oppa… - Miu dizia baixo.

- Bom dia, Miu. 

Miu engatinho no sofá e deu um abraço no alfa.

Aquele era um dia difícil.

- Hoje vamos levar flores e depois vamos numa sorveteria, oppa. 

- Falando nisso, Miu… acho que eu não vou. - Han dizia.

Em nenhum dos outros aniversários da morte de Mirai, Han estava no país. Convenientemente ele estava sempre compromissado, mas tendo que acompanhar Jungkook e Miu na viagem, acabou ficando sem opção.

Ao menos foi o que dizia à todos.

- Oppa, vamos comigo. Se você for comigo eu te conto uma história que você ainda não sabe sobre Mirai. 

- Você está me chantageando?

- Sim. - respondia simples.

Han dava uma risada fraca mas logo ficava sério.

- Não… eu acho que não consigo.

- Vamos, oppa. Por favor. Vai ser só eu e você.

- Só eu e você? 

- É. 

Han pensava.

Não queria ir mas, por outro lado, tinha muita vontade.

- Está bem… mas se eu desistir no meio do caminho, a gente volta, pode ser? - Han negociava.

- Está bem. Combinado.

Meia hora depois eles chegavam ao cemitério onde Mirai tinha sido enterrada.

Todo aquele drama havia acontecido na Coreia porém, Han quis trazer a cristal para que ficasse no país onde nasceu e cresceu.

Fazia muito tempo que não ia lá, mas se lembrava do caminho perfeitamente.

- Pronto, oppa?

- Não. 

Miu dava uma pausa.

- E agora? Está pronto? 

- Não. Nunca vou estar.

- Vem, oppa. Ela está esperando a gente. 

Miu carregava um ramo de girassóis na mão, amarrados com uma fita vermelha.

Segurou a mão de Han que se assustou com o gesto mas que porém, não a soltou.

Andaram juntos até o túmulo da cristal.

Han se sentia travado, com uma agonia grande.

Miu se abaixou e colocou as flores ali.

- Oneechan, trouxemos flores pra você. - Miu dizia - As suas favoritas.

Han mal conseguia se mexer.

Queria chorar mas sentia que não conseguia.

Sentia tanto a falta da garota. 

- Meus olhos mudaram, oneechan. Estão da mesma cor dos seus… foi a decisão certa. - Miu dizia com um sorriso no rosto - Estamos sentindo sua falta… 

Mirai era a pessoa mais próxima de uma irmã que Miu teve em sua vida.

Se lembrava de tantos momentos juntas. Os poucos que ela considerava bons de sua infância.

- Oneechan, me desculpa mas hoje vou contar seu segredo para o Han, é a recompensa dele ter vindo aqui hoje. - Miu dizia cochichando.

Han se mantinha estático, de pé ao lado de Miu.

- Oppa, vou te deixar um pouco sozinho, está bem?

- Não! - Han apertava a mão de Miu - Fica aqui comigo. 

Miu se levantava e dava um abraço no alfa.

- Oppa, eu vou estar a dez passos de você. Diz o que você tem pra dizer ou se quiser, não precisa dizer nada. 

Miu se soltou do alfa e contou os dez passos deixando Han ali.

O alfa se sentia trêmulo.

Lia várias e várias vezes o nome da cristal gravado naquela pedra.

Quase não se permitia pensar na cristal alegre de fala afiada. Mas não havia como não pensar naquele momento.

Se lembrava de correr atrás dela depois de ter sido sujo com a tinta que usavam para pintar a parede do primeiro apartamento que moraram juntos. 

Se lembrava dela lhe trazer um café-da-manhã na cama em seu aniversário que ela havia preparado e que tinha ficado horrível.

Se lembrava de ouvir ela cantar de forma desafinada todas as suas músicas preferidas.

Se lembrava de seu sorriso, de seu cheiro.

De seu beijo e de seu abraço.

Se lembrava de ser feliz.

Muito.

Uma lágrima escorria em seu rosto.

- Mirai… eu ainda te amo. 

Foi a única coisa que Han conseguiu dizer. 

Passou as pontas dos dedos na superfície gelada da pedra para se despedir.

Se virou e foi em direção à Miu.

Pegou a garota no colo e a abraçou apertado.

Chorou.

Chorou como não se permitia há muito tempo.

Sentia a garota abraçar seu pescoço, o corpo pequeno que tentava lhe consolar.

- Eu sinto a falta dela, Miu… 

A garota não sabia o que dizer. Apenas continuava abraçando o alfa tentando fazer com que ele se sentisse melhor. 

 

—-

 

No fim das contas eles acabaram nem indo para a tal sorveteria, Han não estava bem, precisava de um momento.

Quando eles chegaram na casa novamente, Ryo e Taehyung estavam cozinhando algo juntos.

Han foi diretamente para a varanda da casa e se sentou em uma das espreguiçadeiras. 

Miu foi até a geladeira e pegou dois sucos.

- Como foi lá? - Taehyung perguntava preocupado.

- Ahn… não sei dizer. Ele não quis ir para a sorveteria… - Miu dizia olhando para fora - Talvez eu deva ficar quieta…

- Miu, apenas fale o que você achou que deveria falar. - Ryo incentivava - Fazem quatro anos, vai ser bom pra ele ouvir. 

A garota parecia pensar.

- Hm… está bem. Mas se ele arrancar a minha cabeça fora lembrem-se que eu falei que estava em dúvida sobre isso.

- Iremos lembrar, Miu. - Taehyung dizia.

Miu caminhou até o lado de fora carregando as duas caixinhas de suco.

Entregou uma para Han e se sentou na espreguiçadeira com ele.

- Oppa, eu tenho uma coisa pra te contar.

- O que é?

- Foi a última conversa que eu tive com Mirai… eu nunca tive coragem de te contar mas… eu acho que você deveria saber.

Han engoliu seco.

O coração batia rápido.

- Está bem… 

 

*quatro anos e duas semanas antes*

 

Mirai estacionava o carro na frente da sorveteria.

Ao seu lado, Miu lhe acompanhava.

Ao entrar na loja, a mais nova se maravilhava com a quantidade de opções de sabores e coberturas que haviam.

- Nossa! Quantos!

- Sim! Pode comer todos se você quiser!

- Oneechan, se eu comer todos vou ficar doente… mas não ia ligar!

As duas montavam seu próprio sorvete com direito a tudo o que conseguiam colocar e logo estavam sentadas numa das mesas ali.

- Eu precisava conversar com você, Miu.

- O que você aprontou?

- Muito engraçadinha a senhora, né? Fico um tempão sem poder te ver e é assim que você me recebe? 

- A culpa é sua… porque não vem me ver mais vezes? Você me esquece… - Miu se fingia triste. 

- Comprei um sorvete do tamanho do mundo pra você! Acho que estou perdoada, né? 

- Vamos ver… se o sorvete for bom… 

Mirai fazia cócegas na garota que ria.

- Não foi isso que vim falar com você. - Mirai explicava.

- O que foi? 

- Eu achei que estava grávida…

- Você está grávida?! Sério?!

- Não! Eu achei que estava.

Miu ficava confusa.

- Está bem… mas então, você não está grávida? 

- Não. Minha menstruação atrasou e eu achei que estava mas três dias depois desceu! 

Miu ainda estava confusa.

Mirai contava aquilo com uma empolgação enorme.

- Então você está feliz porque não está grávida? Por isso todo esse ânimo em me contar? 

- Não! O que eu estou te contando toda animada é que eu fiquei triste! 

Miu soltava a colher.

- Está bem… você está feliz que ficou triste? É isso?

Mirai sorria.

- Miu… eu me dei conta de que eu quero. Quero ter um bebê. 

Miu se jogava nos braços de Mirai.

- Oneechan! Você ficou triste! - comemorava.

- Sim!

- E você contou pro Han sobre isso?

- Não… não tive coragem. E se ele disser que não quer? E se ele disser que não quer ser pai? 

- Ele vai querer sim. 

- Você acha?

Miu sorria.

- Ele te ama tanto… acho que você ia fazer ele o homem mais feliz desse mundo se tornasse ele pai. 

Aquilo enchia o coração de Mirai de esperanças.

- Eu nunca quis ter filhos antes mas… acho que era porque nunca pensei que fosse ter a sorte de encontrar alguém como Han. Mas agora, só de pensar, me deixa feliz. 

- Fala pra ele, então! 

- Ah, Miu! Eu não tenho coragem! O que vou falar? “Han, vamos ter um bebê?”

- É! Ele vai ficar super feliz! 

- Vou te contar que… eu até pensei num nome! 

- Ah é? Qual? 

- Ami.

- Que lindo! E se for um menino?

- Pra um menino eu não pensei… acho que se tivermos, será uma menina! 

Miu sorria.

- Estou feliz por você, Oneechan! Mal posso esperar pra vocês terem um bebê! 

Aquela conversa com Miu a deixava cheia de esperanças.

- Daqui a um mês é aniversário de Han, vou contar pra ele nesse dia, então! O que acha?

- Ele vai adorar! Melhor presente que você pode dar! 

- Eu não quero parece brega, mas… eu espero que ele queira tanto quanto eu… quero que ele seja feliz… que a nossa pequena família faça ele feliz…

- Vai fazer! Ele vai ser o pai mais babão desse mundo! 

- Miu… - Mirai segurava as mãos da mais nova - Ele me faz feliz de verdade… - dizia como se contasse um segredo - e eu quero retribuir, quero que ele seja feliz também… muito. 

- Eu tenho certeza que ele já é feliz. 

- Eu vou te confessar que consigo imaginar Han carregando a bebê por aí, mimando ela… dizendo que nenhum cara vai merecer ela! Dizendo que ela é o bem mais precioso da vida dele…

Miu dava risada.

- Você conhece ele bem… com certeza seria assim.

Mirai respirava fundo. 

- Você fica me enchendo de esperanças, se ele disser que não quer, vou vir aqui te dar uma mordida na bochecha.

- Está bem. - Miu concordava com um sorriso.

 

- O-o quê? - Han dizia sem acreditar.

- Esse ia ser seu presente de aniversário, oppa… 

Não houve tempo.

Mirai se foi antes daquele aniversário.

Han derrubava lágrimas silenciosas.

- Porque está me contando isso agora, Miu?

- Porque ela disse que queria que você fosse feliz… você ainda pode ter todas essas coisas, oppa. Pode ter sua pequena família. 

- Não, Miu… eu já falei que não…

- Olhe para Taehyung… ele está com os olhos púrpura. Jungkook está desafiando a vida. Sempre pode haver sofrimento mas por isso você vai desistir de tentar ser feliz? 

- Assim como Taehyung se tornou insubstituível, Mirai era insubstituível pra mim também, Miu.

- Eu não estou falando pra você substituir ela, oppa. Ninguém pode fazer isso, ela sempre vai ser sua e vai ser única. Mas você pode amar outras pessoas. Você deveria ao menos tentar… era o que ela queria pra você. 

Han chorava doído.

- Ela queria ter um bebê comigo? De verdade? 

- Sim… 

Miu se aproximava e dava um abraço no alfa.

- Ela queria e ela queria que você fosse feliz, oppa. E você ainda pode… Sabe, é difícil que meninas como nós, que cresceram nesses institutos, sonhem em ter bebês um dia. Escutamos muitas coisas ruins sobre alfas e as expectativas de nossas vidas não permitem que a gente queira esse tipo de coisa… mas com você, ela queria. Ela estava feliz de verdade com a ideia, até escolheu um nome pra bebê. Han oppa, não deixe isso ir embora com ela… 

Han chorava ainda mais.

Ryo olhava a cena da cozinha.

Bufava frustrado.

- Como ela era? - Taehyung perguntava vendo a cena também.

- Você ia gostar dela, Taehyungie… ela era engraçada e esperta. 

- Nossa, eu imaginava ela sendo do tipo fofinha e meiga tipo… a Miu.

- Ela tinha a fofura que os cristais costumam ter mas era bem diferente de Miu. Ela jamais iria querer ter um hamster de estimação, muito menos aspirá-lo depois, por exemplo. 

Taehyung dava risada.

- Essa vai ser pra sempre, a minha história favorita da Miu. - Taehyung dizia terminando de picar as cenouras.

Ryo respirava fundo e voltava a descascar as batatas.

- Hyung, acha que Han vai superar isso? 

- Eu espero que sim… é um golpe duro escutar isso mas… tenho certeza que, por outro lado, ele vai se sentir bem melhor. 

Ryo entendia.

Se lembrava do que aconteceu uns dias antes da viagem à Coréia.


 

*três semanas antes…*

 

Ryo entrava no quarto de Miu segurando o celular.

- Miu, acho que aconteceu algo bem grave entre Jungkook e Taehyung… ele disse alguma coisa pra você? 

- Não… não disse nada.

- Acho que eles brigaram… 

- Eles?! Porquê?

- Jungkook não disse… mas sei que foi grave. Aposto que Baek fez alguma coisa…

- Você não gosta muito dele, né, Senpai? 

- Não! Mas isso não vem ao caso.

- Quando chegarmos lá, vamos saber melhor… mas tomara que se resolvam logo, né? Os dois devem estar tristes de terem brigado.

- Sim…

Miu parecia inquieta.

- Você está bem, Miu? Parece agitada… eles vão se acertar, não se preocupe.

- Não… não é isso. É… Ryo, será que você pode me levar no médico? 

- Médico? O que você tem? Está doente? Está com dor? - o alfa se preocupava.

- Não… não é isso. - a garota dizia baixando a cabeça - Eu só preciso… ir no médico. 

- Miu, se tem alguma coisa errada com você, precisa me falar. - Ryo se abaixava na frente da garota, tentando vê-la mais de perto - Precisa ir num pronto-socorro? 

- Não… é só que… 

A garota perdia a coragem de falar.

Sabia que não devia ter vergonha mas tinha.

- Diz pra mim, Miu. Está me deixando preocupado. Eu te machuquei? 

- Não! Não machucou… - a garota se encolhia - Minha menstruação está atrasada faz uma semana… e eu não…

Os olhos de Ryo se enchiam de lágrimas no mesmo momento.

- V-você está grávida? Mesmo?

- Não… quer dizer, eu não sei… mas tem algo errado, nunca demorou tanto… Me desc...

Miu sentia seu corpo ser abraçado. 

- Eu ia ficar tão feliz… - Ryo dizia baixinho. 

- I-ia? 

- Ia… muito. Você é novinha, eu sei mas… ia ser um bebê nosso… 

Miu ainda iria completar seus 21 anos. 

Ryo queria que a garota vivesse muitas coisas antes, mas não podia negar, a ideia lhe fazia feliz. 

Só de pensar na possibilidade, o coração de Ryo se enchia de alegria, de enchia de amor. 

O alfa sabia o quanto era improvável, cristais muito novas não costumam engravidar. Mas era um sentimento que ele não podia negar.

- Eu vou te levar no médico, está bem? Vamos ver o que você tem. 

Miu não conseguia dizer nada.

- Miu… o que foi? Você está bem? 

- Eu pensei que você ia ficar bravo…

- Bravo? Porque?

- Porque pensei que você não ia querer. 

- Como pode pensar isso? Já não disse que quero me casar com você? - o alfa dizia passando os dedos no rosto da garota.

- Mas isso é diferente, Ryo. 

- Eu quero, Miu. Eu sei que não devia falar isso pra você ainda mas eu quero… ia ser o cara mais feliz desse mundo em ter você e um bebê nosso. 

Era Miu quem se emocionava.

- O que você está sentindo, Ryo? 

- O que eu estou sentindo? Agora? 

- É…

- Não sei… depende. O que você acha da ideia?

Naquele momento Miu entendeu o sentimento de Mirai. 

- Acho que eu ia ficar muito feliz também. 

Ryo sorriu grande e Miu viu em seus olhos algo que ela nunca tinha visto antes.

- Então, eu acho que me sinto cheio de esperanças. - Ryo dizia simples. 

Foi aquela frase de Ryo que fez Miu refletir e decidir contar aquilo tudo para Han.

Era o que ele precisava, um pouco de esperança mesmo que fosse algo muito doído.

Dois dias depois, então, Miu fez um teste que deu negativo. 

Miu sentiu a mesma coisa que Mirai. 

- Ryo, está decepcionado? - Miu perguntava preocupada no carro após verem o resultado.

- Sabíamos que as chances eram poucas, você ainda é nova. E você? Como está?

- Acho que… triste.

- Não fique. Temos muito tempo, vai acontecer um dia… 

- Não, mas estou feliz que estou triste.

- Quê? - Ryo perguntava confuso.

Miu dava uma risada fraca.







 


Notas Finais


O que dizer?
Não sei o que dizer pra vocês!
Heheheh

As perguntas:
Como serão os dias daqui pra frente?
Como Taekook ficou?
Como Ryo e Miu ficaram?
E Han?

E uma das principais que li nos comentários... teremos ou não o capítulo contando sobre a noite em que TaeTae mudou? Teremos a história da noite púrpura?

Aaah...
Aí vocês vão ter que esperar pra ver!
Hihihihi

Beijos enormes, meus bolinhos! 🧁♥️🧁♥️🧁


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