História Crônicas de Althunrain - A Torre de Eklesya - Capítulo 7


Escrita por:

Visualizações 13
Palavras 3.473
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Lemon, Luta, Magia, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Mais um capítulo pra vcs yeheeeee, logo chegamos em Eklesya! Estamos a caminho né?

Capítulo 7 - Alvorecer


Fanfic / Fanfiction Crônicas de Althunrain - A Torre de Eklesya - Capítulo 7 - Alvorecer

Destranco a porta do meu quarto com dois giros da chave acinzentada. Empurro com esforço por senti-la emperrar, como sempre fazia.

É realmente curioso lembrar como sai desse quarto a poucas horas, de como estava perdido e até um tanto desesperado. Porém, as graças do destino me deram uma chance de ouro, mesmo que em similar trabalho servil de guarda, posso ver uma chance de evoluir, pois já não vou trabalhar para um imbecil.

No entanto, essa mesma perspectiva tanto me intriga quanto me dá medo. Aalya parece ser do tipo astuciosa e severa para com seu trabalho. Não me admira que ela seja alguém tão poderosa, politicamente falando...

Me pego entusiasmado por lembrar daquelas tatuagens que ela possui, esse tipo de arcanismo é de longe, um dos mais intensos de presenciar. E poder trabalhar com ela, com certeza é um desafio e tanto.

Atrás de mim, dois serviçais de Aalya se aproximam, ambos com roupas simples e olhares energéticos como os sorrisos.

— Estas são suas coisas senhor? – um dos rapazes toma a frente.

Sob uma única cama de certa qualidade, estavam todos os meus equipamentos e itens valiosos. Que ao mesmo passo de preço, não tem compradores fáceis de achar, justo por serem vidrarias específicas para alquimia.

— Isso. – caminho para perto dos sacos postos organizadamente sobre a cama. – Só. – seguro o pulso fino do serviçal. – Essas coisas valem mais do que essa taberna. – os olhos dele arregalam, enquanto sua mão vacila em concluir o que iria fazer. – Tenha muito cuidado.

— Mas, meu senhor, se eu quebrar algo, não poderei pagar. – na verdade, de certa forma estaria me fazendo um favor, bom, não na parte de ficar sem remuneração.

— Só tomar cuidado. – chamo o outro rapaz, que permanecia com as mãos para trás, escorado no arco da porta tendo o Sol em suas costas.

Ele por sua vez avança até nós, assim como o chão, seus olhos castanho-escuros traziam uma simplicidade amigável, que me deixa muito mais confortável quando ao que vamos fazer.

— A moça da taberna me ofereceu palha, daí... – coço o nariz justo por isso. – Coloquei dentro para evitar problemas, e é por isso está tudo tão estufado. Mas é bem leve. – ofereço a boca amarrada de um dos sacos para eles. – Só evitem bater nas coisas que tudo ocorrerá bem.

Aponto para as coisas enquanto me abaixo ao pé da cama, onde minha mochila recebe apenas uma parte da luz da manhã. Entretanto, ainda assim consigo ver tudo o que quero permanecer lá dentro, as minhas poucas moedas que me sobraram ainda estão aqui, assim como os meus mais preciosos livros.

Levanto-me puxando a mochila puída e cinza junto a mim. Os dois servos já estavam apoiando os sacos afofados nas costas, mesmo que fossem levem, de certa forma, eles também pareciam muito acostumados, por mal fazerem esforço. Assim como eles, coloco minhas coisas nas costas, minha armadura está aqui dentro, por isso, meus ombros doem um pouco pelo alto peso delas, porém, enquanto passo as mãos pelas alças, sei que esse esforço é apenas o começo...

— Vamos? – fico em liderança, próximo a porta.

— Muito bem. – o rapaz, que permanecia com uma expressão preocupada é quem dá o primeiro passo, e assim, seguimos juntos pelo corredor.

A luz da manhã invade o lugar pela direita, a luz dourada banha várias portas de outros quartos, e passa a fazer o mesmo na minha assim que fecho e tranco a porta com a chave rústica de ferro fundido.  

Assim que o retiro da fechadura, devolvo o objeto ao bolso desta roupa tão limpa que uso. Era mesmo uma nova realidade esta que encaro, havia um alívio intenso em meu sorriso pequeno. O ar, mesmo ainda com o cheiro de álcool, estava bem mais fresco e leve, apesar da mochila, eu também estou.

No andar debaixo, entrego a chave para a atendente junto a uma moeda de prata, assim como os olhos, o sorriso dela fica um tanto quanto desapontados.

— Já? – pergunta enquanto segura os dois objetos que jogo sobre o balcão de madeira clara.

— Uhum, consegui um ótimo serviço a sudeste. – meu sorriso aumenta ao mesmo instante que os serviçais passam atrás de mim e seguem. – E com a benção dos deuses, tudo vai dar certo.

A moça confere a moeda com o olhar e acena. – Com certeza, bom, tenha uma boa viajem então.

Nos despedimos brevemente, pois, ontem não deu certo então, como que em poucos minutos daria?

Apesar de consternado, retorno rapidamente a postura, pois há algo importante a se fazer daqui para frente. Falando nisso, afrente de nós estava uma carroça, toda de madeira simples, mas que tinha bancos e rodas mais trabalhados, para dar conforto, juntamente as minhas coisas, os dois rapazes se colocam sob ela, enquanto o cocheiro, de aparente idade semelhante a deles, vira-se com o rosto sombreado por um chapéu de palha amarelado, que é insuficiente para tapar a luz do Sol que atinge suas costas fortes e com uma tatuagem preta trabalhada pela coluna.

— Suba! – o cocheiro gestua para o rumo da traseira da carruagem, entretanto, me disponho de outras ideias.

— Tenho um cavalo, vou busca-lo e já venho, pode ir na frente se quiserem! – retiro a mochila das costas, para evitar zanzar com o enorme peso, e confiando a eles minhas coisas pessoais.

— Só não demora. – um dos rapazes, já sentado nos assentos da carruagem é quem acena cordialmente a mim. – Vamos te esperar aqui. – é com ele que deixo minhas coisas, e ao mesmo instante que nota o peso, ele a deixa no chão e arrasta até debaixo de seu assento, onde, com certeza, ficará bem mais seguro.

Com tudo certo, sigo até os estábulos a esquerda, o pequeno casarão de paredes, vigas e pilares de madeira, sustentavam um teto alto, feito de telhas de barro alaranjado, e aqui dentro, em meio a vários segmentos onde diferentes animais eram postos. Vejo meu cavalo dentre eles.

O reconheço pela linha branca que escorre sob seu rosto, e pelo modo distraído que ele se porta a todo instante. Por isso, adentro o pequeno curral onde ele fica, os fardos de feno que comprei para ele foram bem usados, tanto para alimentá-lo, quando para esconder a sela de couro avermelhado, que deixei furtivamente aqui, para não precisar pagar na estalagem.

Passo a seu lado direito e com uma certa ansiedade no peito, vasculho um pouco entre a palha até poder suspirar aliviado outra vez, pois, ali estava tudo como deixei. E deste modo, começo a equipar meu cavalo cinza como fumaça, ele sempre foi bastante calmo, por isso, não tenho medo algum de passar atrás dele, ou de tirar a poeira de seu lombo com batidas firmes das mãos.

— Vamos ir a um lugar incrível meu garoto. – acaricio sua testa enquanto seu cheiro característico me conforta. Assim como toda a idéia de estar caminhando a um futuro gentil.

Instantes mais tarde, saio do lugar puxando meu cavalo pela rédea. Não dava para montar nele aqui dentro, pois as vigas de madeira eram baixas demais para mim e ele ao mesmo tempo. Assim, sigo junto a ele pelo lugar vazio, de outras espécies de animais, claro. Por aqui estavam vários outros cavalos, que destoavam muito entre si, de verdadeiros alazões, a pangarés maltrapilhos, mas de toda forma, sair deste lugar é somente mais um passo, um bem pequeno, para o futuro.

Assim como disseram, os três rapazes de Aalya estavam no mesmo lugar, conversavam algo cômico entre si aparentemente, e assim que me veem, acenam apenas.

— Desculpe a demora. – realmente não ligo por tê-los feito esperar, pois foi ideia deles permanecerem aqui, porém, o Sol da manhã estava direto neles esse tempo todo, no mínimo, quero ser cordial.

— Fique tranquilo, mas bem, estamos quase atrasados para partir. – aquele que antes gentilmente guardou minha mochila é quem diz enquanto o cocheiro já começa a agir, balançando as rédeas fazendo o cavalo puxar com facilidade o veículo.

Volto-me ao meu e logo subo no mesmo. Era fácil fazer isso depois de tantas tentativas...

Nem preciso fazer algum gesto ou som, como se adivinhasse minhas intenções, meu querido cavalo começa a andar, seguindo a carroça, que balançava bem menos do que esperava, e bem mais do que gostaria.

 

≫ ────── ≪•◦ ❈ ◦•≫ ────── ≪

 

Havia um pedaço tão grande de carne ali, que Sils está convicto que é para outro. Mas, minha barriga deseja tanto que seja meu mesmo, porque aquilo é frango, Sils ama frango, é muito mais gostoso do que os restos de porco que me dão, claro, os ossos são para de fazer forte, mas não é tão gostoso, ainda mais por muitas vezes estarem aguados ou, babados. Na verdade, Sils gosta mesmo quando têm.

De toda forma, não acredito quando colocaram esse frango inteiro para mim. Desconfio que acham que estou acompanhado, mas, nessa cela pequena, Sils está só. Fico sentado no fundo dela, sob os panos finos no chão enquanto abraços as pernas.

Minhas costas contra as paredes do canto, estão geladas, assim como as algemas que deixaram em meus pulsos. Coloco uma pata sobre a outra por vez, para esquentar a debaixo nesse lugar escuro e gelado, já que a única luz está longe da porta sólida.

Mas, Sils não acredita no que vê ainda. O cheiro faz minha barriga revirar, doer muito, porém, e se foi engano? Pode ser que seja para outro escravo, ou para me testar, talvez se eu tiver gula, eu possa ser punido.

Não! Sils não pode falhar assim, isso é um teste, com certeza, preciso ficar firme, ser forte! Se resistir a isso, talvez, e-eu...

— Aqui... pega... – ouço aquela voz, era, aquele humano gentil? Aflito, ergo os olhos e posso vê-lo afrente de mim. Meu corpo todo arrepia no mesmo instante, pois, o que ele faz aqui?

Sua mão estendida estava com um pedaço de frango dessa vez, o cheiro que invade meu focinho é tão intenso que, queria comer na mão dele mesmo, porém, eu... eu não sei o que fazer.

Minha boca saliva, mas, fica entreaberta. Meus olhos não querem ficar olhando ao chão, eles sempre voltam para os olhos dele, não eram de cores extravagantes, mas, eram tão gentis com Sils que, não sei como reagir a isso.

— O escravo não pode aceitar comida que é de seus senhores. – Sils sente a boca mover, mas, não quero! Não! Isso não foi eu! Desculpa! Não foi Sils que falou isso!

— Estou dando a você. – meu desespero me faz apertar os dedos com força. Sinto meu corpo tremer de hesitação, engulo seco pela quinta vez quando sinto meus braços se moverem.

A corrente das algemas mal faz barulho quando sinto aquela comida tocar meus dedos. Minhas bochechas ardem em expectativa pelo sabor, entretanto, assim que mordo...

 

Com um suspiro rápido, acordo.

 

Sils tenta se levantar, mas, há uma pata ao lado de seu rosto, sinto uma perna apoiada em meu pescoço. Isso, agora lembro...

Todos os escravos foram colocados numa cela só. Bom, é mais um quarto de despejo, que esvaziaram para nós, mas, os panos que cobrem o chão deixam tudo desconfortavelmente macio. A pedra lisa e fria sempre foi minha cama de todo dia, só que dessa vez, além de me deitar no macio, eu e os outros escravos dormimos um encima do outro, dando calor a cada um. Por isso, o mesmo tigre que apoia a perna acima do meu pescoço, me dá a outra para apoiar a cabeça, fazendo quase com que suas duas patas ficassem afrente do meu rosto.

Só que Sils não consegue gostar disso, preferia estar sozinho, no frio, no escuro, só para poder rever aquele humano gentil. Ele pode não gostar de Sils, pode só ter sido um bom cuidador, porém, aquilo nos olhos dele me deixa sempre tão deslocado de tudo, me deixa feliz.

Mexo um pouco o corpo para tentar aliviar um pouco a dormência das coxas, mas, havia outro escravo apoiando suas costas nas minhas, por isso é um pouco difícil me manter em silêncio e fazer o que quero, entretanto, enquanto bocejo e estico os dedos das patas, começo a ouvir passos lá fora. Bom, Sils sabe que há guardas na porta, pois, como não há janelas aqui, é a única saída.

E como graças a obsequiosa senhora Aalya, nenhum escravo ficou com aquelas algemas pesadas, por isso, Sils pode deduzir que há um bom tanto de humanos guardando lá fora, e que uma hora ou outra, vamos usar aquilo de novo.

Mesmo que nossa nova dona seja muito diferente do outro mestre, não podemos reclamar de nada, absolutamente, pois... ela deu comida boa para nós todos, deu água fresca, esse lugar quente, limpo e seco para dormir... e aliás, até está nos deixando dormir muito, pois já ouço movimento acima e um pouco afastado daqui, sem falar nos galos que anunciam a manhã.

É nessa hora que todos os escravos devem estar prontos para o trabalho, só que, é tão bom esse momento, estar de barriga cheia, sentir conforto... é algo bastante estranho, admito, mas é gostoso mesmo assim.

Volto a simplesmente fechar os olhos nesse quarto escuro e quieto. Queria ver os olhos dele de novo... mesmo que aquilo que sonhei tenha apertado meu peito de uma forma estranha, gosto de sentir isso, mesmo não sabendo o que significa, ou mesmo o que é... pode ser alguma doença?

Minhas orelhas se movem rumo a porta, pois, ouço alguém vindo depressa. Seria até aqui? Bom, Sils viu muitas outras portas e corredores, por isso, fico me perguntando se deveria levantar, ou melhor, se deveria acordar os outros, mas, sei que eles me bateriam se fosse para nada. Por isso, tenho que me preocupar comigo mesmo...

Seguro o tornozelo do tigre e passo sua perna por cima de minha cabeça fazendo com que ele cruze-as. É difícil sair desse lugar tão quente e macio, ainda mais pelo contato dos meus pêlos com o do... lince, atrás de mim.

No entanto, a cada passo que ouço soar mais alto, apresso-me a perder essa preguiça e me colocar de pé, mesmo que minhas patas custem sustentar alguma força. Com certo pesar e medo, deixo-me rumo a porta, quase sincronizando com o barulho da chave contra a tranca, que por sua vez alerta a todos os outros, que começam a se levantar, mas sem antes serem pegos pelo soldado que veio até nós.

— De pé preguiçosos! – seu grito alto traz rapidez para os outros escravos, porém, Sils já está como deve e por isso. – Vem aqui! – mesmo de olhos baixos posso vê-lo apontar para o espaço afrente de si mesmo, e dessa forma, me coloco como ordenado. – Mãos!

Já entendendo, estico os pulsos para frente com os punhos fechados, só para sentir as algemas envolverem-nos mais uma vez. E antes que baixasse o braço, outro alguém segura a corrente e me puxa para fora com força. – Aqui fora seus idiotas! – o movimento quase me joga no chão.

Mas firmo-me sozinho e obedeço aos comandos de todos os seis soldados aqui fora, sendo assim, o primeiro de uma fila única, que será completada muito em breve.

 

Seguindo o mesmo soldado de antes, que puxava a corrente das algemas, somos todos levados para fora em poucos instantes, já que, aparentemente, o lugar onde fomos deixados era apenas um galpão modificado para abrigar-nos a noite. Entretanto, pelo tanto de humanos que passam por nós, carregando barris, caixas e sacos grandes, entendo que foi só hoje que pudemos dormir ali, e que agora, precisamos partir para nosso serviço, seja ele qual for, ou onde for.

Arrumo minha tanga simples no quadril. Bom, nos momentos que minhas mãos ficam próximas o suficiente, claro, pois ela está mal posicionada, e isso machuca minha cauda. Me puxando pelos corredores de piso amadeirado e frio, o humano gritava com os outros guardas, que pareciam ter muito medo dele pela forma que o respondiam.

E nos poucos instantes que paramos, enquanto o líder para, a fim de destrancar uma porta. Ele começa a vasculhar seu molho de chaves me dando breves instantes para arrumar minha tanga da maneira mais confortável possível, só que.

— O que está fazendo? – seu olhar de canto, estava em mim, Sils tem de baixar a cabeça na hora.

Aperto as mãos nas beiradas da tanga macia, Sils tem medo.

— O que é isso? – sua voz estava aumentando de tom, e com um movimento rápido, ele segura meu pulso direito.

— Ah... – o susto me faz soltar um ganido baixo, assim como pela dor que é sentir sua mão apertar-me forte.

— Abra a mão. – me ordena. E assim que o faço, não havia nada nela, por isso, já mostro a outra, só que ele fecha a cara para mim. – Está escondendo algo, escravo? – nego enquanto minhas orelhas caem. – Fale!

— Não, senhor, não escondo nada. – mina voz é tão baixa, que mal saberia ser minha, se não sentisse minha garganta proferir as palavras.

Insatisfeito, o guarda puxa minha tanga fora com força, os nós simples dos lados arrebentam enquanto ele joga aquele pano de lado, me deixando totalmente nu em meio a todos os outros. Minha cauda logo vai entre as pernas, para cobrir minhas partes mesmo que não me importe realmente em ficar sem roupa alguma, elas fazem isso por medo apenas.

— Sem gracinha, seu verme. – acendo com a cabeça apenas, não quero falar precipitadamente e correr o risco de ser punido aqui, tenho que ser comportado.

Assim que a porta pesada é aberta, Sils tem que apertar os olhos por conta da luz forte que vem direto em seus olhos. Sinto terra e pedra nas patas enquanto sigo um tanto cego, ofuscado pela luminosidade direta.

— Anda! – gritam. – Mais rápido, animais!

Sinto empurrarem minhas costas, mas era difícil sabem onde iria pisar sem ver, minhas patas sempre acertavam uma pedrinha que as machucavam, porém, eu não reclamo, nunca, só pisco muitas vezes, chego a lacrimejar um pouco antes de poder ver.

Em meio a rua larga e um tanto movimentada, uma caravana parecida com a que me trouxe estava sendo formada. Meus dedos das patas se apertam só de lembrar da dor que foi andar tanto, mas, assim que chegamos perto, as várias carruagens e carroças começam a andar vagarosamente.

E mais uma vez, olho para cima, quando sinto um cheiro doce no ar e vejo uma árvore rosa ao meu lado, de madeira branca, que me relembra quantas coisas perco ao ter de olhar para baixo.

— Ei! – o homem que me puxa assovia alto, dói meus ouvidos. – Trouxe os escravos! – avisa.

— Aqui! – mesmo com o olhar baixo, consigo ver uma mulher loura, de roupas leves e claras acenando para nós. – Traz eles aqui! – pede.

Imediatamente, o soldado me puxa para lá, e à medida que nos aproximamos, consigo ver alguns homens se aproximando também. Todos usando armaduras leves de algum metal cinza, enquanto parecem querer mostrar os músculos para a moça ali afrente.

— Muito obrigado Shep, pessoal, olha os Nancis ai. – a mulher avisa os homens que se entram atrás na carruagem coberta por um pano branco e alto, como se fosse uma super tenda móvel.

— Traz eles ai! – ouço a voz dos homens que posso ver assim que sou posto na traseira.

— Sobe. – o guarda que me puxa é quem dá a ordem.

Sils leva a pata alto para chegar na plataforma de madeira fria e um pouco úmida. Dois dos homens lá dentro também me dão auxilio ao puxarem meus braços, por estarem nas beiradas, são eles quem me colocam lá encima.

Meus olhos baixos me fazem ver outras mãos segurando as correntes das algemas e me levando gentilmente para o fungo da carruagem, e assim, posso ver um humano ali sentado.

— Vira. – sua ordem é obedecida na hora, gostaria de que não ficassem vendo minhas coisas, mesmo que, seja normal. – De joelhos.

Dou um pequeno passo para trás, minha pata direita encosta o peito no chão enquanto meu joelho encosta no chão para somente fazer o segundo ir contra o solo também. De joelhos afrente dele, posso ver suas pernas grossas a cada lado meu, e enquanto sua mão passa pelo meu braço direito, meu corpo arrepia.

Seus dedos tocam as algemas e ao mesmo instante, pega a corrente e puxa para si, fazendo meus braços ficarem acima da cabeça, com a corrente gelada caindo pelas minas costas e meus pulsos sobre os ombros. Os outros escravos são postos assim como eu, de forma submissa, todos olhamos para baixo enquanto tanto nossas mãos quanto patas se mantêm inúteis.

Sils pode sentir a mão do humano segurando a corrente ainda, por isso, ninguém conseguirá fugir, não que algum de nós tente, na verdade, nós nunca faríamos isso, é errado. Escravos tem que obedecer por toda sua vida, é essa nossa função, ajudar quem pudermos, como pudermos, não importa o preço.


Notas Finais


Deixe um comentário se quiser, assim saberei se fui bem ou não :3


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...