História Crônicas de uma Sonserina - Capítulo 11


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Categorias Harry Potter
Personagens Fílio Flitwick, Horácio Slughorn, Minerva Mcgonagall, Neville Longbottom
Visualizações 8
Palavras 2.114
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Eu passei uns dias sem postar porque esses dois últimos capítulos foram meio mornos e me desestimulou um pouco, mas para os dois ou três leitores que eu tenho eu asseguro que vou terminar a história. kkkk

Capítulo 11 - Shala


A partir do momento que li o recado de Callum os minutos pareceram se arrastar para mim. Eu mal podia esperar para ver Shala no sábado a tarde. No dia seguinte ao meu pedido de perdão a Raj, não o vi, o que foi um alívio pois estava um pouco envergonhada. Por outro lado, assim que avistei Calinda entrando no Salão Principal corri e a abracei, ela sorriu e parecia já estar sabendo sobre minha conciliação com o seu irmão.

Calinda, me acompanhou até a estufa para a aula de Herbologia, nós também teríamos aquela disciplina juntas. O Professor Longbottom, estava nos esperando na porta das estufas com um sorriso abobalhado em seu rosto redondo.

“Bom dia. Hoje iremos para a estufa 3.” Disse ele direcionando-nos para o terceiro domo de vidro. Quando entramos e sentamos nas bancadas o professor deu um longo discurso sobre as provas que os alunos do quinto ano prestam, os malditos NOMs.

“Mais um professor que vai nos entupir de tarefas e revisões.”

Disse um aluno da Lufa Lufa para Calinda, com um tom de sussurro.

“Eles estão nos entupindo de tarefas?”

Eu perguntei para Calinda que concordava com o outro aluno com um aceno de cabeça e um sorriso suspeito.

“Está brincando? É a segunda semana e eu já tenho alguns deveres acumulados.” Disse Calinda fingindo um ar de cansaço.

“Não tenho nada atrasado, na verdade estou achando as matérias bem fáceis.”

“Acho que você não sabia o ritmo anterior e achou esse normal, é isso ou você é a nova Hermione Granger.”

Calinda riu baixinho e o outro aluno da Lufa Lufa que prestava atenção na nossa conversa riu também. Revirei os olhos e prestei atenção no que o Professor Longbottom falava, fiquei um pouco ofendida. Talvez simplesmente eu seja muito boa.

“Vamos trabalhar em grupo, dividam-se nas bancadas com seus grupos e peguem os jarros médios. Vamos trabalhar com Mimbulus mimbletonia. Tenho orgulho de dizer que eu trouxe o primeiro exemplar dela a Hogwarts e ajudei a saudosa Professora Sprout a fazer o cultivo. É uma escrofulária realmente rara e tem-”

“E tem um ótimo mecanismo de defesa, com suas pústulas” Completei o Professor Longbottom.

“Exatamente. 10 pontos para a Sonserina, Ms. Sorva, do Brasil não é?” Disse o Professor com um sorriso ainda maior.

"Sim, senhor." Sorri satisfeita.

Calinda e o garoto ao seu lado ficaram bobos com minha resposta, dei de ombros. A disciplina era muito fácil, eu já havia trabalhado com Mimbulus mimbletonia no Brasil no ano anterior e lembrava de tudo. Sentamos em um grupos de quatro alunos. Ajudei meu grupo que eram todos da Lufa Lufa (por algum motivo os alunos da Sonserina não pareceram gostar disso, mas não me importei). No final da aula estávamos todos cobertas pelo líquido verde e nojento que a planta liberava. Voltei para o castelo e tomei um banho, aquela aula tinha sido um dos poucos momento da semana em que não pensei em Callum.

Depois todas as aulas pareceram bobas e com assuntos que eu já sabia, eu teria que aguentar mais dois dias assim. Aulas de Feitiços, de Transfiguração, de Poções, foi tudo um borrão. Conversei com Calinda quando pude, mas me ocupava muito com meus colegas da  Sonserina que sempre me faziam contar histórias durante as refeições e me pediam ajuda nos deveres que os professores passavam.

Mas mesmo com isso parecia sempre que eu não estava completamente presente nas conversas, minha cabeça sempre ia parar no momento em que poderia abraçar Shala e ter mais notícias de Callum. Quando o sábado finalmente chegou eu acordei junto com o sol, mesmo sabendo que o encontro estava marcado para o final da tarde no Corujal eu não aguentei ficar na cama, no quarto ou no Salão Comunal, precisava desesperadamente me mexer. Após o café da manhã, decidi ir à biblioteca procurar por algo que ocupasse minha mente, e foi exatamente o que encontrei.

Sentado na última mesa, com um muro de livros em torno de si estava Raj. Ele era o único ser vivo na biblioteca além da jovem bibliotecária. Meus passos até a mesa onde ele estava ecoaram no chão de pedra e ele ergueu as sobrancelhas e tomou fôlego para falar.

“Bom dia Beatriz.” Disse Raj com uma expressão indecifrável.

Eu não entendi bem porque eu fui falar com ele nem o que iria falar, mas era melhor do que contar cada tic tac do relógio até o entardecer.

“Bom dia.” Olhei para a cadeira ao seu lado.

“Posso?” Ele fez que sim com a cabeça e voltou a atenção para um dos livros abertos na sua frente.

“Por que está aqui tão cedo?”

“Para estudar, não vê? E você? Pelo que Calinda me disse, você não precisa abrir um livro antes de saber todas as respostas da aula.”

Fiquei tentada a dizer que era verdade, mas tentei usar minha modéstia, eu talvez ainda a tivesse em algum lugar da minha mente.

“Calinda exagera, é só conteúdo que já vi, por isso sou tão boa.”

“Tão boa.” Repetiu ele com um quase sorriso e um tom irônico. Revirei os olhos, talvez minha modéstia estivesse extinta. Não fiquei sem graça, mas fiquei sem assunto, comecei a brincar com algumas penas na mesa fazendo-as levitarem o que fez a bibliotecária me encarar com um olhar de repreensão.

“Afinal, qual é o seu nome?” Perguntei de repente.

“Raj? Não foi pelo que me chamou?”

“Não se faça de desentendido.”

“Maxwell Rajnish Hamilton, onça.”

“Já disse para…” Bufei, ele me chamava daquele jeito somente para me deixar com raiva. E conseguia.

“Então por quê os dois nomes?”

“Coisa de família. James Clerk Maxwell foi um cara famoso na família do meu pai, ele queria que fosse meu nome. Minha mãe preferia algo da cultura dela, então Rajnish.”

Ele ainda lia o livro, ou pelo menos encarava as páginas amareladas. Eu sabia muito bem porque ele parou de falar depois daquilo, eu suspeitava da relação difícil entre os pais dele, mas não demonstrei meu conhecimento e apenas assenti e fiz silêncio.

“Pode me chamar de Maxwell ou Max, é como todo mundo me chama.”

“Por que disse que seu nome era Raj?”

“Não sei.” Ele fitou o teto como se realmente não soubesse o porquê.

“E se eu quiser te chamar de Raj?”

Ele deu de ombros, eu sorri. Ele folheou outro livro e fez anotações em seu pergaminho. Ele estava estudando…

“Transfiguração?” Max, não mais Raj, se encolheu diante do meu comentário.

“Sabe, eu sou um aluno regular, mas Transfiguração definitivamente não é meu forte.”

“Que coincidência.” Sorri de novo. Ele sabia muito bem que eu poderia ajudá-lo mas eu não ia oferecer ajuda, ele teria que pedir.

“Aluno regular?” Foi a voz de Calinda sonolenta já puxando um cadeira da mesa para si.

“Bom dia, Cali.” Disse o garoto.

“Bom dia, Calinda.”

“Vocês dois sabiam que não é obrigatório estudar todos os dias? Pelas Bárbas de Merlin não são nem 8 horas e já estão aqui. No sábado.”

Calinda abaixou a cabeça sobre os braços cruzados a cima da mesa.

“E não se confunda com a modéstia exagerada de Max. Ele é o segundo melhor aluno do ano dele, um aluno regular não chega nem aos pés dele.”

“Mas isso não muda o fato de eu ser horrível em Transfiguração.”

“E ótimo em drama. Você não é horrível, pare de exagero, se fosse não teria sido aceito para continuar na turma avançada. Mas se quer tanto melhorar peça ajuda a Beatriz.”

Max levantou o rosto dos livros e encarou Calinda e eles tiveram uma conversa não verbal. Depois ele olhou para mim, fechou os livros e juntou seu material e saiu balbuciando alguma desculpa.

“Ele é extremamente orgulhoso, mas vai querer sua ajuda.”

“Tem certeza, Calinda? Fechar os livros e sair correndo não parece um pedido de ajuda.”

“É o jeito dele. Acho que tem um pouco a ver com ser Corvinal e essa coisa toda de ser inteligente de mais para saber que não pedir ajuda é burrice…”

“Max? Nunca havia percebido que não era da sua casa.”

“Desde quando é Max?”

“Desde uns 20 minutos.” Sorrimos e eu fiquei olhando na direção da porta em que Max a pouco havia sumido.

“Está ansiosa para mais tarde?” Perguntou Calinda interrompendo meus pensamentos desconcertantes.

“Da para perceber?”

“Muito, e eu adoraria ajudar, mas nem mesmo podemos matar o tempo no Salão Comunal… Parece que Hogwarts é contra alunos de casas diferentes serem amigos.” Calinda bufou e cutucou as unhas.

“Podemos ir até o Lago?”

“Podemos sim, mas hoje… O tempo já está com cara de outono.”

“Espero que o Inverno não seja tão ruim.” Revirei os olhos ao pensar no dormitório da Sonserina durante o inverno.

“Vamos pelo menos andar pelo Castelo…”

Andamos e andamos, Calinda me levou a alguns corredores que eu ainda não conhecia e me mostrou locais famosos da Batalha de Hogwarts. Antes do almoço acabamos indo realmente até o lago. Finalmente o dia chegou até às 17h da tarde. Momento em que fui até o Corujal. Dando cada passo com um sorriso mais largo, estava sozinha, Calinda entendeu que eu precisava de um momento a sós com Shala. Entrei no ambiente arredondado e abarrotado de corujas e seus dejetos, quando olhei por uma das grandes janelas em arcos ouvi um click conhecido. Shala havia aparatado logo atrás de mim. Corri até ela e me ajoelhei, abraçando-a com força, amassando suas orelhas. Seus olhos grandes se encheram d'agua e ela fugnou algumas vezes antes de falar qualquer coisa.

“Menina, minha menina Beatriz, nunca pensei, nunca quis, não posso ficar longe da minha menina.”

“Shala! Shala! Shala!” Eu repetia o nome da minha elfo doméstico apenas para ter certeza que ela estava lá, não costumava demonstrar meus sentimentos, mas aqueles poucos dias imaginando que nunca mais a veria me fez querer que ela soubesse pelo menos uma vez o quanto ela era importante para mim.

“A menina está bem? Está comendo bem? Os elfos de Hogwarts não sabem cozinhar, não fazem feijão corretamente.” Ainda abraçadas gargalhei, Shala sempre foi o mais próximo que tive de uma mãe, até mais do que minha avó, na realidade bem mais do que minha avó.

Após nos soltarmos do abraço demorado segurei a cabeça fria de Shala entre minha mãos e ela tomou fôlego para contar tudo que podia. Que estava bem, que Callum estava bem, que meu pai tinha simplesmente fingido esquecer a existência deles. As coisas pareciam melhores do que eu esperava, imaginei retaliação pior da minha família, mas talvez meu pai não tivesse contado a minha avó e se não, ele não faria mais do que fingir que os problemas não existiam, que eu não existia. Afastei aquele ponto de amargura, e voltei para o presente, para a presença da minha babá da vida toda que continuou falando sobre a preocupação com minha comida e a possibilidades de trazer algo para mim na próxima visita.

“Próxima visita? Iremos nos ver novamente?”

“Minha menina Bia, Mister Koyi e eu não pretendemos te deixar sozinha. E tenho outra coisa para te dizer, Mister Koyi acha que é a hora certa de você conhecer sua mãe.”

Fiquei paralisada, Callum falou muito da minha mãe, contou muitas histórias e mostrou todas as fotos dela e todos os pertences relacionados a ela, mas sempre que eu perguntava onde ela estava ele não me respondia e mudava de assunto. Eu não insistia por que tinha medo da resposta mais provável.

“Quando? Como? Onde ela está? Porque ainda não quis me ver?”

“Calma, tudo ao seu tempo. Por hoje quero que saiba que ela quer te ver e que Mister Koyi fará isso acontecer.”

Suspirei e ficamos em silêncio, Shala impacientemente respeitou meu silêncio, eu tentava absorver a notícia e não fazer perguntas que não seriam respondidas, por fim Shala falou.

“Me conte sobre a Escola, sobre seus amigos, Calinda e Max.”

Max não era meu amigo, foi a primeira coisa que me veio a cabeça e então expliquei pormenores como foram aqueles dias em Hogwarts. Quando finalmente acabei já estava tão escuro que apenas as luzes do castelo eram visíveis e todas as corujas já estavam acordadas. Era hora do jantar.

“Você tem que ir, Bia.”

“Sei que tenho, mas parece que foi tão rápido, sinto saudades de você aqui Shala.”

“Eu também menina, mas não será sempre assim. Por enquanto, adeus.”

Shala passou sua mão pequena e fria sobre a minha e piscou demoradamente e depois “click” e ela havia sumido.

Jantei, cumprimentei pessoas e fui para o meu quarto como alguém sobre a Imperium e finalmente dormi num sono profundo e tranquilo, que não tinha a dias.



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