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História Crônicas do Dia-a-Dia - Capítulo 21


Escrita por:


Notas do Autor


Escrita em 2012 baseada na possibilidade de Loki ter vencido a batalha de Manhattan junto com os Chitauri.

Capítulo 21 - Dia 3 - Invasão das Criaturas Desconhecidas


Há três dias estive ali, na Resistência. As construções que os próprios alunos e professores fizeram são fantásticas. Acho que valeram a pena ter ficado esses dois anos fora. Dois longos anos afastados deles e cinco anos de Ditadura. 2017… E pensar que a ditadura começou em 2012… O fim do mundo. O apocalipse.

Olhei para o relógio de pulso. Marcavam oito horas. Todos começaram a se recolher. Os monitores começaram a supervisionar as salas, para caso de um “intruso” apareça. 2497 alunos ali. Conter os hormônios deles é bastante complicado. Ri de uma antiga lembrança. “Meninos, não engravidem as meninas, e meninas, não deixem ser engravidadas”, dizia Henrique. Ainda acho que isso não vai adiantar muito. Ainda estava sentada no que seria o pátio. As várias mesas e bancos de cimento ainda permaneciam ali. Respirei fundo e, ao mesmo tempo, bocejei. Estava cansada e com sono. Baixei a cabeça e relaxei.

“O som das armas disparando ainda eram audíveis. O grito das pessoas era assustador. A ordem dos soldados era direta: retirar as vítimas. Eu estava cansada. As criaturas voavam rapidamente contra nós. Consegui desviar de um tiro lançado por uma delas. A polícia Militar e Federal, junto com a polícia local, tentavam tirar as vítima. A Guarda Nacional também estava lá, junto com o Exército Brasileiro. Tudo para deter os inimigos. “Saia daqui” gritou um dos soldados para mim. Corri para onde estavam as outras pessoas. E então, eu o vi”.

“Pilotando uma das naves, o Líder deles estava ali. Assistindo a grande peça. Mas ele era diferente. Quer dizer, não parecia com as criaturas que tentavam nos matar. Ele era mais… Humano. Na verdade, era um homem. Vestindo uma armadura preto com verde-musgo e detalhes dourados, ele sorria para a destruição. Seus cabelos negros repicados e lisos davam-lhe um tom sério e determinado. Parecia um… Príncipe. Um príncipe das trevas. E então, ele ergueu a mão. Todos pararam. E ainda mantendo o mesmo sorriso sombrio, falou. “Não está vendo? Seus heróis não existem. Os que se chama de Os Vingadores, os heróis mais poderosos da Terra não vão salvá-los. Então, para que resistir se sabem que não podem contra mim?”

“O Líder baixou a mão e retornou a falar. ‘Ajoelhem-se perante a mim’. Todos começaram a se agitar, então, ele gritou: ‘Eu disse… Agora!’. Aos poucos, todos começaram a se ajoelhar, e fiz o mesmo. Ele riu e retomou a fala: ‘Não é fácil para vocês? Não é o seu estado natural? É a verdade não dita pela humanidade. Desejando ser escravizada. A liberdade e o fascínio que irá reduzir as alegrias da vida, como uma mania pelo poder. Por identidade. Vocês foram feitos para serem dominados, e no fim, vai ser cada um por si’. Todos olharam para um dos homens que se erguera: ‘Não para pessoas como você’, disse ele. Ele tornou a sorrir: ‘Não existem pessoas como eu’. O homem assentiu: ‘Sempre existem pessoas como você’. ‘Olhem para isso, mortais. Seu novo ancião’, começou o Líder, ‘Que isso sirva de exemplo para todos’, e ao apontar a lança para o homem, o mesmo desmaterializou-se. Todos gritaram com medo. O homem sumira diante dos meus olhos. O Líder nos olhou e ordenou: ‘Silêncio’. E num rápido aceno, todas as criaturas avançaram sobre nós. Rapidamente, me ergui e corri para longe”.

Ergui a cabeça rapidamente por conta de um toque gelado. E percebi que era apenas Camila. “Algum problema?”, perguntou ela. Neguei. “Sonho ruim”. Olhei para a mesa. “Acho que cochilei”. Ela apenas assentiu. “É melhor tomar um banho e ir dormir”. Concordei. “É, vou pegar umas roupas…”, mas ela negara. “Eu faço isso. Você vai tomar banho. Agora”, sorriu ela. Levantei, me espreguiçando e fiz um sinal de sentido. “Sim, senhora”. Saí dali e entrei no banheiro feminino. Tirei as roupas sujas e me enfiei debaixo do chuveiro. As memórias daquele acontecimento ainda estavam na minha cabeça. Sacudi, tentando afastá-los da mente. Ao fechar o chuveiro, escutei uma batida na porta. “Quem é?”, perguntei. “Sou eu”, respondeu Camila. Vi quando a toalha branca foi passada por sobre a porta. Peguei-a e enrolei-me nela. Abri a porta e a vi com algumas roupas.  “Foi o que eu consegui”, disse ela, colocando nos bancos. Assenti. “Obrigada”. Ao me curvar para enxugar as pernas, voltei a forma ereta de novo, mas desta vez, com cara de dor.

“O que foi?”, perguntou ela. “Minhas costas”, justifiquei. “Acho que estão machucadas”. Baixei um pouco a toalha e fiquei de costas para ela. Então vi, a partir do reflexo do espelho, seu rosto assustado. “Olha, não fica assustada, ok?”, começou ela, devagar. Olhei-a e ri. “Tem um corte de uma ponta a outra atravessada nas minhas costas, não é?”, perguntei a ela. Ela assentiu. “Vou chamar a Cláudia, certo? Fica calma”. Ri. “Quem precisa ficar calma é você”, mas mal terminei de falar, Camila saiu. Respirei fundo e fiquei de costas para o espelho, tentando ver o corte. Não sabia que era tão longo. Dei de ombros, mas logo parei. Qualquer que fosse o movimento, que também movimentassem as costas, doía. Peguei uma calcinha e vesti. Então, me enrolei na toalha e esperei as duas.

Após dois longos minutos, as duas chegaram. “Não pode ser tão grande, Camila”, disse Cláudia, tentando acalmá-la. “Eu disse”, expliquei. Então, fiquei de costas e tirei a toalha. Ao olhar para o espelho, os olhos de Cláudia estavam arregalados. Acho que estava surpresa. “Tem razão, Camila. É enorme”, disse ela. Balancei a cabeça, rindo. “Pode, por favor, fazer um curativo?”, pedi. Com agilidade, Cláudia cuidou do ferimento e enrolou meu corpo com uma faixa. Olhei para o curativo. Parecia que eu havia vestido uma blusa. O rosto de Cláudia ainda estava esperando uma resposta. Me virei para ela e agradeci. “Obrigada, profess…” ela negou. “Até que isso passe, apenas me chame de Cláudia”. Assenti. “Obrigada, Cláudia”. Vesti um calção um pouco leve e uma camiseta, então, saímos dali.

Nós subimos a rampa e cada uma seguiu uma direção. Cláudia entrara na sala de vídeo, onde ficava o Dormitório Feminino das professoras. Acho que o Dormitório Masculino dos professores ficou na sala dos professores. Camila seguiu para o Dormitório Feminino - antigo 2° A - e eu segui para o último Dormitório Feminino. Ao entrar, vi que algumas meninas ainda estavam acordadas. Sentei no colchão inflável e olhei ao redor. Aos poucos, cada uma delas foi dormir, então me deitei. Olhei para o relógio e relaxei o corpo. E finalmente, consegui dormir.

Acordei subitamente, sentando no colchão. O cheiro de ferro era forte e quando toquei em minhas costas, senti úmida. Levantei do colchão e saí do quarto. Ao andar pelos corredores, vi que um dos monitores se aproximava. Era o Adson. “O que faz acordada essa hora da noite?”, perguntou ele. “Não posso ir ao banheiro?”, perguntei. Ele ergueu uma das sobrancelhas e me escoltou até o corredor principal. Ele ligou o comunicador e começou a falar. “Valdeci, há uma movimentação no corredor principal. Permite o acesso livre ao banheiro?”, perguntou ele. Após dois minutos, veio a resposta. “Sim. Acesso livre ao banheiro, permitido”. Andei até o pátio devagar. Senti uma mão em minhas costas e olhei para ele. “Dificuldade de andar?” perguntou ele. Assenti. “Só um pouco”, respondi.

Valdeci me olhou sem entender. “Por que suas costas estão molhadas?” perguntou ele. “Por nada”, entrei no banheiro e sentei no banco. Respirei fundo e tirei a camisa. A faixa estava totalmente ensanguentada. Droga! Olhei para ele que estava na porta e toquei seu braço. “Pode me ajudar?”, perguntei a ele. Ele entrou no banheiro sem entender. “O que quer que eu faça?”, perguntou ele. “Só que solte essa ponta”, disse, apontando para o curativo. Ele soltou a ponta e começou a desenrolar a faixa. Girei para soltar mais fácil a atadura. No penúltimo giro, parei. Ele me olhou, esperando que eu fizesse alguma coisa. Sorri para ele e neguei. “Obrigada, não preciso mais”, falei. Ele assentiu e quando ia sair, parou assustado. “Lily…” chamou ele. Me virei e esperei ele continuar. Ele andou até mim, e me fez ficar frente a frente. Sinceramente, estava com medo. Mas ele não olhava para mim, e sim, para o espelho. Seus dedos deslizaram pelas minhas costas até o ferimento. Ao tocar, apertei seus braços. Aquilo ainda doía muito. Fechei os olhos, tentando suportar a dor. Não sei bem o que aconteceu com ele, mas quando abri os olhos, Valdeci não estava mais lá.

Soltei a faixa e entrei no chuveiro. Precisava me limpar. E então, começou a escurecer. Segurei-me na porta e caí no piso molhado, desmaiando. Aos poucos, a visão começou a escurecer, mas consegui ver dois pés se aproximando. E, no fim, apaguei.

“Ofegante e cansada. Esse era o meu estado. Tentei me erguer, mas não conseguia. Tentei lutar, mas não tinha forças. Então, engatinhei para longe da luta. E senti alguém correr até mim. Com muito esforço, me levantei e puxei uma espada de uma das criaturas, ferindo a outra criatura. Ela me olhou e caiu no chão, sem vida. Respirei fundo. Olhei ao redor, mas quando me virei para correr, um dos inimigos me desferiu um corte, que começara do ombro esquerdo e deslizava até o rim direito. Caí no chão com dor. Ao olhar para a criatura, a mesma empunhou a espada para me matar, mas fora atingida por um policial. Ela caíra no chão, sem vida. Senti algumas mãos me erguendo e retirando-me dali. Então, percebi que eram dois homens.Tentei escutar o que diziam, mas não consegui. Eles gritavam para que os outros os seguissem. Então, pararam”.

“Um dos homens me colocara nas costas, enquanto que o outro lhe davam ordens. Não eram policiais ou soldados, mas cidadãos. Olhei ao longe, na esperança de encontrar o Líder. Eu o encontrei. Ele também. Encaramo-nos por um tempo, até que o homem que me carregava se afastou dali. Minha visão ficara embaçada e minha audição sumia. Conseguia distinguir as palavras 'você' e 'salvar' na mesma frase. Não sabia para onde iríamos, mas só percebi o lugar quando vi o nome 'reitoria da  UFC'. Eu estaria protegida ali. Mas por quanto tempo?"

"Lily! Lily!", escutei uma voz masculina me chamar. Henrique? Não. Não podia ser ele. Era suave, mas ao mesmo tempo, desesperada. Abri os olhos e vi o rosto de Camila. Acho que não era ela me chamando. “Acorda” chamou a voz. Tentei novamente abrir os olhos, e consegui. Finalmente, eu consegui ver com clareza. Não era a Camila quem me chamava. Era o Adson. Eu ainda estava atordoada. Tentei sentar, mas seis mãos apareceram me impedindo. “Fica deitada” desta vez era Henrique. “O que aconteceu?” perguntei. Todos começaram a olharem entre si. Um garoto se aproximou e segurou a minha mão. Olhei-o, tentando reconhecer. “Escutei um barulho no banheiro feminino e fui checar. Então, vi você caída no chão” explicou ele. Escutei um suspiro próximo de alívio. “Se não fosse o Benjamin, você ainda estaria lá”, disse Henrique. “Que susto você nos deu”, disse Cláudia. Olhei-os e assenti. “Desculpe” pedi. Tentei sentar de novo, mas quando as mãos iriam me impedir, neguei. “Eu estou bem”, falei. Ao olhar para baixo, percebi que estava enrolada numa toalha.

“Tudo bem, povo. Alarme falso. Vão dormir que amanhã será um longo dia”, disse Henrique. Todos começaram a sair do pátio. Henrique ainda me olhou desconfiado, mas também saiu. Eu percebi que estava deitada no sofá, então me levantei, mas sentei de novo, pois fiquei tonta. Camila sentou ao meu lado, preocupada. “Eu devia arrancar a sua cabeça, sabia?” disse ela. Olhei-a e concordei. “Assim, facilitaria as dores”. Ela riu e me ajudou a levantar. Mistye, que levava umas roupas nas mãos, me olhou preocupada. “Eu vou ficar bem”, disse. Ela me estendeu as roupas e saiu. Nós voltamos aos dormitórios, mas desta vez - e nem sei para quê - Camila foi comigo para o meu dormitório.

“Não precisa vir”, falei. Ela negou. “Depois do que aconteceu, você acha que eu vou te deixar sozinha? Eu não enlouqueci, ok?”. Ri e assenti. “Sim, senhora”. Deitei no mesmo colchão e dormir. Eu realmente precisava descansar.

Acordei e vi que não havia ninguém no dormitório. Levantei-me e vesti uma camisa e um calção. Ao sair, me assustei com Benjamin parado na porta. “O que faz aqui?” perguntei. “Vim ver se estava bem”, disse ele. Assenti, mesmo sem entender. Saímos da ala dos dormitórios e descemos a rampa em direção ao pátio. Ali, montaram uma mesa cheia de comida. Sentamos à mesa e tomamos um belo café-da-manhã. Percebi que todos faziam alguma coisa. Uns tentavam montar um segundo gerador, outros praticavam esportes. Eles pareciam felizes, mesmo nos momentos de desespero. Senti que havia um olhar sobre mim e percebi que era Benjamin. “O que foi?”, perguntei. Ele apenas negou. Olhei para a quadra e vi Camila acenando para mim. Retribui o aceno. Carol, que também acabara de acordar, olhou para mim e sorriu. “Bom dia” disse ela. “Bom dia” respondi. Levantei e andei para perto de Camila. “E aí? Está melhor?” perguntou ela. “Não sei, mas é como se eu sentisse um peso nas costas, sei lá”, falei. Ela apenas assentiu, entendendo. “Alguma notícia do Albert?” perguntei. Ela negou. “Escutei uma frequência numa das rádios dizendo que a escola dele foi atacada. Não sei bem o que aconteceu”, disse ela, por fim. “Espero que esteja tudo bem”, tentei alegrá-la, mas não adiantou.

Minha atenção fora atraída para um grupo de alunos. Andei até eles e senti Camila me acompanhar. “Mas essa peça tá errada!”, gritou Jonathan. “Não tá não! É que a planta tá de cabeça pra baixo!” disse outro aluno. Olhei para Camila. “O que estão tentando fazer?” perguntei. “Estão tentando construir um terceiro gerador de energia à base de água”, respondeu ela, “mas ultimamente, andamos tendo muita dor de cabeça por causa disso”. Olhei-a e assenti. Sentamos numa das mesas do pátio e observei ao redor. “Lily, acha mesmo que o Albert vem pra cá?” perguntou ela. O rosto de Camila era calmo, mas preocupante. Dei de ombros. Sinceramente, não sabia o que lhe dizer. Ela apenas assentiu e baixou a cabeça.

Dois dias após eu chegar à Resistência, Camila me contara que pretendia se casar com seu namorado, Albert. Na verdade, eles não teriam problema, já que Camila e Albert têm, respectivamente, 22 e 21 anos. E, agora, ela descobre que a escola dele foi destruída pelas criaturas. Olhei para o portão e vi um grupo de professores se formarem. Fiquei de pé para observar melhor a movimentação. Benjamin correra até nós. “Vamos buscar alguns alunos de uma escola em Juazeiro do Norte”, disse ele. Camila se levantou subitamente e sacudiu o garoto. “Quando vão?” perguntou ela. Ele segurou as mãos dela e a parou. “Estamos recrutando um pequeno grupo. Por enquanto, o grupo está composto de cinco professores e dez alunos, e dentre eles, eu estou”. Ela olhou para mim e assentiu. “Eu também vou”, disse ela. “Eu também”, falei. Aproximamo-nos do grupo, no mesmo momento em que Humberto passava as instruções. “Precisamos de um ônibus para nos levar até lá. Os pequenos grupos serão formados por dois alunos e um professor. Cuidado com aquelas coisas, elas não serão piedosas com vocês”. Nesse momento, Henrique pedira a palavra. “Podem meter chumbo na cabeça daquelas coisas, ouviram?” ao ouvir isso, todos gritaram, concordando.

Henrique se aproximou de mim e colocou a mão em meu ombro. “Preciso que você e ela fiquem, certo?”. Camila negou no mesmo momento. “Eu vou”. Olhei para ele e neguei. “Eu também, e desta vez, vocês não vão nos impedir”, falei. Ele nos olhou surpreso. “Vocês são duas doidas, não é? Vão mesmo até lá?” perguntou ele. Olhamos uma para a outra e assentimos. Ele negou e se afastou. Nós iríamos sair dali e viajar de ônibus até Juazeiro. Não sei bem o que aconteceu, mas ambas sentimos uma mão em nossos ombros. “Aonde pensam que vão?” perguntou Humberto. “Resgatar as vítimas”, disse Camila e concordei. “Não, vocês vão ficar aqui, que é seguro…” ele começou, mas eu o interrompi. “Para depois vocês se arriscarem tentando matar aquelas criaturas? Não, obrigada” falei. Humberto nos olhou e suspirou. “Nem sei o que faço com vocês”, disse ele. Rimos. “Nem nós”, falei. Ele nos abraçou e sussurrou. “Tomem cuidado”. Assentimos e nos afastamos dele. Juntamo-nos ao grupo e fomo à garagem.

“Ok, quem vai buscar um ônibus para nós”, perguntou Régis. Todos se olharam, esperando alguém agir. Respirei fundo e abri o portão. Sai dali rapidamente e senti Camila me seguir. “Vai mesmo me seguir?” perguntei a ela. Ela assentiu. Quando íamos virar a esquina, sentimos nossos braços sendo segurados. Ao olharmos para trás, Lucas nos olhava sem entender. “Aonde vocês vão?” perguntou ele. “Trazer um ônibus, já que nenhum de vocês vão”. Ele negou. “Já determinamos quem vai buscá-lo, e além do mais, é muito…”, começou ele, mas o impedi. “Sinceramente, fiz coisas bem piores do que buscar um ônibus”. Ele estreitou os olhos, curioso. “Ah é? Cite duas”. “Pois bem, eu estive no fogo cruzado. E para a sua informação, não ganhei um ferimento deste tamanho porque era bonita”. Lucas ainda mantinha o rosto sério. “Agora, volta para a garagem e espera lá. Voltaremos em duas horas”. Inconformado, ele voltou. Olhei para a Camila que ria. “Que moral!” disse ela. Neguei e nos afastamos.

Evitávamos as avenidas principais e no fim, chegamos a Rodoviária. Olhamos para o ônibus estacionados. Havia dois ônibus. Entramos no primeiro e checamos o local. Estava limpo. Fizemos o mesmo com o segundo. Ela assentiu. Procuramos as chaves dos veículos. Ambas ligaram os veículos e dirigimos até o colégio. Ao chegarmos, os homens nos olharam. “Dois ônibus?”, perguntou Régis. “Precisávamos apenas de um!” disse ele. “É melhor prevenir do que remediar”, falei. O grupo fora dividido em nove pessoas. Por decisão própria, fiquei no mesmo ônibus que Camila. Apenas os homens estavam armados. Camila pediu para que eu dirigisse. Mesmo não gostando muito, o fiz.

Pegamos a estrada para fora de Fortaleza em direção ao interior. Será que existem sobreviventes? Ou pior, será que as criaturas descobriram que saímos de lá?



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