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História Crônicas do Dia-a-Dia - Capítulo 23


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Capítulo 23 - Dia 22 - Behind Blue Eyes


“Embora sendo um velho idólatra no coração, viveu entre os cristãos, vestiu seus trajes, tentou falar seu linguajar complicado. Daí seus modos extravagantes, apesar de já estar há algum tempo longe de casa”. - Moby Dick.

 

Samuel fitou novamente a noite densa através da janela. Ele sabia que seria um dia complicado. Aos poucos, o som das patas da cavalaria do rei se aproximavam. O garoto saiu da pequena casa de madeira e se aproximou de um dos soldados que passava.

_ Senhor! - chamou ele.

O soldado deu meia volta e fitou o moreno novamente.

_ O que faz acordado à essa hora, pequeno Samuel? - perguntou o homem.

_ Para onde o senhor vai? - perguntou Samuel.

_ Vamos caçar o lobo. - disse ele. - Voltei para casa. É perigoso andar na floresta à noite.

Samuel assentiu, curvando-se e voltando para casa. Rapidamente, o menor fechou as portas, trancando-as. Em passos largos, ele entrou no quarto e se aproximou da cama, sacudindo o irmão que dormia.

_ Henry! - chamou ele. - Henry, acorda! Está quase na hora!

O mais velho se remexeu na cama, murmurando algo que o outro não conseguia escutar. Novamente, o irmão mais novo sacudiu o outro, ao que, o mais velho sentou na cama impaciente.

_ O que foi, Sammy? - perguntou ele. - Me deixe dormir.

_ Henry, hoje é noite de lua cheia. - explicou Samuel.

O mais velho suspirou pesadamente e levantou da cama, ainda de olhos fechados. Tateou pelo quarto, encontrando sua capa preta e, ao vesti-la, cobriu a cabeça com o capuz. Devagar, abriu os olhos, deixando que sua visão se adaptasse a claridade do quarto.

_ Não saia de casa. - pediu o mais velho, se aproximando da janela.

_ Mas a cavalaria do rei vai caçá-lo! - desesperou-se o menor.

O maior virou para fitar o irmão mais novo, que tinha os olhos marejados. Samuel fechou os olhos, ao que duas lágrimas escorreram pelas bochechas rosada dos menor.

_ Eu já perdi o William. - sua voz estava embargada. - Não quero perder você também, Henrich!

Henry fitou o irmão e sorriu minimamente. Samuel se apegara mais a ele do que o irmão do meio. O moreno andou até o outro e o puxou, abraçando-o. O pequeno afundou o rosto em seu peito, abafando o choro infantil.

_ Não se preocupe. - disse ele, afagando os cabelos do menor. - Volto antes de você acordar.

Devagar, ele se soltou e afagou seu rosto, secando uma lágrima. Samuel olhou-o nos olhos, admirado com a beleza e o mistério que Henrich levava em seu olhar. O mais velho, notando que o mais novo estava ficando enfeitiçado, virou o rosto, evitando olhá-lo.

_ Henry… - Samuel piscou diversas vezes. - Desculpe, eu…

_ Tudo bem. - suspirou Henrich. - É melhor eu ir.

Henrich se afastou do irmão e saiu do quarto pela janela. O moreno correu para longe da casa, deixando o mais novo sozinho. Assim que avistou um rio, parou próximo à margem e respirou fundo. Já corria há algum tempo e isso o cansara.

Ele retirou a capa e entrou no rio, observando a movimentação ao redor. A floresta estava silenciosa. O moreno abaixou a cabeça, fitando o próprio reflexo na água. O ser o fitou interessado e sorriu, quando ele sorriu. Mas, no momento em que seus olhos se encontraram, as lembranças da maldição surgiram em sua mente.

William voltava de uma longa jornada de trabalho. Seu corpo pedia por descanso, mas o garoto se sentia bem. Além do mais, lenhador foi a profissão que escolhera. A noite na floresta parecia tranquila a sua vista. Mas não por completa.

Ao se aproximar da casa de campo, avistou Samuel chorando na porta de casa. E, aos seus pés, a mãe dos três irmãos estava estirada no chão, sem vida.

O garoto correu até o irmão caçula, perguntando-lhe o que estava acontecendo e porque Henrich não protegeu sua mãe. Samuel balbuciou algumas coisas sem sentido, ainda com a voz embargada, e antes que o menor pudesse explicar o que estava acontecendo, ambos escutaram um uivo de um lobo.

Os olhos do pequeno não fitavam o irmão. Samuel estava assustado com o lobo gigante atrás do mesmo. William virou e avistou o lobo atrás a si. O animal fitavam os dois irmãos com uma fúria desconhecida. O mais velho percebera que havia algo de estranho naquele lobo. O menor se aproximou do outro e ao sussurrar quase inaudivelmente ‘Henrich’, a criatura correu em direção dos dois.

William ordenara à Samuel para que fugisse, ao que o menor obedeceu. O lobo pulou em cima do irmão, destroçando-o em sua mandíbula firme. Samuel correu, passando  por dentre as árvores. Vez ou outra, enquanto corria, o pequeno olhava para trás, certificando-se de que ele não o seguia.

Henrich não desejava que aquilo se repetisse ao seu irmão mais novo. Por isso, decidiu acabar de uma vez por todas com aquela maldição. Decidido, desfez das próprias roupas e deixou que a transformação consumisse seu corpo.



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