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História Crônicas do Dia-a-Dia - Capítulo 25


Escrita por:


Notas do Autor


Baseado no conto de fada, Chapeuzinho Vermelho. Essa história será dividida em 3 partes

Capítulo 25 - Dia 29 - Manto Vermelho


Os contos de fadas sempre servia de alerta para crianças desobedientes. Uma bruxa no meio da floresta pode pegar alguma criança que fugiu dos pais e transformá-la num horroroso monstro, ou quem sabe, devorá-la viva. Quando pequeno, eu escutava essas  histórias contadas pela minha avó, que sempre concluía com “tome cuidado por onde anda, Matt”, enquanto me entregava uma xícara fumegante de chocolate quente. A crença nesses seres fantásticos me fez quem eu sou, mesmo que meus pais interferissem nos argumentos da vovó. Mamãe achava um absurdo; papai apenas não acreditava. 

Porém, nenhum dos dois conseguiu dar uma explicação quando Amy foi encontrada morta no quintal de casa. Amy era minha babá e costumava cuidar de mim quando meus pais saíam à noite. 

A princípio, acharam que algum bandido tentou invadir a casa e ela tentou me proteger. Outros pensavam que havia sido um ex-namorado ciumento e vingativo, que recebendo uma resposta negativa, a matou. E sim, alguns pensaram que havia sido eu quem a matou. Eu lhes disse que a culpa havia sido do lobo, mas eles não me ouviram. Vovó foi a única que acreditou em mim. Mas desde esse dia, não ousamos falar sobre a morte misteriosa de Amy ou do suposto “lobo mau”.

Em 2014, meu pai havia falecido devido um ataque cardíaco enquanto voltava para casa. Ele dirigia pela estrada principal, no sentido Maine-Nova York, quando aconteceu. Só soubemos da notícia quando um velho amigo da família, que era policial, veio nos contar sobre o ocorrido. Mamãe somente me contou sobre a morte dele quando não o vi na minha colação de grau que aconteceu no dia seguinte.

Já em 2016, foi a vez dela. Eu havia acabado de chegar em casa para passar as férias quando mamãe veio comigo e, sentada ao meu lado na poltrona em frente a lareira, confessou que acreditava em mim e que sim, havia sido um lobo quem havia matado Amy. Quando questionei por que ela só me contou aquilo naquele momento, mamãe disse que alguma coisa estava por vir e que eu deveria tomar muito cuidado.

Duas horas depois, ela veio à óbito.

A ideia de deixar Nova York e seguir para Portland, no Maine, veio quando minha avó me ligou no meio da noite para dizer que estava doente, e que precisava de companhia. Coincidentemente ou não, a empresa ao qual eu trabalhava ampliou seu mercado para lá e precisavam de alguém experiente para cuidar dos negócios de engenharia. Então, juntando as duas razões, enviei meus pertences para a casa de minha avó, onde utilizaria meu carro como transporte até a empresa que ficava no centro.

Vovó me recebeu de braços abertos e uma tosse carregada. Insisti para que ela ficasse dentro de casa e recuperasse da saúde, enquanto eu cuidava de suas coisas. Levou um mês para que eu finalmente me instalasse ali por completo. A casa precisava de muitas reformas, como o piso frouxo e as janelas quebradas. Algumas telhas se encontravam fora do lugar e o aquecedor não estava funcionando. Parte do meu orçamento havia sido usado nas reformas e, tão logo ela se tornou apropriada para morar, passei a conhecer Portland um pouco melhor.

Já conhecia um ou dois vizinhos que faziam visitas periódicas à minha avó e alguns estabelecimentos próximos da casa, então senti que era hora de prosseguir com o trabalho. Minhas viagens até a cidade eram silenciosas e belíssimas, já que a paisagem era tranquila. Com a chegada no centro, podia avistar os principais pontos, como a prefeitura e a delegacia, assim como a praça principal e a igreja. E, por fim, a empresa da qual eu iria passar a trabalhar.

Os dias que se seguiram desde a minha chegada em Portland eram comuns como qualquer outro. E como qualquer outro dia, eu encontraria as mesmas pessoas, nos mesmos locais e recebia os mesmos cumprimentos. Vovó dizia que Portland não era como Nova York, onde você via um rosto diferente a cada dia e uma saudação diferente de cada pessoa. Nisso, eu concordo com ela.

Mas o que poderia ter sido um dia comum como qualquer outro, começou de uma forma estranha e quase terminou numa tragédia. Naquele dia, vovó levantou primeiro do que eu e ficou encarando a janela em total silêncio. Como eu já me encontrava vestido para ir trabalhar, achei aquela atitude um tanto peculiar, afinal, eu me despedia dela quando ela ainda estava na cama.

_ Não conseguiu dormir? - perguntei, vendo-a passar a mão pelo rosto e pescoço, antes de parar sobre o colo. - Vovó?

_ Você não devia ir. - começou ela. - Vem vindo uma tempestade.

_ Não tem nenhuma nuvem no céu. - falei, afastando as cortinas e olhando pela janela. - E ainda está amanhecendo.

_ Matthew. - insistiu ela, me olhando preocupada. - Não vá trabalhar hoje.

_ Vai ficar tudo bem, vovó. - lhe sorri e depositei um selar em sua testa. - Volte a dormir.

Me despedindo, segui para fora da casa e entrei no carro, partindo em seguida. E como vovó havia dito, Portland foi despertada por uma chuva forte. Eu já vi muitas chuvas fortes, contudo, parecia que chovia somente ali, naquela cidade. E o mais curioso é que os meteorologistas disseram que faria calor de cozinhar o cérebro. Havia poucas pessoas nas ruas, e as que se arriscaram em sair, acabavam ficando ensopadas.

Como de costume, cheguei à cafeteria próxima do trabalho quase completamente ensopado. Os poucos clientes que haviam ali eram pessoas que eu não cheguei a ver nos dias anteriores. A maioria delas parecia séria demais, e os que falavam, o faziam sussurrando. Sacudi o casaco molhado ainda na entrada do estabelecimento e cheguei até o balcão, onde pedi um expresso duplo.

Enquanto esperava, meu celular vibrou no bolso do casaco e, logo que verifiquei, era uma mensagem de Morgan, avisando que o cliente demoraria cerca de duas horas, já que uma árvore havia caído no meio da estrada e a Construção Civil tentava desbloquear o caminho. Lhe respondi que estaria no aguardo caso houvesse alguma novidade e agradeci à atendente pelo café, pagando em seguida.

Contudo, meu café tinha um gosto esquisito, como se alguém tivesse deixado algum pedaço de ferro dentro da máquina ou na água do café.  Cogitei em avisar sobre o problema na bebida, mas tão logo me virei para a atendente, a mesma não estava mais ali.

_ Por que não se senta?

Desviei os olhos na direção da voz, notando que alguém havia falado comigo, o que geralmente nunca acontecia, já que eu sempre saía com pressa. Era uma garota ruiva, de olhos castanhos e não devia ter mais que 1,60m de altura. Vestia um grosso casaco de lã branca e tamborilava as unhas na xícara de porcelana, me olhando com curiosidade e um pequeno sorriso no rosto.

_ Por que não se senta? - repetiu, indicando a cadeira vazia à frente.

_ Eu tenho pressa. - falei, agradecendo com um aceno.

_ Com essa chuva, nem adianta seguir viagem. - explicou ela e encarei a chuva lá fora. - Você trabalha no Jones e Associados, não é?

_ Anda me vigiando? - franzi o cenho.

_ Não tem como não reconhecer o emblema na sua maleta. - e gesticulando com o queixo, segui seu olhar e reprimi um sorriso. - Senta. Não vou te morder.

Verifiquei o relógio e depois, o tempo chuvoso, percebendo que a chuva parecia não dar trégua nenhuma. E, dando-me por vencido, aceitei a proposta, me acomodando na cadeira oferecida. A garota deslizava os dedos longos sobre a xícara e, vez ou outra, reprimia um sorriso ao ponto de esconder o rosto. Eu sei que muitas pessoas já me elogiaram pelos meus olhos azuis, ou por meu maxilar firme - ou mesmo, pelo meu corpo -, mas aquela era a primeira vez que eu deixava alguém um pouco desconfortável. Ficamos por um certo momento em silêncio, quando retomei a conversa.

_ Há quanto tempo mora aqui?

_ Desde pequena. - respondeu ela. - E você?

_ Uns dois meses. - assenti.

_ Vida nova? Ou veio por causa do…

_ Trabalho. - completei.

_ E onde morava antes?

_ Nova York. - afirmei e ela chamou pelo atendente.

_ Outra desta bebida.

_ Sim, senhora. E o senhor?

_ Um latte. - agradeci, vendo-o se afastar. Discretamente, afastei a bebida quase intacta para o canto. - Tomara que não venha com gosto de ferro.

_ Gosto de ferro?

_ Sim. - assenti. - Pedi um expresso duplo mais cedo e tinha gosto de café com ferro.

_ Devia reclamar. - me alertou.

_ Talvez tenha sido apenas um descuido. - resumi.

_ Certo. E o que um homem da cidade grande faz aqui, na pacata cidade de Portland? Além de trabalhar, claro.

_ Vim cuidar da minha avó. - ri, tímido. Não era comum, para mim, me sentir acanhado daquela forma. Geralmente, eu me sentia confortável em conversar com mulheres, afinal, boa parte da minha equipe de trabalho era formado por elas.

_ Então, você mora com a sua avó? - piscou surpresa.

_ Sim. - assenti. - E você? 

_ Com meus pais. - afirmou.

Quando nossos pedidos chegaram, a garota bebericou sua bebida e eu relutei em fazer o mesmo com a minha, enquanto encarava a janela. Logo que tornei a olhá-la, havia um homem, à duas mesas de distância, que nos observava com atenção e aquilo me deixou receoso.

_ Não fomos apresentados formalmente. - sua voz despertou meus devaneios.

_ Matthew. - me apresentei, estendendo a mão.

_ Amber. - cumprimentou-me.

_ E o que faz, Amber? Quando não está aqui?

_ Oficialmente? Eu estudo. - e assenti, impressionado. - Não faça essa cara. Medicina Veterinária não é tão interessante.

_ Eu acho incrível. E o que mais?

_ Desenho.

_ E que tipos de desenhos você faz?

Amber pigarreou e limpou os lábios finos, enquanto abria a pasta ao seu lado e começava a tirar alguns desenhos produzidos por ela. Fiquei observando um por um, impressionado com os traços dados quando minha atenção parou em um desenho de um lobisomem.

_ São incríveis. - elogiei. - Devia expor essas obras.

_ Eu adoraria. - agradeceu. - Mas meu pai não quer deixar. Ele acha que desenho é para crianças e pessoas desocupadas, e que eu deveria me dedicar aos estudos.

_ Podia se dedicar aos dois. - comentei. - Você é muito boa com desenhos e acredito que, se ilustrasse as explicações e termos técnicos, seu pai entenderia que você é bastante talentosa.

_ E eu já fiz isso. - riu ela. - Ele não quis saber.

_ É uma pena. - suspirei, vendo-a concordar e voltei a olhar para o lado de fora da janela. - Parece que não vai parar.

_ É. - assentiu ela. - Vou ter que ligar para a minha mãe e cancelar o encontro.

_ E eu vou dar um jeito de seguir para a empresa. - em resposta, Amber sorriu. - Bom, foi um prazer conhecer você, Amber.

_ Espera. V-você já vai?

_ Sim. - concordei, me levantando da cadeira. - Já estou incrivelmente atrasado.

Acenei para Amber e, deixando algumas notas para pagar a bebida, segui para fora da cafeteria. Mas antes que eu alcançasse a porta, sua mão segurou meu pulso, na tentativa de me impedir.

_ Pode me dar uma carona até o ateliê? - pediu. - Não fica muito longe da sua empresa.

Pisquei algumas vezes, ainda processando o pedido e concordei, abrindo a porta ao que ela passou, abrindo um guarda-chuva em seguida e nos abrigando. Logo que entramos no carro, seguimos viagem até o local que ela desejava ir e novamente nos despedimos, ao que segui para o estacionamento da empresa. E, tão logo desci do veículo, meu celular vibrou no bolso. Ao pegá-lo, notei que havia 10 ligações perdidas. 

Todas da minha avó.

Preocupado, liguei para ela e, no terceiro toque, sua voz soou na outra linha.

_ Matt!

_ Vovó, o que houve? Está tudo bem com a senhora?

_ Querido, por favor, volte para casa. - insistiu. - Eu não acho que seja seguro você ir trabalhar.

_ Vovó, por favor, fique tranquila. - comecei, mas um estranho arrepio percorreu meu corpo. Como uma estranha sensação de que algo não parecia certo.

_ Volte para casa!

_ Tudo bem. - assenti, olhando em volta. - Já estou voltando. - e desliguei.

Tornei a ligar para Morgan, avisando que ela seguiria com a apresentação ao nosso cliente, já que eu não poderia fazê-lo e lhe desejei boa sorte. Novamente, ao desligar, um novo arrepio percorreu por meu braço e, sem pensar muito, entrei no carro, travando as portas. No banco do passageiro, acredito que Amber tenha esquecido a caixinha sobre o assento e, tão logo eu a abri, um choque de horror encheu meu corpo.

Havia um dedo, uma orelha e um olho no interior.

Assustado, fechei novamente a caixinha, virando o rosto e respirando fundo. Mas que merda era aquela? E por que aquela garota abandonou isso no meu carro? Engolindo em seco e respirando com calma, tornei a abrir a caixinha, notando que ambas as partes pareciam estranhamente frescas e que havia um entalhe no interior da tampa:

“Quem tem medo do lobo mau?”

_ Que porra é essa? - sussurrei, fechando a caixa em seguida. Coloquei a caixinha debaixo do banco do passageiro e liguei o carro, saindo do estacionamento em seguida. Enquanto dirigia, avistei o mesmo homem acompanhado de outras pessoas na entrada da cafeteria e Amber estava exatamente ao lado dele. E não demorou muito para que ela sorrisse para mim e acenasse.

Pisei no acelerador, vendo o grupo se distanciar gradativamente, até finalmente perdê-los de vista e voltei meus olhos para a estrada. Por um curto período, tentei manter a calma, enquanto ligava para a minha avó. Levou alguns minutos até que ela finalmente atendesse.

_ Matt, está tudo bem? Está voltando para casa?

_ Vovó, já estou voltando. Está tudo bem.

_ Você não está sendo seguido, está?

_ Não, eu não… - mas, minha voz morreu na garganta ao ver duas criaturas gigantescas se aproximando velozmente pela estrada. - Mas… Que merda é…

_ Matt, por favor, tome cuidado! - pediu ela.

Passei a marcha seguinte, esmagando o acelerador e antes que eu virasse na curva, uma das criaturas alcançou meu veículo, jogando meu carro para fora da pista com a própria força. O carro capotou diversas vezes até parar, de cabeça para baixo, próximo a um carvalho. A dor percorreu por meu corpo preso ao cinto de segurança e era possível sentir o cheiro de sangue no interior do carro. Com dificuldade, retirei o cinto, caindo sobre o teto do carro e me arrastei para fora pelo vidro quebrado. 

Na parte de trás do carro, havia uma manta vermelha e, por um segundo, a reconheci. Era a manta que vovó havia feito para mim quando eu havia nascido. Ou pelo menos, parecia com ele. Me estiquei para pegá-lo, e ao fazê-lo, meu casaco foi segurado e meu corpo foi arremessado para trás. O impacto das minhas costas contra o chão piorou as dores das minhas costelas, e me virei de lado, tentando me rastejar para longe do grupo. Mas quem eram eles e porque estavam me atacando?

_ O pequeno Matt. - disse uma voz masculina e rouca, com um sotaque de interior carregado. - Ainda seguindo as ordens da vovó, Matt?

_ O-o que? - franzi o cenho, levantando a cabeça aos poucos. 

_ Você é um menininho muito, muito mau. - continuou. Era um homem velho, barbudo e vestia roupas pretas e rasgadas. - Sua avó não disse para não falar com estranhos?

Encolhi-me de dor, protegendo as costelas que foram atingidas e tentei me levantar dali. A chuva caia tempestuosa ali, nos encharcando e percebi que havia mais de dez pessoas ali.

_ O que vocês querem? - perguntei, olhando em volta. Sabia que estava longe de casa e que poucos carros passavam por aquela estrada.

_ Você, Matt. Nós queremos você.

E um som estrondoso se aproximava gradualmente, fazendo meus pelos se arrepiarem violentamente. Quando consegui finalmente me levantar, tentei fugir pela estrada, ouvindo o som das risadas e um barulho de algo se aproximando. Acredito que consegui me distanciar apenas dez metros do local do acidente antes de cair no chão, ofegante. Já não tinha forças para me erguer e pensei seriamente que morreria ali. Cansado, virei meu corpo, encarando o céu nublado e fechei o punho que ainda segurava o manto vermelho, como um objeto de crença, quando uma criatura pulou por sobre mim, e enfrentando a criatura que me perseguia.

Os dois monstros se enfrentaram fervorosamente e isso me deu algum tempo para fugir deles. Tornei a tentar me levantar e fugir pela estrada, visivelmente cansado. Quando passei pela segunda curva, avistei minha avó andando ao meu encontro com um guarda-chuva e um casaco vermelho no braço.

_ Matt! - gritou ela por mim.

Arrastei-me em sua direção e a abracei, ofegante. Suas mãos afagaram meus cabelos molhados e ela me cobriu com o casaco vermelho, onde voltamos devagar para casa.

_ O que houve? - começou ela quando entramos em casa. - O que aconteceu com você?

_ Eu… Fui atacado. - arfei, me tremendo de frio.

_ Venha, eu vou cuidar dos seus ferimentos.

Com cuidado, consegui remover o casaco e o terno, enquanto minha avó pegava o kit de primeiros socorros. Quando ela começou a limpar o ferimento em minha testa, ambos ouvimos uma batida na porta, ao que segurei minha avó a tempo, reconhecendo a fisionomia e os cabelos vermelhos da visitante. Era Amber.

_ Não vá. - falei.

_ Está tudo bem. - respondeu ela.

_ Vovó! - a olhei, me pondo de pé. - Ela estava com o grupo que me atacou.

_ Amber não é quem você acha que é.

E se soltando, vovó andou até a porta e abriu-a, permitindo que a garota entrasse. Com o queixo tremendo de frio e os cabelos grudados ao corpo, Amber agradeceu com um aceno e fechou a porta atrás de si, engolindo em seco quando sua atenção se voltou para mim.

_ Eu quero me explicar… - começou ela.

_ Saia da minha casa. - ordenei.

_ Espera.

_ Matt! - vovó me olhou.

_ Saia! - gritei.

_ Eu protegi você! - disse ela. - Eu não deixei você ser morto…

_ E quanto à caixinha que deixou no meu carro?

_ Não fui eu. - respondeu, ofegante. - Me mandaram colocar no seu carro como um aviso, mas não fui eu.

_ Que aviso? - perguntou vovó.

_ Que você será o próximo. - ela se voltou para a minha avó. - Eles sabem que você é neto da Sra. Ann Lykaios.

_ E o que isso tem a ver? - franzi o cenho, olhando-as.

_ Os Lykaios era uma antiga família grega que foi responsável pela maior chacina de lobisomens durante a Inquisição. - explicou ela. - Como vingança, seus descendentes foram caçados e partes do seu corpo são retiradas e enviadas ao próximo descendente, como um sinal de aviso.

_ Quem era? Os pedaços dentro da caixa?

_ Da sua babá. - respondeu Amber. - Era para você ter sido morto no passado.

Furioso, avancei contra ela, segurando-a pelo pescoço e a prendendo contra a porta, enquanto ela tentava se soltar. Vovó se aproximou e tentou puxar minha mão para longe, afastando-me de Amber.

_ Não é hora de brigar, Matt. - ela me olhou e se voltou para a garota, que respirava com dificuldade. - Amber está se voltando contra a própria matilha para nos proteger.

_ E que garantia temos? A palavra dela?

_ Eu vim para protegê-lo.

_ Me polpe de seu argumento. - rebati.

_ Matt, já chega! - protestou vovó. - Amber está tentando nos proteger. Eu sei que está!

_ E como pode ter tanta certeza?

_ Acha que sua avó ainda estaria viva esse tempo todo? - ela me olhou, respirando fundo. - Eu tentei mantê-la protegida e segura até você chegar…

_ Para me matar no lugar dela?

_ Para que você também estivesse protegido! - rebateu ela, avançando contra mim. - Pare de ser orgulhoso e me escute. Vocês devem ir para o bunker agora. Eu não vou conseguir impedi-los sozinha.

_ Tudo bem. - concordou vovó. - Venha, Matt. Vamos sair daqui.

Ainda relutei em seguí-la, enquanto encarava Amber que me incentivava a ir. Segui vovó até a despensa, onde ela fechou a porta e abriu uma passagem secreta que ficava atrás das latas em conserva. Pensei em lhe perguntar desde quando ela tinha aquele esconderijo, mas minha resposta foi respondida ao ver o entalhe em madeira na parede esquerda:

“Criado por Emilie Lykaios em 1910”.

Enquanto descíamos os inúmeros degraus em direção ao bunker, fiquei pensando algumas hipóteses sobre a minha própria história: Por que nunca me disseram que eu era um descendente dos Lykaios? Por que meus pais não mencionaram sobre a existência dos lobisomens? E, principalmente... Eu estou vivendo um conto de fadas sombrio?



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