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História Crônicas Laodyanas Livro 1 - Os Herdeiros do Fogo e da Água - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Parte 1: Em Laody - Capítulo 2


Fanfic / Fanfiction Crônicas Laodyanas Livro 1 - Os Herdeiros do Fogo e da Água - Capítulo 2 - Parte 1: Em Laody - Capítulo 2

O dia estava bom para passear, então Rainha Elizabeth não resistiu, resolveu sair um pouco ao belo jardim do Castelo Tsukimi após o almoço. Usava um vestido simples, vermelho e decotado, fazia muito calor. Deitada na relva sob o sol, a brisa leve batendo-lhe no rosto e o barulho das folhas das árvores que dançavam ao sabor do vento eram-lhe sinais de um dia abençoado. Triste saber que tudo isso uma hora vai acabar, mas o importante no momento é aproveitar o que podemos fazer agora do que se arrepender mais tarde por não ter feito quando podia. Deliciar as nossas riquezas antes da discórdia vir e tirá-la de nós, pensava tentando relaxar.

Observou o céu azul e limpo, depois baixou o olhar para visar o belo e imponente castelo e, baixando o olhar mais um pouco, contemplou seu abdome saliente. A gestação estava no fim e o bebê nasceria a qualquer momento, ansiava por isso. Virou o olhar e contemplou o jardim à sua volta. Viu uma macieira frondosa repleta de frutos maduros. Ao ver as maçãs, as desejou. Acho que vou pegar algumas, senão minha pequena vai nascer com cara de maçã! E deu uma pequena risada ao imaginar uma criança com a cabeça no formato e cor da fruta.

Aproximou-se da árvore, logo percebeu que não conseguia nem alcançar a maçã mais baixa. Hum, vou ter que dar um jeito nisso. Então, de suas mãos fez nascer uma pequena chama. Acho que será mais que o suficiente. Aproximando o pequeno lume, fê-lo passar de sua mão para o tronco da árvore. A chama começou a rastejar pelos galhos, sem causar quaisquer danos até se aproximar do fruto. Quando o alcançou, queimou o minúsculo caule que o pendurava na árvore. Embaixo, Elizabeth pegou a maçã e a experimentou. Hum! Que delícia! Docinha! Eu acho que vou levar umas para Daniel. E a pequena chama derrubou mais cinco frutos, as quais foram todos pegos antes de chegar ao chão.

Depois de comer, Elizabeth acabou adormecendo encostada na macieira. Estava tão bom o tempo e tão aconchegante que não resistiu à sonolência que a tarde trazia. Acordou ao ouvir um barulho, um galho havia se quebrado entre as árvores que estavam atrás dela. Um pouco perturbada pelo pequeno susto, foi ver o que era. Andou até o lugar e viu uma pegada na terra. De repente, uma voz feminina falou-lhe às costas:

— Saia daqui, vá para bem longe, esse planeta já está perdido e você morrerá, já lhe falei isso antes, por que continua aqui?

Rainha Elizabeth reconheceu a voz, mas a pessoa ainda se encontrava escondida nas sombras das árvores. Sem se mexer ou mesmo virar o olhar, ela respondeu com tristeza, mas firme no tom:

— Não posso ir, tenho que ficar e aceitar meu destino, é dever de uma rainha ficar com seu povo até o fim e você sabe mais que ninguém disso, não deveria ter vindo, e já te mandei voltar o quanto antes. Lamento não poder estar contigo do jeito que você quer, mas saiba que olharei por você de onde estiver, eu estarei sempre com você dentro do seu coração.

— Preciso tanto de você... não sabes quanta falta me faz!

— Entendo sua dor, mas sabes que não devo ir e você não deve ficar aqui quando tudo acontecer, ou todos os esforços e esperanças serão perdidos. Tem seus amigos e muitas pessoas te apoiam e apoiarão no que você fizer, mas se precisar de mim estarei lá, não se preocupe. Nunca te deixei, nem te deixarei.

Um silêncio se estendeu, ambas já não tinham mais nada a dizer. De repente, outra sombra apareceu, desta vez masculina, entre as árvores e falou:

— Sinto muito, Vossa Majestade, sei que falhei em minha missão, culpa minha. Para compensar meu erro eu a levarei imediatamente.

— Não! Quero ficar mais um pouco aqui — gritou a primeira sombra.

— Leve-a o quanto antes, ela não pode ficar mais aqui ou passará pelo limite de interferência e pode acabar morrendo junto comigo — ordenou Elizabeth.

— Sim, Vossa Majestade. — E a sombra curvou-se de onde estava e pegou a outra pelo braço. — Vamos! Você já está começando a me dar muito trabalho.

— Não! Espere! Eu vou, mas quero me despedir direito.

A segunda sombra olhou para os olhos de Elizabeth esperando uma confirmação para realizar o pedido. Elizabeth balançou a cabeça consentindo.

— Vejo que é um adeus... — falou a primeira sombra chorosa. — Mas quero fazer uma coisa antes de ir.

A sombra saiu do esconderijo entre as árvores e logo surgiu uma garota de cabelos longos e negros, olhos azuis e pele rosada parecida com Elizabeth. A adolescente estava com os olhos marejados de lágrimas que escorriam pelo rosto juvenil. Ela se aproximou de Elizabeth e envolveu-lhe nos braços fortemente. A rainha sorriu diante de tamanha afeição e carinho, comovida, também chorou correspondendo ao abraço. Depois de um tempo, percebeu que já era o suficiente, devia deixá-la partir. Soltou-a e ela, então, compreendeu, tinha que partir.

— Não é um adeus, é um até logo — disse Elizabeth.

— Vamos! — falou a sombra masculina ás costas.

Puxando a garota pelo braço, a sombra direcionou um cristal triangular para uma direção qualquer usando a outra mão e logo houve a abertura de um círculo em diversos tons de roxo que girava em espiral. Assim que eles entraram, o círculo se fechou e tudo voltou ao normal. Elizabeth novamente estava só em seu grande e belo jardim. Triste, desviou o olhar para a sua barriga, acariciou-a, querendo sentir a vida que havia ali dentro. Você será uma grande rainha e mamãe te ama muito e estará contigo para sempre, meu bebê, tenho muito orgulho de você, pensou sorrindo àquele ser que gerava.

Voltando para o castelo carregando três maçãs colhidas da macieira nos braços, um dos guardas correu até Elizabeth logo que a viu e falou ofegante:

— Vossa Majestade, estávamos todos a sua procura, uma emergência surgiu e deves ir o quanto antes à sala do trono se encontrar com Sua Majestade Rei Daniel.

— O que aconteceu?

— Um ataque em Toraken, Sua Majestade Rei Daniel poderá lhe dar mais detalhes.

— Muito bem, estou a caminho — disse entregando as maçãs ao guarda.

Então, esse é o começo do fim… pensou enquanto andava apressadamente para a sala do trono. Em poucos minutos chegou num grande salão. Nele tinha um tapete de uma porta dupla até dois tronos de ouro com estofados vermelhos. Estandartes estavam pendurados com a insígnia da família real Tsukimi. A insígnia era três formas geométricas que formavam o desenho de uma chama dourada. Em um dos tronos estava um homem pálido de olhos verdes e enrugados de preocupação: Rei Daniel Tsukimi. À frente do rei estava um homem mais velho, de cabelos brancos e ralos, porém musculoso e de saúde impecável por baixo da armadura prateada, era o general da família Tsukimi, seu nome era Heis Astur. Rainha Elizabeth chegou na sala declamando enquanto ia e sentava no outro trono:

— Então, já temos alguma informação sobre quem é o infame que ousa atrapalhar a paz de meu reinado?

— Ainda não, Vossa Majestade, mas temos algumas pistas e precisamos de ajuda externa — respondeu Heis.

— Como assim? Comece do princípio.

— Vou chamar alguém que presenciou fatos estranhos e pode colaborar com a investigação. Entre — falou Heis se dirigindo para a porta.

Da porta entrou uma jovem pálida de olhos castanhos e cabelos negros e curtos. A jovem se aproximou dos tronos até uma distância segura e se curvou. Ela tremia, pois estava intimidada pela importante situação em que se encontrava, afinal estava diante do rei e da rainha de Plutón, não só isso, como também era a rainha que sentava no Trono Supremo Laodyano e reinava sobre as outras nove famílias reais de Laody. Elizabeth olhou-a com curiosidade e ordenou:

— Apresente-se.

— Sim, Vossa Majestade. Meu nome é Laiza Reikan, sou vendedora de hortaliças em Toraken.

— Muito bem, Laiza Reikan, o que viu que pode ser uma informação útil para nós?

Laiza, então, contou sobre tudo o que aconteceu no dia: a mulher do pano preto, a borboleta e a fumaça que derrubava a todos ao redor que a inalavam.

— O que aconteceu com a área e a fumaça? — perguntou Elizabeth.

— A área foi isolada e a fumaça baixou até findar-se e encontrarmos o objeto de onde ela foi transportada — respondeu Heis.

— E o que aconteceu com as pessoas que a inalaram?

— Estão recebendo atendimento médico, sete faleceram por inalarem a fumaça demasiadamente até agora, outros trinta e oito estão em coma.

— Precisamos analisar a fumaça para ter um antídoto, já deu pra perceber que é venenosa, onde está Mago? — disse Daniel.

— Estou bem aqui, Vossa Majestade. — E todos se viraram em direção a porta dupla a tempo de ver um senhor de meia-idade com cabelos curtos de pontas escuras e raiz grisalha.

— Então? O que você tem a dizer sobre esse assunto? — disse Elizabeth esperando que Mago já tivesse lido a mente de todos para se colocar a par da discussão.

— Gostaria de conversar a sós com Vossa Majestade Rainha Elizabeth antes de chegar a um veredicto.

Elizabeth entendeu e ordenou:

— Assim seja, obrigada pelas informações, Laiza Reikan, faremos bom uso delas. Agora estão todos dispensados, podem ir.

— Sim, Vossa Majestade — responderam Laiza e Heis em uníssono se curvando e se retirando do salão.

Daniel a encarou, suspirou e saiu em silêncio. Finalmente a sós, a porta foi fechada e Mago começou:

— Primeiramente: onde está a sua coroa?

Elizabeth piscou diante da pergunta, realmente não estava a usando. Ela respondeu desinteressada:

— Provavelmente jogada em algum canto.

Mago a encarou e depois deu um longo suspiro. Ele falou:

— Vejo que você não cresceu nada nesses últimos anos, continua sendo uma criança mimada e birrenta.

— E você continua sendo um velho atrevido por ousar falar assim comigo — ela retrucou perdendo a paciência. — Isso é tudo o que você tem a me dizer?

— Não, vim dar meu relatório final também.

Ao ouvi-lo, Elizabeth tensionou. Mago continuou:

— Todos os nobres enviados foram mortos, Elizabeth, nem os corpos frescos foram encontrados para a queima, muito menos suas cinzas. Você tentou tudo o que podia, mas não há mais tempo e nem espaço para negociar. Devemos prosseguir com o plano, dê a ordem de execução.

— Não! Ainda deve ter mais algo que pode ser feito — ela disse exasperada.

— Chega, Elizabeth! Você já postergou o suficiente. Não há mais o que fazer, faça a reunião amanhã e dê a ordem final, você não está em posição de se dar ao luxo de se iludir com Ivan Tsuno, há muito em jogo aqui e as mortes estão apenas começando a se empilhar. E depois da reunião prosseguirei com a condução do parto.

Elizabeth estalou a língua e desviou o olhar, pensativa. Odiava concordar com ele, mas ela realmente não via nenhuma outra alternativa. Frustrada, levantou-se do trono e andou a passos largos. Quando estava atravessando o salão em direção a porta dupla ela parou ao lado de Mago e, ainda mantendo o olhar fixo a frente, ela disse em meio ao sarcasmo:

— Faça como quiser, como sempre estou contando com você, e essa discussão acaba aqui. — E prosseguiu em frente, abriu as portas com força e sumiu pelos corredores do castelo.

—— 

 


Notas Finais


Agradeço a quem estiver lendo essa história.
A imagem é a insígnia da Família Real Tsukimi.
Tentarei fazer das outras famílias também.

Até o próximo capítulo. ^-^/


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