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História Crossing Field - Madaobi - Capítulo 23


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Notas do Autor


quem é vivo sempre aparece, né? pensei que voltaria antes do hiatus, mas eu acabei me ausentando dessa fic por duas semanas, me perdoem por isso, realmente bateu um desânimo brabo pra escrever. mas cá estou eu, tentarei não atrasar mais kkk, mais atrasada que eu será esse especial que vai ser dividido em duas partes que era pra estar saindo no dia 10, mas né... se não for para enrolar, não é a solar xD
isso é apenas um alívio cômico pq o final desses arcos importantes já está chegando, ou seja, vai dar muita merda D: estejam preparados
nos próximos vou estar soltando a parte II
fiquem com deus, um beijo enorme em cada um de vcs <3 e obrigada pela compreensão
edit: a parte em itálico é tudo flashback e é CÂNON

Capítulo 23 - Especial: Aniversário do Obito e Izuna


Fanfic / Fanfiction Crossing Field - Madaobi - Capítulo 23 - Especial: Aniversário do Obito e Izuna

 

Izuna levantou-se cedo naquela manhã, realizando todas as tarefas pendentes do dia, antes de ir para o trabalho. Arrumou os cabelos em um rabo de cavalo curto e se olhou no espelho, dando um sorriso fraco para o próprio reflexo. 

Ainda que, se considerasse novo, estava se achando terrivelmente velho. Enxergava rugas aonde não existiam, assim como possíveis fios brancos que não se passavam de alucinação com a idade nova chegando. 

Suspirou, saindo de sua casa e indo até o trabalho. Não avistou nenhuma decoração ou algo que pudesse entregar que estavam planejando alguma surpresa. Aquilo o aliviou consideravelmente, e adentrou à empresa, caminhando de cabeça baixa. 

Por conta disso, não observou as pessoas que o aguardavam no final do corredor, com alguns confeites e purpurinas. 

- SURPRESA! - Todos berraram em uníssono, fazendo o Uchiha quase ter um enfarto pelo susto que levara. 

Izuna segurou-se na parede, com a mão depositada no peito, sentindo os batimentos cardíacos acelerados. Deparou-se com os amigos de sempre, logo à sua frente, com sorrisos nos rostos e com aquela alegria que chegava até a ser contagiante. 

Menos para ele. 

- Não sei porque você fazem tanto alvoroço com um aniversário. - Murmurou, assim que se recompôs do susto. 

Continuou o seu caminho pelo corredor da empresa, depositando a bolsa que carregava em uma mesa que portava um monitor onde possuía a visão de todas as câmeras depositadas pelo prédio. 

Madara aproximou-se com um sorriso no rosto, puxando o caçula que tanto amava para um meio abraço. Mesmo que soubesse que Izuna detestasse aniversários, ainda sim gostava de comemorar aquela data tão querida.

- Para de ser carrancudo, Izu. Seu aniversário é muito importante. - Disse, recebendo incentivo de outras pessoas que participavam do momento. 

- Importante aonde? Eu só fico mais velho, com mais rugas no rosto e mais preocupações na cabeça. - Respondeu, bufando irritado logo em seguida. 

Hidan surgiu perto do Uchiha mais moço, puxando-o para perto, assim como Madara fazia. 

- Você não muda nunca, porra. Vai continuar o mesmo velho chato que só sabe colecionar cactos dentro de casa. 

- Cala a boca, Hidan! - Izuna praguejou, empurrando o albino bruscamente e soltando-se do aperto de minutos atrás. 

Recolheu a pasta que havia deixado sobre a mesa novamente, e quando estava prestes a ir até seu escritório, ouviu seu nome ser chamado pelo irmão. 

- A gente vai fazer alguma coisa hoje, né? - Inquiriu com olhar que beirava súplica. 

Percebeu que, assim como o irmão, todos mantinham a mesma expressão no rosto como se clamassem para que ele aceitasse a ideia. E ele não a detestava, mas não via graça em comemorar o aniversário. Para Izuna, seria um dia como qualquer outro e por isso, queria manter a sua rotina noturna de sempre; ou sair com a Naori ou dormir. 

Para fugir daqueles olhares, decidiu abrir uma brecha que servia como uma solução de seus problemas e o poupava saliva. Ainda que, dissesse que não, a insistência se manteria forte e provavelmente, eles arrumariam algum jeito de tirá-lo de casa. 

- E quanto ao Obito? Não vai sair com ele hoje? - Perguntou com os braços cruzados, formando um sorriso vitorioso nos lábios.

Vitória aquela que, ele sabia que já pertencia à ele por conta da expressão perdida que encontrou no rosto do irmão, mesclado com alguns murmúrios que os amigos soltaram em seguida. 

Madara franziu o cenho, procurando entender o porquê daquela pergunta. Lógico que sairia com o seu bombom, pois ele iria para a comemoração com ele. Entretanto, mesmo que a resposta soasse simples, ainda se questionava internamente o motivo daquela postura convencida que o caçula possuía. 

- Vou, por que? - Inquiriu confuso. 

- Então, pronto. Comemore o aniversário dele, vocês dois e eu fico com a minha rotina descansada. - Retrucou, desfazendo a pose logo em seguida, e reatando aos planos de ir até o seu escritório. 

- Aniversário? Dele? - Indagou mais para si mesmo naquele corredor, do que para o irmão que passava a afastar aos poucos dali. 

- Melhor se preocupar com ele, do que comigo. - Disse com a voz elevada, para que Madara o ouvisse, enquanto continuava a caminhar pelo corredor. - Meu melhor presente de aniversário será dormir o dia inteiro. 

Formou uma careta pela preguiça que o irmão às vezes possuía, e logo tratou de retrucar no mesmo tom:

- Nós não deixaremos passar em branco! 

Suspirou cansado logo em seguida, pensando no que deveria fazer. Tinha que arrumar algum jeito de unir os dois aniversários em um encontro, o que não era difícil. Mas, ainda sim tinha vontade de passar a noite inteira só com o Obito e mais ninguém. 

Entretanto, não podia largar o Izuna. Mesmo que ele erguesse esses muros ao redor, dizendo que detestava aniversários, era possível de se ver que ele gostava de tais comemorações. Ele se divertia, bebia e perdia a cabeça totalmente. 

“O que eu faço?” Pensou, pondo a mão sobre o queixo. 

Sentiu-se extremamente idiota por ter esquecido o aniversário do próprio namorado. Agora, fazia sentido o tratamento extremamente frio que recebeu mais cedo, quando estavam a caminho da empresa. 
 

• • •

 

Obito acordara um tanto animado e empolgado. Raramente, essa sensação boa se fazia presente no peito, já que nos aniversários anteriores, ele passara sozinho. Mas, nesse em questão, ele tinha uma razão muito forte para amar a ideia daquele dia ter finalmente chegado. 

Pegou a caixinha de som que recebera do namorado, e deixou aquela melodia gostosa tocar no quarto. Ele simplesmente amava a ideia de como aquela música, os representava tão bem. Mesmo que, fosse uma letra minimamente triste.

Por enquanto, tudo corria bem. Nada daquela família louca de Madara saber algo a respeito dele, e nem fazer nenhum movimento ameaçador, o que o deixava tranquilo de certa forma. Mas, até quando aquela calmaria continuaria? 

“Não, não vou pensar nisso. O que importa é que estamos juntos, como namorados, finalmente. Não tem porque me preocupar.” Pensou, levantando-se da cama e marchando até o andar debaixo, onde podia sentir o famigerado cheiro de panquecas. 

Sorriu, aproximando-se de Kaede que terminava de colocar alguns pratos sobre a mesa e a abraçou por trás, fazendo a velhinha tomar um repentino susto. 

- Meu filho! - Proferiu, virando-se e abraçando com muita força o neto que correspondeu ao gesto. - Eu não quis te acordar cedo, então deixei você dormir um pouquinho. Único luxo que te concedo. 

Obito riu baixo, afastando-se minimamente da avó para dar um beijo na testa da mesma em sinal de respeito. Kaede por sua vez, fez o mesmo com o neto, o fazendo se abaixar para que pudesse alcançar o topo da cabeça. 

- Nem parece que é a mesma criança que há muitos anos, vivia me pedindo colo por ter medo do escuro. - Disse, com um sorriso orgulhoso no rosto pelo homem que seu neto havia se tornado. 

- Ah, vó… Não vai começar a se emocionar. - Retrucou, caminhando até a cadeira e sentando-se para comer. 

Kaede seguiu o rapaz, se juntando à mesa e o observando com o mesmo sorriso no rosto. Obito havia crescido tão rápido que, às vezes, até se perdia no tempo. Ontem mesmo, era uma criança que só lhe dava trabalho por sempre se atrasar para todas as aulas do ginásio. 

E agora, um homem adulto que tinha a própria carreira, a própria vida amorosa, mesmo que insistisse em manter aquela mentira. Seu coração se apaziguava pelo fato do neto estar bem resolvido com os âmbitos da vida atual, porque depois que o mesmo desfez o contato com Deidara, passara boa parte do tempo sozinho, sofrendo em silêncio. 

Saber que existe Madara para servir como o amigo que ele merece e até outras coisas, nas quais ela imaginava o que poderia ser, sentia-se aliviada e extremamente satisfeita. Agora, podia confiar o seu pequeno menino para o mundo, sem medo do que viria acontecer com ele. 

- Vai sair com o namorado hoje? - Perguntou com um sorriso sapeca nos lábios, arrancando algumas expressões constrangidas do neto que começara a se engasgar com a própria saliva. 

- Meu Deus, vó! Que namorado, o quê. - Disse com as bochechas vermelhas. 

Ainda que, Kaede se mostrasse de acordo com o relacionamento, tinha vergonha de dizer à ela. Visto que iria querer saber tudo desde início e dar conselhos que só o deixavam com vontade de enfiar a cara dentro de um buraco e nunca mais sair. 

Quando falava com Deidara, a mesma vivia dizendo que eles viriam a namorar qualquer momento. Procurou aconselhar até sobre relações sexuais, o que o deixava corado só de lembrar daquele momento constrangedor. 

Sabia que a avó fazia com a melhor das intenções, mas ainda sim sentia vergonha. 

- Hm, se sair não tem problema, viu? Só me avise, para que eu possa dormir tranquila. 

- Tá bom, vó. - Retrucou, olhando para a velhinha de canto que o estudava com uma expressão analítica. 

Às vezes, Kaede queria que o neto se abrisse de uma vez. Mas, não podia forçar certas coisas à acontecerem, por isso desistiu do diálogo e passou a comer junto com ele. Pelo menos, a primeira refeição importante do dia seria devota aos dois. Já se sentia contente por ter passado presenciado uma parte com ele, pois sabia que não veria o neto pelo resto do dia. 

Seus pensamentos egoístas dilatavam naquele momento, mas procurava sempre repreendê-los, porque Obito não os merecia. Ele tinha que conquistar a sua independência e caso se sentisse confortável, viver a sua vida da maneira que queria. 

Questionava internamente se o neto conseguiria ir para Kamakura no futuro, e agora que ele possuía uma companhia para tal, torcia cada vez mais para que ele conseguisse. 

Depois que terminaram de comer, Obito levou as louças sujas até a pia, e passou a lavá-las mesmo que a avó determinasse que naquele dia, ele não precisava fazer nada daquilo. 

- Vó, não é porque é o meu aniversário, que eu não farei nada. - Pontuou, assim que constatou que a velhinha praticamente o expulsava da cozinha para que pudesse realizar as tarefas de casa sozinha. 

- Nada disso! Vá tomar um banho e se vestir para o trabalho, deixe o resto comigo. - Proferiu, dando uma piscada para o neto que apenas deu de ombros e assim o fez. 

Ao sair da cozinha, o telefone começou a tocar e aproveitou que estava por perto e resolveu atendê-lo. Já imaginava que poderia ser ligação para ele. Puxou o aparelho até o ouvido e ouviu a característica voz de seu tio do outro lado da linha. 

- Kaede? - Perguntou, fazendo o rapaz revirar os olhos. Pelo visto, seu tio morreria achando que ele e sua avó eram iguais. 

- Não, tio. Sou eu, o Obito. - Retrucou, escutando de volta um sibilo do mais velho como se indicasse que estava satisfeito por ser ele ali. 

- Meu sobrinho, eu estou te ligando para te desejar parabéns e que aproveite bastante esse dia. 

- Obrigado, tio! - Abriu um sorriso pequeno. 

- De nada, vai sair com alguma namoradinha? - Inquiriu sem menor intenção de soar provocativo. Era a típica pergunta que tios ou tias faziam normalmente para seus sobrinhos. 

Entretanto, aquela singela pergunta fez com que Obito ganhasse uma cor rubra nas duas maçãs do rosto. 

- Não, tio. E eu não tenho namorada. - Disse, rindo baixo com o som de surpresa que saiu da boca do outro Uchiha. 

- Ah, mas agora você tem 19 anos e precisa namorar. É a melhor coisa da vida, viu? 

Obito coçou a nuca meio sem jeito pelo rumo que a conversa estava tomando. Outra coisa constrangedora que ele não gostava era entrar em tais questões com o seu tio. Ele começava a dar vários conselhos, como se fosse especialista no assunto. E quando se empolgava, contava até sobre as antigas namoradas do ginásio. 

Entretanto, sua mente nublou sem entender nada do que saía da boca do tio, por lembrar-se diretamente de Madara com aquela conversa. Às vezes, não conseguia acreditar que realmente estavam namorando. Tinha medo de tudo aquilo ser parte de uma ilusão na qual ele estava envolvido. 

Como previsto, seu tio passou a contar sobre algumas histórias antigas e quando Obito se deu conta do tempo que estava no telefone, desferiu um olhar para a sua avó em um pedido mudo de socorro. 

A Kaede prontamente entendeu o recado e puxou o telefone das mãos do neto, passando a conversar com o filho que não fechava a matraca por nada. 

- Homem, o Obito teve que subir para se arrumar ao trabalho. - Disse para o filho, que soltou um suspiro do outro lado da linha, por ter sido interrompido por sua mãe com as histórias que estava contado para o sobrinho. 

- E como estão as coisas na empresa do Madara? - Perguntou um pouco curioso. 

Faziam quatro meses, desde que Obito começara a trabalhar com um dos Uchihas mais influentes de Osaka e não tinha obtido nenhuma notícia desde então. 

- Está indo bem, o trabalho é bom e o chefe também. - Respondeu, recordando-se de Madara e do domingo saudoso que passara com ele. 

Mesmo com tão pouco tempo de convivência, já o considerava um segundo neto. A energia boa que sentiu com aquele rapaz, a fazia acreditar que ele era o certo para o Obito. E até que seus mantras a convencessem do contrário, permaneceria com essa ideia intacta em sua mente. 

- Entendo, só pede para ele não se envolver com o pai do Madara. Ele é meio “casca grossa”, como esses jovens de hoje em dia dizem. 

Kaede arqueou uma das sobrancelhas, antes de refutar. 

- Como assim, homem? 

- Pelo o que eu ouvi falar, ele não é muito agradável. É bom tomar cuidado com esse tipo de gente, pois eles não gostam de pessoas como nós. - Disse, em um leve tom triste.

A velhinha engoliu seco com aquela informação, e como resposta, apenas concordou com o filho. Não havia gostado muito de saber daquilo, e esperava que fosse tudo um grande exagero em torno desse tal pai de Madara. 

Se não, realmente poderiam existir problemas. 
 

• • •

 

Depois de tomar um banho digno daqueles e de ter se arrumado, Obito pegou o celular e se deparou com algumas mensagens que os amigos da empresa haviam o mandado.


 

Hidan 

- Parabéns, seu porra!!! Vamos encher a cara qualquer dia desses, ou hoje mesmo se preferir. Não se atrase, caralho. 


 

Rin

- Aaaa, Obito, parabéns! Venha logo para a empresa que eu tenho um presente para te dar, é sobre uma cantora que você gosta muito! Beijos.


 

Kakashi

- Yoo, parabéns, tudo de bom para você!


 

Deidara

- Oi, hn. Só passei para te desejar um bom aniversário, me lembro que nesses dias, nós dois passávamos a tarde inteira no shopping e depois íamos para a minha casa fazer uma sessão de filmes. Saudades desses tempos. Se for marcar alguma coisa, me chama, hn!

 

Obito ficara um pouco surpreso pela mensagem de Deidara, pois realmente não a esperava. Depois do dia que o encontrou no shopping, ele tem passado a tentar interagir com ele nas redes sociais de qualquer forma. O que é bem estranho, mas não é como se fosse importante para ele. 

Já não eram mais amigos mesmo, e ele nem tinha vontade de reatar aquela amizade tão cedo. 

Agradeceu pelas mensagens carinhosas que recebeu dos outros amigos, e constatou que dentre todas, existia uma que não havia sido mandada ainda. Arqueou uma das sobrancelhas e procurou ver se Madara estava com o telefone desligado, mas ele estava acordado. 

- Oi, meu amor. Eu estou terminando de me arrumar e vou passar aí para te pegar. 

“Hmmm, só isso?” Franziu o cenho com aquela mensagem não ter nem um parabéns para tirar o gosto amargo da boca. 

Será que ele havia se esquecido? Mas, a notificação da rede social avisaria que hoje é o seu aniversário. E para Obito, era inadmissível o seu namorado esquecer de seu dia daquela forma. 

“Não, vou me acalmar… Às vezes, ele está se fazendo. Deve estar planejando alguma surpresa ou algo do tipo.” Formou um pequeno sorriso nos lábios, fazendo que sim com a cabeça para si mesmo, se conformando com aquele fato. 

- Está bom, eu vou te esperar do lado de fora. 

Assim que terminou de enviar a mensagem, guardou o celular e desceu, por fim. Passou pela sala, se deparando com a avó assistindo o noticiário da manhã e despediu-se dela, com um beijo na bochecha. 

- Obito. - Ela o chamou, antes que ele saísse porta à fora. Obito ficou parado, esperando para ver o que a avó queria e percebeu que ela possuía um olhar meio receoso. - Está tudo bem na empresa? Digo, tem nada demais acontecendo não, né?

Ele estranhou aquela pergunta à princípio, mas logo lembrou-se da família de Madara e o problema oculto que haviam varrido para debaixo do tapete, temporariamente. Será que ela sabia disso? Obito ficou um tempo pensativo, mas constatou que não seria possível. 

Nem Rin sabia, dirá a sua avó. 

- Está sim, vó. Tudo dentro dos conformes. 

A velhinha apenas fez que sim com a cabeça lentamente, deixando o neto livre para poder ir embora de casa. Ainda que tivesse obtido a sua resposta, aquela sensação esquisita não havia deixado o seu peito. Desde que seu filho mencionou sobre o pai de Madara, uma onda negativa lhe perdurou e não estava cessando de jeito nenhum. 

Procuraria rezar e recitar o seu mantra budista, para que aquilo parasse. Só podia ser um pressentimento errôneo e nada mais. 

Enquanto isso, Obito saiu de casa e aguardou pelo namorado que não demorou muito para chegar. Foi caminhando até a porta do veículo com um sorriso de canto a canto, e quando adentrou finalmente, virou-se com um olhar cheio de expectativa para Madara. 

- Oi, amor! - Se jogou nos braços do mais velho que correspondeu à altura o gesto, apertando-o contra o seu corpo. 

- Oi, bombom. Como você está? - Perguntou, no pé do ouvido do Uchiha, o fazendo se estremecer levemente com o ar quente sendo batido contra a sua tez. 

- Ah, estou bem. Hoje é um dia muito importante, sabe? - Retrucou, com um sorriso maroto no rosto. 

Madara franziu o cenho, apenas fazendo que sim com a cabeça, considerando que poderia ser alguma ideia louca de Obito. Fosse para algum lugar no qual iriam sair mais tarde ou coisa do tipo. E por isso, estava se referindo a aquele dia, algo bastante relevante para ele. 

- Sei… Tem algo em mente? - Inquiriu com um sorriso de canto no rosto. 

- Ah, me diga você. - Obito respondeu, abaixando o olhar um tanto corado. Começou a brincar com os próprios dedos, afim de controlar o nervosismo que sentia, enquanto Madara o observava de canto sem entender nada. 

Era para ele ter tido alguma ideia de passeio? Pensou que, desta vez, esse trabalho seria o de Obito. Visto que, combinaram de cada dia, um escolher o local para onde queria ir. 

“Bom, já que ele quer assim, eu o levarei para algum lugar hoje.” Pensou, dando de ombros em seguida. 

- Certo, bombom. Hoje abrirei uma exceção para você. - Disse, arrancando olhares surpresos do rapaz ao seu lado. 

- E para onde vamos? - Perguntou, totalmente afobado e curioso com a ideia que o namorado poderia ter. Normalmente, nunca se importou muito de saber, pois sua ansiedade palpitava para que obtivesse conhecimento sem esperar pela surpresa em si. - Eu sei que não é correto me dizer, afinal não quero estragar os seus planos. Mas, por favor, me dá uma pequena dica de onde será a minha comemoração!

Juntou as duas mãos, como se estivesse orando e olhou para Madara como se fosse um cachorrinho abandonado. Olhares devotos à súplica e chantagem, para que o namorado pudesse dizer logo o que ele queria saber. 

Madara por sua vez, se encontrou totalmente perdido com aquele comentário. 

- Comemoração? - Perguntou confuso. - Que comemoração, bombom?

- Ah, não precisa fingir! Eu realmente não ligo de saber, e também não precisa esperar até de noite para me dizer as palavras mágicas. - Respondeu, rindo sem graça. Ao ver dele, Madara era um ótimo ator mesmo. Como ele conseguia fingir tão bem que havia se esquecido do aniversário dele? Por um momento, até se convenceu daquela atuação. 

O Uchiha mais velho manteve-se quieto por bons minutos, olhando para Obito com severas dúvidas no olhar. Do que ele estava falando? E o que ele precisava dizer à noite? 

Engoliu seco, e novamente voltou a questionar:

- Bombom, eu realmente não estou entendendo nada do que você está falando. 

Um silêncio desconfortável se formou dentro do carro, após as palavras de Madara. Obito ficou o encarando em choque, enquanto o mesmo continuava com a mesma confusão no olhar. 

Havia digo algo errado? Ou então, soou grosso sem perceber? 

Quando decidiu aproximar uma mão para tocar a face do namorado, o mesmo virou-se de braços cruzados com uma careta emburrada no rosto. Piscou desnorteado com aquela atitude e quando estava prestes a perguntar o porquê daquilo, Obito proferiu primeiro:

- Eu não acredito que você esqueceu… - As palavras soaram em um tom baixo, mas logo após, Obito esbravejou assustando Madara no processo. - EU NÃO VOU TE PERDOAR! 

- M-mas, bombom… - Madara disse manso, tentando acalmar a situação. Mas, Obito se esgueirou cada vez mais na porta do veículo, para que afastasse e cessasse qualquer tipo de contato físico que pudesse existir entre eles. 

Se possível, não queria dividir nem o mesmo ar. Mas, essa questão já era difícil. 

- Não fala comigo. - Murmurou, com o rosto virado para a janela. 

Madara conseguia enxergar enxergar o reflexo do namorado, e a expressão em sua face não era das melhores. Normalmente, Obito tem os surtos nos quais parece até uma criança fazendo birra. Mas, naquele momento, ele percebeu que não se tratava apenas de mais um de seus chiliques. 

Ele realmente estava chateado, e aquilo deixava Madara triste por ver seu bombom daquele jeito. Porém, ele realmente não conseguia lembrar-se do que havia esquecido de fato. Seria a data de namoro deles? Mas, ele sempre deixa anotado a data em seu bloco de notas do celular. 

“Todo dia trinta, não se esqueça!” 

Era desse jeito que ficava, visto que era uma pessoa desprovida de uma boa memória e facilmente se esquecia das coisas. Mas, ainda faltavam alguns dias para o aniversário de namoro chegar, então o que aconteceu?

- Bombom, por favor, me fala. - Disse em um tom de súplica, porém Obito não deu ouvidos. 

- Você esqueceu de uma data importante, eu nunca vou te perdoar. Terá que descobrir sozinho! - Retrucou, ainda com a cara virada para o namorado. 

Madara respirou fundo, constatando que não chegaria a lugar nenhum. Por isso, preferiu deixar quieto por ora, até que seu bombom descansasse a cabeça e voltasse a falar com ele normalmente. 

Deu partida com o veículo, assim que percebeu que os minutos se passaram rapidamente e faltava pouco para eles se atrasarem para chegar à empresa. Durante todo o caminho, Madara olhava de soslaio para o namorado e o mesmo se mantinha intacto; o rosto estava contorcido em uma expressão irritada, que só o deixava mais bonito ao seu ver. Era uma pena que não poderia se aproximar naquele momento, se não, objetos voariam em sua direção. 

Por isso, apreciou o seu bombom de longe com os pensamentos ricocheteando a sua cabeça. O que ele poderia ter esquecido, de fato? A única certeza que possuía, era que se devia a algo importante para o namorado. 

Então, por que não sabia? 

Apertou com força o volante, frustrando-se internamente pela falta de tato que possuía. Ainda que, pudesse dar um jeito naquilo mais tarde o convidando para a sua sala, não bastava, pois queria resolver com ele naquele exato momento. 

Mas, o momento em si, continuava não sendo propício para isso. 

Assim que chegaram a empresa, Obito nem esperou pelo Madara descer do carro. Apenas, foi caminhando até o prédio com passos apressados, para que o mesmo não o alcançasse. O Uchiha mais velho assistiu a cena, suspirando logo em seguida. 

Depois, arrumaria um jeito de tentar se lembrar e de se resolver com o namorado. Mas, por ora, iria se focar na surpresa do Izuna. Havia combinado com os amigos - como sempre -, para que todos ficassem à espreita do corredor, aguardando o irmão e assim o faria. 
 

• • •

 

Agora, tudo fazia sentido. Deu um leve tapa na cabeça, em sinal de repreensão muda pelo próprio esquecimento. Obito tinha razão de ter ficado chateado, ainda que Madara achasse que a reação do namorado fora um tanto demais para a situação. 

Entretanto, o entendia e consertaria aquele deslize. 

Pegou o celular e passou a vagar pelas redes sociais em busca de alguma ideia. Precisaria armar um compromisso que agradasse o seu bombom, pois ele merecia. Ainda que, Obito às vezes agisse de maneira infantil, ele trouxe algo muito importante consigo quando pôs os pés na empresa. 

E Madara não conseguia mais viver sem. 

Ele o fazia sentir um pertencimento grande, como se estivesse em casa. Era algo que não sabia colocar em palavras, mas a sensação no peito era acolhedora e quente. E muito relevante para si. Iria cuidar e preservar, para que aquela luz nunca escapasse. 

Abriu um sorriso pequeno nos lábios e continuou com a sua busca. Estava tão focado em achar um bom lugar para que passasse com o seu bombom, que esqueceu-se de Izuna e também, não queria deixá-lo para trás. 

- Droga, tem o Izuna também… - Murmurou, desviando o olhar para um cento ponto da sala, fixando-o um tanto pensativo. 

Que lugar poderia servir de comemoração para dois aquarianos tão distintos? Obito se encantaria com qualquer ponto turístico de Osaka facilmente, entretanto, seu irmão odiava andar por muito tempo e logo reclamaria. 

Inclusive, chegaria um certo momento no qual não conseguiria se segurar e Izuna com toda a certeza reclamaria. A não ser que ele convidasse a tal mulher com quem está saindo, para que fosse ao encontro também. 

- Um encontro de casais… Quem diria? - Disse, rindo da própria ideia.

Mesmo que não fosse terrível, ainda sim, conseguia ser cômica pelo fato de nunca ter se passado na cabeça dele durante anos. Era engraçado como o mundo dava voltas interessantes mesmo, nunca cansaria de dizer isso. 

Foram graças à essas “voltas”, que encontrou Obito perdido em uma esquina qualquer da vida. 

Suspirou, com um sorriso bobo nos lábios. Só por aquele dia ter sido diferente do habitual, já estava com saudades de seu bombom. Por isso, continuou a sua busca por alguma ideia interessante para que repassasse logo à ele. 

Os dedos continuaram deslizando sobre o visor, em busca de alguma premissa interessante. No entanto, ainda não havia encontrado nada que pudesse satisfazê-lo de fato e queria uma ideia diferente. Não ser apenas um restaurante para comemorar os dois aniversários, mas sim, algo marcante. 

Como se Deus tivesse escutado as suas preces, um post na rede social despertou a sua atenção. Tratava-se de uma chácara localizada na zona oeste de Osaka. Era um pouco longe, mas com o carro, seria tranquilo de dirigir até lá. 

E poderiam passar a noite, já que no dia seguinte não teriam que trabalhar. Dois dias sob o mesmo teto, entre casais. O que poderia dar errado? 

Bombom, eu tenho um plano especial para você, principalmente. Não pense que eu me esqueci, viu? Eu quero que você me confirme, se poderá passar dois dias viajando comigo.

Mandou a mensagem, percebendo que de imediato foi visualizada. Ainda que, Obito estivesse chateado, não conseguia se controlar quando era o namorado quem mandava. 

Arregalou os olhos surpreso com aquele pedido, sentindo seu coração disparar freneticamente contra o peito. Ele não conseguia acreditar que tudo fazia plano de um fingimento de Madara. 

Eu preciso avisar a minha avó, mas… É quase certeza que posso!

Madara sorriu que nem uma criança com a resposta, sentindo seu peito encher de alegria. 

Certo, então está combinado, bombom.

No mesmo instante, mandou mensagem para o irmão também, antes que ele planejasse alguma desculpa para qualquer ideia que fosse jogada. 

Esse final de semana vamos viajar para comemorar o seu aniversário e o do meu namorado, então não inventa nenhum compromisso! E chame a sua namorada também.

Assim que Izuna recebeu a mensagem, quase caiu para trás devido ao tanto de informações que obteve ao mesmo tempo; Madara se referindo ao Obito como namorado? Tratando a Naori como se fosse sua namorada? Viajar em um encontro de casais?

Você não é nem louco de fazer isso comigo! Eu não quero viajar e a Naori não é a minha namorada.

Bateu o pé no chão, incansavelmente, por conta daquela ansiedade comichando em seu corpo. Odiava aquelas investidas do irmão, que sequer possuíam um senso de dúvida. Ele poderia muito bem questionar se ele realmente quer fazer isso, antes de simplesmente marcar, apenas ressaltando que isso vai acontecer e ponto final. 

Madara por outro lado, possuía uma ideia tão maravilhosa em mãos que não queria que Izuna estragasse por ser rabugento. 

Vão ser só dois dias, Izu. Dá uma chance, vai! E outra, se a Naori não é a sua namorada, então ela é o quê? A sua padeira?

Izuna revirou os olhos, sentindo uma vontade imensa de dar um cascudo em seu irmão por conta daquele hábito terrível que ele possuía. Bem, de qualquer forma, não seria tão ruim viajar com a Naori. Só teriam que se esquivar do casal sensação que não conseguiam se controlar em um mesmo cômodo onde tivesse pessoas, mas estava tudo bem. 

Suspirou derrotado e logo em seguida, mandou a mensagem que Madara mais queria receber. 

Certo, certo. Eu vou falar com ela.

O Uchiha mais velho faltou pular da cadeira um tanto alegre por ter dado tudo certo. Sabia que com jeitinho, conseguiria convencer Izuna e nada melhor que usar a peça principal para isso. 

Mas, citou a Naori, porque não queria que o irmão ficasse deslocado com ele e o namorado. E seria interessante aprimorar essa ideia de encontro de casais pela primeira vez, talvez fosse ser minimamente engraçado. 

Izuna mandou a mensagem para Naori, repassando as breves informações que o irmão disse e a mesma ficou bastante sem graça pelo pedido. 

Mas, e se eu atrapalhar?

Não vai atrapalhar, muito pelo contrário. Eu vou adorar passar um final de semana inteiro com você, acho que precisamos disso.

Naori ficou um pouco pensativa quanto à ideia, não a aceitando muito bem. Tinha um péssimo traquejo social para lidar com outras pessoas, dirá com alguém da família do suposto ficante? Ainda mais essa que, com certeza eram pessoas da família principal?

Suspirou, um tanto indecisa sobre o que fazer. Não queria soar mal agradecida em recusar o convite, mas também não estava se sentindo confortável com a ideia. Deveria apenas ir e ficar ao lado do Izuna a todo tempo ou se render aos instintos anti sociais de seu ser?

Izuna percebeu que a Uchiha demorou para responder a mensagem, e com certeza, algumas dúvidas estavam presentes nela. Talvez, ela tenha se sentido um pouco introvertida pelo fato de ter citado o seu irmão e o Obito. Mas, trataria de resolver aquilo. 

Bebesita, eu não quero te pressionar. Vá se você se sentir confortável para tal, mas saiba que meu irmão não é um babaca que nem o resto do clã principal. Na verdade, ele chega a ser melhor do que eu. E o namorado dele… Bem, ele não é da família principal.

Naori arregalou o olhar com aquela mensagem e mais perguntas se fizeram presentes em seu sub consciente. Um homem da família principal namorando um rapaz da família secundária, assim como ela? Ainda mais, sendo dois homens, onde a restrição torna-se maior ainda? 

Sentiu-se mais segura com aquela informação, ainda que possuísse certos receios. Mas, nada comparado a antes. 

Tudo bem, eu irei sim. Só me diga o horário e onde nos encontraremos.

Izuna suspirou aliviado e com um sorriso no rosto, por ter conseguido convencê-la. Imaginava se Madara estava se sentindo assim, ao ter obtido o mesmo mérito com ele. 

Vou sim! Estou muito feliz que você tenha aceitado.

Também estou feliz que você tenha me chamado. E, por falar em convites, hoje nós vamos sair, viu? Não pense que eu esqueci.

O Uchiha revirou os olhos, mas logo formou um sorriso nos lábios. Ao menos, a comemoração que teria com a Naori, seria diferente e divertida. E por isso, não viu problema em aceitar o convite noturno que recebera. 
 

• • •

 

A noite foi chegando para a felicidade de uns, e tristeza de outros como Obito. Por mais que soubesse que teria um compromisso com Madara no dia seguinte, ainda ficava chateado por não ter recebido ao menos um parabéns do namorado. 

Nem um presente, uma mísera lembrança ou um pedaço de bolo, para não deixar aquele dia passar em branco, recebera. 

Estava no carro com o namorado, que o levava para casa, ao invés de dirigir para outro lugar distante, como sempre fazia. Olhou-o de canto e percebeu a expressão serena que contemplava o rosto alheio, e ainda que tivesse vontade de beijá-lo por isso, continuou se mantendo quieto dentro do veículo. 

Madara reparou naquele clima silencioso e estranhou, por um momento. Pensou que com o convite do dia seguinte, as coisas iriam melhorar, mas pelo visto permaneceram as mesmas. 

- Amor, está tudo bem? Não gostou da ideia de viajarmos? - Inquiriu levemente preocupado. Se não tivesse sido do agrado de Obito, então teria que planejar algo dentro das últimas horas do dia. 

- Não é isso, eu gostei. - Respondeu, mordendo os lábios levemente um pouco constrangido em revelar o que o incomodava. - Mas, eu queria ao menos que tivéssemos feito algo hoje, mesmo assim. Nem que fosse um bolo, sabe? 

- Meu amor, você terá um dia maravilhoso amanhã com tudo que você merece. Não se preocupe quanto à isso. - Disse, aproximando a mão do rosto alvo para acariciá-lo.

Obito fechou os olhos e apenas fez que sim com a cabeça. Porém, a chateação ainda era visível em seu olhar. Madara percebendo isso, estacionou o carro em uma esquina um pouco distante do local onde normalmente deixa o namorado, para conversar livremente sem ter que se atentar à estrada. 

- Eu sinto muito por não ter me atentado mais cedo ao seu aniversário. Para falar a verdade, eu havia me esquecido… - Confessou em um tom baixo, recebendo um olhar repreensivo do namorado. - Mas, amanhã comemoraremos o seu dia de qualquer forma. Seu aniversário é como se fossem todos os dias para mim, porque todos os dias você é importante. Não tem um dia especial que me faça acreditar que seja mais do que os outros. 

O coração de Obito começou a disparar rapidamente contra o peito pelas doces palavras do namorado, misturado com o sorriso lindo que contemplava a sua face. Aproximou-se rapidamente e depositou um beijo nos lábios que ficaram intocados o dia inteiro. 

Madara segurou as duas bochechas fofas e correspondeu ao ósculo doce. Não havia nenhuma urgência, era apenas o puro sentimento que rodeava os corações alheios. Por mais que se passassem anos, sempre se encontrariam rendidos quando ficassem nos braços um do outro. 

Após romperem o beijo, Obito abraçou o namorado sentindo o gesto ser retribuído. Um cafuné gostoso foi feito em sua cabeça, trazendo uma calmaria em seu coração. O aroma amadeirado entrava em contraste, fazendo a sua mente nublar cada vez mais. 

- Obrigado, amor. - Disse em um tom baixo, contra o peito do mais velho. 

- Certo, certo… Não se esqueça de avisar a sua avó, amanhã vou vir te buscar depois do almoço. - Proferiu no mesmo tom, dando certos tapinhas leves nas costas do namorado. 

Obito fez que sim com a cabeça, e afastou-se do corpo do outro apenas para lhe dar mais um selinho, como despedida. Madara simplesmente amava quando ele fazia isso, fosse pegá-lo desprevenido com essas carícias ou palavras. Queria possuir mais ímpeto para retrucá-lo de outra forma, mas para si, ainda era muito difícil de dizer coisas em voz alta. 

Por isso, tentava ao máximo transparecer nas atitudes para que não surgissem inseguranças na cabeça do seu bombom. 

- Até amanhã! - Obito se despediu, saindo do carro logo em seguida. 

Madara assistiu ao namorado entrar dentro da casa, e só depois de assegurar que ele havia chegado bem, pisou no acelerador do carro e se dirigiu até a sua, para começar a arrumar as malas o quanto antes. 

Assim que Obito pisou em casa, encontrou com a avó na sala, assistindo as suas novelas de sempre. Depositou as chaves na mesa da cozinha e caminhou com passos relutantes até a velhinha. Kaede nunca iria se opor ao neto de viajar, mas ainda sim, sentia um certo frio percorrer a sua espinha. 

Se ela não gostasse da ideia, o que poderia fazer? 

“Obito, para com isso, você já tem 19 anos cara.” Pensou, soltando um suspiro. 

Andou até o braço do sofá e sentou-se ali, passando a observar o conteúdo que era transmitido na televisão. Procurou amaciar um pouco o clima, antes que soltasse a notícia. Mas, Kaede já havia entendido pelos passos do neto, que ele queria lhe dizer alguma coisa. 

- Fala, menino. - Disse um pouco impaciente, por aquela demora toda para se pronunciar de uma vez. 

Obito pigarreou desconcertado e coçou a testa sem jeito. Deveria falar ou enrolá-la mais um pouco? Mordeu os lábios fortemente e decidiu se render ao seu senso de afobação. 

- Então, vó… O Madara me chamou para viajar amanhã… - Murmurou, desviando o olhar da avó que, passou a encará-lo entretida. - Bem, eu vou passar dois dias fora. É só para comemorar o meu aniversário, sabe?

Um curto silêncio se formou, sendo desenvolvido apenas pela troca de olhares do neto para avó. Kaede mantinha uma expressão indiferente no rosto, como se estivesse estudando o Uchiha à sua frente. Enquanto Obito, engolia seco a cada cinco minutos, sentindo um certo medo da resposta que viria. 

Logo após, Kaede deu de ombros e reatou a sua atenção para a televisão. 

- Bom, como você está indo viajar com o namorado, então não tem problema. Se divirta! 

Obito ficou estático na sala, olhando para a avó um tanto surpreso. Ela não se importava? Realmente, seria tão fácil daquela forma? E, como ela conseguia se manter tão calma diante do fato de Madara realmente ser o seu namorado? 

Sentiu as bochechas corarem de imediato com aquilo. 

- V-vó, não namoramos… Não sei o porquê… - Antes que continuasse com a mesma desculpa sólida, Kaede o interrompeu. 

- Obito, eu sou uma velha, mas ainda consigo enxergar o que está a minha volta. Você acha que vou me importar de você estar saindo com um homem? É claro que não, desde que ele esteja te fazendo feliz, então eu estou feliz também. - Respondeu seriamente para o neto que arregalou o olhar com o comentário. 

Por mais que tentasse esconder, já conhecia Madara há quatro meses e desde que se conheceram, ele mudou muito como pessoa. Apenas Kaede conseguia enxergar aquela mudança, por conviver diariamente com o neto e saber distinguir como ele era antes, com o eu dele de agora. 

E ficava muito aliviada por todas essas mudanças serem positivas, graças à influência de Madara. 

- Vá se divertir com o seu namorado sim, mas chegue cedo na segunda-feira para fazermos uma sessão de filmes. - Disse, dando uma piscada para o neto. 

Obito não aguentou ficar apenas encarando a avó, logo pulou no sofá e a abraçou fortemente. As lágrimas de emoção quiseram escorrer pelo seu rosto, mas as conteve à todo custo. Sentia muita felicidade por ter ela em sua vida, a mesma senhorinha que sempre o apoiava com os seus sonhos mais loucos e impossíveis. 

Kaede abraçou o seu menino, sorrindo por conta do gesto. O clima era muito agradável e um tanto acolhedor para ele, que possuiu seus medos de ser aberto quanto ao que sentia de fato. E sua avó, tinha todos os motivos para ser uma pessoa totalmente leviana, mas era totalmente o oposto. 

- Muito obrigado, vó… O seu apoio é muito importante para mim. 

- Seja feliz, meu filho. Eu vejo pelo olhar que vocês trocam que, o que vocês encontraram, não vão achar com mais ninguém nessa vida. - Retrucou, afastando o rosto do neto para observá-lo frente a frente.

Passou a fazer carinho nos fios negros e em seguida, na face jovial que o mesmo possuía. Nem parecia que já era um adulto com aquele rostinho de criança. Deu um beijo na testa do neto, voltando a encará-lo novamente com o mesmo olhar íntegro de antes. 

- Seja feliz, apenas te peço isso. 

Obito fez que sim com a cabeça, sorrindo logo após. Ficou um tempo abraçado com a sua avó na sala, como se fosse uma criança novamente com medo do escuro. Ainda que, esse medo tivesse se cessado dentro dele, agora perdurava na velha Kaede. 

Ela sabia que a escuridão que ele teria que enfrentar, seria muito mais árdua do que apenas um breu em um certo cômodo da casa. Seria a escuridão do coração das pessoas, do mundo. Mas, tinha fé que ele e Madara conseguiriam suportar qualquer barreira que viesse ao caminho. 

E caso, o coração de seu neto saísse partido, ela sempre estaria ali para ajudá-lo a recolher os caquinhos e seguir em frente. 

Após ter passado um bom tempo com a sua avó, Obito decidiu subir para o seu quarto para começar a arrumar as suas malas. Na verdade, procurou tentar algum êxito, já que estava ouvindo Lisa e seu corpo se movia inconscientemente, dançando até as músicas mais tristes do álbum. 

Ele estava tão feliz por aquela conversa que teve com a sua avó, pela confissão de Madara dentro do carro e por tudo que estava acontecendo na sua vida que estava se sentindo livre. 

Toda a chateação do dia se dissipara, em um instante de tempo, dando lugar à um sentimento muito gostoso. Estava tão ansioso para que o dia seguinte chegasse logo, que sabia que teria problemas para dormir durante a noite e não deu em outra. 

Assim que terminou de arrumar as bagagens, deitou-se na cama e procurou pregar o olho. Mas, não conseguia dormir de jeito nenhum. Seu coração batia acelerado e várias imagens do que poderia acontecer no final de semana, passavam em sua cabeça. 

O que será que Madara havia planejado? Para onde iriam? Tais dúvidas só conseguiriam ser sanadas quando finalmente, estivesse dentro do veículo do namorado. Mas, formulou várias teorias da conspiração na cabeça, como sempre. 

Será que Madara havia alugado algum lugar para eles poderem ficar? Uma espécie de pousada ou fazenda? Mas, ele não se lembrava de existir fazendas em Osaka ou talvez existissem, mas ele nunca tivesse obtido chance de conhecer. 

- Ah, mente para quieta! - Pediu, chacoalhando a cabeça de um lado para o outro, afim de aquietar aquelas perguntas que não paravam de surgir. 

Suspirou, enfim, e procurou relaxar. Demorou um pouco, mas o sono só chegou às três horas da madrugada, fazendo com que seu horário de descanso se encurtasse. Mas, ele não se importava com isso. 

Queria tanto que o dia seguinte chegasse, que ao saber que faltavam poucas horas para que pudesse despertar, conseguiu dormir feliz, pois sabia que independente da onde fosse com Madara, seria o melhor dos passeios. 

Já que ele estaria na companhia do namorado que amava muito.

 


Notas Finais


até a próxima \o


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