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História Cruel - Capítulo 22


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Capítulo 22 - Capítulo Vinte e Um


Ele recebeu a chamada no dia seguinte.

— Sr. Jaeger — disse uma voz desconhecida e acentuada. — Por causa da morte de seu pai, nós generosamente demos-lhe tempo extra, mas nossa paciência está se esgotando.

A boca de Eren ficou seca. — Eu receio não entender.

— Pagamos por um carregamento de duas centenas de unidades e esperamos até sábado.

— Unidades de quê?

— Não se faça de idiota comigo, garoto — disse o homem.

— Eu realmente não sei o que você está falando.

— Rins.

O estômago de Eren afundou.

Porra. O comércio ilegal de órgãos. Seu pai tinha estado envolvido em tráfico ilegal de órgãos. Eren não tinha certeza por que ele estava mais surpreso. — Olha, o que quer que meu pai prometeu, eu não sei nada sobre...

— Eu não me importo, garoto — o cara disse rispidamente. — Eu tenho compradores alinhados. Quero os meus bens. Se eu não obtê-los ou você vai latindo para a polícia, ou eu vou ir atrás de seus próprios órgãos.

Ele desligou antes que Eren pudesse até perguntar quem estava falando.

Doze horas depois, Eren se sentou no antigo escritório de seu pai, com o rosto enterrado nas mãos, com frustração, raiva e medo torcendo suas entranhas depois de passar pelo computador de seu pai.

Ele estava fodido. Ele tinha a esperança de pôr fim ao lado sombrio dos negócio na Jaeger Industries, de forma rápida e sem dor, ele não tinha a intenção de seguir os passos de seu pai, mas era mais fácil dizer do que fazer. Houve aparentemente obrigações de pai, e agora ele em seu lugar, deveria cumprir. Antes que Eren pudesse lavar as mãos desta merda, e ele não tinha ideia do que fazer. O círculo íntimo de seu pai nunca tinha tomado Eren a sério, e todos eles foram para algum lugar após a morte de seu pai, mentindo que seguiriam em frente com suas vidas. Eren queria fazer isto também, mas primeiro tinha que resolver esta confusão de alguma forma, sem se contaminar e sem ser morto ou preso.

Ele desejava poder apenas ir para as autoridades, mas ele não era ingênuo o suficiente para pensar que a polícia seria capaz de encontrar e prender cada um dos sócios de seu pai. Ele estaria morto dentro de algumas semanas, se ele fizesse isso. Sem mencionar que ele não queria o nome da empresa arrastado pela lama, o que inevitavelmente aconteceria se as pessoas descobrissem sobre as transações ilegais de seu pai.

Lágrimas de raiva saltaram de seus olhos, e ele as secou rapidamente. Deus, ele nunca tinha odiado seu pai tanto quanto agora. Não foi o suficiente que ele tivesse sido uma pessoa de merda e tivesse sido um pai de merda; ele teve de se matar e deixar essa bagunça também.

Duzentos rins pra sábado.

Uma risada áspera arrancou da garganta de Eren. Ele tinha de alguma forma obter duzentos rins pro sábado ou ele estaria morto – depois do que aconteceu com seu pai, Eren tinha poucas dúvidas de que essas pessoas mentiriam sobre isso.

Ele não sabia o que fazer.

Ele estava completamente fora de sua profundidade. O que ele poderia até mesmo fazer?

A menos que…

Suas mãos ficaram trêmulas, e Eren pegou seu telefone. Ele trouxe a sua lista de contatos e rolou através até chegar ao que ele precisava.

Levi Ackerman.

Ele tinha encontrado o número de Levi entre os documentos de seu pai há algumas semanas e o salvou, odiando-se um pouco por fazê-lo, mas o fez de qualquer maneira. Desde então, ele tinha tentado eliminá-lo várias vezes; mas alguma coisa sempre o deteve. Foi uma coisa boa ele não ter apagado. Racionalmente, Levi era a única pessoa de seu conhecimento que saberia o que fazer nesta situação. Era lógico chamá-lo. Eren não estava chamando-o porque ele queria ouvir a voz de Levi ou se sentir seguro ou algo tão patético quanto isso.

O telefone tocou quatro vezes antes de uma mulher atender. Ela pediu o nome e informações de contato de Eren. Ela disse-lhe que ela iria passá-lo para seu chefe, soando como se ela realmente não acreditasse que Levi chamaria de volta. Eren realmente não acreditou nisso, também.

Ele próprio tinha meio que convencido de que Levi não tinha a intenção de chamá-lo e tinha provavelmente já deixado a Inglaterra quando o telefone tocou mais tarde naquela noite.

Eren olhou para a tela do seu telefone por um longo momento antes de tomar uma respiração profunda e responder.

— O que você quer? — Disse Levi. — Eu estou um pouco ocupado no momento.

Eren virou de barriga, tentando lutar contra a onda de insegurança. Por que Levi iria ajudá-lo? — Preciso da sua ajuda.

Uma pausa.

— Com o quê?

— Eu recebi um telefonema esta manhã — disse Eren. — Alguém muito infeliz não recebeu duzentos rins que meu pai, aparentemente, lhes devia. E agora eles estão...

— Ameaçando você. — Levi terminou por ele.

— Sim. — disse Eren com uma risada curta. — Você, por acaso, tem duas centenas de rins para emprestar?

Tinha sido uma piada, mas a resposta de Levi foi completamente séria. — Eu não faço qualquer tipo de tráfico de seres humanos.

— Isso é... isso é surpreendentemente razoável vindo de você.

— Eu odeio desapontar, mas não tem nada a ver com decência. É apenas mais problemas do que vale a pena.

— Você é uma pessoa terrível — disse Eren, sem muita energia. Ele não conseguia reunir a aversão que ele deveria ter sentido do coração frio de Levi. Ele tentou não pensar o que isso dizia sobre ele.

— É por isso que você está me chamando — disse Levi, com seu tom muito seco. — Porque eu sou uma pessoa terrível. Bons caras como o seu Kirstein nunca poderiam lidar com isso.

A testa de Eren enrugou. Levi estava com ciúmes?

Ele limpou a garganta. — De qualquer forma, isso não é tudo. Eu olhei através de seus documentos, e parece que os rins não eram a única expedição que meu pai estava em dívida para com as pessoas. É... não é de se admirar. — Eren fechou os olhos. — Eu estou tão fora de minha profundidade — admitiu em voz baixa. O que tinha sobre Levi que o tornou tão fácil de admitir fraqueza? — Eu só queria seguir em frente com minha vida. Mas agora eu preciso descobrir como lidar com essas pessoas, como tirá-los das minhas costas.

— Você quer que eu faça isso por você — disse Levi. Não era uma pergunta.

— Sim — disse Eren, tentando manter a voz firme e indiferente. — Eu não contei a ninguém que foi você que me sequestrou. Você me deve, Levi. Se você não me ajudar, vou dizer ao MI6 que foi você.

Levi riu, soando profundamente divertido. — Meu gatinho macio tem garras.

Havia uma sensação contorcendo em seu estômago. — Pare de me chamar assim — disse Eren, pressionando sua bochecha vermelha ao seu travesseiro. — Você vai me ajudar ou não?

Mesmo sem vê-lo, ele podia sentir o sorriso de Levi desaparecendo.

— Primeiro, eu não devo nada a você, amor — disse ele, em voz baixa. — Eu não pedi para mentir para as autoridades por mim. E você deveria saber melhor. Me ameaçar não é a melhor maneira de me fazer, fazer alguma coisa.

O peito de Eren apertou. — Você está dizendo que não vai ajudar?

— Eu estou dizendo que eu vou precisar de um incentivo melhor que isso.

Sua boca de repente estava muito seca, o coração batendo em algum lugar acima de sua garganta. — O que você quer?

— Vinte por cento da Jaeger Industries.

Os olhos de Eren se abriram. Ele soltou uma risada. — Você acha que sou louco? Eu não vou deixar você em qualquer lugar perto da minha empresa.

— Por que não? — Diversão tingia a voz de Levi novamente.

— Eu quero me livrar de todas as transações ilegais de minha empresa. Deixá-lo lá é muito contraproducente para isso.

— Querido — disse Levi, sua voz tão baixa e íntima que fez Eren arrepiar. —Você percebe que cerca de setenta por cento do meu negócio é completamente legal, certo?

As sobrancelhas de Eren franziram. Isso era novidade para ele.

— Não importa — disse ele. — Eu não quero você em qualquer lugar perto da minha empresa. — Em qualquer lugar perto de mim. — Então, escolha outra coisa.

Houve um silêncio na linha, pesado e carregado.

— Eu receio que você não tem nada que me interessa — disse Levi finalmente. — Ou concorda com o meu preço ou não há negócio.

— Sem negócio, então — disse Eren, tão agradavelmente quanto pôde, e desligou. Ele mordeu o interior da bochecha, tentando ignorar o estúpido, e ilógico ferido arranhão em seu peito. Claro que Levi não dava a mínima para ele. Claro. Levi só se preocupava com seu próprio ganho.

Seu telefone tocou novamente. Eren olhou para ele, mas pegou.

— Você, pequeno teimoso — disse Levi em um silvo baixo, furioso. — As pessoas que seu pai teve negócios não devem ser aborrecidas. Se você não concordar com as minhas condições e deixar-me lidar com eles, você vai ter o mesmo fim que seu pai idiota teve.

— Isso é uma ameaça?

— Não de mim. — Levi rosnou.

A dor no peito de Eren aliviou, o calor se espalhando através dele. Eren disse a si mesmo para não ser um idiota, mas ele não conseguiu parar um sorriso puxando seus lábios. — Cuidado, você quase soa como se estivesse preocupado comigo.

— Vinte por cento — disse Levi, seu tom positivamente gelado.

— Não — Eren murmurou, o coração batendo como um louco. Levi não era tão indiferente como ele tentou parecer. Um arrepio percorreu-o com a realização, mesmo sabendo que isso não mudava absolutamente nada. Mesmo que Levi sentisse algo por ele, isso não iria a qualquer lugar. Eles eram um ajuste terrível um para o outro. Levi não queria o que ele queria na vida. Mas... mas se sentiu tão bem em saber que ele não era o único, que Levi foi tão afetado tanto quanto ele. Isso o fez sentir-se poderoso, o que era irônico, considerando que ele nunca havia se sentido tão submisso com qualquer outro homem. Talvez as pessoas que disseram que havia poder na submissão estavam certos. E talvez ele tivesse coração frio e implacável para usar isto... esta atração mútua para seu benefício, mas Eren estava cansado de não ter nenhum controle. Enquanto não perdesse seu coração no processo, ele deveria estar bem. Certo? — Eu preciso de você — disse ele honestamente. Foi embaraçoso quão honesto ele estava sendo. — Eu preciso muito de você.

Houve um silêncio mortal na linha.

Quanto mais tempo durou, mais calor autoconsciente Eren sentiu, espalhando-se sobre o seu rosto.

Então ele ouviu Levi exalar. — O que aconteceu com seu namorado perfeito?

— Ele nunca foi meu namorado — disse Eren. — Acontece que ele não é tão perfeito, afinal. Ele tem alguém que coloca em primeiro lugar. Ele não pode me dar o que eu quero.

— Eu não posso te dar o que você quer, também. — Levi disse, irritado.

— Não — concordou Eren. — Mas você pode me dar o que eu preciso.

Levi respirou fundo. — Eu não vou concertar a confusão do seu pai por um par de olhos verdes e uma boca bonita. — Seu tom era duro, mas Eren não se deixou enganar.

Fechando os olhos, ele sussurrou, com nada além da honestidade crua na voz dele. — Estou com medo. Eu preciso de você para torná-lo melhor. Pra melhorar.

Levi praguejou em russo e desligou.



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