História Cruel summer - Capítulo 9


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Capítulo 9 - Eu ainda lembro


A memória é um coisa engraçada. As pessoas acreditam que são as coisas que escolhem lembrar. Boas lembranças, momentos, lugares, das pessoas próximas as nós. Mas às vezes, às vezes somos o que queremos esquecer.

27 anos depois

Em uma lanchonete em Los Angeles cinco adultos brindaram com suas garrafas no centro da mesa 7,  talvez pessoas como eles estariam em um restaurante chique para comemorar o seu aniversários, mas os irmãos escolheram uma lanchonete simples, onde podiam tomar cerveja e comer hambúrgueres com batata frita.

Eram três mulheres, e dois homens. A pessoas mais observadora notaria que uma das mulheres tinha uma garrafa de refrigerante e não cerveja, que das duas ruivas, o cabelo de uma era tintura e seus olhos verdes lentes de contato que ela não teve tempo de tirar. Que a ruiva verdadeira de olhos verdes não era sanguineamente irmã deles, mas nenhum dos cinco corações parecia ter sido avisado.

— Feliz Aniversário para os Gêmeos! — os irmãos disseram.

Freya sorriu largamente para os dois, as lentes de contato a incomodando de leve e suas emoção escondida por elas, mas eles sabiam que estava orgulhosa. Kyle e Naomi ficaram vermelhos.

— Aos Raisman — os gêmeos disseram — Que continuam cruzando o país para se ver quatro vezes ao ano. E no natal...

Os outros acompanharam o brinde.

— A porra do escritor que finalmente matou a personagem da Frey  — Naomi disse brincando.

— Não sei não, Denbrough adora ver as pernas da Frey, ele revive ela logo — Bev brincou.

— Acho que ainda tem cola de peruca no meu cabelo — Freya passou os dedos nos cabelos castanhos — Mas o que eu odeio mesmo é aquele maiô — ela tomou um gole seu refri — Sério, é necessário mostrar minha bunda num filme de terror? 

— Desculpe irmã, mas tem tanto sangue naquele filme que tenho quase certeza que ninguém reparou nisso — Kyle comentou.

— Só eu acho a personagem parecida com a Frey e a Bev? — Dylan riu mudando de assunto.

Todos concordaram, as duas não achavam, mas riram. 

Foi uma noite confortável, onde todos foram cambaleantes para o carro, e Frey os levou para sua casa. Sempre que vinham para Los Angeles eles dormiam na sua casa, de manhã todos iam para o aeroporto. Kyle e Naomi dormiam no mesmo quarto. Dylan dormia no terceiro e Frey e Bev no dela. Ela ajudou a irmã a subir as escadas e a deitou na cama, tirou os sapatos e meias, passou o lençol com cuidado por cima dela. Tirou o cabelo do seu rosto e beijou sua testa. Por um instante ela viu a menina de 12 anos dormindo a sua frente.

— Eu te amo mana — Beverly sussurrou.

— Eu também te amo irmã.

O telefone tocou no andar de baixo, ela correu para atendê-lo logo. Quem ligaria a essa hora da noite? Ela desceu o atendeu quase no último toque. Sem querer usando a voz uma das várias personas.

— Residência dos Raisman — a voz doce e sedutora disse.

— Oh… B-Boa noite — a voz masculina disse desconcertada na linha, era familiar — Posso falar com Freya Raisman por favor? É Mike Hanlon, um… amigo dela.

Mike Hanlon… Mike! 

— Porra Mike você realmente teve que pensar para dizer que era meu amigo? — dessa vez a voz calma e brincalhona de Freya que disse — É decepcionante, jogou toda nossa relação...

— Que coisa Frey, não é momento para brincadeira, já basta Richie… — a cabeça dela doeu, Freya se apoiou na parede. Richie… Ah Deus quanto tempo não via Richie? A saudade bateu nela como se fosse atropelada por uma locomotiva — Aconteceu Frey, A coisa voltou… Você precisa voltar para Derry, pode estar aqui amanhã?

— Claro — ela disse tranquila, mas mordera a parte inferior do lábio, sentirá as palmas das mãos arderem — Não vou deixar aquilo pegar mais ninguém, chega de famílias desmontadas.

— Você se lembra então?

— Nós nos lembramos de alguma parte, às vezes, é como se me pegasse sonhando… Mas eu sempre encontro vocês.

— Ou nós sempre encontramos você — Mike disse sério — Você sabe onde está Beverly? Tentei ligar pra ela três vezes. O número estava desativado.

— Bev está comigo… — e não é bem direito meu contar por que — É aniversário dos gêmeos estão todos na minha casa hoje. 

— Sinto muito Frey.

— Você não sabia — ela disse com gentileza, gato começou a ronronar na sua perna, ela fez carinho dele com o pé — Mike você compriu sua promessa?

O silêncio na linha fez ela imaginar se a ligação não havia caído, mas ela sabia que não havia, então Mike respirou fundo.

— Precisamos de todos.

— Você jurou.

— Frey…

— Você jurou Hanlon.

— Eu compri… Até logo então?

— Até logo.

Mike Hanlon desligou o telefone, ele checou o nome dela e de Bev, então os dedos passaram em cima do nome de Stan Uris. A corte em sua mão ardeu, ele prometera coisas demais quando criança.

 

Os Otários estavam no Clubinho, debaixo da terra, Ben ainda estava ajeitando as coisas ainda, mas era alguma coisa. Todos com toucas de banho para não sujarem a cabeça ou terem aranhas emboladas no cabelo. Menos Richie por que “ele não tinha medo de aranhas” eles estava esparramado lendo um quadrinho na rede.

Eddie estava sentado no colo dela, uma aranha apareceu no seu ombro e ela sabia que o menino teria um ataque se soubesse, então ela beijou o rosto dele várias vezes. Eddie riu e se contorceu no colo dela, a mão de Frey tirou a aranha do ombro dele e a colocou para longe em segurança.

— Para Frey, isso faz cócegas — Eddie disse.

Ela agarrou a cintura dele num abraço. 

— Quando você deixar de caber no meu colo eu paro — ela o beijou de novo.

O rosto dele se iluminou de carinho, Eddie adorava abraços e beijos, ele era o mais carinhoso fisicamente deles. E como os garotos não se sentiam confortáveis e dar esse tipo de carinho a ele, ter Frey era sempre uma benção. Beverly estava ajudando Ben, ela riu dos dois de leve. Bill estava sentado próximo deles lendo, e Stan na outra ponta ajudando também.

Foi quando ela sentiu. Uma pontada de algo que ela nunca havia sentido antes. Ela olhou para Richie e o pegou olhando pros dois, o ciúmes impregnado nos olhos azuis, o rosto dele ardeu de vergonha quando foi pegou e voltou para seu quadrinho, mas sem muita atenção.

Sério Chee? Ciúmes de mim?

Me deixa em paz tá?

Ela suspirou.

Ninguém além de Richie ficou na rede hoje. Não deveríamos dividir?

Ela jogou para cabeça de Eddie. Ele encarou o amigo e ficou assim por alguns instantes antes de se levantar, tirar a touca e com um ar de confiança ir falar com ele.

— Hey Richie já passaram 10 minutos.

— Do que você está falando?

Os dois começaram a discutir. Stan rolou os olhos castanhos, era o mais paciente deles mesmo que não tivesse mais quase nenhuma pra Eddie e Richie, os olhos viraram para ela, era para ser uma reclamação, mas ele não aguentou e sorriu.

Não incentive os dois a fazer isso, estava tudo tão pacífico.

Eu não fiz nada. Ela deu um sorrisinho.

Sei que fez, Eddie não sabe quando você entra na cabeça dele, mas eu sei. 

— Os d-dois podem parar de falar mentalmente p-por favor —  Bill disse ao lado dela — É desconfortável.

— Ai Billzinho está com ciúmes — ela apertou a bochecha dele — Eu falou com você também.

— Não, você b-briga comigo mentalmente.

Não fale como se eu não soubesse que você adora. Ela provocou, ele deu um sorriso de canto.

Foi quando uma mariposa grande entrou completamente bêbada no clube, ela deu de cara com Bev que gritou e assustou Ben, Eddie e Richie quase caíram da rede que dividiam agora, Mike ficou sentado perdido onde estava e Bill se levantou e tentou bater nela com uma revista enrolada.

— Para! —  Frey segurou o pulso dele —  Vai machucá-la.

— É só a droga de uma mariposa nojenta Frey! —  Richie disse nervoso.

Ele segurava a perna de Eddie, e sua mão na tentativa de acalmá-lo.

— Tira ela daqui! —  Eddie parecia assustado — Tira por favor! 

— Ela é horrível! —  Bev choramingou no ombro de Ben.

Freya se sentiu muito desconfortável e afetada de alguma forma, ela soltou o pulso de Bill devagar, mas ele não tinha mais vontade de bater na mariposa. Ele encarou como os olhos escuros dela foram para baixo com vergonha, e os ombros encolheram.

— Parem de fazer escândalo —  Stan disse por fim — Ela só estava procurando um esconderijo, como todos nós procuramos um dia.

E para completa surpresa dos Otários o garoto foi até o canto onde o inseto se escondeu e ela praticamente voou para mão dele, Stan a levou até a saída e não precisou de convite para sair voando pelo céu de Derry. Ele olhou para os amigos satisfeito. 

Frey não esperava isso de Stan, não que ele não fosse desse tipo de gentileza, mas pegar uma mariposa na mão? Sentir as patinhas e os pelinhos? Não era algo que ela o via disposto a fazer por conta própria. Ela quis abraçá-lo, ou beijá-lo na frente de todo mundo.

— Como você vai lavar a mão agora? —  Eddie disse ainda assustado — Sabe que se passar a mão no olho sem querer você fica cego.

O comentário teve efeito imediato em Stan, ele encarou as mãos. Germes. Os cortes nas palmas das mãos. Fechados, mas ali. Frey remexeu na sua bolsa, ela lhe deu um lencinho umedecido, Stan passou nas mãos e jogou fora no cestinho que ela trouxe mais cedo. Ela pegou o álcool,  tirou o anel que nunca tirava para pedra no anel não machucá-lo, colocou nas próprias mãos e foi até as dele, a pele ficando fresquinha enquanto ela esfregava o gel nelas com cuidado, os olhos dos dois se encontraram.

— Obrigado Frey —  ele sorriu — Suas mãos são quentes.

— Você começou a carregar essas coisas na bolsa agora?— Ben que questionou —  Ou eu nunca vi... 

— Não é de agora, ela carrega essas coisas pro Stan — Richie provocou — Ele se incomoda com as mãos sujas.

Sério Richie? Vai se foder Tozier seu ciumento do caralho.

Você que está levando pro pessoal mi amiga querida. Como se ele não soubesse disso.

— E-eu… Não sou só eu que me incomodo — Stan ficou vermelho.

— Só Richie não se incomoda. Frey também carrega uma garrafa de água para mim não tomar remédio sem nada — Eddie disse vendo o silêncio.

— E carrega uma caixa de fósforos para mim e Richie — Bev disse — E band-aids para caso um de nós se machuque.

— Embora eu não concorde com o cigarro, mas a vida é de vocês, não gosto que roubem fósforos de casa, tenho agonia de Eddie tomando remédio em seco...

—É crianças,  alguém tem filhos favoritos— Mike brincou.

O rosto caramelo de Freya adquiriu uma cor avermelhada no mesmo instante, ela ficou indignada, abriu a boca pra retrucar mais Bill a interrompeu colocando o dedo indicador na boca dela.

— F-Filhos favoritos, você tem.

—Eu também sinto isso — Ben murmurou de brincadeira.

— VOCÊS NÃO SÃO MEUS FILHOS, NÃO TENHO NENHUM OTÁRIO FAVORITO — ela disse irritada — E não ouse fazer piada disso Richard Tozier! 

Eddie tapava a boca de Richie na rede, ele sabia que o assunto podia ir pra outro lado com uma piadinha dele.

— Acho que já deu gente — Stan disse sério, passou o braço pelos ombros dela — Nós sabemos que não Frey.

— Isso mesmo crianças escutem o papai e parem de irritar a mamãe ou ela vai envenenar a comida… 

— Richie — Eddie suspirou.

— RICHARD! — Stan e Freya disseram juntos.

Os Otários riram da forma como ele se encolheu na rede, como se fosse realmente a bronca dos pais. 

— Vou sentir falta dos quatro brigando — Mike se apoiou na pilastra — E vocês?

— N-Não lembra disso M-Mike, m-meu pais começaram a querer ir embora também.

...

Elas estavam voltando para Derry.

Depois de horas de voo, e com a respiração calma de Bev dormindo, Frey deixou o rádio baixinho enquanto dirigia. Os alto falantes parecia cochichar a música. 

Hoje acordei sem lembrar, se vivi ou se sonhei. Você aqui nesse lugar, que eu ainda não deixei. Vou ficar? Quanto tempo. Vou esperar. E eu não sei o que vou fazer, não...

E a viagem fluía tranquilamente enquanto a mente dela viajava para longe daqui, para um passado que ficará pra trás. Crianças brincando de guerra com arminhas de água, uma barragem na água cinza de Derry, um garoto que a convidava para observar pássaros e um fantasma que foi seu amigo. Era engraçado receber essas memórias novamente, ontem ele eram apenas crianças brincando de soldados, apenas fingindo. Sonhando com finais felizes. Vencendo batalhas com espadas de madeira nos quintais entre os lençóis recém lavados. Mas agora o mundo era mais cruel do podiam imaginar.

Já estava entardecendo quando o celular tocou, sem nenhum movimento na estrada ela parou brevemente no encostamento. Bev ainda estava dormindo, então ela saiu do carro para atender.

— Alô? 

— Sou eu Frey — Dylan disse sério do outro lado da linha. 

Sua voz estava séria e triste.

— Oi Dan, chegou bem em casa? O que ouve? 

Ele pestanejou antes de falar. Frey se apoiou no cabo do carro, as pernas ficaram bambas, ela sabia o por que da ligação. Mas por que? Como aconteceu? Mike não compriu a promessa? Ou era culpa dela, foi sua promessa quem causou isso?

— Olha Frey você lembra do Stan? Ele… Ele... Não tem melhor forma para dizer. Stan morreu ontem.

Dor. 

Existiam várias palavras rebuscadas que uma escritora podia usar para escrever esse tipo de dor, mas naquele instante ela apenas podia sentir era como se nunca mais fosse conseguir respirar e seu peito ardesse pelo sufocamento. A dor entrava na sua corrente sanguínea como álcool e inibia os sentidos.

— Como Patricia está?

— Arrasada? Eu descobri assim que cheguei em casa... Sinto não ligar antes, para o enterro, mas você está viajando de qualquer maneira. O Salem veio aqui pra casa comigo, ele está irritado pela viagem, mas bem, já está enroscado no Michael — um suspiro alto cruzou a ligação — Derry  — ele disse num murmúrio indignado — Por que você quis voltar para essa cidade, eu juro que não entendo. Mas por favor, volta para casa logo está bem?

— Farei o possível Dylan.

Ele pensou por uns instantes.

— Deixe algumas flores para Stephen e pra mamãe, por favor, acho que ele nunca recebeu nenhuma.

Ela desligou o telefone dizendo que faria. Andou alguns metros para longe do carro, até que as pernas bambas não aguentaram mais e ela caiu no chão. Freya gritou, gritou, gritou com toda a força dos pulmões, pássaros levantaram voo para longe dali, então ela chorou até não ter mais água para chorar e bateu em uma árvore próxima. E da dor veio o ódio e ela esmurrou tanto a árvore que seus dedos começaram a sangrar, então ela voltou para o carro, mais calma, mas as mãos ainda tremiam um pouco. 

Você não pode salvá-los Ascalapha, você não pode mudar o que tem que acontecer.

Cala boca palhaço de merda. E sai da porra minha cabeça!

A garota boca suja voltou. Ele riu. Bem vinda de volta ao lar irmãzinha.

Ela havia voltado a dirigir, depois de alguns minutos Beverly estava meio acordada. Ela esfregou os olhos e viu as mãos da irmã feridas no volante.

— Ah meus Deus, o que houve com sua mão Frey?

Ela pisou no acelerador.

—Não foi nada, eu só preciso me acalmar.

Mike Hanlon - Despedida

Mike estava sentado na varanda de casa com Frey. Desde que os outros se foram ela passou a ir visitá-lo com as crianças em vez de irem ao Barrens. Os irmãos dela brincando com Beverly a frente, enquanto a mais velha contava da última carta de Stan. 

— Isso explica por que nenhum dos outros deu notícias  — Mike encarou a carta solta entre eles — Acha que os outros também esqueceram não?

 — Sim, perdi Bill e Eddie a algum tempo já, Ben e eu não tínhamos uma conexão forte e achei que a distância nos havia separado, Stan está sumindo mais a cada dia e Richy… Chie, chie…  — ela deu uma engasgada — Chee não sumiu por completo, mas ele não lembra, eu liguei pra ele.

Ele sentiu o sotaque de Frey pesar em suas palavras, alguém que não a conhecia podia achar que elas estava nervosa pelo perigo eminente da perda de suas memórias, mas Mike sabia que não. 

O garoto estendeu o braço e pegou a mão dela, você pega o costume de depois de um tempo com Frey, segurar o ombro, abraçar, receber beijos na bochecha. Ela sorriu e virou a palma da mão para cima entrelaçando  na mão na dele. O rosto dela se virou para os irmãos.

Agora ele podia ver, não era medo, era tristeza. Tristeza por que ela não lembraria dos amigos que vez, das tardes tranquilas, das risadas com Richie, das fugas com Eddie, de seus momentos com Stan e das mãos deles sustentando um ao outro agora. 

Mike se lembraria dela, e da sensação boa de ter a garota por perto, como se ele estivesse protegido, como se o mundo fosse melhor de alguma forma.

Por que as coisas ruins, a dor, a perda, isso ela deixou para trás antes de sair de Derry.

Era isso que Mike admirava nela, as pessoas saem da cidade batendo a poeira das coisas ruins das botas, e ela saia de Derry triste por deixar sua felicidade pra trás.

Os olhos dela encontraram os dele encarando seu rosto, Mike sentiu as bochechas esquentarem. Agora ele entendia por que Stan estava sempre rubro ao lado dela, mas Stan a via de outra forma, Mike sabia.

— Contou pros seus irmãos? 

— Sim — ela suspirou —  Pretendia contar quando eles fossem mais velhos, eu e Bev combinamos isso, mas é direito deles saber o que matou a mamãe e Stephen.

— Acha que a coisa matou sua mãe? Mas Frey ela só mata crianças.

— Minha mãe tinha algo que a coisa queria, e eu também tenho Mike, por isso preciso sair de Derry. Se a coisa voltar preciso que meus irmãos estejam seguros, e meu pai sabe disso. Preciso dos meus irmãos fora daqui.

— E Beverly?

— A mãe de Bev concordou que ela fosse convosco — os olhos dela adquiriram um brilho diferente, preocupação e carinho — Ela também é uma Raisman agora.

Mike  podia sentir inveja de Freya por que ela teria Bev mesmo depois de tudo isso. Mas ele simplesmente não podia sentir isso. Ela estivera sozinha por tanto tempo que parecia justo que de todos os Otários ela tivesse companhia. Tantos anos com o peso de ser a irmã mais velha, a figura materna das crianças nos ombros ele não imaginava como era.

— Vou sentir sua falta — sua voz diz com muita tristeza — Talvez não minha cabeça, mas o coração vai. Queria ter te conhecido antes.

— Você sempre deseja mais tempo do que tem Frey.

— E que graça a vida teria se eu não desejasse mais Hanlon? 

Ele não segurava a mão dela a 27 anos, mas hoje a sensação era vivida. 

Quando o mais velho Mike Hanlon a viu na porta do restaurante ele pensou que Freya ia bater nele, mas ela não vez, correu no corredor e o abraçou. Como uma velha amiga faria. Ele passou os braços por suas costas e por alguns instantes eles se sentiram com crianças de novo. 

Ela se lembrava de um garoto que tinha 1,60 metro, era magro e ágil. Mas á sua frente estava um homem com 1,75 metro. Era esquelético. As roupas pareciam penduradas nele. E as linhas no rosto diziam que ele tinha quarenta e muitos anos, e não apenas uns 38.

Quando Frey o soltou viu velho Mike, com os olhos um pouco vidrados, talvez, e com olheiras por sono interrompido, mas não tanto que se reparava sem olhar de perto.... Se você desse uma olhada casual nele poderia pensar “Ele anda lendo livros demais”, mas só isso.

Mais ela sabia que Mike não dormia bem a noites, ela apertou seu ombro com carinho.

— Você lembrou que sentia minha falta? — Mike sorriu, e o sorriso iluminou seu rosto. Nele, Freya viu o garoto que conheceu 27 anos antes. 

— Disso eu nunca esqueci.

Ele abraçou Bev também.

— Venham, Eddie e Richie já chegaram, vou esperar os outros aqui, mas podem entrar, peguei uma sala fechada.

 


Notas Finais


Desculpa gente, não salvei o Stan :(


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