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História Cruel Summer - Capítulo 10


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Notas do Autor


Primeiro eu queria avisar que: é provavelmente que, por enquanto, não tenha mais capítulo narrado pela Ceci. E que teremos uma sequência de dois capítulos hoje porque tô baixinha. Seria três, mas não aguentei a ansiedade. E vai ser bom sofrer um pouquinho rs. Segundo: nem tudo é o que parece ser e vocês vão entender tudo daqui alguns capítulos. Mas enquanto isso, peguem os lencinhos e preparem o coração que lá vem separação (rimou meu pai) ✌🏼😘✌🏼

Capítulo 10 - Teen.


Fanfic / Fanfiction Cruel Summer - Capítulo 10 - Teen.

“ Do you want me or do you not? I heard one thing, now I'm hearing another ”

— Lana Del Rey: Happiness is a butterfly ♡

Ceci

— O que nós vamos assistir, baby? 

— Riverdale! — respondi, puxando mais a coberta. Ela franziu a testa. — Quando eu disse " vou colocar uma série bem ruim pra gente não prestar atenção e ficar te beijando até você perder o fôlego ", estava mesmo falando sério 

— Você só esqueceu de um pequeno detalhe. 

— Qual? 

— Eu tenho uma queda absurda pela Cheryl Blossom. — falou, orgulhosa. Ruivas, pensei, revirei os olhos. 

— É sério isso? — franzi a testa. — Só porque ela é ruiva?

— Talvez. — provocou. — Mas ela também é linda, inteligente, bravinha, fofa, sensível. 

— Grande coisa. — revirei os olhos outra vez. — Então você prefere admirar Cheryl Blossom do que deixar que eu te beije até perder o fôlego? — perguntei, mordendo o lábio em seguida. 

— Depende. 

— Do que? 

— Você vai ter que me convencer que te deixar me beijar até que eu perca o fôlego é bem mais interessante do que admirar minha ruiva favorita. 

— Eu sou muito boa em convencer de qualquer coisa, mas eu acho que mais do que Interessante, vai ser bem excitante… — aproximei meu rosto do seu lentamente. Mas ela apenas suspirou, antes de dizer:

— Vamos pelo menos ver o primeiro, tá bom baby?

— Só porque você pediu com jeitinho. — sorri. — E me chamou de baby. — ela chegou mais perto e ficamos agarradinhas. Estava quase na metade do episódio quando, cheia de segundas intenções, comecei um carinho em sua perna.

— Eu sei o que você está fazendo, baby. — sussurrou. 

— Você gosta do que eu estou fazendo, amor? — fiz pequenos círculos na parte interna de sua coxa e a ouvi suspirar bem ao pé do meu ouvido. De propósito.

— Você não acha que ser bem melhor se eu provar do que responder, amor? — fiz que sim e num piscar de olhos, ela estava sentada em meu colo. Minhas mãos adentraram sua blusa enquanto seus lábios tocavam os meus com certa urgência. Suas costas estavam quentes e eu praticamente gemi. Como sempre, ela não estava usando sutiã e aquilo foi o suficiente para me deixar mais excitada do que já estava. Ousada, soltei seus lábios para dar atenção ao seu pescoço enquanto minhas mãos apertavam, delicadamente, seus seios por baixo da blusa. Suspiros profundos escaparam de sua boca e ela se remexeu em meu colo. Porra, que delícia. 

— Deveríamos ir pro quarto, tipo agora. Mas aqui está tão bom. — minhas mãos escorregaram para baixo, parando em sua cintura. Ela me encarou. 

— Não estamos sozinhas, lembra? 

— Você não parecia lembrar quando sentou no meu colo… — sussurrei, encarando seus olhos. Sua boca estava próxima ao meu ouvido quando ela disse:

— E você definitivamente não parecia lembrar disso quando estava com as mãos… 

— Garotas, estou de saída! — Hannah avisou, descendo as escadas e eu tirei minhas mão da cintura de Emma. 

— Vai jantar com o seu namorado? — Emma praticamente rosnou enquanto saia do meu colo para sentar ao meu lado e eu soltei uma risadinha baixa. 

— Uhum. Volto depois das 23h. — ela checava alguma coisa na bolsa. 

— O combinado foi 23h em ponto, mocinha. — minha namorada lembrou. 

— Ah, sério? O que acontece se eu passar desse horário?

— Um mês sem nem sequer sonhar em sair com esse namoradinho. 

— Tá bom, papai. — a loira revirou os olhos. — Até mais tarde! — ela beijou o rosto de Emma e acenou para mim ao fechar a porta e sair. 

— Você é tão linda com ciúmes, sabia? — me derreti, enquanto segurava seu rosto entre as minhas mãos.

— Não estou com ciúmes, apenas preocupada. 

— Entendo, baby. Mas acho que você tem uma preocupação maior agora. 

— Ah é? — sorriu com certa malícia. — Qual, baby? 

— É que agora eu estou um pouco quente por sua causa… — comecei. 

— Hum, é mesmo? Eu também tô quente, baby. Bem quente. — ela sussurrou a última parte antes de sentar em meu colo outra vez. — Eu acho que nós precisamos ir para o quarto. 

— Você acha, é? — perguntei ironicamente, o que a fez rir. 

— Na verdade, foi mais uma sugestão da minha parte. — confessou, com as mãos ao redor do meu pescoço. Antes que ela falasse mais alguma coisa, cobri seus lábios com os meus e perdemos o controle juntas. Um pouco depois, já estávamos no quarto e amei cada parte do seu corpo, ela por inteiro, como se fosse nossa última vez. Mal sabia eu que talvez. 

— Sabe o que eu estava pensando? — perguntei, enquanto fazia uma carícia gostosa em suas costas nuas com uma mão e com a outra, segurava a sua. — Você nunca mais leu pra mim, baby. 

— Isso é verdade baby — concordou, erguendo a cabeça para me encarar. Tão linda. — mas nem eu mesma tenho lido muito, pra ser sincera. Minha última leitura me devastou. 

— Tadinha, baby. E qual foi? — ela pediu que eu esperasse enquanto ia até sua estante pegar. A visão de seu corpo nu me fez morder os lábios e ficar com vontade de repetir tudo de novo. Ela me entregou Mesa 27 e voltou para o meu peito. Comecei a ler a sinopse: — “ Após uma desilusão amorosa, Nina rompe com sua namorada e resolve mudar de vida indo em busca de seu grande sonho, que é tornar-se uma reconhecida chef de cozinha. Muda de país para dedicar-se inteiramente a sua carreira em um pequeno restaurante em Montreal, porém, ela não poderia prever que uma simples reserva, em um dia rotineiro de trabalho, mudaria sua vida drasticamente, e a faria experimentar a sensação de apaixonar-se perdidamente por uma mulher casada… ”. Esse plot não tem nada a ver com você, baby. 

— Por que não, baby? — ela sabia que eu sabia o porquê, mas claramente queria que eu explicasse. 

— Primeiro, porque você odeia triângulos amorosos e pela sinopse, parece que tem um…

— Fato, obrigada A Seleção pelo trauma. — ela riu. — Continua. 

— O fato de uma das protagonistas ser casada não foi suficiente pra te fazer desistir? — perguntei, curiosa. 

— Eu pensei bastante antes de começar essa leitura. Acredite se quiser, nada mais importava quando a Nina marcou uma consulta com a Allegra. Nem mesmo esse detalhe. 

— Hum, interessante. Deixa eu adivinhar: a protagonista é casada com um velho barrigudo e o casamento tá um desastre?

— Eu pensei o mesmo quando li “ mulher casada ” mas juro que não é nada disso. Um pouco mais complicado. 

— Muito bem e por que essa leitura te devastou? 

— Quando tá tudo dando certo, uma delas morre e…

— Emma, spoiler! — praticamente gritei, rindo. 

— Desculpa, mas era melhor eu contar logo de qualquer forma. 

— Mas agora não sei se eu quero ler! Quero dizer, se te deixou devastada, é por um motivo e tanto…

— Ainda podemos ler! Mas vamos ter que pular o capítulo 16 e fingir que o livro acaba na ligação das duas…

— 16, hum…

— Pois é, coincidência não? — ela riu. — Mas falando sério, acho que deveríamos ler esse. Me lembra você. 

— Ah, é? Por que baby? 

— Você só vai saber quando estivermos lendo! 

— Não vale! Você sabe que eu sou curiosa…

— Sei bem, mas vai ser melhor perceber o porquê enquanto estivermos lendo. Quero te ver sorrindo feito boba por isso.

— Tão espertinha você, hein baby? — beijei seus lábios. — Tudo bem, ainda está cedo e podemos começar o livro agora, o que acha?

— Perfeito! — ela beijou minha bochecha e pegou o livro de mim e começou a ler: — “ Minha história começa naquele dia frio de inverno intenso, parecia-me uma manhã como qualquer outra, mas eu não poderia imaginar nem em meus mais remotos sonhos que aquele dia seria diferente, a minha rotina seria quebrada por algo novo, algo que mudaria minha vida… ”. Se continuar me olhando assim, eu não vou conseguir nem terminei a introdução, baby! 

— Não posso evitar — falei em minha defesa. — Eu te amo tanto, meu amor. — sussurrei. Ela fechou o livro, usando o indicador para marcar a página, e veio me dar um selinho. 

— Eu te amo mais amor, sempre. 

— Nem vem, eu amo mais! 

— Se eu for calar essa sua boquinha, a última coisa que nós vamos fazer é ler. Então sugiro que faça isso por conta própria, baby. — ela falou isso de um jeito tão sexy, mas me contive. E calei minha boca para que ela pudesse ler e eu, admirá-la em silêncio. 

Emma

Revezamos um capítulo de cada até terminar, porque nenhuma de nós duas conseguia parar de ler, o que só aconteceu às 3h da manhã. Nem sequer vimos o tempo passar, ou talvez fosse a saudade disso, mas foi muito bom vê-la sorrir de um jeito bobo nos parágrafos em que ficava claro porque o livro me lembrava ela. O que me fez sorrir de um jeito bobo também. Apesar do sono, começamos a debater nossas opiniões como sempre fazíamos: 

— Okay, eu admito que gostei bastante do livro. — ela sorriu. — Mas agora eu tô curiosa sobre o final…

— Nem pense nisso! Eu já tava tão derretida pelo livro com o lance da consulta e tal, mas a carta da Nina me fez chorar um pouquinho, admito… 

— Bem que eu percebi seus olhinhos cheios d'água nessa parte. — ela riu. — Por que?

— Não sei, talvez porque parecesse exatamente como eu me sentia em relação a você lá no início…

— Ah, então agora não sente mais? — brincou. 

— Claro que sinto. E agora é infinitamente maior. O que eu quis dizer, coisa linda, é que eu me identifiquei com cada palavra, mas principalmente essas: “ Queria ter a coragem de olhar para dentro dos seus olhos negros e dizer o quanto você me inspira, o quanto mexe comigo, o quanto eu te desejo, o quanto o teu sorriso emoldurado pelos teus lábios desperta em mim uma vontade absurda de beijá-los... Queria por um dia apenas que fosse poder te tocar com intimidade, sentir o teu corpo colado no meu e te agradecer todos os dias por me permitir esse momento... Sabe, Allegra, desde que te conheci só existe um desejo habitando o meu pensamento, o de sentir cada centímetro da sua pele, seus suspiros mais profundos, o calor das suas mãos percorrendo o meu corpo e a maciez dos teus cabelos desabando sobre mim ”. — assim que eu terminei de ler, um sorriso bobo insistia em curvar seus lábios.

— Uau, então era assim que você se sentia no início?

— Eu sempre soube que era intenso e único. — expliquei. — Eu te amei desesperadamente, com cada parte de mim desde ali, quando tinha apenas uma esperança traiçoeira de você encontrar o caminho até mim. 

— E eu encontrei, por isso estamos aqui, agora, assim. — ela sorriu. — Consegue acreditar que passamos por tudo aquilo? 

— Fica bem fácil com olho pra essa tatuagem aqui. — ela riu. — Mas falando sério, eu também não acredito as vezes. Parece um sonho. E eu, definitivamente, não quero acordar. 

— Nem eu, baby. — Ceci beijou minha testa. 

— Você mudaria alguma coisa na nossa história, amor?

— Nem uma vírgula sequer, e você amor?

— Também não. Apesar de que você se fingia de cega com relação a seus sentimentos por mim. 

— Ei, isso não foi nada engraçado! — mas minha risada a contagiou. 

— Esse é o significado do seu nome, baby. 

— Engraçadinha, ama agora eu quero saber: o você via em mim naquela época? — eu tinha a resposta na ponta da língua. 

— Seus olhos. Lembro de querer mergulhar na imensidão de mistérios deles desde quando te vi no corredor. Sei lá, você se destacou no meio daquele bando de idiotas. — ela caiu na risada, e então se derreteu com o que eu disse. Pelas estrelas, eu amava tanto que não cabia em mim. — Só que aí eu me aproximei de você no parque, e eu só queria te abraçar. E claro, bater naquele desgraçado. 

— Você fez isso, lembra? 

— Como não poderia? — falei, convencida. — Mas continuando: alguma coisa me empurrava na sua direção…

— Ou você estava caindo por conta própria… — ela sorriu. Jurei estar no paraíso. 

— Você também estava, seguindo essa lógica. Quase me beijou depois de eu ter cantado Enchanted pra você. 

— Até hoje me pergunto como tive tanto autocontrole. 

— Mas ainda bem que tinha, porque eu não consigo imaginar nisso primeiro beijo de outra forma senão naquela praia. Bons tempos. 

— Bons tempos, é? Você prefere o nosso passado ao presente?

— Hum, não sei se tenho uma preferência, na verdade. Mas o que importa é o que nosso passado nos trouxe a um maravilhoso agora. 

— Com certeza, agora temos uma filha e nem casamos ainda! — brincou, rindo. 

— Então a Sophie é como uma filha pra você, amor? — perguntei, derretida. 

— Tá com ciúmes, amor?

— Não, eu posso dividir minha filha com você. 

— Então isso faz dela nossa filha oficialmente agora. 

— Nunca pensei que eu seria mãe de quatro patas antes de um bebê, só você mesmo amor. 

— Já tá bem tarde, por favor me diz que você não tem que acordar cedo amanhã?

— Não, só alguns assuntos de contrato pela tarde. Por que?

— Eu me sentiria péssima por te fazer perder algumas horas de sono se tivesse que ir. Mas, parece que o universo está ao meu favor, então não vamos sair dessa cama antes do meio dia, combinado? — ofereci meu mindinho. 

— Combinado. — juntamos nossos dedos e sorrimos. — Tá com sono? 

— Bêbada, e você amor? 

— Ah, um pouquinho. — mas eu sabia que era bem mais. — Vem aqui, quero dormir agarradinha com você. — me deitei por trás dela e meus braços envolveram seu corpo. Alguns minutos de silêncio. 

— Amor, tá acordada? 

— Sim, o que foi amor?

— Nada, só me deu uma vontade súbita de dizer que eu te amo e não quero te perder nunca. — ela se virou para me encarar. 

— Eu te amo mais, meu amor. Espero que isso nunca acabe. — sussurrou, com a testa na minha. Lentamente, nossos lábios decidiram que precisavam se unir e eu mergulhei no seu gosto, entorpecida pelas batidas intensas do meu coração. Percebi que eu ainda a amava de maneira desesperada mesmo depois de 11 anos. Mas aquele contato não foi suficiente e eu me agarrei a ela como se fosse aquela esperança traiçoeira de muito tempo atrás. 

No instante em que abri os olhos naquela manhã, senti que aquele seria um dia diferente. Uma sensação estranha se instalou em meu peito, mas decidi ignorar ao ver minha namorada dormindo serenamente. Eu nunca iria me cansar de observá-la em seu sono profundo. Sempre que eu acordava primeiro, me permitia imaginar todo um futuro ao seu lado: acordar juntas todos os dias, com um ser humaninho pulando na cama ou com o choro manhoso de uma pequenininha, uma rotina cansativa, mas que eu não trocaria por nada. No final de tudo, iríamos conversar sobre o nosso dia, coisas aleatórias, quem sabe até planejar alguma viagem em família. Era um futuro perfeito que eu desejava do fundo da minha alma viver algum dia. Mais do que nunca, tive certeza de que eu a queria pelo resto da vida sem mais importar com mais nada. 

— Bom dia, amor da minha vida. — falou, com a voz sonolenta que era tão gostosa de ouvir. — Você parece pensativa. 

— Bom dia meu amor, eu... — e então percebi do que ela tinha me chamado. — Repete?

— Amor da minha vida? — fiz que sim. — Amor da minha vida, amor da minha vida, amor da minha vida… — ela repetiu mais treze vezes enquanto enchia meu rosto de beijo, parando em meus lábios.  — Vou repetir tantas vezes pelos próximos anos que você vai enjoar de ouvir. 

— Nunca. Como eu poderia? — ela sorriu. — Quer levantar baby? 

— Hummmmm, não baby. Aqui tá bom, com você. 

— Mas eu tô fomeeeeeee, baby. 

— Eu também, baby. — ela mordeu o lábio olhando pra mim. 

— Eu tava falando de comida. 

— Que pena, porque eu não tava. — ela me puxou pra mais perto. — Então, qual vai ser a sua escolha, a comida ou eu? — ela pousou a cabeça na costas da mão e exibiu um sorriso vitorioso. 

— Aquele ditado: a primeira nunca foi válida…

{...}

— Você tem mesmo que ir? — perguntei num fio de voz. 

— Infelizmente sim, mas eu prometo voltar antes do anoitecer, tá bem?

— Okay… — minha voz saiu mais decepcionada do que eu realmente pretendia e ela percebeu, pois no mesmo instante se aproximou mais ergueu meu queixo, para que eu pudesse encará-la. 

— O que foi, meu amor? Tô sentindo que você não tá bem. 

— Eu tô bem, amor. De verdade. — embora minha resposta não a convenceu, Ceci me abraçou e eu não queria soltá-la.

— Tem certeza? — perguntou, preocupada. 

— Sim, não se preocupa. 

— Promete? — ela ofereceu um mindinho com um sorriso. 

— Prometo! — claro que isso sempre acontecia levando em consideração que seus braços eram meu lar, meu porto seguro. Mas nem eu mesma sabia a razão de estar tão tensa, ansiosa. Tinha algo de errado e eu não fazia idéia do que era. 

— Eu te amo muitão, sabia? — ela beijou minha testa. Um último beijo, lento e sem segundas intenções, aconteceu antes que eu me agarrasse a ela e a deixasse ir antes que eu começasse a chorar. Eu não me sentia bem o suficiente para ficar sozinha, então acabei chamando Isis para ficar comigo. De qualquer forma, precisávamos tratar de negócios. 

Ainda que tivéssemos conversado sobre a minha carreira, coisas aleatórias e assistido filme, aquela tensão em meu peito ainda persistia. Tentei me distrair o máximo lendo e até espiando as redes sociais mas as horas pareciam estar congeladas, o que só me deixava mais ansiosa. Passava das seis e meia e Ceci ainda não tinha chegado. Rendida pelo momento súbito de desespero, mandei mensagens perguntando se tinha acontecido alguma coisa. Como a resposta não veio de imediato, resolvi ligar, mas ela não atendeu. Foi então que recebi uma ligação de um número desconhecido. 

— Hey Emma, como você está? — aquela voz. Eu reconheceria de qualquer jeito. 

— Ava, que surpresa. — quase revirei os olhos. — por que está me ligando? Aconteceu alguma coisa?

— Nada demais, não se preocupe. Eu só quero fazer uma surpresa para a Ceci e preciso da sua ajuda. 

— Que surpresa? — perguntei desconfiada. O aniversário da minha namorada era só em dezembro, ou seja, estava bem longe. Então o que ela queria?

— Ela assinou um contrato importante, não te falou?

— Não, apenas sabia que estava cuidando disso agora tarde. A propósito eu estou preocupada porque já liguei várias vezes mas ela não atendeu. Sabe de algo?

— Não, ela acabou de sair da reunião. Você sabe onde fica o Golden palace, não sabe?

— Uhum, fica umas das quadras daqui. Por que?

— Eu preciso que você vá até lá agora. Está tudo acertado na recepção e você vai esperar por mim e pela Ceci no quarto indicado. É uma novidade que eu tenho de contar e você precisa estar presente, já que é importante para Ceci. 

— Entendi, posso saber que novidade é essa?

— Você saberá na hora, assim como a Ceci. 

— Tudo bem, eu vou me arrumar rapidinho e encontro vocês lá. Pode ser?

— Claro, mas não demore! — foi o que ela disse antes de desligar. Tinha alguma coisa errada, mas ignorei a sirene em meu peito e fui me arrumar. 

{...}

Assim que cheguei ao hotel, a recepcionista me orientou a seguir para o quarto de número 14 imediatamente. Peguei o elevador para ser mais rápida só por precaução e já era pouco mais de sete horas. Assim que saí do elevador procurei pelo tal número, atravessando pelo primeiro corredor a direita. O barulho do impacto de alguma coisa quebrando ao cair no chão me fez parar bem onde estava. Pensei em seguir adiante, mas e se fosse uma briga feia de casal? E se o cara estivesse querendo bater na mulher? Com certa relutância, olhei para a porta entreaberta bem ao meu lado. Já estava discando o número da polícia quando empurrei lentamente a porta para que se abrisse. Pior decisão da minha vida. Dei de cara com duas garotas se agarrando. A primeira conclusão foi que eu estava prestes a interromper uma transa, já que uma delas não vestia nada além de uma lingerie vermelha. Pelo menos não tinha mão boba, pensei ao tentar sair de fininho. Foi então que eu vi o abajur quebrado no chão. Ah, então foi isso. Mas eu não reparei que tinha algum vaso atrás de mim e sem perceber, eu o derrubei. O barulho da queda do objeto fez com que as duas se soltassem. Camila olhou pra mim como se estivesse furiosa pela Interrupção, mas havia pânico no rosto de Ceci. 



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