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História Cruzados - (Interativa BTS) - Capítulo 3


Escrita por: e the-DUFF


Notas do Autor


Muito boa noite pra quem não esperava essa ^^

Capítulo 3 - Prólogo 0.3 : Princesa Montserrat


Fanfic / Fanfiction Cruzados - (Interativa BTS) - Capítulo 3 - Prólogo 0.3 : Princesa Montserrat

Montserrat caminhava de volta para seu quarto no castelo, sendo seguida pelo olhar de reprovação que os pais lhe lançavam. Ela soltou um suspiro de tristeza consigo mesma. Tudo o que queria era não ser tão desastrada e distraída, não envergonhar tanto seus pais diante dos "súditos".

Fechou a porta se seu quarto lentamente e tirou a coroa de ouro com rubis e topázios. Era a única coisa da nobreza que ela se orgulhava de possuir, pois achava que a coroa valorizava  seus cachos loiros escuros que iam até a cintura. Fora isso, o quarto, os vestidos, as comidas, os bailes e os beijos na mão… Todo o resto lhe dava nojo demais, ela se sentia repulsiva, uma aproveitadora, pois sabia que nada daquilo vinha dela, de seus tios, avós ou de seus pais. Até o chão do Castelo vinha das costas doloridas e das mãos feridas dos plebeus, que viviam e morriam para sustentar e obedecer pessoas como ela.

Pensou sobre o quão caótico aquele mundo era, e se valia a pena continuar a contribuir para que a injustiça permanecesse nele. A menina suspirou, não tinha escolha, afinal. Da última vez que tentou sair do Castelo, foi vigiada pelos guardas por quase três meses.

Seokjin talvez a entendesse, e depois de casarem, poderiam até mesmo tornar aquele mundo menos cruel. Chegar a essa conclusão fez a menina suspirar novamente. Do que mais adiantava uma união, se não o amor? E isso era algo que ela não possuía com o rei de Artemis. A única coisa que movia a menina para prosseguir com aquilo, era a promessa de um governo melhor. Afinal, Seokjin não era tão repulsivo como todos os outros nobres com os quais a menina convivia.

Aliás, ele sempre foi muito gentil. Com certeza ele a teria salvado de cair no chão horas atrás. Mas ele não estava lá, então ela não pôde evitar a queda. Ela tentava curar sua trágica a atração com o chão, mas ela não conseguia se equilibrar quando havia um hrande número  de pessoas a observando nos mínimos detalhes.

Pensou um pouco em qual seria o homem de seus sonhos. Seokjin era belo, mas ela queria algum rapaz de sua idade, com um leve traço  de sua infantilidade. Não queria um homem dotado de chamativas intelectualidades, dinheiro e viagens a tratados com reis, sonhava com um marido que pudesse lhe dar atenção, e que fosse esperto, não um que decorasse latim para aparentar poder. Talvez um plebeu fosse perfeito. Mas ela não  podia, ela não devia sequer se iludir com isto. Seria mais um sonho destruído.

Olhou para o relógio. Em breve sua mãe  perderia a paciência e entraria no quarto. Soltou um pouco as fitas do espartilho para respirar melhor, pois precisaria de fôlego e paciência para ouvir mais cobranças sobre como uma princesa deve andar em passeatas.

Como esperado, em cerca de poucos segundos sua mãe entrou em seu quarto. Suas bochechas coradas e a face contraída, juntamente com as sobrancelhas franzidas denunciavam sua irritação. Mentalmente, Montserrat já se lamentava. Flora, sua mãe, cruzou os braços, encarando a filha com firmeza: 

—O que eu lhe falei sobre como deveria andar? — a rainha não gritava, mas seu tom de voz era amedrontador de tão firme:

—Minha mãe, perdoe-me. — sussurrou olhando os olhos verdes faiscantes de irritação, e os seus, castanhos, logo se abaixaram para não ver mais o olhar desgostoso da rainha:

— Já lhe perdoei inúmeras vezes, há anos eu venho deixando passar. Mas tu já completaste dezesseis anos, na sua idade eu já sabia andar com os maiores vestidos que Verona já viu! — falou um tanto orgulhosa e com um ar de nostalgia.

A mais nova se sentou em sua cama, sem tirar os olhos do chão. Ela sabia como se portar na mesa, no trono, nos diálogos… Mas dançar e caminhar graciosamente sem dúvidas eram suas falhas mais amargas. Princesas que não sabem dançar são como vacas que não dão leite, "Metáfora estranha…" — pensou consigo mesma:

—Montserrat, está me ouvindo?! — A rainha disse, elevando o tom de voz por um mísero segundo ao perceber que sua filha se encontrava alheia às suas palavras — Uma princesa nunca deve ser absorta. É preciso manter a atenção. E se você acabar concordando com algo que possa resultar no fim de Verona? — Flora perguntou, suspirando. Montserrat abaixou sua cabeça, odiava toda aquela situação desconfortável. Ela não podia agir com desconsideração e responder a própria mãe, devia escutar em silêncio lidando com a sua própria frustração .

Então olhou um pouco para as próprias mãos pensando em como desviar o assunto e os sermões sem que a mãe notasse sua tentativa de fugir da conversa deveras desagradável: 

—A senhora possui toda a razão. — se deu por vencida, engolindo o orgulho — Hei de tentar segurar o vestido para caminhar, e espero que isto diminua minhas chances de cair novamente da próxima ocasião. — continuou, suprimindo um suspiro — Temos alguma notícia nova do meu noivo? — perguntou fingindo um profundo interesse no casamento. Apesar de ser uma fuga do diálogo displicente que estava tendo com a rainha, queria saber como Seokjin estava. Provavelmente estaria levando sermões do Rei de Ártemis também, e o pensamento quase lhe arrancou uma risada.

A expressão da rainha se suavizou perante à menção de Seokjin. Sabia que o príncipe era tão irresponsável quanto sua filha, mas pelo menos, aquele casamento iria expandir o território de Verona, além de trazer muitas riquezas para sua família: 

— O príncipe está bem, e se tudo correr de acordo com o planejado, em breve vocês se encontrarão — Respondeu à filha, se sentando na borda da cama da menina. Montserrat pensou o quão graciosa sua mãe era até ao se sentar, o que fez a menina se perguntar se sempre fora assim:

— Mamãe? — A menina chamou, recebendo um olhar mais sereno do que o anterior:

— Sim? — A rainha disse:

— Quando casou-se com papai… — Ela começou, em dúvida. Mordeu o lábio inferior, tendo a certeza de que queria continuar — Você o amava? — Terminou a frase, rapidamente, depois de ter reunido toda a coragem que carregava:

— Não, eu não amava. — respondeu-lhe como se fosse uma verdade simples e insignificante — Mas depois de aguardar certo tempo, notei que aprendi a amá-lo com a convivência. Você vai aprender também, apenas tenha paciência — 

A resposta atingiu a jovem de modo que ela jamais esperaria que a atingisse. Se estivesse de pé, cairia novamente apenas pelo impacto da revelação em seu psicológico. Como assim, simplesmente aprender a amar alguém com paciência? Amor sempre foi algo retratado como natural e profundo nos livros que ela sempre lia, e seus pais pareciam realmente apaixonados como se sempre fosse assim. Mas não era, e isto lhe deixou atordoada e desiludida:

— Não sei se posso aprender. — a frase lhe escapou os lábios antes que sequer pudesse medir as palavras. Seus olhos se expandiram assim que se deu conta da declaração.

A rainha se levantou com certo desequilíbrio, claramente surpresa com a fala da filha. Os lábios entreabertos denunciavam o quão desnorteada Flora havia ficado. Suas bochechas se avermelharam novamente, suas sobrancelhas franzidas avisaram à Montserrat o erro que ela havia acabado de cometer. A menina se encolheu, esperando a reação explosiva que a mãe teria: 

— Você não tem escolha — Disse, em voz mansa, e logo depois saiu do quarto, sem sequer olhar para a filha. 

Montserrat soltou o ar que prendia e se jogou em sua cama, extasiada pelo clima tenso do momento anterior. Não havia se surpreendido pelo fato da mãe não ter gritado consigo, nem mesmo lhe dado um tapa, algo que talvez outras mães fizessem, mas não a sua. Flora nunca perdia a classe, mas pelo olhar decepcionado que a rainha lhe lançou, no ponto de vista de Montserrat, seria melhor se sua mãe tivesse perdido sua elegância. Talvez o tapa doeria mais que sua incerteza e seu medo.

Suspirou olhando ao redor do quarto. As roupas de cama perfeitamente arrumadas, o baú com os vestidos e o espelho, que ela gostava de ignorar em certos dias. E este dia era um deles. Virou o espelho para a parede de pedra e olhou para sua janela, era melhor que seu reflexo, sem dúvida.

 

 



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