História Crystal flowers - Capítulo 3


Escrita por: e Safira_GOLD


Notas do Autor


Boa leitura uwu

Capítulo 3 - Protetora


Todos os soldados candidatos alinharam-se para ouvir o discurso do chefe da guarda, eu sabia que ele não facilitaria para mim, já que graças ao meu diário o seu único filho foi preso e teve os poderes retirados para sempre. Durante a manhã foram apenas testes teóricos, e sobre disciplina, passei em todos sem dificuldade alguma. 

  Felipe assistia a todos os testes sem exceção, sempre cochichando com seu assistente, ele não era velho, mas estava se aposentando para seguir carreira artística como poeta; tivemos uma hora de intervalo para o almoço e um descanso, depois começaram os testes físicos de força, resistência, velocidade e reflexos que eliminaram mais dezoito candidatos. — Nada mal baixinha, quero só ver como se sai em combate mano a mano. — Sorri de canto para Degel, enquanto tirava a jaqueta e amarrava as luvas novamente. — Você também não é de todo mal, Grandalhão. — E então chegou o último teste, uma prova de que conseguiria proteger o príncipe sem dificuldade. Consistia em garantir a segurança de Felipe contra uma criatura mágica específica, o primeiro foi um dragão de tamanho médio, o segundo uma quimera, o terceiro foi um exército de assassinos falsos feitos de cristal e para Degel, um Minotauro furioso. — Aeliye! Sua vez. — Entrei com Felipe em uma dimensão de cristais, plataformas gigantes espalhavam-se para todos os lados; na minha vez, era um demônio, porém estava enfurecido demais e ao invés de atacar o elfo, ele mirava os projéteis em mim com toda sua fúria, não era normal e então não tive escolha. — Aeliye! Guardiã da Luz! — O brilho fez a criatura disparar para todos os lados e um desses disparos acertou Felipe e o jogou para fora da plataforma; não pensei duas vezes antes de ir pegá-lo, era um teste, entretanto a dimensão era real e eu não arriscaria perdê-lo de forma alguma, mas minhas asas não acompanhavam a velocidade de sua queda. — “Sua transformação ainda é incompleta, porque não está sendo verdadeira consigo mesma” — Foi a última coisa que Aurora disse no nosso último treino, meus sentimentos pelo elfo idiota estavam florescendo de maneira muito mais sútil, até a visita de Ísis, a princesa de Snow Hill; lembro do ciúme que senti quando ela se aproximava demais dele e então a ficha caiu mais um pouco, ontem ela caiu totalmente no segundo que nossos rostos se aproximaram, já era hora de dizer a verdade, pelo menos pra mim; eu o amava, de verdade. 

Uma poderosa luz me envolveu, transformando o vestido azul em prateado com plumas azul claro brilhante e luvas longas da mesma cor com diversos detalhes, um par de botas até a canela e uma calça azul marinho por baixo, meu rabo de cavalo se soltou e duas tranças pequenas enfeitavam meu cabelo que pareceu mais branco do que o de costume, minhas asas ficaram maiores e começaram a alcançar Felipe, até o ponto que pudesse passar por debaixo dele e o segurar nos braços. — Você costuma cair assim? — Disse com deboche ao colocá-lo de volta em chão firme. — Dessa vez teve um anjo pra me segurar. — Envolvi o demônio com fitas de luz encantada, dissolvendo-o em segundos, o portal de saída se abriu logo após; suspirei o atravessando de volta e vendo o portal se fechar nas nossas costas. — Incrível, eu não sabia que existia alguém no mundo que podia fazer isso. — Sorri e bati minhas asas duas vezes; senti uma vibração no ar segundos depois, me virei para o outro lado e olhei para cima, o mesmo demônio que eu havia derrotado na dimensão de cristal reapareceu no pátio ainda mais enfurecido, envolvi todos com bolhas protetoras e voei até a altura dos olhos da criatura, olhando diretamente em seus olhos, tendo certeza de que ele não fazia parte do teste, foi uma sabotagem. — Saiam todos daqui! Felipe, chame a tia Aurora! — Contive outra explosão com um escudo de energia e pousei no chão, tentando ver através dele e procurando um ponto fraco útil. Ele estava sendo controlado por alguém, não conseguia identificar se era de dentro ou fora do castelo, as duas energias estavam perfeitamente sintonizadas.  

Envolvi o demônio com uma bolha de luz e o levitei para o alto, movendo os braços com um suave movimento de empurrar e puxar que havia aprendido com Aurora, a luz subia com um formato de fitas entrelaçadas e a bolha brilhava junto; consegui completar o feitiço de purificação no último segundo antes da minha energia mágica se esgotar e eu cair de joelhos no chão e depois para o lado, anulando a transformação no mesmo instante. Meus olhos pesaram e eu apaguei, ouvindo duas vozes gritarem o meu nome. 

Visão de Felipe... 

Corri em direção a garota caída, junto da minha irmã Sophia, Aurora e a mãe de Aeliye que tinha acordado durante a tarde. — Eu não sabia que ela conseguia fazer feitiços de nível tão alto! — Aurora escorregou pelo chão e se ajoelhou ao lado de Lily, que suspirava pesadamente, enquanto segurava o abdômen, onde tinha uma espécie de corte que apesar de não ser profundo o suficiente para matar, parecia contaminado com magia negra. — Corrupção demoníaca, não é difícil de resolver, mas é dolorido. — Anna e sua gêmea concentraram magia de luz no ferimento, removendo a corrupção rapidamente, quando finalizado a albina se sentou de supetão, colocando a mão onde estava machucado momentos atrás e soltando um estranho ruído de dor. — Sendo sincera, isso machucou mais o meu ego do que meu corpo. — A ajudei a se levantar, observando Frederick se aproximar furioso. — Você não serve para protetora! Nos colocou em perigo não destruindo o demônio por completo da primeira vez! — A garota suspirou pesadamente e encarou o líder da guarda com olhos sérios, olhando no fundo de sua alma. — E você colocou todo mundo em risco quando usou um contrato demoníaco para tentar me matar no teste e depois dele! — Ele arregalou os olhos com um misto de surpresa e fúria. — Quando o purifiquei, senti a linha se dissolvendo e ela me levou até você! Acho bom ter uma ótima explicação! — Ele ficou vermelho de raiva e tentou disparar em nós com seus feixes elétricos, atingindo Aeliye de raspão. — Pare! — Anna e Aurora bloquearam outra rajada de raios com um escudo perfeito, refletindo o ataque de volta para o seu dono que pareceu nem sentir os efeitos. 

Meu pai chegou minutos depois, acabando com a confusão de uma vez e prendendo Frederick com raízes espessas. — Já chega, eu vi tudo desde o começo, a partir de hoje o senhor está retirado de seu cargo e não carrega mais o título de Duque. — Com poucas palavras, meu pai simplesmente resolvia o problema de uma vez. 

No dia seguinte, a Hoshiori foi nomeada como minha protetora e recebeu o uniforme da guarda, junto do broche; no início da semana seguinte, estávamos a caminho do porto para a viagem de encontro com os líderes na Fortaleza de Waterfall no reino da água. Lily lia um livro sentada em minha frente na carruagem, meu pai, mãe e Aurora estavam em outra mais a frente, a albina parecia concentrada em sua história e mal falou comigo desde que começamos a trabalhar juntos, eu sugeri que tentasse o teste para ficar mais próxima de mim e não se afastar completamente; inflei as bochechas rabiscando no caderno de desenho, sem surpresa, desenhei o rosto da albina mais uma vez. Suspirei fechando a caderneta, vendo que a garota tinha pego no sono com o punho fechado debaixo do rosto e o cotovelo apoiado da janela da carruagem; cobri-a com a minha jaqueta, iria demorar mais um dia para chegar no nosso destino. 

Visão de Aeliye... 

Abri meus olhos devagar assim que a carruagem parou, a jaqueta do príncipe estava sobre mim e ele também parecia acabar de acordar, estiquei as costas e esfreguei os olhos para me livrar da preguiça. — Me diz que chegamos. — Murmurei o acompanhando pra fora da carruagem. — Não, vamos fazer uma pausa para os cavalos descansarem, e nós também, ninguém merece ficar horas a fio em uma carruagem pequena e fechada. — Ri alongando os braços que estavam um pouco doloridos. Entramos em uma grande mansão com paredes de mármore e telhado de pinheiro, cada um foi para um quarto depois de jantar e eu não fiz diferente; coloquei um calção e uma blusa de alça fina para dormir, deitando na cama e encarando o teto por uns minutos, sem conseguir dormir, ouvindo conversas altas do lado de fora. — QUEM TROUXE ESSE CACHORRO REBELDE! — Ergui uma sobrancelha e pus um par de botas e um casaco, olhando pela janela e vendo Chise latindo para os criados da mansão que tentavam colocar-lhe uma focinheira, pulei no chão e assoviei alto para que a pequena ouvisse, esta que veio pulando alegre em minha direção. — Sua pestinha, eu tinha mandado você ficar no castelo. — Disse coçando atrás das suas orelhas enquanto a esbranquiçada abanava o rabinho de forma adorável. — Esse animal é seu? — Assenti acariciando seu pelo com carinho esperando que se acalmasse. — É meu familiar, eu tinha deixado ela com a minha mãe, não tenho ideia de como me seguiu até aqui. — A pequena rangeu os dentes para as duas mulheres. — Sentimos muito, senhorita.  

Voltei para dentro, bocejando o caminho todo para o quarto, Felipe estava esperando na porta e pareceu rir ao ver a pequena nos meus braços. — Então era isso que estava te incomodando? — Ergui uma sobrancelha, confusa. — Eu estou no quarto do lado, consegui ouvir perfeitamente a sua agitação, pensei em ir dar um “olá”. — Inflei as bochechas, ficando vermelha. — Não precisava, uma hora eu ia pegar no sono. — Ele bagunçou meu cabelo com um sorriso doce nos lábios. — Até amanhã, Lily. — O vi ir para o quarto, demorando alguns segundos para raciocinar e ir para o meu. Adormeci assim que deitei na cama, com a pequena Chise sobre a minha barriga. 

Acordei com a luz do Sol sobre a minha cabeça, o calor intenso dos primeiros dias do verão era terrível; arrumamos nossas coisas rápido depois do café da manhã e voltamos para o nosso caminho em direção ao porto. Brinquei com Chise o dia todo até chegarmos ao nosso destino, Felipe puxou-me pelo braço para dentro do grande e luxuoso navio da família real. — E-ei! Calma! — Ele me levou por um corredor interno até o segundo andar, em duas portas um tanto grandes. — Feche os olhos e não abra até eu falar. — Assenti fazendo o que ele pediu, ouvindo o barulho da porta sendo aberta, meu corpo foi tirado do chão e colocado sobre algo como um sofá; ali fiquei com os olhos fechados por alguns minutos enquanto ouvia o som de coisas sendo levitadas de um lado para o outro. — Pode abrir. — Esfreguei os olhos ao abri-los, era um grande quarto com quadros colocados na parede, cavaletes postos organizadamente no chão, tintas nas prateleiras e duas mesas cheias de papel e lápis em copos. — Eu tive que dar uma organizada, fazem uns dois ou três anos que ninguém usa esse navio e eu meio que proibi os empregados de entrarem nesse cômodo específico. — O moreno se sentou em um banco próximo a um dos cavaletes, tirando a poeira de uma tela com a ponta dos dedos. — Você tem um belo arsenal de pintura, e um talento único. — Disse sorrindo para ele, que retribuiu com um mais brilhante ainda. — Eu só queria poder me dedicar mais, mas eu não posso. — Seu rosto pareceu abatido, me levantei e o abracei por trás, deitando minha cabeça sobre a sua, sentindo suas mãos gentilmente segurarem as minhas. — Sabe que se quiser desabafar sobre isso, eu estou aqui com você. — O príncipe se aconchegou em meus braços, sorrindo docemente, ouvi batidas na porta e tentei sair, sendo segurada novamente, vendo-o pôr o dedo indicador sobre os lábios. — Precisa de algo? — As batidas cessaram. — O barco vai partir em cinco minutos, suas malas já estão no quarto. — O garoto me puxou de forma que eu sentasse em seu colo. — Obrigada, até depois! — Os seus braços me envolveram carinhosamente. — E-ei! — Disse tentando me soltar dele. — Fica mais um pouquinho, por favor. — Desisti completamente e comecei a fazer carinho no seu cabelo, até que a embarcação fez um movimento brusco para a frente, derrubando-nos no chão, com o elfo sobre mim. — Você se machucou? — Neguei apoiando-me em um dos braços para me sentar e esfregando atrás da cabeça com o outro, demorando para notar o quão próximo o seu rosto estava do meu. — É... eu acho que já dá pra gente se afastar um pouquinho... — Murmurei sem pensar, me afastando levemente, sentindo um breve arrepio na espinha junto dos meus batimentos cardíacos acelerados. — E-é, me desculpe... de novo. — Ele ficou rapidamente de pé e esticou a mão para que eu me levantasse, aceitei sua ajuda e tirei a poeira da saia; disse que ia procurar pelo meu quarto, entretanto o garoto insistiu em me acompanhar até lá, fui o caminho todo em silêncio, ainda atordoada pelo o que tinha acontecido momentos atrás. 

Procurei a mala com os tecidos e kit de costura, encolhendo-a e colocando no bolso, voltando para aquela sala de pintura onde o garoto rascunhava nos papéis totalmente concentrado, sentei-me no sofá e fiz a mala voltar ao seu tamanho normal e pequei o vestido de dentro, voltando a trabalhar na saia e suas delicadas camadas de cetim branco brilhante e azul céu, ambos ligeiramente transparentes. — Eu não sei pra quem é essa sua encomenda, mas tenho certeza que ficaria melhor em você. — Ri terminando de prender a última camada da saia curta. — Essa era a intenção, o vestido é pra mim e não pra uma cliente. — Seus olhos pareceram brilhar por um momento, entusiasmado com algo. — Pode me mostrar quando ficar pronto?! — Assenti, começando a bordar a sobressaia com uma linha que imitava ouro branco perfeitamente, desenhando pequenos lírios e colocando pequenos cristais e estrelas prateadas ainda menores. 

A noite chegou relativamente rápido, não fui para o quarto depois do jantar, fiquei deitada no chão, apoiada por uma pilha de cordas e admirando as estrelas; a brisa balançava meu cabelo suavemente, ergui a sobrancelha ao ouvir passos em minha direção. — Pensei que fosse voltar para o estúdio, é vazio demais lá. — Ri do elfo, recuando para o lado, deixando-o se deitar ali. — É bonito aqui, né? — Assenti; Felipe me puxou contra si, de forma que minha cabeça deitasse sobre seu ombro. Bocejamos ao mesmo tempo, rindo baixinho disso. — Acho que é hora de dormir. — Murmurei esfregando os olhos e ficando de pé, olhei o garoto que ainda estava no chão. — Você não vai pra cama? — Ele assentiu se levantando também, colocando a mão sobre a minha cabeça e bagunçando meu cabelo. — Boa noite Lily, até de manhã. — Fiquei encarando o além por alguns segundos enquanto via-o se afastar para dentro. 

Nós demoramos cerca de duas semanas para chegar em Waterfall, quando estávamos para sair do navio, Aurora me puxou de volta junto com Felipe. — Eu não acho que seja uma boa ideia a Aeliye ir lá, aqui costuma-se venerar as guardiãs como uma espécie de divindade e bem... você já deve imaginar. — Suspirei assentindo. — O que tem em mente então? — A albina colocou o dedo indicador abaixo do queixo, pensativa. — Posso te levar como aprendiz, já te ensinei magia de transformação, tenho certeza de que não teremos problemas. — Assenti usando magia para mudar a cor do meu cabelo para castanho claro e o tom de violeta dos meus olhos para rosa claro. — Perfeito, agora podemos ir. — A fortaleza fazia jus ao nome, dentro das muralhas um grande palácio de cristal azul claro ficava sobre uma montanha cheia de cachoeiras ao redor e milhares de casas grandes e medianas eram posicionadas cautelosamente entre os rios, o lugar era pacífico e agradável. — Só de pensar que vou ter que dar de cara com a Isis, já me dá vontade de voltar pro navio. — Felipe reclamou alongando os braços, ri com as mãos para trás. — Poderia ser pior, sabe disso, né? — Mal terminei a frase e senti uma poderosa energia maligna dentro do palácio e em uma sacada, Adam bebia algo em um cálice junto de Silvershield, que olhava para o mar. — Você tem razão, as coisas sempre podem piorar. — Os punhos do príncipe se fecharam, olhando para a mesma direção que eu. — Calma, a magia dele... está mais forte que da última vez, não provoque, se ele atacar por qualquer motivo que seja, não sei se vou conseguir revidar como antes. — Disse com a mão em seu ombro, ele pareceu relaxar um pouco, não muito. — Está bem, mas se ele levantar um dedo contra qualquer um de nós, não respondo por mim. — Segurei seu braço com carinho. — Idem. —  

Fomos bem recepcionados pelo líder de Waterfall, Aurora inventou uma história engraçada que eu era sua aprendiz e estava trabalhando como guarda costas do príncipe, este que se segurava para não rir da mulher desconfortável com toda a bajulação do rei e de seus criados. — É sempre bom revê-la senhora Aurora, vamos entrando, todos os outros líderes já estão no salão principal. — Fiquei mais para trás com o moreno, podendo finalmente rir sem que pudessem nos ouvir. — Isso não se vê todo dia. — Disse baixinho para ele, que assentiu sorrindo. Mal chegamos ao salão que a garota do norte pulou em Felipe, me afastei uns dois passos, respirando fundo para não tirar ela daí a socos. — Isis, por favor, sai daí. — Criei duas paredes de cristal para afastá-la do moreno, a loira me olhou enfurecida, batendo os pés e me encarando de cima... bom... ela era uns oito centímetros mais alta que eu então ela podia. — Quem você pensa que é pra me afastar do meu príncipe? — Ergui uma sobrancelha. — É... a guarda costas dele. — A garota rangeu os dentes pronta pra me estapear, desviei de cada tapa com precisão. — Fica parada, sua formiga! — Ri de sua infantilidade, dando um passo para trás. — Será que pode uma vez agir como a adulta que é? — Disse defendendo sua mão com meu antebraço direito, sem muito esforço, o pai dela veio e puxou sua bochecha como um sermão. — Minha aliança com Verona está em risco por causa das suas besteiras, não rompa isso de uma vez por um motivo tão idiota. — O homem nos fez uma reverência e levou sua filha consigo, passei a mão algumas vezes onde a garota havia acertado. — Onde é que fica a fila pra fazer birra por você? — Disse rindo para o moreno que segurou meu braço, este que estava vermelho arroxeado por baixo da luva. — Ela acabou hoje, queria entrar? — Puxei meu braço de volta. — Talvez, se eu entrasse, você notaria? — Ele sorriu doce. — Com certeza. — Ri com as bochechas vermelhas, ficando novamente posicionada ao seu lado. 

Adam cumprimentou-nos com um ar falso se simpatia, segurei o braço de Felipe atrás de suas costas, como um sutil pedido para que se acalmasse, sua mão segurou a minha com carinho. — Sei que os dois lados não se entendem muito bem, mas a aclamação dos pilares é uma tradição milenar, poderiam abrir uma trégua durante essas duas semanas? — Os dois reis assentiram, e por um milésimo de segundo, o falso rei de Star Fall pareceu me reconhecer de primeira, pois sua expressão mudou rapidamente quando me olhou; sabia que uma transformação tão simples não o enganaria facilmente, esperei a reunião acabar para sair de lá com o príncipe o mais rápido possível. — Ele me reconheceu. — Disse soltando todo o meu peso sobre uma rocha na beira de um rio fora do palácio. — Tem certeza? — Assenti colocando as mãos atrás da cabeça e encarando o chão. — Silvershield também está aqui, se ele também reconhecer vai ser um problema. — O elfo me abraçou por trás e fez um carinho na minha cabeça. — Vai ficar tudo bem, Lily. — Deixei minha cabeça cair sobre seu peito, cerrando os olhos e suspirando pesadamente. Ficamos algumas horas ali, o moreno brincava com as mechas do meu cabelo e me segurava entre suas pernas, olhando fixamente para a água do rio; não demorou a escurecer, nos fazendo voltar para dentro. 

Fui para o quarto logo depois do jantar, o quarto de Felipe era exatamente em frente ao meu, nos despedimos e cada um foi para seu canto dormir. O dia seguinte foi extremamente exaustivo e nada produtivo, entretanto, pude conhecer a filha do Risingshadow, ela tinha os mesmos cabelos platinados e olhos de obsidiana, porém o que mais me intrigava na garota era a sua idade, cerca de dois anos mais velha que eu e para isso ser possível, ela teria de ser filha... de Aurora. Meu cérebro começou a ligar os pontos e eu deixei meu livro cair no chão, acenei para o príncipe elfo que conversava com alguns amigos e indiquei que iria dar uma volta. — Não tem medo de deixar o seu príncipe sozinho? — A filha de Adam perguntou, encarando-me com desdém e superioridade. — Eu sei a quem estou protegendo, diferente de certas pessoas, se me dá licença vossa alteza. — Saí deixando-a para trás, a verdade é, que a energia maligna dessa garota é tão poderosa quanto a do pai, vale a pena ficar de olho. Entrei em uma arena de treino e peguei uma lança de madeira, girando-a no ar com uma certa raiva; a haste foi parada minutos depois e quando fui xingar quem quer tivesse a parado, meu pai adotivo estava lá, sério como sempre. — Quantas vezes vou ter que dizer, não se empunha lança com raiva, vai abrir sua guarda facilmente e pôr sua vida em risco. — Ri debochada enquanto retirava a jaqueta e colocava sobre um banco. — Como se você se preocupasse com isso. — Disse entrando novamente em posição, defendendo cada um dos golpes com precisão e conseguindo desarmá-lo mais facilmente do que esperava. — Não vai ser agora, mas um dia você vai entender a verdade, e quando esse dia chegar, vou querer pelo menos um abraço da minha filha. — Trinquei os dentes vendo-o se afastar, engoli a raiva e me sentei no chão, soltando todo o ar de uma vez.  

Fiz minha aparência voltar ao normal, sentindo uma mão gentil no meu ombro. — Dia difícil? — Aurora se sentou do meu lado, encarando o mar junto comigo. — Adam e Silvershield estão testando os limites da minha paciência, estou quase a ponto de esmurrar a cara dos dois. — A mulher suspirou profundamente. — Adam ficou me provocando a reunião inteira com perguntas idiotas, questionando minhas decisões e fazendo drama como uma criança, pareceu que eu tinha voltado para a Academia Real. — Ergui uma sobrancelha com curiosidade. — Vocês sempre falam da Academia Real, mas ninguém nunca me diz o que é. — A albina olhou para o horizonte com um ar de nostalgia. — Dos dez aos dezoito anos, qualquer nobre ou membro da família real que qualquer país tem o direito de entrar para a Academia Real, é uma escola que ensina de tudo um pouco e compete com outras escolas do tipo em torneios diversos, na nossa adolescência éramos todos uma única turma lá, eu, Anna, Nathaniel, Adam, Silvershield, Liydia, August a mãe e o pai de Isis e a Niyx. — Comecei a balançar as pernas com ainda mais curiosidade. — Anna aprendeu usar a sua magia relativamente cedo e sempre se destacou nas competições, tanto com sua inteligência quanto nas suas habilidades, eu não era muito calculista naquela época, mas era habilidosa com as lâminas, seu pai era um caso curioso, algo que você chamaria de nerd desenhista, costumava desenhar vestidos e conjuntos para a sua mãe que os usava feliz, não demorou muito para começarem a sair depois das aulas. — Seus olhos se encheram de lágrimas e seus lábios comprimiram. — Eu e Adam sempre fomos bons amigos com interesses parecidos, eu me vi apaixonada quando ele me salvou de ser morta por um dragão corrompido, seu sorriso aliviado foi a coisa mais linda pra mim naquele momento. — Com aquelas palavras, entendi de onde vinha todo aquele ódio; seus sentimentos por Adam ainda prevaleciam mesmo depois de tudo, e não era a ele que a albina odiava, era a si mesma por ainda sentir isso.  

Aurora tomou o caminho de volta, porém antes de ir, olhou para o mar mais uma vez. — Umi... — Sussurrou baixo demais, voltei meus olhos para a água e apoiei meu rosto nas grades da sacada, observando Felipe cavalgar alegre no gramado como se estivesse competindo com o garoto que corria ao seu lado em um outro cavalo, pulei em uma plataforma de cristal e desci até lá com o capuz sobre a cabeça escondendo o cabelo branco e dando um passo para o lado quando o moreno passou por mim sobre o equino. — Você viu?! — Assenti dando-lhe espaço para descer. — Soube que a sua guarda pessoal é uma maga talentosa, é uma pena que trabalhe pra você. — O rapaz consideravelmente mais alto que eu, se aproximou demais de mim e Felipe pôs um dos braços sobre o meu ombro e o encarou. — Que pena né, Aeliye você tinha me dito que queria passear na cidade né? Vamos? — Ele me puxou pelo braço até os portões do castelo e me levou de mãos dadas para fora, o que me deixou um pouco sem reação na hora, foi quase como um ataque de ciúme. — O que foi isso cinco minutos atrás? — Falei tirando o capuz, se soltar a sua mão. — O quê? Não foi nada, esquece isso. — Disse com as bochechas vermelhas, olhando para o outro lado, deslizando o polegar pelas costas da minha mão direita. 

Tentei deixar pra lá como ele mesmo disse, mesmo depois de voltar e estar deitada na cama tentando dormir, ainda sentia o calor da sua mão sobre a minha e meu coração acelerava fortemente só de pensar. Demorei para pegar no sono, mas depois de alguns minutos me revirando na cama, finalmente consegui. 

Continua...



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