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História Culpa - Capítulo 1


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Notas do Autor


Esta one-shot simplesinha se passa logo depois do fracasso da missão liderada por Shikamaru na tentativa de trazer Sasuke de volta a Konoha.

Capítulo 1 - Capítulo Único


 

SAKURA

 

“Obrigado.”

 

Sua voz ainda ressoava forte em minha cabeça, como um eco distante que se afasta cada vez mais, cuja voz vem de cada vez mais longe naquela longa estrada para além dos altos portões de Konohagakure. O vento levava aquele cheiro, e a noite fria aquela silhueta com o brasão do clã Uchiha em suas costas. Eu sentia, em meu coração, que o destino nos levaria àquele banco de cimento gélido, àquela área naquele momento que me foi um inferno brusco e intrépido.

Sasuke... eu sentiria sua falta. Eu já sentia. Fui fraca em não conseguir segurá-lo aqui conosco, e jamais me perdoaria por ter falhado. “Não precisa segurar sozinho esse fardo, Uchiha, compartilhe seu fardo comigo!”, exclamei-lhe. E sua resposta foi aquele “obrigado” que doeu mais que qualquer genjutsu ou ataque físico; doeu, pois ele gritava por ajuda e eu não consegui salvá-lo.

Minhas lágrimas começam a cair feito a cachoeira do rio da Floresta da Morte. Eu estava morta por dentro; a ânsia do fracasso, da falha e da amargura me consumiam por dentro, viva, enquanto me sufocava e com razão. Que forças teria eu, quão útil eu seria numa batalha, se nem o Sasuke consegui salvar?

Vi-me com uma kunai na mão, a mesma kunai que Sasuke me entregou naquele mesmo local, naquela mesma noite, antes de partir. Minha mão trêmula fazia a arma refletir a Lua em suas diferentes faces de aço pesado, um aço que eu sentia atravessar meu coração por Sasuke Uchiha. O vento aumentava, mas jamais levaria aquele “obrigado”, e me lembrar daquele episódio novamente me fez sentar vagarosamente no banco de cimento. Segundos depois, lágrimas começam a pingar sobre aquela superfície fria, sobre minha coxa, sobre a kunai. Em pouco mais de alguns minutos, meu short preto encharcado de tristeza, assim como meu vestido que agrupava algumas folhas da árvore sobre minha cabeça, me dava mais incômodo ainda.

Já fazia cinco dias que ele estava lá fora; todos os meus amigos se arriscaram para ir atrás dele, e Naruto, então... Kami, ele foi o que mais sofreu... todos por minha causa.

 

Minha culpa.

 

Minha.

 

Foi quando ouvi um som oriundo das árvores do outro lado da rua. O som seco dos arbustos mexendo balançou meu coração de um modo diverso, e por um limiar de segundo tive a esperança de vê-lo novamente. Sasuke? Teria ele regressado?

Desencantei no ato. Sasuke não era desse tipo e jamais seria. Ele era sério, frio, não sabia brincar. Por um momento, “caiu-me a ficha” que o mundo shinobi não tinha espaço para fraquezas, e com certeza minha paixonite era a maior delas (só não maior que a minha testa! Urgh!). O quê eu via em Sasuke que parecia tão brilhante assim e, naquela noite, não passava de um simples atributo que o afastava cada vez mais do meu coração? Por que eu tinha uma queda por ele? O que o fazia ser tão atraente aos meus olhos? Despedaçar-me em mil pedaços?

“Sou uma idiota”, falei comigo mesma. “Idiota!”, bradei em um sussurro alto batendo em minha própria testa. E sem forças mais, como todas as noites, deixava a kunai ali, sobre o banco, como uma confidente que sabia de todos os meus segredos e mágoas. Naquele momento, não só a falta de Sasuke me machucava, mas principalmente saber que meus amigos quase morreram por minha causa, por Sasuke. Por mim.

 

Não.

 

Eu não deixaria isso acontecer.

 

Não mais.

 

Eu sou a culpada de tudo, de cada ferimento que eles passaram. E eu não mais seria a monstra, a sombra que aprisiona seus corações por um motivo que, agora eu via, era egoísta ao extremo.

Olhei para a kunai como se esperasse um conselho. “Se vai fazer o que acha que vai fazer, espero que não se importe de eu te impedir”, uma voz familiar ecoou ao meu redor. Ele-? Como ele-? Ele estava lá esse tempo todo, observando-me naquele agasalho preto e calças escuras grossas e sandálias shinobi?

 

 

SHIKAMARU

 

“Você não conseguiu.”

 

Era a quarta noite sem conseguir dormir. O fantasma do fracasso ainda assombrava aquela missão. Eu era o único que não precisara ser internado, graças a Temari, que chegou bem a tempo de me salvar a monstra ruiva lá. Pensava em Shino, Neji, Chouji e Rock Lee... e principalmente em Naruto. Todos no hospital de Konoha por eu não ter conseguido liderar a missão. Tudo bem, a força do inimigo em sua totalidade nos era desconhecida, mas... a que custo foi aquele esforço para, no final, o Sasuke ter ido embora do mesmo jeito?

Problemático.

Nas últimas noites, a única coisa que me acalma a mente e distrai o suficiente é uma caminhada por Konoha. Pus meu casaco preto e ajeitei minhas calças grossas, por causa do frio; a sandália azul fechada e pronto: em minutos, já me lançava a mais uma caminhada, dessa vez por perto do portão da vila. Era um lugar mais afastado de casa, e aquele bairro eu já conhecia bem. Segui até a rua principal, caminhando vagarosamente enquanto sentia as sombras do fracasso sobre mim. Era uma ironia muito bem planejada; “seu time quase morreu, acha mesmo que você merecia virar um chunnin?” Eu sabia que Temari não havia me dito aquelas palavras, mas foi o que senti com seu olhar quando me viu no hospital, conversando com a Hokage. Entretanto, qualquer voz que vinha à cabeça me leria a mesma frase que meu ego montou.

Quando passo por trás do bosque, ouço um pequeno soluço. Baixo, tão baixo quanto inaudível, feito uma sombra oculta na noite de Lua Nova. Por entre as árvores, então, eu a avistei: Sakura Haruno chorava com uma kunai em sua mão, a mesma que ela dizia ter sido o Sasuke que lhe entregara na noite em que fora embora.

No mesmo instante, uma pequena lágrima de decepção comigo mesmo desceu pelo meu rosto: não consegui ajudar uma companheira, uma amiga. Eu não podia ser um shinobi, não mesmo: não com um fracasso daqueles pairando sobre mim, sobre meus amigos, sobre a vila... sobre Sakura, que agora encarava a kunai com os olhos marejados e o rosto avermelhado. Enquanto caminhava por entre as árvores e batia nos arbustos secos, eu me perguntava inutilmente por quanto tempo ela já estaria ali, enquanto meu coração amolecia cada vez mais e me instigava a ir falar com ela, a lhe dar um consolo: não fora culpa dela, não fora ela quem coordenara a missão. Não. Não a deixaria pensar aquilo.

“Se vai fazer o que acho que vai fazer, espero que não se importe de eu te impedir”, disse-lhe com uma leve pressão do Jutsu Possessão das Sombras, meio que contrariando o que eu havia acabado de dizer. Suas esmeraldas pálidas me olharam por um único segundo, e Sakura virou o rosto para o outro lado logo em seguida. Não queria que eu a visse chorar. Fiquei ali por alguns segundos, sem saber o que fazer, mas eu precisava dizer a ela; não fora culpa dela.

Sentei-me no banco junto de Sakura e a toquei no ombro delicadamente, ao que seus soluços lhe deram uma trégua para que se virasse. Éramos iluminados pelas luze dos postes, que Tsunade mandara instalar no dia anterior. Ali, pude ver melhor o contorno do rosto da rival da Ino. “Não foi sua culpa”, disse-lhe com um singelo sorriso no rosto. Por trás do meu semblante acalentador, sabia ela haver uma culpa imensa. A verdadeira culpa, e sabia ela que aquilo me consumia. Decifrou-me num piscar de olhos.

“Shikamaru... a culpa foi minha. Se eu não tivesse ficado chorando feito uma bobona aqui, eu-...!”, começou a soluçar e a esconder o rosto entre as pernas. Normalmente eu a elogiaria, mas não havia clima nenhum ali; queria distraí-la, fazê-la parar de pensar nisso e deixar-me como o único responsável, mas não estava conseguindo. “Sakura, quem coordenou a missão fui eu; o responsável por tudo, fui eu. Se alguém tivesse morrido... o culpado seria eu”. Olhei sério quando seus olhos se voltaram para os meus. “Não se culpe por algo que você não podia controlar. Você não teve culpa de o Sasuke ter ido embora.” Aquilo lhe fez engolir o feição triste dos lábios chorosos e a me olhar sem reação. Algumas lágrimas ainda desciam por seu rosto. “Você... não tem que se sentir assim.”

Só então percebi que estávamos de mãos dadas, e naquele momento percebi que um consolava o outro. Ela ficou em silêncio por alguns segundos, já esperava algum dos socos que ela dava em Naruto, mas...

 

“... nem você, Shikamaru.”

 

Quando dei por mim, nossos rostos já estavam próximos o suficiente. Senti sua respiração, e ela a minha. Nossos lábios se tocaram, e um arrepio que nos percorreu e paramos por alguns instantes. Os olhos fechados, um esperando o outro. Entretanto, o vento acabou nos dando um incentivo, e dessa vez colamos nossos lábios um nos do outro. Levantamos novamente nossas pálpebras, e estávamos ambos sem reação, sem entender o que estava acontecendo ou o que eram aqueles batimentos acelerados no peito de cada um. Minha mão direita passava pela cintura dela e a puxava levemente, quase sem força alguma, mas ela veio por vontade própria.

Olhávamos um para o outro, ainda sem entender, mas logo passei minha outra mão em seu rosto, tirando-lhe uma mecha do belo cabelo rosa de sua face. Mais um beijo, queríamos mais e mais enquanto nossas línguas dançavam na melodia que a brisa da noite nos trazia. Senti sua mão em minha bochecha e depois em minha nuca, acariciando-me, e lhe fiz o mesmo. Continuamos nossos beijos inusitados, se nos vissem seria um choque. O que diríamos? O que faríamos? Eu não sei. Tudo o que sabia e me importava naquele momento era aquele palpitar de adrenalina gostoso que percorria minhas veias e parecia fazer isso com Sakura, também. Mais um beijo, dessa vez com mais carícias.

Passamos a noite toda ali, aos beijos sob a Lua Cheia, esquecendo de nossos problemas por um único, singular, mas especial momento, enquanto dizíamos, um para o outro...

 

“Não foi sua culpa.”

 



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