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História Culpa - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Amor


 

 

O amor é algo incrível de se viver. Ele te recheia de um jeito único. Tu ri desse sentimento como se fosse uma criança brincando. Tu corre atrás de tudo para ele dar certo. O amor na cabeça de todos é certo, mas quem o torna errado, são as pessoas que convivemos. As desilusões e mentiras. O amor é lindo, tu sabe disso. Tem medo de sentir, viver e ver. Porque teve péssimos exemplos; mas sempre lembre-se; eles não são você. Tu nunca vai ser que nem teu amigo que foi traído ou o teu pai com a tua mãe. Nunca será. Porque você é você. Apenas quando vemos as pessoas em situações realmente ridículas é que nos damos conta do quanto as amamos.

 

O amor é o amor. 

 

Amar é inimaginável. 

 

É ficar dez horas seguidas pensando na pessoa. 

 

É ficar dez horas seguidas falando com a pessoa. 

 

É sonhar com essa pessoa. 

 

É deixar um sorriso de canto aparecer quando lembrar dela. 

 

Da voz. 

 

Do sorriso. 

 

De tudo. 


 


Mas dói quando acaba. Dói quando se é machucado sem nem perceber. Era assim que Thiago se sentia com Marcelo. Ele se sentia traído. Seu coração estava quebrado. Tudo que ele sempre quis; era ficar com Marcelo. Namorar, casar, ter filhos; se amar. Mas então, Marcelo matou seu pai. E desde então, seu único motivo de ainda estar vivo é matar Marcelo. Ele sabe que isso não irá trazer seu pai de volta, mas isso também compensaria o abandono que seu melhor amigo lhe fez. 

Thiago estava na laje do topo do morro; encarando sua comunidade. Todos ali ainda queria vingança por seu pai. Ele também, mas sabia que fazer isto há anos atrás não seria o certo. Ainda mais com Marcelo sendo tão famoso. Ele arquitetou o plano certo para isso e tudo começava no banco onde o que ele sabia que Marcelo escondia algo. Mas ninguém sabia o que era. Apenas Marcelo e seu tio tinham conhecimento daquele pendrive. 

 

Só que Thiago tinha se fechado para o mundo do amor. 


 

19 anos atrás 

Rio de Janeiro — Um dia antes da morte do chefe do morro. 


 

Thiago levantou da cama triste com sua última briga com Marcelo. Ele não queria dizer nada, mas não aguentava mais o ver com outras garotas. Ele queria ser a pessoa que Marcelo iria beijar e dizer que ama. Seus pais perceberam sua tristeza ao se sentar na mesa. Sua mãe estava lavando a louça e seu pai a secando. 

 

P.S/ Que foi, filhão? — Ele deu de ombros sem saber. — Tá triste por causa de guria, né? — O menino deu uma risada baixa e negou. — Eu sabia! Fiquei sabendo que teve uma crise de ciúmes com a nova namoradinha do Marcelo. Tem que gostar de outras gurias, filho, não as dos teus amigos. — Thiago riu daquilo. Como de costume, seu pai entendeu errado. 

T.S/ Tem como amar alguém sem se machucar? — Seus pais o encararam em silêncio. 

P.S/ Não existe investimento seguro. Amar é ser vulnerável. Ame qualquer coisa e seu coração certamente será partido. — Disse secando o copo, mas Ana não gostou da resposta. 

A.S/ Se você quiser não se machucar, não o dê a ninguém, nem mesmo a um animal. Mantenha-o cercado apenas por passatempos e pequenos luxos; evita todo o tipo de draminha; tranque-o cuidadosamente no túmulo do seu egoísmo.  — Seu pai o encarou com os olhos minimamente arregalados, deu uma risada e deu um selinho na esposa. 

P.S/ Mas nesse túmulo – seguro, sombrio, imóvel, abafado – seu coração vai mudar. Ele não vai ser partido; vai ser inquebrável, impenetrável. O único lugar além do Paraíso onde você pode se manter longe dos perigos e das perturbações do amor é o Inferno. Tá afim de ir pra lá filhão? — Deu uma risada e Thiago negou respirando fundo. — Filho, amar é amar. Não fica com medo não. Só vai. — Fez um carinho em sua cabeça e saiu. 

A.S/ Não vai nas noias do teu pai, hein. Ele sempre foi um romântico ambulante. — DIsse ao servir algo para ele beber. — E tu não, mãe? — Ela o encarou com um sorriso pequeno. — Não, eu acredito no amor do teu pai, no meu por ti e vice-versa. Não gosto de draminha em cima de tudo. Amor é amor. Então nessa questão teu pai tá certo! — Deu uma risada irônica. — Amar é amar. Te declara logo pra essa menina meu filho. — Ele assentiu e tomou coragem para se declarar a Marcelo. Saiu da casa pensando em cada coisa que podiam fazer juntos. Comprou algumas cervejas e bombril para acender depois. Os dois amavam fazer isso. Se queimavam tudo, mas estava valendo. Os dois passaram a tarde toda zuando com a garotada ao jogar futebol, beber, cantar e rir muito. Até que a noite caiu. Ninguém na casa de Thiago. Melhor oportunidade para se declarar. Entraram lá e Thiago entrelaçou suas mãos a de Marcelo. Se sentaram na laje e encaram a noite calma; sem tiros; só a lua redonda no céu. 

M.V/ O que tanto quer me dizer? — Indagou ao se ajeitar no chão. — Ãhn? Não sei do que tá falando. — Thiago se aproximou quase colando seus rostos. — Thiago? Não te faz. — Saiu em um suspiro. Ele se distanciou e o encarou com um sorriso pequeno. 

T.S/ Eu te amo. — Marcelo tinha um sorriso convencido no rosto. — E eu sinto que hoje é a nossa última noite juntos. — Vieira fez uma careta boba e levou sua mão até a perna de Thiago. Colocou a mão lá dentro rindo da ação. — Eu tô completamente bêbado e essa mão na minha calça me faz perder um pouco do medo que eu tô de me declarar pra ti. — Marcelo lhe deu um leve selinho. — Lágrimas desciam pelos rostos dos dois. — Eu vou prometer uma coisa. Essa vai ser a melhor noite das nossas vidas. Me dá só essa noite e depois pode até parar de falar comigo, mas só dessa vez. — Eu não vou sair do teu lado, Thiago. — Eles se abraçaram felizes de terem dito o que sempre carregavam. — Eu também te amo. — Marcelo disse ao encostarem suas testas e se encarem com um olhar todo bobo. Se beijaram de modo profundo e sabiam que com aquele ato, esqueceriam de todos os erros que antes tinham cometido. Fosse antes mentirem sobre seus sentimentos ou fingir gostar de outros para se superarem. 

Foram para dentro e tiveram sua primeira noite juntos. As mechas de Marcelo emaranhadas nas de Thiago e risadas ecoavam pela casa toda. Se o chefe descobrisse; morte na certa. E não por serem homens, mas sim primos. Ninguém entenderia esse amor. Era errado. 

 

Mas uma coisa os dois puderam concordar. Foi a melhor despedida para eles, a melhor noite da vida dos dois. 

 

E foi por isso que doeu tanto correr aquele dia para Marcelo. Suas lágrimas descendo com o vento frio da Rocinha batendo em seu rosto. Ele estava envergonhado de deixar a pessoa que tanto esperou dizer que amava. Foi um abandono mútuo. 

 

Era o que eles achavam. O amor que tinham um pelo outro nunca se perdeu. Para Marcelo se tornou fraternal, mas para Thiago; ainda era seu primeiro e único amor. Mas ele não poderia dizer isso em voz alta. Ninguém entenderia. A única pessoa que temia esse sentimento era a mãe de Thiago, Ana. Ela sabia que isso poderia atrapalhar o plano que passaram anos planejando. E se fosse preciso; ela mataria o próprio filho para cumprir sua promessa. 

 

(...)

 

Turim;
 

Marcelo levantou em um pulo da cama quando viu aquela mensagem. Cristiano se assustou e perguntou se estava tudo bem e se tinha a ver com os bebês. Marcelo negou e se levantou rapidamente e ligou para o banco. Eles disseram que não podiam mais manter as coisas dele lá. Eles não tinham nada contra a questão do profissionalismo, mas boatos os induziram a temer o conteúdo daquele simples pendrive. Marcelo apenas concordou e disse que iria lá em três dias. Mas como diria isso para Cristiano? 

 

C.R/ Que foi? Alguma coisa aconteceu com a tua irmã ou os meninos? — O camisa doze negou ao se sentar na cama. O encarou com um sorriso calmo nos lábios. 

M.V/ Se eu tivesse feito algo que parece ser muito sério, tu ficaria do meu lado? — Cristiano assentiu calmamente e puxou Marcelo para seus braços. — E se eu tivesse um segredo que envolve a minha saída rápida do Rio? — Cristiano estava começando a ficar preocupado. — Eu… — Antes que pudesse terminar seu celular tocou. As mãos de Marcelo tremeram um pouco ao ver a denominação "desconhecido". Cristiano pegou o celular e atendeu. 

C.R/ Quem é? — A voz da linha deu uma risada falha. — O que tu quer com o Marcelo? — Passa pra ele. Ou vai ser pior. — Não vou passar porra nenhuma pra ele. Tu já tá falando comigo, fala o que tu quer de uma vez. — A voz de Cristiano era grave. Marcelo estava com a cabeça baixa. Ele reconheceu aquela voz. Ela ficou um pouco mais grossa com o tempo, mas nada se iguala a ela. Era Thiago. — Me dá, Cris. — Ele hesitou, mas passou o celular. 

M.V/ O que tu quer? — Ah, Marcelito. — Disse ao suspirar. — Tu não faz a menor ideia do que eu quero contigo, não? — Usou um tom irônico. — Não. Eu não sei o que tu quer comigo, Thi… — Não completou o nome. — Não quer dizer meu nome pro teu noivinho, né? Tá com medinho? — Não, eu acho que tu ligou errado, senhor. Espero que encontre quem tá procurando. — Vai ser assim? — Sim, adeus. — Desligou o celular e respirou fundo. 

C.R/ Quem era, Marcelo? — Indagou preocupado. — Ninguém. — Respondeu de modo triste. — Como não era ninguém? — Deve ser um fã louco. Acontece sempre. — Marcelo, se alguém conseguiu teu número tem que me avisar e eu… — Tá tudo bem. — Marcelo não percebeu, mas começou a chorar. — O que foi? — O puxou para um abraço e o camisa doze desabou em lágrimas. 

M.V/ Eu tô com medo de acontecer de novo. — Não vai, Marcelo. Não vai. — Eu tô sentindo que sim, e eu tô morrendo por dentro. — Eles vão nascer bem. Tá tudo bem. — Cristiano tentava acalmar Marcelo que apenas negava aquilo. Alguns minutos depois o mais novo caiu no sono depois de chorar muito. 

 

Marcelo estava na sua sexta gestação; todas as outras no terceiro mês; foram abortadas de modo espontâneo. Seu medo é perder essas meninas incríveis que tanto lhe trouxeram paz e segurança. Mas depois de ouvir a voz de Thiago, ele sabia que não teria mais nenhuma calmaria. Cristiano não gostou daquela ligação. Foi atrás disso assim que Marcelo dormiu. Ligou para quem precisava em busca do autor daquela ligação. E então ele conseguiu descobrir. 

 

Ela vinha do Brasil, Rocinha, onde Marcelo tinha crescido. 


 

(...)


 



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