História Cup of Tea - Capítulo 2


Escrita por:

Postado
Categorias Sherlock
Tags John Watson, Julianne Hough, Sherlock Holmes
Visualizações 67
Palavras 4.377
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Festa, Ficção, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Nudez, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa noite, eu estava com uma inspiração para fazer outro capítulo bônus dessa fanfic, mas como ia ser chato criar outra fanfic com a sequência de uma outra (ficaria tendo 3 fanfics separadas para um único universo), eu apaguei a fanfic MINT TEA e postei o oneshot como capítulo aqui. Como deveria ter feito desde o início, mas a burrice tomou conta da minha massa cefálica. ¬¬'
Aí quando terminar o próximo capítulo bônus, posto no mesmo local, para que possam ler em ordem cronológica.
Desculpa o transtorno!
=*

Capítulo 2 - Mint Tea


Fanfic / Fanfiction Cup of Tea - Capítulo 2 - Mint Tea

O vento soprava pela janela, balançando suavemente a cortina branca. Estiquei na cama macia e rolei para o lado. Precisava levantar, mas não queria deixar o moreno sozinho.

“Droga de paixão”, ri com o pensamento e beijei a testa do detetive que ainda dormia. Retirei os lençóis e vesti uma camisa por cima da lingerie.

A cozinha impecável estava agradável com o calor do fogão e das panelas esquentando com nosso café da manhã. A cafeteira apitava indicando que as xícaras estavam completas.

- Acordou cedo demais. – Sherlock surgiu no cômodo, ainda sem camisa.

- Um pouquinho só.

- Minhas roupas ficam melhores em você mesmo... – Brincou, me puxando pela gola da camisa.

- Aprecie a visão, vai durar pouco. – Debochei, me esticando na ponta dos pés, para diminuir a distância e selar seus lábios rapidamente.

Aqueles meses tinham sido espetaculares. Não estávamos tendo algo sério, não que eu soubesse pelo menos. Mas eu estava gostando de passar um tempo com o detetive que me deixava louca. Porque a melhor parte de quando discutíamos era fazer as pazes.

- Eu preciso ir.

- Mas o café está quase pronto.

- Eu não.... – Começou com a sua desculpa tradicional de que não comia enquanto não concluísse o caso em que estava trabalhando.

- Não adianta, você não vai embora sem comer algo. – Insisti, apontado para a cadeira.

Ele ainda parecia um garoto de 12 anos. Teimoso e desobediente. Nos encaramos por alguns segundos e ele franziu o cenho, sentando à mesa.

- Bom menino. – Debochei, servindo-lhe o café.

- Deveria se tornar comediante. – Revirou os olhos, tomando um gole do café, enquanto passava geleia na torrada.

- Não é porque eu sou médica, que você pode ficar doente e me dar ainda mais trabalho. – Conclui, colocando o restante do café-da-manhã sobre a mesa e me sentando na outra ponta – De qualquer forma, John não se importa de esperar um pouco.

- Desde quando estão trocando confidências? – Me encarou sério.

- Seus truques perderam o efeito em mim Holmes, não vai conseguir sair sem tomar o café. E quanto a John, nós nos falamos às vezes.... Mas é sempre sobre você.

- O que falam sobre mim?

- Termine de comer e eu considerarei contar.

- Estamos trabalhando com chantagem agora?

- Com você eu tenho que estar preparada para tudo.

- Me surpreende sempre.... – Murmurou, tentando esconder o sorriso enquanto tomava um gole do café.

- Da próxima vez preparo chá.... É que hoje não dormimos apropriadamente e precisamos trabalhar o dia todo então....

- Eu não disse nada.

- Eu sei que não, mas pensou.

- Pensei? Também é capaz de ler mentes?

- Apenas a sua. – Conclui, terminando minha xícara de café e comendo as torradas.

- É divertido me provocar?

- Bastante. – Sorri, encarando-o – E quanto a John, nós só nos falamos quando eu fico preocupada com um de seus sumiços e quero me certificar de que continua vivo....

- Eu preciso ir, posso? – Quase implorou, desconfortável com o rumo da conversa.

- Agora sim. – Respondi, analisando sua porção de comida que tinha sumido.

- Nos vemos depois?

- Claro.

- Ok. – Concluiu, beijando meu rosto, terminando de se vestir e saindo do meu apartamento.

Limpei a bagunça do café e tomei um banho, precisava voltar para o hospital, antes que me atrasasse ainda mais. Entrei no carro e segui pelo caminho conhecido. Seria mais um dia tranquilo, onde eu deveria me preocupar apenas com os pacientes, que fariam cirurgia pela tarde.

Clima agradável apesar do ar condicionado ligado. Duas cirurgias perfeitas. As coisas estavam como eu havia previsto, calmas.

Segui até minha sala e esperei o meu turno terminar. O meu ramal piscou e o telefone começou a tocar.

- Dra. Hough, cardiologia.

- Dra. Hough, o senhor Holmes pediu que, quando saísse do hospital, o encontrasse na fonte da Trafalgar Square. – Lauren, a recepcionista mais antiga do hospital, passou o recado.

- Obrigada Lauren. – Conclui, desligando.

Era estranho que Sherlock avisasse na recepção para marcar um encontro, ao invés de ligar no meu celular. Talvez algo tivesse acontecido. Talvez fosse apenas alguma paranoia da minha cabeça. De qualquer forma, com meu turno chegando ao fim, eu me troquei e saí do hospital rumo à praça.

Onze horas da noite, pouco movimento nas ruas, estacionei à uma quadra antes e caminhei sob o céu estrelado até a fonte iluminada. “Onde você se meteu?”, pensei conferindo o relógio pela vigésima vez.

Dez minutos e avistei o detetive do outro lado da rua, no lado oposto da praça. Acenei com a mão e decidi caminhar até o seu encontro, ele parecia não ter me visto. Apressei os passos, mas antes que eu pudesse concluir a travessia da rua, dois homens me puxaram para trás, colocando um pano umedecido sobre o meu nariz.

O cheiro forte era característico. Clorofórmio. Minha visão começou a ficar turva e minha mente se distanciou.

- Não. – Ouvi o grito de longe, mas meus olhos já tinham se fechado.

Quando abri os olhos estava em um galpão abandonado, com as mãos amarradas no chão. Minha cabeça doía um pouco, o que indicava ter sido jogada lá sem o menor cuidado ali.

- O que está acontecendo? – Perguntei ao homem mais velho que vinha em minha direção.

- Nada com que deva se preocupar doutora.

- Eu estou amarrada e machucada. Então, acho que devo me preocupar sim.

- Deveria ficar calada, eu não gosto de mulheres que conversam demais. Se tudo der certo, seu namorado vai nos encontrar.

- Namorado?

- Não se faça de desentendida. Sabemos sobre você e Sherlock.

- O que você quer com ele?

- Já disse que é melhor ficar quieta, ou não serei tão cordial. – Gritou, levantando a mão, mas ele não me acertou, apenas respirou fundo e voltou para o sofá desbotado.

Levantei do chão e sentei recostada à parede, de forma a ter uma visão privilegiada de todo o espaço. Eu deveria ser esperta caso tentasse fugir. Não tinha a menor ideia de quanto tempo estive dormindo, passos ecoaram pelo galpão e mais um homem apareceu. Trocaram meia dúzia de palavras e voltaram a me encarar.

- Ela não é de se jogar fora. – Foram as únicas palavras que escutei e temi pelo que viria a acontecer comigo.

- Julianne? – Ouvi o grito do moreno, que vinha do lado de fora do galpão.

“É uma emboscada!”, pensei, mas fui amordaçada e não pude gritar para avisá-lo. Os dois homens seguiram para trás de algumas caixas e esperaram pela sua entrada.

Alguns segundos e Sherlock entrou no galpão. Balancei a cabeça negativamente, tentando avisar que deveria ir embora. Que tentariam mata-lo. Contudo, ele pareceu não entender ou não se importar. Enquanto corria até mim, continuei a balançar a cabeça, tentando retirar o pano que impedia minhas palavras.

- Vai ficar tudo bem agora. Você está segura. – Sussurrou, me abraçando.

Holmes me levantou do chão e antes de tirar a mordaça de meus lábios, desatou a corda de meus pulsos. Assim, que percebi estar livre, puxei o pano para baixo com urgência.

- Emboscada. – Foi a única coisa que falei, antes de ouvir as armas serem destravadas e os dois homens começarem a puxar o gatilho.

Empurrei Sherlock para o lado e após dois tiros acertarem a parede à minha direita, o terceiro passou pela minha cintura, fazendo com que eu recuasse até a parede e deslizasse até o chão. Tiros ecoaram pelo galpão, mas dessa vez era a polícia acertando os dois homens, que caíram mortos ou prontos para morrer. Era difícil saber de longe.

Meu cérebro demorou a voltar ao normal, mas logo que recobrei a consciência encarei o moreno ajoelhado a minha frente, segurando meu rosto entre suas mãos ásperas do violino e chamando meu nome. Passei a mão pela blusa ensanguentada e me certifiquei da gravidade do tiro. O excesso de sangue não fazia jus ao estrago. Apesar da dor, não tinha pegado em qualquer órgão que fosse, muito menos em alguma artéria importante. Eu só precisaria de pontos para fechar o ferimento.

John correu em nossa direção, analisando o sangue em minha roupa, afinal de contas, ele também era médico.

- Por que você fez isto?

- Não é grave.

- Você ficou louca? Poderia ter acontecido o pior. Você poderia ter morrido.

- Eu não me importo. – Conclui, sendo levantada por ele, mas ainda recostada na parede fria.

- Mas deveria.

- Sherlock! – John o repreendeu.

- Não começa Watson. Você sabe que ela não deveria ter se jogado na frente da bala. Poderia ter sido grave, poderia ter morrido.

- Eu sei, mas você também poderia ter morrido. – Retruquei brava.

- Não se importa? Isso foi imprudente e estupido.

- Sherlock já chega! Julianne salvou sua vida....

- Está tudo bem John. Não precisa me defender, obrigada. – Acenei negativamente com a cabeça e sorri para o melhor amigo de Sherlock, em resposta ele nos deixou a sós.

Respirei fundo e ignorei a dor do ferimento. Os olhos claros me fitavam com uma mistura de sentimentos. Ele estava verdadeiramente bravo, mas quando algumas lágrimas involuntárias escorreram pelo meu rosto, fui puxada para um abraço apertado.

- Você pode não se importar tanto comigo, mas eu estou completamente apaixonada por você. Eu não poderia deixar que conseguissem mata-lo, não enquanto eu pudesse fazer algo. – Murmurei, chorando em seus braços – Se for para partir meu coração, faça isso rápido para que eu possa catar meus pedaços e seguir em frente.

- Como pode pensar que não me importo com você?

- Porque é a verdade e antes de falar que o coração não tem relação com sentimentos, foi apenas uma analogia. – Completei, me afastando e limpando o rosto com as costas da mão.

- Eu gosto de você, Dra. Hough, por isso você foi levada por esses babacas. Porque você é o meu calcanhar de Aquiles.

- Você o quê?

- Eu não sou bom com essa coisa de sentimentos, relacionamentos. Eu não sei me expressar.... Eu não tenho muitos amigos, pelo contrário, tenho apenas John, Mary e você.... E eu não me perdoo por vê-la machucada por minha causa. – Sussurrou, me puxando para seus braços novamente – Todos parecem ter uma incrível facilidade em descobrir quando estão apaixonados, mas eu não sei exatamente o que é isso. Apenas sei que faria de tudo para mantê-la longe de perigo.

- Então, fica comigo. Não me importa estar na linha de tiros, desde que possamos ficar juntos....

- Eu vou te machucar, não tem como evitar isso. – Respondeu – Não importa o quanto tente te proteger, eu vou sempre te machucar. É o que acontece com todos ao meu redor....

- Só fica comigo. – Insisti – Independente de estar longe ou não, eu vou me machucar.

Eu estava confusa e desesperada. Minha blusa continuava encharcada de sangue, mas eu tinha consciência de que havia sido apenas um ferimento superficial.

- Eu sinto muito.

- Não foi sua culpa.

- Pelo contrário, é exclusivamente minha culpa. Eles queriam chegar a mim e usaram você, nunca teria acontecido se eu não entrasse em sua vida.

- Você foi a melhor coisa que apareceu no meu caminho. – Murmurei, segurando seu rosto e selando nossos lábios.

Uma tosse forçada, nos fez separarmos. Encaramos o policial junto a Lestrade e após alguns segundos constrangedores Sherlock, me prendeu em seus braços.

- Posso leva-la para o hospital?

- Sim, mas precisaremos fazer algumas perguntas.

- Depois Lestrade. – Ele completou, me puxando pela cintura para fora do galpão.

- Então? – John surgiu analisando nossa situação.

- Hospital, Watson.

- Eu estou bem John, foi só um arranhão. – Expliquei, apontando para o local.

- Vocês são igualmente teimosos.

- Basicamente. – Sorri como resposta.

- Mas você vai checar isso agora. – O detetive insistiu e me colocou dentro do carro de John, no banco de trás, se posicionando na frente junto ao loiro.

- Bem como John pode confirmar, não passou de um arranhão. Certo Watson?

- Sim, mas várias coisas podem acontecer. Na melhor das hipóteses uma infecção devido ao local do ferimento. Uma má cicatrização.

- Desde quando você é hipocondríaco? Não está me ajudando a argumentar com o seu amigo.

- Acredite, essa não é uma discussão que desejo engajar.

- Medroso.... – Murmurei, cruzando os braços com raiva, mas gemendo com a dor do ferimento, que por uma fração de segundos tinha fugido da minha mente.

- Hospital então. – John murmurou rindo e Sherlock apenas encarou a vista pela janela do carro.

Passamos por alguns bosques antes de entrarmos em Londres e seguir para o primeiro hospital que encontramos. Ainda bem que não era o meu local de trabalho ou certamente teria que explicar para diversas pessoas o que havia acontecido, sendo que naquele momento eu só queria tomar um banho e uma xícara de qualquer líquido quente.

Entramos pela emergência e após ouvir o detetive discutir com a enfermeira, que me olhou de lado, eu tomei a frente da conversa.

- Bom dia, Sally. – Comecei empurrando Sherlock para longe e verificando o seu crachá – Sou a Dra. Hough do St Thomas' Hospital, caso queira checar no sistema. Sei que não é comum, mas se puder me indicar o médico, que está de plantão, talvez ele possa me dar alguns pontos considerando que eu fui atingida por um tiro para salvar esse imbecil. – Conclui apontando para Sherlock que me encarava bravo.

- Você não deveria ter cometido um erro desses. – Ela respondeu irônica, enquanto analisava o moreno de cabelos encaracolados.

John apenas ria, mas logo que ela checou meus dados e viu que eu era quem havia dito, pediu que eu seguisse outra enfermeira até a sala onde seria atendida. Os dois homens me seguiram de perto, como dois cães de guarda.

- Eu poderia fazer os pontos em casa com meu kit de primeiros socorros.... Ou até mesmo John, afinal de contas ele trabalhou em campos de guerra, é mais do que capaz de fazer isso de olhos fechados. Além do que, pelo que pude analisar, ele já fez diversas vezes em você. – Conclui brava, a dor começava a me deixar impaciente.

- Pode entrar. – A enfermeira abrir a porta e, assim que entramos, a fechou.

- Raramente atendo companheiros de profissão, receio que seja a primeira Dra. Hough.

- Eu teria evitado a vinda, já que não é grave e o Dr. Watson poderia ter me dado pontos em casa. Mas como pode perceber, fui arrastada até aqui.

- Entendo. – Ele riu simpático – Podemos conferir o estrago?

- Claro. – Respondi, levantando a camisa do lado esquerdo, onde a mancha de sangue se destacava.

- Diagnóstico correto. Não vejo gravidade no ferimento, só vou fazer uma limpeza e fecharei a abertura. Tudo bem?

- Perfeito.

- Se puder tirar a camisa, facilitará bastante. – Retrucou, dando as costas e pegando os instrumentos para realizar o trabalho.

- Ok. – Respondi, desabotoando minha camisa e me virando para os dois que estavam recostados na parede alva, parando nos últimos botões – Se os senhores puderem me dar licença.

- Watson, para fora. – Sherlock complementou.

- Ok, saindo. – O loiro respondeu revirando os olhos, como quem queria dizer que era médico, casado e não tinha interesse na mulher do amigo.

- O que você está esperando? – Retruquei para o detetive, que arqueou a sobrancelha.

- Não tem nada que eu já não tenha visto.

- Pelo amor de Deus, Sherlock, não estamos em casa, controle sua língua. – Continuei com os últimos três botões.

Franzi o cenho ao virar o braço e tentar deslizar a camisa fina para fora do meu corpo. O que doeu mais do que imaginava.

- Não machuca pedir ajuda.... – Ironizou, retirando a peça de meus braços, mantendo contato com o médico, como se marcasse território com relação ao outro homem na sala.

- Podemos começar?

- Por favor. – Respondi, deitando na cama de lado, enquanto o moreno voltava à parede, analisando cada movimento do médico.

- 9 milímetros.

- O quê? – Questionei, tentando focar em algo que não fosse a dor.

- A bala, ainda estava aqui, é de calibre 9 milímetros. – Explicou, retirando a bala com uma pinça e eu fechei os olhos com a dor – Como exatamente uma médica acabou atingida? Assalto?

- Não exatamente, tentativa de homicídio. – Respondi naturalmente, a dor me impedia de raciocinar sobre o quão estranho aquilo soaria, ou, no mínimo, complicado.

- Teve muita sorte então. – Foi a única resposta que recebi – Não teve qualquer estrago que não fosse superficial ou no tecido adiposo.

- Eu conclui a mesma coisa.... Mas não era para mim o tiro, apenas entrei no caminho.... – Expliquei, como se devesse alguma explicação ao profissional, a dor definitivamente me deixava fora de foco.

- Foi idiotice. – Ouvi o murmúrio baixo do moreno e desviei meu olhar até ele.

- Achei que já tínhamos passado dessa fase.

- Creio que ela foi bem corajosa de levar um tiro para salvar alguém.

- Exatamente. – Concordei confiante.

- Não a encoraje mais, ela poderia ter morrido. – Sherlock levantou a voz bravo.

- Podemos discutir isso depois? – Questionei, apertando o tecido da minha calça entre as unhas com a dor da solução que era derramada em minha ferida.

- Talvez fosse melhor dar alguma anestesia?

- Eu estou bem. – Murmurei – É para eu gravar que não devo impedir que te matem. – Debochei brava.

- Eu já dei uma anestesia local. Não deveria sentir dor, já era para surtir efeito, mas não deve demorar muito. – Concluiu e eu pude sentir minha visão ficar levemente turva, quando a droga finalmente se impôs em meu organismo.

Fechei levemente os olhos e a dor sumiu, ainda podia sentir os pontos, mas não como dor, apenas o manuseio da minha pele. Alguns minutos a mais e finalmente havia acabado.

- Nova em folha. – Sussurrou, retirando as luvas e jogando na lixeira ao lado – Mais cuidado da próxima vez, aqui está a receita de alguns analgésicos para os próximos dias.

- Vou recordar disso. – Respondi, sentando na cama, enquanto pedia pela minha camisa, ainda nas mãos de Holmes.

- Eu te ajudo.

- Eu consigo me vestir.

- É o mínimo que posso fazer.

- Ok. – Concordei, pegando em sua mão para descer pela escada de dois degraus, mas me desequilibrando devido ao anestésico – Droga. – Murmurei, me tocando que Sherlock havia me prendido em seus braços, evitando que eu caísse no chão.

- Precisamos fazer aquelas perguntas. – Lestrade entrou no quarto com seu bloco de anotações, acompanhado por John, e Sherlock se virou bravo para os dois.

- Isso são modos? Ainda não estamos prontos....

- Sinto muito, ouvi que tinham terminado o procedimento.

- O procedimento sim, mas Julianne não está devidamente vestida. Precisamos conversar sobre limites Lestrade.... – Sherlock continuou, me mantendo em suas costas e longe do campo de visão dos dois homens, enquanto o médico saía para nos dar mais privacidade – Francamente, deveriam se envergonhar. – Concluiu, se virando e me vestindo em seu casaco pesado e macio, claramente maior que eu, em pelo menos trinta centímetros.

- Você, às vezes, fala engraçado. – Retruquei rindo, quando o moreno terminou de fechar o último botão.

- Ela foi medicada? – John questionou, analisando meu estado ao sentar de volta na cama.

- Eu costumo ficar assim com anestésicos. – Respondi percebendo meu leve estado de euforia.

- Faz sentido. – John compreendeu.

- Podemos ir as perguntas? – Lestrade retornou a conversa.

Não sei por quanto tempo conversei com Lestrade na sala do hospital. Foram perguntas demais para meu cérebro, atualmente drogado, computar.

Quando finalmente terminamos, Sherlock me acompanhou para fora do hospital com John, mas ao invés de irmos com ele em seu carro, entramos em um táxi e eu quase cochilei de exaustão, o que era irônico já que eu tinha dormido a noite toda, ainda que fosse efeito do clorofórmio.

- O taxi estacionou na entrada e eu quase me arrastei para fora.

- Pode ficar com o troco. – Sherlock falou para o motorista, antes de me acompanhar até a porta – Eu abro....

- Como pretende fazer isso? – Questionei, me virando para encará-lo, percebendo minha bolsa em suas mãos, juntamente com minha camisa suja – Como achou minha bolsa?

- Lestrade me entregou do meio das evidências.

- Entendo. – Murmurei, saindo de seu caminho e o seguindo para dentro do apartamento, que logo foi trancado por dentro.

- Você deve tomar um banho. – Falou e eu concordei apenas com um aceno de cabeça – Precisa de alguma ajuda? – Questionou, entregando-me um copo de água, como se percebesse minha sede antes mesmo de mim.

- Não.... Acho que consigo manejar um banho. – Respondi, tomando o conteúdo do copo com urgência, aos poucos fui me acalmando e minhas mãos deixaram de tremer, demonstrando o efeito do anestésico reduzir, assim como a dor começava a se impor.

- Quer mais? – Perguntou, pegando o copo de minhas mãos e retornando até a cozinha.

- Não, estou satisfeita.

- Prefere que... – Antes de completar a frase, as palavras pularam da minha boca.

- Sabe, você ainda não me respondeu.

- Qual foi a pergunta? – Questionou, voltando ao meu encontro.

- Se vai me deixar ou não. Não recordo de ter recebido uma resposta.

- Eu, sinceramente, não quero que corra perigo....

- Já ouvi isso.... – Pensei alto demais, o que o atrapalhou, direcionando seu olhar bravo para mim.

- O que você não ouviu é que eu também não quero vê-la com outro homem. Não gostei de como aquele médico olhou para o seu corpo enquanto realizava os pontos. Talvez fosse melhor que viéssemos até aqui para John realizar o procedimento.

- Quer dizer que ficou com ciúmes? O grande Sherlock Holmes com ciúmes de mim?

- Não seja ridícula, apenas não gostei de vê-la cobiçada por um homem que não fosse eu. – Explicou e eu tive vontade de rir.

- E o que é ciúmes Holmes?

- O que eu quis dizer é que....

- Teve ciúmes de mim. – O interrompi propositalmente e ele rolou os olhos, pondo o dedo em minha boca, impedindo que qualquer coisa saísse dela.

- O que eu quis dizer é que eu posso estar, devo estar.... Bom, eu estou apaixonado por você. – Completou, beijando meu rosto delicadamente – Ainda que eu não demonstre, ainda que eu minta para todos, para você e para mim.

- Eu acredito em você.... – Murmurei, fechando os olhos ao sentir a brisa quente de sua respiração contra meu rosto.

- E isso quer dizer que eu não quero, não posso e, definitivamente, não vou te deixar. – Concluiu, pressionando os lábios contra os meus, de forma tão suave que parecia ter medo que eu pudesse me quebrar – Então, eu não sei o que fazer agora....

- Acho que terei dificuldade de tomar um banho decentemente, talvez possa começar me ajudando com isso. – Sussurrei, puxando-o pela mão para o banheiro onde tive todas as peças de roupa retiradas do meu corpo.

Tentei fazer o mesmo com ele, mas suas mãos me impediram de continuar a desabotoar sua camisa escura.

- Por hora, vamos ficar apenas no banho.

- Mas você deveria tomar também. – Sussurrei, cobrindo o busto com as mãos.

- Eu vou, mas se começar a tirar minhas roupas não vou poder tomar apenas um banho. Vou querer mais e, se isso acontecer, vai ser difícil deixa-la descansar apropriadamente. – Explicou, terminando de desabotoar a camisa e a calça.

Holmes ligou o chuveiro e me colocou embaixo da água quente. Ajoelhando-se à minha frente e cuidadosamente limpando o resto do sangue de meu corpo. Senti minhas pernas tremerem com suas mãos ásperas.

- Respire Dra. Hough, só estou te limpando.

- Eu sei. – Respondi, quase inaudível, enquanto fechava os olhos e recostava na parede.

- Ninguém mais vai te tocar comigo aqui.... – Sussurrou sedutor, deslizando as mãos pela minha cintura enquanto ficava de pé na minha frente, coincidentemente embaixo da água quente.

- Eu estou completamente nua, assim como você. Estamos colados embaixo dessa água.... É meio difícil pensar em qualquer outra coisa que não seja saltar em seus braços.

- Você já está em meus braços. – Murmurou, rodeando minha cintura e colando nossos corpos, antes de me beijar.

Era evidente que ambos queríamos a mesma coisa, mas antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, Holmes desligou o chuveiro.

- Mas, por hora, vamos nos concentrar apenas em te deixar relaxada.... – Concluiu, enrolando-me em uma toalha e fazendo o mesmo com outra.

Quase fui empurrada até o quarto, onde nos vestimos, com peças devidamente limpas. A dor estava característica novamente, mas, antes que eu pudesse reclamar, o detetive me entregou o comprimido com uma xícara de chá de hortelã.

- Obrigada. – Agradeci, engolindo o comprimido com o chá quente – Está ótimo....

- Bom.... – Sorriu confiante.

- Você sabe que eu levei um tiro para salvar sua vida, certo?

- Sim. E eu tenho a leve impressão de que serei lembrado disso com uma certa frequência. – Respondeu e eu ri confiante quando a dor finalmente se dissipou.

- Provavelmente.

- O que você quer que eu faça?

- Primeira prateleira da direita, no armário da cozinha, tem uma jarra de biscoitos de chocolate.

- Ok. – Revirou os olhos e, com uma rapidez enorme, retornou à sala com o meu pedido.

- Perfeito. – Sorri, pegando um biscoito, enquanto dava outro gole no chá.

- Vem. – Sherlock deixou a jarra de biscoitos na mesa de centro, ao alcance de sua mão e se esparramou no sofá macio, puxando-me para seu colo como uma criança.

- O que está fazendo?

- Tentando te deixar mais confortável. – Respondeu, devolvendo minha xícara de chá para que eu pudesse acabar com seu conteúdo, o que eu fiz com rapidez, devolvendo a xícara vazia.

- E agora?

- Agora é só relaxar.... – Murmurou, selando meus lábios uma última vez antes de aconchegar meu rosto na curva de seu pescoço.

Ele era Sherlock Holmes, o que explicava como sabia exatamente o que eu precisava. Seus braços quentes aqueceram meu corpo e seu cheiro foi o necessário para que eu relaxasse e começasse a cochilar.

- Não vá embora, ok? – Silabei, selando meus lábios em seu pescoço como agradecimento.

- Não vou. – Respondeu, prendendo ainda mais os braços em minha cintura, de forma que eu ficasse ainda mais confortável.


Notas Finais


Para quem não sabia que eu tinha feito uma continuação... E aí? O que acharam?
Para quem já tinha lido, sinto muito pelo transtorno.


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