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História Cupid Disaster - Capítulo 6


Escrita por:


Notas do Autor


hello <3
postando mais um capítulo depois de ter altos surtos nesse isolamento
boa leitura

Capítulo 6 - Murphy e suas leis


O sol sumia por entre as nuvens. Sentada em minha prancha, esperei que a onda chegasse perto o suficiente para que eu pudesse ficar de pé. 

Virei a cabeça para trás e vi, ao longe, pessoas correndo rapidamente, a procura de um lugar para se abrigarem da chuva. Algumas gotas finas caiam sobre minha pele e escorregavam para a prancha. 

Olhei para o mar novamente, levantei-me, respirei fundo, e a onda chegou. 

Planando sobre a água salgada, entrei em um tubo azul. Gotículas de água respingavam em mim, era a melhor sensação do mundo. Estar ali, era como estar em um universo paralelo, o mais perfeito de todos. Segundos depois, parte da onda quebrou logo atrás de mim, e eu sorri, sentindo sua refrescância. 

Fitei o céu nublado e pensei em sair da água antes que eu pudesse pegar pneumonia ou que um raio caísse em mim. 

Então, pendi minha cabeça para trás. Com os olhos um pouco cerrados, e um sorriso no rosto, observei a imensidão acinzentada sobre mim, sem crer que havia conseguido entrar em um tubo. 

Hoje era meu dia de sorte. 

 

*****

 

— O que você está fazendo aqui? — perguntei, vendo Yoongi se dirigir ao estoque do restaurante de minha mãe. Eu o segui. 

Ele sequer parou para me olhar para responder: 

— Ajudando sua mãe. Parece que hoje ela tem um encontro com um cara. Pelo menos foi isso que ela me disse. — A porta se fechou atrás de mim e eu tombei a cabeça para o lado encostando minhas costas na parede livre de estantes. — Eu te procurei na sua casa e aqui, mas não te encontrei em lugar nenhum. — Arrumou um pacote que parecia ser de sal.  

— Você me procurando? — Estreitei os olhos, tentando observá-lo melhor sob a luz fraca da única lâmpada do lugar.  

Yoongi balançou os ombros. 

— Por que você parece tão surpresa com isso? — Ele se virou para me encarar. 

— Não sei.  

A luz tremulou quando um forte trovão ressoou fora do restaurante, e eu me assustei, mas fingi que nada tinha acontecido. 

 — Eu diria que você é o tipo de pessoa que espera as outras irem até você. — Coloquei a mão sobre o queixo, tentando decifrar o que o moreno tinha em mente. — A não ser que você esteja querendo algo. Vai, me fala o que é. 

Ele revirou os olhos. 

— Margot, qual é a imagem que você tem de mim? Porque sempre que você fala algo eu saio parecendo um interesseiro. 

Fiz uma careta ao escutar seu argumento.  

— E você não é? — Lembrei-me de que ele sempre ia à minha casa para comer, já que sua mãe nunca o deixava comer besteiras. 

— Olha, eu… — começou, mas, de repente, uma luz forte preencheu o estoque e logo depois um estrondo mais alto que o anterior invadiu nossas audições.  

Fechei os olhos com o susto, mas ao abri-los novamente tudo continuou escuro. A luz deveria ter caído por causa da tempestade. 

— Yoongi — caminhei com as mãos estendidas, tentando encontrar o garoto —, cadê você?  

Outro relâmpago se fez presente, e eu pulei para trás com o susto. Não sou o tipo de pessoa que tem medo do escuro ou da chuva, o problema de tudo isso era o barulho que me pegava de surpresa.  

— Eu tô aqui. — Yoongi tocou meu ombro, o calor de seu toque se espalhou pelo meu corpo. — A luz deve ter acabado — falou, com a voz baixa e um tanto rouca, fazendo-me agarrar sua camisa e o trazer para mais perto.  

Quando o cômodo foi iluminado rapidamente por um raio, eu o flagrei olhando para o meu rosto. Foi um pouco assustador, pois ele parecia o Frankenstein sob a luz azulada da tempestade. Eu teria rido se um estrondo não tivesse vindo logo depois.  

Por favor, que mamãe tenha colocado um para-raios nesse lugar.  

Ele envolveu sua mão na minha e me levou até a porta. O barulho da maçaneta sobrepôs o da chuva, porém parou subitamente. 

— O que foi? — questionei, ao escutar o som de metais se chocando, a preocupação começando a tomar conta de mim. 

— Acho que eu quebrei a maçaneta — respondeu, e sua voz foi embora com a chuva.  

Ajustei minha visão noturna e consegui avistar o objeto metálico em sua mão. Yoongi pegou o celular do bolso, mas, ao tentar ligá-lo, na tela, se formou um desenho de um carregador, estava sem bateria.  

Só podia ser o Murphy aplicando sua lei sobre mim. Desculpa, cara, eu juro que da próxima vez que o Tristan aparecer eu não vou mentir para ele, também não vou mais fingir que estou dormindo quando minha mãe pedir para eu lavar a louça. 

— Como você fez isso? Cara… — Outra trovoada surgiu, e eu dei um leve grito assustada. Mamãe provavelmente saiu tão afoita para o encontro (como eu disse antes: filha de peixe, peixinho é; se a filha está na seca, a mãe também está), que esqueceu que estávamos no restaurante. — Meu Deus, Yoongi, e se a gente ficar preso aqui pra sempre e morrer aqui dentro? — Claro que foi uma pergunta retórica e idiota, mas no calor do momento meus neurônios não estavam funcionando muito bem. 

— Pelo menos tem comida — falou, e eu me perguntei como ele conseguia ficar tão calmo em uma situação dessas. — Você tem uma supercola? 

Fitei-o com os olhos cerrados. 

A tola esperança de que ele conseguisse nos tirar daqui cresceu em meu peito e eu tive vontade de abraçá-lo. O problema era que eu não tinha uma cola, mas, talvez, eu pudesse fazer um pacto com o tio Lucinho para conseguir uma. 

— Não. — Fitei-o com os olhos cerrados. — Por que eu teria uma supercola no bolso? 

— Não sei. — Deu de ombros. — Vai que — respondeu, tão simplista que eu não tive tempo para ficar abalada. A vontade de abraçá-lo se transformou na vontade de chutá-lo. Apertei a ponta do nariz para tentar conter o nervosismo. 

— É isso, nós vamos morrer em um estoque com cheiro de peixe — choraminguei, escorregando até o chão. 

— Pelo menos tem comida — repetiu, assentando-se ao meu lado. Escondi o rosto sobre minhas mãos. — Olha pelo lado bom, você está presa em um lugar fechado comigo. 

— E é exatamente por isso que eu tô desesperada. — Fitei-o com uma careta de desprezo.  

A intensidade da chuva pareceu diminuir, mas, ainda assim, o barulho dos trovões me assustava. 

Yoongi começou a murmurar algo, mas eu não entendi de primeira. Tentei prestar mais atenção e percebi que ele estava... Cantando?  

Quando juntei algumas partes da música, soltei uma risada ao perceber que era I Want It That Way. 

— Isso é Backstreet Boys? — indaguei, mesmo já sabendo a resposta. 

— Tell me why — continuou cantando, fazendo-me rir mais. 

— Se eu soubesse que você daria um show particular, eu teria pedido por Britney Spears ou Spice Girls. — Pude enxergar seus lábios se esticando em um sorriso. O barulho da chuva pareceu baixar, talvez, porque, por alguns segundos, eu tenha a esquecido. 

— Nós dois sabemos que é você quem sabe cantar ...Baby One More Time com maestria. 

Ri, colocando as mãos sobre a bochecha. Lembrar da época em que fazíamos shows para os nossos pais era constrangedor e nostálgico ao mesmo tempo. 

— Não me obrigue a lembrar de você cantando Rap God

Ele riu, dobrando as pernas para apoiar os braços nos joelhos. 

— Você não faria isso. 

Aproximei-me do garoto e dei um sorriso persuasivo, mesmo sabendo que ele não podia me ver com clareza. 

— Eu posso pensar em te poupar dessa tortura se você me conceder um desejo. — Senti Yoongi virando a cabeça em minha direção e pude jurar que ele franziu a testa. — Como sua fã número um, eu quero que você cante Ocean Eyes pra mim. — Foi a primeira canção que surgiu em minha mente. 

O moreno pareceu titubear um pouco antes de suspirar em derrota. 

— Tudo bem, qualquer coisa é melhor do que trazer lembranças traumáticas à tona. 

Quando começou a música, tive vontade de rir, já que Yoongi não era um dos melhores cantores que já tive o prazer de escutar. Porém, à medida que a música passava, percebi que, mesmo que ele cantasse mal, eu gostava de escutar sua voz. 

Fechei os olhos. A música me fazia esquecer da tempestade, dos trovões. Fazia parecer que eu e Yoongi estávamos presos em um mundo só nosso. E isso era bom, eu não podia negar. 

Apoiei a cabeça em seu ombro, sentindo-me ser levada pela melodia calma. Meus lábios e cordas vocais automaticamente começaram a acompanhar a música, até que apenas minha voz sussurrada podia ser ouvida. 

Parei ao perceber que eu era a única pessoa que estava cantando.  

— Por que você…? — iniciei, porém, ao me virar para poder vê-lo, não me dei conta de nossa proximidade.  

Seus olhos brilhavam presos ao meu olhar. Estávamos tão perto que meu nariz quase tocava o seu. O problema era que eu simplesmente não conseguia me mexer, era como se existisse um campo magnético que me atraía ao moreno, como se fôssemos dois imãs. O calor que me subiu o corpo pareceu parar em minha garganta, formando um bolo, e eu pensei que teria uma taquicardia quando Yoongi se aproximou mais alguns milímetros de mim. Minhas pálpebras ficaram tão pesadas que quase fechei meus olhos para poder senti-lo melhor. Para poder sentir Yoongi. 

O que era isso? Por que meu corpo estava assim? Ficar presa em um lugar fechado não estava fazendo bem para minha sanidade. 

Quando meu corpo parecia estar preso a algo tão denso que impossibilitava meus movimentos, encontrei forças (de não sei onde) para desviar meu olhar. Foi o momento em que tudo se quebrou, essa energia que nos puxava um para o outro se rompeu e deu lugar ao constrangimento. 

Engoli em seco, direcionando meu olhar para qualquer lugar do estoque que não fosse Yoongi. Então, encontrei nossa salvação. Uma figura retangular no alto na parede me chamou a atenção. Era… 

— Uma janela. 

 

*****

 

— Dá pra tirar sua mão da minha cara? — Yoongi falou. Eu estava apoiada com um pé em seu joelho, e o outro escorregava pela parede. Tentei fazer o máximo de força que conseguia nos braços, mas foi em vão. 

Suspirei derrotada, descendo da perna do garoto. Não consegui olhar diretamente em seus olhos. Só de lembrar do que havia acontecido alguns minutos antes fazia meu estômago se revirar. Nenhum de nós tocou no assunto. 

— Por que você não tenta? Eu não sou boa em escalar as coisas. 

Yoongi colocou as mãos na cintura, encarando-me sob a escuridão. 

— E você acha que eu sou? — perguntou, e eu dei de ombros. Tem razão, se eu era ruim em parkour, então Yoongi era pior ainda. — Além disso, eu não posso invadir sua casa no meio da noite pra pegar a chave do restaurante. — Tudo bem, esse era um argumento bastante válido.  

Expirei fortemente, aproximando-me do moreno, mas não tanto. Dessa vez procurei garantir que estava a uma distância segura de seu rosto. Ele se preparou para me dar pezinho, ajoelhando-se no chão. Apoiei-me em sua mão e coloquei as mãos no batente da janela. Yoongi realizou um impulso para me ajudar e fiz o que podia com os braços. E consegui. Eu havia atravessado a janela. Porém, como nem tudo eram flores, eu não havia pensado em como faria a aterrisagem. Quando passei para o outro lado, caí com tudo no chão. 

Virei-me de costas sobre o cimento, tentando recuperar o ar. Senti minha perna arder e algo quente escorrer sobre ela. Ah, ótimo, eu havia ralado o joelho. 

— Margot — a voz de Yoongi me chamou —, tudo bem? 

Tentei falar alto, mas tudo o que saiu foi um sim tão baixo que provavelmente ele não conseguiu escutar. Levantei-me com um pouco de dificuldade e comecei a caminhar em direção à minha casa. 

Ok, agora era só pegar as chaves do restaurante e voltar para tirar Yoongi do estoque que tudo ficaria bem. Ele não vai passar mal ou algo do tipo nesse meio tempo que eu estiver fora, certo? Certo. Eu deveria correr? Claro que sim, Margot. Quanto mais rápido você tirar ele de lá, melhor. 

Um arrepio subiu pela minha coluna, e eu tremi de frio e medo. Olhei em volta, tendo consciência da rua deserta e escura. Tentei respirar fundo e apressar o passo. O medo me acompanhou até em casa, junto com a sensação de que eu estava sendo seguida, mesmo que não houvesse ninguém atrás de mim. 

Ao chegar, procurei a chave no lugar em que mamãe geralmente a deixava, no entanto, ao levantar o vaso de planta, não a encontrei. Tirei com irritação uma mecha de cabelo molhado do meu rosto e voltei a procurar a chave. Estava escuro, e, percebendo que eu não conseguia ver muito bem, tive que desistir e absorver que eu não encontraria o objeto metálico. 

Choraminguei pela minha má sorte e toquei a campainha algumas vezes, na esperança de que mamãe tivesse voltado para casa. Mas nada. Caminhei pela extensão da entrada da casa para tentar encontrar algum lugar no qual eu pudesse entrar, porém todas as janelas estavam fechadas. Pensei em voltar para o restaurante e avisar Yoongi, mas tive medo de ter que andar sozinha pela rua escura mais uma vez. 

Analisei a janela novamente. Talvez se eu quebrar o vidro, para abrir a tranca por dentro, eu consiga entrar. Sorri diante da ideia que parecia um tanto plausível. 

Aproximei-me da janela e tentei quebrar a vidraça com o cotovelo, como via os personagens dos filmes de ação fazendo. Entretanto, eu não contava com a minha falta de força. 

Nota mental: começar a fazer academia. 

Quando estava prestes a tentar executar meu plano outra vez, escutei um ruído alto se misturar com o som das gotas de chuva. Virei-me lentamente, pensando que aquele era o momento em que eu seria sequestrada. E, bem, o que eu vi não era muito melhor que o sequestro. 

Era uma madrugada chuvosa, e meu vizinho — um senhor com Alzheimer e posições políticas duvidosas — estava apontando um taco de  baseball para mim. Eu poderia definir essa situação de diversas formas, mas a palavra bizarra era a melhor de todas. 

— Quem é você? — o homem perguntou, sem tirar os olhos de mim. Ele estava com uma capa de chuva amarela, que conseguia piorar ainda mais sua aparência.

— Sou eu, senhor White, Margot, sua vizinha. — Coloquei as mãos para cima e tentei sorrir, mesmo que quisesse chorar. 

Aquele homem poderia ter mais de setenta anos, mas conseguiria assustar qualquer um com a carranca que sua feição exibia.

— Não, não é. Essa é a casa da senhora Smith. 

— Ela se mudou há muito tempo — falei, engolindo em seco. Eu definitivamente não queria morrer agora, muito menos ser assassinada por um senhor neoliberal como ele. 

— John! — uma mulher gritou, correndo em nossa direção, enquanto carregava um guarda-chuva de flores na mão. — Meu Deus, homem, o que você está fazendo? 

A mulher — enfermeira do senhor White — estava ofegante e arquejou ao ver o taco. 

— Para trás, mulher. — Ele nunca se lembrava do nome dela. — É uma ladrazinha. — John franziu os olhos para mim, como se não estivesse conseguindo me ver com clareza. — Os jovens de hoje em dia só querem saber de vadiar — ele cuspiu as palavras. 

 Tive que me segurar para não revirar os olhos. Tudo isso era completamente inoportuno. 

A enfermeira tentou acalmar seu paciente e conseguiu tirar o objeto de suas mãos, fazendo-me suspirar de alívio. Ela proferiu mais algumas palavras calmas ao homem, que a respondeu de forma irritada. 

— Eu sinto muito, Margot — a mulher pediu, olhando-me de cima a baixo. — Você vai ficar doente desse jeito. — Olhou-me preocupada, ao notar minhas roupas molhadas. — Você precisa de alguma coisa? Eu posso ajudar. 

O senhor White praguejou, mas nós duas o ignoramos. 

— Não precisa — neguei, já que aquele homem já havia me assustado o suficiente por hoje. 

— Tem certeza? 

Olhei a mulher pegar o braço de John e enlaçá-lo no seu, enquanto segurava o guarda-chuva com a outra mão. Eu estremeci quando um vento gélido me abraçou sem permissão. 

— Não — falei. — Você poderia me emprestar um telefone? 

— Claro. — A mulher sorriu.

Antes de ir embora, ela me ofereceu uma caneca de chocolate quente, e eu tive que fazer um esforço imenso para negar, afinal, eu não poderia entrar na casa de um homem que havia acabado de me ameaçar com um taco de baseball.  

Soltei um suspiro cansado e me assentei sobre o banco que havia na frente da casa. Encolhi-me e abracei minhas pernas ao sentir um calafrio em minha coluna. Felizmente, a entrada da casa era coberta, o que tornava tudo um pouco melhor. Bem, agora era esperar a mulher voltar com o celular para que eu pudesse ligar para mamãe. 

No entanto, eu não esperava que a memória da enfermeira fosse tão ruim quanto a de John White. E eu contava ainda menos com fato de ter sido levada pelo sono antes que alguém aparecesse. 


Notas Finais


eu revisei esse capítulo na pressa, então me desculpem por qualquer erro


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