História Curandeira de Almas - Capítulo 7


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Categorias Naruto
Personagens Akamaru, Deidara, Fugaku Uchiha, Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hanabi Hyuuga, Hidan, Hinata Hyuuga, Hizashi Hyuuga, Hyuuga Hiashi, Ino Yamanaka, Jiraiya, Juugo, Kakashi Hatake, Karin, Kiba Inuzuka, Kisame Hoshigaki, Konan, Konohamaru, Kurama (Kyuubi), Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, Obito Uchiha (Tobi), Orochimaru, Pain, Sakura Haruno, Sasori, Sasuke Uchiha, Shikamaru Nara, Shino Aburame, Shion, Temari, TenTen Mitsashi, Toneri Otsutsuki, Yahiko, Zetsu
Tags Harem, Hentai, Naruto, Romance, Shoujo, Violêcia, Visual Novel
Visualizações 169
Palavras 7.524
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Harem, Hentai, Luta, Magia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Mutilação, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Yoo Minna!! ^^ Saudadesss de vcs!! 😢😢
Duas semanas depois de mandar aquela mensagem fiquei de férias e um dia depois de ganhar minha carta de alforria (as férias) meus pais anunciam que não teríamos internet por um tempo, é mole?! 😣😤
Felizmente não sou a única viciada por aqui e minha mãe meio que arranjou uma via provisória, que infelizmente não é tão boa, mas da pro gasto😅

Boa leitura ^^

Capítulo 7 - Capítulo 7


Minha vida parecia incorrer como o jarro em minhas mãos. Meu coração identificava-se com os estilhaços de vidro que se espalhavam pelo chão. E o líquido vermelho dispersado se assemelhava ao sangue de meu povo derramado.

Desviei meu olhar das inebriantes safiras, incapaz de sentir algo que não fosse culpa. Fitava agora o vinho refletir o monstro por inteiro que havia aprisionado em mim. O mesmo mantinha um sorriso escarnecido e amedrontador que só o sentimento de vitória poderia lhe proporcionar. Afinal, ele estava certo e eu errada.

- Limpe isso. - ordenou o rei de imediato, atravessando meus ouvidos com seu tom de desagrado.

- Hai. - respondi mecanicamente, absorta demais para transmitir qualquer tipo de expressão senão a apática.

Ainda sob os olhares atentos dos homens presentes, me abaixei até os estilhaços de vidro. Comecei a recolhê-los rapidamente e sem qualquer atenção ou cuidado os acolhia em minhas mãos, enquanto era também observada meticulosamente pelo reflexo. Aquele maldito monstro estava adorando minha situação e tinha ciência de meu abalo psicológico.

Pedi a devida licença ao rei e comecei a me dirigir de volta ao Castelo e seus horrendos corredores. Estava sem rumo, guiada apenas pela raiva insana que queimava em meu peito de forma dolorosa.

Analisando a situação de forma mais racional e lógica agora conseguia ver detalhes importantes que havia deixado escapar. Fui uma tola facilmente manipulável que precisou ser salva por um akuma repulsivo que não admitia derrotas ou pessoas fracas. Teria de pagar o preço, mas com o sangue de meu povo não seria.

Estava tão inundada em meu próprio inferno que ao menos percebi a repentina presença de Hidan até ter meus braços e atenção exigidos.

- Ei. - chamou minha atenção, fazendo-me só então olha-lo devidamente - O que aconteceu com você?

- Ele estava certo. - disse, fitando sua expressão desentendida - Você também estava.

Minhas palavras desconexas e minha expressão abalada pareceram recear Hidan.

- Vem comigo. - disse cautelosamente, levando-me para uma nova direção desconhecida.

Era certo que o mesmo estava temeroso por mais um surto meu, porém, novamente, o escasso conhecimento sobre mim o fazia errar. Naquele momento nada, nem ninguém importava senão o povo que amava e as medíocres intenções de meu monarca.

Hidan me guiou até um quarto desconhecido, onde me sentou em uma cama. Se estivesse em meu estado normal certamente me negaria a entrar ou sequer deixaria que me tocasse, porém a realidade com a qual me deparei deixou-me sem espaço para outro tipo de sentimento que não fosse a culpa, seguida pela raiva de um ego fatalmente ferido.

O prateado ausentou-se por breves segundos, que aproveitei para deixar minha vista se perder na cor esverdeada de meu vestido, enquanto minha mente vagava pelo remorço de minha fraqueza imperdoável. Quando voltou, seu toque em minhas mãos tensas foi o que me despertou, uma vez que só então me fez perceber que envolvia os pedaços de vidro entre meus dedos e os incentivava a penetrar cada vez mais em minha carne.

Contudo, ainda que a dor fosse fortemente incômoda, o tom carmesim do líquido que escorria atraiu muito mais minha atenção para uma ligeira reflexão.

Aquele era meu sangue, minha dor. Por quê? Por quê eu tinha de pagar e não o homem que desde início viera me manipulando?

- Garota tola. - ouvi Hidan reclamar, enquanto recolhia sem piedade, porém estrito cuidado, os estilhaços de minha mão - O que acha que acontecerá comigo se o rei perder o interesse em você por culpa de ferimentos como esse? Não passará de uma mutilada inválida.

O mesmo depositava os pequenos pedaços de vidro sobre um pedaço de pano ao lado de uma vasilha com água. Á esquerda haviam curativos e remédios úteis que conhecia.

Mesmo ajoelhado a minha frente Hidan conseguia ficar praticamente da minha altura, enquanto estava sentada. Sua concentração, apesar de vez ou outra voltada a reclamações fúteis que ao menos lhes prestava a atenção, era focada em meus machucados de forma detalhista.

Naquele momento, comecei a enxergar aquele homem de uma forma diferente. Ainda que continuasse a possuir o mesmo sentimento de repulsa em relação a sua pessoa, podia enxergar em si a única fagulha de esperança que me restava. Não era como se uma imensa gratidão por seus cuidados me inundasse a ponto de me fazer confiar nele, mas a idéia de que seu desejo de ascensão dependia de mim me fez acreditar que podia tê-lo como um aliado temporário.

- Hidan. - chamei-o, obtendo sua atenção após vê-lo retirar o último pedaço de vidro - Minhas amigas e eu planejamos uma fulga. - confessei.

Sua expressão não mudou. Pelo contrário, o mesmo manteve-se neutro e seus olhos avermelhados revelavam já estar ciente. Me surpreendi com isso e não consegui esconder minha surpresa.

- Você sabia? - indaguei, franzindo o cenho, incomodada.

- Não seriam as primeiras a tentarem. - disse simplesmente, voltando-se aos remédios.

- Como soube? - indaguei, vendo-o depositar gotas de um líquido azul sobre meus ferimentos.

Não pude evitar que uma leve reclamação insurgisse e me fizesse tentar puxar minhas mãos em reflexo. Estas que o prateado manteve bem seguras e não permitiu que movesse como queria.

- Como disse antes, não são as primeiras a tentar. Suas ações pacíficas e aparentemente conformadas foram repentinas demais para quem acabou de ser arrancado de sua terra natal. - explicou, enquanto esfregava o produto sem dó pelas feridas e adicionava outros para maior efeito da cicatrização - Além disso, apesar de estarem bem organizadas, era notável a atenção que davam aos horários da guarda. Especialmente do portão Norte e Sul.

- Era tão previsível assim? - indaguei, sem conseguir esconder a frustração.

- No início não muito. - disse, adquirindo minha atenção por esse detalhe - Se não fosse por suas amigas comentando e olhando de forma nada discreta, talvez não houvesse percebido.

- Talvez? - indaguei, interessada por seu tom prepotente.

O mesmo suspirou, parecendo entediado com a diversidade das minhas perguntas, enquanto voltava sua atenção novamente a mim.

- Você, apesar de não aparentar, possui um espírito indomável. Faz o feitio de que deseja a liberdade e só por esse fato pode-se deduzir que não se conforma com a subordinação. - explicou - Portanto, vê-la agir de forma comportada não traz a segurança necessária que pretendia para ser considerada fora de suspeitas.

- Como pode ter tanta certeza?

- Seu modo impetuoso de agir, falar e até mesmo brigar. - respondeu, assumindo uma expressão séria enquanto continuava a me fitar - Inicialmente pode-se confundir com um desejo interior em querer proteger quem ama, o que me peguei acreditando por um tempo.

Sua percepção era notável, porém não me surpreendia. Admito que receava que sua análise tão bem detalhada pudesse se voltar contra mim algum dia, mas não podia negar que era uma habilidade útil que poderia usar de igual forma a meu favor.

- E o que o levou a refutar a hipótese? - o instiguei a continuar, assumindo a mim mesma que, de certa forma, estava gostando de ser decifrada tão bem.

- No dia em que agrediu Shion, antes de desmaiar, deixou escapar que seu maior querer era ser livre. - disse, parecendo perceber meu interesse sobre seus argumentos.

- E qual a sua conclusão? - indaguei, recebendo um breve silêncio, demarcado apenas pela conexão intensa de nossos olhos.

De alguma forma Hidan e eu estávamos nos conectando naquele momento. Nossos olhares transmitiam o claro interesse que cada um tinha desperto pelo outro. Interesses próprios, esses que se faziam recentes em mim e antigos em Hidan.

- Ainda estou em busca de uma. - respondeu, abrindo seu sorriso prepotente.

O via voltar ao trabalho, onde começou a enfaixar minhas mãos. Aproveitei desses breves minutos para refletir sobre a situação em que me encontrava.

- Você estava certo. - disse, enquanto o mesmo permanecia focado no que fazia - Eu não passo de uma garota tola.

- Devo me espantar por concordarmos pela primeira vez algo em comum? - indagou sarcástico, enfaixando agora minha mão esquerda.

- Nosso intento era começar quando todos fossem embora. Dividimos o plano em pelo menos três partes. - comecei a ditar, ignorando seu sarcasmo - Primeiro, iríamos até a floresta para colher ervas e fazer um sonífero para a guarda nas alas Oeste e Leste.

- Por isso foi à cozinha nas últimas duas semanas? - indagou, voltando a me dar atenção após findar os curativos.

- Precisei ir apenas três vezes para entender como dividiam a comida da guarda. - disse, concentrando-me em um ponto qualquer do quarto ao lembrar de como havia sido gratificante planejar estratégias como aquelas - Levaria pelo menos uma hora para que o remédio desse efeito. Enquanto isso teríamos tempo de sobra para incendiar partes neutras do Castelo.

- Neutras? - indagou, confuso pelo termo que havia classificado uma das área do Castelo.

- Hai. - respondi, abrindo espaço para um sorriso felicitado ao me deixar levar pela lembrança de como conseguimos organizar um plano tão bem elaborado - Classificamos cinco áreas do Castelo em Vermelha, onde os serviçais passavam com maior frequência, Azul, em que o rei e seus aliados mais apareciam, Verde, onde havia maior transição de guardas, Amarela, em que as concumbinas se concentravam de forma majoritária, e neutra, as partes em que o fluxo de pessoas eram menores e a estrutura mais frágil. - expliquei pacientemente, mantendo o mesmo sorriso de antes - Analisamos a direção das correntes de ar que haviam nos espaçamentos do chão, evitando que as chamas se espalhassem para as áreas Verdes e Vermelhas.

- Queria evitar que inocentes se envolvessem? - indagou, emitindo um tom debochado pela preocupação que o plano deixou transparecer.

Meu sorriso diminuiu e minha atenção voltou-se aos seus olhos naturalmente desdenhosos.

- Apesar da possível vantagem de tempo que isso pudesse nos trazer, não é justo que outros paguem o preço por nosso desejo ou mesmo pela má decisão de um governante. - disse, assumindo uma posição séria quanto minha ideologia ao tempo em que o mesmo me observava com interesse - Depois de concluir o incêndio, iríamos nos encontrar no estábulo. - continuei a ditar, agora mantendo-me atenta a sua pessoa a minha frente - Dara, Tsuyu e eu ficamos incumbidas de fazer os funcionários "adormecerem". Usaríamos os cavalos, fugiríamos pelos portões Norte e Sul em dois grupos de cinco e seríamos livres novamente. - concluí, sem me preocupar em deixar explícito meu desânimo.

- Devo admitir, dentre todos os planos que já foram realizados, ganhariam um destaque em minha concepção. - disse, levantando-se por fim e sentando ao meu lado na cama - O único problema é que estão enfrentando a pessoa errada.

Mais uma vez devia concordar com o prateado.

Àquela altura a lembrança de nosso futuro fracasso retornava a minha mente em companhia do bom remorso. Voltava a fitar um ponto qualquer da parede a minha frente, sentindo os pensamentos fluirem por mim de forma natural, me fazendo enfim chegar a uma nova conclusão.

- Você estava certo. - repeti a mesma sentença de minutos atrás - Mas não deixarei que isso volte a acontecer.

- Prove-me isso. - instigou, aproximando-se mais de meu corpo inerte - Desista desse plano, controle suas amigas e deixe-me transformá-la em uma mulher capaz de conseguir manipular qualquer homem.

Suas palavras eram tentadoras. Até minha mente, em certo ponto de nosso diálogo, havia dado a mesma solução que me oferecia e, sem exitar, aceitaria esse caminho. Contudo, após ver meu orgulho esmagado e minha vila ameaçada, nada mais bastava senão a vingança que desejava.

- Eu não posso. - respondi, sentindo uma lágrima solitária desprender-se de um de meus olhos e traçar um caminho indesejável por meu rosto - Pelo menos não ainda.

Levantei-me daquela cama sentindo meu coração destroçar e parte de meu espírito enegrecer. O caminho que estava escolhendo seria sem volta. Estaria caminhando até o precipício que pelo todo de minha vida vinha evitando. Contudo, por eles eu faria qualquer coisa, incluindo desintegrar minha própria alma.

Estava de costas para o mesmo e pronta para atravessar a porta do quarto desconhecido.

- Pensei que fosse mais inteligente. - retrucou Hidan, parecendo achar que prosseguiria com aquele plano suicida.

O mesmo levantou-se após um suspiro pesaroso e começou a arrumar as coisas que usou para me ajudar.

- E sou. - disse, convicta, direcionando-lhe um olhar repleto de significado - Obrigada por seus serviços, Hidan. Só por esta vez estou em débito com você. - disse, vendo em seus olhos certo desentendimento quanto às minhas palavras.

Segui em frente entre os corredores, sentindo uma leve fraqueza a cada paço dado, como se, em paralelo à distância que arrecadava, as incertezas me atingissem. Tinha um novo plano e objetivos em mente, porém as decisões eram dolorosas demais para mim, o que me levavam a exitar. O pensamento mais doloroso de se responder, naquele momento, era se realmente precisava realizar aquele tipo de sacrifício.

- Hina-chan! - fui surpreendida por um abraço apertado de Livi.

Estava tão absorta em meus próprios pensamentos que sequer havia percebido ter voltado ao harém. Minhas amigas pareciam também ter acabado de chegar, uma vez que ainda se aproximavam.

- Como foi? - indagou Mia, referindo-se à refeição em que tive de estar presente com o rei.

Livi já havia me soltado, parecendo esperar pela resposta, assim como todas. Meu estômago se revirou pela verdade que teria de omitir.

- O mesmo de sempre. - menti, abrindo-lhes um sorriso reconfortante - Bebida. Comida. Serviço.

- O que houve com suas mãos? - indagou Dara, aproximando-se de mim com preocupação.

- Foi um acidente. Cortei com vidro. O curativo ficou um pouco exagerado, mas não há nada com o que se preocupar. - expliquei com uma expressão calma, percebendo algumas relaxarem.

- Nada incomum? - indagou Virgínia, recebendo como resposta uma dolorosa cotovelada de Carlie no estômago.

- Vamos conversar em outro lugar. - aconselhou Truice, a mais sensata de nosso grupo.

Sem contestar, todas nós nos dirigimos ao quarto em que as nove dividiam. Cada uma tomou um lugar, compartilhando algum cômodo, enquanto eu optava pelo chão e o recosto do final da cama em que Dara e April dividiam, sem ninguém para me acompanhar.

Assim que se instalaram de forma devida, começaram a conversar sobre o maldito plano. Fingia interesse, lhes direcionava atenção à medida em que tomavam a palavra, mas tão logo começaram e meus pés se tornaram convidativos demais à minha vista cansada e meus pensamentos turbulentos almejantes por mais reflexão.

Minha primeira intenção assim que chegasse ao harém era me trancar em meu quarto e dizer estar me sentindo mal pelo muito que comi, como certas vezes ocorria. Queria evitar aquele sentimento de culpa e percebia que se não me controlasse acabaria contando tudo o que sabia, visto que era demasiadamente frustrante ouvir que toda a esperança depositada naquelas idéias não passavam de mera ilusão.

- Hinata, está quieta demais. - constatou Dara, interrompendo a conversa e redirecionando a atenção a mim.

Não desviei o olhar. Mantive-me na posição ereta, com as mãos dadas, repousadas sobre meu colo, e a atenção voltada sobre meus pés calçados por sapatos caros que, particularmente, nunca me agradaram.

Uma idéia repassou por minha mente, fazendo-me sentir uma pontada de tristeza. Para o início de minha vingança era essencial afastá-las de mim, assim poderia vir a evitar futuros problemas.

- Hinata. - chamou-me Mia, parecendo preocupada ao tentar ganhar minha atenção de modo falho.

- Esse plano é ridículo. - critiquei, abrindo um sorriso debochado - Repleto de falhas e erros.

- Do que está falando? - indagou Kim, confusa.

- Preparamos ele durante um mês. Tivemos tempo para aperfeiçoar. - retrucou April.

- Também não vejo problemas nele. - reforçou Truice.

- E, no entanto, não irá funcionar. - disse, emitindo um tom venenoso que até a mim enraiveceu.

- Qual o seu problema?! - exaltou-se Tsuyu, levantando e vindo em minha direção - Você mesma disse que estava terminado, que conseguiríamos.

- Tsu-chan, acalme-se. - recomendou Livi, parecendo apreensiva com uma briga eminente.

- Eu estava errada. - disse, sentindo o olhar da morena fulminar acima de mim - Aliás, todas nós estávamos.

Meu braço foi bruscamente puxado e meu corpo forçado a se levantar. Tsuyu tentava fitar meus olhos, mas os mantinha fixos no chão.

- O que aconteceu com você, Hinata? Por quê está dizendo essas coisas? - indagou Dara, levantando-se assim como as outras e formando um semi círculo ao meu redor.

De certa forma, me sentia encurralada diante dos nove pares de orbes direcionados a mim. Fechei meus olhos por um breve instante, puxei meu braço do aperto de Tsuyu e voltei minha atenção às garotas com todo desdém que poderia juntar dentro de mim.

- Não suportam a verdade?! Então são fracas. - disse, sentindo meu peito se contorcer ao me obrigar a fitar suas feições atingidas - Não sei onde estava com a cabeça para me aliar a pessoas como vocês. Depois de me prestarem seus serviços pude perceber o quão inúteis são.

- Ficou louca?! O que pensa que está dizendo? - indagou Mia, tomando partido por aquelas que se deixavam levar pelo choque de minha atitude inesperada e repentina.

- Como disse antes, apenas a verdade. - respondi, mantendo um tom controlado, diferente do seu - Aquele plano não funcionará e nem ao menos precisei de um mês para perceber. Ao contrário de vocês, é claro.

- Então por quê nos fez concluir? Por quê não nos disse o que realmente pensava? - indagou Carlie, aumentando seu tom ao tentar controlar o embargo que atingia seu timbre.

- Por pena, é claro. - respondi, levantando meus ombros em simplicidade na companhia de um sorriso desdenhoso - Por um instante até acreditei que pudessem fazer melhor, mas pelo o que vi apenas constatei o que já era premeditado. Nós nunca vamos vol...

Um estalo forte substituiu minha voz, assim como a ardência inesperada em meu rosto travou minha garganta. A mão de Dara permanecia levantada e meu rosto virado, transmutado em uma expressão de desagrado e decepção, comigo mesma, para ser exata.

- O que ele disse a você? - indagou a mesma em um sussurro, audível o bastante para que todas naquele silencioso quarto ouvissem - O que aquele maldito monstro falou a você? - aumentou seu tom de voz por fim, agarrando meus ombros e exigindo minha atenção.

Os olhos claros transmitiam sua raiva por pensar na volta do ser macabro, ao mesmo tempo em que as lágrimas contidas revelavam sua preocupação por mim.

Desde o momento em que lhes prestei uma explicação sobre o machucado em minhas mãos tinha ciência da desconfiança da loira. Certamente havia percebido algo de diferente em mim.

- Ele voltou a falar com você? - indagou Virgínia, demonstrando apreensão e medo por mim ao perceber a quem Dara se referia.

Voltei meu olhar ao grupo de garotas e podia notar a mesma apreensão, acompanhada por raiva e até medo ao notarem a situação. As mesmas claramente sabiam do monstro que detinha em mim e dos anos que manteve-se longe de uma comunicação, portanto, não era de se admirar os sentimentos negativos que as atingiam ao perceber que o pesadelo havia retornado para nos assombrar.

- Não faz diferença. - respondi, assumindo uma expressão séria e posição ereta - Ele abriu meus olhos e é isso o que importa.

- Não pode estar falando sério. - retrucou Kim, incrédula.

- Esqueceu-se do que ele fez com você? Com todos nós? - indagou Carlie, demonstrando ressentimento pelo passado.

- Nada que eu não possa superar. - disse, abrindo um sorriso presunçoso.

Suas perguntas eram previsíveis para mim, por isso afastá-las com a ideologia de que havia me entregue à manipulação de um monstro estava sendo tão fácil. Aquela era uma meia verdade que estavam se apegando, como recentemente havia planejado.

- E o que ele disse? - questionou Dara, fitando-me com suas orbes penetrantes.

A essência de seu questionamento não fora o que me pegou desprevenida, mas o modo como falou e agiu comigo. O aperto em meus ombros se abrandou e seus olhos transmitiam a compreensão que desde a tenra idade meu povo me ofereceu quando mais precisei. Dara sabia que, ainda que maquiavélico, aquele monstro dizia verdades sórdidas e inquestionáveis.

A vontade de lhes dizer a verdade logo voltou a povoar meu peito. As incertezas preencheram minha mente de tal forma que faltava pouco para desistir da omissão dos verdadeiros fatos. Não podia abrir a boca, caso contrário seria impossível continuar com o teatro.

Felizmente, a porta do quarto fora aberta e a figura de Kurenai se fez presente, intervindo em nossa discussão.

- O rei requer sua presença, Hyuuga. - disse, mantendo a típica expressão desagradável.

Quando fiz questão em seguir até a mesma, tive meu braço seguro por Dara.

- Essa conversa ainda não acabou. - deixou claro.

Soltei-me facilmente com um empulxo e voltei-me à morena, já estacionada ao corredor em minha espera.

Caminhamos juntas em silêncio, tendo como único acompanhamento de som o de nossos pés calçados. Ao chegarmos em nosso destino pude perceber que Kurenai havia me designado à mesma sala em que fui apresentada ao rei, após a aposta de um dia anterior. Contudo, não havia ninguém.

- Espere aqui e não saia. - ordenou a morena, retirando-se em seguida.

Suspirei profundamente ao me deparar com a solidão de uma sala preenchida por móveis rústicos. Sentei-me sobre um divã e comecei a refletir se havia feito a escolha certa. Me separar de minhas amigas era doloroso demais e pensava se isso era realmente necessário, se aquela vingança valia mesmo a pena.

A porta do cômodo fora repentinamente aberta, revelando a figura austera do rei. Diferente do que costumei a fazer nos últimos dias, não baixei meu olhar, mas me pus a fitar seu rosto com ímpeto e o queixo levantado em pura demonstração petulância, mas o loiro nem ao menos me direcionou o olhar quando entrou.

O mesmo seguiu até uma bandeja deixada sobre uma pequena mesa ao lado esquerdo do divã em que estava e encheu um cálice com vinho. Bebeu um pouco, enquanto parecia apreciar a paisagem ao longe na janela. Fiquei claramente incômoda com seu silêncio e muito mais ainda por perceber estar sendo facilmente ignorada.

Meu primeiro pensamento era de que me encheria de perguntas e exigiria por respostas, diante do estranho comportamento que tive, mas fui surpreendida. No entanto, disposta a não lhe deixar perceber meu estado de espírito, mantive minha atenção à parede ao lado da porta que havia entrado, mantendo a mesma postura.

- Com quem estava conversando? - indagou-me, enfim rompendo sua quietude.

- Com minhas amigas. - respondi seca, sem lhe direcionar a devida atenção.

- Não me refiro há pouco, mas no almoço. - esclareceu, me fazendo fitá-lo ao instigar minha curiosidade.

O loiro permanecia fixo à janela com a taça em mãos e a expressão imutável. Fora frustrante perceber que nem em uma batalha que consistia em ignorar um ao outro vencia daquele homem.

- Me desculpe, Vossa Majestade, mas não sei a que se refere. - menti, voltando a descansar minha vista em um ponto qualquer.

De soslaio, podia sentir sua atenção sobre mim agora. O mesmo depositou sua taça sobre a bandeja e começou a se aproximar de forma sorrateira.

- Tem certeza? - indagou, emitindo um tom semelhante ao qual usou comigo em seu quarto, dias atrás.

Bastou-me isso para sentir meu peito queimar em raiva de forma repentina. Mais uma vez, após tanto tempo, aquele homem voltava a brincar comigo. Aliás, por todo esse período já o estava fazendo, apenas não enxergava.

Em meio aos devaneios, mantive-me calada, mas atenta o bastante para perceber o momento em que suas ligeiras mãos alcançaram as minhas.

- Hidan daria um ótimo curandeiro. - comentou, analisando o curativo de minha mão esquerda com cautela.

Seu dito havia deixado claro estar ciente sobre meus paços. Todos, aliás.

- Mataria seus pacientes de dor, se possível. - rebati, reclamando minha mão de volta ao perceber seu intento em aproximá-la dos lábios sedosos.

Levantei-me em um movimento rápido e sem sua permissão fui até a janela, fingindo interesse na paisagem. Cruzei os braços, pensando o quão bom era não ter de policiar o livre arbítrio do meu corpo sem uma concessão prévia do loiro.

- Talvez um conselheiro, então? - sussurrou em meu ouvido, supreendendo-me com a rapidez de sua aproximação.

Novamente o via me encurralar ao apoiar-se no batente da janela, fazendo-me questionar que droga estava fazendo. Durante todo aquele tempo havia me segurado e mascarado toda a negatividade que sentia por aquele homem e ao final de tudo conquistei nada mais do que o esmagador fracasso. Não precisava mais agir assim e até mesmo o próprio deixou isso claro ao evidenciar saber tudo o que falei, fiz e realizei, com um mero comentário.

Voltei-me ao loiro, deixando que toda a raiva e fúria fluíssem por meu olhar fulminante, que em contrapartida era correspondido com um meio sorriso satisfeito. Estávamos próximos demais, a ponto de me fazer sentir sua respiração em meu rosto e perceber a disparidade de nossas alturas.

- Me manipulou. - constatei, percebendo o agrado que lhe trazia - Desde que cheguei, você me manipulou.

- Diga-me, Hinata, como chegou a essa conclusão? - indagou, parecendo se divertir com a raiva crescente que exalava.

Ainda que pudesse perceber certo sarcasmo em sua pergunta, não consegui me segurar. Quando menos percebi, já falava sem pausas.

- Quando fui apresentada, contrário ao que pensei que faria, permaneceu desfrutando da companhia feminina que premeditadamente já havia providenciado e me ignorou. Aproveitou-se da tentativa de Hidan me desestabilizar e quis observar minha reação. Queria me testar, ver como reagiria. - expus o que já havia constatado, percebendo um brilho desconhecido preencher seus olhos à medida em que prosseguia - E ainda, ao me perguntar, dias atrás, sobre o assunto que minhas amigas e eu tanto esplanávamos em uma noite e insistir em indagar se lhe dizia a verdade fez parecer que estava me dando a oportunidade de retrogredir em minha decisão, sendo que, sorrateiramente, me instigava a embarcar nessa idéia, uma vez que me levava a pensar que não possuía qualquer conhecimento sobre nosso plano e me dava confiança para continuar.

- Não fiz nada mais que uma pergunta inocente. - defendeu-se, emitindo certo desinteresse contrastante ao brilho que persistia em suas safiras.

- Mentira! - explodi, não suportando mais a proximidade daquele asqueroso homem e sua manipulação.

Espalmei minha mão em seu peito em uma tentativa falha de fazê-lo se afastar, mas nem centímetros havia ganhado de vantagem.

- Acusa seu rei de falsidade?

- Acuso-o de manipulação. Você não passa de um homem vil que se diverte sadicamente com a mente de seus súditos! - exclamei em plenos pulmões, passando de espalmadas a socos sobre seu forte peitoral - Manipulou a mim e minhas amigas! - disse, desferindo-lhe um último soco para então cessar minha atitude infantil - Nos fez acreditar que tínhamos uma chance para depois nos arrancar a esperança e influenciar em ideologias errôneas de que jamais poderemos retornar a nossa terra.

Desviei meu olhar aos nossos pés, sentindo meu orgulho ainda mais ferido diante do papel ridículo ao qual acabei me prestando ao me deixar levar outra vez por meus sentimentos.

- E não podem. - baliu sua constatação, emitindo vitória em seu tom.

Levantei-lhe novamente o olhar e fiz questão de juntar toda a convicção que havia em meu ser para então dizer o que se cravou em minha garganta.

- Nunca será o dono de nossa liberdade.

- Nunca se tratou de liberdade, minha querida. - disse, segurando meu queixo com certa brusquidão ao tentar impedí-lo de aproximar suas mãos sujas - Esse é meu jogo doentio e há muito esperei que percebesse estar inclusa nele.

Seu sorriso ganhou maiores proporções, assim como sua aproximação. Quando encontrou meus lábios, os cerrei, na procura por recusar seu beijo. No entanto, tudo o que me resultou fora a dor de seu aperto em minha mandíbula, forçando-me abrir a boca e tê-la invadida por sua língua experiente.

Tentei empurrar seus ombros largos na esperança de afastá-lo, enquanto tentava me sobrepor ao controle que mantinha no beijo, mas em ambas as situações falhei miseravelmente.

O mesmo rodeava minha cintura possessivamente em um braço, enquanto mantinha minha mandíbula sobre a posse de sua outra mão, impedindo que tentasse me desvencilhar. Sentia meu corpo impreensado contra a parede ao lado da janela em que havia me encurralado e incapacitada de fugir diante do agarre que me mantinha.

Ao findar o beijo, estava ofegante e segurava o pano de sua roupa com fúria em uma tentativa de conter minha vontade em lhe estapear o rosto, adornado em um sorriso presunçoso. O mesmo, no entanto, permanecia inalterado, como sempre. Não revelava qualquer sentimento ou reação diferente quanto ao contato íntimo ao qual me submeteu, somente o típico deboche de minha inexperiência.

- Você não passa de um brinquedo meu. Desde o dia em que pisou nesse Castelo, pertence a mim. Assim como todas as outras. - disse, cuspindo em minha cara uma versão de fatos que não havia enxergado até então - Isso inclui suas amigas também, é claro. - sussurrou-me.

O rei afastou-se por fim de forma natural, seguindo até o divã em que estive, onde sentou e me lançou um olhar vitorioso antes de estalar os dedos em sinal à entrada de dois guardas. Não me mexi do lugar e mesmo com a aproximação dos dois brutamontes me mantive inerte. Estava absorvendo tudo o que me dissera, juntando peças novas às anteriores.

Não era como se não soubesse que éramos subjulgadas pelo mesmo, pois já tinha ciência da manipulação em que nos impunha, mas, diante de seus sinceros argumentos, enfim podia perceber o pano ilusionário recair e me deparar com o verdadeiro teatro de máscaras ao qual estava sendo submetida.

Desde o início nunca apresentamos ameaça alguma, mas apenas peças de diversão descartáveis. Meu povo, minhas amigas e inclusive eu não passávamos de fantoches em meio ao jogo doentio que disse possuir. Por isso em meu sonho éramos mortos e incendiados.

Naquele momento dei-me conta de que minha vingança se fazia vital. Nosso grau de importância para o loiro era baixo demais e, portanto, detentor de um valor substituível. Não poderíamos continuar a ser considerados assim, caso contrário nada o impediria de nos destruir. Eu não podia permitir.

Estava sendo escoltada sem resistência por seus subordinados quando me direcionei à bandeja em um movimento ligeiro para então pegar uma faca que jazia em cima. Quando menos percebi, já estava com a mesma apontada para seu peito e duas espadas em meu pescoço prontas a entrarem em ação ao sinal de outro movimento meu.

- Pretende matar seu rei? - questinou, mantendo calma em meio a austeridade.

- Escolheu um fruto podre para provar, Majestade. - disse, fitando suas orbes azuis de cima com uma expressão sombria - Feriu meu orgulho e com esta faca também ferirei o seu. Provarei que o valor de nossa vila é muito maior do que pensa.

Sentia a pressão das espadas aumentarem contra meu pescoço, ainda que minimamente, em meio as ameaças que lhe direcionava. Contudo, o fato de ver o meio sorriso satisfeito do loiro voltar a reinar em seu belo rosto me fez ignorar todo o resto.

- Pode se retirar. - permitiu, exalando provocação.

Engoli, pela milésima vez naquele dia, meu orgulho ferido, percebendo ser a única forma de não permitir perder o controle. Apenas por aquele momento deixaria que pensasse ter o controle sobre mim.

Os homens recolheram suas espadas e seguraram meus braços sem resistência, direcionando-me de volta à saída. Quando, porém, tentaram remover a faca de minhas mãos, protestei e era tendencioso que usassem a força para retirá-la, uma vez que o aperto em meus braços se tornou mais intenso.

- Deixem-na com a faca. - ordenou o rei, quando ainda estávamos próximos à porta - Quero ver o quão longe ela poderá ir.

Seu desafio agora era explícito a mim, instigando minha certeza quanto a vingança que efetuaria.

A guarda atendeu ao mandato sem contestar, escoltando-me em seguida até meu quarto em silêncio. Quando enfim cheguei, pude sentir que aquele cômodo seria minha cela particular, uma vez que tinha ciência de que os centinelas se manteriam à frente do mesmo.

Sentei em minha cama e comecei a repensar no plano que formulei no quarto de Hidan. Pensei nos detalhes e percebi que não havia outra saída senão aceitar a ajuda do akuma repugnante que havia dentro de mim.

"- Espero que esteja pronto para isso."

"Sabe o que desejo em troca.", rebateu, emitindo agrado em seu tom.

"Terá suas almas.", garanti, sabendo o pagamento que requeria.

Repentinamente a porta foi aberta e logo Temari e Tenten apareceram. Escondi rapidamente o objeto perfurante que ainda detinha em mãos debaixo de um travesseiro sem que percebessem. Ambas pareciam conversar algo sério, mas pararam no mesmo instante em que perceberam minha presença.

- Hinata-san, você está bem? - indagou Tenten, aproximando-se de mim com certa cautela. Temari me analisava ao longe, desconfiada.

Por um breve momento havia esquecido que ambas estavam presentes naquele almoço. Certamente me intitulavam como estranha naquele momento.

- Estou. - menti, abrindo-lhes um sorriso amigável - Me perdoem pelo o que ocorreu. Acho que tenho estado muito estressada.

- Estranho. - argumentou Temari, aproximando-se - Me parecia bem quando acordou. Aliás, estava muito bem até se levantar para pegar o vinho.

- Ficamos sabendo que o rei a mandou chamar. - disse Tenten, ignorando a desconfiança da amiga - Aconteceu algo de ruim?

- Não, de modo algum. O rei foi bastante compreensível. - tentei tranquilizá-la, lamentando o modo como tinha de mentir para evitar que se envolvessem mais.

- Tanto que até lhe disponilizou uma guarda pessoal. - replicou a loira, recebendo um olhar repreensivo de Tenten.

Sua análise era previsível, portanto não me surpreendi. Pelo contrário, lancei-lhe um sorriso gentil e fingi indisposição, alegando que precisava descansar. Me culpei por fazer Tenten se preocupar, mas por aquele momento necessitava ficar sozinha, então agradeci mentalmente por vê-las sair em poucos segundos para me deixarem repousar.

Deitei e fechei meus olhos, sentindo toda a carga de estresse cair sobre mim à medida em que repassava as consequências que meu plano geraria. Iria trair minhas amigas, mas em contrapeso garantiria suas vidas e a de minha vila. Seria odiada pelas garotas com quem cresci como irmã, porém me agraciaria com o fato de não precisar vê-las mais correndo qualquer perigo. Tinha a possibilidade de perder a vida, contudo poderia me deliciar com o gosto da vingança.

Quando menos notei, o sol já se punha ao horizonte, dando sinais da escuridão que logo se faria presente. Pelo visto havia mesmo cochilado, sem ao menos perceber.

Levantei-me mais calma, sentindo força e convicção em minhas pernas enquanto me aproximava da janela. A mesma era grande e espaçosa, sempre aberta e pronta para soprar os fortes ventos que a natureza formava. Fechei os olhos, recostei-me ao batente da janela e deixei que a corrente de ar acariciasse minha face e levantasse meus cabelos, como há muito não fazia.

Após poucos minutos apreciando o carinho natural que me era disponilizado, ouvi o som nebuloso de um trovão distante se fazer presente. Abri meus olhos e percebi negras nuvens começarem a preencher o céu, dando-o um aspecto tenebroso premeditado. Ri com idéia de que o tempo assemelhava-se perfeitamente com meu estado de espírito naquele momento.

Ouvi a porta do quarto ser aberta e as vozes de Temari e Tenten se fazerem presentes.

- Ah, Hinata-san. Descansou bem? - indagou Tenten.

- Sim. Obrigada por tudo, Tenten. - disse, mantendo-me a admirar a paisagem que o quarto dispunha.

Lamentava não ter passado mais tempo apreciando a vista privilegiada da floresta que nosso quarto detinha. Talvez estivesse ocupada demais em negar que pertenceria àquele meio.

- Depois de tanto tempo não pensei que Gaara-sama fosse comparecer. - comentou Tenten, parecendo continuar o diálogo que mantinham antes de entrar.

- Conhecendo-o como conheço certamente não viria. - disse a loira, transmitindo um tom humorado - Mas o Uzumaki sempre consegue o que quer. Independente de quem ou o que seja.

Percebi que a implicidade era voltada a mim. Voltei minha atenção à loira, recebendo seu olhar sério e convicto, enquanto Tenten parecia distraída escolhendo peças de roupa.

- Diga-me, Hyuuga. Que curativos são esses? - indagou Temari, parecendo curiosa.

A morena parou repentinamente o que fazia e voltou-se para mim confusa e surpresa por até então não ter reparado o mesmo.

- Machuquei-me com o vidro. - expliquei sem interesse, voltando a admirar a paisagem com os braços cruzados.

- Odeio a idéia de estar sendo intrometida, mas... - disse, após um pesaroso suspiro - Tenten e eu sabemos pelo o que está passando.

- Se quiser pode se abrir conosco. - complementou a morena, gentil.

Voltei a fitá-las, percebendo a seriedade com o qual enxergavam aquele assunto.

- Sabem? - indaguei, sentindo certa curiosidade ao ouví-las.

- Hai. - respondeu Tenten, sentando-se em sua própria cama enquanto me olhava complascente - Uma pequena metade das garotas aqui já passaram pela experiência de ser o "novo brinquedo" do rei.

- Não é a primeira vez que o Uzumaki mexe com a cabeça de uma concumbina. - complementou Temari, abrindo um sorriso conformado, o qual já vira antes lhe preencher a bela face.

Todos naquele Castelo não passavam de brinquedos, foi o que me disse. Peças de um jogo seu, onde as regras eram ditas por si. Nada podia ser mais degradante do que isso.

- Sabem as regras desse jogo, então? - indaguei, percebendo certa confusão em Tenten e entendimento advindo de Temari.

- Jogo? - questionou a morena, confusa.

- São mínimas as garotas que já ouviram o Uzumaki mencionar isso. - disse a loira, mantendo o mesmo sorriso - Devo admitir, chegou mais longe do que premeditei.

- E pretendo ultrapassar além disso. - argumentei, convicta - Mas antes de mais nada preciso saber as regras.

- Do que estão falando? - indagou Tenten, completamente perdida.

Temari pareceu disposta a querer tentar explicar, mas foi interrompida pela repentina passagem da guarda que se mantinha a nossa porta. Os mesmos traziam o que parecia ser uma bandeja coberta por um pano branco. Depositaram o objeto em minha cama e se retiraram sem ditar qualquer som ou palavra.

Comecei a me aproximar da cama, tão curiosa quanto minhas colegas de quarto. Retirei o pano em um só empulxo, deparando-me com uma quantidade monstruosa de facas comuns, como a qual havia pegado na sala em que estive com o rei. No canto reparei um bilhete.

- O que é isso? - indagou Tenten, parecendo ainda mais perdida diante da situação.

- O que diz? - questionou Temari, ignorando por um tempo o desentendimento da amiga.

Estava com o papel em mãos e as palavras contidas em duas simples linhas transcorreram facilmente por meus olhos raivosos. Incapacitada de repassar a mensagem, estendi o bilhete à loira, que rapidamente o tomou. Pareceu levar poucos segundos para ler tudo e me lançar um olhar duvidoso.

- Suas palavras e olhar foram convincentes o bastante para mim. Talvez uma ajuda a mais lhe agrade. Atenciosamente, o rei - leu em voz alta, enquanto fitava os objetos prateados, canalizando toda minha raiva.

Sua voz grave, seu olhar inebriante e sua expressão austera se fizeram presentes em minha mente de tal forma que podia perceber o sarcasmo misturado ao deboche exalados naquelas aparentes simples palavras. Era evidente que estava escarnecendo de mim.

Antes que pudesse dar chance a algum outro questionamento seguinte, joguei a bandeja no chão irada, deixando que as facas se espalhassem. Temari, em reflexo a minha ação, colocou Tenten para trás de si, que por sua vez se assustou com meu súbito ataque.

- Não pense que sou igual às outras! - exclamei furiosa, erguendo minha atenção às paredes e ao teto como uma verdadeira perturbada - Pode ditar as regras como quiser, mas agora sou eu quem ditarei o padrão desse jogo!

Estava tão furiosa que ao menos percebi o momento em que começava a ofegar.

- Ele está mesmo mexendo com a sua cabeça. - constatou Tenten, emitindo preocupação.

Olhei para as amigas e percebi que Temari me lançava um olhar ameaçador, caso me aproximasse. A morena, no entanto, parecia se compadecer com minha loucura, apesar do medo que demonstrava sentir.

- Você não faz idéia. - disse, voltando a sentar em minha cama.

Respirei fundo e fechei os olhos por breves instantes. Sabia que ceder ao descontrole era inútil e sem resultados efetivos. Precisava me livrar de toda a raiva acumulada, mas ao que tudo indicava ficaria sem voz se continuasse a gritos exaltados.

- Não pode deixar ele entrar na sua cabeça desse jeito. - aconselhou Temari, mantendo a mesma distância de antes com Tenten.

- Já é tarde para isso. - disse, abrindo meus olhos e fitando minhas mãos enfaixadas com pesar.

- Vai perder dessa forma. - ameaçou a loira, parecendo inconformada com minha situação - Esse é o objetivo dele. Entrar em sua mente, seus sonhos e desejos. É como um veneno que te entorpece aos poucos. - finalizou, sentando-se por fim ao meu lado na cama. Tenten aproximou-se também, com maior cautela.

- Acho que estou morrendo, então. - disse, abrindo um sorriso conformado que refletiu desagrado à loira - Mas não se preocupe, Temari-san. Não é amor ou desejo que possuo por ele, porém ódio e vingança.

- Não pode se deixar levar por isso. - anunciou, segurando meus ombros com determinação - Ódio apenas a levará ter sua total concentração nele. E a vingança a fará transformá-lo em seu objetivo de vida. Esse jogo é perigoso demais, Hyuuga.

Assim como havia premeditado anteriormente, Temari era uma mulher sábia. Tinha ciência sobre muitas coisas e, como virou costume, concordei com suas constatações. Contudo, nada mais poderia me fazer mudar diante de minha decisão. Precisava realizar aquele sacrifício pelo meu povo.

- Eu sei. - disse, abrindo-lhe um sorriso sincero entalhado em conformidade - Mas pelo meu povo sou capaz de desintegrar minha alma.

Seus olhos ganharam um brilho desconhecido e sua expressão pareceu amenizar diante do principal motivo que me movia. A mesma soltou meus ombros, mantendo o contato visual.

- Eu entendo. - falou, transmitindo complacência em seu tom quanto a carga que me era incumbida.

- Posso não saber a que se referem, mas pode contar com meu apoio de igual forma. - interveio Tenten, tocando em meu ombro, compreensiva.

Não pude evitar rir de seu modo doce e meigo de ser, assim como a loira que revirava os olhos com um sorriso humorado.

- Você nunca entende de qualquer forma. - rebateu Temari, levantando-se com um sorriso provocador. A amiga estava pronta para responder, quando a mesma completou - Precisamos nos apressar. Kurenai odeia quando nos atrasamos e acredito que depois de um mês inteiro não irá mais lhe acompanhar como era costume.

Sorri ao perceber que seu jeito marrento voltara a reinar. Levantei, concordando em ir com as mesmas para fora do quarto. Contudo, tão logo me decidi e a porta fora aberta pela figura feminina de Kurenai.

- Ainda por aqui? - indagou, parecendo impaciente com as duas - O rei do país da Areia chegará em poucas horas e precisam estar prontas para o banquete de comemoração.

- Desculpe-nos, Kurenai-sama. - pediu Tenten.

- Já estávamos de saída. - informou Temari, transmitindo altivez maior que o de costume.

- É bom que estejam. - disse a morena, sem se deixar abalar pela pose da loira - Hyuuga, você virá comigo.

- Pensei que depois de um mês já não fosse acompanhá-la. - argumentou Temari, parecendo desconfiada.

- Isso não lhe diz respeito. - rebateu Kurenai, parecendo impaciente quando veio até mim e segurou meu braço sem delicadeza alguma - Vamos logo. - exigiu.

A mesma me puxou para fora do quarto, sendo acompanhada pela guarda logo quando nos pusemos para fora. Não reclamei em momento algum pelo comportamento agressivo que tomava comigo ao me manter em seu aperto, mesmo quando já andávamos juntas pelos corredores. Pelo contrário, entendia que a morena devesse estar zangada por ter sito obrigada a cuidar de alguém que sequer sentia zelo. Tal fato me fez perceber o receio que trouxe ao rei, uma vez que parecia querer me manter sempre em vigia.

Chegamos em um lugar diferente ao qual era acostumada a frequentar. Diferente de uma sala vazia, grande e repleta de piscinas, entre águas quentes e frias, agora havia sido arrastada ao que me parecia ser um quarto que disponibilizava um banheiro particular.

O temor me tomou a princípio quando constatei que se tratava de um cômodo particular e deveras grande, mas me acalmei rapidamente ao reparar que o mesmo nem de longe assemelhava-se ao do rei.

Felizmente tudo o que fizemos lá fora utilizar a enorme banheira particular do recinto.

- Por que não vamos à sala de banho coletiva, como de costume? - indaguei, enquanto era despida pelas mudas servas que geralmente cuidavam de minha higiene.

Esperava que minha pergunta fosse ignorada, como muitas já haviam sido, mas não pude segurar tal dúvida.

- Está em uso. - respondeu, seca.

- E qual o problema?

- Mulheres virgens e usadas não podem usar o mesmo recinto de higiene. - respondeu, enquanto supervisionava o trabalho das mulheres.

Ao me encontrar completamente nua, agradeci por não permitirem a entrada dos guardas, uma vez que só o fato de estar sendo visualizada por pessoas do mesmo sexo era constrangedor. Cobria-me com meus braços como podia ao entrar na água gelada, enquanto sentia minhas bochechas formigarem.

- Devo deduzir que isso nada tem a ver com a saúde pessoal. - presumi.

- O rei é o único e primeiro que deve e vai ver suas concumbinas despidas. Seja em seus primeiros atos sexuais ou não. - explicou-me, resoluta.

Não pude evitar que um sentimento de asco me rondasse. Perceber que uma mulher concordava com tal ideologia promíscua era ilógico para mim. Contudo, aquilo só aumentou minha certeza quanto a possessividade que domava o rei, sendo este um sinal de seu auter ego, que poderia usar a meu favor, uma vez que disse que iria ferí-lo.


Notas Finais


É isso aí, pessoal!!
Oq será que hinatinha está pensando em fazer?!?! Kkkkk
Naruto se mostrou um verdadeiro jogador. Nossa!! Que homem!! Rsrsrs
Hidan sempre aparecendo em momentos oportunos. Será que é uma coincidência?!
Tadinha das amigas.😢😢 Vai haver uma rachadura mtoo feia e dolorosa entre os laços delas. Quem ficou triste??
Me digam Oq acharam e Oq talvez não tenham entendido. Fiz meu máximo para postar tudo, mas houve uma partizinha que a internet - Não entendo o porquê - não suporta. Fiquei bem chateada, mas tive de a idéia de passar essa falta pro próximo Cap.

Bem, é isso! Não esqueçam de comentar, pffv. E espero que não tenham me abandonado.😟

Bjss da Vinii 😙😘


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