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História Curtinhas SalxLarry - Sally Face - Capítulo 4


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Notas do Autor


um au beem diferente hoje! me diverti bastante escrevendo, espero que gostem.
Sal e Larry são jovens adultos, ainda não se conhecem, até que os Holy Sinners se apresentam num pub local.
obs: imaginem a música que ele canta como “Memories and Dreams” (tema do jogo)

Capítulo 4 - Late night heavy metal


Fanfic / Fanfiction Curtinhas SalxLarry - Sally Face - Capítulo 4 - Late night heavy metal

Larry Johnson tirou seu casaco enquanto descia as escadas estreitas do pub, suas botas pesadas fazendo ranger a madeira. A música que vinha de dentro, rock pesado, como de costume, já podia ser ouvida desde a porta de entrada. A cada degrau que o rapaz descia, o ambiente tornava-se mais escuro, e a música, mais alta, e agora ele podia ouvir o burburinho das conversas. Com certeza, lotado, como em todos os fins de semana.

Era o único lugar em Nockfell que tocava estritamente heavy metal todas as noites. O dono também era um grande fã de Sanity’s Fall, a banda favorita de Larry, por isso suas músicas eram sempre parte da playlist. Além disso, todas as sextas e sábados eram convidadas bandas locais para se apresentar. Por esses motivos, era o lugar favorito de Larry depois de sua casa. 

Frequentador assíduo, o rapaz entrou e foi cumprimentado por alguns rostos familiares. O pub subterrâneo, apesar da entrada estreita, era na verdade bem espaçoso; tinha um comprido balcão, um palco para as apresentações e algumas mesinhas espalhadas pela pista. Dirigiu-se ao balcão e, sem precisar ter dito nada, o homem lhe trouxe uma cerveja. 

Suas mãos ainda estavam sujas da tinta a óleo que ele havia usado em um quadro mais cedo. Era um trabalho para a faculdade - Larry, com seus 21 anos, estava no segundo ano do curso de artes plásticas - cujo prazo de entrega estava prestes a vencer. Felizmente, ele tinha acabado de terminar sua obra.

E havia chegado bem a tempo para a banda de hoje. 

Os Holy Sinners foram anunciados pelo microfone, recebendo uma salva de aplausos em resposta. Eram uma banda conhecida na cidade e região, e faziam um som bem foda. Com certeza não era a primeira vez que tocavam naquele pub.

O baterista e o vocalista principal, que também tocava guitarra de apoio, entraram primeiro no palco, que não era muito grande ou alto, fazendo o tablado escuro ranger. Logo após, entrou o guitarrista principal, quase de costas para a plateia, seu instrumento pendurado na frente do corpo pela alça. 

Larry nunca havia visto aquele rapaz. Aparentemente, o antigo guitarrista havia deixado a banda depois de uma grande polêmica o envolvendo, e agora esse cara seria seu substituto. Seria sua primeira apresentação com os outros no bar.

Ele tinha um jeito bem peculiar. O que chamou a atenção de Larry logo de cara foi seu cabelo azul elétrico longo e bagunçado, que tampava a frente de seu rosto. Caralho, ele também tinha um estilo invejável. Não era alto, e por isso estava usando grandes botas pretas de plataforma, com várias fivelas, que pareciam ser bem pesadas. Uma calça preta extremamente rasgada, revelando suas coxas, e um top cropped, também preto, deixando à mostra seu tronco magro. Ele usava nos braços várias camadas de braceletes, alguns de couro, outros com espinhos, assim como os de Larry. 

Estranho...

Quando ele terminou de afinar sua guitarra vermelha, ele se virou para a plateia, revelando uma máscara sobre seu rosto. Era branca com um pedaço rosa emendado, com dois buracos negros para os olhos.

“... deve ser parte do visual” pensou ele.

Os shows geralmente duram uma hora e meia, com intervalos. A banda começou com algumas músicas conhecidas entre os fãs de metal, e relativamente mais leves - quero dizer, menos pesadas. E, caralho, o novo guitarrista era espetacular. Tocava como se a guitarra fosse uma extensão de seu próprio corpo, com uma facilidade e agilidade nos dedos invejável. Talvez fosse até melhor que o anterior...

Larry pegou mais uma cerveja e se aproximou do palco, ficando num canto menos visível, mas ainda próximo do guitarrista. O rock mais pesado logo começou, levando a plateia ao êxtase. 

Mas ele não conseguia tirar os olhos do misterioso novo membro da banda. 

Quando chegavam nas partes mais intensas, ele sempre se curvava sobre sua guitarra, balançando a cabeça ao ritmo, fazendo com que seu longo cabelo rebelde tampasse a máscara. Dobrava levemente os joelhos, e toda vez que o solo terminava, jogava o cabelo para trás com um movimento da cabeça e passando os dedos por ele, respirando ofegante.

Larry tinha que admitir... era uma baita visão.

Mais ou menos na metade do show, o vocalista anunciou:

“Agora nós vamos tocar algumas das nossas novas músicas, pra variar” aplausos e gritos da plateia. “... mas essa aqui eu vou deixar para o nosso novo membro, Sal Fisher!” 

A plateia, mesmo que não muito grande, vai à loucura. Todos gostaram mesmo do som desse tal de Sal, assim como Larry. O guitarrista agradece, com uma reverência relaxada, mais uma vez jogando o cabelo para trás daquele jeito extremamente sexy. 

Mas agora ele teria que cantar, e não poderia com a máscara, não é?

Sal quase deu as costas à plateia novamente, mas Larry ainda podia vê-lo de onde estava. Ele soltou as faixas da máscara por trás da cabeça e retirou-a do rosto, colocando-a no canto do palco. E então ele se virou.

Um burburinho percorreu o salão. Larry ouviu todo tipo de comentário indiscreto sobre sua aparência - mas ele nada disse, pois percebeu o desconforto do rapaz, que fingia afinar sua guitarra. 

Sal tinha grandes partes de seu rosto faltando, como a cartilagem de seu nariz, deixando exposto um grande buraco dividido pelo septo. Sua bochecha direita, além de coberta em cicatrizes profundas, era bem menos preenchida do que a esquerda, e um rasgo na sua boca desse lado revelava seus dentes. Seus lábios eram cortados e sua mandíbula tinha um grande pedaço faltando. Passando por seu olho direito havia uma enorme queloide, que terminava na bochecha esquerda. 

Mas os comentários pararam quando o rapaz deu os primeiros acordes. A música tinha um quê de melancólica - soava como se a guitarra, lentamente torturada por seus dedos, chorasse em agonia. Era lindo. Tocou esses mesmos acordes sozinho algumas vezes, todos no bar em absoluto silêncio. Então os outros membros se juntaram e o ritmo acelerou.

Sal chegou mais perto do microfone e começou a cantar os primeiros versos. 

Puta que pariu.

Larry nunca havia ouvido voz tão angelical. Combinava perfeitamente com a letra, igualmente melancólica. Larry não pôde evitar e se aproximou ainda mais do rapaz, que parecia ter uns dezoito anos e tocava como um profissional.

Sexy. Ele era estranhamente sexy, apesar do rosto desfigurado. Na verdade, seu rosto completava o visual peculiar, não o deixava feio de jeito nenhum. Larry observava o jeito que seus dedos longos e finos agarravam o braço da guitarra, enquanto seu outro braço, com os músculos contraídos, tocava as cordas. Seu tronco magro levemente curvado, mas a cabeça agora erguida, seu cabelo azul fora do rosto, a boca rasgada colada ao microfone... Quanto mais exaltada a plateia, mais confiança ele ganhava, erguendo mais o rosto para a luz do holofote e se deixando ir. 

Caralho, mas que puta visão. 

Gotas de suor escorriam por seu pescoço. Quando chegaram no último refrão, sua voz angelical se transformou em um último grito rouco. 

Cara. 

Larry podia sentir seu coração batendo mais forte e o sangue pulsando. Como ele era incrível.

Todos no pub foram à loucura, aplaudindo e gritando como nunca. Sal fez outra reverência, pegou uma garrafa de água, tomou um pouco e jogou o resto no rosto.

Oh.

Fariam um intervalo de trinta minutos, anunciou o vocalista. Sal tirou a alça dos ombros e, enquanto carregava seu instrumento para fora do palco, descendo do tablado, fez contato visual com o outro rapaz na plateia. Os outros membros dos Holy Sinners se dirigiram ao balcão para uma cerveja. Mas Sal, olhar fixo em Larry, avaliando-o dos pés à cabeça, fez um gesto com a cabeça em direção à porta dos fundos. 

Oh.


Notas Finais


o que acharam? comentários são muito bem vindos.
... parte dois?


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