História D Boy - Capítulo 10


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Min Yoongi (Suga), Personagens Originais
Tags Adlin, Bangtan Boys, D Boy, Mendigo, Min Yoongi, Romance, Suga
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Palavras 2.364
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Fluffy, Hentai, Musical (Songfic), Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Esse é um dos capítulos mais pessoais que já escrevi em termos de como o narrador se comporta. Traduzindo: tem mais pensamentos do personagem que ações em si. Serassi estou evoluindo em termos de formas de escrita?
Próximo capítulo é visão de Min Yoongi. Me aguardem.

Reza a lenda que quanto mais se comenta mais rápido o capítulo chega hein

Capítulo 10 - At Dawn pt 2


Finjo não ser solitário, finjo não estar sofrendo
Finjo estar bem sem motivo, inutilmente finjo ser forte
Não escale o muro que coloquei em minha frente
Não me tire dessa ilha, nesse vasto mar

PDV Adlin Kim

Ok, tenho um morador de rua na minha casa. Um morador de rua que não sei como acabou nessa situação e que frequenta rodas de rap. Um morador de rua com uma bunda muito gostosa na minha casa. Meu Deus, é um mendigo. Não há nada de excitante nisso, devo estar há tanto tempo sem nem uns beijinhos na boca, essa é a explicação para tantos pensamentos pervertidos.

Mas ele é a porra de um mendigo. Deve ter milhares de doenças e bactérias e sabe-se lá que outros tipos de doenças. Nada contra, mas só trabalhamos com a realidade. Afinal, aonde eu estava com a cabeça quando resolvi trazê-lo a minha casa?! E se ele me matar enquanto eu estiver dormindo? E se ele roubar minhas coisas? E se ele pegar uma doença e morrer na minha sala?

— Eu vou pegar uma toalha para você e roupas que acho que podem servir, o banheiro é naquele corredor a porta da direita. - apontei enquanto seguia até meu quarto, que era na direção oposta.

Abri a porta do meu quarto rapidamente, o que a fez bater contra a parede, fui direto ao guarda-roupas e catei um conjunto de moletom que Namjoon havia esquecido aqui e eu supunha que coubessem nele, uma toalha e meias. Meias eram muito importantes, manter os pés aquecidos e, nossa, eu estou tão nervosa.

Quando voltei a sala ele estava exatamente no mesmo lugar que eu o havia deixado, olhava para o nada como se estivesse perdido em pensamentos. Por dois segundos meu coração acelerou e achei que era nesse momento que ele iria me estrangular, ou estava ainda pensando em formas e qual seria o momento perfeito para me matar.

— As roupas e a toalha estão aqui, espero que sirvam. - falei em voz baixa e ele me encarou. Seus olhos pareciam marejados. Estendi as roupas e ele as pegou com cuidado para não encostarem muito em seu corpo ainda molhado. - Tome um banho bem quente e troque-se. Se precisar de mim estarei na cozinha. - ele assentiu e sem emitir uma única palavra de agradecimento, agressão ou qualquer coisa que mostrasse que a parte linguística de seu cérebro ainda funcionava, foi até o banheiro.

Mas eu vi seu rosto, Yoongi. Naquele momento você parecia ser o homem mais agradecido do mundo, você não falou porque se abrisse a boca seria para chorar tudo que estava engasgado em sua garganta e pesava em seu peito.

Dei de ombros e segui para minha cozinha. Quando estava pegando a garrafa térmica cheia de café e uma caneca a mais para voltar a sala, onde antes eu trabalhava separando demos interessantes no meu confortável sofá, lembrei-me que ele poderia não ter se alimentado hoje. Suspirei e senti vontade de chorar por ele, fazia muito tempo que o via nos arredores daquela praça, quantas noites ele havia dormido com seu estômago roncando?

Deixei a garrafa na sala junto a minha xícara que já deveria estar esfriando e voltei até meu fogão, ainda havia muito da sopa que eu havia pedido para meu almoço num restaurante próximo que fazia entregas, pois o idiota do Namjoon disse que almoçaria por aqui, porém nem deu sinal de vida, fazendo-me gastar com mais comida do que eu seria capaz de ingerir.

Obrigado, Namjoon. Você finalmente serviu para algo.

Esquentei rapidamente a sopa, arroz e fritei alguns legumes que haviam na minha geladeira já cortados e temperados justamente para isso. Levei tudo para minha sala e coloquei tudo em cima da minha mesinha de centro, como Yoongi ainda não havia saído do banheiro, voltei para meu notebook afim de continuar a ouvir as demos, mas eu não conseguia mais me concentrar.

A inquietação tomava de conta do meu corpo, talvez a mistura de fortes emoções e cafeína não fizessem tão bem para meu estômago, já que ele não parava de se revirar. Um frio ansioso cobria minha barriga e eu não sabia como me portar dentro da minha própria casa. Havia um estranho em meu lar e isso era contra toda e qualquer lógica de vida, até mesmo valores postos em cima de mim por minha família durante meu crescimento. Isso me assustava e ao mesmo tempo me excitava de uma forma impressionante.

Eu era como uma criança fazendo arte quando a mãe não estava em casa, que de momento em momento olhava pela janela para ver se sua genitora estava chegando, a diferença é que minha janela era a porta do banheiro trancada silenciosamente. Uma barreira tão pequena, mas que me separava de um mundo inteiro. E esse mundo era o complexo Yoongi.

Minha ansiosidade me avisava que havia se passado muito tempo depois que o morador de rua havia entrado no banheiro do meu apartamento quando me dei conta de que havia um barulho fora de contexto. Um som complicado de se explicar que não vinha nem dos meus fones de ouvido ou qualquer outro aparelho eletrônico de minha casa. Leves fungares, alguns gemidos dolorosos abafados e água chocando-se com o chão ao fundo.

O silêncio e o peso daquele momento eram tamanhos que eu jurava poder ouvir todo um mundo derramando lágrimas. Senti um calafrio me descer a espinha e liguei o aquecedor.

Recoloquei os fones em meu ouvido para continuar meu trabalho. Com sons estranhos ou não, alguém ali precisava ganhar o pão. Passei tanto tempo perdido entre faixas aleatórias e covers de pessoas de toda Coreia, e até alguns países vizinhos, que mal notei quando Yoongi abriu a porta do banheiro e parou a minha frente com uma mochila pendendo em um dos ombros e roupas folgadas demais para não serem confortáveis.

Seus cabelos loiros estavam jogados para trás e sua pele estava com um tom avermelhado, não só o rosto inchado, como as pontas dos dedos também. Mesmo vermelho e usando um conjunto meu escuro, ainda havia um certo brilho nele. Naquele momento eu não sabia o que era, mas em algum tempo, quando relembrando aquele momento, eu poderia chegar a conclusão de que aquele brilho nada mais era que o efeito que sua esperança tinha sobre ele. Como eu queria ter descoberto isso antes.

Em uma mistura de susto pela aparição repentina do garoto branco e pela sua aparência eu acabei engolindo errado o café que bebia. Seu rosto sem toda aquela sujeira da rua era simplesmente lindo.

Infelizmente a imagem que veio a seguir não foi tão linda assim, pois eu comecei a me afogar no café. Literalmente.

Ao invés de tossir todo líquido que tentava adentrar na minha traqueia, eu tentei respirar, forçando-o para dentro e então foi o Hades em mim. O líquido escuro invadiu minhas vias respiratórias fazendo ir café para todo lado: café saindo pelo meu nariz, café com gosto de catarro na minha boca, café nas minhas roupas, café no meu notebook, café nos meus pulmões, café na minha vida. Por alguns segundos, eu era o café.

Eu não conseguia mais respirar então fiquei desesperada. Realmente achei que eu morreria tomando café. Meu Deus, que morte horrível. Mesmo naquele momento de desespero eu me perguntei que eu diria quando chegasse ao céu. Eu conseguia imaginar certinho as almas reunidas em uma roda para discutir valores e experiências na Terra e então alguém pergunta como foram as mortes deles e é aí que o pessoal começa: "Oi, tudo bom? Bom dia como você morreu?" "Ah eu morri defendendo crianças em um tiroteio" ou então "cara, morri na guerra, mas defendi meu país, ganhei medalhas e fui o orgulho da minha família" e então, virando-se para mim e aguardando uma resposta revolucionária, eu diria a ele: "ah eu me engasguei com café porque achei um mendigo bonito e morri". No way.

Senti tapas fortes nas minhas costas e, por fim, meu corpo resolveu que eu havia expelido líquido marrom o suficiente por todos os orifícios possíveis naquele momento. Quando se deu por satisfeito e eu consegui puxar uma quantidade boa de ar e os olhos ardendo em lágrimas, Yoongi caiu sentado ao meu lado gargalhando de mim.

Sim, o mendigo dos infernos estava rindo da minha cara.

E, caramba, sua risada era linda.

Eu havia me virado para xingá-lo de alguma palavra bem feia quando perdi o fôlego pela segunda vez e, nossa, foi aquela imagem que salvou a minha vida. Seus olhos se fechavam pelas bochechas que, apesar de aparentarem estarem mais magras do que deveriam, ainda possuíam maçãs do rosto altas suficiente para tapar sua visão e criar ruguinhas nos cantos; seu rosto redondinho se contraiu numa careta contente, elevando os lábios, mostrando assim a gengiva rosada e os dentinhos pequenos e infantis. E tinha também sua risada, ah, cara, sua risada. Era o som mais fora de contexto naquele mendigo mau-humorado, sua risada era infantil, alegre, contagiante, carismática e eu simplesmente nunca teria adjetivos suficientes para caracterizar sua risada.

Se aquele sorriso não era o paraíso parecia-se muito com ele.

Deus é bem bom, irmãos.

— Está rindo do que? - resmunguei tentando limpar a bagunça que foi feita por mim mesma.

— Você... sua cara... - ele não conseguia terminar de falar, já estava vermelho de tanto rir e enxugava lágrimas que desciam pelos seus olhos pequenos. - Você é adorável.

Eu estava tentando ficar irritado com ele, mas aquele comentário me desestruturou completamente, o elogio repentino fez minha pressão cardíaca cair repentinamente apenas para subir com toda potência.

— Obrigada. - falei, descruzando os braços que nem eu sabia quando os havia cruzado e dando um sorriso tímido, o que o fez rir mais.

— Não foi um elogio. - disse, enfim parando de rir.

Em seu rosto tinha um sorriso de canto e ele me olhava nos olhos pela primeira vez. Repentinamente me senti pequena e acuada sob aquele olhar, seus pequenos e frios olhos castanhos pareciam ver minha alma. Tomei mais um gole cuidadoso no meu café e seu sorriso aumentou.

— Quer? - perguntei quebrando o contato visual e empurrei os jotgarak que não haviam sido atingidos pelo meu café para ele, vendo-o pegá-los apressadamente e em seguida sentar-se do outro lado da mesa, aonde uma cumbuca com arroz o esperava.

Ele fez uma reverencia antes de se sentar a minha frente, como forma de agradecimento. Me dei por satisfeita e me distrai com o notebook, tentando a todo custo prestar atenção na voz melodiosa de uma tal de Kim Sejeong e não em como a boca vermelhinha dele, atualmente bem limpinha e com menos germes e bactérias, se fechava em torno dos palitinhos metálicos.

— Fico desconfortável com gente me encarando. - disse em tom baixo e neutro, assustei-me. Nem havia me dado conta de que o estava encarando.

— Está com frio? - perguntei. Na minha cabeça se passavam diversas perguntas como se ele estava confortável o suficiente ou se ficaria doente por causa da chuva que pegou. - Posso aumentar o aquecedor ou pegar um cobertor para você.

— Está tudo bem. - não, não está. - Muito obrigado. - seu tom era brando e respeitoso.

Apenas sorri em resposta. Meu cérebro criava milhares de situações e pensamentos que já devem ter passado pela cabeça dele nesse período na rua, se eu falasse qualquer coisa só seria capaz de dizer "a" antes de chorar. Passou-me pela cabeça todas as vezes em que alguém lhe negou ajuda apenas por seu atual status social e alguns possíveis motivos que o levaram para a rua, cada um era pior que o outro, cada opção só fazia meu coração se apertar mais e mais. Era impossível não ficar mais preocupada a cada segundo.

Ele havia pegado muita chuva, e se acabasse doente? Com uma febre ou resfriado? Sem pensar muito me inclinei sobre a mesinha e coloquei uma palma em sua testa e a outra na minha própria, comparando as temperaturas para ver se ele estava normal. E não estava. Seu corpo estava um pouco mais quente que o meu. Aquela constatação só serviu para me deixar ainda mais preocupada, tentei me convencer que era resultado do banho quente, esperaria mais alguns minutos para ter alguma certeza.

Ele me olhava assustado com o jotgarak pendendo a boca quando me sentei novamente.

— Não vai comer? - perguntou em tom baixo, o orgulho que o impedira de aceitar meus bolinhos dias atrás deixava a cada minuto suas ações e expressões.

— Estou sem fome, e ainda tem uma panela cheia na geladeira. - dei de ombros e ele abaixou a cabeça em voltou a comer silenciosamente. - Então, qual seu nome? - eu sabia seu nome, claro, todos que tinham contato com as velhinhas fofoqueiras da barraca de kibap sabiam de tudo que Yoongi deixara escapar nesse mês morando na praça.

— Yoongi. Min Yoongi. - murmurou por cima da xícara de café fumegante. - E você, minha salvadora?

Sorri inconscientemente, sem sequer notar a nota de agradecimento nas entrelinhas, estava muito ocupado apreciando a vista e ninguém pode me julgar. Yoongi com uma xícara de café de patinhos na boca com os cabelos loiros apara trás mostrando a testa pálida, bochechas coradas e uma expressão de cansado era a coisa mais fofa que eu já havia visto.

— Adlin Kim. - estendi a mão e ele a pegou com delicadeza impressionante e acariciou meu pulso com o polegar. Não vou mentir, aquele pequeno gesto me balançou inteiro por dentro, mas por fora eu estava toda: opa, meu parça, o que é isto? Você é a coisa mais linda que eu já vi depois do meu porteiro gato, mas devolve a intimidade que eu não te dei?

Mesmo um pouco perdida nas emoções, notei que sua mão estava ainda mais quente que minutos antes. Aquilo me preocupou, ele estava praticamente ardendo em febre!

Seu aperto em minha mão se afrouxou e pude ver seus olhos perdendo o foco.

— Yoongi? - consegui terminar de falar, ele foi ao chão antes disso.

E foi assim que um mendigo louco de riso fofo desmaiou no meio do meu apartamento.



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