História D E S T I N Y (Shawn Mendes) - Capítulo 10


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Categorias Shawn Mendes
Personagens Personagens Originais, Shawn Mendes
Tags Billie Eilish, Blake Richardson, Ellie Bamber, Shawn Mendes
Visualizações 62
Palavras 4.754
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção Adolescente, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


HOJE É ANIVERSÁRIO DO SHAAAWN. VOCES ACHARAM MESMO QUE EU NAO IA POSTAR NADA? ♥
Vinte anos gente
VINTEEEEE
Conheci o nosso bolinho quando ele tinha só quinze, é tão bizarro como o tempo passa tão rápido 😭♥

▶ Agora sobre a fic 👀
Seis fuckin meses sem postar Destiny :(
Leiam as notas finais que lá explico brevemente.

▶ E VCS VIRAM A CAPA NOVA LINDA FEITA PELA MARAVILHOSA @starkkly do twitter!!! Recomendo ❤

▶ E nesse capítulo começa uma nova fase na estória. Preparem-se.

▶ E MUITO, MUITO OBRIGADA PELOS 80+ 😍

▶ Eu li todos os comentários e adorei o surto de vocês, mas não consegui responde-los por esse celular. Assim que der eu respondo <33

Agora aproveitem o capítulo 💋

Capítulo 10 - 10.


∞ D E S T I N Y ∞

Em algumas ocasiões uma mentira pode fazer alguém mais feliz do que quando a verdade é revelada. Às vezes a verdade te liberta, mas às vezes ela pode te dilacerar por completo assim que revelada; e pode ser irreversível eternamente.

E então de repente a vida começa a fazer sentido. De repente você entende tudo, mas nem sempre isso significa que você vai se sentir melhor, não significa que você vai seguir em frente como se tudo milagrosamente estivesse bem.

Porque a vida não é um conto de fadas, e infelizmente, nunca será.

Você não vai ficar melhor porque alguém te disse que você deveria seguir em frente. Como também por exemplo: você não vai comer uma bela refeição sem fome porquê alguém disse-lhe que você deve se alimentar para viver, ou você não irá deixar de amar um ídolo porque alguém te disse que é apenas uma fase. Você simplesmente não vai mudar o que sente porquê alguém te deu um conselho ou opinião contraditório aos seus ideais. Porque nenhum de nós temos o poder de controlar os nossos sentimentos.

E eu não me sinto melhor após saber o que a minha mãe escreveu naquela carta antes de se enforcar no banheiro da nossa casa.

Como eu viveria com isso? E o pior, como eu ficaria após o resultado do DNA sair e confirmar que sou um fruto de uma violência?

Havia uma época em que eu era contra o aborto, mas parando para pensar agora, eu preferia que a minha mãe não me deixasse nascer, pois saber que você é filha de um monstro acaba com você. Dói como o inferno, dói muito. E dói ainda mais saber que a minha mãe sofreu tanto por causa disso.

Eu queria voltar no tempo, no dia em que Samantha Duffin se suicidou. Eu queria ver o seu carro chegando na garagem novamente. Eu teria largado o meu cigarro aceso no chão da varanda do meu quarto e corrido escada abaixo, me aproximado da minha mãe e a abraçado, e dito-lhe que ela não precisava ficar sozinha, e que eu também me sentia sozinha, e poderíamos ser sozinhas juntas.

Mas eu não podia mudar o passado. Você simplesmente não pode mudar. E ninguém nunca poderá mudar o que já passou.

Eu jamais poderia falar para ela que sinto muito. E agora eu sou a única sozinha com meus próprios medos e demônios.

Após o meu surto no banheiro do cartório, eu e Matt saímos juntos, totalmente desolados.

Encontrei Blake e Billie no térreo, e tudo o que fiz foi correr até eles e abraça-los como se a minha vida dependesse disso. E talvez, realmente dependesse.

—‘Tá tudo bem. — Blake sussurrou para mim enquanto eu chorava em seu ombro. Ele não sabia o que de fato havia na carta, e talvez se soubesse ele não diria que estava tudo bem, porquê não estava.

— Só... me tira daqui. — foi tudo o que consegui dizer dentre minha voz embargada, e assim meus amigos me levaram para longe.

— Sien — a voz rouca de Matt me chamou e eu o olhei. — Amanhã o coletor passará em casa, para o exame de DNA às quinze horas. — vi ele engolir em seco.

Naquele momento o meu coração já despedaçado tornou-se cinzas. E eu não sei de onde tirei forças para conseguir respondê-lo.

— Estarei lá.

Então me virei e deixei que minhas pernas me levassem para fora daquele prédio que começava a me sufocar novamente. Eu só queria sair dali e me esconder no meu quarto, se possível para sempre.

Seguimos em direção ao estacionamento e me surpreendi ao ver Shawn encostado em seu carro, assim que nos viu ele desencostou-se do automóvel e nos observou se aproximar.

Olhei para Billie pedindo uma explicação com o meu olhar e ela prontamente me compreendeu.

— Ele se ofereceu para nos dar carona. Lógico que aceitamos. — explicou com a voz baixa, e eu compreendi, mesmo me sentindo um pouco incomodada com a presença do rapaz.

Ele não disse absolutamente nada quando nos aproximamos, somente me fitava com um semblante aparentemente preocupado, o que não fazia muito sentido para mim, já que nem amigos nós dois éramos.

Entramos no veículo. Shawn e Blake acomodaram-se nos assentos da frente e Billie e eu nos bancos de trás. Eu não sei em que momento dormi nos braços da minha amiga, mas somente percebi este fato quando o automóvel parou e Billie me despertou.

— Chegamos. — disse ela.

Despertei um pouco desnorteada. A minha cabeça latejava e os meus olhos inchados, devido ao choro excessivo, estavam doloridos. Soltei um suspiro. Seria um longo dia.

Descemos do carro e caminhamos em direção à residência da Irmandade.

— Casa legal. — ouvi Shawn comentar aleatoriamente e me surpreendi por ele ainda estar ali, pois ele não possuía nenhum vínculo comigo além do fato de eu ser a ex-namorada de seu falecido irmão. — Quem mora aqui?

— Billie e Sien estão morando aqui por tempo indeterminado. — respondeu Blake que andava atrás de nós, possivelmente ao lado de Shawn.

— Ah. — Shawn deixara escapar após compreender o que estava havendo. Eu simplesmente não poderia voltar para a minha antiga casa, e não seria difícil dele compreender a verdadeira razão.

Billie abriu a porta principal e sem me soltar olhou por sob os seus ombros.

— Eu vou levá-la para o nosso quarto. — avisou.

— Te esperamos aqui. — dissera Blake, logo se materializando à minha frente e me dando um abraço. — Qualquer coisa me ligue. Eu estarei na casa da minha tia avó Berenice. — revirou os olhos. — Minha mãe me obrigou à ir jantar lá.

— Por que não estou surpresa? — Billie riu.

Tia Berenice era a tia avó de Blake, a qual ele detestava, pois a mulher era maluca. Em um passado não tão distante eu teria rido assim como Billie, mas o meu coração estava dolorido demais e minha mente confusa demais para algo me fazer ter algum tipo de boa emoção.

— Cuide dela. — Blake dissera.

— Cuidarei. — Billie disse antes de me levar em direção às escadas.

Sem perceber o que eu estava fazendo, olhei por sob meus ombros, encontrando o olhar de Shawn. Ele nada dissera, mas era como se eu pudesse finalmente entender o que ele queria dizer com o seu olhar, que expressava compaixão. Tentando afastar tais pensamentos, deixei Billie me conduzir para o nosso quarto. Ao adentrarmos, tudo à seguir aconteceu no automático. Didi veio rapidamente até nós preocupada. Mas eu mal prestei atenção nela, somente permiti que Billie me deitasse na cama, cobrisse o meu corpo tremulo com um cobertor e acarinhasse os meus cabelos.

— O que tinha na carta era tão ruim assim? — após minutos em puro silêncio ouvi Didi sussurrar para Billie, por estar de olhos fechados e quieta, ambas devem ter pensando que eu estava dormindo. Cômico, pois a última coisa que eu conseguiria fazer naquele momento era dormir.

— Eu não sei. Sien não nos falou nada. — respondeu a minha amiga.

— Ela está muito abalada. Acredito que deve ter sido algo muito tenso e ruim.

Billie suspirou.

— Já era tenso e ruim pelo fato de ser uma carta de suicídio, mas também acredito que há algo ainda pior do que possamos imaginar.

— Sien é tão jovem, mas já passou por tanta coisa. — ponderou Dianna.

Billie riu com amargura.

— Tanta coisa ruim. — frisou. — Eu não sei o que faria no lugar dela.

— Eu disse à ela que ela é muito forte. Não é todo mundo que aguenta tanta porrada da vida desse jeito.

— Sien é uma raridade. — Billie dissera e pelo seu tom de voz Sien tivera certeza de que a amiga sorriu minimamente. — Ela não faz ideia do quanto é uma guerreira, só ela basta acreditar e aguentar firme.

Comprimi os meus lábios e reprimi a vontade de fitar Billie e dizer-lhe que era impossível acreditar e ser firme quando tudo só dá errado para mim desde de antes de eu nascer.

— Mas um dia ela vai acreditar. Um dia ela será recompensada. — Didi dissera com tanta convicção que até mesmo eu quase acreditei.

Quase.

Até me lembrar do exame de DNA que afirmaria de quem eu sou filha. E com esses pensamentos o cansaço vencera, me arrastando para um sono profundo e pesado, no qual eu não me recordo o sonho.

                        ~•~

Eu estava entre o sono e a realidade quando o som de uma porta se abrindo se fez presente. Ouvi passos a se aproximarem e então alguém me cutucar com a ponta de um dedo ossudo.

— Sien? — sussurrou.

Abri os meus olhos doloridos pelo choro de horas atrás e tentei focar a minha violão embaçada na pessoa curvada à minha frente.

Ashton deu um pequeno sorriso.

— Oi — disse com a minha voz baixa e rouca enquanto me apoiava em um dos meus cotovelos.

— Desculpa em te acordar, mas é que tem um rapaz lá embaixo dizendo que precisava falar com você.

Franzi o cenho.

— Rapaz? — assentiu. — O Blake?

— Não. Eu não conheço o garoto que está lá embaixo.

Tentei forçar a minha mente ainda lenta pelo sono interrompido para entender o que de fato estava acontecendo. Tentei pensar em alguém além de Blake que poderia estar me visitando, mas somente Matthew viera à minha mente. Talvez o teste de DNA tivesse saído mais cedo e a notícia fosse ruim, o que explicaria o porquê de Matt estar ali. Arregalei os meus olhos e senti o meu coração disparar com aquele ideia.

— Você... quer que eu mande ele embora? — Ashton questionou-me, provavelmente por ter reparado na minha expressão aterrorizada.

Eu deveria manda-lo embora? Eu deveria fugir da resposta que definiria como seria a minha vida à partir do momento em que for revelado aquele resultado?

Não. Eu não devo fugir da verdade, não quando você sabe que ela existe e infelizmente é real. Aí sim é que você deve descobrir toda a absoluta verdade, mesmo que machuque ainda mais a sua alma.

— Não. — respondi firmemente enquanto tentava sair da cama, mas sendo impedida pelo braço de Billie ao redor da minha cintura, a qual eu somente reparara naquele momento que havia dormido na minha cama junto à mim. — Eu já vou descer.

Ashton assentiu e em seguida saiu do quarto.

Tirei o braço de Billie, que me prendia, com cuidado para não acorda-la. Me levantei e calcei a primeira pantufa que encontrei pela pouca luminosidade que vinha do corredor, através da porta que Ashton deixara aberta. Saí do quarto e fechei a porta atrás de mim, e segundos depois desci para o térreo.

A casa estava silenciosa, então presumi que a maioria dos residentes estivessem dormindo, e confirmei a minha tese ao adentrar na sala e somente encontrar Ashton sentado em uma poltrona enquanto lia algum livro de Oscar Wild e dois garotos sentados no chão enquanto jogavam video game juntos.

Olhei em cada perímetro do cômodo à procura de Matthew, mas não o encontrei. Ao perceber a minha presença e nítida confusão, Ashton levantou o olhar de seu livro e me encarou.

— O rapaz está te esperando lá fora. — informou. — Eu o convidei para entrar, mas ele se recusou. Disse que lhe esperaria lá fora mesmo.

Franzi o cenho, mas nada disse. Me virei e caminhei em direção ao corredor principal. Enquanto caminhava até a porta eu me perdia em pensamentos, Matt provavelmente havia pego fios de cabelos meus em algum pente ou algo do tipo para fazer o exame. Mas sairia o resultado tão rápido assim? Em uma madrugada? Por que ele não esperou a coleta de sangue? Queria tanto assim se livrar de mim de sua vida? Com esses pensamentos e em uma lentidão quade cinematográfica, e abri a porta à minha frente. Uma lufada de vento frio tocara o meu corpo, enviando uma onda de calafrios por todos os meus poros. Meu coração disparava devido à ansiedade para o que estava por vir e minha mente só gritava uma coisa: "Sou filha de um estuprador".

Como eu viveria com isso? Como alguém conseguiria conviver sabendo disso? Meus olhos percorreram o quintal da Irmandade. A noite estava clara devido à lua cheia, as estrelas pintavam o céu como centenas de pisca-piscas, e não havia nuvens atrapalhando a bela visão, nem mesmo os postes de luz afuscavam a paisagem acima da minha cabeça. Mas havia alguém no centro do quintal, em frente à casa. Ele parecia inquieto devido à sua expressão corporal, pois ele andava de um lado para o outro enquanto parecia brigar internamente consigo mesmo. E assim que as luzes dos postes o iluminaram eu não senti mais medo, mas sim confusão, pois aquele não era Matthew, e ao virar-se totalmente fazendo os seus olhos inconfundiveis se encontrarem com os meus, ele parou de andar e pude ter certeza de que não era o meu pai, e sim o irmão de Shane. Shawn não estava mais com as mesmas roupas que usara para nos trazer em casa. Agora ele trajava uma calça de moletom cinza e uma blusa vinho de capuz da marca Vans. Ainda em choque pela surpresa eu tentei dizer algo:

— O que você faz aqui? — perguntei deixando o meu tom confuso evidente.

Não quis soar rude, mas a curiosidade foi maior. Por um momento Shawn pareceu confuso com a minha pergunta, como se nem mesmo ele soubesse o que estava fazendo ali.

— Eu... — começou sem jeito ao encarar o chão. — Me desculpe se eu te acordei, mas eu precisava saber como você estava.

Abri a minha boca surpresa e um misto de perguntas começaram à passar pela minha cabeça confundindo-me ainda mais. Shawn parecia não ir com a minha cara desde o primeiro momento que me viu, e agora aparecia na minha casa em plena madrugada para saber como eu estava? Shawn Mendes era uma incógnita que eu jamais iria desvendar.

— Por que? — foi tudo o que consegui formular.

E então ele me olhou, mas não qualquer olhar, mas sim um olhar do qual eu tinha certeza de que havia inúmeras respostas para a minha pergunta, e que talvez jamais seriam respondidas.

— Porque eu sinto que devemos ser amigos.

E eu sei que ele mentiu, ou talvez não contara toda a verdade. Mas eu não iria pressioná-lo, pois eu também sentia que nós deveríamos ser amigos. Pois Shane gostaria disso, e a vida é curta demais para se acumular inimizades. Não vale a pena.

— Obrigada. — disse enfim ao encarar o chão e em seguida prosseguir. — Por querer saber como eu estou.

— Mas você ainda não me disse — ele se aproximou e eu o olhei. — Como você está?

Encarei um ponto fixo do outro lado da rua e dei de ombros.

— Estou levando à base do possível.

— E isso significa...?

Fechei os olhos e reprimi as lágrimas. Isso significa que eu posso ser filha de um estuprador. Isso significa que Shane nunca vai voltar. Isso significa que eu tenho depressão. Isso significa que a minha mãe se suicidou. Isso significa que a vida não é exatamente como planejamos e nunca será, pois não vivemos em uma casa de bonecas onde as famílias são perfeitas, com vidas perfeitas. Então isso significa que eu tenho que fingir que estou levando tudo numa boa, quando nada está bem.

Abri os meus olhos encontrando as íris cor de mel de Shawn.

— Significa que estou bem. — menti.

Ele assentiu, afinal, quando se pergunta se alguém está bem é essa a resposta que querem ouvir, não é? Mesmo que a resposta dada não seja sincera.

— Quero te levar em um lugar. — disse ele de repente me pegando desprevinida.

Franzi o cenho.

— Lugar? Que lugar?

Eu realmente não estava entendendo. Aonde Shawn iria me lavar à uma hora da manhã em Heaston Hill onde tudo fechava às onze da noite, exceto o posto de gasolina e os motéis?

— É surpresa. E te garanto que você vai se sentir melhor.

Balancei a cabeça incerta.

— Não sei. Eu mal te conheço.

Também quis dizer que não fazia nem um mês que eu descobrira sobre a sua existência, mas me limitei a dizer este detalhe.

Shawn soltou um riso nasal.

— Eu prometo não fazer nada contra você. — ele então me surpreendeu ao se aproximar de mim e levantar o seu dedo mindinho. — O tal de Ashton sabe que eu estive aqui, então se você sumir a polícia irá diretamente até mim.

Cruzei os meus braços e o encarei. O que aquele garoto estava aprontando? Bom, eu não sabia, e a curiosidade me consumia, sem dizer que eu não tinha nada à perder.

Shawn balançou o seu midinho, como naquela dança infantil dos dedinhos e eu ri.

— Idiota. — murmurei ao entrelaçar o meu dedo ao dele em um gesto de promessa. — Vou confiar em você.

— Ótimo. — Shawn sorriu e começou a andar até o outro lado da rua, onde estava o tão famoso "ex" carro de Shane. Entrei no lado do passageiro,  poucos segundos depois Shawn se acomodara em seu banco em frente ao volante, ambos colocamos os nossos cintos de segurança. Sem hesitar, o garoto ligou o carro e dera partida pela rua completamente vazia devido o fato de ser de madrugada. Heaston Hill nunca fora um lugar muito frequentado na vida noturna. Shawn não dissera nada enquanto dirigia, e eu não sabia o que dizer, ou perguntar, já que ele dissera ser um tipo de surpresa.

Percebi passarmos pela minha antiga casa, a qual não pude evitar olhar e ver que a luz da sala estava acesa. Poucos minutos depois passamos em frente à casa de Shawn, mas o garoto ao meu lado nem ao menos pestanejava, concentrado na estrada à frente e em seus próprios pensamentos. E então, quando dei por mim ele fazia um caminho tão conhecido como a palma da minha mão.

Shawn parou o carro em frente à fazenda Constairs. O olhei confusa, mas ele apenas desligou o carro e saiu de dentro dele. Abri a porta e o segui, o garoto andava à minha frente já entrando na fazenda.

— O que estamos fazendo aqui, Shawn? — perguntei assim que passei pelo portão, mas não obtive resposta. — Shawn?

Ele nem ao menos olhou para trás e assim que chegamos aos fundos da fazenda ele parou e se virou para mim.

— Espero que goste. — dissera ele e apontara para algo no chão.

Havia uma toalha de mesa estendida sob a grama quase inexistente. E também havia uma cesta de palha fechada. Olhei para Shawn ainda sem entender o que aquilo significava.

— Vem. — ele então pegou em minha mão e me conduziu para que eusentasse sob a toalha branca e vermelha quadriculada. Assim que nos sentamos ele começara a retirar alimentos do cesto, entregando-me um pote com torradas e uma garrafa térmica. Olhei para aquilo em minhas mãos e fiquei ainda mais confusa. Estaria eu ainda na minha cama na Irmandade e sonhando?

Era surreal demais para acreditar.

— O que foi? — perguntou Shawn enquanto mordia um sanduíche de pasta de amendoim.

— Por que me trouxe aqui?

Shawn arqueou uma sobrancelha e deu de ombros.

— Por que eu não te traria aqui?

Okay. Não era essa a resposta que acabaria com a minha confusão. Pelo que eu me lembro do Shawn que eu conheci nesse último mês, ele não é nada amigável comigo. Então estou sonhando dormindo ou delirando acordada?

— Eu não entendo. — soltei.

Shawn parou de mastigar o seu pão e me olhou sério e então dera a sua breve explicação:

— Eu sei pelo o quê você passou, eu sei que você estava deitada na sua cama se sentindo mal por toda a sua perda. — ele desviou o olhar, encarando um ponto fixo ao nosso lado. — Eu já perdi alguém que eu amava muito, Sien, e sei como é sentir o desespero de não poder fazer nada para mudar o que aconteceu, porque simplesmente não podemos fazer porra nenhuma para mudar o passado ou intervir no futuro. — então me olhou, seus olhos marejados e pupilas dilatadas. — Nós não somos deuses, somos somente fantoches do destino, o qual não possuímos poder algum. Então se não podemos mudar o passado ou alterar o futuro, devemos aproveitar o presente e fazê-lo como se o amanhã não fosse existir. Independente do que o futuro te reserve, nunca pense nele, ou o próprio acabará com você.

Suspirei e olhei para as minhas próprias mãos.

— Mas eu estou com tanto medo... — confidenciei.

— Eu sei, — disse como se me entendesse. — E você pode temer, mas nunca desistir.

O olhei. Havia algo naquela feição tão parecida com a de Shane que me fazia confiar nele. Eu sei que era errado, mas estando ali, naquele lugar em que eu e Shane tivemos diversos assuntos daquele gênero debaixo daquelas mesmas estrelas, me passavam uma confiança que eu não conseguia ter nem com os meus melhores amigos. Então eu simplesmente deixei sair o que estava entalado na minha garganta e acabando com o meu coração.

— Eu posso não ser filha do meu pai. — disse-lhe, e Shawn apenas esperou pacientemente que eu prosseguisse. — Hoje à tarde faremos o exame de DNA. Minha mãe foi... — deixei a minha voz morrer e as lágrimas borrarem a minha visão e escorrerem pelo meu rosto. — Ela foi abusada, Shawn, e eu acho que sou filha de um monstro.

Deixei os recipientes outrora em minhas mãos caírem no meu colo e tapei o meu rosto com as palmas geladas de minhas mãos trêmulas, e chorei.

Era a primeira vez que eu dizia aquilo em voz alta, e céus, doía mais do que uma facada no meu coração. Ouvi Shawn se movimentar e então braços rodearem o meu corpo trêmulo entre soluços.

— Eu não queria que ela se matasse — disse contra o peito de Shawn ao me lembrar do que Naomi dissera. — Eu nunca desejei o mal para ela. E eu não quero ser filha de um ser tão repugnante, eu não pedi para ter depressão, e eu só queria que o Shane estivesse aqui. — Shawn me apertou ainda mais forte. — Por que comigo? Por que?

O garoto soltou um longo suspiro.

— A culpa não é sua, Sien. — dizia enquanto afagava os meus cabelos. — Você não poderia evitar o inevitável. Sua mãe não foi abusada por sua culpa, o assassino que matou o meu irmão não apareceu porque você o chamou, e ninguém têm culpa por ter depressão. — ele então levantou o meu rosto, fazendo-me olha-lo tão de perto. — Eu te disse. Não podemos mudar nada, mas podemos aproveitar o presente e fazer ele valer a pena. Você vai estar comigo nessa? Lembre-se que o Shane jamais desejaria te ver desistindo.

Fechei os meus olhos, e logo abindo-os e encarando as suas íris cor de mel, eu assenti incerta.

— Eu não vou desistir.

— Ótimo. — ele soltou o ar que parecia ter prendido. — Agora coma as suas torradas, sei que não comeu nada, e eu também demorei um século para fazê-as.

Ri minimamente e isso pareceu satisfazê-lo. Afastei-me de seu abraço e enxuguei as minhas lágrimas. Peguei o pote com as torradas, abri a tampa e escolhi uma, em seguida comendo-a.

— Hum. — fechei os olhos com o gosto delicioso e ouvi um riso de Shawn. — Eu amo torradas. Shane fazia direto pra mim e...

E a minha voz morreu aos poucos enquanto a ficha realmente caía. Abri os meus olhos e encarei a torrada mordida entre os meus dedos. Me lembrei do dia em que dormi na casa de Karen, quando Shawn entrara no quarto trazendo-me torradas e chocolate quente cremoso. Deixei a torrada de lado e peguei a garrava térmica que Shawn me dera e a abri, sentindo o aroma já tão nostálgico e familiar. Tomei um gole de seu conteúdo, somente para ter certeza do que eu estava pensando e confirmei, aquilo era realmente chocolate quente cremoso. Exatamente e completamente igual ao que Shane fazia para mim. E estávamos na fazenda, a mesma que somente eu e Shane partilhávamos, o nosso segredo.

Segredo. Ninguém sabia.

Olhei para Shawn que me encarava curioso.

— Está ruim? — perguntou receoso.

— Como você sabia?

— O que? — aparentou confusão.

— Como você sabia que o Shane fazia torradas e chocolate para mim?

— Ele me contou uma vez.

Franzi o cenho. Se Shane contou-lhe uma vez, então como Shawn ainda se lembrava? Possuía uma memória tão boa assim?

— E como você sabia que essa fazenda era o lugar especial meu e de Shane?

Com isso Shawn arregalou os olhos. Não entendi a sua reação.

— Eu não sabia. — dissera atordoado. — Eu te encontrei aqui duas vezes e só achei que você gostasse de vir até aqui e te trouxe para se sentir melhor. — ele passou a sua mão entre seus fios acastanhados, bagunçando-os. — Acho melhor irmos embora.

Então ele começou a guardar tudo e se pôs de pé com a cesta em mãos. O olhei sem entender. O que acabou de acontecer aqui?

Me levantei e peguei a toalha, dobrando-a e entregando à ele, que mal me olhou ao pegá-la e se dirigir para fora da fazenda.

O segui e entrei no carro logo após ele. Seguimos de volta ao bairro, e diferente da ida, agora o silêncio que predominava entre nós era estranho. Havia coisas ocultas que Shawn não dizia, e eu nem ao menos tinha o direito de confrontá-lo, pois no final das contas, não éramos nada um do outro.

Ao que pareceram horas, e não minutos, o carro de Shawn estava parado em frente à Irmandade. Respirei fundo e o olhei, surpreendendo-me ao já tê-lo me encarando, enquanto suas mãos ainda estavam contra o volante, fazendo o meu coração errar uma batida.

— Obrigada pelo passeio. — disse sincera, por algum motivo eu me sentia menos tensa.

Shawn sorriu sem mostrar os dentes.

— Espero ter ajudado em alguma coisa. — dissera seriamente.

— Foi melhor do que ficar deitada na cama pensando em meios de desaparecer.

— Fico feliz por isso.

Assenti. Não tinha mais o que ser dito. Me virei para sair do carro, mas a sua mão contra o meu pulso me impediu.

— Espere. — o olhei e o vi se inclinar contra os bancos de trás e retirar da cesta o pote de torradas e a garrafa de achocolatado. Ele então me entregou.

— Eu fiz para você, então espero que coma quando sentir vontade. Eu sei que você se sentirá melhor, te trarão boas lembranças.

Sorri verdadeiramente e peguei-os.

— Obrigada. De verdade, Shawn.

Shawn deu um pequeno sorriso e eu saí do seu carro, em seguida ele acenou e fora embora.

Me virei e caminhei até o centro do quintal, sentei-me contra a grama bem aparada e comecei a comer as minhas torradas e beber o chocolate cremoso. Olhei para o céu estrelado que eu tanto amava e me passava paz. E sorri, um sentimento bom se apossando do meu coração.

— Será que você se tornou uma estrela, Shane? — perguntei enquanto observava os astros brilharem.

Quando ainda vivo, Shane era o brilho por onde passava, ele era o próprio sol, então eu não me surpreenderia se alguém me dissesse algum dia que pessoas como Shane quando partiam se tornavam uma estrela radiante no universo.

Me prendi nesta ilusão e encarei a estrela que mais brilhava ao norte. Eu a nomeei de Shane.

— Até que o seu irmão não é tão chato quanto eu achava. — disse enquanto devorava outra torrada. — Ele até fez o meu lanche favorito. — levantei a torrada para que "Shane" pudesse ver.

Ri sem humor.

Aquele gosto tão familiar no meu paladar estava me deixando mais calma, e isso era bom, ou melhor, era ótimo, pois por meses cada pequena lembrança de Shane me fazia definhar emocionalmente.

— Eu sinto tanto a sua falta, Shane. — engoli o último pedaço da torrada e voltei a mirar a estrela radiante. — E acredito que sempre irei sentir a sua falta, mas acho que é hora de deixa-lo partir, não acha? Hoje aprendi que preciso viver o presente e esquecer do passado para poder seguir em frente. Eu te amo, e sempre amarei, mas como você dizia, o destino é algo que não se pode controlar. Infelizmente. — suspirei. — E eu espero, que seja onde você estiver, jamais me esqueça, pois jamais te esquecerei e espero te encontrar um dia.

Sorri, sentindo um leve resquício de esperança em meu peito. Eu deveria deixar Shane partir, mesmo que isso doesse muito. E não seria fácil.

Me levantei e segui até a entrada do meu novo lar. Olhei uma última vez para aquela estrela após abrir a porta.

— Adeus, Shane. — sussurrei.

E então, antes que eu fechasse a porta, pude ver a estrela reluzir uma última vez e então se apagar.


Notas Finais


Vamos conversar rapidinho?

Para quem não me acompanha na minha fic Shawmila MIF, eu tive alguns contratempos e problemas pessoais que me impossibilitaram (e impossibilitam) em atualizar as minhas estórias.
Sinto muito por demorar para atualizar, mas está complicado devido vários fatores. Até cogitei várias vezes em deletar essa fanfic e IC2 por bloqueio ou não ter tempo. Esse ano está corrido.
Simplesmente não sei o que fazer com as minhas fics, help meeee.

Espero que vocês entendam esse meu sumiço.

Aaaaaaahhh e antes que eu esqueça. Tenho um capítulo pronto do ponto de vista do Shawn no capítulo 01. Vocês querem que eu poste, ou preferem esperar?

Nos vemos no próximo capítulo?
Deixem as suas teorias sobre a história.
Até 💋💋


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