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História Da Lama ao Primeiro Beijo - SOLANGELO - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Submergindo


Fanfic / Fanfiction Da Lama ao Primeiro Beijo - SOLANGELO - Capítulo 2 - Submergindo

No primeiro dia em que conheci Will Solace, eu mudei. Honestamente, um olhar para ele e eu me tornei um lunático. São os olhos dele. Algo em seus olhos. Eles são azuis, e enquadrados no amarelo de seus cílios, eles são deslumbrantes.

Absolutamente deslumbrantes.

Já faz mais de seis anos, e aprendi há muito tempo a esconder meus sentimentos, mas oh, aqueles primeiros dias. Aqueles primeiros anos! Pensei que iria morrer por querer estar com ele.

Dois dias antes da segunda série foi quando começou, embora a antecipação tenha começado semanas antes, desde que minha mãe me disse que havia uma família com um menino da minha idade que se mudariam para a nova casa do outro lado da rua.

O campo de futebol estava terminado, e eu estava tão entediado porque não havia ninguém, absolutamente ninguém, no bairro para brincar. Oh, havia crianças, mas cada uma delas era mais velha. Isso era o paraíso para minhas irmãs, mas também me deixou em casa sozinho.

Meu pai estava lá, mas ele tinha coisas melhores a fazer do que chutar uma bola de futebol por aí ou até mesmo jogar cartas comigo. Na época eu não achava que havia algo melhor do que brincar com uma bola de futebol por aí ou jogar mitomagia, especialmente eu que não gostava de lavar roupas ou pratos ou aspirar, mas meu pai não concordava com isso. E o perigo de estar em casa sozinho com ele era que ele me recrutaria para ajudá-lo a lavar ou aspirar a poeira, e ele não toleraria o drible de uma bola de futebol em torno da casa enquanto eu me movia de tarefa para a tarefa.

Para jogar com segurança, esperei lá fora por semanas, apenas no caso de os novos vizinhos se mudarem mais cedo. Literalmente, foram semanas. Eu me diverti jogando futebol com nosso cachorro, Cérbero. Na maior parte, ele simplesmente bloqueava porque um cão não conseguia exatamente chutar e marcar, mas de vez em quando ele driblava com o nariz. O cheiro de uma bola deve oprimir um cão, no entanto, porque Cérbero acabaria por tentar mordê-la, em seguida, perder a bola para mim.

Quando a caminhonete e van dos Solace finalmente chegou, todos na minha família ficaram felizes. "O pequeno Nico" estava finalmente tendo um amigo. Meu pai, sendo o verdadeiro e sensato adulto que ele é, fez-me esperar mais de uma hora antes de ir ao encontro dele. ─ Dê a eles a chance de esticar as pernas, Nico - disse ele. ─ Eles vão querer algum tempo para se ajustarem. – Ele nem me deixava ver do quintal. ─ Eu conheço você, querido, de alguma forma essa bola vai acabar no quintal deles e você só terá que ir buscá-la.

Então eu assisti pela janela, e a cada poucos minutos eu perguntava: ─ Agora? - E ele dizia: ─ Dê-lhes um pouco mais de tempo, não é?

Então o telefone tocou. E no minuto em que eu tinha certeza de que ele estava ocupado, eu puxei sua manga e perguntei, ─ Agora? Ele assentiu com a cabeça e sussurrou: ─ Ok, mas vá com calma! Eu estarei lá em um minuto.

Eu estava muito animado para não correr por toda a rua, mas eu tentei muito, muito mesmo, ser civilizado, uma vez que cheguei a movimentada van. Fiquei lá fora olhando por um tempo recorde, o que era difícil porque lá estava ele! De costas! Meu novo melhor amigo, William Solace.

Will não estava fazendo muita coisa. Ele estava mais pendurado atrás, observando seu pai mover caixas para a porta elevada. Lembro-me de sentir pena do Sr. Solace porque ele parecia cansado, movendo as caixas sozinho. Eu também me lembro dele e Will estarem vestindo camisas polo turquesa combinando, e eu pensei que era realmente bonito. Gostei muito.

Quando eu não aguentava mais, eu chamei: ─ Oi! – para dentro do veículo, o que fez Will saltar e, em seguida, rápido como um grilo, ele começou a empurrar uma caixa como se ele estivesse trabalhando o tempo todo.

Eu podia dizer pela maneira como Will estava agindo, tão culpado, que ele deveria estar movendo caixas, mas ele estava cansado disso. Ele provavelmente estava movendo coisas por dias! Era fácil ver que ele precisava de um descanso.

Ele precisava de suco! Alguma coisa.

Também era fácil ver que o Sr. Solace não estava prestes a deixá-lo sair. Ele continuava a mover as caixas, e então Will poderia estar morto de cansaço. Morto antes de ele ter tido a chance de se mudar!

A tragédia dele me catapultou para dentro da van. Eu tinha que ajudar! Eu tinha que salvá-lo!

Quando eu cheguei ao seu lado para ajudá-lo a empurrar uma caixa para frente, o pobre menino estava tão exausto que ele simplesmente se afastou e me deixou assumir. O Sr. Solace não queria que eu ajudasse, mas pelo menos eu salvei o Will. Eu estava na movimentada van por três minutos quando seu pai o mandou ajudar sua mãe a desembalar as coisas dentro da casa.

Eu persegui Will até a calçada, e foi quando tudo mudou. Veja, eu o peguei e agarrei seu braço, tentando detê-lo, então talvez pudéssemos brincar um pouco antes que ele ficasse preso lá dentro, e a próxima coisa que eu sei é que ele está segurando minha mão, olhando diretamente nos meus olhos.

Meu coração parou. Apenas parou de bater. E pela primeira vez na minha vida, eu tinha esse sentimento. Você sabe, como o mundo está se movendo ao seu redor, tudo sob você, tudo dentro de você, e você está flutuando. Flutuando no ar. E a única coisa que o impede de se afastar é os olhos da outra pessoa. Eles estão conectados aos seus por alguma força física invisível, e eles mantêm você preso enquanto o resto do mundo gira e gira e cai e fica completamente distante de vocês.

Quase tive meu primeiro beijo naquele dia. Estou certo disso. Mas então sua mãe saiu pela porta da frente e ele estava tão envergonhado que suas bochechas ficariam completamente vermelhas caso a pele dele não fosse tão bronzeada assim, e a próxima coisa que aconteceu foi ele se escondendo no banheiro. Eu estava esperando que ele saísse quando sua irmã, Kayla, me viu no corredor. Ela parecia grande e madura para mim, e desde que ela queria saber o que estava acontecendo, eu contei a ela um pouco sobre isso. Eu não deveria tê-lo feito, no entanto, porque ela mexia a maçaneta do banheiro e começou a provocar Will de modo feroz. ─ Ei, irmãozinho! - gritou ela através da porta. ─ Há um garoto fofinho aqui fora esperando por você! Qual é o problema? Tem medo que ele saiba beijar e você não?

Foi tão embaraçoso! Eu puxei seu braço e disse-lhe para parar e que eu iria não beijar ele, mas ela continuou irritando o Will, por fim, fui embora.

Encontrei meu pai lá fora conversando com a Sra. Solace. Papai tinha dado um belo bolo de limão, que era suposto ser também a nossa sobremesa naquela noite já que eu tinha plena certeza de ter visto duas formas no forno. O açúcar em pó parecia suave e branco, e o bolo ainda estava quente, enviando odores de limão doce no ar.

Minha boca estava molhada só de olhar para ele! Mas ele estava nas mãos da Sra. Solace, e eu sabia que não havia como recuperá-lo. Tudo que eu podia fazer era tentar comer os cheiros enquanto eu ouvia as dois discutirem sobre as mercearias locais e a previsão do tempo.

Depois que papai e eu fomos para casa. Foi muito estranho. Eu não tinha conseguido brincar com Will. Tudo que eu sabia era que seus olhos eram um azul vertiginoso, que ele tinha uma irmã que não era de confiança, e que ele quase me beijou.

Eu adormeci essa noite pensando sobre o beijo que poderia ter tido. De qualquer forma, como era um beijo? De alguma forma eu sabia que não seria como o que eu tenho de mamãe ou papai na hora de dormir. A mesma espécie, talvez, mas uma forma radicalmente diferente, com certeza.

Olhando para trás, na segunda série, eu gosto de pensar que foi pelo menos em parte a curiosidade científica que me fez perseguir esse beijo, mas para ser honesta, provavelmente foi mais aqueles olhos azuis. Durante todo o segundo e terceiro anos eu não conseguia parar de segui-lo, de sentar perto dele, de apenas querer estar perto dele.

Na quarta série, aprendi a me controlar. A visão dele, o pensamento dele, ainda enviava ao meu coração um zumbindo, mas minhas pernas não o perseguiam mais. Eu apenas observei, pensei e sonhei.

Então, na quinta série Drew Tanaka entrou em cena. Drew Tanaka é uma idiota. Uma chorona, fofoqueira, uma tola que diz uma coisa a uma pessoa e o oposto a outra. Agora que estamos na escola secundária, ela é a diva indiscutível do drama, mas até mesmo na escola primária ela sabia como fazer uma performance.

Especialmente quando se tratava de Educação Física. Eu nunca a vi uma vez correr voltas ou fazer alongamento. Em vez disso, ela iria em seu ato "delicado", alegando que seu corpo iria absolutamente entrar em colapso de tensão se ela corresse, pulasse ou se esticasse.

Funcionou. O ano todo. Ela trazia alguma nota e não se esquecia de desmaiar um pouco para a professora nos primeiros dias do ano, apostando que ela seria dispensada de qualquer coisa que exigisse músculos. Ela nunca até mesmo guardou sua própria cadeira no final do dia. Os únicos músculos que ela exercia regularmente eram os que rodeavam sua boca, e aqueles ela trabalhava sem parar.

Se houvesse uma competição olímpica para falar, Drew Tanaka varreria o evento. Claro, talvez o Valdez pudesse ganhar... Bem, pelo menos um deles ganharia o ouro e a prata, uma medalha por cada lado da boca.

O que me incomodou sobre isso não foi o fato de que ela saiu de Educação Física, quem a queria em sua equipe, afinal? O que me incomodou foi que qualquer um que se incomodasse em olhar saberia que não era asma ou tornozelos fracos ou que ela era "delicada" que a estava impedindo. Era seu cabelo. Ela tinha um rio deles, torcidas desta ou daquela forma, cortadas ou frisadas, trançadas ou rodopiadas. Seus rabos de cavalo rivalizavam com os dos carrosséis. E nos dias em que deixava tudo cair, ela meio que se balançava e acariciava ele como se fosse um cobertor, de modo que praticamente tudo o que você via de seu rosto era seu nariz.

Minha solução para Drew Tanaka era ignorá-la, o que funcionou perfeitamente apenas até cerca de metade do quinto ano, quando eu a vi de mãos dadas com o Will.

De mãos dadas com o meu primeiro beijo!

Aquele que ainda estava envergonhado por segurar minha mão dois dias antes da segunda série. Aquele que ainda era tímido comigo para dizer muito mais do que "oi" para mim. Embora ele seja falante com o resto da turma. Aquele que ainda estava andando com meu primeiro beijo em seus lábios.

Como poderia Drew ter rastejado sua mão na dele? Aquela pequena princesa insistente não tinha nada que se pendurar nele daquele jeito! Will olhava por cima do ombro de vez em quando enquanto caminhavam, e ele estava olhando para mim. Meu primeiro pensamento foi que ele estava me dizendo que ele estava arrependido. Então, percebi que ele precisava da minha ajuda. Absolutamente, era isso que tinha que ser! Drew era muito delicada para ele conseguir se livrar dela, demasiada grudenta para ser empurrada para longe. Quando isso ocorresse ela começaria a fungar, chorar e perturbar o Will, e oh, quão embaraçoso que seria para ele!

            Mas não me importei com isso, Will sabia o que estava fazendo. Talvez, eu disse talvez, Drew Tanaka não seja tão irritante, fútil e controladora como parece ser. E Talvez o Will fosse o único que conseguia ver outro lado dela.

 Porém me enganei completamente! Fora um minuto de distração de Will para que Drew caminhasse até mim e fechasse a porta da sala de aula. Oh, não-não-não! Ela veio até mim, arranhando, puxando e torcendo qualquer coisa que ela pudesse pegar nas mãos, dizendo-me que o Will era dela e não havia nenhuma maneira dela o deixar ir.

Como é delicada.

Eu estava esperando que algum professor aparecesse para que pudesse ver a verdadeira Drew Tanaka em ação, mas já era tarde demais quando alguém chegou à cena. Eu tinha os braços arranhados e imobilizava Drew para trás em uma chave de braço, e nenhuma quantidade de seus gritos ou arranhões iria me levar a soltá-la até que um professor chegasse.

No final, Drew foi para casa mais cedo com uma advertência e com o cabelo desarrumado, enquanto eu explicava meu lado para o diretor. O Sr. Quíron é um senhor robusto que provavelmente aprecia secretamente o valor de um pontapé bem dado, embora ele me dissesse que estava contente por eu ter tido o autocontrole para não fazer nada mais do que limitá-la.

Drew estava de volta no dia seguinte com uma cabeça cheia chapinha. E é claro que ela implantou uma fofoca mudando os fatos para eu parecer um maluco. Mas os fatos, especificamente os arranhões nos meus braços, falaram por si mesmos. Will não se aproximou dela durante o resto do ano. Mas eu continuei afastado dele, claro, por motivos empáticos, isso porque soube da boca do próprio Cecil que ele usava a Drew. Não sei necessariamente para quê, mas não me imporei em me informar. Odeio fofoca. Mas de toda forma, William começou a ser mais amigável e simpático comigo. Especialmente na sexta série, depois que o Sr. Mertins nos sentou ao lado um do outro na terceira fila.

Sentar ao lado do Will foi agradável. Ele era simpático. Ele dizia "Oi, Nico" para mim todas as manhãs, e de vez em quando eu o pegava olhando para mim. Ele sempre dava um sorrisinho abaixando a cabeça, voltando para o seu próprio trabalho, e eu não pude deixar de sorrir.

Ele era tão incrível. E tem um sorriso tão lindo!

Conversamos mais um com o outro, também. Especialmente depois que o Sr. Mertins me moveu atrás dele. Sr. Mertins tinha uma política de detenção para erros de ortografia, onde se você escrevesse mais de 7 palavras erradas teria que passar o almoço com ele, escrevendo repetidamente textos e palavras complexas sem parar.

A pressão da detenção fez Will entrar em pânico. E mesmo que isso incomodasse minha consciência, eu me inclinava e sussurrava respostas para ele, esperando que talvez eu pudesse almoçar com ele em vez disso. Seu cabelo cheirava a maça verde, e seus lóbulos da orelha tinham penugem loura. E eu me perguntava sobre isso. Como é que um garoto dessa idade já possui tantos pelos? Nisso eu me refiro também aos pelos de sua panturrilha e a leve penugem acima da sua boca. O que estavam fazendo lá, afinal? Tínhamos somente doze anos! Eu verifiquei meu próprio corpo no espelho, mas não conseguia encontrar pelos nele.

Pensei em perguntar ao Sr. Mertins sobre a puberdade quando estávamos discutindo a evolução da ciência, mas não o fiz. Em vez disso, eu passei o ano sussurrando resposta, cheirando maçã verde, e perguntando-me se eu nunca ia conseguir o meu beijo.


Notas Finais


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