História DA QUEDA à ASCENSÃO - Capítulo 4


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ascensão, Da Glória À Queda, Da Queda Á Ascensão, Fanfic, Fanfic Sobre Reinos, Fic, Gii_1312, Gloria, Gqueda, Hibridos, Luta, Magia, Melhores, Queda, Reinos
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, Ficção Científica, LGBT, Luta, Magia, Orange, Poesias, Romance e Novela, Saga, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


HEYA!


Hoje é quinta, hoje tem capítulo, hoje está tudo lindo! E para a capa, eu não encontrei nada que representasse muito, então temos nosso Darkizinho, bem fofinho. Quem vê, nem pensa o insuportável que ele realmente é, não é mesmo? Espero que vocês gostem do capítulo de hoje, e que estejam se identificando com as personagens.

Espero que a formatação envie certa, porque já não aguento mais esse papo de ficar tudo lindo no meu computador e feio pra vocês.

Boa leitura e aproveitem!

Capítulo 4 - Tudo isso


Fanfic / Fanfiction DA QUEDA à ASCENSÃO - Capítulo 4 - Tudo isso

                                                                                           ROSE 

 

   Me joguei fazendo meu peso cair sobre o colchão. A cama era bem confortável eu admito, o travesseiro era macio e as cortinas fechadas que bloqueavam o sol, davam um ar de conforto no quarto que ficava à metros e metros de altura do térreo, lembrando uma torre. Mesmo assim, minha cabeça rodava e meu estômago parecia querer explodir. Eu sabia que a gravidade em Lowtoc era diferente, mas não sabia que iria me afetar tanto assim. Do outro lado do quarto, com um jeito meio agitado Enma esvaziava sua mochila mas sempre me dava um olhar preocupado. Até que finalmente ela se virou para mim de uma vez.

— Ei, Rose. Relaxa, isso já vai passar. — Tentei me sentar na cama mas senti uma pressão meio estranha, me puxando para baixo. 

—Odeio esse lugar. —Murmurei meio enjoada. Enma se aproximou e se sentou ao meu lado na cama, gentilmente alisou meus cabelos curtos e negros com um sorriso amigável no rosto, eu sabia que ela estava se esforçando, ser a amiga gentil não era o forte dela, muito menos o meu... era o forte da Karen. Só de pensar no nome dela, a vontade de vomitar crescia.  A voz de Enma voltou para me tirar do transe assustador, de pensamentos bombásticos e ânsia de vômito.

—Fiquei sabendo que a comida aqui é ótima. E eu tô morta de fome, então é bom se recompor logo pra gente ir comer algo. —Assenti do jeito que consegui, fiz um pouco mais de força e me sentei na cama ao lado dela e fiz um sinal de positivo com o dedão, sentindo o gosto do vômito na boca. 

—Eu vou sobreviver. — Disse baixinho, Enma sorriu largamente, então seus olhos se encheram de algo suspeito. —O que foi? —Perguntei, Enma desviou os olhos e deu de ombros. 

—Aquela menina, a Mavis. Eu tive a sensação de já... —Ela fez uma pausa, esfregou a testa como se quisesse limpar a mente e então resmungou. —Sei lá, como se já tivesse visto ela em algum canto. 

 

 

 Dei de ombros. Não podia negar que senti algo parecido, como se já tivesse visto ela em algum lugar.

 

—Eu também senti isso. Mas deve ser porque ela tem uma aparência bem comum. Eu acho. 

 

   Enma concordou, sorriu docemente e então me jogou uma pilha de roupas, olhei para o uniforme preto e aquele broche de prata familiar, suspirando dolorosamente, revirei os olhos e me levantei pesadamente com grande dificuldade, tirando minhas roupas ainda sentindo os olhos de Enma sobre mim, cheia de preocupação.  

 

 

***

 

   Quando fomos ao encontro de Mavis novamente, eu já estava me sentindo um pouco melhor, a calça preta serviu perfeitamente em mim, e eu até que gostei daquele uniforme que lembrava um terninho, ajeitei meus cabelos negros os bagunçando levemente, enquanto Enma prendia os cabelos longos em um rabo de cavalo baixo. Ela me olhou, sorriu e agitou a saia com um sorrisinho malicioso. 

— Eu estou ou não estou uma tchutchuca? — Revirei os olhos enquanto Enma continuava balançando sua saia cheia de si. 

— Meu bem, eu que estou uma gracinha com esse uniforme. —Ajeitei minha gravata. —Admire sua capitã. —Assim que ouvi as palavras erradas saírem de minha boca, senti algo pressionar o meu peito e não era por culpa da gravidade de Lowtoc. Enma deu de ombros, como se eu não tivesse dito nada de errado. 

— Suas ordens, capitã? —Enchi bem o peito e "ordenei". 

—Vamos atrás daquela metidinha de merda! A tal de Mavis! 

—Sim senhora, minha capitã! 

 

 

DARK 

 

Jack já estava no corredor me esperando, enquanto eu tentava negociar com a maçaneta que ele não deveria abrir a porta para qualquer um. Eu sei, parece loucura. A maçaneta me "olhou" longamente, e "bufou". 

— Vou guardar seus aposentos, senhores. No entanto, espero que tenham mais cuidado em nosso próximo encontro, sim? —Dei de ombros. 

—Beleza. Vou lembrar disso. 

—Grato. —E então a maçaneta voltou a ser uma simples maçaneta normal que não fala. Olhei para Jack e fomos andando em passos largos, havia alguns gatos deitados preguiçosos nas janelas, alguns ronronando e outros apenas olhando fixamente para um canto qualquer. Nossos sapatos que faziam parte do uniforme, faziam um barulho forte quando pisávamos no chão de  que intercalava entre madeira e pedras. Descemos as escadas e me deparei com Mavis olhando para seu relógio de pulso, ela levantou seus olhos azuis safira para mim, e torceu a boca com desgosto. Logo em seguida, Rose e Enma chegaram, Enma usava saia e Rose optou pela calça que coube perfeitamente nela. Não que a saia de Enma não estivesse bem encaixada... 

 

—Pois bem, todos aqui? —Sem dar espaço para respostas, Mavis prosseguiu — Me sigam, por favor.

 

  Mais uma vez, Mavis tomou a nossa frente.Enquanto ela nos guiava entre escadas, paredes pintadas, alunos que nos olhavam com canto dos olhos e todas essas coisas, Enma raspou o ombro no meu me chamando atenção para ela. 

 

—Ela parece uma boneca, não parece? —Enma perguntou com um sorrisinho nos lábios. Olhei para Mavis que continuava a alguns passos em nossa frente sem nos dar ouvidos, distante demais para se misturar. Torci o nariz antes de retrucar meio brusco.

—Ela parece uma bruxa. 

—Não, idiota. A Rose, olha. —Olhei para Rose, ela parecia estar meio bamba ainda, mas estava menos pálida. Seus passos pareciam desiguais, como se ela não tivesse sustento, a gravidade agia de forma estranha no corpo dela. 

—Ela parece uma marionete. —Conclui, desfazendo a ilusão de "boneca" de Enma. 

—Marionete é um boneco. 

—É, mas não é bem o que se pensa quando diz "boneca". 

—Claro que é! —Ela respondeu um tanto ríspida.

—Não Enma, não é.

 

  Continuamos debatendo sobre bonecos, marionetes, fantoches e vi que Mavis lançou um olhar curioso para nós, prendendo como de costume os olhos em Rose por mais tempo do que o normal. Jack avançou alguns passos até chegar ao lado de Rose, para se certificar de que ela não ia vomitar em ninguém, e em meio a essa confusão de debate de bonecos, e uma garota quase vomitando, chegamos sem notar até a sala de Lenobia, uma grande porta foi aberta e nós nem notamos. Estávamos ocupados demais com nossos conflitos banais. Mavis coçou a garganta, vendo que não demos ouvido fez isso mais alto e de forma mais forçada, ai sim vimos Lenobia dentro de sua sala, sua coruja pendurada em uma gaiola sem portinha inclinou a cabeça com curiosidade para nós. Mavis corou e tentou manter a postura, mas estava claramente envergonhada por nós.

 

—Minha Grande Mentora, vou deixar os novatos aos seus cuidados agora. —Mavis fez um sinal de reverência e Lenobia acenou com a cabeça, dispensando a garota logo em seguida. Mavis saiu toda pomposa, com seu rabo de cavalo balançando para um lado e para o outro.  Não gosto dela. 

— Entrem, meus filhos. —Lenobia nos chamou e nós entramos em sua sala, a porta atrás de nós se fechou misteriosamente com uma batida forte. Lenobia caminhou até Rose e pegou a mão da garota, com um sorriso de mãe no rosto. —A gravidade de Lowtoc não está te fazendo muito bem, não é? —Rose negou com a cabeça. Lenobia deu uma risadinha e estalou os dedos,  e então um pequeno frasco de vidro com um líquido leitoso veio até sua mão, a Grande Mentora o entregou para Rose. —Beba isso, vai se sentir melhor em breve. 

— Obrigada. —Rose agradeceu com um sorriso forçado e fraco. 

 

   Fomos indicados para um sofá grande e confortável a alguns passos de nós, nos sentamos de frente para Lenobia, xícaras e pires voaram até uma mesinha de centro, o bule de chá encheu os pequenos objetos de porcelana sozinho e cubos de açúcar caíram lá dentro sem que ninguém os colocasse. 

 

—Se sirvam, meus queridos. Não tenham medo. —Lenobia deu uma risadinha olhando para as porcelanas. —Eles não mordem. —Jack foi o primeiro a pegar um biscoito que estava no centro da mesa. Enma seguiu seu gesto com um olhar desconfiado, seu olho especial se moveu como uma engrenagem, como ela geralmente faz quando está querendo usá-lo. Lenobia assentiu como se concordasse. Não peguei nada, mas o cheiro de chá de ervas era muito bom, enchia os meus pulmões e aquecia meu corpo. —Espero que Mavis tenha sido boazinha com vocês. Ela é meio... —Lenobia pensou um pouco. —Durona, mas depois fica menos pior. 

 

 

 Rose deu uma risadinha amarela com a declaração de Lenobia.  

—Que Eloá à ouça. —Rose disse, vi um brilho novo nos olhos de Lenobia. 

—Ah, o espirito criador... —Lenobia disse, passando os dedos em sua tatuagem no ombro esquerdo com olhos distantes, mas em menos de um segundo recuperou sua postura de poder. —Espero que estejam ansiosos, suas aulas começam amanhã, me certifiquei de que recebessem todas as instruções em seus quartos, procurem à mim ou a Mavis se precisarem de algo. 

—A Mavis nos falou bastante sobre a morada de Atlas. —Eu disse rápido, Lenobia me olhou surpresa, mas contente. Jack pegou outra coisa de comer em cima da mesa.

—Ah, que ótimo. —Ela uniu as duas mãos, seus dedos longos bateram uns nos outros com força.  

—Ela falou de torneios, jogos. Achei bem interessante. — Cutuquei, dando o meu sorriso mais simpático. Lenobia mantinha a postura gentil, seus lábios cresceram em um sorriso e sua voz forte porém amável se encheu de animação. 

—  Temos muito orgulho de nossas competições, nossos jogos são todos preparados não apenas para entretenimento, mas para ampliar a visão de nossos acadêmicos. Se interessaram por algum em especial? — Olhei para Rose, que fez um pequeno gesto com a cabeça, quase que impossível de se reconhecer, me perguntei se ela realmente fez tal gesto ou se foi coisa da minha cabeça. 

—  Kiristi. — O sorriso de Lenobia murchou quase que de imediato. — Poderia nos falar um pouco mais sobre esse? 

 

 

KURAMA 

 

   Meu corpo estava meio grudento por culpa do suor, desde que coloquei os pés na matriz eu fui informado que tínhamos treinos físicos regularmente, mas eu admito que os subestimava. Me arrependo de tal ato. enxuguei a testa com as costas das mão, o suor me encharcava o rosto. Max pegava mesmo pesado, apesar de ser jovem era um cara super habilidoso e que teria se dado bem no meu antigo grupo. Max, fez um sinal com a mão e nos liberou dos treinos de hoje, Soul observava desanimado, enquanto polia uma foice sem olhar para a arma, prendia seus olhos no grupo, em Max, em mim. Fiz que ia caminhar para o vestuário, quando ela esbarrou no meu ombro. 

—  Ei, toma cuidado! — Esbravejei, não é simplesmente insuportável quando alguém esbarra em você, quando se está distraído com seu blá-blá-blá interno? 

—  Desculpe. — Ela se virou para se desculpas, cabelos brancos e olhos vermelhos, seu sotaque era meio cantado. Respirei fundo e não disse mais nada, ela voltou a correr na direção contraria do vestuário. 

—  Ei, Kurama. — A voz de Soul passou a ser inconfundível para mim, não existe muitas pessoas novas como nós na Coroa Rubra, ele me jogou uma flanela limpa e eu a peguei no ar. — Volta aqui depois de toma rum banho, você tá precisando. — Apertei os olhos para ele mas não escondi um sorrisinho metido, Soul sorria de um jeito brincalhão. 

—  Tá! Guarda um lugar pra mim. 

 

  Não que fosse difícil, a essa altura ele iria ficar sozinho ali mesmo. Fui em direção ao vestiário, havia um local com algumas duchas espremidas, o vapor fazia a minha vista ficar meio confusa, e eu admito que tomar banho perto de um monte de caras não era uma atividade que eu tomava como minha regularmente. A água que caia no meu rosto com força dava uma sensação de alívio e relaxava os meus músculos enquanto eu ouvia algumas conversas alheias, todos pareciam ter o mesmo assunto: a troca de cargo do Soul. E se isso tinha alguma ligação com a Metralhadora, que eu conheço melhor como Rose. Ouvir eles citando suas teorias me deixava irritado, algo em mim dizia que era uma grande falta de respeito, então sai o mais rápido possível, coloquei minha roupa limpa e segui para encontrar Soul, mas antes parei na porta do vestuário a tempo e de ouvir alguém dizer:

—  É melhor assim, era uma merda ser liderado por um pirralho! 

 

  As risadas explodiram logo em seguida. Ah, se eles soubessem que idade não define responsabilidade, talvez calassem a boca. Soul continuava limpando as armas, agora tinha um sorrisinho gentil no rosto, me aproximei com a minha flanela e comecei a limpar um pequeno arsenal prateado. 

—  E como vai o novo cargo? — Ele deu de ombros. 

—  Vou me acostumar. Tudo acontece por algum motivo, né? — Pensei um pouco. 

—  Acho esse argumento meio estúpido. Na verdade, bem estúpido. — Soul balançou a cabeça enquanto fazia uma careta de concordância. 

—  Acho que talvez sim. 

 

      Com uma boa parte das armas limpas, seguimos para o refeitório. Eu admito que gosto de passar um tempo com o Soul, mas ele tem um gosto meio peculiar para comida. Ele colocou a bandeja na mesa, cheia de coisas misturadas que formavam uma montanha e eu fiquei olhando tentando decifrar o que era cada coisa. 

— Eu adoro o dia da sobra! — Ele puxou bem o ar, sentindo o "aroma" que emanava da sua bandeja. 

—  É... — Limpei a garganta. — Onde estão suas irmãs? — Perguntei cutucando a minha comida enquanto fazia careta para as ervilhas, Soul me respondeu de boca cheia. 

—  Elars deficint ixtar... 

— Meu espírito criador! Engole primeiro! — Ele engoliu, retomou fôlego e voltou a falar. 

—  Elas devem estar ocupadas, nossos horários não batem muito. 

— Ah, que pena. — Resmunguei, finalmente decidido a comer a ervilha que estava espetada no meu garfo. 

—  Oi, vou sentar aqui com vocês! Licença... — A voz cantada e um tanto familiar me chamou atenção, a garotas de cabelos brancos fez um comprimento de mãos com Soul e se sentou, em sua bandeja não havia ervilhas e nem nenhum tipo de "mistureba" estranha. Ela olhou para mim e sorriu docemente, seu tom de voz diminuiu um pouco. Ela se remexeu no seu lugar e corou levemente. — Ah, é você. Desculpe por ter esbarrado em você naquela hora, eu estava com bastante pressa. — Ela falou em me olhar nos olhos, sua timidez era nítida, por isso, para não a constranger muito eu forcei um sorrisinho gentil. 

—  Relaxa. — Ela pareceu receber um sopro de vida e assentiu com a cabeça. 

—  Kurama, essa é a Luunah. Luunah, Kurama. — Dissemos um "oi" meio acuado antes de eu finalmente enfiar a ervilha na boca, Soul começou a falar algo sobre usar mais as pistas de ciclismo, e Luunah sobre não ter equipamentos suficiente, enquanto eu travava uma batalha com as ervilhas que sobraram na minha bandeja. 

— Você não vai comer as suas ervilhas? — Soul perguntou, olhando fixamente para elas, sua bandeja já estava completamente vazia. 

—  Eu não sei se gosto muito de ervilhas. — Luunah deu um risinho acuada com a minha declaração. 

—   Eu detesto ervilhas. — Ela estremeceu logo após falar, de um jeito fofo.

—   Eu não sabia se gostava de ervilhas, mas agora eu acho que não gosto. — Concluí meio sério. 

—  Ah, que pena... posso comer por você? — Soul perguntou, já enfiando seu garfo na minha bandeja. 

—  Agradeço. 

 

  Ele enfiou tudo na boca de uma vez com satisfação, me pergunto pra onde ele deve mandar toda essa comida naquele corpinho pequeno de menino de treze anos. Luunah bebericava de seu suco tentando claramente evitar uma risada, mas falhando miseravelmente e jorrando suco pelo nariz, logo em seguida fazendo sinais porque ardia. Eu dava risada enquanto Soul tinha um breve chilique. Eu acho que achei o meu novo grupo.  

 

 

 

 

ROSE

 

 

   Os olhos de Lenobia mudaram, como se uma sombra pairasse sobre ela apenas por alguns instantes, como ela fez mais cedo ao saber que sou humana. Ela tentou se recompor e sua voz de Grande Mentora pareceu cheia de poder agora.

—  O campeonato de Kiristi, não é como os outros jogos. É extremamente perigoso e apenas competidores cuidadosamente selecionados podem participar. Lamento, mas vocês não pertencem a Lowtoc, então mesmo  que tentem, não poderiam participar. 

—  E o que acontece de tão extraordinário, nesse campeonato? — Perguntei, fixando meus olhos no de Lenobia, quase que a desafiando. 

—  São  doze competidores, três equipes. Destes doze concorrentes, nem a metade volta com vida. Na verdade, em muitos casos, nunca retornaram, alguns corpos nunca foram achados. E houveram aqueles que desistiram no meio da jornada. — Ela pousou os olhos em cada um de nós, sua voz cheia de sabedoria e cuidado. — Entendam que, Kiristi é muito mais do que muitos podem imaginar, todos os anos os desafios nunca são os mesmos, o labirinto muda sozinho todos os dias, e a cada ano com cada falha, ele fica mais forte e mais difícil de ser acessado. Eu nunca permitiria que alunos de intercâmbio participassem de tais atrocidades. — Ela fez uma pausa e pareceu lembrar de algo. — Os relatos contam que irmãos já lutaram até a morte, influenciados por vozes. Grandes arbustos que engoliam os competidores, Raven Mockers que abusavam de suas vitimas e as torturavam, enigmas impossíveis, portais que te levam para o fim do mundo. Tudo isso, em um único lugar. Um labirinto, que em seu centro guarda um artefato poderoso. Tão poderoso, que aqueles que chegaram ao fim do labirinto, se recusaram a sequer tocá-lo. 

 

  Lenobia parecia afogada nos seus pensamentos, seus olhos não tinham um foco e suas palavras, saiam cada vez mais roucas como se ela estivesse em um sonho. A voz de Jack pareceu a puxar de um transe quase letal. 

 

—  Você já viu? A Kiristi? — Não reconheci o que se formou no rosto da Grande Mentora. 

—  Nunca. — Ela puxou ar com força e então o soltou levemente. — Mas o tempo passa rápido não é? Veja, vocês estão atrasados para o almoço, e devem estar morrendo de fome. Eu os acompanho até o refeitório. 

 

  Ela deu seu sorriso maternal e se levantou, todos nós obedecemos, verifiquei que estava com o frasco que Lenobia me deu e o apertei em meu bolso. As xícaras, pires, bule e todo o resto que estava na mesa de centro se ergueu nos ares sozinho e flutuaram para algum lugar atrás de nós. Andamos atrás de Lenobia que caminhava com graça, sua coruja pousou em seu ombro tatuado e virou a cabeça para nós. Era assustadora vista por esse ângulo. Já no grande corredor inteiramente de vidro, nos encontramos com Mavis que veio caminhando ao nosso lado. 

—  Vocês vão adorar o salão comunal. É simplesmente esplendoroso. — Ela olhou para nós. — Assim como a comida, é claro. 

 

  Seria grosseria eu perguntar se eles comem sopa de sapo, ou algo assim? Fiquei brincando com esse pensamento internamente então passos apressados vieram em nossa direção, Era um homem, quase caindo aos pedaços, Lenobia parou de andar. 

—  Grande Mentora, precisamos de sua ajuda. Tivemos um problema com os aquáticos, precisamos de sua presença. 

— Por Eloá....  — Lenobia se virou para nós e fez uma rápida reverência. — Peço perdão meus novatos, os acompanho para uma atividade recompensatória mais tarde. Mavis, os acompanhe. — Ah, não, de novo não... — Com licença. 

 

  E saiu. Ela e aquele velho caquético. Mavis fez um sinal coma mão pedido para que fossemos algum tipo de pudle adestrado, me pergunto se essa menina não tem medo de levar um soco na cara. Fomos para um caminho diferente, as escadas na Morada de Atlas parecia não ter fim, Mavis dava passos apressados, talvez estivesse com muita fome também. Seu rabo de cavalo, balançava de um lado para o outro. Finalmente paramos diante um grande porta de madeira. 

—  Será que a maçaneta dessa porta também é fresca? — A voz de Dark soou brincalhona, eu não entendi a piada, mas Mavis o olhou cheia de graça. 

—  Ah, então vocês descobriram o que eu quis dizer. 

 

   Ela abriu as grande portas e de fato, deslumbrante não era uma palavra que chegava aos pés do salão comunal. Mármore no chão, pinturas clássicas nas paredes pareciam fazer movimento repetitivos, a música acariciava o ar e se misturava com os aromas saborosos, as mesas de madeira estavam repletas de diferentes comidas, e o teto, era de vidro, dando espaço para os raios solares, que não parecia incomodar a pele de ninguém ali. Começamos a dar passos para dentro do salão, quando eu finalmente estava para entrar, Mavis colocou o braço em minha frente, me impedindo de andar. Olhei para seu braço esticado em minha frente e segui até olhar para seus olhos cor de safira, ela estava séria e me encarava friamente, e continuou. E mais uma vez eu tive aquela vasta sensação de familiaridade. 


Notas Finais


Espero que o capítulo os tenha agradado. Muito obrigada por cada parágrafo lido, sou imensamente feliz por ter meus leitores comigo. Até o próximo capítulo e fiquem bem <3


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