1. Spirit Fanfics >
  2. Daddy Issues. >
  3. Cry, little boy.

História Daddy Issues. - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Perdão pelos erros e pelo final da one.


Boa leitura!

Capítulo 1 - Cry, little boy.


A chuva lá fora estava forte, mas ainda sim era possível de se ouvir os gritos de uma discussão inacabada entre a família de Younghyun. A mãe tentava acalmar o senhor de aparência jovial e traços que lembravam o rosto de seu filho, que agora estava bastante avermelhado e molhado por conta das lágrimas.

Já era a terceira vez naquele dia onde o pai tentava de todas as formas "concertar" seu filho como se o garoto fosse um boneco quebrado. As pautas a serem discutidas naquela residência eram sempre as mesmas. O estilo de seu filho, pois aos olhos do mais velho, Kang era usuário de drogas. A orientação sexual do garoto, pois o pai conseguia enxergar inúmeros problemas em seu filho ser homossexual.

Aos olhos do mais velho, ter um filho gay iria arruinar completamente sua vida além de arruinar a reputação de toda a família. Kang pensava que a homossexualidade de seu filho era alguma doença necessitada de cura. Decidido á tentar salvar seu filho de tal doença, não tardou em contatar algumas pessoas para lhe arranjarem uma passagem somente de ida para a Coréia do Sul.

— Brian é muito novo. Não irá conseguir se manter em outro país sozinho, querido. Por favor, repense essa sua decisão. — Disse a mulher, tentando argumentar contra seu marido. — Ele nem ao menos terminou o colégio. — Apontou com uma expressão preocupada, massageando os ombros do filho na intenção de mantê-lo calmo.

— Falta pouco para ele completar a maioridade, não aja como se ele fosse uma criança indefesa! Ele terá de arranjar algum trabalho caso não queira morar na rua ou caso escolha fazer alguma faculdade, pois nem eu ou você iremos entregar nosso dinheiro nas mãos dessa criatura doente! — cruzou os braços, encarando o filho com desprezo.

O garoto encarou seu pai com tristeza no olhar e suspirou, abaixou a cabeça e deixou as lágrimas saírem, molhando ainda mais seu rosto. — Pai, por favor… eu gosto daqui e vocês dois sabem o quão trabalhoso e demorado foi para mim fazer duas amizades. Vocês reconhecem que tenho dificuldades em socializar e que tenho alguns problemas, mas o senhor prefere fechar os olhos e agir como se isso não tivesse a menor importância. Eu cansei disso!

Com a visão turva por conta das lágrimas que não paravam de cair, saiu cegamente rumo às escadas, não dando ouvidos ao seu pai que continuava tagarelando, seus pés foram rápidos em levá-lo até seu quarto escuro, não se deu ao trabalho de acender as luzes. Suas costas deslizaram pela madeira fria da porta, trazendo alguns arrepios para sua espinha.

Abraçou seus joelhos e deixou que as lágrimas caíssem, não se importando em molhar suas roupas. Quanto mais a chuva caía lá fora, mais ele colocava suas mágoas e frustrações para fora através de suas lágrimas. Chegou a imaginar como seria fazer um oceano em seu quarto com suas lágrimas e se afogar em seguida, pensou em como seu pai iria reagir e um riso amargurado escapou por seus lábios.

Aquele velho jamais iria se importar com o falecimento de seu filho, certamente iria dar graças aos céus e ele nem era religioso. Entretanto, imaginou o sofrimento de sua mãe e se entristeceu porque não queria vê-la passar por tanto sofrimento por sua culpa. O sorriso brilhante de Park invadiu sua mente por alguns instantes, lhe fazendo sorrir sem nem mesmo perceber.

Foi então que o choro cessou, dando lugar ao sorriso, mas então seu coração se apertou. Seu pai lhe mandaria para a Coréia em breve, precisava ver Jaehyung mais uma vez. Afoito, se levantou e acendeu as luzes de seu quarto, buscando um guarda chuva com os olhos e vestiu um suéter vermelho que encontrou quase de imediato e não tardou a encontrar seu par de all star também vermelho, mas um tanto desbotado pela velhice.

Enquanto descia as escadas um tempo depois, fazendo o mínimo de barulho possível para não ser descoberto, encontrou o aparelho celular em um dos bolsos de sua calça junto de alguns poucos dólares, foi então que pensou em fugir.

Tentava arquitetar um bom plano de fuga enquanto saía de sua residência pela porta dos fundos. Assim que seus pés tocaram o gramado de sua casa, sentiu a brisa fria lhe abraçar, sentiu frio, mas não deu importância, nem mesmo se importava se seus fios recém tingidos de vermelho estavam apresentáveis, apenas queria chegar logo ao seu destino.

Destino esse o qual tivera que caminhar uns bons quarteirões e sentir seus pés molhados por conta da água em seu sapato até alcançar. A casa de Park Jaehyung. O nerd com alguns parafusos a menos e seu melhor amigo com quem estava mantendo uma amizade colorida. Um raio cortou o céu no instante em que ele observava a janela do quarto de seu amigo e isso o fez pular de susto e caminhar entre tropeços até a janela do quarto de Park o qual parecia já estar dormindo.

Mas não iria voltar para sua casa agora, muito menos iria fugir sem dar um último abraço no argentino. Retirou o celular de seu bolso, torcendo para suas mensagens serem lidas. Mordeu o lábio inferior pelo nervosismo e encarou a janela que foi aberta alguns minutos depois por um argentino loirinho de expressão sonolenta.

— Espere um pouco, vou descer e abrir a porta pra você. — disse o argentino, com voz rouca.

Porém, antes que ele pudesse fazer menção de sair do cômodo, Younghyun já estava subindo na janela para conseguir entrar. Park não disse nada apenas aguardou o mesmo adentrar o cômodo e fechar a janela em seguida.

— Desculpe é que não queria sujar sua casa. — se justificou, e sorriu envergonhado.

O loiro apenas sorriu e guardou o guarda chuva do mais novo e então puxou ele para um abraço apertado onde Younghyun chorou mais um pouco. O abraço de Jaehyung era quente e reconfortante, ali ele se sentia seguro e protegido.

Park não disse nada, somente afagou os fios avermelhados e aguardou o mesmo se sentir mais calmo antes de deixá-lo deitar em seu colo. — Vou perguntar mesmo já sabendo a resposta. É o seu pai, não é? — Encarou as íris do mais novo, fazendo carinho em seu cabelo.

— Sim. Dessa vez foi a última, Jae. Nós não iremos mais discutir. — disse Younghyun, com um tom de voz baixo, quase choroso.

Um sorriso tomou os lábios de Park. Aquele sorriso que fazia Kang se derreter por inteiro. — Isso é bom, não é? Suponho que vocês tenham se entendido então. Talvez nós devêssemos sair para comemorar amanhã.

Younghyun respirou fundo e encarou a face do mais velho por alguns minutos, buscando coragem para dizer aquilo em voz alta.

— Não, Jae. Nós dois não nós entendemos, infelizmente. Minha mãe tentou, eu tentei, até mesmo você tentou naquela vez. Mas meu pai… ele não me ama, tenho certeza disso! Ele vai me mandar para a Coréia, suponho que amanhã mesmo. Coréia do Sul, Jae. Eu, um adolescente de dezessete anos que não terminou os estudos e não sabe fazer absolutamente nada da vida, sem dinheiro, sem um lugar para morar, sem você… O que será de mim? — lágrimas escaparam por seus olhos mais uma vez.

Jaehyung ouviu atentamente todas as palavras proferidas pelo melhor amigo, sentindo um enorme aperto no peito e algo preso em sua garganta. O ambiente estava quase silencioso, se não fosse pela respiração calma de Park e o choro do amigo em seu colo.

— Em que você tanto pensa, Jae? — fungou. — Bem, imagino que não há nada para pensar sobre nós, ao menos não depois de saber que em breve vou ir embora.

– Eu estou pensando em maneiras menos violentas de libertar você desse inferno onde você vive, amor. — seu olhar se encontrou com o olhar choroso de Kang, e então esboçou um pequeno sorriso. — É louco o que se pode fazer por um amigo, sabia? Vá em frente e chore, garotinho. Ninguém faz isso como você.

Voltou a afagar os fios avermelhados enquanto pensava no que deveria fazer. Nessa situação, o que seria o certo á se fazer? Sentia vontade de agredir o pai de Kang, mas não era correto e seu físico não lhe ajudava. Foi então que uma ideia invadiu sua mente.

— E se… a gente fugir? Eu sei o quanto você gosta da Califórnia, nós não precisamos ir para outro país e poderemos finalizar os estudos depois. Se você fosse meu garotinho, Younghyun… eu fugiria e me esconderia com você.

— Eu pensei sobre isso no caminho para cá, mas não tenho muito dinheiro comigo e imagino que meu pai colocaria a polícia atrás de nós. — Não conteve um revirar de olhos.

— Nós vamos dar nosso jeito. Vou falar com o Sungjin, não se preocupe, não vou deixar que seu pai te leve daqui contra sua vontade! — rapidamente alcançou o celular e mandou mensagem para o amigo.

Alguns minutos se passaram, a chuva cessou e Younghyun estava quase adormecendo quando ouviu o aparelho celular de Jaehyung notificando uma nova mensagem. Por sorte, Jae era amigo de um cara que já estava em seus últimos anos de faculdade e já tinha sua casa própria. Sungjin devia favores ao argentino então não pôde recusar a hospedagem.

O enorme sorriso nos lábios do Park denunciava que tudo estava pronto. Kang Younghyun poderia viver feliz ao lado de seu melhor amigo, ser quem ele era sem ter de se preocupar com seu pai. Um sorriso cresceu em seus lábios e naquela madrugada ele pôde adormecer feliz e sem preocupações, mesmo se sentindo culpado por ter tomado a cama de Park.

Na manhã seguinte, despertou um pouco mais tarde do que esperava, mas depois de finalmente conseguir se levantar, foi surpreendido por uma bandeja de café da manhã sobre a escrivaninha bagunçada de Jaehyung. Sorriu bobo e balançou a cabeça em negativa antes de decidir comer.

Depois de fazer a refeição, Younghyun decidiu arrumar o quarto do amigo o qual estava um tanto desorganizado. Acabou se assustando e deixando algumas almofadas caírem no chão quando Jaehyung passou pela porta.

— Bom dia, príncipe Younghyun. — desejou o loiro, sorrindo.

— Bom dia, plebeu Jaehyung. — deixou uma risadinha escapar ao ver a expressão do loiro.

— Eu te deixei dormir na minha cama, usar minhas roupas, te fiz café da manhã quando na verdade você já estamos em horário de almoço e você me chama de plebeu? Muito obrigado. — levou a mão ao peito, fingindo estar ofendido.

— Desculpe-me Vossa Alteza. Sou muito grato por sua generosidade, mas se não for abuso… acho que você terá de me emprestar mais roupas porque não posso sair na rua vestindo um pijama do Chicken Little. — vestiu o capuz do pijama e ouviu a risada do argentino.

— Não mesmo, até porque iriam rir de você e esse é meu pijama favorito. Só te emprestei porque você é tão especial quanto esse pijama. Agora vou procurar por algo pra você usar.

[…]

Depois de prontos, Jae prometeu que viria visitar sua mãe sempre que possível e aguardou o amigo se despedir e agradecer pelo abrigo nos dias em que ele precisou fugir de seu pai. A mãe de Jae não hesitou em puxar Kang para um abraço apertado antes de finalmente deixar os dois passarem pela porta da frente quando Sungjin chegou para buscá-los.

Contra a vontade do argentino, a mãe de Park lhe deu uma boa quantia em dinheiro para o filho conseguir se manter e ajudar seu amigo ao menos até ele conseguir algum emprego. Isso fez Younghyun se recordar das falas de seu pai. Não é como se ele tivesse pedido por ajuda financeira, mas ele desprezava o filho suficiente para deixá-lo viver como mendigo em outro país.

Sentiu um aperto forte em seu coração enquanto observava o amigo aceitar o dinheiro, contrariado. Quando adentrou o automóvel, velho, mas em bom estado, respirou fundo encarando a visão proporcionada pela janela. Se perdeu em devaneios enquanto o silêncio se fazia presente no ambiente.

Pouco tempo depois, sentiu a mão de Jaehyung em seu rosto e endireitou a postura, voltando seus olhos para o loiro que agora usava os óculos de armação arredondada as quais pareciam grandes demais para seu rosto, mas deixavam o Park com um ar mais fofo.

— Pensei que fosse precisar de seu celular, mas não se preocupe, me certifiquei de tomar algumas medidas para que seu pai não lhe incomode mais. — Estendeu o aparelho para o amigo, que pegou com um sorriso desconcertado nos lábios.

— Obrigado, Jae. Por tudo o que você tem feito por mim. Realmente não sei o que seria de mim sem você. — Sentiu os dedos de Park acariciando seu rosto.

— Não tem nada para me agradecer, Younghyun. Eu sou seu melhor amigo, não sou? É o mínimo que posso fazer por você. Eu quero ver você bem, feliz. Sempre farei qualquer coisa para garantir que você esteja bem.

O rosto do mais novo ganhou uma coloração avermelhada e levou suas mãos para o rosto do Park, contornando a face do mesmo e deixando um sorriso bobo tomar seus lábios. Jaehyung era lindo por inteiro, desde os cabelos bagunçados até o sorriso capaz de desmontar Kang completamente e fazer seu coração errar as batidas.

— Você não precisa fazer muita coisa para me ver assim, Jae. Basta permanecer por perto para cuidar de mim e me ouvir falar dos meus problemas com meu pai.

— Eu sempre vou permanecer por perto, amor. Você é meu garotinho. Eu sempre irei cuidar de você e deixar que você chore em meu ombro e me conte sobre os seus problemas com seu pai ou qualquer outro. Vou sempre proteger você e colocar um sorriso em seu rosto. Acho que não é necessário dizer, mas eu amo você, Kang Younghyun.

— Eu também amo você, Jaehyung. Você é meu porto seguro, aquele que sempre me fará sorrir e me trará coisas boas. Você é perfeito! Mesmo tendo um pijama do Chicken Little. — ditou e um riso escapou por seus lábios, arrancando risos de todos ali.


Notas Finais


vão ler as fics da @youngkcolors porque ela é um anjinho e extremamente talentosa.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...