História Daddy's Squad - Capítulo 19


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Boyxboy, Kookv, Lgbt, Lgbtq, Namjin, Sope, Squad, Taekook, Vkook, Yoonseok
Visualizações 52
Palavras 3.579
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Famí­lia, Fluffy, LGBT, Romance e Novela, Saga, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


relembrando:
Jisoo é um menino transgênero. Nasceu menina e tem aparência feminina.
Nos documentos do orfanato, Jimin se chama Taemin.
JiMin é a união entre os nomes Jisoo e Taemin.
Eles tem 10 anos de idade. Sungwoon é mais velho.

Capítulo 19 - "jura, jura juradinho"


Fanfic / Fanfiction Daddy's Squad - Capítulo 19 - "jura, jura juradinho"


Antes de reaparecer no orfanato Lar dos Filhos de Deus, Sungwoon tinha sido adotado e viveu por alguns meses numa casa confortável onde dormia em um quarto próprio e cheio de brinquedos. Mas, se sentia mal e triste todo o tempo. Só pensava em Jimin.

No começo, seus pais adotivos pensaram que seu mau humor, algumas vezes violento, era falta de crianças com quem brincar. Mas, mesmo no colégio, Sungwoon parecia infeliz. Em seu  aniversário de 13 anos lhe deram uma festa e presentes mas ele pediu um irmãozinho, ele queria que adotassem Jimin.

O casal idoso não se via em condições de ter outra criança sob seus cuidados. Certo dia, enlouquecido de saudade, o menino fugiu de casa decidido a reencontrar a pessoa que não lhe saía da cabeça. Foi uma jornada difícil e perigosa mas ele conseguiu.

Então, se sentiu muito traído quando encontrou Jimin com uma garota no lugar secreto deles. Sungwoon é que tinha escavado a passagem por baixo do muro fronteiriço e levado Jimin até a fazenda. Era um refúgio; onde podiam se imaginar num mundo só deles; e, foi ali que juraram serem um do outro para sempre.

Agora, ele passava por debaixo do muro que separava a fazenda do orfanato, pela primeira vez sentindo-se miseravelmente infeliz.

— Sungwoon, espera! — Jimin chamava em seu encalço. Sungwoon era muito mais rápido mas estava há dias sem comer, e tão exausto que estava, desmaiou. — Jisoo! Chama ajuda!

Jisoo correu para dentro. Logo algumas freiras vieram acudir. O menino desmaiado foi levado para a enfermaria. Seus pais seriam avisados para virem buscá-lo.

No refeitório, todos jantavam, mas, Jimin não tocava na comida, muito preocupado com seu amigo acamado. À distância, Jisoo o via de sua mesa, porque as meninas ficavam separadas dos meninos. Seu coração saltou alto em seu peito quando finalmente Jimin levantou os olhos e encontrou os dela.

— C.o.m.e. — Jisoo falou só mexendo os lábios. Jimin meneou a cabeça, se recusando a fazer o que Jisoo pedia.

A freira cozinheira veio e ralhou com ele, fazendo-o ficar sentado na mesa sozinho até terminar sua refeição. Ele queria obedecer, mas, era como se houvesse um nó em sua garganta impedindo que engolisse. Mas, foi forçado.

Ao sair do refeitório foi levado para o banho sozinho porque os demais meninos já tinham tomado. Estava tão tarde que ele precisou se trocar no escuro pois todos dormiam. Deitou-se. As lágrimas molhavam o travesseiro ainda mais que seu cabelo, pois ele não teve forças para secar. A preocupação com Sungwoon o consumia.

Depois de uma hora, todo o orfanato era silêncio com as freiras recolhidas em seus aposentos. Jimin esgueirou-se pelos corredores e foi até a enfermaria. Infelizmente, trancada. Pela porta de vidro canelado era possível ver um ocupante sobre a maca, mas, talvez nem fosse ele, outras duas crianças estavam adoentadas.

Foi chorar num lugar seguro, o armário no sótão. Chegando lá, encontrou Jisoo. Eles não se disseram nada, à princípio. Apenas se sentaram encostando nas paredes laterais do móvel, um de frente para o outro, com a vela ao lado os iluminando. Jisoo se inclinou para secar uma das lágrimas da face de Jimin.

— Por que tá chorando?

— Ele vai morrer.

— Que burro, não é assim que as pessoas morrem.

— Não?

— É com um furo na cabeça, assim... — fez um revólver com a mão e com a ponta do indicador na têmpora fez uns sons, primeiro um "clic" seguido de um "BAM". — Meu pai morreu assim.

— Ah... — confuso.

— Seu amigo só está cansado, nem tá com febre, isso é bom. Minha mãe tem uma febre que ela ganhou quando meu pai morreu, aí ela só ficava na cama, um dia ela estava fedendo muito então levaram ela para um lugar onde dão banho nela e fazem ela comer. Me disseram que se eu fosse uma boa menina, tinha cuidado dela, mas, eu não sei fazer o que as meninas fazem. — deu de ombros.

— Você é criança, crianças não sabem cuidar de adultos.

— Foi o que eu disse, mas, ninguém me escuta... — suspirou alto.

— Você gostava de ter pai e mãe?

— Acho que sim. Você nunca teve?

— Não, a cegonha me deixou aqui direto.

— Ah... A cegonha me levou para a casa dos meus pais e eu morava lá.

— Era grande?

— Grande. A maior casa da rua.

— De que cor?

— Tinha muitas cores, mas, meu pai pintou de vermelho. — Jimin imaginou uma parede vermelha, não sangue espirrado. — E tinha... Tinha uma escada, como aqui. Tinha um gramado, como aqui. Tinha um lago também, mas, eu nunca entrei kkkk Tinha um jardim com muitas flores e tinha muitos carros. Muita gente ia na minha casa. Muitos adultos. Eu podia ficar no quarto o tempo todo assistindo desenho. Eu tinha muitos brinquedos e comia mochi todo dia porque eu ia sempre na padaria. — brincava com os pés dele, colados sola com sola. —  Quando minha mãe me levava na padaria eu via aquele monte de bolinho, tinha uns com formatos de bichinhos como se fosse uma fazenda doce.

— Sério?

— Sim! Tinha pintinhos, patinhos, vaquinhas, porquinhos, até sapinhos.

— Uau! São gostosos?

— Sim, o gosto é igual... Quer dizer, tem os recheios diferentes, mas, o de coelhinho tem o mesmo gosto dos de ursinho, igualzinho, só muda a cor e cor não tem gosto, minha mãe dizia que quando ela era criança os bolinhos não tinham carinhas, nem cor. Ela sempre me dizia como eu tinha sorte...

— Sua mãe devia ser rica pra comprar bolinho todo dia...

— Acho que era porque ela comprava bolinhos e bolos grandes, desses decorados com flores de sakura, e lá na padaria tinha um bolão na vitrine que parecia um arco-íris, sério! Tinha camadas de todas as cores... Ah! E tinha sorvete hummm... — passou a língua pelos lábios.

— Que legal...

— É, minha mãe era meio legal sim. Era brava e não me deixava ser menino, mas, não me batia. — acariciou a mão ainda dolorida. — Agora, me lembrei! Era muito rica sim porque as meninas daqui disseram que quem usa chapéu é rico e minha mãe usava e me fazia usar também... — bufou revirando os olhos. —  Sem contar, as lojas de vestidos... Eca!

— Entendi... Que chato... Então, você tomava sorvete?

— Se você só pudesse comer um, qual escolheria? Bolinho ou sorvete? Eu prefiro sorvete. Eu adoro sorvete. Queria muito um sorvete agora. Eles tem sorvete aqui?

— Não, não tem. Eu nunca tomei sorvete. Eu queria saber como é. Se congela o cérebro mesmo como aparece na TV.

— Congela sim kkkk dói mas é legal. — Jimin fungou a coriza, secando os olhos, então, Jisoo achou que ele estava triste com isso e quis mudar sua resposta. — Não é tããão legal assim, é igual quando você chupa gelo.

— Neve?

— Sim, neve é igualzinha a sorvete, a diferença é que tem sabor de morango. Quando eu crescer, eu vou te comprar um monte de sorvete de todos os sabores.

— Chocolate?

— Sim, e feijão vermelho.

— Hummm...

— Eu prometo, Taemin, quando eu for adulto vou cuidar de você direitinho. Vou comprar uma casa grande do lado de uma padaria bem chique. Todo dia vai ter bolo e sorvete na nossa casa, as paredes vão ser branquinhas e a gente vai sorrir o dia inteiro porque você vai ser minha família e eu vou ser a sua.

— Eu não posso ser sua família porque eu vou cuidar do Sungwoon quando eu crescer.

— Foi isso que você prometeu pra ele?

— Foi.

— Vocês vão ser adultos juntos?

— Sim.

— Acabei de me lembrar que quando é adulto só pode ter um papai e uma mamãe em cada casa.

— É?

— É.

— Tem certeza?

— Quase certeza...

— Isso não pode ser verdade. Então, eu nunca vou ter uma casa?

— Vai, se um de nós usar uma saia. Eu não gosto de saia, mas, tenho um monte de vestidos. Se você quiser ser adulto comigo, eu posso ser a mamãe. O Sungwoon podia ser nosso filho. Aí, a gente vai passear e tomar sorvete. Podemos ter um cachorro?

— Não sei...

— Você não gosta de cachorro?

— Quê? Não! Quer dizer, sim, eu gosto de cachorro. É que...

— Você quer morar só com o Sungwoon?

— Sim... Não! É que eu acho que quando você é adulto pode fazer o que quiser e eu não quero que você seja mamãe do Sungwoon, ele é pequeno mas não é bebê e você não é menina. Então, tem que ter outro jeito...

— É, tem que ter...  — um silêncio.

Jisoo imaginando‐se um homem adulto, alto e forte, correndo com seu cachorro; Jimin, por sua vez, só pensava em Sungwoon desmaiado.

— Eu queria tanto falar com ele... — suspirou.

— Taemin?

— Fala!

— Eu tô com medo.

— De quê?

— E se o Sungwoon não gostar de mim?

— Ele vai gostar, ele gosta de mim.

— Mas, eu não sou fofo e esperto como você.

— Você se parece com ele, sabia? Primeiro porque gosta de mim, e depois porque eu nunca tinha visto alguém mais corajoso que o Sungwoon.

— Eu sou mais?

— Jisoo, você é o menino mais fofo, esperto e corajoso do mundo inteiro. Bom, do mundo todo eu não sei, mas, no meu mundo você é... — Jisoo não esperou o fim da frase e se jogou em Jimin.

— Eu juro! Juro, juradinho que eu vou fazer você sorrir todos os dias, Taemin. É a minha promessa.

— Tá... — ainda tonto com o impacto dos corpos e a falta de ar do aperto em seu pescoço enlaçado pelos braços de Jisoo.

— Vamos?!

— Dormir?

— Não! Vamos ver Sungwoon.

— Não, não podemos, a enfermaria fica trancada a noite toda.

— E se a gente fingir que está doente?

— Como?

Jisoo tinha um plano. Ir até o armário de limpeza perto da cozinha para pegar uma vela nova. Até aí, tudo bem, porque precisavam mesmo de outra. Mas, Jisoo intencionava esquentar as mãos no fogo. Na porta da enfermaria, Jisoo posicionou as palmas das mãos sobre a chama até sentir queimar e as apertou na testa e nas bochechas dele, e ainda deu uns tapas.

— Que tá fazendo? — sussurrou em protesto, Jisoo sorria com uma carinha divertida.

— Vai doer! — enfiou os polegares nos olhos de Jimin.

— AAAAIIII. — Jisoo correu com a vela deixando Jimin ali segundos antes de uma freira abrir a porta.

— O que você quer, Taemin? Oh, minha Santa! Conjuntivite? — tocou seu rosto com as costas da mão. — Está com febre, Meu Pai Eterno!

Jimin foi colocado em um leito. A freira foi buscar a irmã-enfermeira. Sungwoon dormia tranquilamente mas Jimin precisou tocá-lo para acalmar seu coração aflito. Acariciando seus cabelos, incomodava o menino que dormia. Cada movimento de Sungwoon era um sopro de alívio para Jimin.

A enfermeira lavou os olhos dele com um colírio. E o ajeitou numa maca para dormir. No dia seguinte ela o acordou e seus olhos estavam perfeitamente saudáveis por isso foi liberado. Sungwoon tinha visto Jimin ali e apesar de todos os esforços do mais novo de estabelecer contato visual, ele não olhou de volta.

No refeitório, Jisoo e Jimin se comunicaram por olhares e gestos. Tentavam disfarçar os sorrisos durante a aula. Na hora do almoço lá estava Sungwoon. Jimin radiante se sentou ao lado dele.

— Oi! Como você tá? — cochichou.

— Ótimo e sua namorada? — falou alto.

— Quem???

— Namorada??? — um dos outros meninos sentado à mesa. — Quem tem namorada, Taemin?

— Eu sei lá...

— Taemin tá namorando aquela garota. — Sungwoon apontou para Jisoo que encarando os meninos, aguardava ansiosamente por receber um olhar de Jimin em troca do seu, então, ficou confuso com todos o encarando.

— Jisoo não é minha namorada!!! — veemente porém quase inaudível.

— Jisoo??? Hm... Jisoo e Taemin se amam, se amam, se amam... Tão namorando... nhem, nhem, nhem — cantarolou pretendendo ser irritante mesmo.

— KKKKKKKKK — um coro de gargalhadas.

— CALEM-SE!!! — a cozinheira ordenou. Jisoo olhava confuso. Jimin comia de cabeça abaixada enquanto todos os outros olhavam para Jisoo.

— Taemin namora a sapatão! — um dos meninos disse alto suficiente para quem estava ao seu lado ouvir e todos abafavam o riso.

— SHIIIII — fez a freira ouvindo o burburinho e risadinhas.

— Eu não namoro ninguém. — disse Jimin no ouvido de Sungwoon que se virou quase tocando os narizes.

— Você era meu n.a.m.o.r.a.d.o. — a última palavra sem som algum e virou-se para sua refeição e praticamente engoliu a comida, levantou mostrou seu prato limpo para a freira e assim foi dispensado.

Atônito, chocado, perplexo, Jimin não conseguia comer, a palavra "namorado" tinha um determinado significado para ele que não combinava com o que Sungwoon e ele faziam. Na TV, quem tem namorado beija, abraça e se casa. Refletia sobre os gestos trocados em todos aqueles anos e nesse momento, ele olhou para Jisoo e ele o olhava desconfiado, saindo do refeitório seguindo o fluxo. Era a última das crianças a deixar o local e franzia o cenho como quem ordena que ele se levante.

Jimin comeu sem nem perceber o que engolia. Saiu correndo. No corredor, viu Jisoo mas nem deu atenção, passou por ele em alta velocidade já saindo do prédio. Viu Sungwoon sentado na grama escorado na grande árvore.

— Sungwoon, por que disse aquilo? — resfolegante.

— Taemin, você tá mesmo namorando a esquisita? — um dos meninos se aproximou perguntando.

— NÃO!

— Ela é louca, diz que é um menino. kkkk

— Cala a boca!

— Tá namorando, tá namorando, tá namorando... — o coro ia aumentando conforme mais crianças iam se juntando.

Sungwoon subiu na árvore. Jimin o seguiu. Sentaram num dos galhos grossos que não ficavam tão no alto. Os demais meninos se aglomeraram embaixo então eles poderiam ser ouvidos se falassem normalmente.

— Eu disse que ia voltar para te buscar.

— Eu fiquei feliz, tava com saudade.

— Tava nada. Você não me ama.

— Amo... — já não se sentiu muito a vontade de dizer isso. Olhando para Sungwoon agora, ele parecia muito diferente, o jeito como o olhava era novo, seus olhos pareciam maiores e brilhantes. — O Jisoo é legal, você vai gostar dele.

— Eu não quero gostar de mais ninguém, ainda mais de uma garota!

— Não é uma garota, ele é um menino mas fazem tranças no cabelo dele porque é muito comprido e ele não tem pinto, só isso que é diferente.

Sungwoon olhava com incredulidade para Jimin.

— Por que tá mentindo pra mim?

— Mentindo? Eu não... O que aconteceu? Por que voltou? Te devolveram?

— Seu idiota, eu fugi.

— Fugiu? Como você fez?

— Sai daqui!

— Era ruim? Te batiam? Você tinha que trabalhar?

— Não. Era perfeito! Eu fugi pra vir te buscar. Quando eles viessem atrás de mim eu ia apresentar você. Eles são legais. Mas, aí, você tá namorando uma menina. Estragou tudo.

— Não! Por que fica falando isso? Namorando??? Tá doido?

— Muito doido porque confiei em você, nós juramos ser um do outro para sempre.

— Eu vou ser seu amigo para sempre, nada mudou, acontece que a... oo Jisoo é legal e precisa de ajuda, podemos ser amigos, nós três. Você vai gostar dele.

— Detesto meninas, elas são chatas e irritantes.

— O Jisoo não é menina, ele é um menino como você e eu, só com algumas diferenças...

— Taemin, se ela não tem pinto e usa vestido, ou é menina ou é doida!!!

— Ele é estranho mas a gente se acostuma logo porque ele é estranho como a gente.

— Como nós? Como?!

— Sei lá, acho que... Eu não sei explicar só sinto que somos iguais.

— Você não me ama mais, não quer mais ser minha família.

— Eu quero. Podemos ser uma família, nós três!

— Taemin!!! Casamento é só com duas pessoas.

— Casamento???

— Esquece. Vai embora!

— Woooon, para com isso! Me conta como foi? Sua casa era aqui perto? Tomou sorvete?

— Taemin, vem morar comigo? O meu quarto é grande, tem muitas roupas e brinquedos, a gente dorme na mesma cama...

— Ah... Só tem uma? Será que eles levam a Jisoo também?

— Não, né? Só tem uma e eles não querem uma menina ainda mais uma doida.

— Para de chamar ela, ele de doida!

— Então, para de falar dela!!! Eu tô aqui. Eu vim pra cá, noooossa, foi tão difícil...

— Você não devia...

— Você pensou em mim?

— Claro, todos os dias. Doeu muito? — apontando o furinho no braço por onde ele tomou soro na veia para reidratar.

— Sim, você sabe que eu detesto "picada", chorei que nem uma menininha. — envergonhado abaixou o rosto e viu uma menina subindo.

— Desculpa não estar lá para segurar sua mão, as Irmãs não deixaram, mas, você viu que eu dormi do seu lado porque o Jisoo teve uma super ideia...

— EI! SAI! — gritou para Jisoo. — Como ela...? — inconformado.

— Jisoo, desce! É perigoso, o galho não aguenta! — Jisoo parou no galho de baixo.

— Fica com ela!!! — Sungwoon pulou no galho onde Jisoo estava, foi um momento confuso, aconteceu tudo rápido, mas, parecia em câmera lenta, Jisoo quis dar espaço para ele descer para o próximo galho, mas, não tinha onde se apoiar, ia caindo quando Jimin se debruçou e pegou sua mão. Eles se olharam e, no segundo seguinte, despencavam.

Jimin via o rosto de Jisoo emoldurado pelo verde da grama, sentiu um ardido na canela, o vento no cabelo, o tronco passando, enfim, o chão. Estavam os três caídos, Jimin rolou para o lado, caindo mais uns centímetros para tocar o gramado, viu a copa da árvore e então percebeu que tinha caído em cima de Jisoo.

— Jisoo? Se machucou? Tá doendo? — Não houve resposta. Jimin deu uma boa olhada em seu corpo estatelado e abaixou o vestido para cobrir a calcinha agora que ouviu os meninos falando disso.

— Aiii. —  Sungwoon reclamou segurando o braço cujo cotovelo dobrava para o lado errado e Jimin foi ver.

— Ajuda!!! PEÇAM AJUDA! — pediu aos demais, refeito do choque inicial Sungwoon chorava agora.

— Jimin? — Jisoo o chamou de Jimin e ele olhou só porque era a voz de Jisoo.

— Jisoo? — aflito porque Jisoo olhava estranho para cima como se visse um fantasma. — Oi, sou eu, Taemin. Fica quietinho,  as freiras estão vindo ajudar a gente.

— Eu adoro seu nome.

— Taemin? — os olhos de Jisoo voltaram a ter foco e Jimin era só o que via.

— Posso te chamar de Jimin?

— Pode...

— Pra você nunca esquecer de mim.

— Quê? Ok. Pode me chamar do que quiser, mas, agora para de me olhar assim, tá me assustando.

— Desculpa... — fechou os olhos.

— Não, não fecha, olha pra mim! — e chorava. — Desculpa, pode olhar sim, por favor, Jisoo, olha pra mim.

— O que aconteceu aqui? — uma das freiras que chegavam. As crianças contavam e uma das freiras voltou para gritar que chamassem uma ambulância

— Jisoo, Jisoo! Por favor, acorda, se você ficar bem eu prometo, eu juro juradinho que vou te dar um cachorro, vou ser sua família, vou te fazer sorrir todos os dias. ACORDA! Você prometeu! Jurou juradinho que ia me dar sorvete, que ia me fazer sorrir. Jisooooo. JISOOOO.

As freiras seguravam Jimin. A ambulância chegou e levou Jisoo. A criança sobreviveu a queda, mas, precisou de meses para restabelecer-se da fratura na coluna, por sorte sem afetar a ligação da medula óssea, então, voltou a andar.

Por ser um tratamento caro, foi levado para outra cidade, onde ficou morando num orfanato local até que sua mãe reivindicou a guarda.

Jimin nada sofreu, a não ser uns arranhões, mas, nunca mais seria o mesmo. Ninguém lhe dizia o que havia acontecido. O silêncio das freiras confirmava o que todas as crianças diziam: Jisoo tinha morrido.

Jurou a si mesmo que assim que fosse adulto procuraria por Jisoo.

Tinha notícias regulares de Sungwoon, cujos pais adotivos o pegaram no hospital onde recebeu atendimento para o braço quebrado. Eles não podiam adotar Jimin, mas, entenderam que aquela amizade não poderia ser quebrada, então, permitiram que eles se correspondessem e se vissem em datas comemorativas, como nos aniversários de ambos.

O amor de Sungwoon só aumentava, ele tinha certeza que queria se casar com Jimin, ter uma família. Sonhava com isso. Aos 18 anos de idade foi para a faculdade. Conheceu um mundo novo, gente nova, experiente, e sexualmente ativa. Isso o confundiu. Jimin ainda tinha 16 anos e ainda não tinha esses pensamentos. Seu corpo mudou e ele não parecia notar. Tudo era cinza, como se a vida só pudesse ter cor se Jisoo a pintasse com o seu sorriso.

Anos depois, ele ainda ouvia sua risada e sua voz dizendo: "jura juradinho". Foi por causa dessa lembrança, dessa amizade interrompida, que aos 18 anos, quando pôde sair do orfanato e lhe informaram que não tinha um nome registrado no Banco de Dados do Governo, podendo assim escolher um de sua preferência, ele escolheu Park Jimin.



Notas Finais


obrigada por ler.
me desculpem qualquer erro.
podem me avisar.

lembre-se, Jimin será feliz, juro juradinho!!!


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