História Dança das Lâminas - Capítulo 3


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Categorias Inuyasha
Tags Inuyasha, Ocs, Saga 1, Tortura, Tragedia
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Palavras 2.159
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Fantasia, Luta, Romance e Novela, Saga, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 3 - Duas Luas


Fanfic / Fanfiction Dança das Lâminas - Capítulo 3 - Duas Luas

InuYasha havia cochilado em um dos galhos e acordara apenas no dia seguinte, quando a luz verde iluminou aquele bosque, o forçando a abrir os olhos. Primeiro, ele viu as folhas coando a luz do sol enquanto lentamente despertava, mas não demorou muito para ele ouvir um pequeno som, a voz de alguém que cantava. O hanyou se espreguiçou e olhou para baixo, as flores que tinham no pé da árvore que o abrigou durante a noite haviam sido arrancadas, e não precisou procurar muito para a encontrar.

Laura parecia fazer mais uma das coroas de flores que sempre insistiu em fazer, mas daquela vez, ela estava difente: A pequena hanyou cantarolava uma canção enquanto mexia em algumas coisas. InuYasha se sentiu curioso e decidiu se levantar para ver o que ela fazia. Quando se aproximou, percebeu que a pequenina brincava com algumas rochas da qual havia feito um boneco, não apenas isso, Laura havia retirado de seu próprio cabelo para dar mais característica para seu boneco de pedra. Seja o que estava fazendo, a pequena parecia ter terminado sua obra e naquele mesmo instante, InuYasha percebeu o que ela estava fazendo: O boneco de pedras que ela havia moldado era, de fato, muito semelhante ao seu pai, e não era apenas aquilo, Laura havia lhe feito uma peruca de seu próprio cabelo para que deixasse ainda mais igual. A pequena usou as menores e melhores flores para uma coroa que pôs em sua cabeça, como um toque final, mas aquilo deixou InuYasha incomodado.


— O que está fazendo?! – Reclamou InuYasha, enfurecido. — Papai era um homem! Homens não gostam de flores!!
— Do que está falando, aniue? – Laura realmente parecia confusa. — Papai sempre gostou das flores, ele me d- – InuYasha avançou no boneco e arrancou a coroa de flores, tomando para si.
— Bobagem! Ele só dizia para você que gosta de flores porque você era chorona e ele queria te deixar feliz!
— Me devolve! – Gritou a pequena, realmente enfurecida.
 

InuYasha a chamou de Chīsai enquanto corria com aquela pequena coroa nas mãos, sua irmã corria atrás dele para recuperar seu enfeite, mas InuYasha apenas se afastava mais e mais rápido, correra tanto que sem perceber, havia alcançado o que aparentava ser um antigo campo de batalha, onde havia por volta de centenas de corpos, todos secando ao sol enquanto a pouca carne que restava era devorada por corvos e outros animais carniceiros.

Não eram humanos, eram alguns youkais que se vestiam de maneira semelhante à de seu pai, mas todos estavam sem cabeça e suas lanças estavam quebradas, mas além disso, aquela bandeira que estava em sua casa, de Duas Luas estranhas, estava erguida sobre o campo de batalha, novamente, como se tivesse conquistado-o. InuYasha havia parado para ver aquele desastre, estava horrorizado quando sentiu que alguém lhe puxou, Laura imediatamente saltou e agarrou as flores que estavam sendo amassadas nas mãos do hanyou, o encarava com raiva e tristeza. InuYasha estava chocado demais para se irritar com ela, ainda estava pálido de medo com aquela cena quando Laura percebeu. Seus olhos se encheram de lágrimas que não rolaram, ela sentia ainda mais medo que InuYasha ao ver aquela bandeira, mesmo que não entendesse ao certo o que significava.


— T-temos que sair daqui! – InuYasha se levantou e pegou nas mãos de Laura, mas ela parecia ter sido congelada. A hanyou segurava as flores contra o próprio peito enquanto tremia de pavor, paralisada de medo.
 

InuYasha tentou a puxar, mas nada do que fizesse a tirava do local, ele decidiu olhar para onde ela olhava quando percebeu que Laura tinha real motivo para seu medo: InuYasha viu uma figura completamente sombria diante da hanyou, tão sombrio quanto as próprias trevas. Olhos brancos encaravam-na com ódio, tão assustadoramente que InuYasha sentiu pavor ao vê-los deslizando para lhe encarar.

O hanyou juntou as forças restantes de seu corpo e correu para longe, gritando de pavor enquanto dizia para a garota fazer o mesmo, sem perceber que sua irmã estava sendo completamente domada pelo olhar daquele homem. Aquele homem estendeu a mão e tentou alcançar a garota, mas antes de realmente fazer, algo parecia ter a protegido, ele percebeu que havia uma espécie de amuleto que demostrava quase ter sido realmente feito para aquele momento.

InuYasha pôde ver uma intensa luz vinda de trás dele, mas sequer parou para lhe olhar, já que uma vez que tivesse parado daria tempo o suficiente para que aquele youkai lhe alcançasse, tendo isso em mente, apenas correu. O hanyou não parou, continuou e continuou, mesmo depois de não sentir nem o cheiro do campo de corpos em decomposição e nem o cheiro de sua irmã ou daquele homem. Quando veio a parar, foi apenas por ter tropeçado e caído sobre algo, InuYasha estava apavorado demais para pensar direito, tremia enquanto abraçava suas próprias pernas. Os minutos que vieram em seguida lhe atormentavam, tudo ao redor era de um silencioso mórbido que ele mal conseguia suportar, ele sentia a solidão rindo de sua cara e não demorou muito para ouvir alguns sussurros em seu ouvido, o chamando de covarde. InuYasha fechou os olhos com força e tapou os ouvidos com suas mãos, podia ver seu pai lhe encarando, como se estivesse desapontado e triste. Ele ouvia a voz de sua irmã em sua cabeça, Laura parecia pedir por ajuda, ela precisava dele e InuYasha sabia disso, só quase não percebeu que havia abandonado a única família.

O hanyou a mandou se calar, usou todas as forças de seu corpo, sua voz ecoou não só por sua cabeça, como por todo o campo em que esteve o dia inteiro, foi então que ele percebeu: Já estava de noite e quando se lembrava, o dia estava prestes a começar. As luzes do local vinham de inúmeros vagalumes que enfeitavam-se com a noite, estas quais dançavam graciosamente com ritmos alegres. InuYasha lembrara de um dos dias que teve ao lado de sua mãe, talvez alguns meses antes dela ter morrido.

Era uma noite como aquela, encantadora e com luzes de vagalumes encantando o luar, Izayoi já podia sentir a pequena criança que estava por vir e InuYasha mal podia esperar para que nascesse, vivia sonhando em ter um irmão do qual poderiam brincar e compartilhar a luta do mundo, juntos. A jovem estava sentada à beira de sua casa, assistia as luzes dançantes quando seu pai lhes chamou, dizendo que já era hora de dormirem. InuYasha não queria dormir cedo, mas seu pai lhe explicou que era melhor para a mãe descansar bastante, então o pequeno hanyou abraçou o pai com força e disse que havia lhe entendido, imediatamente abraçando sua mãe com carinho e depois, abraçara a barrida levemente cheia. Ele podia sentir a criança respirando, podia sentir a vida daquele que iria lhe fazer companhia.


— MAMÃE, MAMÃE! ELE ESTÁ RESPIRANDO! – Gritara InuYasha, ao sentir a vida em suas mãos. Sua mãe riu, delicadamente como sempre fazia quando queria chamá-lo de fofo.
— Eu sei, querido. É seu irmãozinho, ou irmãzinha. – InuYasha não parecia muito feliz em ouvir que poderia ser menina, mas continuou empolgado. — Eu sei que você será um bom irmão mais velho, o melhor irmão do mundo todo, você me promete ser um bom irmão?
— Sim mamãe, eu prometo!

 

Izayoi o acompanhou até a cama e o enrolou, carinhosamente se deitando ao lado, na cama onde compartilhava com seu marido. Depois de tal dia, InuYasha passava parte dos dias imaginando como seria quando seu irmão chegasse, gostava de imaginar que seria um garoto, para que pudessem brincar sempre juntos sem as frescuras que garotas costumavam ter, mas, de alguma forma, ele acabou imaginando como seria se fosse uma irmã. InuYasha gostava da ideia de mostrar suas habilidades para ela, exibi-las como uma conquista que seria usada para lhe proteger.


 Proteger... – Aquelas palavras sussurraram novamente em sua memória, com um tom mais melancólico.
 

InuYasha repetiu aquilo para si mesma enquanto se levantava, olhava para o céu negro da noite quando pronunciou aquela palavra, para si próprio ouvir. InuYasha se lembrou de que queria lhe proteger antes, gostava da ideia de ter alguém para dividir a solidão, alguém para treinar juntos e mostrar golpes que aprenderia ao longo de sua vida, mas sua irmã havia nascido à custo da vida de sua mãe; para Laura viver, a pessoa que ele mais amava teve de morrer. InuYasha não podia a desculpar por isso, não a perdoaria nunca por ter lhe tirado a pessoa mais importante da vida, InuYasha jamais pensaria em lhe amar sabendo que sua mãe morreu por causa dela.

O hanyou se consumia em seu ódio quando percebeu que alguém se arrastava para aquele local, lo que acabou por assustá-lo quando esse veio a perceber que não era ninguém além de sua irmã. Ela parecia estar bastante ferida, mal conseguiu andar ao local e quando viu seu irmão, despencou de exaustão no chão, próximo à InuYasha quase como se lhe pedisse por proteção. InuYasha suspirou ao ver aquilo e a mandou se levantar, pois deveriam continuar procurando por um novo lar, mas ele percebeu que sua irmã tremia enquanto estava largada no chão, e mais estranho, parecia agarrada com algo. Ele se aproximou da garota e a viu amassando algo com as pequenas mãos, era um colar de magatama ao qual ele reconheceu, e imediatamente tomou dela e escondeu dentro de suas vestes. Aquele colar havia sido passado de seu vô para seu pai e dele deveria ser passado para seu filho, ou seja, InuYasha, talvez por isso ele se sentiu tão irritado ao ver que ela carregava o que deveria estar com ele.


— Vamos, se levanta daí! Não temos a noite toda! – Gritou InuYasha, tomando iniciativa de trilhar um caminho. Dava para ouvir o som da hanyou tentando se levantar, mas ela tossiu e despencou novamente, somente então o garoto percebeu o cheiro de sangue, vindo dela. Laura tinha uma ferida em seu braço realmente alarmante, estava tossindo e tremendo, quase como se estivesse ficando doente.
 

Tudo que InuYasha mais queria que não acontecesse era que sua irmã ficasse doente agora, soltou um longo suspiro antes de pegar um graveto e lhe cutucar, verificando se era seguro se aproximar dela. InuYasha percebeu melhor a ferida que havia nela, da qual estava estranhamente azulada em volta da região atingida pelo corte, curioso, o hanyou acabou tocando e percebendo que não era somente ali, mas a menina estava gelada como um bloco de gelo.

Ela estava viva, mas não tinha nenhum calor no corpo e talvez por isso tremia como se estivesse com frio, InuYasha sabia que ela não tinha nenhuma condição de caminhar naquele estado, hesitando um pouco para lhe carregar nas costas. Ele lhe disse para não se acostumar, explicou InuYasha que só estava lhe carregando porque ela estava fraca demais para andar sozinha, reclamava com a garota quando sentiu que esta lhe abraçava com o pouco de energia que restava.


— Obrigada... aniue.
 

InuYasha sentiu que ela parecia mais tranquila em suas costas, como se estivesse em um local seguro e confortável e aquilo parecia deixá-lo curioso: Mesmo depois de tantas coisas ruins que ele havia lhe feito, mesmo após tantas vezes que ele agiu maldosamente com ela, lhe ferindo e dizendo coisas que a magoava profundamente, mesmo assim Laura ainda ainda demostrava sentir carinho por ele. InuYasha estava confuso, ele procurava entender como era que sua irmã podia ser tão gentil, mesmo sendo um youkai, ele queria saber como era que Laura podia ser tão inocente. Tais perguntas sumiram da sua cabeça quando ele ouviu o som do trovão, este anunciava o início de uma tempestade que o fez finalmente esquecer aquilo, ele se preocupava agora em achar um local que o abrigasse da chuva que estava por vir.


Aquele homem olhava para sua própria mão, havia um ferimento em sua palma da qual ele encarava com fúria, tamanha esta que ele havia sido preenchido por ela. Aquele youkai estava com raiva de ter falhado em seu objetivo: Ele havia ido para capturar uma das crianças hanyous, mas algo os proteger e, além disso, o feriu.


— Devo admitir, aquele verme estava à um passo na minha frente. – Comentou o homem, enfurecido. — Mas se Touga pensa que irei desistir, esse velho cão está muito enganado. Eu sou Ryuumonji no Museishi!! Não irei deixar duas crianças tolas me vencer!! 
 

Ryuumonji havia seguido o garoto, havia o visto entrar em uma velha casa abandonada no meio da floresta enquanto este olhava para todas as direções para se certificar de que estava seguro, mas aquela chuva não apagava seu cheiro de maneira nenhuma. Ryuumonji marcou uma árvore do local com o símbolo que carregava o nome de seu clã, desenhando quase que com perfeição o emblema da "Katar Crescente", erroneamente chamado de Duas Luas. Uma vez marcado por suas garras, corte nenhum se cicatrizaria à menos que ele o fechasse, seja feito em árvores ou rochas ou mesmo em corpos orgânicos.


Notas Finais


Chīsai significar pequena, em japonês


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