História Dança das Lâminas - Capítulo 1


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Categorias Inuyasha
Personagens Inu no Taishou, Inuyasha, Sesshoumaru
Tags Inuyasha, Japao Feudal, Mitologia Japonesa, Youkai
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Palavras 7.198
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria, Nudez, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 1 - Prólogo - Inferno em Sangue


As chamas consumiam rapidamente o que se tratava de uma encantadora vila de agricultores, o rancor corroía o local com uma energia tão densa que fazia qualquer planta murchar, o sangue pintava as casas e o solo com a cor da morte e da ira. Havia youkais por onde os olhos acompanhassem, os invasores trouxeram feras irracionais que atacavam qualquer coisa que se movesse diante de seus olhos, e tais monstros devoraram as pessoas. Uma silhueta oculta pelas labaredas das caóticas chamas parecia manter a paciência, ouvia os demônios urrando ao luar sanguinário enquanto cada morador dava seus últimos suspiros, parecia admirar ouvir os gritos de dor daqueles humanos, mas, ao mesmo tempo, aguardava ansiosamente por algo que vinha de longe da vila.

O fogo que consumia e abafava os sinais de vida do local deram espaço para uma silhueta, grande e imponente de algo que parecia um homem, e aquele que esperava virou-se em sua direção com um sorriso satisfatório. Um gesto fez youkais surgirem das sombras, tantos que enegreciam a vila, mas estes não eram enormes e irracionais como os que destruíram a aldeia, pareciam mais como humanos, vestidos em uma espécie de uniforme negro. Em suas mãos, equipamentos forjados em um metal negro se dispunham para o fatal combate, alguns até mesmo já estavam manchados pelo sangue de vítimas. O grande homem se revelou diante do campo de luta repleta de youkais, diferente destes, suas vestes eram claras, como o branco dos longos cabelos de seu rabo-de-cavalo alto que tremulavam no ar, conforme o vento baforava em seu rosto. Uma armadura o protegia em seu peito, ombreiras com cinco camadas de metal lhe concedia uma aparência mais imponente e sua postura com a katana com formato de um enorme canino de aço revelava suas intenções: Não havia vindo para perder aquela batalha.

Com um gesto do líder, todos em postura ofensiva avançaram contra a única figura em branco diante do campo, mas seus movimentos iniciais o faziam quase parecer onipresente: O homem deslizou entre seus inimigos, os acertando com sua espada enquanto a única coisa à lhe acompanhar era o cabelo, marcando sua trajetória como uma trilha. Era rápido e parecia uma agulha costurando dois tecidos, os unificando em um só destino, seus cortes precisos derrubaram os muitos youkais de forma tão eficaz que aquele que lhe esperava começara a ficar afetado. Haviam mais de vinte e sete de seus homens sucumbido à morte quando o primeiro golpe veio à lhe atingir, um dos youkais das sombras lançou a foice de sua kusarigama contra o grande youkai, cujo qual se defendeu com seu braço esquerdo e evitou um dano mais sério, porém, mais do que um simples golpe, aquilo foi uma abertura em oportunidades. Uma flecha lhe acertou na garganta, porém, não seria algo tão comum que lhe mataria, mas outras flechas choveram em sua direção, o atingindo com uma saraivada. Outros avançaram, todos de uma vez para conseguir derrotar o inimigo, foi quando a energia daquele youkai, seu youki, se tornou tão denso e ameaçador que fez todos ao seu redor sentirem uma pressão sobre eles: Estavam paralisados com aquela pressão, resultado de sua determinação.

Um golpe de sua espada fez o solo tremer e todos ao seu redor desapareceram em seu golpe, um ataque tão forte que os explodiu em sangue, o vento ao redor do grande youkai se agitou e apagou as chamas, fazendo restar apenas as nas extremidades da vila, agora uma densa escuridão pousava sobre o caos e a destruição do local. Com os sentidos intensificados pela escuridão sobre o mundo à sua volta, iluminado apenas pelo pálido banhar da lua cheia, o DaiYoukai avançou sem medo mais uma vez. O tilintar de sua katana soava como uma canção fatal, enfrentara vários oponentes de uma só vez e isso exigia atenção redobrada, mas não recuava, não poderia naquela noite. Já perdera a conta de quantos derrubou com o canino de aço, mas parecia uma infestação sombria, pois a cada demônio que matava, dois surgiam no campo de batalha. Sua respiração começara à falhar, ofegante e pesada conforme mantinha-se em constante movimento, estava ficando desconfortável se manter em uma luta tão demorada.

O Zênite Lunar gritou sobre a terra, uma noite totalmente escura e sem estrelas, cujo apenas a Lua Cheia berrava com sua luz em uma imensidão vazia. O vibrar metálico soava alto a cada golpe, como rugidos ferozes, o som da carne sendo cortada por ferro o fazia quase perder os pensamentos, mas equilibrava o corpo e a mente em um só, mudando a postura em que empunhava sua katana. O cheiro enjoativo do sangue já estava espalhado sobre seu corpo, suas vestes antes brancas estava pesada devido a quantidade do líquido rubro que lhe manchava, e nem todo sangue era de seu inimigo. 

Horas se seguiram e a lua já repousava quase atrás das grandes montanhas no extremo horizonte, estava, de onde conseguia observar, apenas à poucos dedos de tocar a linha que separava céu e terra, o dia já amanheceria, mas talvez não conseguisse aguentar por muito mais tempo. Já havia chegado no ápice de seu corpo, lutara no estado de exaustão por muito mais tempo que conseguiria suportar, seu corpo pesado e lento já não conseguia acompanhar deu desejo de derrotar os inimigos, mas tão pouco deixou-se de mostrar uma evidente selvageria. Havia um grande youkai, mas este não era irracional como um oni, ele empunhava uma katana em postura média, o homem sabia que, pela forma como segurava sua lâmina, seria um desafio lhe vencer, ainda se tratando do estado em que estava.

 

3 Meses Atrás


— Querido? – Chamara aquela doce voz, com um harmonioso tom de curiosidade.

 

Touga estava sentado de frente para seu quintal, observava o ambiente adornado pelo infinito branco da neve, seu filho brincava alegremente enquanto jogava a neve para o alto. O homem estava de pé desde antes de todos daquela casa acordar, antes mesmo do sol nascer. Era ele quem preparara a primeira refeição do dia, tanto para sua esposa quando para seu filho mais novo. O DaiYoukai usava vestes em um tom azul marinho, mostrava não sentir frio ao deixar sua veste superior aberta em V na altura de seu peito, um típico coque volumoso e alto era visto, mas havia sido amarrado de tal forma para que não deixasse cair cabelos na comida que preparara para sua mulher.


— Diga, Izayoi. – Respondeu, virando o rosto para a mulher e lhe recebendo com um gentil e terno sorriso.
 

Sua barriga tinha um pequeno volume, tão leve que apenas o homem, que sabia de tal fato, conseguia perceber: Sua amada esposa esperava um filho, motivo o qual lhe fazia ter muito mais atenção em tudo no mundo ao redor. Touga tinha seus medos, e isso lhe fazia observar o mundo e esperar um ataque surpresa, queria estar preparado à todo momento, para quando precisasse, mas Izayoi sabia disso. 


— Querido, você não precisa temer que alguém me ataque. – Sua voz era tão calma e doce que lhe fazia lembrar a brisa da primavera. Izayoi deitou com a cabeça sobre o ombro do DaiYoukai, este qual pousou uma mão sobre a cabeça da mulher, com tanta delicadeza que fazia com que mãos como a sua, vistas como armas perigosas por muitos, ganhassem um novo termo.
— Não é isso, minha Izayoi. – Respondeu, com um tom grave que fazia inimigos tremerem, mas usava em um tom mais doce. — Eu só-
— Está nervoso, não está? – Izayoi parecia rir sutilmente, sabia mesmo sem ver que havia lhe deixado corado, feito que apenas ela conseguia fazer. Era difícil para alguém como Touga, o General dos Cães que todos temiam, admitir que estava ansioso e nervoso, mas ainda que fosse um DaiYoukai com um título tão grande, com um orgulho tão profundo de sua reputação, ele não deixou isso afetar e respondeu afirmativamente à pergunta que lhe foi feita.
— Sim... estou um pouco nervoso sim. – Respondeu Touga, com um tom pouco mais baixo. Izayoi apenas riu, da forma doce que ela fazia.
— O que gostaria que fosse, querido? – Izayoi alisava a região onde conseguia sentir a criança, Touga moveu sua cabeça levemente para o lado, um costume que fazia quando pensava mais à respeito de um assunto em específico.
— Bem... – Sua demora mostrava que pensava mais à respeito do assunto, mas Izayoi o conhecia melhor que qualquer outra pessoa ou youkai, sabia que havia algo errado. — Eu não irei me importar ser for um outro menino, ou mesmo se desta vez for uma menina... porque independente do que venha à ser, será meu filho e eu o amarei como ele for, eu o ensinarei à viver. – Izayoi soltou um sutil riso, algo que atraiu toda a atenção do homem que lhe encarava confuso.
— Você pode até ser o tão temido General dos Cães, mas as vezes, você é tão humano... tão doce que nem parece um youkai que todos seus inimigos tremem em ver. – Respondeu Izayoi, com seus olhos fechados enquanto apenas apreciava o momento. Touga sorriu, meio sem jeito com aquele comentário, embora ele lhe foi mais como um elogio.

 

Touga olhava insistentemente para as montanhas longínquas, sabia que havia algo errado e temia que o problema, se não resolvido logo, acabaria em uma grande catástrofe. Não percebia que caminhava em tal direção, mas sentiu o toque quente de uma pequena mão segurando a sua, se virou para trás e viu InuYasha lhe olhando, estava não só preocupado como assustado. O garoto perguntou o que havia de errado, o homem tentou disfarçar que não havia nada, mas até mesmo Izayoi lhe olhava com preocupação. Haviam o chamado, mas seus pensamentos estavam tão altos que seu corpo parecia se mover em resposta á isso, o pequeno garoto abraçou Touga com a força que possuía.


— Papai, eu fiquei com medo... eu... você estava diferente...
— Está tudo bem, é sério. – Touga passava a destra sobre a cabeça de seu filho, tentava lhe acalmar quando Izayoi o surpreendeu, vindo até sua direção e lhe abraçando com tanta força que era óbvio que ela estava assustada.
— Por favor, Touga... me ouça. – Izayoi colocara suas mãos na face do grande homem demônio, guiando seu rosto para que ele lhe olhasse nos olhos. Touga estava aparentemente distraído, mas não era realmente isso que acontecia, ao contrário, estava extremamente focado em algo que apenas seus olhos conseguiam ver, sua mente vagueava até o local que tinha como objetivo. — Nada de ruim vai acontecer, você precisa se acalmar.
— Mas eu ESTOU calmo! – Respondeu Touga, elevando um pouco mais seu tom. O homem levou as mãos até os punhos de Izayoi, lhe segurando, mas não para lhe ferir.

 

Izayoi percebeu que ele respirava descompassadamente, o que lhe fez pousar com a cabeça em seu peito e ouvir-lhe o pulsar, foi assim então que teve sua resposta. Touga estava muito agitado, não só via como sentia algo lhe inquietando, mas mais do que isso, Izayoi sabia que ele era um homem, um DaiYoukai que tinha tudo organizado, planejava as coisas de forma detalhada e cuidadosa, e quando algo saía do controle, isso o desequilibrava, deixava-o tão nervoso que lhe fazia sentir medo. A mulher novamente tocou nas laterais de seu rosto, puxando seu olhar e atenção para ela, Touga tentava esconder seu medo, mas agora não era mais possível, já lhe viram tremendo, estava temeroso sobre algo que parecia um pequeno desvio de seus planos.

Izayoi puxou seu rosto com delicadeza, trouxera para perto do seu quando tocou seus lábios nos do seu marido. Inicialmente, tudo que ela sentia era seu corpo tremendo de medo, mas logo se tornou menos intenso até quase sumir, foi quando sentiu a resposta do homem: Touga se aproximou, retribuindo seu beijo com um gesto carinhoso e delicado. Izayoi não se afastou, mas encerrou aquele beijo para chegar ainda mais perto e lhe abraçar.


— Eca! – Berrou InuYasha enquanto fechava os olhos e colocava as mãos em seu rosto, assim que viu seus pais se beijando. Touga o olhou, não conseguiu conter o sorriso nervoso em seu rosto.
— Do que está falando? Não tem coisa melhor que beijar quem amamos! – Respondeu o homem, abraçando a mulher que tremia em seus braços. Touga percebeu que ela não tremia de nervosismo ou emoção, seu corpo estava esfriando, o que lhe fez pegar-lhe em seus braços, lhe carregando enquanto voltava para sua casa. — Vamos para dentro, InuYasha! Está esfriando aqui e sua mãe não aguenta muito frio.
— Não sou eu quem não aguenta... seu corpo de youkai que lhe faz não sentir tanto frio.

 

Atual

 

A lâmina ressonava com a vibração metálica que uma causava na outra, cada colisão provocada rugia sobre o campo ensanguentado enquanto suas espadas se confrontavam, Touga já estava ofegando tão forte que cada respiração queimava seus pulmões, mas o oponente ainda estava bem, embora tivesse sido cortado algumas vezes. Ambos mantiveram a postura média, com a lâmina na altura de seu quadril, mas tomavam uma razoável distância um do outro. Touga fixava sua visão no youkai à frente, seu rosto totalmente coberto por uma máscara o impedia de identificar quem era o invasor, e não tinha como sentir seu cheiro, estava coberto por sangue humano.

Touga observou-o avançar e recuou com sua lâmina, mas antes de que pudesse se defender do golpe, o oponente desferiu um corte contra sua lâmina, a desviando para a direita enquanto abria uma brecha em sua defesa. Visava atingir sua cabeça, queria abrir seu crânio quando o homem lançou-se para a esquerda, rolando sobre o solo enquanto buscava esquivar-se, porém, não havia sido rápido o bastante para tal feito. A lâmina ainda lhe atingiu, embora em um local menos preocupante, cortou de forma profunda a região onde se encontra o trapézio, um corte que descia até seu peito e atingiu pouco de sua armadura. O sangue de Touga pingava da ponta da katana do youkai, além de jorrar-se por sobre seu próprio corpo, talvez um pouco mais de tempo resultaria em sua própria morte, ele sabia que não poderia se manter em pé por muito tempo, estava cansado e agora, sangrando... só lhe restava contra atacar.

Antes que seu oponente viesse até ele, Touga ergueu sua katana e avançou contra o oponente, uma baixa gargalhada pôde ser ouvida soando de sua garganta, sabia que estava o deixando sem opções de combate e que agora as ações do mesmo seriam feitas com base em desespero. O DaiYoukai tentou golpear-lhe o peito, mas o oponente se defendeu e manteve a lâmina os separando, porém, Touga parecia ter planejado aquilo, se via a faísca da determinação se tornar uma forte chama ardente, o homem forçou o próprio corpo contra sua espada e, assim, forçou sua katana contra o de seu oponente. A katana do inimigo trincou, e a rachadura fez o metal se partir, o canino de aço foi forçado contra seu peito onde penetrou em sua carne e costelas, mas Touga não iria parar, não poderia hesitar diante da luta: O homem avançou furiosamente contra o corpo do youkai e atravessou-o com sua espada e força.

Usando o último estoque de sua energia, fez sua lâmina atravessar o corpo do último inimigo de pé no campo de batalha, um corte diagonal o partiu em dois pedaços, fazendo o sangue jorrar descontroladamente, momentos antes de que caísse sobre a terra. O homem ofegava, ainda com a katana sacada em postura para permanecer lutando, mas agora respirava tão alto que era evidente a dor que sentia em ficar de pé. Seu corpo pedia por descanso, mas sabia que nem tudo havia acabado.

Não retornou sua espada para a bainha que lhe aguardava, presa em sua cintura, mas em um clarão dourado, o que se mostrou ser um canino de aço tornou-se uma comum katana. Sua armadura havia aguentado todo o impacto dos golpes, mas em seu estado atual, parecia uma velharia que estava caindo aos pedaços, uma sucata sem o mesmo grandioso valor de antes que apenas lhe fazia ficar mais pesado. Touga a retirou e soltou no chão enquanto caminhava em direção à fora da vila, deixando o rastro metálico até a última peça ser solta. Um sutil sorriso bobo surgiu em seu rosto quando pensou que seu pesadelo tinha acabado, imaginava como sua esposa reagiria ao lhe ver em pedaços como se encontrava atualmente, mas algo passou por ele como uma brisa sinistra, lhe provocando um calafrio temeroso. Algo estava errado, era como se um sexto sentido dissesse para que fosse mais rápido.

 

1 Mês Atrás

 

Touga corria sobre a pradaria poucos metros de sua residência, suas risadas eram contagiantes e se sentia toda a alegria que sentia, seu cabelo escorria pelo ar enquanto brisas lhe golpeava com elegância. Era o começo da primavera, quando tudo florescia para um novo começo, mas o homem parou e se endireitou no topo de uma pequena colina, olhando para trás. A grama alta mostrava algo se movendo rapidamente entre ela, mas algo baixo que se escondia, foi quando InuYasha pulou do relvado em direção ao homem, um adorável rosnado tentava ser ameaçador, mas uma criança como ele não conseguia ser visto como perigoso. Touga o pegou antes que pudesse atingir sua barriga com a cabeça, mas por isso se desequilibrou e caiu para trás, sobre algumas poucas flores que lançaram seu pólen ao ar, ambos caíram em gargalhada enquanto ofegavam.


— Eu te assustei, não assustei? – Perguntava InuYasha enquanto ofegava, com um tom infantil.
— Vi você se movendo na grama. – O garoto parou de rir e lhe olhou, mais apreensivo. Touga também parou de rir, se mostrou sério e olhou fixamente para o rosto de InuYasha que aguardava sua aprovação. — Mas achei que você viria por um lugar, você me surpreendeu muito!

 

Voltaram á rir juntos, InuYasha gostava de correr tanto quanto seu pai. Touga cruzou os braços e apoiou a cabeça sobre os mesmos, InuYasha percebeu que ele olhava o céu, e assim que voltou sua atenção para tal direção, viu um espetáculo de pétalas rosas, sopradas pelas muitas brisas da primavera. O homem propôs um pequeno desafio: Uma corrida até Izayoi, e se InuYasha chegasse antes que ele, Touga prometera que começaria à te ensinar como caçar. O pequeno hanyou já tinha quase 7 anos e já começava à desejar aquilo, queria não só surpreender seu pai como ajudar à sua mãe, o que lhe motivava à não perder.

Touga começara à contar, mas antes de pronunciar o último número, InuYasha saltou em direção ao gramado e correu com o máximo de velocidade que suas perninhas curtas poderia lhe proporcionar, ele apenas riu e ficou no ponto inicial por algum tempo. Observava o mundo, os cheiros das flores e das plantas e o som do vento e da vida, era algo que aprendeu a apreciar, assim que começara a viver com sua esposa, Izayoi. Lembrou que havia feito aquele desafio, e não queria deixar fácil para seu filho: Assim que seus olhos encontraram a mulher que descansava, sentada sob a sombra de um pomar de pêssegos. InuYasha estava à poucos metros dela, ele via que a criança já ofegava quando impulsionou o corpo para frente, dobrando sua perna enquanto se preparava. Segurou seu fôlego por meros segundos quando o ar ao redor se agitou, e com um rápido movimento, Touga não só saltou como voou até a linha de chegada. Assim que pousou sobre a campina, após uma pequena fração de segundos, o ar se agitou por onde havia passado e lançou-se na direção oposta da linha que cortou entre as posições.


— Mas isso... não é.... justo... – Comentou InuYasha, apoiando-se sobre os joelhos devido ter corrido tanto. — Você pode ser mais rápido que meus olhos!
— Não disse que tinha regras. – Ironizou Touga, sorrindo para o garoto que parecia frustrado, mas sorria igualmente. — E além do mais, eu vou te ensinar a caçar, de qualquer forma. – O garoto olhou surpreso para o homem, segundos antes de abrir um sorriso enorme e saltar de animação. Izayoi riu gentilmente, mas colocou uma de suas mãos sobre os lábios para abafar o som, ainda que soubesse o quão aguçado fosse seus sentidos. O homem rapidamente se virou em sua direção, mas sua feição era quase infantil: Seus olhos arregalados e curiosos se direcionavam para a mulher, sua feição era vista parcialmente de lado e ele parecia atento.

Você é tão dócil, amor. – Comentou Izayoi. — Me lembra um cachorrinho... – Foi como se tocasse em um assunto que desejava discutir antes, e sua feição não mudou, continuou com a mesma ternura. — Falando em cachorrinho, nossa criança nascerá em algum tempo, por que não pensamos em um nome? – Touga assentiu com a cabeça, antes de sentar-se sobre a grama, diante da mulher. Izayoi alisou a região onde já se via claramente a criança, o homem olhava com um sorriso quando a humana pediu que se aproximasse. Tinha receio ainda, não gostava de se aproximar tanto da barriga de sua esposa por temer que causasse algo, mas Izayoi o trouxera até que seu rosto encostasse em seu corpo. O homem sabia o que ela queria, e assim fechou os olhos para se concentrar melhor, foi quando ouviu o pequeno coração da criança batendo, algo que o fez quase se perder no tempo.
— Tem razão, Izayoi, precisamos pensar em um nome para nossa criança.
— O que acha de chamarmos de Higanbana se for uma garota e de Ieyasu se for um garoto?
— Higanbana? Ieyasu? – Repetiu Touga. A mulher corou por saber que ele entendeu seu objetivo. — Já entendi, gostaria de tentar dar um nome de youkai.
— S-sim. – Touga acariciou seu rosto, exibindo um sorriso.
— Eu gostei dos nomes- – Antes que dissesse alguma coisa, Izayoi lhe interrompeu.
— Não tem nenhuma sugestão? – Touga lhe olhou, realmente não possuía muitas ideias de nome. O homem cruzou as pernas quando colocou a mão em seu queixo, se curvando para frente enquanto tentava pensar em algo.
— Bem... uma vez estive em terrar além do horizonte de água, e uma vez ouvi um nome que achei encantador.
— Eu poderia saber qual era? – Perguntou Izayoi, pousando a mão sobre seu braço e atraindo seu olhar. Touga sorriu com ternura e lhe respondeu.
— Acho que era... Laura, ou algo assim. – Izayoi arregalou seus olhos, um brilho inocente vibrava em sua face.
— Que nome lindo!
— Então pode ser o seguinte: Se for um garoto, lhe chamaremos de Ieyasu, e se for uma garota, Laura.

 

Izayoi levou a mão até o rosto de seu marido, seus olhos se encontraram uma outra vez quando a distância entre eles começou a diminuir, Touga lhe beijaria com ternura quando InuYasha surgiu com uma serpente enrolada em seu braço, segurava seu pescoço e dizia ter caçado-a. Ambos se assustaram de início, o animal se debatia enquanto tentava se libertar, Touga logo soltou uma gargalhada e se pôs de pé, caminhando até o garoto.

O homem mostraria como se caçava, pediu que ele lhe seguisse enquanto dizia à Izayoi que não demoraria muito e também não iriam para muito longe, a mulher apenas assentiu com a cabeça, pouco apreensiva. Touga se afastou, InuYasha vinha lhe acompanhando quando chegaram próximo da floresta ao pé de uma montanha, ainda por perto da região. Um cervo saboreava o gramado enquanto Touga o observava, logo se abaixando e ocultando-se na grama alta e InuYasha reproduziu todos os movimentos que assistia seu pai fazer, até mesmo a forma baixa que o homem usava para respirar. Touga simulava quase com perfeição o método que usava para caçar, mas quando avançou silenciosamente contra o animal, não o abateu e apenas lhe assustou.


— Quando você caça, você assusta o animal assim? – Perguntara InuYasha, confuso com o resultado. — É para deixar tudo mais divertido? – Touga olhou para a criança curiosa, estava confuso com aquilo quando percebeu ao que o garoto se referia, o que provocou suas risadas.
— Não, meu garoto! – Respondeu o homem, rindo. — Caçar não consiste em apenas matar, eu caço quando preciso, quando você e sua mãe precisam comer ou caço pessoas ruins que gostariam de machucar você e sua mãe. – InuYasha lhe olhou, seus olhos cintilando com tamanho ecanto. — Vamos para casa?
— Claro!

 

Touga gesticulou para que o garoto lhe seguisse, assim que tomou um caminho e InuYasha se apressou para responder ao chamado do homem. O poente adornava o céu com cores quentes, o laranja das últimas luzes do sol anunciava uma noite com brisas frescas, ainda perfumadas pelo odor das cerejeiras e pessegueiras desabrochando, mas o pequeno garoto percebeu que seu pai havia parado de caminhar. Touga olhava para o alto, olhos fixos em um ponto longínquo e fora do alcance do de InuYasha, ele realmente não gostava quando seu pai fazia isso. 

Houveram dias em que Touga não estivera presente, dias em que este desaparecia e o pequeno hanyou se perguntava onde estava. e Izayoi contou à seu filho, InuYasha, sobre o motivo de sair: Pessoas más que são como Touga, um youkai, que machucavam outros humanos como Izayoi.


— Pa... papai. – Chamou InuYasha, com um tom amedrontado quando o homem, sem virar o rosto para lhe olhar, lhe deu um sinal de que ouvia. — Por que você tem que ficar saindo? A mamãe me disse que não tenho porque ter medo... mas disse que tem pessoas más.
— Sim, há pessoas más que machucam pessoas boas... pessoas boas como sua mãe. – InuYasha sentiu um aperto no peito, sabia que seu pai não queria lhe assustar, por isso tentou aguentar aquelas palavras. — Por isso, preciso que, quando eu sair... você seja forte por sua mãe.
— E você? – Touga agora virou os olhos para encarar a criança curiosa. — Por que tem que sair?
— Bem... eu preciso impedir que essas pessoas más venham para perto, não preciso? – Touga tentou ser carinhoso, estava vendo algo que lhe inquietava e queria tranquilizar o pequeno menino que temia algo, olhava para InuYasha quando percebeu que sua feição se tornou pouco triste, algo que o deixou mais sério. — Não se preocupe comigo, InuYasha. Estarei bem se vocês ficarem bem.
— Eu... eu tenho medo de perder a mamãe. – InuYasha sentiu um forte sentimento gritando em seu peito, lhe sufocando. — Eu não sou forte como você! Não sou rápido e não consigo cuidar da mamãe e do meu irmãozinho quando você sai! Eu... eu tenho medo que.... quando você fica longe, a mamãe...
— Nada acontecerá com ela. – Respondeu o homem. InuYasha percebeu um tom que jamais ouviu, seu pai estava usando um tom tão diferente que o garoto estranhou, Touga sempre se mostrava dócil, um pai amável, mas agora seu tom era tão grave e severo que InuYasha estremeceu.
— Você... promete proteger a mamãe?
— Prometo. – Respondeu o homem, sem hesitar.

 

InuYasha havia retornado para sua casa, mas assim como naquelas outras vezes, seu pai não estava presente. Izayoi estava sentada em sua cama, cantarolava uma antiga canção enquanto acariciava seu ventre, um sorriso dócil que o garoto percebeu ser direcionado para seu futuro irmão. Assim que o pequeno hanyou entrou no quarto, sua mãe lhe olhou e lhe chamou, InuYasha se aproximou e se sentou ao seu lado, se mantendo em silêncio. Queria perguntar o porque que seu pai tinha que ficar saindo, mas assim que abriu a boca para falar com Izayoi, sua doce voz lhe chamou antes.


— InuYasha, você já imaginou como seu irmãozinho ou sua irmãzinha será? – Perguntou Izayoi, levando uma mão até os brancos cabelos que o pequeno herdara de seu pai. InuYasha jamais tinha se perguntado sobre isso, nunca parou para pensar em como a nova criança se pareceria, o que lhe fez parar um pouco para pensar.
— Eu não sei... seria parecido com o papai? – InuYasha olhava para sua mãe, quase como se estivesse confuso com a própria resposta, sem saber se era a certa. Izayoi apenas sorriu.
— Parecido como?
— Quero que meu irmão seja forte como o papai! Corajoso e tão legal como ele é! – Izayoi sorriu enquanto olhava para seu filho, o ver empolgado daquela forma lhe deixava feliz.
— É, acho que pode ser parecido com ele... mas eu também espero que seja gentil e bondoso como seu pai. Espero que ele seja bondoso com humanos e youkais, que seja sincero e que tenha amor e compaixão.
— Bondoso?! – Repetiu o garoto, como se não quisesse isso. — Se ele for assim, vai ser fraco! – Era notável que InuYasha não queria aquilo, tal motivo que lhe fez cruzar os braços com raiva. — Se meu irmãozinho for fraco, eu não vou querer brincar com ele! Nem vou proteger ele! – Tais palavras machucaram Izayoi, um olhar triste se direcionava para o hanyou que tentava evitar aquela feição.
— InuYasha, meu bem... se seu irmãozinho ou irmãzinha não for como você quer que seja, você não pode tratar assim, isso vai me deixar triste e seu pai também ficará chateado. – As orelhas do garoto abaixaram, embora sua feição ainda permanecesse inflada com raiva. — InuYasha, ouça... – O garoto olhou-a com atenção. — Se ele for forte ou não, se for bondoso ou não... ele será seu irmão e, um dia, você terá à ele para confiar assim como ele vai confiar em você. Independente de como essa criança seja, ela vai precisar que você lhe ame e proteja... você me promete que será um bom irmão mais velho?

 

InuYasha a olhou, estava hesitando em responder afirmativamente, mas não queria deixar sua mãe triste, e tal motivo foi o suficiente para que balançasse a cabeça afirmativamente e lhe respondia, ainda que baixo, que iria ser um bom irmão. Izayoi mostrou um sorriso fraco e o acariciou um pouco mais antes de se deitar, o garoto fez o mesmo assim que sua mãe lhe chamou para deitar-se ao seu lado.

 

Atual

 

Touga não sabia explicar o que estava sentindo, uma mistura de medo, desespero, preocupação e uma porção de outras coisas que sequer sabia se possuíam nome se aglomeravam em uma grande mistura caótica, um bolo de sentimentos ruins que fazia tudo em seu corpo estremecer. Tentava correr, queria retornar para sua casa o mais rápido que fosse possível, mas assim que tentava acelerar seu passo, seu corpo se desequilibrava e a dor lhe tomava por completo, forçando-lhe à se apoiar em alguma parede que houvesse por perto, a ferida cada vez mais lhe queimava, seu sangue trilhava em terra um traçado rubro e irregular, gotas grossas começavam a vazar, fazendo o perder parte dos sentidos. Isso não o fez parar quando uma brisa trouxe um cheiro de sangue, Touga era como um nato caçador e sabia diferenciar o cheiro de suas presas, e sabia quem aquele sangue pertencia: Izayoi.

Suas pernas, antes pesadas, foram forçadas por vontade própria à mover-se mais rápido. Touga se rastejava com o peso do próprio corpo, mas logo o rastejar virou um caminhar, que acelerou para correr até o ponto em que o vento parecia lhe acompanhar. O cheiro de cinzas queimava seu nariz, pontos de luzes erguiam-se sobre as árvores do pequeno bosque que separava sua casa da vila humana, o grito selvagem em seu peito se aguentava enquanto avançava por entre as árvores. Sem descanso, Touga avançou com tanta velocidade que as árvores ao redor viraram manchas borradas que em poucos minutos, desapareceram.

A bela pradaria que um dia já lhe trouxe as memórias mais encantadoras foram reduzidas à um punhado de cinzas de madeira, alguns corpos de youkais com máscaras e algumas flâmulas que tremulavam conforme o ar quente das chamas fazia o fogo se espalhar. O gramado tinha sangue em várias regiões, algumas até mesmo mostravam sinais de luta, com cortes profundos na terra. Touga avançou ainda mais, estava com a desesperada esperança que Izayoi e InuYasha tivessem escapado do que tivesse feito tudo aquilo, porém, assim que chegou diante de sua casa... todos seus medos, pesadelos, tristeza e raiva se unificaram quando um grito algoz deixou sua garganta: Sinais de luta marcavam a madeira com cortes, sangue e chamas se espalhavam e consumiam o que um dia já chamou de lar. Não sabia se sentia uma fúria incandescente ou uma tristeza algoz, mas independente de como estava atormentada sua alma, esperava que nem tudo tivesse sido perdido, desejava que InuYasha e sua esposa, com a criança, estivessem bem.


INUYASHA!! IZAYOI!!! POR FAVOR, RESPONDAM!!! – Rugia Touga, enquanto atravessava as chamas que lhe limitava a busca. Todo seu campo de visão se feria enquanto olhava para as chamas, sua vista embaçada devido a exaustão não lhe ajudava e assim que sua voz rebateu nas paredes e apenas o silêncio retornou, o homem se permitiu cair de joelhos. Seu espírito havia sido quebrado e sentia como se não houvesse mais nada para se lutar, havia falhado com todos, inclusive consigo próprio, Touga se curvou até a testa tocar a madeira, a dor crescente em seu peito lhe provocava as lágrimas que até então derramou apenas no nascimento de seu filho hanyou. Enfim cederia à morte que tanto lhe caçava, não tinha mais motivos para continuar, porém, antes de fechar seus olhos e abraçar o fim, sentiu um leve tremor vindo do subsolo.
— Pa-pa-papai?... – Touga abriu seus olhos novamente, focou em ouvir aquele baixo lamurio infantil. Assim que o homem recobrou os sentidos ao ouvir aquela voz, percebeu que esta era de InuYasha, o que lhe fez golpear o chão na exata região em que conseguia ouvir sua voz. O chão se partiu com um só soco e revelou o garoto encolhido, com fuligem em seu rosto, uma grande mancha de sangue que escorria por sua testa e olho esquerdo. Touga o agarrou pela roupa, o tirando daquele buraco e lhe abraçando com tanta força que o garoto conseguia sentir a situação de seu pai.
— Graças à Inu no Kami! Eu pensei ter perdido vocês!... - – Antes que a tristeza se esvaísse de seu peito, o garoto gritou.
— Eu tentei ser forte pela mamãe!... Tentei! – Comentou InuYasha. — Veio uns y-youkais e eles q-queriam... – InuYasha gaguejava enquanto grossas lágrimas rolavam por sua face, mas Touga apenas pegou em seu rosto e puxou para perto, tocando suas testas.
— Saia daqui e procure um local seguro, eu irei achar sua mãe e seu irmão!
— M-mas...
SAIA LOGO DAQUI!!
 

InuYasha assentiu antes de ser empurrado em direção à porta de entrada da casa, onde atravessou e correu sobre o campo em chamas lá fora. Touga ficou lá, mas agora parte de seu espírito havia sido restaurado, ver InuYasha bem lhe deu forças para prosseguir, e tamanha foi a força que seu corpo se movia quase como se não estivesse lutado durante horas. Sua casa não era grande, mas tinha alguns cômodos que foram todos explorados por Touga, mas não havia nada além de chamas e caos por estes, foi no último que seu medo começou a crescer.

Uma trilha de sangue havia sido deixada como pegadas de um pé e meio que Touga entendia como sangue escorrendo pelas pernas, isso mostrou uma imagem que se formou em sua cabeça de sua esposa correndo, aquele sangue lhe pertencia e tinha seu cheiro. Foi avançando rapidamente na direção em que as pegadas lhe guiava, até o ponto em que havia passado de pegadas á um rastro de sangramento, já não conseguia aguentar as lágrimas que escorriam por seu rosto. A trilha se tornou cada vez mais grossa até o momento que Izayoi apareceu, mas a cena que surgiu diante dos olhos de Touga lhe fez estremecer, tremia com tanta tristeza que se sentia como uma criança após perder a coisa mais importante que possuía: O corpo de Izayoi estava encostrado em uma árvore que derramava as últimas pétalas rosas sobre o corpo, pétalas essa que escureciam com o sangue. Uma lança com uma flâmula havia sido cravada em seu corpo, lhe fixando no local, Touga se ajoelhou diante do corpo e começou a chorar, havia perdido a esposa que tanto amou e o filho que esta esperava, morto antes mesmo de vir ao mundo. Todo seu sangue estava espalhado em uma grande poça entorno de seu corpo, seus braços segurando algo que parecia um pano encharcado em sangue, toda aquela cena lhe atormentaria nos piores pesadelos.


— Q.... querido?.... – Um sussurro tão fraco que apenas a audição de um cão youkai como Touga poderia captar. O homem ergueu o rosto e encarou o corpo de sua esposa, sua feição de dor ainda continha um sorriso, ainda que fraco. Izayoi tinha os olhos cinzentos e olhá-los feria o DaiYoukai, olhos que outrora eram vivos e quente como a alvorada, olhos esses que não conseguia ver mais do que alguns borrões. Izayoi não lhe via, mas aprendera à saber quando ele estava por perto.
— I... Izayoi?... – Touga se aproximou, conseguia ver o quanto ela lutava para permanecer viva, sua respiração estava tão fraca que nem mesmo ele saberia dizer como a mulher ainda estava viva. Touga se jogou em direção à mulher, estava ao lado dela enquanto derramava lágrimas descontroladamente. — Estou aqui, minha Izayoi, estou aqui...
 

Uma de suas mãos foi levada até o rosto do homem, ela passou o dedo por suas lágrimas antes de acariciá-lo, Touga pegou aquela mão pálida e fria que já foi rosada e macia, queria poder fazer algo, mas sabia que sua esposa não possuía mais tempo de vida sobrando, por algum milagre, resistiu e lutou até então. Izayoi se desculpava e isso para Touga era pior que facadas diretas em seu coração, ela pedia desculpas por ser uma humana tão frágil, pedia perdão por não ser forte e ter sido capaz de lutar por sua vida, mas dizia não se arrepender de lutar... por ela. Izayoi revelou o que tanto segurava em seu peito, o amontoado de pano que lutou para segurar se tratava de uma criança, era a filha que Touga tanto esperava nascer e que Izayoi desejava tanto proteger.


— Uma... uma menininha? – Touga olhou para a pequena criança que tivera que nascer antes de 9 meses de gestação, uma pequena hanyou que possuía um par de orelhas caninas como InuYasha, o mesmo cabelo branco que até seu pai tinha, mas seus olhos ainda estavam fechados e ela choramingava baixo.
— Ela é... tão linda... nossa pequena filhinha... nossa pequena... Laura... – Touga não respirava, seu fôlego parecia ter sido congelado com aquela situação. Estava profundamente triste em ver sua esposa prestes à morrer, mas ao ver sua filha, tão pequena, tão indefesa, um pulso de alegria tentava lhe inundar em uma onda de felicidade. — Desculpe não ter.... sido forte... por mim... mas... fui por ela... – Izayoi ainda sorria mesmo sabendo de sua situação, ainda que fosse morrer, ser capaz de ter aquela chance de ver sua filha antes de partir lhe seria motivo suficiente para descansar em paz.
 

Izayoi usou suas últimas forças para entregar a criança que seu marido tomou em braços, Izayoi o viu se aproximar de forma calma, Touga estava muito ferido e até sua esposa, na situação da qual se encontrava, conseguia sentir o cheiro de sangue exalando de seu corpo. A mulher cerrou seus olhos lentamente, sentiu os lábios quentes de seu marido lhe beijar algum momento antes de partir. Touga não conseguiu suportar aquela dor, era ela a mulher de sua vida, como ele poderia resistir às lágrima após vê-la partir? Era insuportável, muito insuportável saber que não havia nada para se fazer, e tudo que lhe restou foi assistir Izayoi partir.

No fim, mesmo após ter sofrido uma dor imensurável, ter corrido na situação em que estava e ter lutado por sua vida e no final, pela vida de sua filha... ela morreu sorrindo. Touga ergueu a cabeça e se orgulhou; sua esposa havia sido a mais encantadora mulher que ele poderia ter até o último segundo de sua vida. O homem levantou seu rosto para olhá-la uma última vez, viu a face sem vida de sua esposa, já pálida, a humana mais forte que conheceu em milênios de vida. Ele esfregou suas lágrimas no manto sujo de sangue, se levantando com o resto das forças que ainda lhe restava no corpo. Caminhara com passos pesados sobre a grama alta, ao menos a que não havia sido atingida pelas chamas, levava seu corpo para além do extremo limite, mas não era sua hora de morrer, e se fosse, recusaria aquele destino.

Touga chegou até a pradaria, as luzes do dia começavam à escorrer sobre a campina como um rio de um dourado luminoso, os corpos mutilados e a flâmula permaneciam no mesmo lugar, mas ao olhar melhor, percebeu que InuYasha, em sua curiosidade infantil, observava a bandeira com atenção.


InuYasha!... – Gritou Touga. O garoto rapidamente se virou na direção do homem, havia principalmente se assustado, mas assim que se passou alguns segundos silenciosos, podia-se ver uma estranha raiva e decepção em seu rosto.
— Cadê a mamãe?... Quem é essa aí?... – InuYasha olhava com raiva para a menina nos braços de seu pai que nada respondeu, mas um baixo ruído deixou sua garganta como um gemido de dor.
— Eu... – Olhos tristes que seguravam as emoções e as lágrimas denunciaram à pequena criança sobre a situação. — ...fiz o que pude...
— Mas você... TINHA PROMETIDO proteger a mamãe, não tinha?! – Gritou InuYasha, se afastando.
 

Touga não podia culpá-lo, foi por sua incompetência que sua esposa estava morta agora, mas o pequeno também não conseguia entender como seu pai se sentia, mesmo que ambos tenham perdido alguém importante. O homem queria dizer algo, queria se perdoar por seu fracasso, mas ao abrir a boca, apenas o silêncio respondeu o garoto, mas logo as lágrimas escorreram, lágrimas nunca antes vistas em seu rosto, ao menos para InuYasha. O hanyou tão pouco seria capaz de entender a dor que havia passado, o quanto lutara para aquilo não acontecer e no final, nada do que fez resultou em algo, mas entendeu que seu pai estava tão triste que tremia.


— Me desculpe... InuYasha... eu... eu.... – O hanyou se aproximou, chorava tanto quanto o homem. InuYasha o abraçou enquanto gritava de tristeza, Touga lhe abraçou com um braço enquanto segurava a menina com o outro, tentava parar de chorar, segurar as lágrimas para se mostrar forte, para seus filhos. O homem passou a mão em seu rosto, secando as lágrimas enquanto tentava se acalmar. — Eu preciso... não, NÓS PRECISAMOS partir. – Respondeu, enquanto pegava na mão de seu filho.
— Para onde vamos agora? – Perguntou InuYasha, caminhando no mesmo ritmo de seu pai, ainda com a voz alterada. Touga estava lento e aparentemente mais pesado, o garoto sentia aquilo, pois nunca foi capaz de acompanhá-lo nos passos, agora quase podia ultrapassá-lo.
— Para algum lugar... em que possamos viver e ninguém jamais nos encontrará. – Respondeu com um tom fraco, mas forçando menos tristeza.
— Estamos nos escondendo de alguém? – Perguntou InuYasha, com um tom ainda choroso.
— Por que faz essa pergunta? – Touga insistia em olhar para seu caminho, não queria que seu filho lhe visse naquele estado deplorável.
— Quem são aquelas pessoas mascaradas perto da nossa casa? Por que tem essas bandeirinhas com esse símbolo de duas luas pretas?. – Touga agora o olhava, seus olhos exaustos mostravam o quão árduo lhe era permanecer de pé, ainda mais caminhando e carregando uma criança. — Eles queriam matar a gente?... A gente tá se escondendo de quem?...
— De seu avô. – Respondeu Touga, com um tom fraco. — E de outros que não posso dizer o nome.


Notas Finais


Ufa! Aqui trago o prólogo da minha fanfic, a original está postada no wattpad, mas irei fazer uma revisão e tentar montar algo melhor, eu realmente espero que gostem da minha fic, eu estou amando escrever ela :3 (menos as partes de drama, eu choro enquanto escrevo ;-;), mas realmente agradeço à todos que leram até aqui <3

Por hoje, isso é tudo pessoal! Beijos <3 Até o próximo capítulo (se for continuar)


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