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História Dance with me - vmin (BTS) - Capítulo 22


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Capítulo 22 - O outro "eu"


Fanfic / Fanfiction Dance with me - vmin (BTS) - Capítulo 22 - O outro "eu"

Já era noite, quase madrugada, quando o médico me liberou, após sair os resultados dos pequenos exames que tinha feito. No começo, havia uma suspeita de o desmaio derivar de uma síncope, porém meus sintomas não batiam com o que dizia o médico, então tal opção foi descartada e recebi alta. Park foi quem me levou de volta para o dormitório, e durante todo o percurso nós nos mantemos em silêncio. 

Aquele silêncio, porém, não era como os outros, era ruim, me fazia sentir mal e angustiado, porque eu sabia que algo pior viria assim que chegássemos na universidade.


— Eu vou ligar o rádio… — falei baixo, já esperando que não fosse ter um retorno de Jimin, e levei minhas mãos até o rádio do carro, ligando e colocando em uma estação aleatória. Àquela altura, qualquer ruído seria mais agradável que o amargo silêncio. 


Suspirei. Suspirei porque no fundo eu sabia que uma hora ia acontecer, que uma hora Jimin acabaria vendo esse lado meu, o lado que não para, que não vê limites e tenta segurar mais do que realmente pode e quer ter nas mãos. O lado que eu mais odeio e que sempre tentei manter longe das pessoas… O lado que às vezes me faz perder o controle. 


Fechei os olhos com força e deitei minha cabeça na janela gelada do carro, sentindo-me arrepiar devido àquele contato. Olhando pelo transparente pedaço de vidro, conseguia ver as árvores balançando, a lua cheia iluminando a rua vazia, fazendo o trabalho dos postes de luz que já não deveriam mais estar acesos naquele horário. Alguns barulhos de carro também se faziam presentes, às vezes acompanhados do volume alto do rádio. E foi assim até chegarmos no dormitório. 


Logo que Park abriu a porta do nosso quarto, olhei envergonhado para o chão, pensando em como poderia finalmente começar uma conversa sem que tudo fosse ao chão. 


— Jiminnie… — O chamei de forma manhosa e ousei me aproximar. — Você está bravo? — perguntei, levantando a mão a fim de tocá-lo, mas Jimin se afastou antes que eu pudesse de fato fazê-lo. 


— Sim, eu estou. — Ele me fitou, e então em seus olhos eu pude ver que realmente havia algo de errado. Park não parecia ser o calmo e sereno Jimin, que é capaz de exalar paz apenas com sua respiração, ele parecia chateado, desapontado e cansado. 


— Jimin hyung… me desculpe por preocupar você, desculpe por lhe fazer passar por momentos difíceis, eu me sinto realmente mal, mas por favor, não fique bravo comigo, isso me machuca — eu disse, já sentindo todo meu corpo começar a reagir e a tremer levemente. É claro que todo casal briga, mas aquilo era sério, era algo realmente capaz de fazer Jimin parecer bravo e magoado, e tudo que passava pela minha cabeça era que eu havia causado aquilo. 


— Está pedindo desculpas por me fazer passar por tempos difíceis? Taehyung, você desmaiou, desmaiou de cansaço! Tem noção disso? — disse ele em um tom um pouco mais alto, respirando ofegante. — Você precisa parar, Taehyung, isso está fora de controle! 


— Jiminnie hyung, por favor, não vamos falar disso… — Pedi. 


— Quer saber, Taehyung, nós vamos falar disso! Você sempre foge e isso é tão frustrante. Acha que eu não sei? Acha que a Amber realmente não me contou que te encontrou caído no chão ontem. Você acha, Taehyung? — Jimin perguntou praticamente gritando enquanto se aproximava, me fitando de uma maneira indecifrável. 


— Não aconteceu nada, Jimin hyung! Eu apenas exagerei na dose… — falei tentando o manter calmo. — Por favor, vamos comer e deitar… Você me disse mais cedo que quer assistir filmes, não disse? Vamos assistir juntos e dormir abraçados. Por favor, hyung. 


Pedi novamente enquanto me aproximava, o coração batendo acelerado no peito. Tudo que eu queria era fazer aquilo parar, eu só queria o meu Jimin, o meu namorado doce e gentil. Mas por minha culpa aquilo estava acontecendo e eu nem sequer sabia como fazer parar. 


— Desiste disso, Taehyung. Você precisa desistir… — ele disse, e só então eu percebi que estava tão afetado quanto eu, porque uma pequena lágrima escorreu de seu olho e caiu sobre seu moletom branco, deixando uma marca. — Você pode escrever o seu futuro, o nosso futuro… — Se aproximou de mim. 


Naquele momento, um filme se passava pela minha cabeça, e tudo que eu conseguia pensar era em como aquilo estava me deixando cada vez mais sem ar. Eu não sabia para onde correr, e tudo que via em minha frente parecia não ser de verdade. Jimin estava bem alí, me culpando e julgando minhas decisões sem ter um mínimo de sensibilidade por tudo que eu tive que passar, agindo como se fosse genuinamente fácil tomar uma decisão. E nunca algo me deixou tão frustrado.


— CHEGA! — Eu gritei enquanto segurava com todas as forças para não chorar. 


Eu estava tão cansado, cansado das pessoas ao meu redor, cansado de ser taxado de fraco, e cansado de não poder levantar a voz para tudo aquilo. Eu estava cansado de tantas pessoas protagonizarem a história da minha vida, menos eu mesmo. 

— Você está me culpando por tudo isso, Jimin? Está me culpando por ter desmaiado? Você tem ideia do quão insensível está sendo? Acha que é mesmo simples assim? — perguntei enquanto agarrava meus próprios ombros, começando a andar em círculos pelo chão do dormitório, que parecia tão pequeno quando preenchido de sentimentos confusos. De pessoas confusas. 

— Taehyung, de quem mais seria a culpa? — ele disse se aproximando. — Você precisa fazer isso parar, é o único que tem esse poder. 

Poder? Parei por um segundo e então o fitei. Eu nunca tive poder, nem sobre mim nem sobre o que queria ser, menos ainda em conseguir fazer aquela maldita dor ir embora. 

— Você está sendo tão insensível, Jimin, e isso está me magoando muito — falei. Àquela altura eu já não conseguia conter as lágrimas que escorriam pelo meu rosto, molhando minhas bochechas e descendo até meus lábios.

— Acha que é o único magoado, Taehyung? — respondeu secando o próprio rosto. — Eu fui tão paciente com você, tentei de tudo para fazer você enxergar que eu estou do seu lado e te amo do jeito que você é, porque eu pensei que isso também te faria enxergar que merece ser feliz. Eu achei que uma hora você ficaria cansado de tentar ser amado pelo seu pai, quando por dentro nunca nem teve motivos para querer ele por perto. 

Senti aquelas palavras acertarem-me em cheio. Doeu ao perceber que era daquele jeito que Jimin me via, e doeu ainda mais quando me dei conta de que era verdade. 

Meu coração batia acelerado, minhas mãos soavam e as lágrimas já desciam compulsivamente. Jimin estava mesmo jogando tudo aquilo na minha cara, estava cuspindo as palavras mais rudes e cruas que tanto tive medo de ouvir. 

— Vo… você está certo — falei em meio às lágrimas, não tendo mais o cuidado de não gaguejar.  — Eu sou patético, não sou? Eu… Eu sempre fui.

— Taehyung… — Jimin tentou se aproximar, as pupilas dilatadas e os braços erguidos, mas me afastei antes que sentisse sua mão me tocar. 


— Isso não daria certo, de qualquer maneira… — falei com a voz rouca e falha, fitando Park antes de alcançar novamente minha mochila e virar o corpo. 


Senti as mãos de Jimin rodearem minha cintura, e então fora naquele momento em que tudo se tornou cinza. Minhas lágrimas escorriam com uma frequência ainda maior, me fazendo soluçar, e a cada segundo que se passava com Park me tocando, sentia aquilo piorar. Tudo o que ele havia dito me fizera sentir coisas tão ruins, e de repente eu só queria ir embora, bater na porta de Amber e chorar sobre seu colo. 

— Taehyung… eu não queria ser rude. Me desculpe. Me desculpe, Tae — ele disse, me apertando cada vez mais forte, mas aquelas palavras pareciam vazias ao chegarem em meus ouvidos. Jimin não estava arrependido, ele só não queria me ver ir embora, e aquilo me doeu ainda mais. 


Segurei com firmeza nas mãos pequenas de Jimin, as tirando de meu corpo e afastando-o. Não olhei para trás antes de deixar aquele quarto e correr pelo corredor vazio, agarrado em meus próprios ombros. Eu estava sozinho, de novo. 


Em minha cabeça se repetiam as palavras que saíram da boca de Jimin de uma maneira tão fria. Eu só queria que tudo fosse um pesadelo, que eu acordasse de repente e Park estivesse deitado ao meu lado dizendo coisas completamente diferentes daquelas. Mas aquilo não aconteceria. 


Ainda correndo, olhei para os lados na tentativa de encontrar o quarto de Amber, mas minha visão estava tão embaçada pelas lágrimas que sequer conseguia enxergar direito. Eu não sabia para onde ir, tudo o que sabia era que precisava de barulho. Do bom barulho, porque minha mente estava me torturando tanto que eu mal conseguia pensar. Eu só queria fazer aquilo parar. 

E então eu me lembrei do piano, da melodia doce e do toque suave, tão diferente das palavras cortantes, e antes que eu pudesse me dar conta, novamente eu estava correndo. 


Notas Finais


Olá, Babes! Hey hey 💕
Mais um capítulo! 😔✊
O que acharam? 👀

só queria dizer que a hist. acaba no próximo capítulo, ou depois dele 😭
Já sinto meu coração apertado... vou sentir tanta saudade de escrever DWM :(

Bom... Eu espero que vocês tenham gostado! Até outro dia, beijinhos 💕

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