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História Danganronpa: Excursão do Assassinato Mutuo - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Prólogo: Bem Vindos! Miracule High!


Academia Preparatória Miracule High.

 

Por mais de 100 anos, a academia reúne os melhores dos melhores alunos, consagrados pelo seu talento natural excepcional. Dos mais inteligentes cientistas as mais influentes figuras públicas, é quase uma certeza que são frutos da Miracule. Todos os estudantes recebiam um título baseado no seu talento: o seu talento seguido de “Nível Super Estudantil”, e a única promessa da Academia foi tornar os talentosos desconhecidos em célebres e tornar o mundo um lugar melhor.

 

Uma nova turma havia se formado naquele ano, a turma número 55, sigla 55-A. Reunindo talentos extremamente diversos, era a hora de um novo ano escolar se iniciar, era o primeiro dia de aula para alunos que nunca tinham se visto antes.

 

Dando passos cômicos assim como sua forma rotunda, a professora responsável pelos alunos daquela turma era diferente de qualquer coisa já vista convencionalmente por ser um animatrônico com inteligência artificial em formato de coelhinho de pelúcia rosa, no pretexto de se inserir nas demográficas mais jovens a qual os professores humanos seriam incapazes, seu nome era Usami. Sua entrada na sala de aula foi triunfantemente morna quando ela percebeu que, de dezoito alunos, apenas três haviam comparecido.

 

— Onde estão todos? Por que só tem três pessoas aqui? — Ela se posicionou sobre a mesa do professor, estrategicamente ganhando um pouco mais de destaque, algo que ela não consegue normalmente com seu tamanho diminutivo.

 

— Tão por aí — Uma dos três alunos presentes respondeu, a garota de pele negra e cabelos curtos, sem tirar a visão do seu próprio celular nem mesmo para ajustar seu óculos no rosto.

 

— Mas… esse é o primeiro dia de aula de vocês! Por que vocês iriam escolher faltar? — A coelha parecia abismada com a falta de comprometimento, mas outra aluna rapidamente tentou sanar sua dúvida.

 

— Não somos obrigados, ora. A escola mesmo diz que ir pra aula não é compulsório, então eles optaram por não vir.

 

— Isso é uma medida adicional que a escola tomou para remediar o problema das agendas dos alunos entrando em conflito com os horários de aula! — Ela suspira — Mas eu entendo, já que esse é o nosso primeiro dia, eu vou agir da forma que eu devo agir como professora de vocês…

 

— Usamis não são só inspetoras de classe? — O terceiro aluno, visivelmente mais introvertido, perguntou em um tom de voz lerdo.

 

— Não! — A coelha disparou — Somos professoras e somos as que mais passamos tempo com os alunos aqui na escola, eu afirmo isso, pois vocês já são minha terceira turma!

 

— Já começou no fracasso dessa vez, né? — A primeira aluna, largando o celular, comenta aos risos.

 

— Um começo ruim não significa nada quando comparado a um desenvolvimento bom! — Ela afirma, pouco afetada pela atitude dos seus novos alunos — Então vamos começar como deveriamos, apresentando-se! E vamos na ordem, digam seus nomes, seus talentos e o que mais vocês poderem tirar do coração!

 

Ela começa a encarar fixamente a primeira garota, que rapidamente entendeu e, um pouco que relutantemente, começou sua introdução.

 

— Meu nome é Thaylaine, eu sou a Policial de Nível Super Estudantil!

 

Nome: Thaylaine

Talento: Policial de Nível Super Estudantil

Idade: 15

Altura: 1,64

Gosta: MPB

Não Gosta: Anime

 

Escolhida para ser treineira da polícia regional depois de uma aprovação num exame do governo, Thaylaine rapidamente subiu dentro dali, apressando seu treinamento e adquirindo permissões legais para empunhar uma arma, ela instigou medo e tornou sua cidade um local mais seguro simplesmente por meio do amedrontamento. Agora feliz por portar um distintivo honorário, ela é uma promessa para segurança do mundo todo.

 

— E isso é… tudo? — Usami parecia decepcionada com a introdução curta, mas rapidamente passou o bastão para outro — E você?

 

— Bom… — A segunda menina se levantou da cadeira — Meu nome é Suianne, sou a Cirurgiã de Nível Super Estudantil!

 

Nome: Suianne

Talento: Cirurgiã de Nível Super Estudantil

Idade: 15

Altura: 1,55

Gosta: BTS

Não Gosta: Imaturidade

 

Crescendo num lar complicado e aprendendo desde cedo seu lugar como uma mulher independente, Suianne usou o fogo da sua determinação para se impor num mundo totalmente dominado pelos homens. Adotada como aprendiz de uma das neurocirurgiãs mais famosas do mundo após um estardalhaço em rede nacional, Suianne rapidamente tornou-se uma especialista no âmbito da medicina, totalmente permitida a realizar coisas que ninguém da sua idade algum dia tenha feito. Ela está pronta para crescer cada vez mais!

 

— Vocês devem se lembrar de mim da televisão, mas aquilo foi necessário.

 

— Sério mesmo? — Thaylaine riu quase que disfarçadamente.

 

— Sério, mesmo! — Suianne afirma — Gente, não é qualquer dia que vocês tem a chance de ver uma das maiores neurocirurgiãs do mundo! Insistir que ela me ensinasse tudo em rede nacional ainda valeu a pena, no final!

 

— Não estou julgando, longe de mim julgar!

 

— E vamos continuar sem julgamentos! — Usami cessa a conversa para um bem maior — Ainda falta um se apresentar! O menino!

 

As três olham para o garoto, que estava numa cadeira mais afastada em contraste com a delas. Levantando-se para mostrar seu corpo magricelo e apoiando uma das suas mãos ossudas na mesa, ele tentou dar um sorriso sincero ao se apresentar.

 

— Eu sou Carlos, eu sou Ocultista de Nível Super Estudantil. É um prazer conhecer vocês, já ouvi falar bastante de ambas.

 

Nome: Carlos

Talento: Ocultista de Nível Super Estudantil

Idade: 16

Altura: 1,71

Gosta: Shounen

Não Gosta: Shoujo

 

Carlos sempre se isolou muito em comparação aos jovens normais da sua idade, mesmo que inconscientemente, seus gostos não muito convencionais faziam quase que automático o processo de segregação. Sem muito o que fazer e pouco afetado por ficar a maior parte do seu tempo sozinho, Carlos adquiriu um gosto especial pelo sobrenatural e o oculto, pesquisando intensamente sobre tudo relacionado a isso, ele rapidamente se tornou uma enciclopédia ambulante. Recrutado para a escola por sua presença online como ocultista, pouco se sabe que ele nunca tentou fazer qualquer ritual ou algo parecido na vida real. A teoria vence a prática, afinal.

 

— Uma cirurgiã e uma policial juntos numa sala com um ocultista — Thaylaine pondera em voz alta, tentando soar engraçada — Olha a variedade dessa turma!

 

— É o que dizem né, qualidade… — Suianne inspeciona a sala praticamente vazia — É melhor que quantidade.

 

— Você tá fazendo a Usami ficar constrangida! — A policial não segura seu riso debochado — Ai, desculpa, Usami!

 

— Isso não é legal! — Usami faz um barulho de desapontamento, mesmo que seu focinho não se mexa — Eu tinha planejado atividades intensas de conhecimento interpessoal, mas não é possível fazer isso só com três pessoas…

 

— Então a gente podia procurar eles — Carlos propôs, para então ser cortado por Suianne.

 

— Eles não vieram por vontade própria! Temos mais o que fazer do que uma caça ao tesouros de alunos! 

 

— Eu realmente não consigo distinguir se você tá com preguiça, ou se tá sendo orgulhosa — Thaylaine comentou, mais uma vez risonha.

 

— Nem um, nem outro! — Ela rebateu, levemente furiosa — Estou sendo sensata.

 

— Ai, mas agora não tem muito o que fazer… — A garota suspirou decepcionada — Carlos estragou tudo, a gente vir no primeiro dia pra ganhar pontos com a professora já era o suficiente, agora a gente tem que ajudar ela pra continuar com os pontos garantidos.

 

— Eu nunca disse que vocês iam receber pontos extras! — Usami gritou exasperada.

 

— E eu nunca disse que vim por isso! Ei! — Suianne tenta se impor, mas não vê motivo para ser muito resistente — Mas é a verdade, mesmo.

 

— Então, fessora, vai dar uma ajudinha nas nossas notas se a gente brincar de caça ao aluno com você? — Thaylaine deu uma piscadela para Usami, que quase não conseguiu responder em meio ao constrangimento.

 

— Se essa é a única forma de unir sua turma… — Ela solta uma lágrima, mas ninguém parece se importar muito — Nossa primeira atividade é um reconhecimento de campo misturado com uma caçada.... — Ela começou a ficar imaginativa sobre como isso poderia ser uma boa oportunidade, rapidamente bolando um plano para aquela situação — Cada um de vocês tem que tentar encontrar o maior número de pessoas possível, e o time que tiver mais pessoas vai receber um prêmio!

 

— Você inventou TUDO isso agora? — Suianne sorriu confiante — Então assim seja, vamos competir! Isso é mais divertido do que eu imaginei que seria!

 

— EU vou ganhar o prêmio! — Thaylaine gritou, extremamente animada, correndo para fora da sala.

 

— Espera, ela nem falou “já!”, isso é injusto! — Suianne correu também, sem ao menos esperar um sinal, também.

 

Carlos silenciosamente seguiu, levando apenas um livro velho e cheio de rasgos, os três alunos partiram para lados diferentes da enorme escola, que estava praticamente vazia, todos os outros alunos estavam em suas devidas turmas. Buscando estrategicamente por pontos populares para jovens da sua idade, Carlos havia descoberto sozinho o caminho até a piscina do colégio, uma piscina olímpica e apropriada para atletas, lado a lado com uma piscina de ondas que parecia ser uma construção recente.

 

Deitado em uma das cadeiras de praia posicionadas perto da piscina, havia uma única pessoa, descamisado mas visivelmente vestindo o uniforme da escola e com cabelos loiros, seu corpo era atlético mas ainda sim tinha pouca estatura. Seus olhos estavam fechados, quase como se ele estivesse dormindo. Carlos teve alguns problemas para se aproximar, mas decidiu apenas ir em frente e o despertar.

 

— Ei!

 

— Eu não to dormindo, fale baixo — O jovem não abriu seus olhos — O que é?

 

— Você é um aluno da turma 55-A? Usami pediu para que a gente se reunisse e eu vim… — Ele foi cortado.

 

— Não quero.

 

— Mas é de suma importância que todos estejam presentes para o primeiro dia de aula, precisamos nos apresentar e conhecer uns aos outros! Bom… foi isso que Usami nós disse!

 

— Deixe de onda — Ele abriu seus olhos finalmente, sentando-se na cadeira e parecendo levemente incomodado com o garoto — Quem é você? É pau mandado dela?

 

— Eu sou Carlos… Eu não sei se você me conhece…

 

— Não conheço, não — Ele dá um sorriso malicioso — Mas você deve me conhecer. Oliveira, o grande.

 

Nome: Oliveira

Talento: Surfista de Nível Super Estudantil

Idade: 16

Altura: 1,65

Gosta: Ouro

Não Gosta: Falsificações

 

Surfando pelo seu próprio divertimento e vivendo a base disso, Oliveira foi duramente criticado pelos profissionais por aparentemente ter talento sem ao mínimo se esforçar, raramente treinando. Suas viagens sempre foram para locais tropicais e sempre eram banhadas em drogas, mulheres e bebida no pretexto de participar de competições, a qual ele sempre ganhava sem muitos problemas, e dava a deixa para mais festejo. Ele tem vários troféus e vários recordes, mas ele provavelmente não lembra o nome da maioria, meh.

 

— Sim… é bem difícil não conhecer. E eu pessoalmente vi em foruns sobre todos os meus colegas de classe, então eu tenho conhecimento prév-

 

— Tu não cala boca mesmo, não é? — Ele fala, estridente — Não quero ir, não, me deixe.

 

— Mas você precisa! Ia ser de grande ajuda pra mim! — Ele já estava desesperado, conversar com pessoas não era muito bem seu forte — Usami fez uma competição como primeiro desafio e o time que reunir mais pessoas da turma vai ganhar um prê-

 

— Prêmio?! — Cortando Carlos por uma terceira vez, ele se exalta — Olha, agora sim. Me convenceu!

 

Ele se levanta com um pulo da cadeira, instintivamente puxando o restante do seu uniforme que estava na cadeira consigo. 

 

— Como é seu nome, mesmo? — Ele perguntou, abotoando sua camisa.

 

— Meu nome é Carlos e eu sou...

 

— Tipo o Carlinhos Maia? — Novamente, ele interrompe — Top. Vou te chamar desse nome agora.

 

— Eu preferia que você não…

 

— Bora, Carlinhos Maia, eu quero prêmio — Ele acelera para dentro da escola, e Carlos não tem outra opção além de segui-lo. Parece que alguém havia tomado as rédeas da equipe.

 

Suianne, também cogitando uma visão estratégica, foi para o local mais provável para um jovem: o refeitório. Tentando não ficar abismada com a arquitetura impecável do lugar e a aparência de restaurante, ela focou naquele aluno em especial que estava sozinho, acompanhado de um notebook e vestindo um casaco preto sobre o uniforme. Chegando com uma pose de poder, ela estava convencida de que aquele era um dos alunos de sua turma.

 

— Olha, você é da 55-A? — Ela falou, sem formalidades.

 

— Sou.

 

— Então vem comigo.

 

— É castigo, já? — Ele parecia fazer algo de importante no seu notebook, mas só estava navegando por algum site trivial.

 

— Tsc, vou explicar rápido — Suianne senta do lado dele, começando uma explicação cheia de gesticulação — Três pessoas foram pra aula, precisamos que todas vão, a gente ganha prêmio, mas você tem que cooperar e vir comigo. Entendeu?

 

— O prêmio das Usamis geralmente é doce, não adianta ficar tão animada — Ele afirma, como se soubesse mais do que os outros — Um amigo meu conhecia um cara que estudou aqui, era gente boa e me passou a call de como funcionam as Usami.

 

— Ah, vai dizer que você não vai querer doce! — Suianne solta um grunhido — E a gente não pode afirmar nada, isso inclui o prêmio, então só vem comigo.

 

— Não vale a pena.

 

— Então vamos começar de novo — Ela suspira e, então, cria um sorriso no rosto — Meu nome é Suianne, sou Cirurgiã de Nível Super Estudantil, é um prazer. E você?

 

— Você vai me convencer perguntando meu nome? Hihi — Ele apenas sorri — Mas, ok, meu nome é André. Eu sou Hacker de Nível Super Estudantil.

 

Nome: André

Talento: Hacker de Nível Super Estudantil

Idade: 16

Altura: 1,76

Gosta: Gatos

Não Gosta: Evangélicos

 

Uma mente jovem e peralta, a quantidade exorbitante de tempo livre e seu interesse por tecnologia tornaram o jovem André um perito em pouco tempo. Sua marca registrada é seu hobby inesperado de invadir sites, apenas para aprimorar sua defesa contra futuras invasões, deixando um recado para os administradores sobre como patético e amador eram suas defesas antigas. A suas habilidades atraíram rapidamente os olhares de inúmeras companhias, mas ele deixou tudo de lado para servir o governo, invadindo com facilidade computadores e desmascarando e localizando inúmeros criminosos. Além disso, ele adora conseguir vantagens injustas em jogos.

 

— Pronto, agora a gente se conhece, somos amigos. Posso te pedir um favor? — Ela fala num tom brincalhão, esperando que ele entre na sua linha.

 

— Hm, prossiga — Ele retribui a brincadeira e dá um sorriso de canto.

 

— Vem comigo, por favor! — Ela une suas mãos como uma forma de súplica, mas André apenas ri.

 

— Tá bom, tá bom. Conhecer a galera não deve ser ruim, vou dar uma chance, tô com fome de doce, mesmo.

 

Ele fecha seu notebook, e Suianne dá um sorriso, sentindo-se cada vez mais perto do prêmio, mesmo que sejam só doces. Uma vitória a mais no currículo da vida nunca é algo negativo.

 

Diferentemente dos outros, Thaylaine não havia bolado nenhuma estratégia para sua procura, apenas estava contando com a sorte e checando de sala em sala, chegando ao segundo andar e atraída por uma porta com um símbolo de química, ela, de coração, esperava encontrar alguma pessoa inteligente que se interessou por ali.

 

Bisbilhotando um dos armários estufados com vários tipos de produtos químicos diferentes, estava um menino de pele relativamente escura e cabelos negros, sua pele tinha alguma manchas e ele tinha um rosto um pouco fino, e estava bastante focado em tentar assimilar alguma coisa enquanto segurava dois ou três vidros com substâncias. Thaylaine se aproximou com calma, mas o assustou do mesmo jeito.

 

— Tá de olho nos venenos, é? Vai matar alguém.

 

Ele arfou, surpreendido, segurando os frascos com força, obviamente com medo deles caírem.

 

— Eu to checando se a escola atendeu meu pedido — Ele coloca os frascos no armário, novamente — Não é veneno, mas são anestésicos, é pra os meus estudos.

 

— Estudos, hm? — Ela inspeciona os frascos enquanto ele os devolveu, notando que aquelas eram, na verdade, drogas bastante pesadas, entorpecentes aprimorados — Você é um traficante, ou algo assim? É seu talento?

 

— Eu sou um Médico, Evangelista, pode pesquisar.

 

Nome: Evangelista

Talento: Médico de Nível Super Estudantil

Idade: 17

Altura: 1,70

Gosta: Top's 10

Não Gosta: Dançar

 

Auxiliado por uma quantidade de dinheiro bem notória vindo dos bolsos de seus pais, foi tudo questão de escolha para Evangelista se tornar quem ele é hoje. Talento natural e disposição foram o suficiente para tornar ele um jovem aprendiz para médicos influentes de todo o mundo, ele subiu os degraus de uma escada bem linear até o topo e hoje em dia ostenta permissões especiais para realizar ações médicas, tudo isso no apogeu dos seus 17 anos. Mas... ele é meio garanhão, não comente perto dele.

 

— Sei...  — Thaylaine arqueia uma sobrancelha, duvidando da sua índole — E eu sou Thaylaine, Policial. Não é legal mentir pras autoridades, sabia?

 

— Sei, sim — Ele parece um pouco cínico — Por isso, eu não menti.

 

— De boa, de boa — Ela ainda tinha algumas suspeitas, cumprimentar uma pessoa com uma mentira não era o melhor jeito de começar uma amizade, mas Thaylaine tinha outro foco agora — Agora, você vem comigo. Eu já tô ligada que você é da 55-A, e as tias da limpeza daqui da escola já disseram que se pegar alguém fora da sala, vão ter que se ver com a diretora — Ela mentiu, também.

 

— Mas a aula aqui não é obrigatória, não é?

 

— Mudança de protocolo, o primeiro dia é exceção. Bora, bora — Ela o puxa pelo braço para fora do laboratório, e ele não pode fazer muito além de seguir calado, a mentira de Thaylaine foi plausível o suficiente. Na mente de Thaylaine, se Usami ficasse quieta sobre o prêmio, poderia ser todo dela — A gente tem que achar todo mundo, o máximo de gente possível, então me ajuda.

 

— Você já tentou procurar pela sala de recreação? — Ele não tenta questionar o pedido dela — Alguém deve ter ido pra lá.

 

— Eu não sabia nem que tinha uma sala pra isso — Sem muita informação, ela não tinha visto nenhum mapa da escola — Me guia.

 

Ele assente com a cabeça e caminha até o terceiro andar da escola, seguindo direto para a direita. A porta da sala de recreação era verde, diferente do resto da escola, e o seu interior era ainda mais interessante: revistas, jogos de tabuleiro, dvd players e várias coisas feitas para se distrair. Diante de um jukebox, havia uma menina de pele clara e cabelos loiros, obviamente magoada com alguma coisa enquanto tenta, sem sucesso, operar a máquina.

 

— Bora, bora, infratora — Thaylaine já havia decidido que sua abordagem era a melhor possível — Corre pra sala, que se não você cai no ferro com a diretora!

 

— É o que? — Ela se vira, finalmente percebendo a entrada de outras pessoas na sala e intimidada pelos gritos de Thaylaine — Minha gente, eu só queria ouvir música, eu não sou infratora, não! Socorro!

 

— Ela só tá brincando, relaxe — Evangelista a acalma, fazendo um gesto de “baixa a bola” para Thaylaine — Você é da turma 55-A? Eu sou Evangelista, Médico de Nível Super Estudantil. E essa é Thaylaine.

 

POLICIAL de Nível Super Estudantil.

 

— Gente, eu sou Kariza. Eu sou a dançarina.

 

Nome: Kariza

Talento: Dançarina de Nível Super Estudantil

Idade: 15

Altura: 1,63

Gosta: Biscoito

Não Gosta: Segundas Intenções

 

Se divertir e movimentar o corpo são tarefas consideradas bem comuns, mas ser especialista nisso geralmente é algo que poucos conseguem alcançar. A balança perfeita de atitude positiva e energia, Kariza passou sua vida toda dançando vigorosamente e isso deu bons frutos para si mesma: estabelecida por vídeos caseiros de si mesma, ela recebeu inúmeros convites para solidificar ainda mais seu talento como algo sério. Agora convidada rotineira de vários programas de dança, sua vida não poderia estar melhor.

 

— Kariza? — Thaylaine não consegue conter sua risada — Seu nome é K-A-R-I-Z-A?

 

— E o seu é Thaliane, ué.

 

Kariza não entende muito bem a chacota com seu nome, muito menos o rebate que acabou de fazer, Evangelista apenas ri com a piada não intencional. 

 

— É Thaylaine, não Thaliane — Ela retorquiu, decidindo só focar na sua missão — Olha, Kariza, é pra você vir com a gente. A diretora tá ameaçando punir quem pegar fora da sala no primeiro dia de aula, a professora deu uma chance pra gente que foi reunir a galera. Vamos, vem com a gente!

 

— Olha, eu sabia! — Kariza disse, suspirando — Tinham me dito que podia faltar aula, mas eu não acreditei! Mas daí quando tava vindo, me distraí aqui depois que eu me perdi, quando eu fui ver o horário já tinha me atrasado, ai pensei em ficar aqui.

 

— Então você não soube achar a sala… — Thaylaine questionou, com uma sobrancelha arqueada — Que é uma das primeiras coisas que você vê quando entra na escola, é isso?

 

— É lá na frente? Quando eu entrei eu só vi a sala das faxineiras, gente!

 

— Você entrou pelos fundos — Evangelista confirma, enquanto Thaylaine esfrega a palma da mão no seu rosto.

 

— Ah, tá — A loira dá um sorriso — Agora eu entendi! Hehehe!

 

— Enfim, vem logo com a gente — Thaylaine foi em direção a porta — Não é como se você quisesse faltar mesmo.

 

— E ai, gente — Ela segue os dois sem nenhuma relutância — Tem muita gente bonita na sala?

 

— No momento, não tem nem gente na sala.

 

Enquanto os três da equipe de Thaylaine continuavam sua busca, Carlos e Oliveira também haviam se empenhado em achar mais uma pessoa, indo em direção a fazendinha que abrigava os animais da escola, eles acharam uma garota: loira e com cabelos cacheados e pele branca papel, ela parecia estar muito satisfeita com os cachorros que estavam ali.

 

— Zoofilia em um dia de aula é foda — Oliveira parecia sem filtros o suficiente para fazer uma piada desse cunho.

 

— Oliveira! — Carlos gritou, já corado com a indecência — Desculpa, menina! Ele não sabe o que diz!

 

— Sei sim.

 

— Ha! Ha! — A garota responde a provocação sem tirar sua mão da cabeça de um dos cachorros — Nunca ouvi essa piada na minha vida, boa, original.

 

— Gostou, foi? — O surfista ri, e a garota revira os olhos com um sorriso.

 

— Gostei, sim, pô — Ela finalmente deixa o cachorro ir, deixando o animal um pouco decepcionado — Quem são vocês?

 

— Oi, somos da turma 55-A e acredito que você também é, e... 

 

— A gente ganha um prêmio se você topar vir com a gente — Oliveira já havia silenciado Carlos muitas vezes, já não decepcionava mais o ocultista.

 

— É, mesmo? Se for isso, de boa — A garota se levantou do chão, já era natural para ela se jogar no chão e brincar com animais — Aliás, meu nome é Brenda.

 

— Eu sou Carlos e esse é…

 

— Oliveira!

 

— Eu tava vindo pra aula hoje mais cedo — Ela dá uma ajeitada rápida no cabelo — Mas aí eu passei por aqui e me distrai, eu amo bichinhos. Eu sou bióloga e tudo.

 

Nome: Brenda

Talento: Bióloga de Nível Super Estudantil

Idade: 14

Altura: 1,62

Gosta: Literatura de Terror

Não Gosta: Sua Mãe

 

Brenda nunca limitou seu gosto por animais aos gatos e cachorros a qual ela era dona: amante de toda a vida animal, em especial a vida marinha, ela aprendeu muito cedo e por conta própria tudo que podia sobre a vida e tudo que constitui ela. Participante de projetos de preservação da vida marinha, sua reputação cresceu no meio científico e cada vez mais suas contribuições tornaram-se ela notória por seu talento. Alguns dizem que ela tem o talento de conversar com animais, mas isso é uma história totalmente sem provas, mas será?

 

— Tá bom, exibida — Oliveira novamente provoca, mas Brenda não parece dar importância.

 

— Ih, alá.

 

— Então eu assumo que você pode acompanhar a gente, Brenda? Então vamos buscar mais pessoas, a meta é a maior quantidade possível — Carlos explica — Então, vamos!

 

Carlos vai na frente, dando a chance de Brenda sussurrar algo para Oliveira.

 

— Ele fala assim, mesmo?

 

Chegando ao quarto andar da escola, sem muito sucesso na sua busca, Suianne e André já haviam perdido as esperanças de encontrar mais alguém, procurar nos locais mais prováveis não era uma tarefa fácil quando seus interesses não se alinhavam com a maioria dos interesses alheios.

 

— Você quer tentar ali? — Suianne apontou para uma das portas, com uma placa escrito “Sala de AV” — Eu nem sei o que é AV.

 

— É audiovisual — Ele explica — Tem câmeras, computadores, equipamento de gravação e pá.

 

— Essa escola tem de tudo mesmo, não é?

 

Ela abre a porta, revelando a imensidão daquela sala. Abismados com a quantidade de equipamento, eles finalmente sorriram aliviados ao encontrar não um, mas dois alunos ali dentro. Uma menina alta e com cabelos cheios pintados de um tom de vermelho alaranjado junto com um garoto mais rechonchudo, com olhos puxados e pele marrom. A menina mirava uma das câmeras da sala e tentava tirar uma foto dele, o mandando fazer várias poses diferentes em meio a inúmeros flashes.

 

— Agora dá um sorriso, faz um sinal da paz, mostra mais glúteo. 

 

— Pelo amor de Deus, Amanda, tá bom!

 

— Ai, Joel, você não tem noção do quanto essa câmera é boa — Amanda se ajoelha para conseguir novos ângulos — Você tá ficando uma belezura, segura ai!

 

Joel dá um suspiro, já cansado de segurar poses por tanto tempo. Ele levanta os olhos e percebe a presença das duas outras pessoas, encontrando uma deixa para escapar, imediatamente indo para perto deles e saindo da frente da câmera.

— Oi, pessoal!

 

— Não! Nem pensa em fugir! — Ela se levanta do chão e imediatamente saca a câmera em direção a Joel e os outro dois, tirando uma foto dos três com rostos não muito agradáveis — Olha só, ficou bom!

 

— Meu deus… — Suianne coça suas pálpebras com o punho, com os olhos irritados devido ao flash.

 

— Oi pra vocês, também — André parecia não estar incomodado — 55-A? Vou fingir que não sei a resposta.

 

— É, mas a gente deu uma escapadinha — Joel disse, mas Amanda não demora muito para argumentar.

 

— Você que deu a ideia e me convenceu, eu não tenho nada a ver com isso, viu? — Ela parecia falar de uma forma diferente agora que o foco não era audiovisual, estava mais calma e dócil em contrapartida com sua animação fogosa de antes.

 

— Você topou!

 

— Claro, você insistiu por horas e horas!

 

— O que são vocês? Um casal? — Suianne finalmente tinha recuperado sua visão, mesmo que ainda estivesse com os olhos semicerrados.

 

— Somos uma dupla, mas a gente às vezes discute como um casal de velhos — Com um sorrisinho, Joel explicou — A gente devia se apresentar, não é?

 

— Sim, claro — A cirurgiã armou sua pose dominadora mais uma vez, só para essa ocasião — Meu nome é Suianne, e eu sou Cirurgiã de Nível Super Estudantil. Esse é André, Hacker de Nível Super Estudantil.

 

— Prazer. Somos… Eu sou Amanda, Cineasta de Nível Super Estudantil, e esse é Joel, Roadie de Nível Super Estudantil.

 

Nome: Amanda

Talento: Cineasta de Nível Super Estudantil

Idade: 15

Altura: 1,75

Gosta: Pelúcias

Não Gosta: Saliva

 

Amanda é nada mais do que o esforço coletivo de um grupo de jovens para reconstruir do zero a glória de uma indústria cinematográfica nacional destruída. Habilidosa em todas as partes de fazer um filme, ela tenta explorar a beleza de tudo por trás de uma lente e, então, trazer significado a isso. Seus esforços são significativos e bem vistos pelos profissionais da área, mas seu trabalho só irá terminar quando conseguir ao menos um Oscar de cada categoria pelos seus curtas, filmes e vídeos. Uma força de trabalho implacável... que gosta MUITO de coisas fofas.


 

Nome: Joel

Talento: Roadie de Nível Super Estudantil

Idade: 15

Altura: 1,69

Gosta: Carros

Não Gosta: Igreja

 

Joel segue Amanda desde sempre, a amizade deles sempre foi baseada em confiança, lealdade e no desejo (na maior parte de Amanda) de restaurar o cinema nacional a sua glória. Sempre apoiando ela em tudo que ela faz e vivendo a sua sombra, seu talento como roadie era crucial para ela nos momentos mais difíceis, e ele sempre esteve satisfeito com sua posição ali. Agora recrutado pela academia e com Amanda, Joel não tem mais com o que reclamar, pelo menos ele está longe da vida sem graça que vivia há muito tempo atrás.

 

— Amanda? Eu acompanho uma das suas webseries na internet! Meu deus, menina, você tem muito talento, mesmo! — Suianne deixa esvair totalmente sua pose, exaltando-se enquanto seus olhos brilhavam — Tudo é tão natural, e romântico e emocionante! Me conta, por favor, o que acontece com Eliza agora que ela perdeu seu arco?

 

— Somos uma industria livre de spoilers! — Amanda sorri, lisonjeada pelo reconhecimento — Mas, caso isso te acalme, ainda tem muito da Eliza pela frente!

 

— E esse cabelo? — Suianne rapidamente muda o foco da conversa, ela simplesmente consegue falar muito mais fácil com outras meninas do que com meninos, é natural para ela — Eu já pintei dessa cor… Fiquei parecendo uma comissária de bordo. Você pinta sozinha?

 

— Pinto, sim! Me matando, mas pinto! — A cineasta parece adorar o rumo que a conversa está tomando, se exaltando tanto quanto a outra — Eu posso te dar umas dicas, a gente pode…

 

— Cof. Cof — André força um tossido, para conseguir a atenção das duas — Prioridades, Suianne.

 

— Ah… Sim, certo! — Suianne recompõe-se — Amanda, Joel, precisamos da cooperação vocês dois. A nossa professora criou uma atividade para reunir os alunos, só três foram para a aula, então ela ofereceu um prêmio para quem estiver reunido com a maior quantidade de alunos. Vocês tem que vir com a gente!

 

— Claro, tem um prêmio, então, claro! — Joel se anima com o possibilidade de ganhar algo legal no primeiro dia de aula.

— Tô dentro, sim… Aliás, temos algo que pode ajudar, não é, Joel?

 

— O que quer di… Ah — Joel sorri ao lembrar do que aconteceu — Tem um menino escondido numa cabine do banheiro masculino desse andar, e ele tá lá a bastante tempo.

 

— Eu espero que ele não esteja… Esquece — Suianne faz um grunhido de nojo — André, pode ir lá com Joel? Ele deve ser um dos nossos.

 

— Não tenho opção, mesmo… — Ele concluiu, imediatamente atendendo ao pedido.

 

— A gente te espera na porta, mas enquanto isso… — Suianne se vira para Amanda — A gente continua nosso papo, sim?

 

Entrando juntos no banheiro, que era pateticamente mundano comparado ao restante da escola, eles rapidamente acharam a terceira cabine que ainda estava ocupada. André bateu na porta da cabine, sem muito sucesso. Então ele repetiu, agora com mais força, finalmente conseguindo um resultado. A porta da cabine se abre para revelar um garoto negro e visivelmente confuso, com o celular na mão e fones de ouvidos, ele tira apenas um lado do seu fone para escutar os garotos.

 

— Foi tudo ideia dos outros, mas desculpa — Ele levantou as mãos como se fosse ser preso, e estava visivelmente assustado — Tudo bem se quiser me expulsar.

 

— Do que você tá fal- — Joel tenta falar algo, mas André o interrompe, vendo a deixa para uma brincadeira.

 

— Te expulsar? TE EXPULSAR? Meu filho, tu tá é condenado a prisão e sem direito a habeas corpus!

 

— Prisão?! Meu deus, por quê?! — O garoto se exaspera ainda mais — Não?!

 

— Isso é uma escola fundada pelo governo, você acha mesmo que vai faltar aula? Quantas pessoas queriam tá no seu lugar? Vai responder judicialmente agora, vamos, meliante!

 

— Não, cara! Não tem outra chance, por favor? — Ele implora, com lágrimas nos olhos.

 

— Oh, rapaz — André fica com um pouco de pena — Se você vier pra aula com a gente, tua barra fica limpa. Mas limpa essas lágrimas, e fala seu nome.

 

— Tá, tá bom… — Ele limpa seus olhos com a parte de trás da sua mão — Eu sou Caio.

 

— E você faz o que? — Joel pergunta, depois de bastantes risadas discretas.

 

— Eu sou estudante… — Ele parece um pouco incomodado de falar seu próprio talento — E teorista...

 

Nome: Caio

Talento: Teorista de Nível Super Estudantil

Idade: 16

Altura: 1,70

Gosta: Filmes de Romance

Não Gosta: Cobras

 

Um nerd de primeira categoria e uma presença constante em fóruns de discussão online, sua obsessão extremamente específica pelo mundo da mídia resultava em inúmeras teorias simples sobre suas séries, animes e desenhos animados favoritos. O que normalmente seria apenas algo comum para os fãs, sua teorias tinham uma taxa de acerto de cem por cento, o que deu notoriedade a sua habilidade de percepção e atraiu olhares de pessoas influentes, interessadas em por suas habilidades em prática em outros cenários. Independente, ele não percebe que tem um talento, meh.

 

— Você percebe as coisas, entendi — André percebe o incômodo do garoto, e sua gentileza fala mais alto — É um ótimo talento. Você deve ser ótimo.

 

— Valeu…

 

— Então… — Joel percebe o clima estranho, e decide simplesmente ir direto ao ponto — Era só brincadeira. Não tem prisão, não. A gente só tem que reunir todo mundo na sala, a professora pediu.

 

— O que você tava fazendo escondido no banheiro por tanto tempo, afinal? — André questiona, esperando não receber nada perverso.

 

— Eu tava vendo série — Caio explica — E anime. E lendo quadrinhos. Também tava vendo memes.

 

— Você ficou aí dentro por umas duas horas sem problemas vendo série? Corajoso.

 

— Duas horas?! — O garoto parecia genuinamente surpreso — Meu deus, acho que perdi a noção do tempo…

 

— O tempo só voa, não é? Mesmo que eu pessoalmente não consiga fazer essa proeza. 

 

— Eu admito, talvez eu me distraia fácil com mídias…

 

Enquanto isso, Thaylaine e sua equipe procuravam pela sua próxima adição. Levados ao ginásio por Kariza, todos haviam sido surpreendidos pelo seu tamanho descomunal, mas ainda foi uma tarefa simples encontrar alguém ali. Uma garota ruiva sentava-se nas arquibancadas, sozinha, acompanhada de seu aparelho celular. Todos haviam rapidamente percebido suas feições, suas sardas, seus óculos e seu tamanho exagerado, e Kariza foi a primeira a cumprimenta-la.

 

— Você tá faltando aula, é? A gente veio te salvar, então — Tudo que ela falava soava animado e cheio de energia.

 

— Ou te punir, se você quiser — Thaylaine acrescenta, tentando soar intimidadora.

 

— Eu pensei que era permitido? — A ruiva disse, pondo seu celular de lado.

 

— Pois, pensou errado, parceira.

 

— Explica direito pra ela, ameaça sem sentido não vai dar em nada — Evangelista pede educadamente, já irritado com a atitude de Thaylaine — Olha, garota, Thaylaine aqui veio escoltar a gente pra sala, pra evitar que a gente fosse punido pela diretora. Seria legal se você viesse com a gente, legal pra você mesmo. Aliás, quem é você?

 

— Quem sou eu? — Ela parecia um pouco distraída pelo menino, por algum motivo — Ah, eu sou Letícia. Eu sou Líder de Torcida… de Nível Super Estudantil.

 

Nome: Letícia

Talento: Líder de Torcida de Nível Super Estudantil

Idade: 15

Altura: 1,80

Gosta: Apple

Não Gosta: Solidão

 

Seu gosto por séries de adolescente do Estados Unidos surtiu efeito na vida de Letícia, criando um projeto de torcida para o time de futebol da sua escola, ela rapidamente se destacou como uma líder de torcida a moda antiga: bonita, animada e não muito inteligente. A escola a convocou para aumentar suas habilidades significativamente e, com sorte, trazer ao país credibilidade em relação ao cheerleading. Bom, quando Letícia tiver vontade, talvez isso aconteça.

 

— Líder de Torcida, nesse país? — Thaylaine perguntou — Eu pensei que só tinha isso em filme de escola do Estados Unidos.

 

— Ai, cara, que legal! — Kariza, ao contrário de Thaylaine, exclamou em animação — Eu sou dançarina, é quase a mesma coisa, não é?

 

— Eu só sei fazer movimentos com o corpo, gritar umas palavras e mexer pom-poms, acho que você sabe muito mais do que eu! — Letícia sorriu, mas Kariza não parecia convencida.

 

— Ai, cara, não fala assim. É difícil ser chamado pra cá.

 

— Exato — Evangelista concorda — Não somos qualquer uns, somos grande coisa. Bom, pelo menos, eu me garanto, né?

 

— Eu acho que todos nós garantimos — Thaylaine diz, sem por muita confiança em suas próprias palavras — Mas isso não é importante, agora. O importante é que você venha com a gente.

 

— Eu acho que não tenho muita opção — Letícia levantou-se da arquibancada, e chocou ainda mais quando todos realmente perceberam sua altura, não era comum ver uma menina desse tamanho.

 

— Agora eu entendi… — A policial encara Letícia da cabeça ao pés — Entendi como você é uma líder de torcida tão ótima, é impossível não prestar atenção em você.

 

— Cabelo vermelho e super alta… É uma tocha humana — Evangelista estava um pouco intimidado pela garota ser muito mais alta que ele mesmo.

 

— Só pra constar, meu cabelo é castanho. Deixando bem claro, mesmo.

 

Comparado aos outros, a equipe de Carlos estava tendo mais problemas para encontrar os outros alunos. Eles estavam andando pelos corredores sem esperanças, não havia muitas salas para procurar naquele andar, e Oliveira estava visivelmente irritado com aquilo.

 

— A gente vai perder e é culpa de vocês.

 

— Você também não ajudou em nada! — Brenda bufou, raivosa — Sai do meu curral pra nada!

 

— Pelo menos deixou os animais em paz, tão livres do seu fedor de sebo.

 

— E tu tem bafo de maconha, ué. Igual por igual.

 

— Pelo menos eu tomo banho, iai?

 

— Não vale se for só um por mês.

 

— Vocês estão mesmo brigando… — Carlos suspira, decepcionado, no fundo ele queria ter encontrado gente mais calma.

 

Subitamente, eles são surpreendidos com o barulho de algo caindo em um metal. Um som não muito alto, mas ainda perceptível, era aparente que vinha do corredor ao lado. Carlos tomou a liderança e andou até lá, respirando aliviado ao ver que tinha mais alguém ali: desabastecendo o estoque de doces de uma máquina de vendas, ele ostentava cabelos cacheados pretos, óculos de bordas transparentes e uma versão modificada do uniforme, com shorts invés de uma calça, expondo suas pernas, além de carregar um mochila de uma alça só. Ele tirou um pedaço do seu chocolate, e Carlos parecia ansioso de chegar perto dele.

 

— Você vai lá, ou não? — Oliveira interroga, dando um empurrão em Carlos — Eu mesmo vou, então.

 

Oliveira se aproxima do garoto, que já havia percebido sua presença, sem falar absolutamente nada. Eles se entreolham, Oliveira com um olhar sério e o garoto com um sorriso bobo.

 

— Você quer um pedaço? — O garoto oferece, estendo o chocolate para perto da boca de Oliveira.

 

— … — Ele respirou fundo e, então, tirou um pedaço com a boca.

 

— Fala sério, você tá comendo? Eu também quero! — Brenda reprimiu, correndo para perto do garoto — Me dá!

 

Ele não se importou em dividir mais um pedaço com Brenda, mantendo seu sorriso bobo e forçando com que Carlos se aproximasse dele, também.

 

— Máquinas de vendas lotadas de doce do bom no valor de moedas… Se isso é um sonho, espero não acordar nunca! — O garoto contemplou, era visível que tanto açúcar deixou ele alvoroçado — Mas, não tem jujubas… E é o meu doce predileto.

 

— Eu entendo… — Carlos disse, abraçando seu livro — Com licença, mas posso quem é você? É da turma 55-A? 

 

— Quem eu sou? — Ele para seus devaneios sobre doces para focar em Carlos — Ah, você quer minha identidade normal ou meu nickname? De qualquer forma, meu nome é Ian. Eu sou Escritor de Nível Super Estudantil.

 

Nome: Ian

Talento: Escritor de Nível Super Estudantil

Idade: 15

Altura: 1,67

Gosta: Doces

Não Gosta: Manga

 

Criatividade e curiosidade culminando numa mente incontrolável e cheia de ideias, Ian simplesmente não consegue parar: analisando literalmente todos os aspectos de tudo ao seu redor e então gerando possibilidades incessantes para isso, sua criatividade o deu uma habilidade sobre humana nos aspectos da escrita. Aperfeiçoando suas habilidades com a idade, foi rápido até que ele se tornasse um dos melhores no que ele faz: escrevendo livros que conquistaram multidões, roteiros de séries, novelas e filmes e até mesmo poemas e discursos de líderes famosos, sua escrita chega a ser algo sobrenatural.

 

— Mas você também pode me conhecer por minhas alcunhas: Bella Fleur, Le Diamant Blanc ou J. P. Wilkins. 

 

— Esses são… — Carlos não consegue conter seu entusiasmo — O Guia Místico de Koga, por Le Diamant Blanc, é uma obra prima, foi você quem escreveu?

 

— Eu fui contratado por Koga há alguns anos e ajeitei o manuscrito dele… Até que no final eu só escrevi tudo, mesmo, nada demais! — Ele dá um risinho — Eu conheço vocês, aliás. Carlos, eu sempre leio seu blog sobre ocultismo. Brenda, eu sou doador na sua campanha para salvar coalas. Oliveira, eu escrevi o script do seu futuro filme.

 

— Você fez seu dever de casa, hein? — Brenda comenta.

 

— Eu estava tão, tão, tão animado que eu não resisti em checar nos fóruns quem seriam meus colegas de classe! Eu tô tão animado pra passar três anos inteiros com todos vocês! — Sua fala estava cada vez mais rápida, algumas palavras eram quase impossíveis de entender — Mas eu me distrair a caminho da sala com… pelo menos umas quinze coisas.

 

— Então venha conosco! — Carlos exclama, aproveitando a oportunidade — A professora pediu para que nós fossemos para a sala, então é só você vir conosco.

 

— Parece ótimo pra mim — Ele sorri, mais uma vez — Nossa, eu mal posso esperar pra conhecer todo mundo, só de pensar nisso já me faz imaginar uns treze mil cenários diferentes.

 

Não muito longe dali, Thaylaine havia encontrado mais um local interessante, com a ajuda de Letícia, ela havia chegado ao salão de memórias, um corredor enorme lotado de pinturas, troféus e outros mementos de alunos antigos e atuais da escola. Um único garoto estava ali, olhando alguns prêmios colados na parede, a única coisa marcante sobre ele eram seus olhos verdes. Evangelista fez um sinal com a mão, como se mandasse as garotas esperarem ali, e se aproxima do garoto.

 

— Tá apreciando, não é? — Evangelista não olha nos olhos do outro garoto, apenas admira o mesmo troféu que ele — Todo mundo quer vir pra cá, eu não culpo você por fugir logo pra cá, de tantos lugares, é impossível não passar aqui e desejar que seu nome fique aqui pra sempre.

 

O outro garoto olha atentamente para o rosto de Evangelista, demorando alguns segundos para cair na risada, frustrando o médico.

 

— Tá louco? Eu só vim gazear aula por aqui, mesmo. Mas se você quiser acreditar ai na sua história, de boa.

 

— Evangelista eu não acredito que você mandou a gente esperar por isso! — Thaylaine diz, saindo de onde ele havia mandado ela esperar, junto com as outras duas meninas — Seguinte, guri, é pra vir com a gente. Passa.

 

— E você é?

 

— Thaylaine, rapaz. Sou policial e to livrando vocês de problema aqui — Ela diz, tentando impor autoridade mas com pouco sucesso.

 

— Tá bom, pô. Tá bom — Ele faz um sinal com a mão de “baixa a bola”.

 

— Quanta ousadia, hein? E olha que eu to querendo salvar você, mas tá bom, se fode ai! — Thaylaine bufa de raiva, virando as costas para o garoto, deixando a situação a mercê das garotas.

 

—  É que… Bom, ela tá reunindo o pessoal da nossa turma, pra evitar com que a diretora pegue a gente e dê uma bronca por faltar logo no primeiro dia, por isso ela quer que você venha —  Letícia explica gentilmente, fazendo seu melhor para sorrir enquanto fala.

 

— Ah, tá explicado — Ele fala com uma voz quase cínica —  Eu até vou, mas não com vontade, hein?

 

—  Aliás, qual é seu nome? —  Ela pergunta, fazendo o máximo para ser civil.

 

—  Ah, achei que todo mundo já sabia — Com um sorriso esnobe, ele disse —  Mas eu sou Matheus, e eu sou Astrônomo.

 

Nome: Matheus

Talento: Astrônomo de Nível Super Estudantil

Idade: 15

Altura: 1,65

Gosta: Videogames

Não Gosta: Charlatões

 

Matheus sempre teve vontades e sempre fez de tudo para conseguir o que queria, incluindo falsificar resultados de um teste do governo para participar de um programa de astronomia avançado. Mesmo que tenha sido descoberto, seus mestres já haviam decidido que um talento incrível daquele está acima de qualquer expulsão, sua arrogância não poderia ser mais alimentada. De qualquer forma, ele é uma promessa ao mundo e provavelmente fará grandes avanços para a humanidade no futuro, no momento, ele apenas ostenta muito conhecimento.

 

— Então você viaja pro espaço? — Kariza se anima imediatamente, com os olhos brilhando pensando na possibilidade de viajar ao espaço, também.

 

— Eu estudo o espaço. É diferente — Vendo que Kariza era significativamente mais bonita, ele fez questão de agir com mais gentileza — Muito mais divertido.

 

— Ah, não tem graça — O sorriso dela se dissipa — Assim é chato.

 

— Você e eu somos os únicos talentos de gente que pensa até agora — Evangelista comenta, indiretamente diminuindo as garotas — Eu sou médico.

 

— Ei, não mistura as coisas não, por favor. Você pode ficar aí repetindo procedimento até se aposentar, enquanto isso eu descubro coisas, sou reconhecido e morro como estrela — Matheus falava com convicção, como se aquilo fosse só questão de tempo para acontecer, um destino.

 

— A gente vai ter uma batalha de ego aqui ou vamos continuar procurando o pessoal? — Thaylaine se vira novamente para os outros, já entediada — Eu quero logo meu prêm… Nada, nada. Ir pra sala.

 

— Prêm? Prêmio? Tem um prêmio? — Matheus arregala os olhos imediatamente — Falasse antes, agora eu to dentro.

 

— Você não falou nada de prêmio antes, cara! — Kariza berra para Thaylaine — Poxa, que vacilo, cara!

 

— Não é como se fosse algo ruim, agora só dá mais motivação de ir — Letícia diz, calmamente — Mas por que você mentiu pra gente, Thaylaine?

 

— Pra ficar com tudo pra ela mesma, claro, ué — Matheus afirma — Mas agora que a gente sabe, é só a gente dividir um com o outro. E ela fica sem nada.

 

— Parece um bom acordo — Evangelista sorri.

 

— Ah, não, cara! — Thaylaine grita, desesperada — Ai, ai…. Ai não tem graça!

 

— Mentir nunca dá bons frutos, não é? 

 

— Olha quem fala…

 

Enquanto a equipe de Thaylaine discutia sobre o prêmio, Suianne fazia sua próxima descoberta: a escola tinha um auditório externo. Feito para adaptar todos os alunos da escola e com pelo menos trezentas cadeiras, era um espaço fechado, mas extremamente bem iluminado, assemelhando-se a um teatro de verdade. Qualquer som feito ali facilmente ecoava, o que atraiu a atenção facilmente aos berros que eram a fala de um garoto que estava em pé no palco, frente a frente com outro, que sentava-se em uma das cadeiras e o encarava com um olhar de cansaço e relaxamento.

 

Suianne aproximou-se rapidamente junto com os outros que ela reuniu, animada em como conseguiu dois coelhos em uma tacada só.

 

— Ei, ei! Vocês são da turma 55-A? Reunião da turma, vamos, vamos!

 

— Você tá falando isso, mas a gente vai só se reunir na sala ou vai ir levar bronca? — O menino no palco questiona, ele parecia como qualquer jovem padrão, com cabelos castanhos claros em um corte com topete e raspado nos lados, olhos combinando e óculos, junto a um corpo visivelmente musculoso.

 

— Vamos nos reunir na sala, só. Eu prometo — Suianne insiste — Mas… eu te conheço de algum lugar? Você me é familiar…

 

— Bom, ele é um rosto familiar pra todo mundo, ele é bem conhecido — Amanda comentou, tirando um sorriso orgulhoso do menino — O nome dele é Junior, ele é bem conhecido no Instagram por… por…

 

— Ser uma estrela, bebê! — Junior acrescentou.

 

Nome: Junior

Talento: Estrela de Nível Super Estudantil

Idade: 16

Altura: 1,77

Gosta: Álcool

Não Gosta: Escola

 

Ninguém entende muito bem porquê algumas pessoas atingem o estrelato, Junior é uma das pessoas que frequentemente recebem esse tipo de questionamento. Compartilhar coisas em redes sociais, fazer aparições públicas e merchandising são algumas das coisas que vem com o sucesso repentino do garoto, e o colégio decidiu que isso era um talento, afinal, conseguir uma legião de seguidores da noite pro dia e manter por uma quantidade de tempo considerável é algo extremamente formidável. Algumas pessoas o acham forçado, mas opiniões, não é?

 

— Conseguir seguidores tá cada vez mais fácil… —  André especulou.

 

— Como eu sou uma estrela eu vim logo ver o lugar que mais combina comigo: um palco, não é? — Gabando-se, ele explica, até mesmo os acessórios de ouro que ele usava entregava que ele era um playboy.

 

— Mas, o que você faz? Canta, dança ou algo assim? —  Suianne pondera, ainda sem entender muito o que significa o talento dele.

 

— Ser uma Kardashian adolescente, em resumo — Amanda explica, sem intenções de ser rude, mas soando um pouco.

 

— De qualquer jeito, o povo ama me ver, então meu talento é ser muito carismático e charmoso.

 

— Se a escola reconhece isso… quem sou eu pra ir contra? — A cirurgiã encolheu os ombros como sinal de “tanto faz” — Mas, Amanda, eu não pensei que você seria do tipo a acompanhar famoso de internet.

 

— Eu pensei em convidar ele pra um dos meus filmes, pela visibilidade dele — Ela explica — Por isso eu tava animada pra ver ele por aqui, é minha chance de falar cara a cara com ele. Bom, como eu estou fazendo agora.

 

— Filme? Você quer fazer um filme sobre mim comigo sendo o personagem principal, não é? — Ele sorri, afogando-se no próprio orgulho mas tendo seus sonhos destruídos rapidamente.

 

— Eu pensei mais em uma aparição de fundo sem falas… Eu não posso apostar em gente que não tenha habilidade em atuar…

 

— Ah, tanto faz, então… Dependendo do cachê, eu topo aparecer em qualquer lugar. Fala com meu gerente.

 

— E você pode falar com o meu — Ela aponta para Joel, que fez um olhar confuso.

 

— Certo, a gente vai continuar fingindo que não tem outra pessoa totalmente avulsa nesse lugar, mesmo? — André diz, atraindo olhares para o menino que estava sentado, assistindo a conversa silenciosamente com um sorriso.

 

— Se incomoda, não — O garoto responde, estridente.

 

— Você também é da 55-A? Precisamos do maior número de pessoas possível — Suianne estata.

 

— Sim, sim — Ele responde, serenamente.

 

— Ele é seu amigo? — Caio pergunta para Junior, num tom baixo, mas que não surtiu o efeito que queria devido ao eco imenso do auditório.

 

— A gente se conheceu aqui, mesmo — Júnior explica, coçando a cabeça — Eu nem perguntei o nome dele, ele só tem vibes boas, então eu relevei.

 

— Ah, pô, obrigado ai, então — O garoto faz um sinal de legal com o polegar — Mas, meu nome é Gustavo. Geneticista de Nível Super Estudantil.

 

Nome: Gustavo

Talento: Geneticista de Nível Super Estudantil

Idade: 16

Altura: 1,82

Gosta: Ídolos Mulheres

Não Gosta: Ídolos Homens

 

Desde que ele, quase acidentalmente, propôs uma teoria inocente em uma feira de ciência do seu colégio e, acidentalmente, curou uma síndrome genética de crescimento de pelo excessivo por meio de pensamento crítico, a vida de Gustavo tomou um rumo inesperado. Escoltado para academias e laboratórios para levar seu "dom" adiante, seu interesse por genética se equipara muito bem ao seu interesse por uma vida pacata. Agora um especialista em engenharia genética, as mentes mais habilidosas do mundo mal podem esperar para ver os avanços que ele pode trazer... bem, claro, depois que terminar o ensino médio.

 

— Ele fala tão calmo que parece que ele tá chapado, não é? — Júnior comenta, mas Gustavo rapidamente intervém.

 

— Eu só tô meio tímido, eu não conheço ninguém. Melhor que ser grosso, não é?

 

— A gente só tá empurrando com a barriga e fingindo que tem intimidade de anos aqui, aparentemente — Amanda observou, sorrindo para Suianne.

 

— A gente tá meio que deixando de lado nosso objetivo, não é? — Caio questiona — A gente precisa de muita gente e tá meio que… conversando.

 

— Certo! — Suianne vociferou — Gustavo e Júnior, nossa professora disse que poderíamos ganhar um prêmio se nossa “equipe” tiver mais gente reunida. Acho que temos um número bom, então, vamos pra sala com a gente!

 

— Eu tava pensando em ficar na minha, mas tá bom — Gustavo aceita o pedido sem protestos.

 

— Contanto que ninguém venha cagar nos meu ouvido, eu vou — Júnior disse, e rapidamente faz outro comentário — E é bom que a gente ganhe!

 

A equipe de Suianne então foi para a sala de aula, enquanto a de Carlos desesperadamente procurava por, no mínimo, mais uma pessoa. Ian havia sugerido a sala de artes, e foi uma ideia astuta, lá estava, entre os inúmeros cavaletes, uma menina. Com uma expressão constante antojada e pele ridiculamente pálida, decorando seus cabelos curtos e pretos com uma tiara com orelhas de gatos pretas glitterizadas, ela parecia descontente ao ser descoberta por um grupo tão grande, parecendo apreciar a paz do local.

 

— Posso ajudar? — Ela disse, num tom ríspido em contraste com sua formalidade. 

 

— Sim, na verdade, pode… — Carlos dá um passo para frente, fazendo ela levantar uma sobrancelha — Somos da turma 55-A, presumo que você também é… Gostariamos que você seguisse a gente até a sala, a professora propôs uma competição e…

 

— Não, não, obrigada — Ela dispensou, sem precisar ouvir tudo — Eu tô muito bem aqui, e as aulas não são compulsórias de qualquer jeito.

 

— Ah, qual é?! — Brenda berrou, fazendo a garota grunhir discretamente.

 

— Você vai mesmo negar um prêmio, gatinha? — Oliveira pergunta, olhando diretamente para as orelhas de gato na tiara — Bora, bora.

 

— Eu passo.

 

— Ah, não seja assim, vamos conhecer nossos novos colegas, menina artista! — Ian disse, estridente, mas foi brutalmente ignorado por ela — Você realmente vai resistir… Eu entendo.

 

— Conhecer uma turma toda de super alunos… — Ela pondera para si mesma por um momento — Eu topo, então.

 

— Eu não pensei que você iria se convencer graças às amizades… — Carlos disse, profundamente surpreendido.

 

— Não por amizade. Você nunca pode prever quem vai querer comprar alguma coisa sua. Eu não vou perder essa chance.

 

— Parece um bom plano de negócios — Brenda comenta, sorridente — Mas é bem na cara que você só quer uma desculpa pra vir com a gente. Hehehe.

 

— Qual é seu nome, mesmo? — Oliveira encara a menina, que deixava o cavalete de lado e guardava algo em sua necessaire — Eu te conheço de algum lugar. Só não sei de onde.

 

— Meu nome é Nayla. Eu sou Artista de Nível Super Estudantil. 

 

Nome: Nayla

Talento: Artista de Nível Super Estudantil

Idade: 16

Altura: 1,61

Gosta: Artesanato

Não Gosta: Contato Físico

 

Levada pelo simbolismo, pela vontade de fazer algo bonito, simplesmente pelo puro tédio para poder fazer algo bonito e principalmente, pelo lucro, Nayla desenha desde que se conhece por gente e, desde então, apenas cresceu exponencialmente no ramo artístico. Criadora de pinturas, desenhos digitais, esculturas, artesanato e qualquer outro tipo de coisa relacionado, ela tem esperanças de lucrar muito com tudo que ela faz.

 

— Não, não lembro — Parecendo não se importar mais, Oliveira perde totalmente o foco na garota.

 

— Eu não sou nenhuma celebridade como você, de qualquer forma — Ela mencionou — E muito menos faço questão de ser.

 

— Mas… você é uma artista! — Carlos parece confuso, não entendo muito as motivações de Nayla.

 

— Nem todo artista quer ser reconhecido, na verdade — Ian explica — Por isso criamos alcunhas e às vezes vamos para trás das cortinas. Às vezes só queremos tomar propriedade de algumas obras nossas, e só isso.

 

— Arte pode ser um bom investimento, mas fama iria atrapalhar meu objetivo final — Ela acrescenta a explicação de Ian, com suas próprias motivações — Viver confortavelmente e sem perrengue. É isso que eu almejo.

 

— Entrar nessa academia deve ter sido uma decisão bem difícil, então — Brenda parece estar pegando o rumo da conversa mais facilmente que os dois outros garotos — Fóruns onlines já falaram muito da gente, e nesse ano vamos ter várias aparições na mídia. Entrar aqui é se expor para o mundo todo.

 

— Eu já tenho tudo pensado, então não importa — Nayla conclui, e então muda abruptamente de assunto — Vamos para a sala de aula.

 

— Ah, ah… — Carlos gagueja, ainda se recuperando da confusão sobre o assunto anterior — Ok! Não há mais motivo para procurar mais gente, de qualquer forma. Eu guio vocês até lá.

 

Enquanto isso, Thaylaine e sua equipe também estavam a caminho da sala de aula. Eles pararam, no entanto, quando deram de conta com uma última pessoa. Com uma presença estranha e misteriosa sendo sua única característica realmente marcante, era um garoto, apenas caminhando em direção a eles, provavelmente procurando algum lugar interessante para ficar. Todos olharam em seus olhos e o fizeram parar dessa forma, e ele não baixou sua guarda, continuando com uma expressão rabugenta.

 

— NPC — Matheus comentou, friamente.

 

— O que é isso? — Kariza perguntou, sem perceber muito a expressão ranzinza do garoto misterioso.

 

Non Player Character — O garoto respondeu a pergunta que não foi direcionada a ele — Um personagem de jogo que você não pode controlar e, geralmente, tem um papel menor e pouco relevante.

 

— Ah, eu esperava você ter uma voz totalmente mais amedrontadora — Thaylaine suspira aliviada — Mas você só é esquisito, mesmo.

 

Ele olha para o lado, sem se importar muito com o comentário da menina. Ele espera pacientemente para que o grupo apenas saia de sua direção, mas eles realmente não entendem isso. Letícia é a única a falar algo, depois de alguns segundos desconfortáveis.

 

— Então, você é da turma 55-A?

 

— Sim.

 

— Então, pode vir com a gente? — Letícia perguntou sem muita explicação — Podemos ganhar um prêmio se você vir, vamos dividir ele.

 

— … — Ele continuou com seu rosto de quase raiva — Okay. Tudo bem.

 

— Que bom!

 

— Jura que… você convenceu ele em duas frases? — Thaylaine fica realmente surpreendida — Merda…

 

— A gente podia saber seu nome? — Evangelista pergunta, ignorando as lamúrias de Thaylaine — Seu talento, também, seria bom.

 

— Eu? Eu sou Jordan — Ele suspira — Eu sou Quadrinista de Nível Super Estudantil.

 

Nome: Jordan

Talento: Quadrinista de Nível Super Estudantil

Idade: 16

Altura: 1,77

Gosta: Pianos

Não Gosta: Exatas

 

Sempre excluído e extremamente pessimista, Jordan nunca se importou muito com criar uma presença em nenhum lugar que ele tenha ido. Pouco se sabe é que, secretamente, ele é o autor de um dos webcomics mais famosos e populares da atualidade, estrelando heróis e extrema violência, sua fanbase tomou proporções extremas e cada vez mais pedem por continuações de uma história que facilmente já passa de mil capítulos. O mistério sobre a identidade do autor era uma incógnita até agora, mas ser recrutado para o colégio foi o primeiro passo para que o mundo todo saiba quem ele é.

 

— Pft...  — Evangelista contém seu riso, seu olhar denunciava uma atitude esnobe do próprio — Então, vamos logo. A sala é logo ali.

 

E assim foi feito. Todos os alunos caminharam em direção a sala de aula, onde ao entrar, foram surpreendidos com Usami, junto de todas as outras equipes. A turma estava totalmente reunida e Usami discretamente contava a quantidade de membros da equipe de Thaylaine.

 

— Quatro… cinco! — Ela exclama — Temos um consenso, o time vencedor é… todos eles!

 

— Pera, que? — Brenda exclama de volta.

 

— Relaxem, e sentem-se todos, por favor! — A coelha diz, fazendo com que a equipe de Thaylaine a obedece-se e sentasse — Isso foi não um jogo, mas uma forma prática de fazer vocês se conhecerem e entrarem no ritmo da escola! Então, todos são vencedores por terem disposição!

 

— Então… E o prêmio? — Carlos pergunta, vocalizando a dúvida de quase todos ali.

 

— As amizades que fizemos no caminho não são um prêmio suficiente? — Letícia contempla, mas não demora muito para Oliveira argumentar.

 

— Não! Eu quero um prêmio!

 

— Se tivermos sorte, o prêmio vai ser uma focinheira pra colocar em Oliveira — Brenda provoca, mas é ignorada pelo próprio.

 

— Ele não é o único que precisa de uma… — Nayla fala, indiretamente como escárnio para Brenda.

 

— Acalmem os ânimos, por favor! — Usami, já nervosa, balança seu cetro para tentar conseguir ordem — Eu preparei um prêmio para todos vocês!

 

Ela bate com seu cetro no quadro negro, fazendo com que, de alguma forma, ele se abra, revelando um compartimento recheado de doces e guloseimas.

 

— Eu disse, não disse? — André fala, orgulhosamente — Meus parceiros nunca erram.

 

— Um rodízio de açúcar? Isso é tudo, mas tudo que eu poderia desejar! — Ian, salivando intensamente, berra aos prantos — Por favor, deixem as jujubas pra mim! Ohhh!

 

— Isso parece um bom aperitivo mas… — Suianne parece um pouco decepcionada —  Eu espero que tenham opções sem lactose!

 

— Vocês meninas e essas dietas experimentais… — Evangelista revira os olhos enquanto Suianne fala, mas ela friamente o refuta.

 

— Eu sou alérgica. Mesmo que isso não seja da sua conta.

 

— Meu deus, parem de atrito! — Amanda ordena, também admirada pelos doces — Podemos comer agora, professora?

 

— Buffet no primeiro dia de aula? E eu faltando… — Oliveira era mais um dos admirados, extremamente faminto pela exaustão de andar o dia todo.

 

— Eu adoraria que vocês pudessem comer agora, mas… — Ela bate com o cetro novamente, fechando o compartimento — Não é adequado comer em sala de aula. Eu vou enviar doces pros dormitórios de vocês.

 

— A gente pode optar por tirar o prêmio de alguém? — Matheus levanta sua mão e pergunta — A equipe aqui quer tirar o doce de Thaylaine, por ser mentirosa.

 

— O prêmio é de todos! Atura! — Thaylaine se defende, e Usami parece apoiar sua causa.

 

— Ela conquistou o seu objetivo assim como todos vocês. Ela não vai ficar sem! Mas… — Usami parecia ter outras preocupações pendentes além do prêmio em doces — Temos que terminar nossa cerimônia de primeiro dia, não acham? Não iria dar ao trabalho de atrair todos vocês pra cá por nenhum motivo! Primeiramente, as regras de convivência.

 

Ela novamente bate com seu cetro no quadro negro, e ele subitamente se enche de instruções, regras e várias escrituras. Usami aponta seu cetro para o espaço onde estavam escritas as regras.

 

Regra #1: Violência extrema entre alunos é proibida. Vivam uma vida relaxante e acolhedora com seus colegas.

Regra #2: Tenham consideração uns com os outros e construam uma boa relação com seus colegas.

Regra #3: Não joguem lixo no chão e façam o melhor para preservar o ambiente ao seu redor.

Regra #4: A professora responsável não pode interferir diretamente nos alunos, a não ser que eles tenham cometido alguma infração de regras.

Regra #5: Sempre mantenham seu ID digital intacto e perto de vocês. Danos ao aparelho podem ser reparados, peça ajuda a sua professora responsável.

 

— Usami… o que seria um ID digital? — Jordan perguntou, enquanto todos ainda terminavam de ler as regras.

 

— Ótima pergunta, Jordan! Estrela de participação pra você! — Ela pula para trás da sua mesa, puxando para fora uma caixa de papelão — Seus ID digitais são sua identidade aqui na Miracule! Elas são personalizadas para cada um de vocês com funções específicas para seus talentos, mas todas compartilham uma enciclopédia de dados sobre os alunos da escola, um mapa digital com GPS da escola e da cidade, as regras da escola e um jogo especial de tamagotchi! Aproveitem esse último: cada um de vocês tem um bichinho próprio no jogo, não esqueçam de tomar conta dele! Ah, aliás, vocês também usam seus ID digitais para entrar nos quartos de vocês e em alguns locais exclusivos para alunos da Miracule!

 

Ela abre a caixa de papelão, com muito esforço, revelando uma quantidade grande de ID digitais: aparelhos semelhantes a celulares mas um pouco mais finos. 

 

— Vocês podem pegar seus ID no final da aula! Para saber qual o seu, é só ligar, a primeira coisa que aparece na tela ao ser ligado é o seu nome e sobrenome, além do seu talento. E esse ano também investimos em capinhas personalizadas, então é ainda mais fácil saber qual é o seu!

 

— Se você diz que a aula ainda não acabou, o que mais temos pra fazer? — Caio perguntou, o que ajudou Usami indiretamente na progressão da sua aula.

 

— É meio dia. Ou seja: hora do almoço, vocês podem se dirigir a cantina e se deliciar com a culinária da Miracule! — Ela anunciou, de forma animada — Se alimentar é uma parte importante do currículo escolar aqui, então fiquem a vontade para repetir se quiserem!

 

— Me arrependo — Oliveira fala para o teto, como se estivesse se comunicando — Me arrependo de querer faltar o primeiro dia!

 

— Você gosta de comer, né? — Gustavo pergunta retoricamente, abrindo um sorrisinho de canto da boca.

 

— Eu acho que todos aqui estão com muita fome, foi uma manhã bem intensa — Suianne disse — Em outras palavras: meu deus, que fome!

 

Todos os alunos se preparam para ir para a cantina, todos pegando seus ID digitais. Era o começo de um ano escolar, como qualquer outro.

 

Prólogo: Bem Vindos! Miracule High!

 

A cantina era um local barulhento, vários jovens faziam fila para poder pegar sua comida, alguns estavam na fila pela segunda ou terceira e até mesmo quarto vez. Tudo ali era grande, o suficiente para caber a quantidade enorme de alunos presentes na escola, e as mesas mais lembravam mesas de restaurante do que mesas comuns de cantina. Oliveira havia sido um dos primeiros a pegar comida e, já tentado pela sua qualidade, já estava novamente na extensa fila por uma segunda vez.

 

Uma quantidade seleta de alunos da 55-A decidiu sentar-se na mesma mesa, seja por instinto natural, incapacidade de ficar sozinho ou falta de opção. Era na maioria a equipe de Suianne, a única equipe que continuou cem por cento junta para almoçar, e junto a eles, Ian, Jordan, Kariza, Letícia e Thaylaine. Os outros alunos da 55-A decidiram ficar sozinhos, ou simplesmente saíram da cantina para comer.

 

Estava silencioso na mesa, diferentemente dos gritos e berros, além de barulhos de pratos e talheres, vindo das outras mesas. Mas numa tentativa de quebrar o gelo, Júnior puxou um assunto.

 

— Então… como vocês tão? —  Ele não tinha um assunto específico em mente, mas parecia animado para conhecer aqueles que não havia falado até agora — Eu vi no meu ID. Vocês, no caso. 

 

— Eu também dei uma checada — Letícia pegou a deixa rapidamente, sendo também conivente com a tentativa de puxar um assunto para a mesa.

 

— Vocês tem talentos muito legais e interessantes — Ian entra na roda — Cirurgiã, Teorista, Dançarina… Temos muitas histórias pra compartilhar, não é?

 

— Isso! — Júnior gosta da sugestão acidental de Ian — Vamos falar dos nossos talentos, é uma boa. A gente tá aqui por eles, mesmo.

 

— Suianne, então eu acho que a gente podia falar sobre o seu, cara — Kariza aproveita a oportunidade — Você é cirurgiã, que é tipo médico, não é?

 

— É uma especialização, algo mais avançado — Ela explica e Kariza imediatamente presta atenção, acalmando seus ânimos como nunca antes e acendendo um brilho no seu olhar — Mas meu objetivo é me focar na neurocirurgia, cirurgias feitas na região da cabeça. É o que minha professora é especializada, também.

 

— Acho que todos conhecem bem sua professora, hehe — Caio, sem real intenção de ofender, relembra o momento em que Suianne apareceu na televisão, implorando aos pés da sua professora atual para admitir ela — Mas… tipo… nada demais, ok?

 

— Eu sei que vocês devem tá se perguntando o que foi aquele piti enorme… Ainda tocam na minha ferida e já faz uns três ou dois anos… Mas foi necessário — Ela afirma — Era minha única chance de conseguir algo naquele momento, de chamar a atenção dela. Ela se sensibilizou com minha determinação e minha coragem.

 

— Eu entendo — Caio diz, um pouco decepcionado com o jeito que ele falou, com medo de ter tocado em uma ferida, também — Mas, você é merecedora de estar aqui… Se a própria escola acha isso, eu não tenho dúvida também.

 

— Tudo bem, tudo bem, mas o que me interessa é… — Suianne olha nos olhos de Kariza, que sentava diretamente a sua frente, do lado oposto da mesa — Por que a curiosidade, dançarina? — Ela deu um sorriso, como se fosse um sinal de que era um pergunta jocosa e não hostil.

 

— Ah, cara… — Kariza cora levemente, tomando a atenção dos outros da mesa — Eu meio que sempre quis ser médica, também, entende? Ou pelo menos enfermeira, não sei.

 

— Mas e seu talento? Você não gosta de ser dançarina? — Joel perguntou, ao mesmo tempo que engolia um pedaço consideravelmente grande de filé.

 

— Não é isso! Eu amo dançar, muito, cara! — Ela afirma com muita sinceridade, mas logo depois volta a sua postura mais frouxa — É que… sei lá. É melhor não pensar nisso, agora.

 

— Se você não está pronta pra falar disso, podemos passar a tocha para outra pessoa falar — Ian afirma, empatizando com a timidez súbita de Kariza sobre o assunto — Que tal o talento de… — Ele encara todos, um por um, até fixar os olhos em Jordan, que parecia um pouco avulso da roda — Jordan! Um quadrinista!

 

— Se você é quadrinista, então você faz gibi, não é? — Amanda pergunta, ela estava tomando alguns goles de um refrigerante.

 

— Sim… Mas eu prefiro chamar só de quadrinhos — Ele respondeu com seriedade, não entrosando muito.

 

— Estranho… Eu nunca vi nenhum autor chamado Jordan e eu acompanho vários quadrinhos… — Caio acrescentou — Bom, tem o Hal Jordan, o Lanterna Verde. Mas, nah.

 

Jordan imediatamente sorriu na menção do nome “Hal Jordan”, seus olhos brilhando assim como os de Kariza estavam a pouco. Em pouco tempo, o sorriso discreto dele cessou, mas ele estava um pouco mais disposto, principalmente em relação a Caio.

 

— Eu sou o autor de Ceerus, não é muito popular, mas…

 

C E E R U S ? — Ian, Gustavo e Caio berraram em união.

 

— Que nome esquisito — Júnior comenta, sendo um dos poucos meninos na roda a não entender o que era aquilo.

 

— Eu não consigo acreditar que você é quem escreve Ceerus, isso é tipo, minha revista favorita — Caio parece quase choroso enquanto fala, extremamente emocionado, como se Jordan tivesse se tornado seu ídolo — Eu acompanho desde que era só um quadrinho online, eu vivi a época de glória em que as primeiras revistas saíram nas bancas! Eu tenho a edição de ouro autografada!

 

— É o meu fundo do celular faz pelo menos um ano! — Gustavo acrescenta, também animado, mas muito menos que Caio.

 

— Eu escrevi uma tonelada de fanfiction sobre os personagens do Esquadrão Escarlate, suas personagens femininas são tão marcantes! — Ian também estava exaltado, colocando suas mãos nas suas bochechas em uma tentativa de conter um surto de fervor.

 

— Nossa… — Jordan abriu novamente um sorriso singelo, como se estivesse um pouco abatido por tanta aclamação — É só uma revista…

 

— Eu estou nessa escola por sua causa! — Caio afirma, com gritinhos — Eu fiquei conhecido por postar teoria de Ceerus! Eu vivia em fórum de Ceerus! Eu *respiro* Ceerus!

 

— Calma, Caio! — Amanda diz, risonha assim como todos os outros estavam naquele momento.

 

— O Teorista de Nível Super Estudantil fazendo teorias sobre minhas histórias em quadrinho — Ele para e pensa um pouco — Valeu, então.

 

— Supostamente sua história deve ser muito, muito boa! — Suianne comenta — Além do Teorista, você também fez o Escritor de Nível Super Estudantil parar seus livros pra criar fanfic do seu gibi, e nem me fale de um Geneticista influente lendo, também.

 

— Eu podia emprestar minha coleção pra vocês lerem, também — Ian sugere, estridente — Em pouco tempo a turma toda ia ser fã de Ceerus, eu posso te afirmar! Tem uma arte impecável e uma história também impecável.

 

— Meh, eu não gosto dessas coisas tipo… desenho — Thaylaine afirma, ainda focada na sua própria refeição, ela havia enchido mais seu prato do que os outros.

 

— Eu topo ler, hehe! — Letícia parece feliz com o fato de todos estarem se dando bem na roda.

 

— Eu… E você? — Jordan olhou para Ian — O que você escreve?

 

— Ah! — Ele é pego de surpresa — Bom… é uma lista bem grande, hehe…

 

— Cita só os mais famosos — Suianne ordena, extremamente interessada — Eu leio muito! Eu devo conhecer alguma coisa, você deve ser bem popular pra estar aqui!

 

— Bom… — Pensando, com o dedo indicador no queixo, ele finalmente consegue listar algumas de suas obras — O Nevampiro, Caminhos da Luz, Diários de Viagem da Família Yorkshire e Ventos Uivantes são minhas criações que mais estão em alta, recentemente!

 

— Eu… eu… — Suianne fica de queixos caídos — Eu conheço… e eu *li* todos! Eu passei uma fase da minha vida apaixonada por lobisomens alados por conta de Ventos Uivantes! 

 

— Mas… todos esses livros são de gêneros diferentes — Caio também estava chocado — E nenhum deles parece ser escrito pela mesma pessoa…

 

— Eu adapto muito minha escrita pensando no meu público alvo, eu acho que é minha habilidade principal — Ele explica, parecendo feliz com os elogios — Ontem a noite eu enviei o último roteiro de uma das novelas em exibição no horário nobre atualmente, aliás. Eu espero que vocês também acompanhem!

 

— É impressionante… — Suianne parece sorrir para si mesma — Cineasta, Escritor, Quadrinista… Vocês poderiam fazer uma colaboração, a qualquer hora.

 

— Nossa, isso foi bem inusitado! — Amanda não estava preparada para ter seu nome citado — Mas eu estou numa fase importante pra mim… Todos os meus filmes têm uma essência tradicional do Brasil. Os livros de Ian são muito internacionais.

 

— Eu já assisti alguns filmes seus! — Kariza nota — Eu… não entendi muita coisa deles. Mas mesmo assim, era muito bonito, cara, tudo era. Eu gostei.

 

— Eu sou bastante apaixonado por filmes… E eu também já assisti quase todas as suas criações, Amanda — Caio mencionou — Sempre que eu assisto os seus filmes, é diferente, é como se eu tivesse sendo sugado por eles, como se eu tivesse vivendo aquilo pessoalmente. Eu sempre choro, rio e me emociono vendo eles.

 

— Eu também tenho que te parabenizar se você é responsável pelos roteiros — Ian acrescenta mais um elogio — Tem coisas ali que eu nunca iria conseguir passar pela minha escrita. Você e Jordan também tem talento nisso, eu fico feliz em ter outros escritores por aqui.

 

— Eu acho que vocês também deviam agradecer a Joel, se gostam tanto assim — Amanda diz, colocando sua mão sobre as costas de Joel, que sentava ao seu lado — Sem ele me ajudando em tudo, eu não iria conseguir.

 

— E tudo com um orçamento baixo! — Ele completa, tirando alguns risos da roda.

 

— O papo tá bom, mas… — Thaylaine interrompe, terminando sua refeição — Terminei.

 

— Não iriamos ficar aqui pra sempre, não é? — Suianne diz, também terminando sua refeição, assim como todos na mesa — Usami deve estar procurando a gente, se isso é uma escola normal, então eu acho que vamos ter aulas normais, agora!

 

— Ter uma coelha de pelúcia dando aula pra gente parece muito… bizarro — Caio comenta, um pouco incomodado — Ela não é ruim, só… não vou me acostumar muito fácil.

 

— Ela só é nossa professora responsável — André, que não havia falado nada até agora, parecia um pouco mais informado que os outros, por algum motivo — Ela só fica com a gente nas reuniões matinais, nossos outros professores são humanos. A gente provavelmente já vai receber horários… — Os IDs digitais de todos vibram — ...agora!

 

— Você sabe bastante coisa, não é? — Suianne indagou.

 

— Eu tenho contatos, he.

 

— Quanta aula… diferente — Letícia analisa seu ID digital, agora com os horários de aulas — Temos as matérias normais de escola… mais aula de música, ciências sociais e um montão de coisa.

 

— Tocar algum instrumento parece legal, eu não falto nenhuma aula dessas — Ian diz, animado com sua nova rotina.

 

— Vamos se mexer, então — Thaylaine ordena, aos gritos — Sala de economia doméstica!

 

— Isso é… novo — Gustavo reage com um sorriso frustrado.

 

Os alunos levantam-se da mesa e então começam a deixar a cantina, Ian fica um pouco para trás, por não ter terminado tão rápido como os outros. Inesperadamente para ele, Jordan se aproxima, colocando a mão sobre seu ombro e falando algo pra ele, em um tom baixo e não muito carismático.

 

— Eu… li vários dos seus livros. Você é bem legal — Ele então apenas sai, sem esperar uma resposta.

 

Ian o encara sair, apertando com força em sua mão o garfo que segurava e corando, ele dá um sorriso bobo, por algum motivo.

 

Após a aula de economia doméstica, que contou com a presença de todos os alunos, a turma 55-A se reuniu novamente, a pedido de Usami, durante o intervalo entre aulas, na mesma sala de antes.

 

— A gente tá perdendo o intervalo, fala logo — Oliveira ordenou, colocando seus pés sobre sua mesa.

 

— Usami, eu pensei que só nos reuniamos nessa sala pela manhã, algum problema? — Carlos parecia mais complacente que seu colega.

 

— Pelo contrário, eu acabei de receber noticias boas para vocês — Ela parece mais animada do que estava pela manhã — Eu fui convocada pela diretora e ela me contou sobre um novo projeto que quer que vocês participem. Chama-se Plano de Desenvolvimento de Talento de Nível Super Estudantil.

 

— Eu pensei que a escola já era um plano de desenvolvimento de talento por si só — Nayla questiona, não muito interessada na notícia.

 

— Bom, ela é — Usami afirma — Mas tem algo a mais nessa proposta, é um plano para expor vocês a formas novas de desenvolver seu talentos por meio de excursões, nacionais e internacionais.

 

— Pera, significa que vamos viajar pelo mundo com a escola? — Evangelista parecia mais interessado que Nayla, de certo — Parece bom.

 

— Sim! Sim! — Usami se alegra com a animação do aluno — Originalmente, a turma 52-A ia receber o plano, mas… bom, tivemos que punir eles por uma baderna sem limites provocado pelo Anfitrião de Nível Super Estudantil dentro da escola.

 

— Baderna? Proibida — Gustavo rapidamente comenta, quase como se falasse para si mesmo.

 

— Iríamos passar isso para a 52-B e 52-C, mas a agenda deles não permitia alterações em um tempo tão curto!

 

— Espera, estamos falando de quanto tempo aqui? — Nayla novamente questiona.

 

— Opa, ninguém aqui tem agenda, não, em?! — Oliveira parecia animado pelo projeto, e obviamente iria protestar caso alguém fosse contrário a ele.

 

— Ah… Depois de amanhã — Usami informa, um pouco nervosa sobre a reação dos alunos.

 

— Hm… Parece um tempo suficiente para se preparar — Letícia afirma, sorrindo e a maioria dos alunos assente com a cabeça ou responde com um “sim”.

 

— Mas, outra pergunta, rápido — Matheus levanta sua mão, mas não espera Usami dar uma deixa para perguntar — Pra onde é essa excursão?

 

— Vocês estarão indo para uma cidade vizinha, é uma cidade em desenvolvimento — Usami explica, agora mais aliviada — Mesmo que seja uma cidade pequena, os esforços do Carpinteiro de Nível Super Estudantil junto com a Engenheira de Nível Super Estudantil estão transformando aquela cidadezinha em uma metrópole em tempo recorde! Vamos expor vocês lá como uma forma de mostrar seus talentos para a população do interior e, consequentemente, aprimorar sua imagem para o público.

 

— Então isso é uma feira de ciências, mas invés de ciência, são talentos? — Sílvio compara, um pouco decepcionado — Eu pensei que ia ser mais legal que isso.

 

— Isso é só a primeira excursão, é experimental — Usami tenta suavizar a situação — Se vocês conseguirem ir bem, as chances de conseguirem excursões para lugares interessantes é muito grande! Isso é uma promessa!

 

A turma toda fica em silêncio, mas com expressões de aprovação relutante. Usami toma aquilo como um “sim”.

 

— Eu vou falar com seus professores para liberar vocês pelo resto do dia e por amanhã também, então vocês podem pensar no que vão mostrar quando chegarem lá! Vai ser uma excursão cheia de esperança!

 

Ela bate com o cetro no quadro, fazendo com que “Excursão da Esperança Sem Fim” aparecesse, rodeado de desenhos de corações, flores e alguns animais adoráveis. Os alunos prontamente se retiraram dali, a maioria pensativos sobre o que poderiam fazer e, uma minoria, extremamente certos do que iriam mostrar.

 

— Artista, o que você vai fazer? — Suianne se aproxima de Nayla no corredor, entrelaçando seu braço com o dela.

 

— … — Nayla parecia um pouco desconfortável, mas, por algum motivo, seu coração esquentou para a garota, e exclusivamente para ela — Provavelmente mostrar alguns desenhos mais criativos que eu fiz, é bem fácil pensar sobre isso, artista e exposições são coisas que se associam fácil — Ela explicou — Mas e você? Eu não consigo imaginar como uma cirurgiã iria expor seu talento pra um público.

 

— Será que eu consigo um voluntário da turma? — Suianne ri — Matheus tem uma cabeça bem... interessante, pra não dizer grande. Talvez ele libere pra que eu abra ela.

 

— Vamos ver, no dia tu pergunta, pega ele de surpresa.

 

Nayla dá um sorriso para a outra garota, que retribuiu, as duas continuam andando amistosamente até seus dormitórios. Do outro lado do corredor, Ian aproximava-se de André, agora segurando Jordan consigo, o puxando pela manga da camisa.

 

— André… eu acho que esse é seu nome, certo?

 

— Sim, oi? — André parecia confuso com a aproximação súbita do garoto, e principalmente com Jordan estando ali, com uma expressão não muito satisfeita.

 

— Eu não quero soar estranho, mas eu tive uma ideia super incrível enquanto saia da sala e olhei para você — Ele explica, um pouco mais calmo do que o habitual — Se eu exibisse meus livros em telas para o pessoal ler na exposição, você poderia usar disso. 

 

— Eu não entendo qual a relação de uma coisa com a outra — Ele diz, ainda confuso, Ian parecia não ser exatamente o tipo de pessoa que iria querer alguma aproximação com ele.

 

— Você poderia mostrar seu talento como hacker assim! Hackeando o sistema das telas e mostrando alguma coisa interessante para o pessoal por meio disso! — Ele sorri, animado pela possibilidade de trabalhar junto.

 

— E o que ele — André aponta para Jordan — Tem a ver com isso?

 

— Eu também posso exibir quadrinhos dele nas telas, então eu propus pra ele, também — Ian explicou — Ele respondeu que sim.

 

— Mas afinal — André não havia aceitado a ideia completamente, mas parecia promissor em seu ponto de vista — O que são essas telas?

 

Ian abriu o zíper da sua mochila, que tinha só uma alça e um rosto de cachorro de desenho animado na suas pontas, dentro dela, havia inúmeros aparelhos idênticos a tablets.

 

— São meus E-Readers, eu comprei eles de um dos alunos técnicos daqui e são perfeitos — Ele tirou um da bolsa, expondo para André — Dá pra ler histórias escritas e ver imagens por ele, além de ter uma ferramenta de escrita por touchpad.

 

— E como você espera que eu invada um…

 

— É um sistema rudimentar comparado aos que você já invadiu — Ian já sabia exatamente o que André iria perguntar — Tem conexão com a internet, então você já pode usar essa deixa pra começar sua invasão — Ele põe a tela na mão de André — Toma, você pode até começar a treinar hoje.

 

— E se eu rejeitar? — Ele faz uma expressão séria.

 

— Você não vai! — Ian dá uma piscadinha com seu olho direito, e André apenas sorri frouxamente de volta.

 

Todos os alunos já haviam ido para os seus dormitórios naquele ponto, a noite havia caído e todos estavam muito ocupados em seus quartos, planejando o que iriam fazer para suas exposições na excursão. Uma pessoa não estava, no entanto, ela discretamente andava pela escola até o laboratório de química, abrindo os armários e então escondendo os entorpecentes em sua jaqueta, era Evangelista, que iria sair dali sem deixar nenhuma pista.

 

Mas foi abordado por Thaylaine, que esperava na escuridão, do lado de fora da sala, apoiada na parede e de braços cruzados.

 

— Não se mente pra alguém que é especialista em interrogar suspeito, você sabia disso?

 

Ele se assusta, dando uma investida para trás como reação instintiva, mas rapidamente recompõe-se, assumindo uma fachada inocente.

 

— Tenho livre circulação por aqui, como aluno — Ele descaradamente mostrou seu ID digital para Thaylaine.

 

— Não finge, eu não perguntei o que você tá fazendo aqui — Ela queixou-se, sem sair da sua pose — Eu sei o que você veio buscar, não sei pra que, mas eu sei.

 

— Sigilo médico, ou seja, não tem pra que você saber dos meus motivos — Saindo dali sem pensar duas vezes, ela dá de ombros para Thaylaine, que apenas retorce mais uma vez com uma ameaça.

 

— Eu vou manter um olho em você.

 

Com o tempo se passando mais rápido que o normal, o dia seguinte foi marcado por uma falta de eventos marcantes, mais da metade dos alunos havia ficado preso em seus quartos o dia todo, planejando e criando algo legal para a excursão, enquanto aguentavam as batidas pesadas no chão vindo do quarto de Kariza e do de Letícia. Usami não havia interferido com os alunos o dia todo, mas ainda assim tinha pedido para que alguns funcionários entregassem o almoço em seus quartos.

 

E então, um novo dia começou. Todos os dezoito alunos haviam se reunido na frente da escola, esperando pela chegada do ônibus escolar que iriam os levar até a cidade vizinha.

 

— Vocês precisam mesmo de tanta mala? — Matheus perguntou, encarando a quantidade ridícula de bolsas carregadas pelas meninas.

 

— É uma viagem de três dias, claro que sim — Letícia afirma, sendo a pessoa com mais bolsas ali — Só pra cuidar do meu cabelo eu precisei encher uma bolsa inteira.

 

— Você tem uma desculpa, pelo menos — André disse, notando o tamanho exagerado do cabelo da menina — Eu tô com pelo menos dez pares de roupas em uma bolsa só.

 

— Para de papo! Chega! — Oliveira protesta, irritado — Cadê esse ônibus, mermão?

 

— Está chegando em — Carlos diz, e o ônibus chega imediatamente — agora!

 

— Nossa, você viu o futuro com seu ocultismo? — Suianne pergunta, surpreendida.

 

— Eu só chutei.

 

As portas do ônibus abrem, refrescando os alunos com o ar do ar-condicionado. Todos entraram em fila, tomando lugares aleatórios. Nayla usou seu tempo para ler um livro, sentando-se ao lado de Suianne que lia junto com ela, enquanto os outros aproveitaram a situação para fazer barulho e cantar, com exceção de Jordan, que silenciosamente estaria no banco do fundo, afastado de quase todos. Usami já estava ali, posteriormente, usando uma viseira e uma pochete, sem esquecer do seu cetro.

 

A viagem se estendeu por pelo menos três horas, mesmo que fosse na cidade vizinha, ainda tinha uma longa área verde dividindo as duas. A entrada da cidade estava entre duas colinas, que formavam um arco de pedra. Na realidade, toda a cidade estava rodeada por essa colina, como se fosse uma muralha impassável que protegia a cidade.

 

O ônibus passou pelo arco de pedra, e subitamente, todos os alunos no ônibus ficaram em silêncio. Sentindo uma pancada no coração e uma tensão inesperada, chegou a ser sobrenatural como todos ficaram estranhos de um momento para o outro. Em sincronia absoluta, todos que estavam ali sentiram-se zonzos, lentamente caindo num sono profundo, mais similar a um desmaio do que qualquer coisa.

 

Todos ali, todos perderam a consciência.

 

E quando acordaram, devido a um som alto de sinos tocando, eles ligeiramente perceberam: Usami havia sumido, assim como o motorista. A noite havia caído e a única fonte de iluminação era um monitor de televisão acoplado no ônibus, exibindo estaticidade, como se estivesse sem sinal. Os arredores do ônibus estavam totalmente escuros, como se a própria lua tivesse sido apagada, nada era perceptível pelas janelas.

 

O nervosismo que tomou conta de todos os silenciava naquele momento, mas sem mais nem menos, um som foi emitido da televisão, que deixava de ser estaticidade para mostrar um urso de pelucia, similar a Usami, metade branco e metade preto: seu lado branco era um ursinho de pelúcia normal, seu lado preto tinha um meio-sorriso macabro e um olho vermelho em formato de relâmpago.

 

Sua voz ecoou.

 

— Ahem, ahem — Ele tossiu — O professor responsável Monokuma agradece pela presença da turma 55-A no mais novo plano de desenvolvimento da escola Miracule. Obrigado! Obrigado!

 

Sua voz era infantil, como se não tivesse nenhuma maldade.

 

— Agora, eu fico feliz em anunciar que, oficialmente, início a Excursão do Assassinato Mútuo — Todos paralisaram ainda mais — Vocês estão presos aqui pelo resto das suas vidas humanas pífias. E se quiserem escapar, terão que se formar. Como se formar, você me pergunta? — Seu olho vermelho começa a brilhar — Assassinando um dos seus colegas de classe sem ser descoberto! Não é divertido?

 

Os ID digitais vibram, como se algo tivesse sido anunciado.

 

— As novas regras já estão em vigor, e eu me assegurei de tirar todos os seus eletrônicos com acesso a internet e rotas de escape, também — Ele explica, como se não fosse algo totalmente amedrontador — Os seus IDs tem mapas da cidade e, aliás… bem vindos ao seu novo playground!

 

Todos são levados a olhar pela janela com a iluminação repentina, a cidade foi revelada.

 

— Boa sorte! E que tenhamos um próspero ano letivo!

 

Prólogo: Bem Vindos! Miracule High!

Fim.



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