História Dangerous Affection - Capítulo 1


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Categorias Camila Cabello, Shawn Mendes
Personagens Camila Cabello, Personagens Originais, Shawn Mendes
Tags Ação, Camila Cabello, Drama, Policial, Romance, Shawn Mendes
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Palavras 1.606
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Policial, Romance e Novela, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 1 - Fuga


Camila

 

Em algum lugar do México

 

Já faz nove anos desde que vi um americano aqui pela última vez. Nove anos. Eu estava começando a achar que Javier havia matado todos.

— Quem é ele? — pergunta minha única amiga, Lauren — Como você sabe que ele é americano?

Levo o dedo indicador aos lábios e Lauren cochicha mais baixo, sabendo tão bem quanto eu que Javier — ou aquela irmã medonha dele — vai ouvir e nos punir por bisbilhotar. Sempre paranoicos. Sempre pensando o pior. Sempre tratando tudo com cautela e armas, e têm motivos para isso. Esse é o etilo de uma vida cheia de drogas, assassinato e escravidão.

Olho pela fresta da porta, observando o homem branco e alto, que parece ter nascido incapaz de sorrir.

— Sei lá — murmuro — Só sei que ele é.

Lauren estreita os olhos como se isso pudesse ajudá-la a ouvir melhor. Observamos o homem da penumbra do quartinho que dividimos desde que a trouxeram para cá, há um ano. Uma porta. Uma janela. Uma cama. Quatro paredes imundas e uma estante com poucos livros em inglês que reli mais vezes do que posso contar. Mas não estamos trancadas, nunca estivemos. Javier saber que, se tentarmos escapar, não chegaremos longe.

Nem sei em que parte do México estou. Mas sei que, seja onde for, não seria fácil, para uma garota como eu voltar para os Estados Unidos sozinha. Assim que eu sair por aquela porta e seguir aquela estrada escura, terei escolhido o suicídio como caminho.

O americano, que usa um sobretudo preto e comprido por cima de roupas pretas, está sentado na cadeira da sala de estar, com as costas eretas e o olhar experiente captando cada movimento no ambiente.  Mas ninguém além de mim parecer perceber isso. Algo me diz que, embora Lauren e eu estejamos completamente escondidas no nosso quarto, aquele homem sabe que estamos espiando. Ele sabe tudo o que está acontecendo ao redor: um dos homens de Javier de pé no umbral do corredor em frente, com a arma escondida. Os seis homens à espera do lado de fora. Os outros dois logo atrás dele, com rifles nas mãos. Esses dois não tiram os olhos das costas do americano, mas acho que sem olhá-los, os vê melhor do que os homens o veem.

Há também presenças óbvias na sala: Javier, um perigoso chefão do tráfico mexicano, sentado bem em frente ao americano. Sorrindo, confiante e completamente sem medo. E a irmã de Javier, em seu vestido vulgar de sempre, tão curto que nem precisa se curvar para que na sala vejam que ela está sem calcinha. Ela quer o americano. Quer qualquer um de quem possa abusar sexualmente, mas esse homem... Há mais obsessão nos olhos dela quando o encara. E o americano também sabe disso.

— Eu só concordei em me encontrar com você — diz o americano, em espanhol fluente — Porque me garantiram que você não me faria perder tempo. Só faço negócios com você. Livre-se da piranha ou não temos o que conversar.

A irmã de Javier, Izel, parece ter levado um tapa na cara. Ela abre a boca para falar, mas Javier a silencia apenas com o olhar e faz um movimento rápido de cabeça, exigindo que ela se retire. Ela obedece, mas, como de costume, sai falando milhares de palavrões.

Minha oferta é de 3 milhões de dólares. Pelo que sei, seu preço é de 2 milhões?

O americano não dá sinal nenhum.

— Ainda não sei como consegue entender tão fácil o que eles dizem — murmura Lauren.

— Depois de anos vivendo no meio de gente que só fala espanhol, você aprende. Com o tempo, você também vai ficar fluente como eu.

Sinto o corpo de Lauren ficar tenso. Ela quer voltar para casa tanto quanto eu queria quando fui para cá, com 17 anos. Mas ela sabe, tão bem quanto eu sabia, que talvez fique aqui para sempre.

— O único motivo de um homem como você — começa o americano — oferecer mais do que o preço normal seria para garantir controle sobre mim. Ou isso, ou você está desesperado, o que me leve crer que meu alvo, aquele que você quer que eu mate, me pagaria mais para matar você.

O sorriso confiante de Javier desaparece. Ele engole em seco e endireita as costas. Até onde ele sabe, o americano pode estar aqui, agora, para fazer isso.

— Meus motivos não importam — diz Javier.

— Tem razão. Só o que importa aqui é você mandar Guillermo, lá atrás, baixar a arma que está apontando para mim, e, se ele não fizer isso em três segundos, vai morrer.

Javier e um dos homens em pé atrás do americano trocam olhares. Mas três segundos passam rápido demais, e eu ouço um tiro quase silencioso estalar. Guillermo cai no chão, morto.

Ninguém, nem mesmo eu, entende como o americano deu aquele tiro. Ele sequer se mexeu. Javier mostra seu desconforto a cada segundo que passa. Ele ergue a mão para mandar que os outros baixem as armas.

O americano tira a mão de dentro do sobretudo e apoia a arma na perna, para que todos vejam. Lauren está afundando as unhas em minhas costelas, afasto suas mãos e sinto seu corpo relaxar quando ela percebe o que está fazendo. Ela não está acostumada a ver gente morrendo. Ainda não. Mas um dia vai se acostumar.

— Limpe essa sujeira — Javier diz para o outro home atrás do americano. — Já provou o que queria.

— Eu não estava tentando provar nada.

— Três milhões de dólares — diz Javier — Aceita a oferta?

O traficante pode não estar correndo de medo, mas está claro que foi posto no seu lugar. E não é fácil fazer isso.

Eu preciso desse americano para sair daqui.

— Três e meio é meu preço — diz o americano.

Javier fica surpreso, ele não está acostumado a ficar por baixo.

— Mas você disse...

— O preço aumentou — diz o americano.

— Sí. Sí. Três milhões e meio. Você pode fazer o serviço essa semana?

O americano fica de pé. Seu longo sobretudo deslizando pelo corpo. Ele é alto e intimida.

Eu afasto Lauren e fecho a porta com cuidado.

— O que você está fazendo? — pergunta enquanto corro para o velho gaveteiro onde estão nossas roupas.

— A gente vai embora — digo, enfiando tudo o que posso em uma fronha — Calce seus sapatos.

— O quê?

— Lauren, a gente não tem tempo para discutir. Calce os sapatos. A gente pode sair daqui com o americano.

Eu encho a fronha até a metade e vou ajudá-la, já que ela demora a entender exatamente o que está acontecendo.

— Eu ajudo.

— Não... Camila, e-eu não posso ir.

Eu solto um longo suspiro.

— A gente vai ficar bem. Nós podemos sair daqui. Lauren, ele é o primeiro americano que vejo em anos. É nossa única chance.

— Ele é um assassino.

— Você está cercada de assassinos. Agora venha!

— Não! Estou com medo!

— Shh! Lauren, por favor, me escute...

Lágrimas correm dos seus olhos.

— Eu não vou. Vamos ser pegas e Javier vai bater na gente.

Sei que não vou conseguir fazê-la mudar de ideia. Ela está com aquele olhar. Aquele que mostra que foi domada e que provavelmente continuará assim para sempre.

— Entre debaixo das cobertas e finja que está dormindo — digo — Fique assim até alguém vir aqui e achar você. Se descobrirem que você sabia que eu ia fugir e não contou para ninguém, vão matar você.

Lauren balança a cabeça com um movimento brusco.

— Eu vou voltar para buscar você. Prometo. A primeira coisa que vou fazer quando passar a fronteira vai ser procurar a polícia.

— Mas como você vai me achar?

— Não sei — admito — Mas o americano vai saber. Ele vai me ajudar.

Não há esperança em seu olhar. Ela não acredita que meu plano maluco vai funcionar.

— Eu vou voltar para buscar você.

Ela balança a cabeça devagar e eu atravesso o quarto minúsculo com a fronha jogada por cima do ombro.

— Entre debaixo das cobertas — sussurro para ela ao abrir a janela.

Enquanto Lauren se esconde debaixo do cobertor, saio pela janela para o ar morno de outubro. Eu me agacho atrás da casa, contorno pela lateral e passo pelo buraco na cerca do lado sul da mansão. Javier tem capangas por toda parte, eu sempre os achei tapados e deficientes no quesito evitar-fugas-da-mansão, porque raramente alguém tenta fugir.

Visitante sempre precisaram parar o carro do lado de fora e são acompanhados a pé para dentro da mansão. Com o americano não seria diferente. Tenho certeza disso. Espero estar certa.

Avisto o portão onde preciso chegar, há um vigia ali, mas é mais novo e acho que dou conta dele. Tive muito tempo para planejar isso. Minha adolescência inteira. Roubei uma arma do quarto de Izel, ano passado, e a mantive escondida. Assim que vi o americano entrar na casa, peguei a arma e a guardei na parte de trás do shorts. Eu sabia que precisaria dela hoje à noite.

Inspiro fundo e corro, torcendo para que ninguém me veja. Aperto tanto a arma que meus dedos doem. Consigo chegar à cerca e dou um suspiro aliviado quando encontro outra sombra para me esconder. Vultos se movem a distância, saindo da casa. Meu coração bate descontrolado. O vigia está mais perto.

Com cuidado, e o mais silenciosamente possível, levanto a arma e bato com a coranha na cabeça dele com toda força. Ele desaba, inconsciente. Pego a arma dele, e depois corro pelo portão entreaberto para fora da fortaleza.

Como eu esperava, só há um veículo estacionado: um carro esporte preto. É um carro urbano e caro, com rodas reluzentes e personalidade.

Só falta um obstáculo. Entrar no carro.



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