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História Dangerous love - Jeon Jungkook - Capítulo 5


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Notas do Autor


Como vocês perceberam,estamos com a capa nova e perfeita feita pela @popuriny muito obrigada anjo pela maravilhosa capa.

Ótima leitura.

Capítulo 5 - 004 - O fogo do ciúmes.


Fanfic / Fanfiction Dangerous love - Jeon Jungkook - Capítulo 5 - 004 - O fogo do ciúmes.

O dia amanheceu claro e brilhante, com certeza um bom presságio para a viagem e o futuro dela, pensou Ciara. As roupas dela tinham sido guardadas em baús e colocadas na carruagem na noite anterior. Quaisquer itens pessoais de que ela precisasse, carregaria na bolsa.

A fileira de animais de madeira sobre o mantel da lareira no pequeno quarto ainda estava ali, na expectativa. Ciara não conseguia decidir se os levava ou não, então passou diversos minutos olhando para eles e tentando tomar uma decisão. Os animais faziam parte da vida dela desde que viajara para Lairig Dubh, cada um deles entalhado por Jungkook numa tentativa de entretê-la.

O primeiro, um cavalo, ainda era o favorito, porque o pai dela... padrasto... pedira que Jungkook fizesse para ela. Os outros haviam sido ideia de Jeon, e, ao longo dos dias passados na estrada, a coleção incluía o cavalo, o porco, o veado e a ovelha. Usados por Ciara e compartilhados com as irmãs, eles estavam velhos e gastos agora, porém não eram menos valiosos para ela. Ciara estendeu os braços para pegá-los quando a mãe dela entrou no quarto.

— Irá levá-los consigo na viagem? — perguntou ela, aproximando-se e ajustando a capa sobre os ombros de Ciara. — Você nunca sai de casa sem eles, sai?

— Eu deveria? — questionou ela. Parte dela queria deixá-los, e a outra parte queria levá-los. Provavelmente, eram os medos infantis tentando interferir.

— Querida, estes animais são parte de você e de sua vida até o momento presente. Não se envergonhe deles, mas não permita que seu passado ofusque seu futuro.

A mãe afastou os cabelos do rosto de Ciara e deu-lhe um beijo na testa. O gesto acalmou Ciara, como sempre acontecia. Como ela conseguiria viver sem estes momentos especiais? Precisava abrir mão de tudo aquilo apenas para crescer?

— Acho que eu vou levar somente este — disse ela com mais confiança do que sentia. Todavia, aqueles pequenos objetos sempre lhe davam conforto quando ela mais precisava. Teria de deixar tudo e todos que conhecia e amava para trás, e se tornar parte de outra família, pertencendo a outro homem.

Ciara achou um lenço no baú, envolveu-o com cuidado ao redor do entalhe de madeira e colocou-o na sacola de couro que levaria na mão.

— Elizabeth está esperando você no jardim — disse a mãe, passando um braço ao redor de Ciara e andando ao lado dela.

Os pais dela deram permissão para que ela volte com você depois do casamento. Se você quiser. Ciara sorriu. De todas as milícias que poderia ter recebido naquela manhã, esta era a melhor. A amiga favorita iria acompanhá-la até a nova vida dela... Um pensamento confortante.

— Você está brincando, mãe — replicou Ciara. — Somente se o hoseok tivesse dado permissão para Lilidh ir comigo, minha alegria seria maior. — A prima Chaeyong e ela haviam passado muitas horas e dias na companhia uma da outra, e Chaeyong teria sido a companhia perfeita para Ciara. Mas Chae, como filha do Hoseok,iria se casar em breve e não teria permissão de ficar com Ciara e Seokjin em Perthshire.

Ciara teria partido, saído do quarto que tinha sido dela por tanto tempo, mas uma questão continuava perturbando-a. Uma questão que ela normalmente ignorava, mas, diante do noivado e da realidade do casamento se aproximando, ela não podia mais se calar.

— Meu pai... — disse ela antes que perdesse a coragem. Uma rápida olhada para o rosto da mãe impediu-a de falar mais.

— Yoongi é seu pai, querida. Sempre — sussurrou a mãe. Uma expressão de tristeza surgiu no rosto de Marian, então, causando uma dor no íntimo de Ciara. Com tal expressão desaparecendo com a mesma rapidez que aparecera, a mãe sorriu e tocou-lhe o rosto. — Nós poderemos conversar mais sobre isso quando houver tempo. Mas, agora, temos de nos apressar e não deixar todos esperando.

A mãe virou-se para partir mais uma vez, mas Ciara estava incerta se queria deixar aquele assunto permanecer silencioso entre elas. Durante muitos anos, a questão sobre quem ela era e o lugar ao qual pertencia a perturbava. Embora se sentisse amada e valorizada pelo que era na maioria dos momentos, havia outros momentos em que pensava que os esforços dos pais para vê-la tão realizada e tão instruída tinham sido feitos para facilitar as coisas quando eles quisessem se livrar dela. A autoconfiança de Ciara desaparecia em tais momentos, como desapareceu agora. E a fisionomia dela deve ter revelado isso para a mãe.

— Eu lhe imploro, Ciara. Agora, não — sussurrou a mãe sem encará-la, assustando-a mais do que qualquer outra coisa já a assustara.

Ciara estendeu o braço e pegou a mão da mãe, concordando, em silêncio, em deixar o assunto de lado. Haveria tempo para que ela voltasse a essa questão e obtivesse as respostas que tanto almejava.

As duas foram para o jardim, onde o pai de Ciara se juntou a elas, sem palavras, seguindo-as enquanto atravessavam o portão e iam para o pátio da fortaleza. Uma pequena multidão estava reunida ali, na luz enevoada da aurora, com uma carruagem e diversos soldados montados em cavalos que seriam a escolta de Ciara. Mas foi o guerreiro alto, parado perto da carruagem, dando ordens em voz baixa, que chamou a atenção dela e a fez parar de maneira tão abrupta que o pai colidiu com ela. Ciara teria caído se ele não tivesse agarrado os ombros dela e a segurado até que ela recuperasse o equilíbrio.

— Jungkook — sussurrou ela, não acreditando no que estava vendo depois das recusas prévias dele. — Jungkook.

— Deixe-me ver se alguma coisa está errada — falou o pai, passando por ela e pela mãe... A mãe dela parecia tão feliz com a presença de Tavis quanto Ciara se sentia.

— Quem sabe ele tenha cuidado das outras responsabilidades e agora esteja livre para viajar a Perthshire? — murmurou ela em voz alta.

O olhar estranho trocado entre os pais intrigou Ciara, mas os motivos de Jungkook para estar ali interessavam mais a ela. Seguindo o pai sem parar, ela observou ele. Homens tendiam a não se explicar muito, e esta era uma dessas vezes... Algumas palavras, alguns olhares e testas franzidas, e a conversa entre Jeon e o pai dela acabou. Ciara estava tão confusa quanto antes, mas se aquilo significava que Jungkook a escoltaria, tanto melhor.

— Agradeço por isso, Jeon — disse o pai dela. Estendendo a mão, continuou: — Não há palavras.

Não há palavras.

Ciara suspirou então, entendendo quantos problemas o comportamento anterior dela causara para o laird e para os pais.

Nenhum clã queria um herdeiro constrangido perante terceiros, e ela fizera exatamente isso duas vezes antes, recusando propostas de casamento. Apesar de tais propostas terem sido feitas em particular, todos na região das Terras Altas sabiam que se o negociador dos MacLerie estivesse em visita, negócios estavam sendo discutidos. Se a filha solteira dele o acompanhasse, o assunto era óbvio para todos, como tinha sido duas vezes antes.

Os Murray de Perthshire podiam ser pobres, mas eram orgulhosos de suas conexões poderosas e haviam se recusado a considerar o noivado sem antes ter garantias de que a humilhação nas mãos de uma “garota insensata e voluntariosa” não aconteceria. Se os pais de Ciara a acompanhassem naquela visita, um contrato seria esperado por todos os aliados e amigos deles... e pelos inimigos. Para evitar tudo isso, tinha sido decidido que Ciara viajaria para visitar a prima distante, Eleonor, a mãe de Seokjin. Além dos Kim's, ninguém achava que esta viagem fosse mais do que isso.

Daí o pequeno grupo de viagem e os “outros compromissos” dos pais dela em outro lugar, a negócios para o conde, caso alguém perguntasse.

O que era mais uma razão pela qual Ciara adorava os pais, porque poderiam simplesmente tê-la forçado a se casar com um homem da escolha deles, sem considerar a opinião dela no assunto. Mas Ciara suspeitava de que alguma coisa no passado deles os impedira de fazer tal coisa... Assim como o óbvio amor que tinham por ela.

— Eu também agradeço — acrescentou ela. Igualmente por muitos motivos.

— Vamos pegar a estrada, então — disse Jungkook, olhando para o céu brilhante. — O tempo não ficará firme para sempre, e há muitos quilômetros a percorrer. — Jeon assentiu para os outros homens, que começaram a montar. Então olhou para ela. Despeça-se de seus pais, Ciara. — Ele afastou-se para checar a carruagem, dando a ela um momento de privacidade com os pais.

Lágrimas inundaram os olhos de Ciara, e ela descobriu que as palavras que havia ensaiado durante a noite inteira, enquanto se virava irrequieta na cama, estavam presas na garganta. Todavia, palavras não eram necessárias agora, ela sabia, então ela apenas abraçou os pais... A mãe que a apoiara em cada passo e em cada desafio, e o padrasto que era o único pai que já conhecera.

— Esta não é uma despedida para sempre — sussurrou ela, abraçando-os com força. — Eu voltarei.

— Você voltará para um dia feliz de casamento, antes de nos deixar para... — A voz da mãe se tornou emocionada, e tudo o que Marian pôde fazer foi apertar a mão de Ciara.

— Qualquer que seja a sua decisão, querida, eu... — O pai começou a dizer.

— Eu entendo, papai. Tenho o seu apoio. — Ele assentiu com um gesto da cabeça, e Ciara confirmou a certeza de que, embora não fosse sangue do sangue de Yoongi, era a filha do coração dele.

Ela os soltou e deu um passo atrás, percebendo que todos ao redor já estavam em seus cavalos, incluindo Elizabeth. Cora, uma mulher mais velha que servia lady Jocelyn por diversos anos, e que viajaria como criada de Ciara e Elizabeth, ia na carruagem. Todos esperavam sem uma palavra, exceto Jungkook, que segurou as rédeas do cavalo dela em uma das mãos e lhe estendeu a outra.

Ciara entregou-lhe a bolsa, e ele prendeu-a no cavalo, antes de oferecer ajuda a ela para montar.

Uma vez que isso foi feito, Ciara aceitou a ajuda, e, dentro de segundos, estava sobre o alto de um cavalo forte, que era montaria dela há quase um ano. Segurando as rédeas nas mãos enluvadas, ela assentiu para os pais, depois para Jeon. Ao comando dele, o grupo começou a cavalgar em direção aos portões, com a carruagem os seguindo. Ciara deu um suspiro profundo e tocou as botas na lateral do cavalo, partindo para encarar o futuro.



Ciara cavalgava  como fazia qualquer outra coisa na vida... Com foco e determinação. Enquanto estava sentada sobre o cavalo preto enorme que Jungkook nunca teria escolhido para ela, ou mesmo lhe permitido cavalgar, a expressão intensa evidenciava atenção na estrada que eles pegaram para sair de Lairig Dubh, indo primeiro para o leste, na direção de Dunalastair, então para o sul, na direção de Crieff. A última parte da viagem seria mais fácil, pois seguiria a estrada principal para Perth e para o coração das terras de Murray. Jeon estabeleceu um ritmo tranquilo e ofereceu uma prece de agradecimento quando o sol brilhou e as nuvens se dissiparam num céu claro pelo resto do primeiro dia. Eles levariam diversos dias para chegar a Dunalastair, passando pelas terras de MacCallum, onde visitariam a família de Jocelyn. Depois, seguiriam as velhas rotas para gado e trilhas através dos vales ao sul.

Ciara falava pouco enquanto cavalgava, mas conversava com todo mundo nas paradas da jornada. Enquanto ela estava cuidando do conforto de Cora na carruagem ou andando para estender as pernas ou conversando em sussurros com a amiga Elizabeth, Jungkook se aproximava com frequência e falava com ela também. Ela nunca hesitava ou parecia nervosa quando estavam juntos, de modo que Jungkook começou a aceitar que ela o deixara no passado e estava ansiosa pelo futuro. Os primeiros dias transcorreram de maneira agradável, com o tempo cooperando e as estradas em boas condições.

Então, quando eles se aproximaram das terras de MacCallum, Ciara ficou excitada. Jungkook não voltara lá desde a primeira viagem deles para o novo lar dela com Yoongi e os Kim's, mas sabia que Ciara tinha viajado muitas vezes com os pais, e estava certo de que ela parara lá, enquanto os pais cuidavam de negócios para o Hoseok. Yoongi mandara avisar sobre a chegada deles de antemão, portanto os de MacCallum os esperava. Ciara e as mulheres ficariam contentes, Jungkook sabia, em dormir em camas de verdade naquela noite, depois de várias noites dormindo em tendas pelo caminho.



Não fazia muito tempo que eles estavam nas terras de MacCallum quando um grupo de guerreiros veio ao encontro deles. Liderando-os, estava o irmão de Jocelyn, Athdar.

— Jungkook! — chamou ele enquanto cavalgava para mais perto.

— Está tudo bem?

Considerando tudo o que poderia ter dado errado durante a viagem e não dera, ele assentiu.

— Sim, está tudo bem. — Ciara cavalgou para o lado de Jeon e sorriu para Athdar.

— Você fica mais encantadora a cada dia que passa, Ciara — disse ele. Jungkook observou um rubor cobrindo o rosto de Ciara. Athdar tinha um jeito especial com as mulheres, e Jeon já vira diversas mulheres em Lairig Dubh se encantarem pelas palavras e elogios dele. — Quem teria imaginado que uma garotinha tão pequena se tornaria uma mulher tão linda?

Jeon lutou contra a onda de raiva que as palavras floreadas de Athdar lhe causaram. Ciara acreditara em tais bobagens? Ele a olhou para ver se ela acreditara naquilo e descobriu Elizabeth mais encantada por Athdar do que Ciara. O olhar de Ciara era cético e divertido. Jungkook sorriu. Devia ter sabido que ela era muito inteligente e muito confiante no próprio valor para cair nesse tipo de conversa.

— Você não tem nada melhor para fazer do que vir admirar as visitantes, Athdar? Com certeza, o laird pode lhe encontrar coisas mais úteis para fazer. — Jeon desmontou, rindo da expressão agora decepcionada de Athdar. Duvidava de que o amigo estivesse insultado ou preocupado com as palavras dele, então estendeu a mão em cumprimento.

— Alguém tem de oferecer palavras doces às mulheres, Jungkook — replicou Athdar enquanto eles apertavam as mãos e ele lhe batia nas costas. Eles eram amigos há anos, sendo de idade similar. — Você nunca as fala, a menos que seja sobre luta ou sobre o seu cavalo!

Então, as coisas aconteceram como costumavam acontecer quando os dois se encontravam... Com ambos acabando rolando no chão, cada um lutando para ganhar controle sobre o outro. Testar a força contra um igual era bom, depois de dias de cavalgada lenta desde Lairig Dubh. Levou apenas minutos para que Jungkook vencesse Athdar, empatando os pontos deles. Levantando- se e estendendo uma das mãos para puxá-lo, Jungkook riu, enquanto ambos batiam a poeira de suas capas.

— Você ainda não está pronto? — perguntou ele.

Uma expressão séria preencheu os olhos do amigo, e, então, um meneio de cabeça foi a resposta. Anos atrás, Athdar tinha apanhado, muito, numa luta com o amigo e líder, Rurik Erengislsson, e ansiava por se vingar. Todavia agora, após ter observado os olhares ardentes trocados entre o amigo e a filha de Rurik, Isobel, Jungkook se perguntou se bater no homem não era a intenção, afinal de contas. Um vento crescente e úmido, e a promessa de uma tempestade iminente, lembraram-no de seus deveres, e Jeon sinalizou para que o grupo se movesse, permitindo que seguissem na frente, para dentro da fortaleza dos MacCallum.



EM POUCO tempo, os animais tinham sido levados para o estábulo, as mulheres escoltadas para o hall, a fim de cumprimentarem o hoseok, e seus homens liberados para procurar o próprio conforto. Os Kim's e os MacCallum eram aliados por anos agora, e já houvera muitos casamentos entre os clãs. Ninguém era estranho para Jungkook, então, uma vez que seus deveres terminaram e ele entrou na fortaleza, cumprimentou o hoseok, foi para uma mesa no meio da grande sala e sentou-se.

Logo ouviu relatos sobre as condições das estradas e ofertas de alguns dos homens de lá para proporcionarem proteção adicional para o grupo deles. Jungkook conversou com muitos, comeu bastante e bebeu com moderação. Ele queria sair bem cedo na manhã seguinte, e não queria lidar com a cabeça pesada pelo excesso de cerveja. Entretanto, foi uma noite agradável, e ele a passou entre amigos.



Ciara observou, da mesa alta, quando diversos homens e mulheres se juntaram a Jungkook onde ele estava comendo. Ele tinha, ela percebeu, tornado a viagem agradável até agora. Passada a surpresa da presença dele, uma atmosfera de grande companheirismo se instalou no lugar. Uma vez que, provavelmente, o próprio Jungkook fizera os preparativos, ele não precisava de ninguém para lhe dizer qual era o caminho a seguir ou os suprimentos necessários para o momento. Cansada e contente ao mesmo tempo, ela terminou a refeição saborosa preparada pela cozinheira do hoseok e relaxou na cadeira. Observando-o falar e rir com os outros, Ciara desfrutou o momento e notou uma coisa importante.

Ele parecia mais à vontade do que em Lairig Dubh.

— Você o está encarando de novo — avisou Elizabeth num sussurro. — Alguém irá perceber.

Ciara suspirou. Não conseguia evitar. Embora as coisas entre eles parecessem resolvidas e melhores outra vez, não estavam de fato. Melhores do que tinham estado no ano anterior, porém não igual ao relacionamento que eles haviam compartilhado um dia.

O que provavelmente era melhor, considerando que ela estava viajando para encontrar o futuro marido e logo pertenceria a outra pessoa.

— Ele parece feliz — replicou ela. — Jungkook até mesmo dançou com Jeongyeon e outras na festa, na noite antes de partirmos.

— Você está feliz com isso? — questionou Elizabeth, inclinando-se para mais perto. — Libertou-o da sua vida agora?

— E claro — começou ela. Elizabeth pôs uma das mãos no braço de Ciara e apertou-a, como se avisando a amiga de que sabia a verdade. — Eu não me recordo de ter visto Jungkook dançar em muito, muito tempo — Ciara admitiu a verdade de outra maneira. — Gostei de ver isso.

Talvez ela o tivesse libertado do coração, afinal de contas? Como se soubesse que elas estavam falando sobre ele, Jungkook virou a cabeça e encontrou o olhar de Ciara. Enquanto ele se levantava e falava alguma coisa para as pessoas sentadas à mesa, antes de começar a andar na direção dela, Ciara colocou os cabelos para trás e enxugou as palmas suadas no colo. E chegara a pensar que o tinha esquecido!

— Ciara. Elizabeth — disse ele com uma leve reverência para as duas. — Vocês já se recuperaram da viagem de hoje?

— Sim, Jungkook — respondeu Elizabeth numa voz animada. — A refeição estava deliciosa.

— Vocês gostariam de caminhar um pouco antes de se recolherem? — Ele convidou as duas. — A tempestade se afastou e o céu está claro. — Elas estavam de pé antes mesmo de responderem, e Ciara o ouviu rir. Uma vez que os três conheciam a fortaleza e as terras ao redor dela, ninguém precisou de liderança, e eles andaram em silêncio até chegarem ao pátio.

Como ele dissera, não havia mais sinais de tempestade e a noite estava clara e fresca. Embora o fim do verão estivesse próximo e o outono prestes a chegar, estes dias eram os melhores para viajar, com a luz do dia se estendendo por um longo período. Ciara sabia para onde eles andariam, mesmo antes que chegassem lá... Aquele era um dos lugares que ela mais lembrava, da primeira viagem para lá.

Os porcos do Hoseok!

Ela começou a rir conforme eles se aproximavam, tanto diante das lembranças quanto da expressão no rosto de Elizabeth, quando o cheiro usual se tornou muito forte para ignorar. A amiga começou a abanar a mão na frente do rosto, tentando amenizar o odor, mas porcos eram porcos, e nada ajudaria a dissipar o cheiro deles.

— Eu vou voltar para o nosso quarto, Ciara — disse ela, parando e depois se virando. — Aproveite sua caminhada. — Um som de engasgo ecoou no ar enquanto ela se afastava.

— Eu não pensei que Elizabeth fosse uma criatura tão delicada — Jungkook falou para Ciara. — Alguns porcos, e ela corre?

Ciara riu. Apesar de não ter sido criada com eles, porcos não a incomodavam de forma alguma. Um sentimento remanescente da infância, quando tinha sido fascinada por todos os animais. Especialmente por aqueles que Tavis entalhara para ela.

— Uma moça frágil, com certeza.

Eles andaram para a cerca que rodeava o curral e observaram os animais cavando à procura de comida. Estender as pernas era gostoso, então ela andou ao redor da grande área cercada em um ritmo acelerado por alguns minutos, antes de parar perto do portão.

As chuvas recentes haviam deixado o solo lamacento, o que parecia agradar os porcos. Alguns leitões não se incomodavam em procurar alimento; sabiam exatamente onde encontrá-lo. Ela permaneceu parada ao lado de Tavis e observou o comportamento divertido deles em silêncio.

— Você já conheceu Kim Seokjin? — perguntou ele. Surpresa, Ciara assentiu.

— Nós nos encontramos na festa do tio Jung, na primavera. A família dele estava lá, assim como outras pessoas.

Ela fez uma careta. Aquele não era um bom assunto para ser levantado, uma vez que os outros dois homens que ela havia rejeitado também estavam lá.

— Desta vez, o noivado será mantido? — perguntou ele, virando-se para encará-la. A intensidade do olhar de Jungkook a lembrava de muitas discussões entre eles. Ciara ouviu a preocupação na voz dele, mas agora aceitou esta pelo que era... A preocupação de um amigo.

— Eu acho que sim — assentiu ela. — Nós dois gostamos de cavalos. Os pais dele querem e precisam do meu dote de noiva. Todas as coisas nas quais basear um casamento. — Ela falou enquanto lutava para esconder as emoções do rosto.

Ele riu alto então; uma risada que veio bem do fundo e ecoou pelo pátio vazio. Jungkook recostou-se e continuou rindo, até que esfregou os olhos.

— Você sempre foi tão direta, Ciara. Fico feliz que isso não mudou. — Eu prefiro a verdade a palavras doces ou imagens distorcidas. Meus pais encorajaram o casamento, mas suspeito de que os pais de James não veem tal união como uma coisa boa. Se não fosse pelo meu dote, eles nunca concordariam com um casamento como o nosso.

Jungkook ergueu a mão como se fosse tocar o rosto dela, então parou segundos antes que Ciara sentisse os dedos dele na pele.

Ela fechou os olhos por um único instante, mas forçou-se a abri-los para observar a reação dele. Parte dela desejava que Jeon nutrisse sentimentos escondidos por ela e os declarasse antes que ela desistisse dos últimos vestígios de esperança. Mas, independentemente de ele fazer isso ou não, ela entendia o dever dela e entendia que ele não fazia parte do futuro dela. Sabendo que pertencia a outro homem, ainda mais a cada quilômetro que eles percorriam naquela viagem, Ciara deu um passo atrás e sorriu para ele, aliviada por estar em termos melhores com Jungkook.

— Logo irá amanhecer, Ciara. Você deveria ir dormir.

— Até amanhã, então — disse ela, assentindo com um gesto de cabeça e virando-se de costas para ele.

Ciara parou após apenas alguns passos e virou-se de novo.

— Você conhece Seokjin? — perguntou ela.

— Eu sei muito pouco sobre ele. Apenas o que o seu pai falou sobre o homem e a família dele.

Dando de ombros e perguntando-se exatamente o que tinha esperado que ele dissesse, ela voltou para a fortaleza, onde Elizabeth estaria aguardando por qualquer fofoca. Por um momento, imaginou por que Jungkook não se recolhia também. Lembrando-se como diversas mulheres, criadas e membros do clã haviam abordado Jungkook enquanto ele comia, Ciara suspeitou de que na hora que ele fosse se recolher não seria sozinho.

Ela tentou interpretar a queimação no peito como uma reação a muitos alimentos apimentados que tinha comido, mas era difícil ignorar o fogo do ciúme.



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