História Dangerous Love - Shawn Mendes - Capítulo 33


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Categorias Aaron Carpenter, Hailee Steinfeld, Matthew Espinosa, Nash Grier, Sam "Wilk" Wilkinson, Shawn Mendes
Personagens Hailee Steinfeld, Personagens Originais, Shawn Mendes
Tags Criminal, Hailee Steinfeld, Romance, Shawn Mendes
Visualizações 244
Palavras 5.135
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


LEIAM AS NOTAS FINAIS EU IMPLORO!!!

Boa leitura ♥️

LEIAM AS NOTAS FINAIS! Não esqueçam por favor!!! Se não vão me deixar muito triste.

Capítulo 33 - The Exit


Fanfic / Fanfiction Dangerous Love - Shawn Mendes - Capítulo 33 - The Exit

Skyler Point Of View - 15 de Junho

Eu não iria negar e nem podia negar.

Estava cansada, cansada de esperar por alguém que subitamente não iria chegar. Nesses últimos dias comecei a me questionar o porquê eu esperava tanto por ele, quando eu deveria esperar só por mim. Talvez eu estivesse tão ligada a depender das pessoas que havia me esquecido que tenho uma saúde perfeita a ponto de me virar sozinha.

Eu estava sozinha nessa e é sozinha que eu devo sair, é sozinha que eu devo conquistar minha própria liberdade.

Respirei fundo.

Hoje era sexta-feira, o único dia da semana que rapidamente eu podia lavar o meu cabelo. E é hoje o último dia que eu lavaria esse cabelo aqui, pelo menos é o que eu quero, é meio difícil imaginar como sairia daqui ou bolar algo já que não havia luz, era totalmente escuro, não sabia por onde ficava nada, exceto o banheiro e a porta da entrada porém ainda havia correntes segurando os meus pés, mas não, não por muito tempo.

Me esforcei em uma tentativa muito inútil de enxergar algo ali. Fechei os olhos e pensei em tudo o que eu havia visto na pouca luz que via durante a semana.

Uma porta estreita e pequena a minha frente, a porta do banheiro a dez passos de mim. Por mais que tentasse pensar em tudo ainda não parecia o suficiente.

Flashback On

— Não podemos ir embora? Já estou cansada — perguntei fazendo bico e ele apenas deu de ombros ignorando meu desconforto e cansaço

— Temos que fazer uma última coisa e depois vamos — respondeu sem me olhar, bufei e me encostei na parede gélida, meu estômago já doía de tanta fome que estava sentindo — Presta atenção nisso — ele tomou a minha atenção toda a ele — Pode acontecer alguma vez de pegarem você, ou talvez não aconteça mas para toda causa, o que você deve fazer é simples, memorize — ele me olhava atentamente

— Memorizar? — ele assentiu com a cabeça — Como isso pode me ajudar?

— Se você memorizar a frequência dos passos, memorizar aonde está cada coisa, as vozes, as faces, memorizar os barulhos externos e internos, você saberá o que fazer — retrucou

— E se eu não conseguir memorizar? — fiz um sinal de aspas

— Você é inteligente Sky, vai memorizar — deu de ombros — E lembre-se tudo que está ao seu redor, está a seu favor — Shawn finalizou pegando uma faca e a jogando no alvo e mais uma vez naquele dia o alvo era o coração.

Flashback Off

Abri meus olhos mesmo que ainda parecesse que eles estavam fechados por conta da escuridão. E agora eu sabia. Eu sabia o que fazer.

11:49

Sem nenhum tipo de delicadeza a porta se abriu, mostrando somente uma mulher de sempre, o que me fez ficar atordoada já que sempre eram duas, tentei evitar os pensamentos e pensei que o universo estava a meu favor. Era a primeira vez que o ambiente se iluminava em dias, em segundos tudo ficou escuro mas foi o tempo suficiente pra mim contar 40 passos até a porta.

— Vem logo — a voz dela era grossa e quase inaudível, senti suas mãos pesadas sobre mim, ela usou a sua chave de sempre para abrir e me livrar das correntes que ficavam nos meus pés, ela me puxou pelo braço e sem delicadeza nenhuma praticamente me jogou dentro do banheiro, o banheiro minúsculo e com forte cheiro de mofo, — Você tem 10 minutos — resmungou e saiu, respirei fundo e sem gastar nem dez segundos me despi e entrei no banheiro, a água quente descia rápido pelo meu corpo e mentalmente eu comecei a minha contagem, reservei, um minuto para lavar o cabelo, trinta segundos para o corpo, vinte segundos para me secar e trinta segundos para secar o cabelo e pentea-lo, vinte e cinco segundos para me vestir, seria muito complicado mas necessário. Ao total teria 4 minutos a menos e 6 minutos para colocar meu plano em ação.

— 20 segundos — resmunguei baixinho e comecei a me secar, — 19 segundos.... E foi — suspirei. Era a hora de colocar o plano todo em ação. Me agachei e levei a cabeça até o chão, o que eu reparei nesses dias é que a um pedaço de porcelana quebrada de baixo da bancada, poderia usar isso para seguir até aqui, o puxei com cuidado para que não me cortasse e muito menos fazer barulho, em seguida, me virei e subi no vaso, cortei com a porcelana quebrada o mais silenciosamente possível um pedaço da cortina de silicone que tinha no boxe, ela era resistente, eu precisava de uma quantia equivalente para isso, quando achei que tinha o suficiente a dobrei é enrolei para que ficasse ainda mais forte. Desci do vaso e respirei mais uma vez, Um minuto e meio minuto a menos. Quatro minutos e meio até aqui, fiquei atrás da porta me olhando pelo pequeno espelho quebrado eu sabia que era agora ou eu iria permanecer viva la fora ou eu estaria morta aqui dentro, era sair e viver ou ficar aqui e eu mesma me matar.

— Eu preciso de ajuda aqui — pronunciei, meu coração estava a ponto de sair de dentro do meu corpo, ele batia tão forte e rápido que se ele quebrasse minhas costelas e rasgasse meu peito eu não iria achar um absurdo.

— O que você quer? — sua pergunta era arrogante, ela estava irritada o que me deixou mais apreensiva

— Não consigo abrir o chuveiro — respondi tentando transparecer o mínimo possível de nervosismo

— Você estava com esse chuveiro ligado até agora a pouco — retrucou

— Eu sei mas eu fechei pra passar shampoo no cabelo e agora não consigo mais abrir, acho que emperrou, as coisas aqui são velhas demais — soltei todas as palavras tranquilamente, é exatamente nessas horas que eu agradecia profundamente por ser libriana, a calmaria percorria por minhas veias, nem sempre, mas, quase sempre.

— Garota inútil — ouvi ela resmungar baixinho quase por um sussurro e quando ouvi a maçaneta fazer barulho eu fui atrás da porta, quando ela entrou, quase que por um reflexo, eu empurrei a porta com o pé e mesmo que ela seja maior que eu, eu dei um pulo e pressionei com toda a minha força a cortina de silicone em seu pescoço, ela se debatia e me alcançou sem nenhum esforço, segurou forte meu cabelo e puxou, a dor era intensa mas eu não sentia tanto, afinal, qualquer dor não significava nada perto do que é estar aqui, apertei mais, afinal seja aonde Rob estiver ele deveria saber que as pequenas aulas de muya-thai que ele me deu fez alguma diferença. Ela se debatia e puxava meu cabelo com mais intensidade, senti meu couro cabeludo latejar mas eu não daria o braço a torcer, pressionei mais, se tem algo que aprendi com meu amado Rob era que quanto mais pressão e mais precisão o tempo diminuiria, mais força no pulso e ombros mais relaxados, em pouco tempo todo o peso dela voltou contra o meu o que me fez cair no chão e bater as costas na porta, ela estava morta, os olhos abertos em desespero me incomodou e me fez pensar em quem ou no quê eu estava me tornando, não me importei de início, fechei os olhos e comecei a ver o que ela tinha nos bolsos, achei um canivete bem afiado, algumas chaves que provavelmente ela usava para abrir a minha porta e as do lugar ao redor, uma chave de carro e um celular e por fim sua carteira, soltei um ar de decepção

— Cinquenta dólares sério?

Ri da minha situação e me levantei, puxei o corpo dela com muita dificuldade para dentro do box, sai e tranquei a porta do banheiro com uma das chaves que tinha no seu enorme chaveiro, usei o celular para iluminar o ambiente, era mais esquisito e assustador do que eu realmente pensava que era, todos os pêlos do meu corpo se arrepiaram, sem delongas eu desliguei a lanterna do celular e caminhei em passos calmos e lentos até a porta, a abri devagar e com a pequena brecha eu olhei, sem sinal de ninguém, o que era estranho, sai lentamente e ouvi algumas vozes vindo do lado direito, me esquivei rapidamente pro lado esquerdo ficando atrás de um enorme tanque, pelo tanto de tanque, plataforma, poeiras e teia de aranha que tinha ali, era óbvio que eu estava em uma fábrica abandonada esse tempo todo, respirei fundo e os passos dos caras ficaram mais fortes e o barulho estava cada vez mais próximo

— Anastasia não saiu de lá ainda? — um deles perguntou

— Não, hoje ela levaria sozinha a comida e colocaria a garota para tomar banho, já que Anna teve que viajar com Jacob pra Londres — outro deles respondeu, quando senti que eles tinham passado mais para frente dei a volta, ficando do outro lado, minha respiração estava totalmente descompassada mas ainda sim estava silenciosa, olhei mais em volta e quando finalmente não ouvi nada, eu analisei melhor o local, vi os dois caras abrindo uma grande porta e saindo dali. Era a minha saída, me abaixei e esperei alguns breves minutos, quando por fim senti que não havia ameaça alguma eu saí e andei em passos calmos mas rápido até a grande porta, olhei ao meu redor, a essa altura nada podia dar errado. Ou o universo realmente estava à meu favor ou ele estava pronto para me apunha-lar pelas costas pouco depois de me encher de esperanças. Era ridículo dizer que não havia ninguém ali, meu pai sempre estava preparado para qualquer coisa, por quê não estaria agora? Era minha única causa, eu não podia engolir essa história mas se a vida está me dando uma chance então eu irei aproveita-la.

— Vamos Anastasia, qual é a chave — resmunguei baixinho para mim mesmo, já havia usava umas dez das chaves que estavam ali, quando finalmente a décima quinta girou uma energia de paz e ânimo percorreu cada centímetro do meu corpo, abri devagar a porta e sai, a luz forte do sol invadiu os meus olhos e juro que podia sentir minha retina queimar, precisei de alguns segundos a mais do que o planejado para esfregar meus olhos e deixá-los se acostumarem com a luz do dia depois de muito tempo acostumados com a escuridão.

Quando finalmente me senti preparada para encarar a luz, tirei a mão do rosto e observei lá fora, o ar estava mais seco do que o normal, os raios de sol eram fracos, diversas nuvens estavam espalhadas pelo céu. Não sabia identificar aonde eu estava mas sabia que era no meio do nada, ou pelo menos achava que era, havia muitas árvores mas o chão não tinha gramas, era só terra, meus pés doíam conforme pisava nas pedras, nunca senti tanta falta de um par de chinelos na vida.

— Pensa pensa Skyler — resmunguei pra mim mesma em uma tentativa falha de pensar em algo, olhei em volta pra ver se achava o carro da Anastasia mas não havia sinal de nada ali

— Ali está ela — a mesma voz que ouvi a pouco tempo voltou aos meus ouvidos, era um dos caras, olhei rapidamente e os dois me olhavam como se fossem me engolir viva a qualquer momento.

Era um impulso rápido e talvez precipitado, eu não sabia aonde iria dar mas corri, corri por dentro das árvores da parte de trás da fábrica, enquanto corria olhei para trás para ver o quão perto eles estavam, era razoável mas eu precisava de uma distância a mais, um deles sacou uma arma, foquei em correr, meus pés doíam afinal, não havia nada nos meus pés que os impedissem de estar em total contato com o chão, aquilo não parecia ter fim, enquanto mais eu corria mais árvores e folhas apareciam, eles estavam cada vez mais próximos, foquei toda a minha força nas pernas, precisava correr mais.

Eu sinceramente não sabia dizer o que sentia, nesse momento a única coisa que eu pensava era que eu precisava continuar viva. Meu coração disparou e eu parei involuntariamente quando cheguei a beira do penhasco, dei três passos para trás, não era o maior penhasco que existe no mundo provavelmente mas era grande o suficiente para fazer com que todos os músculos do meu corpo se contraisssem e implorasse que eu recuasse, e a corrente da água estava forte, o barulho penetrava meus tímpanos e fazia meu coração disparar e meu corpo suar. Vinte segundos e três passos foram o suficiente para uma bala passar pelo meu ombro direito, gritei com a dor, olhei de canto de olho e percebi que ele iria atirar de novo.

— Vem pra cá sua filha da puta — sua voz ríspida invadiu meus ouvidos mas a esse ponto nada mais me incomodava, embora eu quisesse ter medo e recuar eu não queria ser a mesma garota que sempre fui até aqui, viria a ser uma nova garota, uma nova Sky, uma nova Skyler Caribe Larsson.

Não, não de um jeito ruim.

Era como se o tempo tivesse parado. Toda a coragem que eu nunca tive estava vindo agora, embora minhas pernas estivessem trêmulas eu iria arriscar, iria me arriscar.

Três passos a frente, três passos rápidos a frente.

Um quarto passo, e foi aí que eu despenquei, não sabia o que me esperava mas sabia que era melhor morrer afogada ou apenas por algo que estivesse lá em baixo me esperando do que na mão de algum dos homens contratados pelo meu pai.

— Não — foi a única coisa que ouvi em queda livre. O vento forte parecia que rasgaria toda a minha pele, tive a breve impressão que quando chegasse lá em baixo estaria apenas os ossos mas essa tese foi por água a baixo, literalmente, assim que senti a água gelada em contato com a minha pele. Afundei, estava submersa dentro da água, abri meus olhos, meu coração ainda rasgava o meu peito, a água logo ficou em um vermelho bordô, o meu sangue.

Não podia voltar a superfície agora, apenas nadei de acordo com a correnteza forte. Não sabia aonde a água me levaria, seria uma novidade. E sinceramente. Eu não me importava mais. Quando não aguentei mais a falta de ar, subi até a superfície ofegante, olhei para trás e não vi mais o mesmo penhasco e nem os homens, tentei controlar a respiração e tentei voltar a nadar mas a correnteza estava tão forte que eu não conseguia chegar ao outro lado da margem. O meu braço doía tanto que eu não conseguia nem pensar no que fazer, ao menos foi o braço oposto que eu eu havia me machucado na casa de Taylor mas agora, definitivamente meus dois braços na região perto do ombro teriam cicatrizes.

Antes que eu pudesse reagir eu caí, uma pequena cachoeira, não tinha conseguido ver antes, cheguei ao fundo mais rápido que eu podia raciocinar ou respirar um desespero nunca sentido antes me atingiu. Estava sendo devorada pela água. Pressionei fortemente meus olhos a força da água estava tão grande que eu não conseguia sentir nada além de um peso me levando para baixo.

Flashback On

A música tocava suavemente, eu estava vidrada em sentir isso, era algo inacreditável, eu vivia por isso.

Os olhos dele me transmitiam paz e ele sorriu e eu sentia que podia desmoronar ali mesmo. Era meio assustador saber que você pode amar uma pessoa tão fortemente a ponto de ela se tornar parte de ti e era o que eu sentia, eu sentia que poderia explodir a qualquer momento, eu tinha um ímã e ele estava ligado a todo tempo e procurando por ti. A cada célula a cada átomo, tudo estava me ligando a ele e por mais que eu corresse e tentasse fugir parece que eu nunca saia do lugar. A melodia da música se tornava ainda mais impecável saindo do seu violão e a letra da música parecia ainda mais admirável saindo de sua boca. Eu sabia, sabia que ele era um poço de segredos infernais e eu não me importava de tampar o poço e ultrapassa-lo mas eu não podia fazer isso se ele não quisesse. Eu também sabia que ele é bom, que ele tem algo bom mas infelizmente ele não pode ser bom, pra ele e muito menos para mim.

E eu sei que eu sei que deveria correr, eu sei que deveria ir embora e eu sei que deveria tanta coisa mas eu não podia porque hoje, pela primeira vez eu assumi, assumi para mim mesmo que eu o amo e como eu amo, eu amo ele, com todas as letras, de todas as formas, eu o amo. E infelizmente eu tinha medo dessa palavra, tinha medo de como ela poderia acabar mas eu nem sabia ao menos se ela havia se iniciado. Eu sei que na vida não temos certeza de nada, além de que, vamos morrer mas eu descobrir que tinha uma nova certeza na vida e a minha é que, eu amo Shawn Mendes e eu sabia que esse amor perigoso iria me destroçar.

Flashback Off

— Ei? está me ouvindo? — abri os olhos lentamente embora eu sabia que estava fora da água eu sentia que ainda estava dentro dela, ainda podia sentir a sensação da água em contato com a minha pele e a força da mesma me machucando, — Ei? — ouvi mais uma vez a voz, pressionei os olhos e acabei tossindo, levantei a cabeça e dei de cara com ele, não podia ser real, Shawn não podia estar aqui, sentei rapidamente e recuei para trás — Quem fez isso com você? — a voz, a maldita voz, pressionei os meus olhos e os esfreguei, não podia ser ele, ele não sabia, ele não veio, ele tem que ficar longe. Senti o toque de sua mão no meu braço e recuei e abri meus olhos, pisquei diversas vezes até ter coragem de encara-lo.

Eu estava totalmente desequilibrada, longe de ser Shawn. 

— Eu não vou lhe machucar — sorriu fraco

— Quem é você? — eu estava tão desnorteada que não podia nem pensar no que fazer, provavelmente o certo seria correr dali mas eu estava imóvel, eu imaginei Shawn em um homem totalmente diferente dele.

— Allan Walker — sorriu, sua pele morena estava suada e estava com as roupas suja de graxa e molhada — Eu trabalho ali — apontou para uma espécie de pequena fábrica

— Você que me...

— Sim, eu vi quando você caiu e não subiu mais então eu entrei e te tirei de lá — me interrompeu, Allan parecia uma boa pessoa de verdade, daquelas que a gente olha nos olhos e sabe que tem um bom coração — Seu braço está sangrando muito — direcionou sua mão até meu braço mas desviei

— Estamos longe da cidade? — perguntei cortando o assunto

— Não estamos bem perto, é só atravessar ali — apontou para uma pequena trilha

— Obrigada — me levantei o mais rápido que pude mas antes que pudesse andar Allan segurou meu braço

— Eu sei que você não é daqui, deixe-me ajudar você — suas palavras me fizeram recuar um pouco, era difícil encontrar tanta bondade depois de sobreviver a tanta maldade

— Você não sabe nada sobre mim Allan

— Você não parece ser daqui e você está sangrando, você caiu de uma cachoeira, está machucada, parece que não dorme á dias então, deixe-me a menos te levar até um hospital você tem que ver esse braço, não tá normal — seus olhos percorreu cada canto do meu corpo mas não era de uma maneira ruim, era algo bom, era uma boa pessoa e eu sabia disso. Parte de mim sabia que eu não poderia aceitar ajuda assim mas outra parte sabe que eu tenho que cuidar do meu braço e que eu não conheço exatamente nada daqui e muito menos sei em qual fim de mundo eu estou.— Por favor — Allan me mostrou provavelmente o seu sorriso mais simpático possível

— Tudo bem

— Meu carro está logo ali — apontou para uma caminhonete vermelha. Sacudi a cabeça em negação.

— Prefiro que me ajude apenas andando — pedi, eu não podia me arriscar a tanto

— O hospital mais próximo fica a mais ou menos uma hora andando, tem certeza? — perguntou e eu assenti — Certo se quiser eu posso pegar algo para que você possa calçar.

— Não obrigada, estou bem assim— os olhos de Allan se estreitaram mas logo voltaram ao normal, ele deu de ombros e pôs se a andar pela trilha e eu o segui, alguns passos atrás dele. Eu sei, sei que existe bondade no mundo mas infelizmente a maldade sempre acaba dominando na maior parte das vezes então pra mim ainda é suspeito confiar em alguém, pelo menos, nesse momento.

— Como foi parar naquele rio? — Allan quebrou o silêncio que se estabeleceu por alguns minutos

— História longa — respondi curta, eu queria evitar ao máximo entrar nesse assunto

— Temos tempo.

— Obrigada Allan mas acho melhor não — reforcei, o rumo que a conversa estava levando não estava me agradando em nada, não queria isso, queria estar longe disso.

— Vamos lá, me conte, você quer que eu te ajude então a melhor opção é me contar — insistiu mais uma vez, fechei os olhos e respirei fundo tentando me controlar para não dar mais um surto

— Eu já disse que não Allan.

Em um movimento rápido ele me empurrou contra uma árvore e me pressionou, estávamos frente a frente.

— Me larga Allan — pedi

— Não será tão fácil assim, Skyler.

O meu nome em sua voz era tenebroso, estava envolvido de espinhos e sangue.

— Como você sabe o meu nome? — deixei a voz o mais firme que pude não queria transparecer nenhum sentimento embora eu quisesse fazer totalmente ao contrário

— Acha mesmo que o seu pai seria tão besta a ponto de não deixar ninguém aqui em baixo? — sorriu irônico. A maioria das vezes até aqui eu não me arrependi de tantas coisas mas me arrependi de uma forma estrondosa de não ter corrido dele antes.

— Me deixa ir embora — pedi ainda com a postura firme

— Jamais, sou pago para cuidar de você querida — deslizou sua mão lentamente pelo meu braço que estava intacto e sorriu

— Por favor — mostrei fraqueza dessa vez

— Não posso Skyler mas sabe...— se interrompeu e curvou sua cabeça até meu pescoço, afastou meu cabelo molhado e começou a depositar beijos em toda a extensão do meu pescoço — Antes de te entregar ao seu pai eu posso só... Me divertir um pouco — sorriu malicioso e encostou ainda mais o seu corpo no meu, fechei os olhos, não podia não de novo.

— Por favor Allan, por favor — pedi pressionando ainda mais meus olhos, todo o meu corpo estava trêmulo mas eu não podia me ceder a isso, eu tenho que se forte, eu preciso ser.

— Sempre quis saber qual era o seu gosto, sempre quis saber qual é a sensação de estar dentro de você — suas palavras me davam nojo e me deixavam mais atormentada do que eu já estava.

Flashback On

Vinte e três gruas era o suficiente para me fazer querer tomar bom milkshake de diamante negro.

— Skyler eu preciso que você preste atenção aqui — Shawn resmungou me trazendo para a realidade, uma realidade sem milkshake de diamante negro.

— Eu estou.

— Não Sky você não está — andou em direção a coleção de facas que tinha do outro lado do galpão

— Desculpe, vou me concentrar agora — o segui

— Espero que sim ou vou ter que pegar pesado — sorriu irônico e eu revirei os olhos — Pegue isto — direcionou uma faca pequena em minha direção

— Pra que? — analisei a faca, ela brilhava tanto, tenho quase certeza que era de prata e bom, eu não queria matar lobisomem algum

— Apenas pegue Larsson — insistiu

— Por que? — perguntei mais uma vez e ele bufou, eu adorava quando ele ficava irritado, se tornava a pessoa mais fofa do mundo

— Vai mesmo me perguntar até eu te explicar? — assenti e seus olhos se reviraram — Eu quero te ensinar a se defender se tudo o que estiver seja só algo que, corte.

— Agora eu pego — sorri

— Você é um caso sério Skyler — sorriu abafado o que me fez sorrir mais ainda

— Eu sei.

Sem aviso prévio ele me empurrou contra a parede, a parede que estava gelada por conta do ar-condicionado ligado, meu corpo inteiro se arrepiou, cada pedaço dele estava atento ao que viria agora, uma das mãos de Shawn estavam apertando a minha cintura e a outra estava segurando forte meu braço esquerdo.

— Sempre ande com qualquer cosia que corte atrás — sua voz estava baixa e ele falava em meu ouvido o que me fazia me arrepiar ainda mais, qualquer contato com ele era o suficiente para me deixar fora de mim.

— Entendi.

Ele mostrou um belo sorriso, o sorriso que me deixava de pernas bambas e me fazia perder o fôlego cada vez que eu via. Seus olhos estavam fixos nos meus, sua boca se aproximou da minha e seus lábios roçaram nos meus, fechei os olhos e esperei por um beijo, eu queria, eu precisava de um beijo. Sua outra mão que estava em minha cintura foi parar no meu braço direito e ele o segurou. Se aproximou lentamente do meu ouvido depositando beijos em toda região possível antes de chegar lá.

— Agora me mostre o que você faria para sair dessa situação — ele voltou a sua postura inicial e cortou qualquer contato que atrapalhasse o momento agora. Apenas assenti e tentei com uma das mãos chegar até a faca — Pelo amor de Deus Skyler se você fizer isso com alguém eles irão saber que você tem algo.

— Eu não sei o que fazer, você está segurando meus braços muito forte — resmunguei

— E você acha o que? que eles serão legais com você? — perguntou irônico, neguei com a cabeça — Então me mostre o melhor que sabe fazer porque eu sei que alguém lhe ensinou isso.

— Vou fazer.

— E use a sua beleza a seu favor.

— Eu deveria? — arqueei uma sobrancelha

— Claro que deveria — continuei com a mesma expressão e ele sabia o que significava — Uma beleza dessas deve servir para outras coisas também.

Sorri involuntária com a sua resposta e foquei em fazer o que ele havia pedido. Fixei meus olhos nele e sorri, levei levemente meu rosto a curvatura de seu pescoço e comecei a beija-lo e deixar chupões pela região, sorri dentre os beijos pelo jeito que sua respiração ficou mais pesada do que antes, continuei e aos poucos senti sua mão ficar cada vez mais suave em meus braços, cheguei até a sua orelha e mordi levemente o lóbulo da mesma. Em um movimento delicado, levei lentamente minha mão até a faca que estava na minha cintura, a puxei com cuidado e quando finalmente ela estava fora eu usei toda a força que tinha e todo o treinamento possível e a levei até o pescoço de Shawn o que o fez se contrair. Parei os beijos e o encarei seus olhos estavam abertos e vidrados em mim.

— É o que esperava? — sorri

— Sim.

— E então?

— Agora você tem algo para acalmar.

— O que?

Pegou a minha outra mão que estava vazia e levou até sua calça, mais especificamente o meio de suas calças, em seu pau que estava duro.

— Tem que me ajudar a acalmar isso aqui — sorriu e me contagiou com uma risada e um beijo caloroso se iniciou.

Flashback Off

Abri os olhos. Sentir ele em minha pele me deixava fraca.

— Se é o que você quer eu não vou debater — pronunciei com a voz firme ele trouxe seus olhos a mim e sorriu, o sorriso que antes eu disse que era bondoso era cheio de coisas ruins 

— Boa garota.

Ele continuou o que estava fazendo e eu dei mais acesso ao meu pescoço, continuei puxando a minha mão lentamente e da forma mais delicada possível até o canivete na minha cintura. Enquanto ele se divertia por ali eu fingia gemidos falsos. Allan era novo nisso, tinha certeza disso, nenhum deles seria tão babaca a esse ponto. Quando finalmente consegui tirar o canivete o abri cuidadosamente e em um impulso rápido o levei até o pescoço de Allan e não foi igual levar a faca até o pescoço de Shawn, porque no de Shawn eu apenas a encostei e no de Allan, eu a enfiei.

Seu sangue começou a jorrar por todos os lados, atingindo meu rosto e minha roupa, seus olhos ainda estavam abertos e esbugalhados, suas mãos estavam no pescoço mas era tarde demais. Sua veia jugular estava perfurada e para isso não tinha volta. Seu corpo escorregou por mim até chegar no chão, eu queria chorar mas eu não podia, duas pessoas mortas em um dia e dessa vez não tinha os garotos, foi só, eu. E isso me deixava assustada.

Comecei a arrastar o corpo de Allan para o rio. Parecia que ele pesava uns 100kg e ele nem era desse porte mas a tensão do momento parecia que deixava tudo mais pesado do que realmente é.

Mergulhei o corpo de Allan na água e tirei o canivete e coloquei de volta na minha cintura, era ruim pensar assim mas eu não tinha noção de qual seria a próxima vez que eu teria que usá-lo.

O corpo de Allan começou a desaparecer pela água que já estava manchada pelo vermelho de seu sangue, mergulhei e tirei o sangue dele de mim, voltei a superfície e sai rapidamente da água e corri, eu tinha que sair daqui. Não podia confiar em ninguém. Nem mesmo na minha própria sombra, talvez fosse só mais uma das minhas paranóias mas era melhor assim, até eu sair desse lugar, era melhor permanecer assim.

Continuei correndo pela trilha, meus pés estavam doendo e machucados mas isso não era nada comparado ao turbilhão de coisas que estavam acontecendo no momento. E mesmo com tudo o que estava acontecendo meu pensamento voltou a ele, eu infelizmente queria saber aonde ele estava, se estava pensando em mim, se estava bem, se ele ao menos tentou me achar, eu só queria ter um sinal dele.

Sacudi a cabeça para espantar esses pensamentos e em reprovação a mim mesma, eu não merecia isso, não merecia me importar tanto assim com alguém que não liga para mim ou que não quer ligar e principalmente eu não merecia, não merecia amar alguém tanto assim e ele não ser bom.

Há um mês atrás eu ao menos sentia que ele sentia algo por mim mas agora eu me recuso a me afundar nas dúvidas, não de novo. Eu mereço mais, eu mereço viver estando com Shawn ou não estando com Shawn.

Eu me mereço.

E agora não tinha volta.

Eu estava marcada por dois sangue hoje e dois sangues no passado. Eu me tornei o que eu jurava que não iria ser e a pior parte é, eu não estava achando ruim.


Notas Finais


PESSOAL

Fiz um trailer pra fanfic eu espero que gostem vão lá ver por favor porque deu MUITO trabalho pra mim.


LINK: https://youtu.be/gLqJ4h5JzTk

Por favor vejam, vou ficar tão feliz e me contem o que acham do trailer.

LINK: https://youtu.be/gLqJ4h5JzTk

E aliás eu fiquei tão feliz com o comentários do capítulo de dúvidas, muito obrigado pela ajuda.

Até mais ♥️


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