História Dangerous Love - Shawn Mendes - Capítulo 34


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Categorias Aaron Carpenter, Hailee Steinfeld, Matthew Espinosa, Nash Grier, Sam "Wilk" Wilkinson, Shawn Mendes
Personagens Hailee Steinfeld, Personagens Originais, Shawn Mendes
Tags Criminal, Hailee Steinfeld, Romance, Shawn Mendes
Visualizações 350
Palavras 5.373
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi anjos boa leitura, me dêem a opinião de vocês ♥️

Capítulo 34 - Two Personal Hells


Fanfic / Fanfiction Dangerous Love - Shawn Mendes - Capítulo 34 - Two Personal Hells

16 de junho - 12:42

— Como você se sente? — Dra. Miller perguntou me tirando de todos os meus devaneios e flashbacks do que havia acontecido nesse pouco espaço de tempo desde que eu saí das garras do meu pai e todo o outro inferno começou. Depois de Anastácia, bala, Allan. Eu consegui achar algum hospital próximo, não expliquei o que aconteceu, apenas comentei que estava fazendo um mochilão junto a meus amigos, fui assaltada e sobre o resto não queria falar não me sentia pronta para isso. Antes de chegar até aqui eu rasguei minhas próprias roupas para que parecesse algo maior ainda do que já é e bom, deu certo ninguém me encheu de perguntas respeitou o momento porque no pensamentos deles eu fui abusada embora me recusei a todo o momento falar sobre isso e fazer exames sobre isso. A bala foi de raspão, precisei de alguns pontos e fiz curativos no pé que estava detonado e por insistência da médica eu dormi aqui e para a minha surpresa foi bom porque pela primeira vez nesse mês eu me senti segura, confortável e cuidada.

— Acho que estou bem — dei de ombros

— Isso é bom — seus olhos continuavam fixos em sua planilha — Sra. Larsson — chamou a minha atenção, meus olhos pousaram nela de uma forma desconfortável, já sabia o que viria agora — Eu concordei em você não fazer o boletim quando chegou porque estava muito abalada mas você vai sair e você tem que ir fazer.

— Eu vou — menti

— Confio em você — sua resposta foi sincera e me deixou meio abalada, sei que ela foi muito gentil comigo mas eu não podia fazer um boletim, o que eu diria, "Oi, fui sequestrada pelo meu pai, matei uma mulher enforcada, levei um tiro no braço, pulei de um penhasco e enfiei um canivete no pescoço de um cara que queria abusar de mim". Era estúpido, só deveria seguir e descobrir aonde estava, evitei não perguntar a ela porque assim seria mais discreto, afinal, se ela já me encheu por eu ter levado uma bala de raspão no ombro imagina se ela soubesse que nem aonde eu estou eu sei. Mais uma vez, estúpido.

— Você está liberada — mais uma vez a voz da médica Miller me tirou dos meus pensamentos conturbados, a olhei e assenti, me levantei e peguei a minha carta de alta na mão da doutora — Se cuida.

Foi a última coisa que eu ouvi antes de sorrir, sussurar um obrigada e sair do quarto. Andei em passos curtos e devagar até a recepção, vestia uma roupa incrivelmente feia que uma das enfermeiras havia pegado para mim da parte de doações do hospital, uma bermuda que ia a baixo do joelho e que estava um tanto quanto apertada, uma blusa rosa pink soltinha e um chinelo branco que era maior que meu pé.

Entreguei o papel de alta a uma das recepcionistas do local, ela o pegou e começou a digitar alguma coisa no seu computador e depois tirou um xerox e me entregou. Sorri em forma de agradecimento e sai do local, me sentia suja, feia e desconfortável. Eu ainda tinha a missão de saber aonde eu estava, por sorte ou coisa do destino avistei um jornal em frente a uma das casas em que estava passando. "Greenwood", não é tão longe de tudo como eu pensei que fosse, nunca vim até aqui porém sabia que é uma das cidades mais calmas e vazias do país.

— Boa tarde, o senhor poderia me dar uma informação? — perguntei a um senhor idoso que tomava um café em um banquinho em uma praça qualquer

— Claro — ele sorria gentilmente, aproveitei a gentileza que ele demonstrava e perguntei aonde se localizava o banco Royal mais próximo e aonde eu poderia achar o shopping mais próximo. Ele me explicou o mais breve e simples possível, no fim acabou riscando todo o trajeto em um dos guardanapos que estava na mesa, o agradeci e comecei a andar até chegar no banco, agradeci diversas vezes mentalmente por ser uma cidade tão pequena que eu não teria dificuldade de atravessar a cidade andando, não muito pelo menos. A pior parte do momento é a roupa, estava totalmente desconfortável e a minha única vontade é de ranca-la e andar nua.

Suspirei aliviada quando encontrei o banco, o adentrei e imediatamente percebi alguns olhares em cima de mim, não me incomodou muito já esperava por isso, não é todo dia que uma pessoa no meu estado adentra um banco de grande porte e vai até a área mais vip possível desse jeito, vestida desse jeito. Andei até a parte Gold Express, roubando mais algumas atenções para mim, sentei em uma das cadeiras vazias e imediatamente uma senhora que aparentava ter uns cinquenta e poucos anos me atendeu.

— Bom dia, no que posso ajudar? — perguntou gentilmente me olhando por cima do óculos, seu óculos estava posicionado no meio do nariz o que me deu uma certa agonia

— É um saque de uma conta poupança — respondi e ela me olhou um tanto quanto desconfiada, não é por menos já que eu estava vestida ridiculamente feia, descuidada e parecendo que não dormia à dias, no fim, não parecia que alguém como eu tem capacidade para ter atendimento preferencial desse nível

— Coloque a sua digital aqui — ela colou um dos aparelhos biométricos a minha frente, coloquei meu dedo lá e imediatamente a luz ficou verde, os olhos dela se esbugalharam, provavelmente com o valor que tinha lá — Olha, olhando você assim juro que não esperava que tivesse tudo isso em conta — sua risada era aconchegante

— Acredite nem eu — ri — Perdi as roupas depois de uma boa noitada e tive que usar isto — apontei para minhas roupas com cara de desgosto, é uma mentira mas é uma boa justificativa

— Entendo — riu mais uma vez — Quando tinha sua idade sai de casa para fazer um mochilão com alguns amigos e perdi muita coisa no caminho... Inclusive a virgindade — cochichou a última frase e eu ri nasalado acompanhada pela mesma, assenti, ela conferiu mais alguns dados e fez mais alguns registros.

— Quanto você gostaria de sacar?

— Uns oitocentos mil — dei de ombros

— Certo, irei colocar em um cartão provisório.

Ela se levantou andando até os fundos e depois de alguns poucos minutos apareceu com um cartão nas mãos e uma pilha de papéis.

— Esse é o cartão, tem essa senha de quatro dígitos — estendeu ele em minha direção e começou folear os papéis — E você precisa assinar esses quatro papéis.

— Obrigada Amélia — disse lendo o seu nome no envelope do cartão.

— A seu dispor Skyler — abriu um sorriso gentil e eu apenas o retribui. Peguei o cartão, assinei os papéis e em seguida sai de dentro do banco. A rua estava mais movimentada agora, assim que avistei um táxi dei a mão e adentrei, disse a ele aonde queria ir e fomos.

O paguei com os cinquenta dólares que peguei da carteira de Anastasia e deixei que ele ficasse com o troco, uma gorjeta. O shopping não é tão grande quanto eu imaginava, comparado a shoppings de Quebec e Toronto que são bem maiores. Andei até achar o que eu queria e continuei recebendo olhares petulantes sobre mim, adentrei a Louis Vuitton.

— Com licença — uma das atendentes chamou, ela me encarava de cima a baixo

— Mostre-me a sua melhor coleção — pedi e ela assentiu, a segui e estávamos em um parte incrivelmente linda de roupas.

Depois disso perdi a conta, eu gostei extremamente muito, passei além da Louis Vuitton, cheguei até Gucci, às bolsas da Coach, Louboutin, Dior e por fim cheguei até a minha amada, Jimmy Choo a grande grife de salto que costumam ter cristais, sempre as adimirei, tinha alguns na casa do meu pai mas não era nada de mais já que eu nunca saia direito quando estava com ele. E se agora eu posso, vou desfrutar até o último centavo. No fim, sai do shopping com mais sacolas do que eu podia carregar e parecia que eu tinha feito assaltos mas estava com a nota de tudo. É incrível como as pessoas te julgam pelo jeito que você se veste.

20:54

A água escorria pelo meu corpo e limpava toda a minha alma, é revigorante tomar um bom banho depois de tanto tempo, fechei o chuveiro depois que terminei e sai do banheiro, vesti um dos pijamas de seda que comprei e me joguei na cama, estava muito cansada para qualquer coisa e amanhã cedo estaria no aeroporto, indo para qualquer lugar melhor do que aqui.

06:23

— Desculpa mas eu não posso liberar você — pronunciou a aeromoça que me atendia, ela aparentava ter uns trinta anos e parecia cansada, provavelmente pegou o turno da madrugada

— Por favor é muito importante — implorei — Olha eu perdi o meu documento mas eu peguei uma via temporária ontem, por favor.

— Isso não vai servir, sinto muito...

— Cinco mil dólares — a cortei antes que ela completasse

— Senhora eu...

— Dez mil dólares, á vista, eu transfiro para sua conta agora.

Ela me encarou por cerca de um minuto inteiro em silêncio e sorriu como se nada realmente tivesse acontecido, filha da puta, pensei.

— Para onde a senhora gostaria de ir? — perguntou sorrindo descaradamente e conferindo minha identidade

— Me diz o primeiro vôo que sai daqui o mais breve possível.

— Vancouver.

— Esse mesmo.

Ela digitou e fez mais algumas coisas, no fim, transferi o dinheiro do meu aplicativo do banco no meu celular novo que comprei no shopping e ela sorriu em satisfação e me desejou uma boa viajem, ri, é incrível como existem pessoas que mudam totalmente quando tem o que querem. É incrível como o dinheiro faz as pessoas passarem por cima de seus próprios conceitos, dinheiro move o mundo e se move o mundo sem delongas lhe move também.

Adentrei a aeronave e me sentei no lugar marcado, coloquei os fones de ouvido e deixei que a música tocasse no aleatório, fechei os olhos, afinal, ainda tinha horas de viagem até Vancouver.

Logo após me senti traída, traída pelo meu próprio celular mesmo no aleatório ele fez o favor de iniciar com "Earned It", eu queria pular a música mas não tive forças o suficiente para isso e antes que eu pudesse evitar a minha mente voltou em 23 de fevereiro, o dia do baile de máscaras, o dia que eu fui Ray Horan e ele Jughead Smith, pela primeira vez eu jurei que poderíamos ser pessoas diferentes ali, que poderíamos ser aquelas pessoas, que poderíamos ter vidas diferente da que fomos destinados. O toque da sua mão em minha pele, o arrepio, sua grande mão gélida em contato com a minha coxa e o carinho que ele fez na região, os seus olhos castanho claro que se tornava um só nos meus verdes, a sua respiração batendo no meu rosto e todo o meu rosto pronto para se desmanchar ali mesmo. Quatro minutos e doze segundos de música foram o suficiente para eu ter um flashback perfeito, até sentido o que aconteceu há quase cinco meses atrás. Eu precisei de menos de cinco meses para estar totalmente entregue á ele, de corpo e alma. E ele parece precisar de uma eternidade para estar entregue a mim.

Respirei aliviada quando a música chegou ao fim e outra aleatória começou, eu não podia e nem queria me afundar nele por agora eu nem sei se é possível evita-lo dos meus próprios pensamentos mas eu espero que seja porque não sei até quando vou conseguir viver livre sem correr atrás dele e beija-lo depois de socar a cara dele por tudo isso. Sacudi a cabeça fortemente o que fez a atenção do senhor que estava do lado levar seus olhos até mim, eu precisava não só expulsa-lo da minha mente mas também da minha vida. Eu só não sabia se seria capaz porque eu o amo e eu o amo de um jeito que nunca imaginei ser capaz, Shawn é o meu inferno pessoal.

19:22 - Vancouver, CA.

Vancouver é parecida com o que eu via as vezes pelo celular, sempre tive vontade de vir até aqui. É um pouco diferente do que eu estava acostumada, é muito mais movimentada e parecia que ela nunca dormia, talvez uma Nova Iorque canadense.

Estava andando pela Robson Street a rua mais agitada da cidade, havia muitos jovens no local, alguns bêbados, outros apenas se divertindo do jeito que acham melhor, alguns fazendo compras, alguns mais velhos, idosos, turistas, gente de todo o tipo. Me sentia um pouco deslocada mas sabia que passaria, eu estaria melhor aqui, em uma cidade movimentada e inesperada por todos e bom, seria questão de tempo até conseguir um passaporte e viajar para fora. Hoje mais cedo liguei para direção do hotel que eu fiquei e deixei algumas das minhas coisas em Toronto quando estava com Shawn, depositei uma boa quantia para que eles fechassem o quarto e deixassem minhas coisas lá até segunda ordem. Agora eu ficaria em um hotel bem luxuoso da cidade, bom, dinheiro não me faltava depois do assalto que fiz com Matthew a mansão do meu pai há uns meses atrás, iria desfrutar disso melhor agora, afinal eu mereço e como eu mereço.

Comecei a olhar um grupo enorme de pessoas andando do outro lado da calçada, não pude acreditar no que via, é ele ou eu estava ficando louca, abri e fechei os olhos umas três vezes e quando me dei conta já estava passando pela multidão até chegar perto dele.

Me senti uma inútil por não conseguir nem controlar o meu próprio corpo, não quando a questão que estava em jogo era Shawn Mendes.

— Desculpa — murmurrei ao sem querer esbarrar em uma senhora, ela apenas sorriu e eu continue até o grupo, havia meninos e meninas ali, eles conversavam e riam alto enquanto seguravam garrafas e copos de bebidas nas mãos, eles estavam bem na frente de um grande bar — Com licença — toquei no ombro do garoto que imediatamente se virou e me encarou como se fosse me devorar

— Pois não — ele mordeu seu lábio inferior me olhando de cima a baixo

— Desculpa, achei que fosse outra pessoa — respondi desnorteada, foi a segunda vez em dois dias que eu confundi alguém com ele, óbvio que Allan não era nenhum pouco parecido com Shawn e o garoto que estava na minha frente agora tem semelhanças incríveis.

— Talvez não seja quem está procurando mas posso ser quem você quiser que eu seja — abriu um sorriso malicioso

— Acho melhor não, obrigada mesmo assim — dei de costas e comecei a andar para o lado oposto que o grupo estava, senti uma mão segurar o meu braço direito, me virei e dei de cara com o garoto que eu confundi com o Shawn, ele realmente lembrava um pouco mas não o suficiente, não para mim e eu senti que precisava de mais, precisava de alguém mais parecido, eu estava alucinada, a pior parte dessa bagunça mental que eu estou criando é que eu sei que no fundo eu quero ele e não importa quantos homens apareçam aqui, eu sempre vou querer, ele.

— Não quer ficar mais? Você parece perdida, deve ser novata aqui — ele olhou ao redor e depois trouxe seu lindo par de olhos verdes esmeralda para mim

— Acho que...

— Vai negar conhecer o melhor e mais popular bar de Vancouver? Vou me sentir ofendido — ele levou uma de suas mãos ao seu coração e eu ri, já gostei do seu jeito carismático

— Ia dizer que se você me acompanhar, eu topo qualquer coisa — sorri e o sorriso dele se transformou em um sorriso malicioso mais do que antes, seus olhos queimavam em mim e admito, eu estava gostando disso.

Ele me levou até a mesa onde todos os seus amigos estavam, acabei pegando um drink com vodca e frutas cítricas.

Todos conversavam e riam, me sentia incluída, eles eram gentis e Ryan, o cara que me lembrava de certa forma Shawn é extremamente bom de lábia e tinha algo que me fazia me sentir atraída e excitada por ele. Não por ser um pouco parecido com Mendes, apenas por ser, ele.

E foi a primeira vez em meses que eu senti que podia viver com o meus próprios pés.

Sacudi a cabeça para me livrar dos pensamentos. Shawn não estava ali mas Ryan esta e hoje, ele seria o meu divertimento.

Ao decorrer da noite, depois de alguns drinks, conversas e risadas jogadas fora eu comecei a concluir a única e mais lúcida opinião e conclusão que passava em minha mente: Eu via pelo jeito que o Shawn me olhava, ele não me achava digna do tempo dele, ele provavelmente queria que eu fosse alguém que eu não posso ser mas e daí se eu não for? E eu sei que sou mais do que ele viu em mim. É meio louco, eu queria dizer e acreditar que ele se importa de alguma forma, eu estava convencendo a todos e até a mim mesma que eu poderia salva-lo mas nós dois acabamos nos derrubando. E agora encontrei mais perguntas que estavam sem respostas, "Por que ele tentou me derrubar?", "Por que tentou me ver sangrar?", "Por que tentou me desmoronar?".

Às vezes eu achava que ele tentou ver alguma coisa de ruim em mim e tentou me puxar para a sua escuridão, me fez ceder todos os meus lados mas eu absorvi muita luz ao decorrer desse caminho, embora eu soubesse que eu tinha a minha escuridão dentro de mim e que ela estava crescendo a cada dia mais mas não era por ele, é por mim.  Mas ao mesmo tempo eu não acreditava nisso, Shawn sempre quis me preservar de seus demônios mas no caminho ele esqueceu dos meus.

Não sei se era o certo mas eu deveria ter ido embora antes disso virar uma confusão, eu deveria ter ido embora quando ele me disse que não poderia e nem queria sair dessa vida. Mas, eu sabia que estava falando isso apenas com o cérebro porque quando fosse pelo coração, seria ao contrário mas dessa vez eu queria jogar com o meu cérebro.

— No que você está pensando? — a voz de Ryan me puxou com um só impulso para a realidade

— Em como eu gostaria de fazer algo.

— Então faça — sorriu o que me fez sorrir

Puxei com uma das mãos o rosto dele para perto e o envolvi em um beijo calmo e quente, sentia o gosto de uísque e canela em sua boca, uma de suas mãos desceu da minha nuca até a minha bunda, ele depositou um forte apertão ali, gemi fraco durante o beijo, o que fez ele formar um pequeno sorriso e me puxar para mais perto, tinha bastante gente ali mas a essa altura eu não me importava mais, separamos o beijo depois de perder o fôlego. Sorri e ele mantinha um sorriso malicioso em seus lábios, ele iria me devorar a qualquer momento sabia disso.

Um segundo depois eu estava afogada novamente nos meus pensamentos.

Eu só queria ser mais forte. Ser forte a ponto de deixá-lo para trás porque não, ele não se importa comigo.

Shawn Point Of View

23:52 - Toronto, CA.

Estava deitado na cama, no quarto que já estava tão conhecido por mim nesses últimos dias, Alisa estava do meu lado mas não estava perto de mim porque eu não queria que ela estivesse. Já estávamos familiarizados dês da primeira vez que vim aqui.

— Gostei de hoje — sorriu maliciosa ainda nua

— Você sempre fala a mesma coisa — deu de ombros, eu estava somente sem camisa, Alisa se aproximou de mim e tentou me beijar e desviei — Nada de beijos eu já te falei caralho.

— Por que você não quer me beijar? — perguntou desapontada

— Te pago por sexo não por beijo — respondi irritado

— Beijo faz parte — retrucou

— Não se eu não quiser que faça — respondi e ela bufou, ela sabia que são as regras

— Tá eu já entendi, você deve gostar de alguém — respondeu e começou a observar minhas tatuagens

— Não gosto.

Você tenta mentir para si próprio mas sabe que ama... infelizmente.

Me arrumei melhor na cama de lençóis de seda vermelho, a conversa estava pegando um rumo desconfortável. Eu não queria falar sobre amar ou não amar alguém.

— Se você acha — dei de ombros sem importância alguma

O silêncio prevaleceu no ambiente por mais de 10 minutos, eu até decorei as músicas que tocou lá em baixo nesse tempo.

1° Starboy

2° Better Now

3° In My Feelings

— Por que? — Alisa perguntou interrompendo o silêncio maravilhoso que estava antes sem a sua voz

— Por que o quê? — a encarei com o cenho franzido

— Você tatuou um floco de neve? — apontou para o mesmo, sentei na cama e passei a mão pelo cabelo, ela aguardava uma respostas com seus olhos extremamente escuros e grandes vidrados em mim

— Não sei.

— Não? — estreitou seus olhos, ela não acreditava mas era a verdade, eu não sabia o porquê — Você gosta de inverno?

— Não, prefiro o verão.

— Não faz sentido.

— É Alisa, não faz — me levantei da cama e vesti minha camisa, calcei meu tênis, peguei minha chave do carro e sai, Alisa ficou resmungando mas não dei importância. Sai do ambiente e adentrei meu carro, por conta da chuva as ruas da cidade estavam quase vazias. Tentei focar em dirigir e chegar em casa mas minha mente estava me levando para a questão que não queria calar. Eu não pensei muito nas tatuagens que fiz, eu apenas às fiz mas agora depois da pergunta que Alisa estabeleceu eu comecei a pensar nisso e não conseguia sair.

— Por que porra? Por que? — gritei batendo no volante, eu estou instável — Lembra Shawn lembra — bati fortemente em minha cabeça na esperança de que isso trouxesse tudo de volta, eu estou desesperado.

Dirigi o mais rápido que pude até chegar no meu apartamento, sabia que os meninos estavam lá.

Assim que cheguei estacionei o mais rápido que pude e andei rápido até o apartamento. Contei o tempo até o elevador parar em meu andar, quando a porta se abriu eu saí imediatamente e adentrei o meu apartamento, continuei caminhando até o meu quarto onde todos eles estavam provavelmente dormindo. Abri a porta do quarto sem delicadeza e um barulho forte aconteceu. Todos os garotos olharam para mim, creio que só Nash e Matt estavam dormindo porque Sammy e Aaron estavam com a expressão normal.

— Por que um floco de neve? — perguntei alto fazendo todos eles me olharem com cara de tacho, como se estivessem raciocinando

— Bebeu mais do que ontem? — Nash perguntou esfregando os olhos

— Não bebi hoje — assoprei o meu hálito na cara de Matt

— É, ele realmente não bebeu — confirmou olhando pro Nash

— Então o que é? — Sammy questionou

— Quando eu fui fazer as tatuagens eu quis muito fazer isso — apontei pro floco de neve que estava perdida dentre as outras também

— O floco de neve? — Aaron arqueou a sobrancelha

— Sim mas não é um simples floco.

— É um floco de neve complicado?— Matt perguntou arrancando risos dos meninos, revirei os olhos

— Não é isso — resmunguei e acabei rindo, Matt tem um dom de ser tapado a maioria das vezes — É a única tatuagem que eu fiz por fazer, sem ter um motivo.

— E isso realmente te preocupa? — Nash perguntou ainda confuso

— Sinceramente, sim.

— Não acha que fez essa por fazer? — foi a vez de Sammy questionar

— Não, não acho — mais uma vez levei a minha mão e passei vigorasamente por toda extensão do meu cabelo — Vocês acham que tem alguma relação com...

— Com a Skyler? — Aaron me interrompeu, demorei alguns segundos até conseguir assentir em concordância 

— Pode ser que sim — Nash resmungou

— Você quer que tentemos de novo? — Matt fez a pergunta que sempre fazia

— Não.

— Então podemos voltar a dormir?

— Sim.

Dei de costas e sai do quarto, peguei um dos meus maços de cigarro e o isqueiro, subi as escadas que davam acesso ao terraço de cima, totalmente e livremente meu.

Acendi o cigarro enquanto observava a cidade, a cada tragada eu sentia que estava me perdendo, cada vez mais.

— Peter — a voz de Nash me vez virar para trás, ele estava quase do meu lado e eu nem havia notado a presença de alguém ali — Eu sei o quão difícil está sendo para você...

— Não quero mais falar sobre isso Nash — o interrompi e traguei mais uma vez o cigarro

— Você está complicando ainda mais as coisas para você mesmo — retrucou se sentando no chão olhando para o céu que estava cheio de estrelas, a parte em que estávamos estava coberta e a chuva ainda era constante, joguei o cigarro na lixeira e me sentei do seu lado e observei o céu juntamente com Nash pelo teto de vidro

— Eu vou manter a promessa.

— Aí que está Shawn — levei meus olhos a ele que fez o mesmo, seus olhos penetravam os meus e mostrava angústia — Você já a quebrou.

— Não vou quebra-la novamente — voltei os meus olhos ao céu

— Já é tarde demais.

— Não para mim, não agora que estou sem memória.

— Sou o seu melhor amigo Shawn — puxou mais a manta para seu corpo

— Eu sei — concordei

— Então deveria saber que é meu dever ajudar você — Nash pronunciou e permaneci quieto por alguns segundos

— É melhor deixar do jeito que está

— Acha mesmo que é?

— Sim Grier — ele apenas fez um gesto com a mão para que eu continuasse — Eu acredito em você Nash e você diz que eu a amo e se eu a amo, eu a machuco porque eu sou assim então se estou sem memórias é melhor ficar assim, seja aonde ela estiver viverá sem riscos e sem que eu a quebre todos os dias.

Quando terminei os olhos de Nash estavam parados em mim de uma maneira diferente, eu estava mostrando toda a minha fraqueza.

— Não tem como ela não estar em perigo Peter, ela é a filha de Jacob — Nash estava certo ela nunca estaria fora de perigo mas havia falhas na sua tese

Comigo é um perigo a mais.

— E quando você recuperar a memória? — questionou fugindo do último assunto

Tive que usar mais de três minutos para conseguir racionar.

— Eu darei um jeito.

Nash se levantou e caminhou até a porta que dá acesso ao corredor do meu apartamento.

— Eu estarei sempre com você Peter, seja de qual forma for.

— Eu também Nash, eu também.

Nash sumiu logo após e eu fiquei ali, perdendo mais tempo da madrugada.

É difícil. É extremamente difícil, parte de mim sabia que eu estava perdendo uma pequena parte da minha vida, uma parte que mudaria tudo e outra parte insistia em continuar do jeito que está. Eu sei que é inútil, muito inútil, eu não conseguia lembrar de absolutamente nada, sei que não estava tentando da melhor forma mas não tinha uma forma certa para tentar, era melhor assim e é melhor assim, ela está fora de perigo se não estiver em minhas garras ou ao menos metade dele. Eu não sei o que sinto por ela, não sei o que ela sente por mim, eu nem sei dos dias que passei com ela mas eu sei de uma coisa muito importante.

Eu não posso ter um inferno, eu não posso ser fraco, eu não queria me render a isso. Minha vida não podia, não podia dar tudo errado dessa forma não mais.

Eu não queria voltar o passado, eu não queria sentir mais nada disso porque o amor te deixa fraco, vulnerável, é difícil amar alguém quando você não sabe em qual momento irá perder e se tem uma coisa que eu não quero é perder, eu não sentia nada disso de novo.

Quando estava em fase de treinamento para fazer parte do grupo, o que mais aprendemos nas mãos de Marcos é que o amor é um poço sem saída e de todas as formas e de todos os jeitos possíveis, você só pode sair machucado. Não há outra forma, qualquer forma de amor é um poço que sempre te levará para baixo, pode ter momentos incríveis mas ou você perde a enterrando ou você a perde por deixa-la ir e pra mim que não gosto de perder nada, nenhuma das opções é valida.

Um sentimento possessivo estava em minha cabeça e foi inevitável não me sentir mau mas eu não estava mau por não ter memória, eu estava mau por saber que ela poderia voltar e que eu pudesse me arrepender, me arrepender de não ter tentando mais ou então me arrepender de não ter fugido disso antes de tudo acontecer.

Eu estou bem agora, estou bem e feliz por saber que não há nada aqui dentro de mim que me torne fraco pelo menos até então e eu queria que continuasse assim.

Me levantei e segui até meu apartamento, precisava descansar, precisava parar de pensar nisso, não queria correr o risco de tudo voltar e eu saber cada detalhe, do que é, como foi e como é.

Deitei em minha cama, todos os garotos já estavam em seus colchões espalhados por todo canto do meu quarto, todos dormindo. O apartamento tem cinco quartos de hóspedes mas mesmo assim eles acham que é melhor ficarmos todos juntos porque a qualquer momento algo ruim poderia chegar, eu não sabia o que e eles preferiram não comentar e apenas ignorei porque cada tentativa poderia trazer tudo de volta e eu não queria ter tudo de volta.

Eu não queria colocar meu cérebro pra funcionar porque se funcionasse eu sabia que iria foder o meu coração, foder ele de uma forma que nunca foi fodido antes, pelo menos eu acreditava nisso, não porque me lembra-se de algo mas por tudo que os garotos me contaram até aqui e se até Grier cedeu com toda a sua segurança e seu jeito mandão então sim, eu iria me foder de todas as formas.

Fechei os olhos e tentei dormir. Fiquei assim por mais tempo do que eu queria ficar de verdade, olhei para o relógio que estava em cima do criado mudo e já era um pouco mais de três e quinze da manhã, eu já havia perdido quase três horas e meia tentando dormir. Isso estava começando a me deixar irritado, o dia amanhã seria longo, combinei com os meninos de irmos atirar a ar livre, como sempre gostávamos de fazer antes de entrarmos nessa imensa bagunça, claro que, valeu a pena, conseguimos a liberdade mas a liberdade para uns custa mais caro do que para outros e ela trouxe um preço, para os garotos a conta estava quitada mas para mim, estava com mais dividas do que eu posso pagar. Quando estiver memória, se estiver um dia ela de volta.

Eu sou Shawn sem memória e estou bem e quero tentar aproveitar isso, porque o Shawn que está dentro de mim e que pode ter a memória de volta sabe que terá que lidar com tudo de novo.

Com o meu inferno pessoal que nesse momento pode estar em qualquer lugar do mundo. 


Notas Finais


Até mais ♥️
TRAILER: https://youtu.be/gLqJ4h5JzTk


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