História Dangerous Love - Vkook Taekook - Capítulo 47


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jeongguk (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Jihope, Namjin, Taekook, Vkook, Yoonmin
Visualizações 268
Palavras 4.568
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Ficção Adolescente, Lemon, Romance e Novela, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oláá Babys!! Como estão?

Uma boa notícia pra vocês!! Decidi terminar a fic com 50 capítulos <33

Vou ser sincera, está difícil pra eu me convencer de que Dangerous Love está no fim.

Eu vou sentir saudades de escrevê-la! Isso é um dos motivos pela qual demorei para atualizar. O segundo motivo é que eu estou me dedicando bastante no final da história, pois não quero que ela fique sem nexo ou algo do tipo no final de tudo né :3

Enfim, é isso! Espero que gostem de mais um capítulo ^~^

~ BOA LEITURA ~

Capítulo 47 - Mãe


Fanfic / Fanfiction Dangerous Love - Vkook Taekook - Capítulo 47 - Mãe

-Você está prestando atenção? –A voz de Jin me tira dos devaneios, fazendo eu abrir os olhos.

 

-Estou. –Minto. –Hyung, o Tae daqui a pouco chega, eu não posso ficar esperando lá embaixo? –Pergunto com a intenção de ser liberado dessa “tortura” de palestra para casados que ele está fazendo questão de fazer.

 

-Só mais uma coisa. –Ele para em minha frente, com os braços cruzados. –Eu aviso aos seus pais ou você avisa?

 

-Tanto faz, eu só quero descer.

 

-Jungkook, saiba que o relacionamento dos pais com o genro é muito importante. –Ele continua. –Aliás, se eles tiverem uma relação balanceada e...

 

-Ele chegou. –Lhe interrompo, olhando a tela do meu celular. O mesmo possui uma mensagem do Tae.

 

Acabei de chegar. To te esperando.

 

 

–Já vou indo, Hyung. –Levanto e vou em direção à porta, sendo seguido por ele.

 

-Espera. –Ele para na porta e eu apenas o olho, enquanto chamo o elevador. –Pode deixar que eu falo então. –O elevador chega e eu espero ele terminar sua fala. -Eu vou marcar um jantar semana que vem para reunir todos, pode ser?

 

-Tudo bem, confio em você, hyung. -É a última coisa que eu falo antes das portas de aço se fecharem novamente, indo para baixo.

 

Estou ansioso e por conta disso, não paro de mexer as pontas dos dedos. Viro para o espelho atrás de mim e encaro meu rosto, colocando para trás alguns fios que teimam a cair sobre a minha testa. O som de campanha do elevador indica que o mesmo chegou no primeiro andar e logo me viro, vendo a porta se abrir novamente. Saio do mesmo e apresso os meus passos, passando pela recepção e logo chegando no lado de fora do prédio.

Assim que chego na calçada, olho para o lado direito e vejo Tae escorado em frente ao seu carro, com as mãos no bolso da calça, olhando fixamente pra mim com um sorriso no rosto. Começo a andar até lá e assim que chego, ele morde os lábios enquanto me olha de cima a baixo, observando cada parte do meu corpo na roupa nova.

 

-Essa camisa social e essa calça jeans combinou perfeitamente com você. –Ele inclina seu rosto até meu pescoço, sussurrando em meu ouvido.

 

-Então você tem uma boa escolha. –Sussurro de volta, fazendo ele rir baixo.

 

-Se eu tenho uma boa escolha... –Sinto suas mãos envolverem minha cintura, aproximando nossos corpos. –Então você vai gostar da surpresa dessa noite.

 

-Por que está fazendo tantas surpresas? –Olho nos seus olhos.

 

-Gosto de te ver ansioso. –Fala simples. –Aliás, aposto que você vai gostar.

 

-O que está aprontando dessa vez? –Franzo uma das minhas sobrancelhas enquanto lhe encaro.

 

-Você vai ver. –Ele sela nossos lábios rapidamente.

 

Apenas assinto com a cabeça e logo entramos no carro. Coloco o cinto e observo Tae colocar uma música calma para tocar baixo enquanto dá partida pelas ruas. Apenas escoro minha cabeça na janela, olhando a cidade um pouco movimentada com algumas pessoas andando nas calçadas.

O clima essa noite está até agradável. Pelo menos não vai chover.

Passaram-se alguns minutos até chegarmos em uma praia deserta; um pouco distante da cidade. Olho através da janela, observando o lugar solitário à fora, enquanto Tae estaciona o carro em frente a uma casa de praia bem elegante.

 

-Deixa eu adivinhar. –Digo e seus olhos se voltam pra mim. –Essa casa é sua. –Falo confiante e ele apenas assente, tirando o cinto de segurança.

 

-Eu nunca passei uma noite nela. –Ele desce do carro e eu faço o mesmo. –Então quero dormir hoje com você aqui.

 

Acabo sorrindo ao escutar isso. Volto a olhar a casa bem em nossa frente e logo vamos até a entrada da mesma.

 

-Comprou há muito tempo? –Pergunto enquanto entramos.

 

-Não. –Diz simples ao que fecha a porta atrás de si, trancando-a logo em seguida. –Eu comprei no mês passado.

 

Passo por um pequeno corredor, cujo o piso é de madeira polida, e logo chego na sala. É bem espaçosa, com grandes janelas de vidro; dando uma bela vista da praia iluminada pela luz do luar à fora.  Dois sofás grandes, de cor bege, e em frente a eles um tapete grande felpudo de cor branca. Um pouco à frente tem uma lareira e em cima da mesma, uma televisão suspendida na parede.

 

-O que achou? -Ouso a voz de Taehyung se aproximar de mim. Viro-me e ele estende uma taça fina em minha direção, com um líquido claro dentro da mesma.

 

-Ela é linda.

 

-Champanhe. –Diz simples enquanto ergue o braço com a sua bebida até mim. –Um brinde a nós? -Apenas me permito sorrir bobo em sua direção.

 

-A nós. –Repito a sua ação e logo brindamos as taças.

 

Estou feliz novamente. Estar aqui, com ele, me deixa assim. Eu não poderia pedir coisa melhor.

 

-Vamos lá fora? –Pergunta, colocando a sua taça vazia em cima do balcão que separa a sala da cozinha.

 

-Vamos. –Repito seu ato novamente e observo o mesmo ir em direção ao pequeno corredor, entrando em um cômodo que julgo ser o banheiro. –Você vai entrar na água? –Pergunto sorrindo assim que vejo ele voltar com duas toalhas brancas em suas mãos.

 

-Sim. –Caminha até mim novamente. -Quero curtir essa noite de todas as formas possíveis aqui com você.

 

Ele ergue uma toalha até mim e logo trato de pegá-la. Começamos a andar novamente até a porta e logo em seguida vamos em direção à praia deserta e escura; com apenas a luz da lua sobre o mar. O vento correndo livremente, batendo em nossa pele e assanhando nossos fios em reação. O som das ondas se findando na areia branca. Todo o cenário aqui se torna simplesmente único e agradável com tudo isso.

Paramos de andar e colocamos nossas toalhas juntas no chão. Logo tiramos os sapatos, deixando nossos pés em contato com a areia branca. Olho para Tae e, apesar de estar um pouco escuro, consigo ver seu rosto perfeitamente. O mesmo começa a tirar a sua camisa social, desabotoando cada botão com calma enquanto olha as ondas se findarem. Também começo a me despir, tirando o cinto em volta da minha calça e logo tirando-a em seguida; ficando apenas com minha box de cor vermelha. Levo minhas mãos até os botões da minha camisa e começo a desabotoá-los, observando agora Tae tirar a sua calça e ficar apenas com a sua box de cor cinza.

Se somos loucos de entrar essa hora na água? Somos. Com toda certeza.

Taehyung pega na minha mão e corre em direção ao mar, ainda iluminado pela luz da lua. A água um pouco fria bate contra as nossas pernas, me fazendo arrepiar com o choque na mesma hora. Continuamos andando até a água bater em nosso quadril, molhando a metade do nosso corpo.

 

-Por que a gente entrou aqui? –Pergunto segurando a vontade de rir. -Isso é loucura.

 

-Não sei. –Ele responde sorrindo. –Geralmente isso é romântico em filmes.

 

Acabamos sorrindo com o seu último comentário. Sinceramente, isso é bem melhor em filmes do que na vida real. Porém, estar aqui com Taehyung me deixa relaxado e feliz; não me importo se não está tão romântico como nos romances de ficção. O que importa é que estou aqui, com ele.

Em um movimento repentino, tenho o meu rosto e alguns fios do meu cabelo molhado pela água salgada do mar. Taehyung acabou de juntar as mãos e jogar a água em mim como forma de brincadeira. Sorrio com o seu ato e logo trato de fazer a mesma coisa, jogando água contra o seu corpo em minha frente.

Olhando dessa forma parecemos duas crianças se divertindo juntas. Nossos risos de diversão por simplesmente estar fazendo isso me fez lembrar da minha infância e em como eu me divertia bastante quando ia à praia. Sinceramente, isso aqui está melhor que cena de filme.

Em um movimento rápido Tae abraça o meu corpo, me impedindo de jogar água em si. Tento me soltar que nem uma criança birrenta e logo tenho o meu corpo erguido com facilidade. Taehyung me coloca sobre o seu ombro e dá um pequeno tapa em minha nádega, como se estivesse me repreendendo por tentar se soltar. A fim de provoca-lo mais, começo a me debater mais ainda, fazendo questão de bater em suas costas com as mãos. Ele apenas me dá outra tapa, o que me faz rir logo em seguida.

 

-Se continuar rebelde desse jeito eu vou ter que te dar palmadas.

 

Acabo sorrindo novamente ao relembrar da primeira vez que ele me disse algo parecido.

 

“Garotos rebeldes merecem boas palmadas”

 

Uma onda de nostalgia começa a percorrer em minha cabeça, me fazendo lembrar de diversas coisas que aconteceu com nós dois durante todo esse tempo; desde a primeira vez que nos envolvemos naquela banheira, até agora.

 

[...]

 

Aqui estamos nós, deitados sobre os lençóis da cama, agarrado um ao corpo do outro depois de termos feito um sexo intenso. Prazeroso. Isso é uma das coisas que eu mais gosto nesse mundo; estar em seus braços como estou agora. Taehyung tem os seus dedos envolvidos nos meus fios negros, fazendo um certo cafuné em minha cabeça. Apenas me permito fechar os olhos e aproveitar o seu carinho.

 

-Kook, eu pensei bastante em um assunto. –Ele faz uma pequena pausa. –Eu decidi ir vê-la.

 

Acabo sorrindo ao ouvir o que ele disse. Ergo o rosto e o olho nos seus olhos.

 

-Irá ver a sua mãe? –Ele assente com a cabeça. –Eu fico feliz em saber isso. –Dou-lhe um selinho rápido. –Mesmo que você não ache, isso irá te fazer bem.

 

-O Namjoon falou a mesma coisa que você. –Suspira, desviando os olhos para qualquer outra parte do quarto. –Vocês não a conhece, por isso me falam isso, que as coisas vão melhor se eu tiver uma conversa com ela. –Ele sorri irônico. –Pra falar a verdade eu ainda não sei como decidi vê-la.

 

-Eu não a conheço, mas se ela te defendeu naquele dia em que seu pai estava te humilhando, que dizer que ela se importa, nem que seja um pouco, com você. –Ele ainda continua olhando para qualquer outra parte do quarto, evitando me olhar. –Tae, eu sei que é complicado pra você toda essa história, mas as coisas não vão melhorar se continuarem do jeito que estão. –Seguro o seu queixo, fazendo o mesmo me olhar novamente. –Eu consigo ver nos seus olhos que você quer vê-la, até porque, depois de tudo o que aconteceu, nada vai mudar o fato dela ser a sua mãe.

 

-Kook, eu falei pra mim mesmo que eu não tenho mais uma mãe. –Diz sério. –Eu queria pensar dessa forma, que ela se importa comigo, mas não consigo. –Suspira. –Eu quero vê-la sim, pelo menos pra ver se consigo sentir algo ao olhar nos olhos dela.

 

-Posso te fazer uma pergunta? –Digo e ele assente. -Quais são seus sentimentos por ela?

 

-Nenhum. –Fala sem nenhuma expressão no rosto.

 

Eu pensei que não iria ser tão difícil pro Tae quando fosse encontrar a mãe, mas eu me enganei. Quando se trata dos pais, Taehyung se torna uma pessoa fria e sem sentimentos. É como se eles nem estivessem mais vivos ou existissem. Para Tae, eles são completamente desprezíveis.

Eu não o julgo por isso ou algo parecido, aliás, ele tem motivos para agir assim com os pais. Sofreu e foi humilhado por eles, isso é o que mais o afeta até hoje. Eu sei que Tae não está concordando muito comigo no fato dela talvez se importar com ele, mas mesmo com tudo isso, mesmo com tudo o que passou, ela não deixa de ser a sua mãe; nunca. Eu acredito que as pessoas podem mudar, tanto para o bem quanto para o mal, elas são quem escolhe isso. Além de tudo, eu acho bom que ele vá vê-la, assim ele pode tirar a própria conclusão e ver se ela realmente mudou depois de todo esse tempo. Quem sabe, talvez, ele volte a ter sentimentos por ela. Sentimento de um filho para uma mãe. Eu sinceramente espero que isso aconteça.

 

-Pretende ir vê-la quando? –Quebro o silêncio entre nós dois. Ele me olha.

 

-Se você for comigo, amanhã mesmo eu vou. -Eu apenas sorrio de leve e assinto com a cabeça.

 

 

*¨*¨*¨*¨*

1 dia depois

12:24 P.M

 

-É isso mesmo o que eu ouvi? Ele finalmente decidiu ver a mãe?

 

A voz animada e surpresa de Jin soa pelo outro lado da linha, me fazendo rir no mesmo instante.

 

-Sim, hyung, iremos vê-la hoje depois do almoço.

 

-Fico feliz por ele. Talvez isso o ajude.

 

-Eu disse a mesma coisa ontem. Acredito que ela tenha mudado.

 

-Também acredito, mas podemos nos enganar. É bom você ficar esperto, se notar que deve ir embora, não pense duas vezes antes de ir.

 

-Irei prestar atenção.

 

-Uma pergunta, onde vocês estão?

 

Acabo soltando um riso baixo ao notar seu tom curioso e ao mesmo tempo preocupado.

 

-Estamos em um restaurante no centro da cidade. Taehyung foi ao banheiro.

 

-Restaurante? Você já comeu?

 

-Já.

 

-Se alimentou bem?

 

-Sim, Hyung.

 

-Ótimo. É bom saber que Taehyung cuida mesmo bem de você.

 

-Falando assim até parece que sou uma criança.

 

-Ué, você não é?

 

Ouso ele sorri do outro lado da linha.

 

-Claro que não, hyung.

 

Olho Tae se aproximar da mesa novamente e logo se sentar em minha frente. O mesmo pergunta com quem estou falando e logo respondo “Jin Hyung”.

 

-Qualquer coisa é só ligar pra mim ou pro Nam. Estamos no restaurante.

 

-Tudo bem.

 

Me despeço e encerro a chamada, guardando o celular no bolso logo em seguida.

 

[...]

 

 

@[email protected]

13:34 P.M

 

Nervoso e estático. É como me encontro nesse exato momento. Eu e Jungkook ainda estamos dentro do carro, no estacionamento do hospital psiquiátrico, com o carro completamente parado na vaga. Minhas mãos estão suando frio enquanto seguro com força o volante, o meu corpo está levemente arrepiado. Sinais de pura ansiedade. Eu estou muito ansioso, mas não pro lado bom, na verdade, pro lado mal.

Decido respirar fundo e manter a calma. O carro ainda continua com o mesmo silêncio de mais ou menos uns dez minutos atrás. Não olhei para Jungkook nem sequer uma vez desde que parei o carro aqui, mas sei que ele está me olhando; preocupado. A verdade é que isso tudo me deixa tenso. Vir aqui me traz lembranças ruins e isso é o que mais me incomoda. Nem que eu quisesse lembrar do que aconteceu no passado, eu não conseguiria, pois, a primeira coisa que vai vir em minha mente quando eu olhar nos olhos dela, é tudo o que aconteceu há alguns anos atrás. Simples assim. É inevitável.

 

-Não tenha pressa. –A voz de Jungkook quebra o silêncio entre a gente. –Só saia do carro quando se sentir disposto a ir.

 

Apenas o olho e suspiro. Sua mão vem até o meu rosto, logo fazendo um carinho de leve em minha bochecha. Apenas fecho os olhos e me permito relaxa por alguns segundos. Oras, isso não pode me afetar tanto assim. Eu não posso permitir isso. Sei que o que ela fez comigo é algo que me machucou muito, até hoje machuca, mas mesmo assim isso não muda o fato dela ser a minha mãe; como o Jungkook tinha me dito.

De acordo com o que Nam disse, ela está internada vai fazer um ano e meio. Ficou fora de si e agora precisa tomar remédios controlados, caso o contrário ela pode ter algum ataque de loucura.

Respiro fundo novamente e logo saio do carro, vendo Jungkook fazer o mesmo. Começo a andar em direção a recepção do hospital, logo avistando uma mulher de uniforme, cabelos presos, em frente a um computador sobre o balcão. Aproximo-me aos poucos e ela logo me olha, esperando que eu fale algo.

 

-Boa tarde. –Diz educadamente.

 

-Boa tarde, eu vim visitar a paciente Yura.

 

-Só um momento. –Ela volta a digitar sobre o teclado por alguns segundos. –O nome do senhor é Kim Taehyung?

 

-Sim, sou eu. –Falo simples.

 

Olho para Jungkook ao meu lado e vejo o mesmo olhar ao redor, curioso. Faço o mesmo e logo percebo o quão grande e organizado é o hospital.

 

-A paciente Yura está no décimo segundo andar. –Fala. –Esse cartão lhe dá acesso para entrar e sair do quarto que possui o número três na porta. Caso precisem de algo, é só chamar pelo telefone que tem ao lado da cama da paciente. -Ela me entrega o pequeno cartão.

 

Apenas assinto com a cabeça e caminho até o elevador não muito distante da gente. Assim que entramos, espero a porta se fechar novamente e logo me permito fechar os olhos, procurando manter a calma. Tentando controlar a minha ansiedade que cresce cada vez mais.

As portas de aço se abrem novamente, indicando que chegamos no décimo segundo andar. Saímos no elevador e começamos a andar pelo longo corredor, olhando atentamente cada número nas portas. Assim que avisto o número três, vou em direção da mesma, logo passando o cartão em frente ao sensor de segurança. Um som positivo sai do alarme e a porta logo é destrancada, fazendo com que eu coloque a mão na maçaneta e abra a mesma com calma, colocando o rosto entre a pequena fresta antes de abri-la por inteira.

 

-Amor. –Sinto a mão de Jungkook segurar a minha. Apenas o olho. –Quer que eu fique aqui fora? –Pergunta.

 

-Não, eu quero que entre comigo.

 

-Talvez ela não se sinta confortável com minha presença, Tae, acho melhor você ter um momento a sós com ela. –Suspira.

 

-Mas eu não ficarei confortável sem você lá. –Olho nos seus olhos. –Por favor, entre comigo. -Ele suspira novamente e logo assente de leve com a cabeça.

 

Volto a fazer o que eu estava fazendo e abro a porta por inteira, logo adentrando no quarto parcialmente escuro – por conta das cortinas que estão fechadas –, com apenas um abajur acesso ao lado da cama. Pela primeira vez, depois de três anos, estou vendo novamente o rosto dela, Yura, a mulher que me colocou no mundo. A sua pele já não é mais a mesma de antes, algumas marcas de idade já estão se fazendo presente. Até parece que o tempo se passou muito mais rápido para ela. Seus lábios estão ressecados e suas mãos estão finas e magras, o que me faz pensar que ela está fora do peso ideal para o seu corpo. Ela parece desnutrida e desidratada. Alguns de seus fios de cabelo, castanhos e alguns brancos, estão um pouco bagunçados; talvez por estar dormindo. Ela ainda não abriu os olhos desde que entrei no quarto.

Respiro fundo enquanto dou pequenos passos em direção da cama dela. Assim que chego perto o bastante, noto a sua respiração desacelerada; muito lenta. Olho para Jungkook e ele inclina a cabeça pro lado enquanto me olha, esperando que eu faça algo.

 

-Yura. –Falo com uma voz suave. Enquanto me sento na cama, bem ao seu lado. Ela não faz nada, apenas continua com os olhos fechados. –Yura, sou eu, o Taehyung.

 

Aos poucos, vejo os seus olhos se abrirem devagar, me dando visão das suas orbes castanhas. Sua mão destra vem de encontro ao meu rosto, tocando a minha pele com curiosidade. Seus dedos deslizam sobre o meu nariz e sobem até os meus olhos, o que me faz fechá-los. Apenas ouso um pequeno sorriso sair dos seus lábios, logo seguido de uma pequena arfada baixa.

 

-Taehyung, é você mesmo? –Ela leva suas mãos aos meus fios de cabelo, percorrendo os dedos sobre minhas mechas. –Você está tão diferente. –Sorri enquanto me olha nos olhos.

 

-Sou eu. –Falo com um tom de voz neutro, apenas observando suas atitudes.

 

-Eu pensei que nunca mais te veria. –Prensa os lábios, evitando chorar. –Você não sabe o quanto eu senti a sua falta.

 

-Eu não sabia que estava aqui. –Pego a sua mão, segurando-a firmemente. –Preciso que me diga como veio parar nesse hospital.

 

O sorriso que antes estava no rosto, vai se diminuindo aos poucos, Talvez por conta da minha pergunta. Não demora muito e ela olha para Jungkook, não muito distante de nós, ao lado da porta e muda completamente de assunto; fugindo ao máximo da minha pergunta.

 

-Quem é esse belo rapaz? –Me olha. -Seu amigo?

 

-Ele é o meu noivo, Jeon Jungkook.

 

-Noivo? –Arregala levemente os olhos. –Mas e aquele garoto que você fez juras de amor eterno? Baekhyun?

 

-O Baek não é mais o dono do meu coração. –Falo simples. –Ele é passado para mim. –Olho para Jungkook. –Pode até soar um pouco irônico, Yura.. –Olho novamente para ela. –Mas se não fosse você e o seu preconceito, talvez eu nunca teria encontrado o homem da minha vida. –Sorrio enquanto olho para Kook. 

 

-Tem razão. –Suspira fraco. –Eu estava completamente errada naquela época em ter te julgado, filho, se é que ainda posso te chamar assim.

 

Olho para Jungkook e na mesma hora ele franze o cenho, esperando que eu fale algo logo em seguida. Apenas suspiro.

 

-Irei transferi-la para um hospital melhor. –Digo e ela segura meu pulso.

 

-Por favor, filho, diga que me perdoa. –Me olha com os olhos levemente arregalados. –Diga que me perdoa por tudo o que eu te fiz.

 

-Yura, eu... –Ela me interrompe.

 

-Por favor, Tehyung, eu preciso do seu perdão para assim poder descansar em paz.

 

-Do que está falando? –Pergunto sem entender.

 

-Eu estou nos meus últimos dias, filho. –Ela sorri fraco. –Eu não posso ir sem o seu perdão.

 

-Pare de falar isso. –Levanto rápido da cama. –Eu irei tirá-la daqui, você irá para um hospital bem melhor que esse e logo ficará bem novamente.

 

-Taehyung, me perdoe. –Repete a mesma frase novamente.

 

Olho para Jungkook e vejo o mesmo escorado na parede, olhando toda a cena, perplexo. Noto os seus olhos um pouco marejados e a ponta do seu nariz levemente rosado. Ele está emotivo.

 

-Tae, eu vou no banheiro. –Diz rápido e logo sai do quarto, me deixando a sós com ela.

 

-Eu só quero o seu perdão, filho. –Sorri fraco enquanto me olha novamente. –Apenas isso.

 

Suspiro fundo e logo trato de sentar novamente na ponta da cama; ao seu lado. Seguro a sua mão fina e gelada com firmeza, olhando fixamente nos seus olhos. Imediatamente um vontade de chorar se faz presente em meu interior, mas apenas fecho os olhos; buscando me controlar contra isso. Sinto sua mão livre vir de encontro ao meu rosto novamente, deixando um certo carinho sobre a minha pele. Abro os olhos e a observo, vendo algumas lágrimas escorrerem sobre seu rosto.

 

-O meu filho se tornou um homem. –Sorri baixo. –Eu não poderia estar mais feliz. -Apenas sorrio sem mostrar os dentes, sentindo uma vontade de chorar cada vez mais forte em meu interior. -Eu lembro como se fosse ontem, você em meus braços, Taehyung, ainda era um bebê inocente e indefeso. O tempo passou rápido, agora o pequeno bebê, que eu tanto segurava nos braços, está assim hoje, um lindo homem.

 

-Por favor, não precisa falar essas coisas. –Prenso os lábios, já sentindo os meus olhos marejarem.

 

-Me desculpe, mas essas são as memórias que eu faço questão de guarda-las até o fim. –Suspira. –Eu quero que saiba que eu te amo, filho, e irei me odiar até o meu último dia por tudo o que fiz com você.

 

-Por favor, não fale mais nada. –Minha voz sai embargada. –Apenas aceite que eu a leve para um hospital melhor que esse.

 

-Taehyung, apenas me perdoe. –Aperta a minha mão firmemente. –Só te peço isso.

 

Sem que eu perceba de imediato, algumas lágrimas começam a escorrer sobre meu rosto. É a gota d’água para mim, apenas me permito chorar enquanto assinto com a cabeça.

 

-Eu te perdoo, mãe.

 

Ela sorri, logo se permitindo chorar com vontade; deixando as lágrimas rolarem. Suas mãos vão até os meus ombros, fazendo com que eu vá de encontro ao seu corpo, me puxando para um abraço. Apenas abraço o seu corpo, percebendo que ele está mais frágil que da última vez que o abracei.

 

-Eu estava errada, Taehyung, sobre tudo. –Sua voz sai embargada enquanto ainda me abraça. –Eu apenas quero que você seja feliz e tenha uma vida feliz, ao lado da família que você construir. Não importa o que você escolha, você terá a minha benção, filho.

 

-Eu estava precisando ouvir isso, obrigado mãe. –Falo por fim, ainda chorando.

 

É bom poder sentir novamente o que eu não sentia há anos. O amor de uma mãe por um filho.

 

[...]

 

19:43 P.M

 

Passaram-se algumas horas desde que voltei do hospital. Nesse exato momento estou dentro da minha banheira, com os olhos fechados, apenas ouvindo a voz suave de Jungkook cantando uma música qualquer. O mesmo está fazendo uma massagem, sentado atrás de mim, me fazendo relaxar cada vez mais que os seus dedos deslizam sobre as minhas costas, logo subindo de volta até meus ombros novamente.

 

-Eu decidi não perguntar mais nada a ela. –Falo ainda de olhos fechados. –Vou esperar que ela fique melhor de saúde.

 

-Eu não queria ter que perguntar isso, mas eu preciso. –Ele se abraça ao meu corpo, apoiando o rosto em meu ombro. –O que vai fazer quanto ao seu pai? –Sua voz sai mais baixa que o normal.

 

-Apenas quero distancia dele. –Falo sério.

 

-E o seu irmão?

 

Na mesma hora inclino o meu corpo, fazendo com que ele me solte, e me viro de frente pro mesmo. Ele suspira, desviando os olhos dos meus.

 

-O que quer que eu faça? –Pergunto franzindo o cenho.

 

-Eu não quero que você faça algo, eu apenas estou perguntando.

 

-Eu acho que já chega de perguntas sobre aquele cara, não acha?

 

-Eu estou falando do seu irmão, Tae.

 

-Eu não quero saber, Jungkook. –Sem que eu perceba de imediato, acabo elevando um pouco a voz.

 

-Não acha que essa sua atitude é um pouco precipitada? –Cruza os braços, me encarando. -Ele é o seu irmão e é apenas uma criança no meio de toda essa história.

 

-Precipitada? –Franzo o cenho. -Só porque ele é meu meio-irmão, não significa que eu tenho que conviver com ele.

 

-Taehyung, eu apenas te fiz uma pergunta. –Fala sério enquanto se levanta da banheira.

 

-Onde você vai? –Pergunto.

 

-Te dar um tempo. –Ele pega a toalha e enrola na cintura. –Acho que você precisa de um tempo sozinho. -É a última coisa que ele diz antes de sair do banheiro.  

 

Droga! A última coisa que eu queria nesse exato momento era ter me desentendido com o Jungkook, mas a questão é que eu simplesmente não quero tocar nesse assunto em hipótese alguma.

Talvez seja uma atitude precipitada? Sim, talvez, mas eu não consigo evitar.

Parece que o senhor Kim conseguiu a bela e perfeita família, aliás, segundo ele, ter um filho que prefere homens do que mulheres é ter uma doença incurável ou ser simplesmente uma aberração. Uma vergonha para a família. Hayato, pelo o que eu lembro, é o nome do garoto pela qual eu tenho certeza ser o orgulho dele.

Se bem que o destino pregaria uma peça com o Kim, caso o garoto, já adulto, encontrasse alguém do mesmo sexo e se apaixonasse. Com toda certeza seria uma bela peça. 

 

Continua...

 

 


Notas Finais


O que acharam do capítulo?? ^^

~Comentem~ Fico feliz quando comentam!!
Desculpem-me qualquer erro.

Até o próximo!
Beijinhos da Tai ❤


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