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História Dangerous territory - Capítulo 2


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Notas do Autor


" We're sick of living in the shadows/
We've one more chance before the light goes"

U2

Capítulo 2 - Capítulo 1


Fanfic / Fanfiction Dangerous territory - Capítulo 2 - Capítulo 1

                     6 meses antes...

Era uma noite fria de agosto e eu estava pronta para ir a um pequeno festival de rock no bairro vizinho. Levava apenas doze minutos de casa até lá, quinze no máximo e eu torcia para que ninguém me reconhecesse na rua. Encarei minha imagem no espelho pela terceira vez, eu não me considerava bonita, na verdade ninguém além das minhas amigas e Anthony (a minha sombra ou melhor amigo, como preferirem) que insistiam em dizer que eu "apenas não saía" e por isso não ficava com ninguém. 

Eu fingia acreditar para eles pararem de encher meu saco, mas tinha consciência da verdade: com certeza não seria notada no meio de uma multidão. Talvez a minha personalidade pudesse chamar atenção, mas minha timidez era um caso sério, então, aos dezessete anos eu já estava mais do que convencida de que seria a tia dos gatos. Um pouco drástica, porém era o que a minha auto estima me disponibilizava naquele momento.

Eu havia escolhido um vestido preto que não saía do meu armário há mais de um ano, botas de cano curto e o bom e velho batom vermelho que sempre me acompanhava. Coloquei meus óculos, peguei a bolsa e pulei a janela antes que o senso apitasse dentro de mim e eu desistisse para ficar em casa assistindo RuPaul's. Encostei a janela tentando fazer o mínimo de barulho e corri em direção ao corredor do quintal que levava ao portão dos fundos. Seria uma noite e tanto, eu estava sentindo.


                               🌻🌻🌻


Ao chegar a Sunnydale senti um leve revirar no estômago, mas passou assim que percebi o quanto a noite estava linda. A rua histórica pouco iluminada era embalada pelo brilho da lua que revelava sua beleza. Cheia, plena. Uma banda tocava clássicos como Pink Floyd e Led Zeppelin, procurei um lugar mais afastado para aproveitar o show sem que ninguém percebesse a minha presença, mas quando eles começaram a cantar Suspicious Minds foi impossível não soltar a voz.

-Me disseram que você era fã.- ouço uma voz abafada às minhas costas, viro os calcanhares , o plano era não ser reconhecida, porém...

-Adam?!- eu devia imaginar que ele estaria aqui, ele nunca perdia esses festivais, mas principalmente uma oportunidade para beber. Adam era meu professor de matemática, mas conversávamos às vezes o que significava que isso podia dar bom...ou não.

-Acho que Clara não sabe que você está aqui, não é?

-Lógico que não, é a minha mãe. Mas você não vai contar...vai?- perguntei inclinando a cabeça e fazendo a carinha mais fofa que eu conseguia. Ele riu.

-Como seu professor eu deveria te levar para casa agora.- "merda" pensei.- Mas como amigo digo que se divirta.- dei um sorriso amplo em forma de agradecimento, ele ergueu sua garrafa de cerveja e se afastou sumindo no meio da pequena multidão.


Adam sempre foi o professor divertido embora concedesse apenas às meninas o privilégio de conhecê-lo, o que é claro era mau visto por alguns...inclusive por mim, até ele se aproximar e eu perceber o quanto ele podia ser um cara gente boa. Ele sempre percebia quando eu estava triste, perguntava se eu queria conversar (o que sempre neguei), me dava alguns puxões de orelha quando eu deslizava em alguma matéria, mas nosso relacionamento se resumia a isso.


Depois de mais algumas faixas decidi comer alguma coisa e me diriji ao outro lado da praça onde se encontravam as barraquinhas de comida. Uma senhora muito simpática no carrinho de hambúrguer aceitou não colocar carne em meu sanduíche após eu tentar explicar com todo aquele barulho que era vegetariana. Depois de alguns minutos ela retornou com meu lanche embalado em um saquinho branco.


-Aqui está, querida.- ela disse.

-Obrigada.-  respondi sorrindo e a pagando até que senti um puxão em meu braço.

-Vem aqui, gata. Vamos dançar.

-Gata?- repeti com deboche, mas ele parecia bêbado demais para perceber qualquer coisa, seus olhos injetados e o copo com o que parecia rum indicavam isso.- Olha cara, me solta. - disse ainda tentando ser gentil.

-Para quê? A noite é uma criança, você podia me dar uma chance...- ele replicou com a voz arrastada me trazendo para perto e consequentemente sarrando em mim. Tentei me desvencilhar de seu aperto, mas claramente ele era três vezes mais forte que eu e duas vezes mais alto. -Ah, qual é? Você está usando um vestido desse e acha que nenhum homem chegaria em você?

-É o que se espera de qualquer pessoa civilizada, agora me solta!- esbravejei perdendo a paciência.

-Você ouviu ela, cara. Só sai.- ouvi a voz de Adam, ele encara o homem e o mesmo sibila me soltando na hora.

-Foi mal, mano. Não sabia que ela estava acompanhada.


Meu sangue ferveu e foi impossível não revirar os olhos para aquela situação. Enquanto se afastava de costas o homem tropeçou derrubando toda a bebida em mim.

-Filho da puta! Some daqui! Mas que inferno.- grito sem qualquer complacência, ele era um babaca. Babaca, escroto, machista do caralho.


Ele se apressa tropeçando entre as pedras e as pessoas como se de uma hora para outra acordasse, tento limpar a bagunça que ele fez em minha roupa, mas não tem jeito. Como eu explicaria meu vestido cheirando a bebida em casa? Eu estava fudida. Olho para cima e Adam está rindo de mim, se segurando para não rir, mas claramente sorrindo.

-O que foi? - perguntei estressada.

-É engraçado te ver xingando.- ele respondeu dando de ombros.

-Eu não acho essa situação nada engraçada.- disse de cara fechada.

- Você tem razão, não há nada de engraçado aqui.- ele disse cruzando os braços.-Vem, vou te levar para casa.

-O quê? Eu não vou para casa agora. Não é nem meia noite.

-E olha o que já aconteceu. A sua cota já deu por hoje, não quero você se metendo em mais confusão.- ele respondeu erguendo a sobrancelha esquerda, revirei os olhos. Ele não podia mandar em mim, mas toda aquela situação tinha acabado com qualquer clima para o show e não ter que pegar o ônibus para ir para casa seria ótimo.

-Só para deixar claro, eu não estou muito feliz com você também.- disse esbarrando meu ombro em seu braço e seguindo em direção ao seu carro que eu conhecia por estar sempre estacionado enfrente a escola.

-Oxe, o que eu fiz?- ele perguntou vindo atrás de mim.





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