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História Daqui até Valhalla - Capítulo 3


Escrita por:


Notas do Autor


Olá leitores, vim com mais um capitulo para esse site. Espero que estejam gostando e se divertindo com a leitura, peço perdão se houver erros, mas estou escrevendo essa história com todo o carinho porque gosto muito dessa ideia toda e queria passar ela para vocês. Boa leitura!

Capítulo 3 - Capítulo 3 - Olhos Azuis


Aylla corre pelos corredores de Kattegat, uma confusão estava tomando a cidade. Muitas pessoas gritavam e corriam com crianças no colo e muitos outros pegavam seus armamentos e corriam em direção a praia. A garota corria desesperada em direção ao pequeno lugar de madeira onde ela dormia com sua amiga Freurie. Ela precisava pegar as armas que guardou de seu pai, seu machado, escudo junto ao arco e flecha. Eles ficavam em baixo da cama de Aylla, escondidos, ela sempre os manteve ali, desde quando começou a se tornar uma escrava. Ela corre e uma flecha quase a acerta na perna, olhando para o lado, vendo um viking diferente, nunca tinha o visto antes, sabia que pertencia a outro exercito. Ele para e a olha, com um arco e flecha diferente do que ela usava, era o mesmo que a Torvi usava. Aylla nunca comandou esse tipo de armamento, tão diferente assim, costumava usar o antigo, porque na época de seus pais, eles e inclusive ela ainda não tinha visto aquele tipo. O homem, mira em direção a ruiva novamente, que rapidamente se esquiva e corre, ele corre atrás dela, mas acaba se encontrando com um outro viking que pertencia a Kattegat. Ele mata o estranho e olha para Aylla, que estava parada vendo a ação.

"Corra!" O Viking grita.

"Obrigado, Louhis." Aylla agradece com um sorriso e volta a correr até o seu destino.

Muitas pessoas estavam correndo em direção contrária de Aylla, esbarrando-a sempre, a fazendo cambalear, mas mesmo assim não desistiu, precisava proteger aquele pessoal, era o seu povo, se ela queria ser uma dama do escudo, tinha que se arriscar e provar para Lagertha que ela era muito mais que apenas uma escrava medrosa. Algo também passava em sua cabeça, onde estava a sua amiga, não conseguia imaginar aonde estava Freurie, precisava também encontrar a amiga, não a deixaria para trás em nenhum momento, ainda mais sabendo que a mãe de Freurie antes de morrer, deu total apoio a Aylla, quando ainda era uma criança assustada e não sabia se cuidar.

Ela chega em seus aposentos e entra com tudo, fazendo a porta fazer um grande barulho quando se chocou com outra madeira. O lugar estava vazio, não havia sinal dela. Correndo para a cama, Aylla se abaixa o máximo possível para arrastar uma caixa de madeira no qual estava o seu machado. Ela tenta observar, mas a escuridão não a deixa ver nada. Não havia claridade alguma entrando no quarto e isso a atrapalhou para achar o escudo e seu arco e flecha. Aylla decide entrar abaixo na cama, quando ela sente a presença de alguém. Uma pessoa tinha entrado em seu quarto, ela podia escutar as pisadas.

***

Ivar tinha chegado a Kattegat, junto ao exército de Harald e o seu irmão. Ele olhava para aquela cidade, se encontrava ainda no barco, começou a observar cada parte dela de longe, lembrando de quando vivia ali com sua família e um nó cresceu em sua garganta junto um aperto no peito. Lembrou de sua mãe e o quanto ela o protegia, hoje ele se via sozinho, tinha crescido e sabia que a qualquer momento, isso tinha que acontecer. Todos tinha deixado o barco, menos Ivar, ele observava e apreciava as pessoas correndo com desespero com a sua chegada inesperada. Não pensava que Harald fosse aceitar o seu plano, mas era a única forma de mostrar que ele não esquecia das coisas e seus objetivos estavam em primeiro lugar. Se o rei não tivesse aceitado, ele iria sozinho, por mais que as pessoas pense que ele é um aleijado, mas não era assim que se via. Conseguia observar e sentir os deuses o protegendo e esse pensamento, o causava forças o suficiente para ele guerrear. A força que não tinha em suas pernas, tinha em seus braços e mãos, derramando sangue de vários.

Seu maior objetivo era ir atrás da rainha, não pensaria duas vezes, estava pronto para isso. Apesar dela ser valente e forte, sabia que os dias dela estavam chegando.

"Espero que esteja preparada para a sua morte." Ele sussurra ao pensar em Lagertha.

Ivar, por fim, deixa o barco, com dificuldades, mas não queria que dependesse de ninguém para o ajudar, não gostava de receber olhar de caridades das pessoas, isso só o deixava com uma imagem de fraqueza e não era isso que o pai dele tinha falado. Sentia falta de Ragnar, muito mais que sua mãe. Apesar dele passar pouco tempo junto a ele, mas era foi o suficiente. RagnarAslaug Floki foram os únicos que via capacidade nele e os deuses tiraram eles de Ivar, antes mesmo dele mostrar a sua determinação. Por mais que Floki ainda continuava vivo, ele estava pelos mares, nunca mais o veria de novo, sabia disso, tinha que colocar em sua cabeça que estava morto e mais uma tortura crescia dentro do garoto. Ivar vivia em constante agonia, apesar de parecer ao contrário, ele sofria e sentia, assim como todos.

Uma lembrança vem em sua mente, o dia em que deixou seu pai ao lugar que ele ia morrer, quando ele o olhou nos olhos e a confiança foi sentida pelo garoto, sabia que Ragnar o amava.

"Um dia o mundo inteiro saberá e temerá, Ivar O Desossado. " Ragnar dizia com as mais sinceras palavras para o filho.

Ivar, fecha os olhos e sente a voz do seu pai em sua cabeça e isso o faz sentir novamente um aperto em seu peito. Ele sabia que aquelas palavras eram verdadeiras, porém, não sabia se isso realmente acontecesse e se caso fosse verdade, não sabia que isso significaria a separação de sua família.

"Quem sabe pai..." Ele sussurra.

***

Um desespero cresce dentro de Aylla, que se encontrava debaixo de sua cama. Cada vez mais os paços ficavam próximo a ela. Ela passa a sua mão de leve na caixa, tentando não fazer barulho, encontrando o machado. Queria ter certeza se era alguém do exército oposto, antes que atacasse a pessoa errada. Aylla pega um pequeno prendedor que segurava os seus cabelos por trás de sua orelha esquerda, e joga para o lado aonde estava a cama de sua amiga. Por mais que a escuridão tomava conta do lugar, ela sabia onde ficava exatamente cada coisa ali. Rapidamente a pessoa corre em direção a cama oposta.

"Aylla, você está aqui?!" Uma voz desesperada e conhecida se forma no lugar.

Aylla rapidamente sai debaixo da cama com os armamentos e se posiciona de pé.

"Freurie!" Aylla abraça a amiga, que estava tremendo.

"Eu achei que você estava morta,precisamos fugir." Freurie diz desesperada, olhando em direção a porta.

"Se acalma Freurie." Ela segura nos dois ombros da amiga. "Primeiro precisamos sair dessa escuridão." A ruiva coloca o machado em seu pequeno cinto que segurava o vestido em sua cintura e traspassa o arco e flecha por seu corpo, junto a pequena bolsa que tinha as flechas. As duas correm para fora, podendo assim, avistar a amiga, com a claridade do fogo e a luz do luar que cercava Kattegat.

"Aylla, o que são essas coisas?" Freurie olha com surpresa para amiga, que estava coberta por armamento.

"Me escuta, você vai correr para a floresta." Aylla a olha nos olhos.

"Mas e você?!" A morena diz desesperada.

"Eu vou ficar e lutar." A ruiva tira de seu corpo o arco e flecha e deixa em suas mãos, ficando preparada para qualquer contratempo.

"Você está louca?" A garota diz indignada com Aylla. "Eu não vou te deixar para trás."

Aylla olha em volta e observa muitas mulheres correndo com seus filhos, em direção a floresta. Muitas delas tropeçavam e se machucavam, não conseguindo correr e nem ajudar as crianças.

"Ajude-as." Aylla aponta para as mulheres.

"Mas..." Freurie indaga a amiga.

"Vai logo. Eu prometo que irei em seguida, apenas preciso resolver algumas coisas." Aylla olha em direção ao exército oposto, que matava pessoas de Kattegat.

"Por favor, toma cuidado." O desespero é visível na voz de Freurie Aylla resolve abraçar a sua amiga fortemente, em seguida a soltando e observando ela sumindo aos poucos e indo em direção as mulheres.

Sua atenção é tomada por um grande fogo formado em Kattegat, parecia que eles além de matar as pessoas, estavam destruindo o lugar.

"Odin, me ajuda."

Aylla corre em direção aonde se encontrava os inimigos e pega seu arco e flecha, atirando. Sua primeira tentativa é um sucesso, acertando bem na cabeça de um homem, que estava tentando matar uma mulher.

"Nada mal para quem nem se lembra como pegar nessa coisa." Ela sussurra orgulhosa. Mas logo o orgulho passa quando ela observa dois homens vindo em sua direção, a procura de luta. Antes de um chegar, ela já o acerta no peito, novamente com uma flecha e rapidamente solta o seu arco, dando entrada agora para seu machado. Ela luta bravamente com o homem e mal percebe que seu cabelo estava solto, fazendo uma pequena mecha de seu cabelo ser cortada quando o homem a ataca com o machado. Aylla corre, tomando distância, mas o barbudo não parecia deixar espaço entre eles, chegando rapidamente perto. A ruiva se abaixa e acerta as pernas dele, fazendo um grande corte, o fazendo cambalear, ela aproveita e joga o machado na testa do homem, matando-o.

"Não é fácil lutar de vestido." Aylla respira fundo e volta a pegar seu arco que tinha ficado no chão, guardando o seu machado novamente.

Ela observa de longe a luta que Bjorn estava tendo, três homens estavam em cima dele com o machado, e um  corte em seu braço estava exposto, o sangue estava exposto em sua blusa bege. Ela resolve ajudar o homem, que apesar de não intenção nenhuma nele, era grata pela forma que ele a ajudaria. Aylla se posiciona, com pouca distância, e acerta um dos homens no peito. Bjorn aproveita a queda de um, para derrubar os dois com apenas um golpe. Ele olha em volta, procurando de onde vinha aquela flecha e avista Aylla. Ela estava com os cabelos soltos e com suas bochechas rosadas. Estava linda. Aylla não estava tão longe dele, poderia observar cada detalhe dela de onde estava, inclusive as chamas de fogo que se formava atrás dela, combinando com algumas mechas laranja de seus cabelos. Não sabia se o que estava vendo era miragem, mas era ela, nunca imaginou-a usando um escudo, muito menos um arco e flecha. Ele corre em sua direção, não poderia deixar ela correndo risco.

"Aylla, o que está fazendo aqui?!" Ele olha para o rosto da garota, que estava tomado pelo suor.

"De nada Bjorn." Ela diz, pegando mais uma flecha em sua bolsa cinza.

"De onde você tirou essas coisas?" Ele olha para as ações da garota.

"Eram dos meus pais, eu os guardei esse tempo todo." Ela respira fundo e olha para a direção a ponte de Kattegat e observa alguém em pé, não podia identificar, estava muito escuro.

"Você tem que sair daqui agora, minha mãe te deu ordens!" Ele diz, a levando pelo braço.

"Me solta, eu não vou para nenhum lugar." Ela se solta. "Estou aqui para ajudar, e é isso que eu vou fazer." Ela corre, mas Bjorn não pode alcançar ela.

"Droga!" Ele grita e corre em direção oposta a garota, tentando encontrar a sua mãe.

***

Ivar observava o caos de longe e apreciava cada instante. Ele pode observar de longe seus irmãos lutando contra os homens e alguns se machucando. Ivar sente a aproximação de alguém, era seu irmão Hvitserk, ele vinha em sua direção correndo.

"Não quero frustar você, mas muito de nossos homens estão morrendo." Hvitserk diz ofegante, com o rosto pingado com pequenas gotas de sangue.

Ivar o olha com raiva.

"Como?!"

"Sim, estou falando." Ele roda o machado em sua mão.

Ivar fica com raiva e solta um pequeno grito. Harald só podia ter enviado com ele homens fracos, já que ele não estava presente nesse atentado.

"E tem muito mais, irmão." Ele sorri. "Uma mulher está matando a metade."

"Lagertha?!" Ivar se posiciona de frente ao irmão.

"Por incrível que pareça, não." Hvitserk sorri para Ivar novamente.

Ivar olha o irmão sorrindo e fica com mais raiva ainda.

"Você está rindo? Isso parece engraçado para você Hvitserk?!"

Hvitserk fica quieto na mesma hora e desvia o olhar.

"É outra mulher Ivar, tem os cabelos iguais..."

"Tem os cabelos iguais o quê?" Ele retruca com o irmão. "Deixa que eu mesmo irei encontrar essa maldita." Ele começa a caminhar com dificuldades apoiado em sua muleta, deixando  irmão para trás.

Aylla corria e acertava a metade dos inimigos, nem sempre conseguia acertar a sua mira, mas conseguiu derrubar muitos. Observou o quanto Lagertha estava sofrendo, estavam atrás dela, queria ajudar a rainha, mas seu filho Bjorn havia chegado. Ela corre novamente em outra direção, dessa vez para a ponte, mas algo chama a sua atenção. Pode por fim, observar de perto, quem era o homem que estava parado lá.

Os olhos de Ivar e Aylla se encontram, e tudo ao redor some para ambos. O que ela consegue enxergar entre aquele caos, era um homem cujo os seus olhos eram os mais azuis que ela tinha visto. Em sua cabeça, passa a imagem da praia de Kattegat, comparando com aqueles olhos. Ele a olhava com intenção, passava seus olhos por todo o corpo da garota, e ela observa essa ação de Ivar, repetindo, passando seus pequenos olhos verdes, por cada parte de seu corpo. Estava escuro, mas ela podia verificar cada parte dele, como se o sol já estivesse clareando tudo. Ivar era um homem.... encantador, em seu corpo se formou um grande arrepio , tomando conta dele e ela sabia que naquele momento, após colocar os olhos nele e o ver de forma tão intensa, estava encrencada. 

Ivar olha para a ruiva que o encarava, tudo ao seu redor parecia ficar cinza, não existia guerra, era apenas ele e ela. Não entendia o porquê dessa reação, já tinha encontrado com muitas garotas antes, mas nunca ficou tão interessado em uma como essa, que estava a alguns quilômetros de distância. Um calor sobe em suas pernas, quando ele observa cada parte de seu corpo. Seus cabelos laranjas, estavam grudados em seu rosto, molhados de suor e suas bochechas pareciam duas maçãs junto ao seu rosto que também estava completamente molhado. Naquele instante, sabia que aquela era a mulher que seu irmão havia falado a minutos atrás.

Aylla tinha certeza que era Ivar, o garoto que Lagertha estava temendo encontrar. Ela tinha a chance de colocar um fim em tudo isso, ela poderia usar o seu arco e flecha, mas algo a prendia, era como se adormecesse o seu corpo. Aylla pode observar que Ivar se apoiava em um tipo de muleta de ferro, não entendia o porquê disso, não sabia metade das coisas sobre ele, a única coisa que sabia era que Ivar, era filho do grande rei Ragnar.

"Eu o conheço?" Ela se questiona logo quando olha novamente para aqueles olhos azuis. Uma sensação conhecida a invade. "Ivar." Ela sussurra olhando para ele, que continuava parado.

Ele a olha de longe, mas podendo observar seus lábios mexendo.

"Quem é você?" Ele também sussurra, ao olhar para aquela garota. Uma estranha sensação conhecida passa por seu corpo. 

Aylla o observa mexer os lábios, mas não pode fazer a leitura labial, pois a sua atenção foi chamada para o sábio. Ele estava atrás de Ivar e observava a garota constantemente. Ela olha para o chão rapidamente e fecha e abre seus olhos, pensando que estava em uma alucinação e volta a olhar Ivar. Ele continuava lá, mas o sábio não estava mais. Aylla resolve pegar o seu arco e flecha e aponta em direção a Ivar.

Ele olhava cada ação da garota, e quando olha ela apontando uma flecha para ele, Ivar apenas solta um sorriso apenas usando os lábios. Ele não esperava aquela atitude, mas sabia que ela não atiraria, não sabia de onde vinha essa certeza,sentia que Aylla não o machucaria.

Aylla consegue ver o pequeno sorriso de Ivar e de como os seus olhos haviam mudado. Ele tinha um olhar de dúvidas, como se aquilo realmente não fosse possível. Aylla queria amedrontar ele, mas de certa forma não havia conseguido. Uma mão surge a puxando, fazendo a garota se virar rapidamente, jogando-a contra o chão. Um viking do exercito oposto havia atacando a ruiva, sem ela esperar, tirando o seu arco e flecha, agora apontando para a sua direção. Aylla se encontrava no chão e olha para cima, onde estava um homem apontando seu arco e flecha em sua direção.

"Finalmente a peguei." Ele sorri com a situação.

Aylla passa a mão em sua cintura, e pega o machado.

"Se você tentar algo eu irei atirar em sua cabeça." O homem diz com ódio.

"Eu duvido!" Aylla grita. "Então vá em frente, acaba com isso." Ela não sabia de onde tinha vindo aquela sua coragem, não estava com medo, poderia morrer naquele instante, tinha realidade um de seus maiores sonhos que era guerrear junto ao seu povo e morrer em uma batalha, era a ideia de morte mais corajosa que ela imaginava.

"Não há dúvidas de que irei acabar com você, garotinha." Ele sorri novamente e se posiciona para atirar a flecha e observa o rosto agora assustado que a ruiva mostrava. Aylla não estava assustada com a situação, mas sim com o que estava vendo atrás do homem. Um machado é cravado nas costas do homem a sua frente, a fazendo fechar os olhos. 

"Espero não ter assustado." Uma voz rouca se forma a frente de Aylla, a fazendo abrir os olhos rapidamente.

"Ivar." Aylla sussurra ao observar aqueles grandes olhos, agora a poucos centímetros de distância. Milhares de coisas passa em sua cabeça e apenas uma dúvida, não entendia o porquê ele havia salvado a sua vida.

Ivar apenas a observava no chão, ele agora estava a centímetros da garota. Não entendia porque estava ali salvando a vida de uma mulher que nunca viu antes e que estava lutando a favor de Lagertha. Ele tinha um grande problema, quando queria algo não desistia de ter e isso ele sempre considerava algo ruim, mas dessa vez sentia que era uma qualidade. Ele observava ela de perto e pode ver pequenas sardas em suas bochechas, a vermelhidão estava tampando algumas, mas ele conseguia observar direito cada detalhe das manchas laranjas. A garota tinha olhos verdes e que era visíveis até mesmo na escuridão. Ivar sabia o quanto era atraente e tinha uma qualidade muito grande, lutava muito bem, seu irmão o havia falado isso, mas ela estava de vestido e ele sabia que nenhuma mulher que lutava usava um vestido na hora da guerra, ainda mais bege, parecendo o de uma escrava.

Aylla se levanta rapidamente e pega o seu machado, apontando para Ivar.

"Não chega perto de mim." Ela diz com raiva, mesmo não existindo raiva em seu peito. Estava com mais medo de seus sentimentos. 

Ele sorri com a atitude.

"Você tem muita personalidade. Meu irmão disse que estava matando metade dos meus homens" Ele também tira o seu machado e segura em sua mão esquerda.

"Como seu irmão disse?" Ela o pergunta confuso, sabia que os únicos irmãos dele que ela conhecia era Bjorn Ubbe, porém ambos não tinham contato com Ivar.

"Sim, o Hvitserk." Ele roda o machado em suas mãos grossas.

"Hvitserk?" Aylla repete confusa, agora sabia o nome de mais um dos irmãos. Não estava acreditando ainda que o inimigo de Lagertha estava a sua frente e ela estava conversando com ele como se fossem do mesmo lado, como se conhecessem a anos.

"Vamos ficar conversando como se fossemos amigos?" Ele solta uma gargalhada falando exatamente o que a garota estava pensando.

"Eu não sou sua amiga e nunca pretendo ser." Ela o ataca com o seu machado, mas Ivar usa o seu também e defende.

Com o ataque ela agora estava próximo o suficiente dele, poderia sentir a sua respiração tocando a sua bochecha e seus olhos focados nos dela. Por segundos, a sua respiração fica presa em seus pulmões, ela precisava usar a sua força e raiva para atacar Ivar, mas tudo havia se perdido, aquela aproximação havia a abalado de alguma forma.

Ivar não esperava aquele ataque, mas conseguiu se defender. Ela tinha muita personalidade, tinha que matá-la mas precisava se divertir antes, até conseguir fazer isso, porque no momento, estava sendo difícil aceitar a ideia de que tinha que acabar com a sua inimiga que tinha o chamado a atenção. Ele estava agora a centímetros dela e poderia sentir a sua respiração quente e acelerada batendo em seu rosto. Seus olhos caem em direção aos lábios vermelhos da garota, eles eram carnudos e isso fez um calor surgir novamente entre as pernas de Ivar. Nunca havia sentido aquele calor tão fortemente entre as suas coxas, ele gostava dessa reação, era nova, porém queria sentir mais e a única que fez ele sentir essa sensação nova era  a garota ruiva que estava a sua frente tentando matá-lo. Um dos dois tinha que sair vivo, mas em sua cabeça surgiu algo, uma ideia.

"E se nós dois sairmos?" Ele pergunta em forma de sussurro, olhando-a. Tinha pensado alto. 

"Sairmos? Para onde?" Ela fica confusa com o que tinha acabado de escutar da boca do homem a sua frente.

Ela não tem nenhuma resposta, mas sabia que precisava acabar com aquilo, porque tudo o que estava ocorrendo estava a afetando, algo dentro dela estava surgindo, um sentimento novo, e cada vez que ela olhava para aqueles olhos azuis, tudo se perdia, o seu foco era tomado e sua cabeça não conseguia raciocinar. Aylla sentia um calor passando por todo o seu corpo, o calor vinha do homem a sua frente e estava passando para ela, aquela aproximação estava intensa. Os olhos da garota se desviam para os lábios de Ivar, eles eram carnudos e estavam sendo mordidos por ele, isso a fez morder os delas também, sabendo que os olhos dele também estavam em seus lábios.

"Vem comigo?" Ele pergunta, olhando agora para os olhos da garota ruiva. Não sabia o porquê tinha perguntado isso, mas sabia que a queria junto a ele, lutando ao seu lado, ele tinha grande planos para Aylla.

"Eu não entendi a sua pergunta." Ela se afasta dele.

"Vem comigo, garotinha." Ele se aproxima novamente de Aylla.

"Eu não sou uma garotinha." Ela o encara.

"Vem." Ele coloca o seu machado em sua cintura e a convida com sua mão esquerda, esperando que ela a pegue.

Aylla observa a mão de Ivar.

"Eu não vou a nenhum lugar com alguém que quer matar seus próprios irmãos." Ela se afasta e parece repugnar Ivar.

Ele sente uma pontada em seu peito, quando ela cita que ele quer matar os seus irmãos, sabendo que não era esse o seu proposito real.

"Você não sabe nada sobre mim." Ele diz entredentes, agora sentindo uma raiva crescer em seus peito.

Aylla observa as afeições de Ivar mudar.

"E você sabe nada sobre mim."

"O que eu deveria saber?" Ele se aproxima ainda mais de Aylla, ficando muito mais a poucos centímetros de seu rosto. "Que você é uma escrava insignificante?"

Aylla também sente uma pontada em seu peito, ele sabia sobre ela, mas não pensava que usaria isso da pior forma possível contra ela. Não conseguia ter reação nenhuma depois dessas palavras duras e apenas o encarava.

"Eu acertei?" Ele a pergunta, a olhando profundamente.

"Você não vale nada, Ivar." A primeira vez que ela consegue falar com tanta convicção o nome dele.

Ele não diz nada, sabia que ela estava falando a verdade, ele não era uma boa pessoa e reconhecia isso, mas ele não queria ser, sempre tentava o máximo possível se passar por um vilão onde muitas vezes não era isso que o seu coração pedia. Ivar não usava a voz de seu coração, usava a voz da razão e de seu ódio.

"Você sempre será uma escrava se continuar aqui." Ele quebra o silêncio que havia se formado entre eles.

Aylla não aguentava mais ser reconhecida assim, todos poderiam ver que ela não passava de uma escrava de Kattegat, até quem nunca a tinha visto antes poderia dizer isso.

"Você sempre será uma escrava de Lagertha, é isso o que ela quer." Ele continuava falando, olhando nos olhos da garota.

Ela o olhava e não poderia se intimidar com as palavras que estavam vindo da boca da pessoa que estava em sua frente, porque ele era um inimigo e por poucos minutos que tinha ficado próximo de Ivar, sabia que ele tinha capacidade de fazer as pessoas mostrarem a sua fraqueza, para usar contra. As palavras eram dolorosas, lágrimas queriam se formar nos olhos de Aylla, mas ela se manteve forte e continuava o olhando.

"Lagertha transforma as pessoas em fracas, olha só para Ubbe e Bjorn." Ele aponta para os seus dois irmãos, que estavam machucados com os seus rostos cobertos de sangue, por tanto lutar. Eles continuavam lutando exaustos, contra vários de uma vez só. Aylla olha na direção em que Ivar havia apontado e observa os dois caindo de uma vez no chão. Ela queria ajudá-los, mas não poderia sair dali sem antes terminar o que era pra ser terminado. Ela fecha os olhos com força e os abre logo em seguida, afastando qualquer pensamento que possa concordar com o que estava escutando.

"Eu não sou apenas uma escrava Ivar!" Ela o encara, agora aumentando a sua voz e apontando o seu dedo no peitoral do homem. "Eu sou muito mais que isso para Lagertha."

"Você não tem medo de mim?" Ele olha o dedo da garota em sua direção, e a encara.

"Sabe o porquê que eu sou muito mais que uma escrava?" Ela ignora a pergunta de Ivar e o questiona. Não se importava mais com as consequências de seus atos, sabia que poderia morrer a qualquer minuto, mas não deixaria ele fazer pouco de sua pessoa, não deixaria ninguém mais fazer isso.

"Me diz!" Ele aumenta a voz também.

"Porque eu serei da família de LagerthaBjorn me pediu para ficar com ele." Ela diz com toda a sua sinceridade e coragem. "Ele pode me oferecer muitas coisas, com a saída de Lagertha do reinado, ele será o sucessor e eu a nova rainha." Aylla não entendia de onde vinha essa sua coragem de falar tantas coisas, coisas que sabia que eram verdades e outras não. Sabia que não aceitaria ficar com Bjorn e muitos menos pensava na saída de Lagertha, mas ela é quem precisava de uma saída e a única que veio a sua cabeça no momento de sua raiva e desespero, era essa, a verdade que todas as mulheres de Kattegat sonhavam mas ela não. 


Notas Finais


Obrigado por ter lido, se encontramos no próximo capítulo! Milhões de beijos


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