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História Daragon - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Dois


Fanfic / Fanfiction Daragon - Capítulo 2 - Dois

 II

Entediado, o garoto arremessava sua adaga no ar e a pegava novamente enquanto caia. – Ghaundar! – O elfo mais velho golpeou a cabeça do garoto. – Quantas vezes terei que lhe dizer que lâminas são instrumentos para matar e não brinquedos? – Tomou a adaga da mão do garoto e continuou – Honestamente, fui amaldiçoado pela Deusa no momento em que A’shteran o trouxe por esta porta... – Ghaundar abaixou a cabeça e permaneceu em silêncio enquanto o elfo o encarava. – Ah, que merda... Eu sei que está solitário, mas sua irmã deve cumprir seus compromissos, afinal ela é esperada para se tornar a matriarca, assim como sua mãe foi um dia. Em breve você passará pela seleção e também terá de cumprir com seu papel na sociedade... – O elfo continuou encarando o garoto que permanecia de cabeça baixa sem demonstrar qualquer reação. – Inferno... A quem estou enganando? A verdade, Ghaundar, é que ninguém irá te escolher. Na realidade, me surpreende que não tenham te matado no momento em que nasceu. – O garoto permaneceu de cabeça baixa sem dizer nada. – Não tem nada a dizer, moleque? – disse enquanto levantava o rosto do garoto. Ghaundar olhou para Balok que imediatamente respondeu:

- Não me olhe com esses olhos da superfície, garoto.

Ghaundar não pôde resistir e começou a chorar. – Ah que merda... Pare de chorar. Eu só estava te provocando. – Ghaundar esfregou os olhos e engoliu o choro. – Isso, bom garoto... A’shteran iria me matar se... - O elfo mais velho é interrompido com um golpe na parte de trás da cabeça. – O que você fez dessa vez, seu imundo? – disse A’shteran enquanto massageava o punho dolorido. – Desculpe-me, querida, eu estava apenas testando o garoto. – A elfa revirou os olhos e prosseguiu seu caminho pela sua casa. Lythrana veio logo atrás. A pequena elfa vestia um vestido branco de seda que fazia contraste com sua pele escura. Seus olhos possuíam um tom pálido de rosa, como os de sua mãe. –Ghaundar! – gritou a pequena elfa animada correndo de braços abertos na intenção de dar um abraço em seu irmão. – Eu... Eu estava com saudades... – disse Ghaundar com lágrimas nos olhos. Lythrana riu de seu irmão tolo e logo começaram a conversar sobre o mês em que estiveram afastados. Depois do jantar, os irmãos foram para o quarto que dividiam e se deitaram juntos. – Balok me disse que eu matei nossa mãe... - Ghaundar sussurrou para não incomodar seus guardiões. – Balok é um bêbado e um fracassado. – Disse Lythrana também sussurrando. – Mas também ouvi outra escolhida dizer isso... – completou. O menino fez cara de choro, mas foi interrompido – Isso não importa. Eu serei a próxima matriarca e quando esse momento chegar, eu mesma matarei todos que te disserem coisas ruins sobre você. Não deixarei que ninguém te faça mal, irmãozinho! Eu prometo! – disse a garota animada. – Calem a boca! Estou tentando dormir! – interrompeu Balok gritando pelo quarto ao lado. As crianças tentaram segurar o riso, mas acabaram gargalhando. – Quando você se tornar matriarca, eu também vou te proteger, Lyth... Eu prometo. – Disse o menino cerrando o punho apontado para o teto enquanto fazia um rosto feroz. Lythrana mais uma vez não conseguiu se segurar e começou a gargalhar. – Ghaundar... Você não consegue nem mesmo se proteger. Não seja tolo. – Disse a irmã com um olhar de pena. – Você vai ver... Em quatro anos, terei catorze e participarei da seleção. Serei escolhido pelo clero e me tornarei um paladino e então eu poderei ir ao templo com você. Vou estar sempre ao seu lado. – Disse o garoto com total determinação nos olhos. Na manhã seguinte, Lythrana e A’shteran partiram mais uma vez e Ghaundar permaneceu Balok, seu protetor.

- Eu quero aprender a lutar com uma espada! – disse Ghaundar. Balok começou a rir e acabou se engasgando com o pão que estava mastigando. – Você está brincando comigo, garoto? – disse em um tom zombador. – A’shteran me disse que você era um grande espadachim e salvou meu pai uma vez... – o garoto foi interrompido por Balok – E olha aonde isso me levou... Seu pai era um traidor. Deveria tê-lo deixado morrer... Assim como A’shteran deveria ter te matado no ventre de sua mãe. Ainda teríamos nossa matriarca e eu não teria que cuidar de um merdinha como você. – Balok encarou Ghaundar e o menino o encarou de volta. – Não fique me olhando com esses olhos da superfície, seu desgraçado... – o pequeno elfo continuou em silêncio. – Inferno... Pra que você quer aprender a lutar? – perguntou o elfo mais velho claramente irritado. – Me tornarei um paladino e protegerei Lith! – Disse o garoto com ar determinado. Balok gargalhou e gargalhou até perder o ar. – Isso eu pagaria pra ver, garoto... – Disse enquanto secava uma lágrima proveniente de seu ataque de riso. – Bom, acho que poderia te ensinar um movimento ou outro... Mas já aviso que não pretendo pegar leve... E posso usar isso como desculpa para bater em você. – completou Balok com um ar de deboche. Ghaundar sorriu e se levantou concordando com a cabeça – Prometo que vou me esforçar. – disse o garoto animado. – Eu sei que vai, garoto.



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