História Dark Angel - Capítulo 20


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Categorias Amor Doce
Personagens Alexy, Ambre, Armin, Castiel, Charlotte, Debrah, Iris, Kentin, Kim, Li, Lysandre, Melody, Nathaniel, Nina, Peggy, Personagens Originais, Professor Faraize, Rosalya, Viktor Chavalier, Violette
Tags Ação, Amor Doce, Drama, Sobrenatural
Visualizações 56
Palavras 3.534
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Ficção, Ficção Adolescente, Luta, Magia, Mistério, Musical (Songfic), Romance e Novela, Sobrenatural, Survival, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Cross-dresser, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi, galerinha ^-^

Sei que demorei bastante pra postar o capítulo 20, mas foi uma semana completamente corrida com a mudança de cidade e o início das minhas aulas. Como eu já tinha esse capítulo pela metade, resolvi terminar e postar, mas sinto dizer que será o último do primeiro semestre de 2018. E não, não é o fim da fanfic, ainda haverá mais capítulos, mas, devido à faculdade, não terei tempo para escrever. Por isso, a única coisa que posso afirmar é que estarei de volta no fim do ano para retomar o ritmo da fanfic.

Espero que compreendam e desejo-lhes uma boa leitura.

Bjsss e até dezembro ;*

Capítulo 20 - Segredos Heterocromatas


Fanfic / Fanfiction Dark Angel - Capítulo 20 - Segredos Heterocromatas

- Er... Acho que tive sorte sim... – minha única ação foi concordar com a Sereia e me manter calada perante toda a situação.

Minha vontade naquele momento era de contar toda a verdade sem sequer me importar com o que Erik poderia pensar, mas era justamente por causa dele que a hesitação tomava conta do meu peito sempre que me era dada a opção de deixar a mentira de lado. Querendo ou não, havia sido meu tutor que me levara para aquele lugar e provavelmente a maior parte das consequências cairiam sobre ele, mesmo que sua intenção tivesse sido apenas de me ajudar.

- Mas isso não importa mais, ok? – Pan disse, sorrindo para mim e provavelmente tentando diminuir a tensão que havia se formado em meu rosto. Seu pequeno gesto, porém, fez-me focar em sua face e analisá-la por completo, à procura de saber os mínimos detalhes apenas por mera curiosidade. Foi então que, ao focar nos moderados olhos da garota à minha frente, pude finalmente analisar melhor o encanto que suas íris reservavam, assim como todo e qualquer outro ser sobrenatural também se mostrava com diferenças.

Da negritude que compunha a pupila da Pan, um tom marrom cor terra dava início ao centro da sua íris e permanecia apenas alguns milímetros mais distante, onde o azul cristalino ganhava espaço e preenchia de forma a quase tornar a primeira cor inexistente. Ao olhar melhor, notei, porém, o que parecia ser o movimento do mar à margem de uma praia, beirando a areia que, ali, poderia ser muito bem representada pela cor marrom, mais precisamente por causa de suas irregularidades que facilmente poderiam ser confundidas com grãos de areia. Qualquer um com um nível mínimo de criatividade compararia todo aquele cenário a uma única e pequena ilha em meio à imensidão do oceano.

Foi então que, como se hologramas saltassem de seus olhos, uma áurea rodeou todo o corpo da Sereia e logo tomou o formato da mesma, elevando-se sobre sua cabeça e revelando o que parecia ser uma fantasma de aparência exata à da garota, porém com uma tristeza tão aparentemente à mostra que chegava a causar-me um arrepio completo na espinha, ao modo que uma voz idêntica à da Pan ecoou da boca da fantasma, que movimentava os lábios sem medo de mostrar tão abertamente o que sentia.

"Ou eu pelo menos tento não me importar mais...” – a frase alcançou meus ouvidos como se um pensamento de Pan, contrariando o que ela havia acabado de falar, me fosse revelado, mas ‘a fantasma’ sobre sua cabeça era o que havia me deixado extremante intrigada, uma vez que, quando algo parecido havia acontecido quando eu estava discutindo com a Ambre no refeitório, nenhuma ‘Loira 2’ pairava sobre a cabeça da primeira.

- Kira tem razão em gostar tanto dos seus olhos, nunca vi um amarelo tão cintilante quanto o das suas íris. – Pan meneou com a cabeça, perecendo não notar minha concentração em si e alertando-me sobre algo que eu havia deixado passar despercebido: O provável fato de eu não ter visto uma fantasma da Ambre seria por motivos de que olhos humanos não seriam capaz de enxergar algo sobrenatural, o que não era tão extraordinário, se parasse para a analisar.

 

>> FlashBack <<

- Essa garota é doida, meninas! Acho que ainda vive no mundo de fantasias que a mamãe criou. – e mais uma vez ela fez algo que, na altura do campeonato, já sabia que tirava-me do sério, e era exatamente como eu estava. Minha respiração tinha começado a pesar e, minhas presas, a ficarem mais visíveis para quem quer que estivesse disposto a vê-las, mas ainda assim eu sabia que a falta do ardor em meus olhos indicara que eles ainda permaneciam com a negritude que desde sempre amava ter.

Eu estava prestes a atacá-la, agarrá-la e jogá-la no chão como merecia, até que fui impedida.

“Vai lá, garota! Me bate! Assim vou finalmente conseguir que te expulsem daqui!” – a voz da Ambre ecoou pelos meus ouvidos, como se não tivesse vindo da própria, uma vez que seus lábios não se moveram um milímetro sequer.

 

Durante o incidente no refeitório, eu não estava completamente transformada quando havia escutado o pensamento da Loira, ao contrário do que acontecera com Pan, que, por descuido de minha parte, obteve a oportunidade de ver o âmbar vivo que o vampirismo me proporcionara a ter ao modo que eu pude aproveitar para ver seu verdadeiro estado de espírito e descobrir o quão amargurada a Violinista estava.

- Acho que eu não concordo... – pisquei um pouco os olhos e balancei a cabeça, evitando a transformação involuntária que parecia estar por vir e fingindo estar desconcertada com o ‘elogio’ que havia recebido, o que passava e muito da verdade. – Bom, acho melhor eu ir, já tomei muito do seu tempo de ensaio. – procurei a desculpa mais plausível para conseguir sair, com minha mente trabalhando a favor de idealizar quais seriam os melhores passos a dar diante de toda àquela situação, uma vez que passar por mais uma mudança e sofrer absurdamente como das vezes anteriores não se tratava mais de uma opção.

- Não vem com essa pra cima de mim, Mika!! Você sabe muito bem que minha altura não influencia em nada na forma como eu jogo basquete! – a voz aguda e agitada da Kira quebrou a calmaria da sala de música ao modo que a mesma entrava pela porta junto ao Mika, destruindo as chances da minha tentativa de despedida funcionar.

- Claro, Ratinha, claro... – Mika sorriu em forma de deboche e bagunçou os cabelos da Kira da mesma forma que havia feito com os meus no dia anterior, mas, ao contrário de mim, a Transforma levantou suas mãos e começou a distribuir mini tapinhas no braço do Baixista, que apenas divertia-se com a cena. Aquilo fez-me lembrar do tempo em que eu passava com o Kentin e novamente distraiu-me do meu real objetivo.

Os dois finalmente nos viram e, pela primeira vez, pude notar o olhar discreto que Mika lançou à Sereia, ao modo que a mesma sorria de forma amigável e era encarada por uma Kira um tanto enciumada.

- Olá meninas! – Mika se pronunciou – O que andam aprontando?

“Por que você tinha que ser tão linda, Pan...” – eis que mais um fantasma surge, revelando um Mika extremamente apaixonado.

- Só conversando um pouco, papeando com a Magda. – Pan alegrou-se, sorrindo de forma terna e calma.

“Irmão, que bom vê-lo aqui!” – a PanGhost alegrou-se, saindo do seu estado profundo de tristeza e demonstrando o sentimento fraterno que nutria por Mika.

- Ei, mas não é justo! Só eu posso ver esses olhos amarelos! – Kira balbuciou olhando para mim e fingindo estar emburrada, arrancando sorrisos dos dois colegas, enquanto eu estava tão confusa que sequer sabia como reagir a tanta informação.

“O que a Pan tem que eu não tenho?” – e foi a vez do estado de espírito da Transmorfa revelar o reconfortante calor que a garota sentia ao encarar Mika e um resquício de inveja por, provavelmente, não receber a mesma atenção que a Sereia possuía.

Eram muitas vozes ecoando pela minha cabeça, tanto da conversa que havia se iniciado, com a chegada dos outros dois integrantes da banda, como do que parecia ser a conversação que todos ali queriam realmente ter, mas apenas os fantasmas viam-se livres para falar o que lhes viessem à cabeça.

Depois de mais alguns segundos ali, tentando ao máximo aguentar toda aquela situação sem parecer que estava ficando maluca, uma leve tontura me obrigou a apoiar meu braço do piano e baixar a cabeça, fechando os olhos e ainda tentando não me concentrar na dor fina que insistia em permanecer em minhas têmporas. Não se tratava de uma situação insuportável, a dor mais me torturava do que mesmo me machucava, mas meus instintos, naquele instante, diziam-me que, se eu permanecesse ali por mais tempo, logo entraria em completo estado de demência.

Já impaciente com o imenso barulho que apenas eu era capaz de escutar, usei o braço apoiado na madeira escura do piano para forçar meu corpo para cima e me levantar, ao modo que me concentrava em manter-me de pé sem perder o equilíbrio.

- Magda...? – uma voz grave alcançou meus ouvidos, mais como um eco produzido por uma caverna qualquer do que mesmo como uma pessoa falando ao meu lado, mas acabei decidindo por apenas ignorar e ir o mais rápido possível em direção à porta da sala, a fim de sair imediatamente e me distanciar daqueles que, mesmo não propositalmente, haviam transformado a única sala que eu considerava calma de todo aquele internato em um completo inferno.

***

Naquela mesma manhã, atordoado por ter sido flagrado em um de seus momentos mais íntimos, Lysandre descansava sob a sombra da árvore em frente ao prédio do dormitório masculino, com inúmeros pensamentos preenchendo sua cabeça e uma singela ansiedade agitando o interior de seu peito.

O garoto sabia dos sentimentos que nutria pela vampira e que tal reação apenas fora sinônimo do que a aproximação da garota poderia lhe proporcionar, mas também sabia que se deixar levar por tais sentimentos ou mesmo pela esperança de que a vida que levava poderia ter algo dotado de verdade não seria um erro que ele cometeria, não depois de tanto sofrer para finalmente chegar aonde estava.

Seguir o dia normalmente, entretanto, seria uma tarefa muito mais complicada do que o Platinado poderia imaginar, uma vez que apenas seguir seus ritos diários não seria capaz de mantê-lo em seu calmo equilíbrio e muito menos diminuiria a curiosidade que ele sabia ser possível existir na mente da garota que presenciara o desenho.

- Quanto tempo eu ainda preciso fingir que te odeio pra você finalmente se tocar que não consegue ficar com raiva de mim? – Castiel, que acabara de adentrar o pátio, avistou seu amigo sentado e decidiu que ali seria o momento ideal para que os dois se acertassem, sem espaço para mais desentendimentos.

- Vejo que acordou disposto. – o Platinado permitiu-se não olhar nos olhos de seu amigo e apenas aceitou o desajeitado pedido de desculpas. Ele já não estava mais com raiva pelo acontecido no corredor, mas o motivo pelo qual manteve-se de olhar baixo fora exatamente porque não queria que, de maneira alguma, as fracas lágrimas que se formavam em seus olhos fossem vistas, de nada serviria-lhe ter pessoas preocupadas com algo que nem ele mesmo fora capaz de resolver.

- Por enquanto eu tô de boas. – Castiel pouco importou-se com o jeito quieto do amigo e logo tratou de se deitar na grama fria para também aproveitar a sombra que a árvore projetava no chão. – O que acha de um ensaio? Faz tempo que a gente não toca e eu tô meio enferrujado.

- O sábado é reservado para a Pan, lembra? – o Platinado alertou seu amigo – Você sabe muito bem o que uma sereia pode fazer apenas com a voz.

- Sim... – Castiel, chateado por saber que Lysandre estava certo, olhou em direção à janela da sala de música, desejando profundamente um tempo para tocar um pouco e logo surpreendendo-se ao encontrar as madeixas negras da Vampira. - Mas parece que a sua protegida não.

O Platinado, que ainda se mantinha de cabeça baixa, permitiu-se encarar a beleza única emanada por Magda e arrependeu-se, logo em seguida, ao sentir o sentimento pulsar em seu peito, tão forte quando o brilho de uma estrela.

- Com licença. – Lysandre, com sua mais pura educação, se despedira de seu amigo sem sequer importar-se em dar-lhe atenção e ainda implorando internamente que ninguém notasse a instabilidade que rodeava seu ser.

O Ruivo, embora tivera estranhado a jeito do Platinado, apenas conformou-se em se manter quieto em seu canto e relaxar, seguindo seus planos iniciais. Ele sabia que seria um erro ir atrás de entender o que tanto incomodava o Vitoriano, além de que ter mais motivos para brigas não era um de seus desejos.

Após adentrar o prédio dos dormitórios masculinos e seguir para seu quarto, sem deter-se a apreciar a decoração do lugar – exatamente idêntica ao prédio feminino -, Lysandre, ainda na sua costumeira calmaria, retirou o amontoado de chaves do seu bolso e escolheu a única cujo formato aproximava-se a um círculo, destrancando a porta e adentrando o cômodo, já um pouco mais tranquilo por ver a segunda cama do lugar vazia, uma vez que seu dono não já estava ali.

Permitindo que o ar do ambiente preenchesse seus pulmões, que logo estariam vazios para serem enchidos novamente, o Vitoriano, com um leve movimento no braço, colocou o molho de chaves sobre o móvel mais próximo, tratando, logo em seguida, de tirar o casaco milimetricamente trabalhado em detalhes – assim como os demais em seu armário – e colocá-lo sobre a cama, com o cuidado de dobrar antes para não amassar. O rapaz sempre fora alguém muito perfeccionista, por mais que tal defeito não prejudicasse em sua personalidade ou modo de interagir com outras pessoas.

Apoiando-se em apenas uma perna, Lysandre tratou de tirar rapidamente a calça e posicioná-la exatamente sob o casaco, guardando as duas peças no armário e permanecendo, assim, apenas com a camisa preta básica que estava usando por baixo do casaco e uma cueca box, também na cor preta.

Qualquer espectador que presenciasse tal cena afirmaria com toda certeza que o Platinado tratava-se de um cara com porte físico bem delimitado e musculoso, porém sem exagero, além de uma fisionomia bastante peculiar, uma vez que encontrar alguém com cabelos brancos e olhos heterocromatas harmonizando tão perfeitamente era uma chance extremamente rara de acontecer.

Com o peso do corpo sendo suportado pelo colchão macio e a estrutura de madeira da cama, o Vitoriano folheava lentamente seu pequeno bloco de notas, com a mente trabalhando a favor de recobrar momentos do seu passado que ele preferia apagar de sua memória, mas que nunca conseguiria esquecer. Lembrar dos três corpos caídos à sua frente, ocupando grande parte do assoalho, sangue escorrendo e manchando o tapete predileto de sua mãe e a expressão de medo no rosto das três vítimas, que abraçaram a morte sem sequer se darem conta do que havia acontecido, fora algo que lhe tirou a oportunidade de dormir bem durante as horas decorridas pertencentes ao que chamamos de noite, desde o dia seguinte ao acontecido e arrastando-se até o atual presente.

Foram muitos os fantasmas que assombraram Lysandre durante longos anos, além da culpa que lhe consumia mais a cada dia e a lembrança de que nada daquilo teria acontecido se ele não tivesse escolhido ter uma vida normal como sempre sonhara. Ter poderes acabou sendo o foco principal de tudo e, mesmo desde pequeno, ele sabia que suas peculiaridades lhe trariam mais problemas do que os já existentes e era exatamente por isso que ele vivia escondido à sombra de todos.

Mesmo que o desejo não deixasse de aumentar mais a cada dia passado, viver como um humano já não era mais uma de suas opções.

***

Atordoada por causa de toda aquela situação, tentei forçar ao máximo minhas pernas para usar da velocidade que meu lado vampiro havia me presenteado, mas a única ação suportada por mim naquele momento era forçar meu corpo contra a parede do corredor e usá-la como apoio para conseguir continuar andando. As vozes ainda ecoavam na minha cabeça como lembranças de um pesadelo tenebroso e a dor insistia em tirar minha lucidez, mas desistir de tentar parecer normal não era mais uma opção.

Ainda lutando para ficar de pé, e sem saber como eu havia chegado tão rápido ao primeiro andar, deixei meu peso cair sobre os degraus da escada e segurei com força o corrimão, apoiando minha cabeça no meu braço levantado. Analisei o ambiente ao meu redor e percebi então que, a cada vez que a dor latejava em minha cabeça, mais turva tornava-se minha visão, impedindo-me de distinguir um palmo à minha frente. Meu coração parecia ter atingido uma velocidade semelhante a um carro de corrida e o nervosismo apenas aumentava, mas nada daquilo trazia-me desestabilidade a ponto de me transformar, mas sim medo da vulnerabilidade que se mantinha estampada em meu rosto.

            Foi então que mais vozes passaram a ecoar pelo corredor e um barulho ensurdecedor de passos, conversas e portas de armário batendo irritou mais ainda minha audição, ao modo que vultos passavam ao lado da escadaria onde eu estava, indo em direção ao refeitório e adicionando à orquestra barulhenta o som das postas batendo.

“O que será que tem de comida hoje?”

“Ela tá na minha, eu sei disso!!”

“Urgh, parece que nem aqui essa garota me deixa em paz!”

“Quanto será que eu tirei na prova...”

E logo uma conversação inteira, além da que já existia, aumentou em proporções gigantescas a dor em minha cabeça e me fez levar minhas mãos aos meus ouvidos, implorando para que aquilo parasse logo. Quando percebi que ficar largada no chão não resultaria em nada, tentei esquecer todo o barulho e me concentrar no que poderia fazer.

“Se eu tô na escadaria, a primeira porta que eu encontrar é a biblioteca e logo depois é a enfermaria...” – pensei – “Erik!!”

Foi então que minha mente clareou da melhor forma possível e acabou que levantar havia se tornado mais difícil do que mesmo fingir que estava tudo dentro dos conformes. Ainda com muita dificuldade e seguindo o mesmo esquema de quando percorria os corredores dos andares acima de mim, consegui finalmente alcançar a porta da enfermaria e empurrei-a com força, sem mesmo importar-me se lá poderia ter alguém além do Erik.

Sem reação de surpresa e com o silêncio ensurdecer da sala misturado ao barulho angustiante do corredor, pude perceber que não havia um ser vivo dentro da enfermaria para me ajudar e novamente o Erik decidira sumir quando eu mais precisava.

- Para, por favor... – em um pedido implorado de socorro, deixei a gravidade agir lentamente sobre meu corpo e logo estava sentada no chão daquele lugar, com as costas encostadas na bancada mais próxima da porta, as pernas encolhidas e as mãos nos ouvidos, chorando feito uma criancinha e não aguentando mais a dor que espalhara por toda a minha cabeça.

- Olha só, ela sabe chorar! – uma voz perdida naquela imensidão alcançou meus ouvidos de uma forma diferente, uma vez que eu havia conseguido entender a frase pronunciada por completo e ainda distinguir quem havia acabado de entrar na enfermaria.

- Me a-ajuda, por favor! – sem pensar duas vezes e ignorando quaisquer consequências que meus atos poderiam proporcionar, lancei meu corpo pra frente e agarrei os tornozelos do rapaz, sentindo um tremor iniciar em meu corpo seguido de uma fraqueza repentina.

- O que deu em você garota!? – ele jogou o pé para frente e me afastou de si, provavelmente por jamais esperar tal ação vinda de mim.

“O que será que aconteceu?” – a mesma voz alcançou meus ouvidos, porém extremante mais preocupada que no início.

- As vozes... Eu não tô aguentando... – me esforcei para conseguir falar claramente. – Tá doendo, Casti... el... M-me ajuda...

- Vozes? – sua voz soou mais surpresa do que eu esperava e, quando ele parecia ter saído da sala e me deixado sozinha, devido ao repentino silêncio, senti o calor do seu corpo próximo a mim e uma mínima sensação de conforto. – É só parar de usar sua telepatia.

- N-não sei como... – respondi, ainda de cabeça baixa.

- Como não sabe?! – ele perguntou indignado, levantando-se e afastando-se de mim, porém não demorando muito para voltar e colocando algo sobre minhas orelhas, reduzindo a intensidade das ondas sonoras que me alcançavam. – Vem, o corredor já tá vazio.

Sem nem sequer questionar aonde ele pretendia me levar ou mesmo a chance que aquilo tinha de ser mais uma de suas armadilhas, estiquei meus braços e agarrei os seus, sendo puxada para cima e logo estando de pé. Talvez por provavelmente ter notado que eu não sustentava meu peso sozinha ou mesmo por querer evitar que fossemos vistos juntos, o Ruivo me colocou em seu braço e senti o impulso da sua velocidade iniciar, parando no segundo seguinte, assim como os resquícios da barulheira que eu ainda conseguia ouvir, mesmo com aquele objeto em minha cabeça.

Tentei abrir os olhos para entender o que estava acontecendo, mas minha visão, ainda turva, impedia-me de descobrir qual o lugar em que havíamos parado. Foi então que senti meu corpo ser colocado sobre o que parecia ser um colchão extremamente macio e confortável, ao modo que o som dos passos do Castiel pareciam tambores ecoando em minha cabeça.

- Qual o problema com você? – sua voz quebrou o silêncio de forma mais bruta que seus passos, ao modo que a tontura e o tremor em meu corpo ainda teimavam em me incomodar.

Eu já não estava mais tão consciente como antes e, mesmo sem ter entendido uma palavra sequer pronunciada pelo Ruivo, respondi a primeira coisa que se passou pela minha mente, mais como um desabafo do que mesmo como uma resposta para o que quer que ele pudesse ter perguntado.

- E-eu vou sempre o-odiar o dia que me tornei esse m-monstro...

E apaguei.


Notas Finais


/!\ Comentários abertos para quaisquer dúvidas sobre a história que, por ventura, venham a surgir. /!\


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