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História Dark Before Dawn - Capítulo 22


Escrita por:


Notas do Autor


Olazis
Voltei ligada no ódio
Não betei ainda, qualquer erro, fecha o olho e vai na paz
Bjs

⚠️Aviso de violência física e verbal.

Capítulo 22 - Sandman


Dizem que a passagem para o outro se dá através de um rio, onde alguém guiaria as almas dos falecidos para outra vida, ou quem sabe, o esquecimento. Houve uma época da minha vida que pensei que tudo aquilo fosse uma mentira, que uma vez fechados os olhos para sempre, nada restaria. Nem as lembranças mais tristes, nem as mais  felizes. Meu irmão dizia que o caminho da morte é escuro, úmido e sombrio; mas tudo que eu conseguia ver acima de mim eram os céus limpos, pássaros voando, o mar verdejante da grama dançando; uma quietude tranquila, solitária, nenhum dever, nenhuma obrigação, apenas a beleza de se estar em um campo aberto vendo as nuvens. 

Você gosta disso? — Itachi perguntou apoiado em um cotovelo, olhando para mim com um sorriso brincalhão. — Sinto que agora que você está aqui comigo, não preciso de mais nada. Você é meu irmão, é sangue do meu sangue, ninguém me conhece melhor do que você, assim como ninguém te conhece melhor do que eu. 

Itachi parecia reluzir, brilhar. Como sempre, superando todas as expectativas. Eu estava morrendo de saudades dele, eu queria tanto vê-lo que às vezes enxergava o rosto dele em desconhecidos. Um irmão é como a verdadeira cara metade, já que ambos foram gerados no mesmo ventre. Ninguém me entendia melhor do que ele. 

— Por que você fez isso? Por que me deixou sozinho? 

Ele deitou no gramado outra vez, e olhando para o lado, eu conseguia ver parte de seu rosto. 

Eu não sei. Não escolhi isso. São poucas as pessoas que têm a chance de escolher quando e como vão morrer. A mortalidade é algo difícil de compreender, saber que a cada segundo de fôlego você já está morrendo. No início, eu não entendia, mas acho que agora estou começando a entender. 

Eu tinha tanta coisa para dizer, tanta coisa para perguntar, tantas coisas que queria fazer, mas ao chegar até ele, todas as minhas dúvidas e tristezas desapareceram. É como você esperar sua vida inteira para conhecer alguém, mas ficou tão feliz e extasiado ao vê-la, que esquece tudo que tinha para dizer. 

— Eu senti a sua falta. Mamãe e até o papai. Todos sentem a sua falta. 

Ele sorriu, virando o rosto para me olhar.

Mas eles esqueceram, assim como todos os outros. Você só morre de verdade quando é esquecido. 

— Eu nunca esqueci. 

Eu sei. Por isso está aqui. Como seu irmão mais velho, eu gostaria de ter visto você crescer, mas agora que eu te vejo, sei que apesar de tudo, você cresceu bem.  

Não graças a eles. 

— O que eu faço agora? Eu não sei o que fazer. 

Então não faça nada. Pode ficar aqui comigo o quanto quiser, por quanto tempo quiser. Poderia ficar aqui comigo para sempre, nós dois, como sempre deveria ter sido. 

Aquele lugar era como um jardim sagrado, algum tipo de paraíso perdido. Era belo e cheio de vida, cores e rios, eu poderia ficar ali para sempre. Sol e vento, além da presença do meu irmão. Mas embora fosse um lugar maravilhoso, parecia estático, vazio de coisas realmente importantes. 

— Não é solitário? Ficar aqui esse tempo todo? 

— Não. Meus sentimentos não são mais como os seus. Eu raramente sinto alguma coisa aqui. — comentou sereno, observando um casal de pássaros. 

— Deve ser bom não sentir mais nada. 

Ele virou o rosto novamente. 

Se você quiser, posso fazer isso por você. Sem dor, tristezas, mágoas, incertezas… todas as suas memórias, toda sua agonia… eu posso tirá-la de você. Quando perdemos a capacidade de sentir, entendemos a necessidade da morte, e o mundo, o universo, tudo passa a fazer sentido, como acordar de um sonho. Você quer? 

Ser incapaz de sentir. Sem mágoas, sem dor. Parecia uma tentação que eu não poderia resistir. Nunca gostei de levar tão à sério meus problemas quando sabia de pessoas com maiores dificuldades do que eu; nunca gostei de alimentar minha melancolia, sempre foi mais fácil afogá-la, fingir que não estava lá. Se você tira a sensibilidade de alguém, o que mais sobra? 

— O que vai acontecer comigo? 

Vai ser como eu. Livre. Todas as criaturas sofredoras merecem um momento de descanso, não acha que o seu chegou, Sasuke? 

Continuei olhando para ele, pensando, mas não havia o que pensar. Eu alcancei meu objetivo, eu descobri o que aconteceu com meu irmão, onde ele estava e consegui chegar até ele. Não havia um lugar para onde eu quisesse voltar. Todos eles mentiram, enganaram, só de pensar que meus pais sempre souberam, que na loja todos sempre souberam, que Obito sempre soube, apenas eu fui deixado de fora, como se não tivesse o direito de saber; sentia que iria enlouquecer. 

Não queria mais vê-los, não queria voltar. Ali era bem mais confortável, sem mágoas, sem traições. Sem lembranças difíceis. O que eu era para eles? Um idiota? Uma criança? Um garoto tolo? O que resta de uma relação quando não há mais confiança? Quando todos mentem de forma tão descarada. Todos me enganaram, não via porquê voltar. 


"Isso não dá certo porque você não consegue se concentrar, não é? Espiritualidade talvez não seja seu forte"

"Você não tem moral pra falar dos meus feitiços, Sasuke, os seus não deram em nada também e nem vão. Essa coisa de magia, bruxaria, isso não existe". 


— Você quer, Sasuke? 


"O exterior é o reflexo do interior. Quer equilibrar as energias e dominar o espírito? Precisa que seu interior seja mais tranquilo".

"Faz o seguinte, me espera no meu quarto"


— Sasuke? 


"E aí? Vai esperar no meu quarto?"


Qual vai ser sua escolha, Sasuke? Uma vida eterna e sem lembranças, ou… 

Eu entendi. E aquilo partiu meu coração, talvez até mais do que já estava. Você não sabe o quão trincada sua armadura está até que comecem a cair os pedaços. Eu amava ela, mas estava cansado disso. Pela primeira vez, desejei que aquela porção do amor verdadeiro tivesse funcionado, que fosse feliz com Naruto ou qualquer outro idiota. Quem sabe assim, nossos caminhos nunca tivessem se esbarrado e eu nunca a tivesse beijado naquele dia na chuva. 

O tempo decorrido apenas intensificou e deu forma ao que eu comecei a sentir naquele dia, e nunca esteve tão incômodo quanto naquele momento. Se eu perdesse minhas emoções, perderia isso também? Pelo menos odiando ou desprezando, ainda havia laços com minha família, laços de dor. Se eu perdesse minhas recordações, se o universo e a morte de Itachi passassem a fazer sentido, eu perderia até isso? 

Não sabia o que dizer, ele era meu irmão, deveria saber melhor do que eu. 

Itachi sorriu, chegando mais perto. 

— Eles vão ficar bem, vão superar, e com o tempo, vão te esquecer, assim como me esqueceram. 

As mãos dele, geladas, apertaram minha garganta; todo o fluxo de ar bloqueado, o sangue acumulado e tensionando minha cabeça como um balão cheio de sangue prestes a explodir. Meu irmão morreu afogado, em agonia, e olhando para ele, entendi que iria morrer da mesma forma. Uma morte rápida e dolorosa. Não existe morte sem dor, o próprio ato de ter a vida arrancada e sua consciência desligada é doloroso. Mas é uma dor diferente, que não se sente com os sentidos do corpo, apenas do espirito. 

E eu agarrei as mãos dele, enxergando tudo vermelho, mil vezes mais forte do que eu, sendo pressionado contra o chão que começava a ficar gelado, muito gelado. 

A vida é um sonho, Sasuke. Hora de acordar. 

Itachi sorriu, já não conseguia vê-lo, apenas um borrão deformado e cinzento, que começou a mudar de forma, como se seu corpo estivesse senso desintegrado em partículas no ar. 

Não havia jardim, apenas zumbidos altos, estridentes, dentro da minha cabeça. Uma multidão de libélulas voando acima de mim, como uma nuvem densa. Não havia movimento, e as mãos não estavam mais na minha garganta, ainda assim, era difícil respirar. 

Eu vi um clarão, uma luz intensa, como minha mãe abrindo a porta do meu quarto deixando a luz entrar. E eu pensei que só poderia estar morto, porque não havia a mínima possibilidade daquilo ser verdade. Não era ela. Não era. 

— Sasuke! Você precisa acordar! Agora! — Ela gritava segurando meu rosto, os olhos arregalados, olhando para cima como se temesse a coisa obscura e nebulosa, os zumbidos. Voando para cima como se estivessem pegando impulso para nos esmagar. 

— Hinata… 

— Essa coisa não é o seu irmão! Ele não é! Itachi-san nunca faria isso! Ele falou comigo! Você precisa acordar! 

E a última coisa que eu lembro, foi a tapa violenta no meu rosto, o impacto ardendo, minha bochecha queimando, tão forte, que senti o gosto de sangue na língua. E depois disso, a nuvem escura nos engoliu, restando apenas escuridão. 


•••


A primeira percepção que tive ao acordar, foi a incerteza, uma profunda e espinhosa incerteza, que me puxava cada vez mais para o fundo. Lembrava da queda, do mergulho, mas assim que meu corpo desapareceu nas ondas, o frio desapareceu. Orochimaru havia explicado que um portal não é necessariamente uma porta, e sim a fronteira que separa uma realidade da outra, um mundo do outro. Portais podem ser rios, paredes, até mesmo algum tipo de contato com animais, como gatos, corujas, e assim por diante. 

Não entendi muito do que ele disse, mas o básico do que eu precisava entender fez sentido e isso era mais do que o suficiente para seguir adiante na minha busca alucinada pelo Sasuke. Não havia necessidade de respirar, e sinceramente, as propriedades da água confundem nossas orientações de cima baixo, esquerda direita. Principalmente quando você está caindo em escuridão. 

Desaparecendo do mundo e o mundo desaparecendo dentro de mim, eu precisava fazer alguma coisa, precisava criar um jeito de encontrar o caminho. A sensação de que algo havia deslocado dentro do meu peito era intensa, persistente, quase palpável; mas não chegava a doer. Entorpecida, eu estava satisfeita por apenas contemplar a escuridão envolvendo meu corpo como um manto, mas ela se desfez como fumaça, e meus olhos se abriram, como se eu estivesse acordando de um sonho. 

Não havia sinais do Sasuke, mas ainda sentia sua presença. Eu estava em Konoha, deitada no chão úmido, ensopada pela chuva gelada que caía, tentando me orientar pelas ruas esburacadas e escuras, olhando de uma casa para outra, até perceber que eu estava no Distrito que costumava pertencer aos Uchiha, embora aquele lugar tivesse sido demolido anos atrás. Sasuke deveria estar em algum lugar por ali, sua presença estava fraca, mas era possível senti-la. Apenas uma fragrância, um pressentimento. 

E ao dar o primeiro passo na direção do rastro dele, um garoto passou por mim. 

Ele era pequeno, franzino, de uns seis ou sete anos, andando na chuva; pulando nas poças de lama. Os cabelos pretos e espetados na frente estavam desalinhados atrás, o canto do olho esquerdo inchado em tons cada vez mais vermelhos, o lábio inferior partido. Nas suas costas, estava o emblema do Clã Uchiha.

Não parecia que estivesse dando a mínima importância para o estado das suas roupas sujas ou o cabelo cheio de terra. Ele deu um último chute na poça de lama e olhou para o céu, deixando gotas de chuva escorrendo pelo rosto. 

Ele continuou andando, entrou em uma casa de madeira no fim da rua e a imagem que eu tinha transformou-se em fumaça escura diante dos meus olhos, dissolvendo no ar. Então entendi que aquilo não era real, e sim uma visão. 

Uma segunda imagem foi formada a partir daquela, o mesmo menino sentado em um chão de madeira, uma bacia com lenços no piso ao seu lado e um garoto mais velho, de roupas puídas, ossos da clavícula marcando na pele translúcida, deitado em um futon, a cabeça apoiada em seu colo. 

Estava doente.

Ele penteava os cabelos longos do outro menino mesmo que suas unhas estivessem sujas de terra. Uma mão trêmula tateou em suas costas procurando pelos cabelos que deveriam estar ali, mas voltou vazia. 

O seu cabelo… O que aconteceu com ele? — perguntou o que estava deitado, abrindo os olhos. 

Ah, já tava muito grande, achei melhor cortar.

O menino virou de peito para cima, esfregando os olhos. 

Não minta pra mim, Izuna, estão te mexendo de novo? Fizeram alguma coisa com você?

O garoto negou segurando o rosto pálido e doentio em seu colo, encarando o irmão com um sorriso de canto. 

Ninguém me fez nada, nii-san. Não precisa se preocupar com isso. Eu cortei porque eu quis. Ficou mais bonito assim

E assim como a primeira, aquela também desapareceu, dando espaço para um trovão que balançou a noite. A casa estava escura, e o menino parado na frente de uma das portas do lado de fora, batendo com os punhos fechados e gritando para entrar. 

Por que eu estava vendo aquilo? Onde eu estava? Por que parecia que estava apenas flutuando na borda do universo, sendo levada de um lado para o outro, uma visão para a outra, como uma folha fagulha dispersa? Vendo uma criança maltratada gritando na chuva… 

— Não bate nele! Não bate nele! Otou-san! Otou-san! Otou-san, eu apanho no lugar dele! Nii-san! Nii-san!

O último raio iluminou a noite, o segundo de luz cortando as nuvens assombrosas, deixando as formas escuras surgindo no meio da escuridão e o menino gritando até perder a voz. 

Eu precisava fazer alguma coisa. Eu deveria estar fazendo alguma coisa; mas o quê? O mundo parecia tão apagado e pequeno, que eu sequer saberia dizer em que parte dele eu estava. Onde não estava. Aquilo tudo acontecia na minha cabeça, como se estivesse diante de um projetor antigo vendo um filme triste. 

Algo despertava o instinto de fugir, desaparecer, lembrar; mas eu não estava ali. Alguém se infiltrou na minha cabeça, nos meus pensamentos, ou eu estava afundando nas lembranças de alguém. As imagens continuavam acontecendo como se eu não tivesse opção além de vê-las até estarem tão dentro de mim, que me tornasse parte delas. Um sonho dentro de um sonho. E eu queria acordar; mas continuava presa nos labirintos da consciência dele. 

— Ei, Uchiha, soube que sua mãe fode com demônios. Será que é por isso que você é tão esquisito e seu irmão maluco? — O garoto começou a achar graça, tão alto e grande quanto uma árvore. — O que é isso que você tem?

O rapaz tentou arrancar um livro das mãos do Uchiha, vendo que seria impossível, jogou o garoto com a fronte contra a árvore na qual estava apoiando as costas antes enquanto lia sentado no jardim da escola. 

Uh… Sandman… — Ele mostrou os livros aos outros. — Roubou isso de quem? Hein

Izuna não dizia nada. Apenas olhava fixamente para o livro, sem qualquer sinal de expressão no rosto. 

Diz! De quem roubou? Eu sei que não tem dinheiro, não é por isso que sua mãe faz programa?

Devolve. — Foi tudo que conseguiu dizer. 

Se eu pagar, você avisa que eu quero que ela chupe meu pau? Soube que Uchiha é bom nisso… Seus pais são primos não são? Isso quer dizer… que teu irmão… 

— Não fala do meu irmão

— Ou o quê

O mais alto segurou bem o livro, acertando o rosto do menino. Uma segunda e terceira vez, até Izuna estar quase cego e atordoado com lágrimas queimando nos olhos. 

Seguram ele, vocês dois. Vou ensinar a não pegar coisas que não te pertencem

O garoto era tão magro, que no primeiro soco quase desmaiou, esguichando sangue. No segundo, a visão ficou embaçada e desfocada, que já não sabia o que via. O jardim da escola, os prédios e os alunos girando ao seu redor como um carrossel. 

Ele olhou para mim, diretamente para mim, como se soubesse que eu estava lá observando tudo; sorriu torto, e desviou o olhar, ao mesmo tempo que a imagem se desfazia e eu voltava para as ruas esburacadas do Distrito Uchiha. Vendo mais e mais e mais lembranças dolorosas, horríveis. Não sabia se ele queria me mostrar aquelas coisas ou se era inevitável que eu as visse. Ele estava invadindo minha cabeça ou era eu que estava invadindo a dele? O espírito vingativo era isso? Um garoto que sofreu abusos e violência na escola, em casa, e ainda teve uma morte horrível? 

E não é isso que configura o instinto de vingança? Quanto maior a pureza, mais vil o ódio. Pessoas boas e gentis são as mais violentadas, e uma vez corrompidas, o mal é tão grande quanto o bem fora uma vez. Mas eu não poderia me deixar enganar pela astúcia dele de mostrar sua fraqueza para me prender, eu precisava achar o Sasuke. Eu precisava me concentrar apenas no rastro do Sasuke, independente das coisas que ele mostrasse para mim. 

E acima da minha cabeça, ouvi o grunhido alto do Corvo, voando diretamente para mim, seguindo na mesma direção, para o escuro, para a floresta silenciosa. Comecei a andar, e minhas pernas já estavam falhando, o que significava que meu tempo estava acabando. Não poderia acordar sem levar Sasuke de volta. 

Tareco continuava voando na frente, dando a direção, a coisa mais absurda e que no momento fazia mais sentido, ele estava me guiando até o lugar. Um espírito auxiliador. Sasuke disse que o Corvo havia adotado Itachi, da mesma forma, eu acho que me adotou também.

Comecei a correr tentando não tropeçar ou escorregar, seguindo a ave e meus instintos para o interior do bosque. Ouvia apenas o bicho e meus próprios passos desesperados, não havia vento, animais, nada. Nada me parecia tão medonho do que uma floresta silenciosa, com árvores que pareciam esconder segredos, sombras alongando-se por todos os cantos, tudo imóvel parado, escuro, e gelado. 

Em pouco tempo, o rastro começou a ficar mais forte, cada vez mais forte, intenso, e ao sair da escuridão para a o luar que resplandecia na clareira, eu o vi, Itachi-san estrangulando o próprio  irmão no chão. Não parecia que estivesse tentando matá-lo de verdade, mas eu sentia a energia do Sasuke esvaindo-se no ar. Ele estava se nutrindo do espírito do Sasuke. Um devorador de almas. E o mais novo já não tinha forças para lutar contra ele. 

Nessas horas, você não pensa claramente. A urgência que eu tinha de salvá-lo era mais forte e autoritária do que qualquer medo ou pânico que pudesse paralisar minhas pernas. Deixou meu corpo em chamas, deu a coragem que eu nem sabia que tinha. Não precisava olhar para ele, não iria olhar para ele. Meu corpo se moveu sem que eu tivesse qualquer controle sobre isso, não pensava em nada, não via nada, nada além do Sasuke prestes a morrer nas mãos daquele filho da puta. 

Nunca pensei que eu iria correr para minha própria morte, que eu iria chegar ao ponto de não temer o que viesse antes e o que viesse depois. Eu corri, vendo o rapaz que estrangulava Sasuke ser transformado em uma nuvem de libélulas, e o meu Tareco, ele voou com toda sua coragem na direção dele, abrindo as asas que pareciam bem maiores do que eu já tinha visto antes e desfez-se no ar como uma legião de corvos se chocando contra a coluna de libélulas. Foi o tempo que consegui alcançar o corpo do Sasuke no chão, ele estava quase inconsciente, olhando para o confronto que acontecia acima de nós. 

— Sasuke! Você precisa acordar! Agora!

Ele estava com os olhos vermelhos, a pele em tons roxos, tão fraco, que mal conseguia olhar para mim. 

— Hinata...

Ele estava tão débil e apático, sem forças, eu não sabia como fazer para convencê-lo de que eu realmente estava lá.

— Essa coisa não é o seu irmão! Ele não é! Itachi-san nunca faria isso! Ele falou comigo! Você precisa acordar!

Beijos costumam funcionar em contos de fadas, mas talvez uma tapa fosse mais efetiva. Eu sempre quis bater nele, embora preferisse que fosse em outra ocasião, agi por impulso. Uma tapa violenta, que deixou minha mão em chamas. 

Sasuke também deve ter ouvido um rugido, a luz, olhei para cima e a nuvem de libélulas parecia mil vezes maior e mais densa do que antes, perdi os movimentos do meu corpo, pensamento e raciocínio. Não era diferente de estar em um barco pequeno em alto mar vendo a onda gigantesca prestes a destruir sua embarcação ao meio. Eu não tinha como me defender daquilo, Sasuke muito menos. 

Segurei ele com força e fiz a única coisa que poderia fazer, que uma pessoa como eu poderia fazer. Entregar-se. Nunca poderia culpar minha família, os Uchiha ou Orochimaru pelo que estava prestes a me acontecer. Eu trilhei aquele caminho, eu escolhi, e eu deveria pagar por ele. Eu não queria morrer ou ser destruída, mas não havia mais volta. 

Virei o rosto, fechei os olhos, abraçando o corpo do Sasuke e deixei acontecer. O som da colisão foi como trovão nos meus ouvidos, um rugido vindo da própria terra, uma pulsão tão forte quanto o resplandecer do Sol. A luz, o calor, e o resplandecer azul que me arrebatou quando abri os olhos e vi um homem parado na minha frente usando vestes brancas balançando com o vento gerado pelo atrito das forças contrárias, cabelos brancos longos. Por um segundo, ele olhou para trás, sustentando a força de oposição em uma espécie de escudo protetor, seus olhos brancos como pérolas fixos em mim. 

E a luz me cegou, destruindo tudo em um cataclismo infinito. Poderia ter sido o fim do mundo e de tudo que já existiu, se foi, eu morri sem medo, porque ele estava lá. 


Notas Finais


Esse ele é o Hamura meixmo pq sim
Ele é o patrono dos Hyuuga, tem que proteger meixmo
Aí gente, chorei.
Adoro heroínas 😍

Aquela coisa, amigos, eu gosto de todos os Uchiha sem exceção, hehe, então vou contextualizar o que houve com Izuna, Itachi etc. Todo mundo vai ter contexto pq eu tento ao máximo não deixar ponta solta.
Bjs de luz
Vou ali bolar mais maldades.
E, não, ela não morreu é só meus drama mesmo


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