História Dark Blue - Capítulo 25


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Personagens Personagens Originais
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Palavras 4.975
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Fantasia, Ficção, Mistério, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


I back to you fucking ladies

Foi rápido, né? Tbm achei.

Tudo bom contigo? E comigo? skskdjlask

Escrevi até rápido esse capítulo, mas ainda sinto a dor... ai.

Espero que gostem e comentem, clarus, eixtou ansiosa pra ver oq vcs têm a me dizer.

Boa leitura, amores.

p.s.: aplaudam o meu intérprete preferido de Jace Herondale (se preferirem Wayland, Morgenstern ouu Lightwood), Dominic Sherwood, nesse gif malaviloso. E ele tbm faz o mozão Christian Ozera <3

Capítulo 25 - Está aberta a temporada de caça à Edyth Cole.


Fanfic / Fanfiction Dark Blue - Capítulo 25 - Está aberta a temporada de caça à Edyth Cole.

25

Mas meu momento de alívio durou pouco.

Muito pouco.

Assim que consegui me manter em pé sem uma ajuda da Uma, suas mãos duras agarraram meus braços e me viraram para sua direção, meus olhos pregados nos seus: aflitos, raivosos e decididos.

Algo ruim estava por vir e eu senti isso no momento em que Uma Bosch abriu sua boca para falar:

— Tem certeza do que estava fazendo, Edyth? — ela perguntou, mas me senti confusa. Do que ela estava falando? Ela ergueu uma sobrancelha. — Certo. Eu não queria fazer desse modo. Está estragando tudo.

Gaguejei, confusa com tudo aquilo que ela me falava. Que diabos ...

— Do que está falando, Uma? O que foi?

Ela riu sem humor, as unhas entrando em minha pele e começando a arranhar. Contraí os lábios com o incomodo nos braços.

— Te peguei, Edyth. — ela sorriu diabolicamente, curtindo meu momento de angústia. — Eu avisei que as coisas boas duravam pouco por aqui.

Uni as sobrancelhas, não entendendo cargas d'água do que ela falava. Antes que eu pudesse abrir a boca e questioná-la novamente, ela me virou bruscamente e me empurrou na direção da Rainha, que estava por ali cheia de aflição.

Haviam civis no enorme vestíbulo, não todos, mas uma parte. A maioria estava ferida, e aqueles que não estavam cuidavam dos enfermos. Parecia uma grande rede de ajuda e prestabilidade.

Arfei de surpresa quando ouvi a lâmina zunindo no ar e se acomodando no espaço da minha jugular, pressionando ali perigosamente. Uma estava com a adaga em meu pescoço, pronta para cortá-lo assim que eu me movimentasse contra suas ordens.

Ela estava pronta para me matar.

— Uma?! O que está fazendo? Solte-a. — a Rainha Ambreer estava assustada, correndo para mais perto.

— Ela é uma traidora, majestade. Flagrei-a na floresta, conspirando contra a senhora com Ector, meu irmão. — Uma disse, na maior cara de pau e muito cínica.

Meus lábios se abriram em um perfeito O e comecei a negar com a cabeça.

— O quê? Isso é mentira!

— Então não estava na floresta com o Ector? Falando sobre tirarem você da cidade?

— Estava, mas não era porque eu...

A Rainha estava chocada, me encarando como se eu tivesse acabado de arrancar-lhe o coração do peito e comido ali mesmo. Colocou a mão no colo, me olhando cheia de incredulidade.

E ela que havia dado tanto por mim...

— Isso é verdade, Edyth? Se encontrou com Ector Bosch? — Ambreer perguntou, inclinando a cabeça para o lado.

— Sim, mas não foi porque eu quis! Ele me raptou, estava me ameaç...

— Mentira! — Uma berrou, afundando a lâmina fria em meu pescoço. — Essa hipócrita estava tramando com meu irmão no meio da floresta. Eu vi!

— Viu nada! Se tivesse visto saberia que não foi assim que as coisas aconteceram. Sua mentirosa! — acusei-a, tentando me livrar de suas garras apertadas. Mas se eu me movimentasse demais, acabaria no chão, sangrando e com uma adaga enfiada na jugular.

— Então explique-se, por favor. — a própria Rainha já estava alterada, com as mãos cerradas em punho e com o sentimento de traição pintando seu rosto.

— Majestade...

Um barulho forte ecoou no salão, acompanhado de uma forte ventania. Dois vórtex se abriram: um era a habitual e brilhante Fenda se abrindo, de onde Adam e James estavam saindo; já o outro era algo parecido com uma Fenda, mas não era branco e nem brilhante, era escuro e sombrio, como se o sopro que saía dele fosse o suspiro da morte.

E é claro que seu passageiro era Ector, com o mesmo rosto presunçoso e superior de algum tempo atrás. Diferente da Fenda de Adam, a de Ector não se fechou, permanecendo em sua aura de buraco-negro sugador de almas.

Claro que meus olhos se fixaram em Adam, com sangue escorrendo de seu braço esquerdo, o mesmo que ele costumava empunhar a espada e usar para escrever. James estava ao seu lado, sem nenhum ferimento sério, apenas suado e com fuligem cobrindo-lhe o rosto, assim como Adam. Assim que os olhos azuis do meu namorado captaram os meus, duas coisas passaram pela minha cabeça imediatamente: as três doces palavras que ele me disse antes de me deixar com Lake e o quanto ele estava apavorado em me ver ali, sob a frieza calculista da adaga de Uma.

James também se assustou com a situação: Uma me segurando debaixo de sua lâmina, com cara de quem queria me matar, Ector saltando de uma Fenda versão trevas trevosas e a Rainha me olhando como se quisesse dizer ao primeiro guarda "corte-lhe a cabeça".

Eu não a culparia.

— Edyth? — e lá estava ele, Adam, vindo em minha direção.

E tudo o que eu queria naquele momento era estar com seus braços ao meu redor, me protegendo e dizendo que tudo ficaria bem assim que eu acordasse daquele pesadelo horrível. Uma pequena carícia e um sussurro em meu ouvido, um beijo doce que resolveria todos meus problemas em seus primeiros segundos de existência. Era tudo o que eu precisava e absolutamente tudo o que eu mais queria.

Mas não houve abraços, não houve juras eternas e nem palavras confortantes. Nosso lindo beijo milagroso? Não nasceu, ou se quer foi cogitado. Nenhum toque, nenhuma carícia. Nada.

Não houve nada que não fosse meu grito cortante quando Ector se pôs na frente de Adam, tirando da bainha uma espada afiada e letal.

Uma parecia um pouco (lê-se muito) perplexa. Seu aperto esmagador se afrouxou e eu consegui me distanciar dela. Ela caiu de joelhos no chão, encarando o irmão feito uma miragem irrealista. Lágrimas apareceram nas bordas de seus olhos e eu senti pena dela.

Depois de tudo que joguei na cara dela no último almoço, ela deve ter ficado mal.

— Adam! Adam! — gritei por seu nome no mesmo instante que Ector lançou sua espada na direção de Adam.

Eu poderia jurar que aquele era o fim dele, que Ector lhe partiria no meio e que seu sangue mancharia todo o chão feito tinta manchando uma tela vazia. Mas, graças a Deus, não foi o que aconteceu.

Adam se agachou e desviou do golpe, tomou distância de Ector e puxou sua espada, girando-a com a mão esquerda habilidosamente.

— Eu vou te matar. — Adam disse, enquanto os dois giravam entre si. Os olhos azuis estavam magoados, bravos e tristes. Os olhos verdes estavam decididos, debochados e presunçosos. A diferença era gritante. — Vou acabar com você e mandar seus pedaços para o Victor e mostrar o que farei com ele.

Ector riu, apontando a espada para Adam despreocupadamente. Curvou os lábios suavemente, depreciando Adam totalmente.

— Não vim brigar com você, irmão. Não ainda.

— Não me chame de irmão, porra. Deixou de ser isso faz muito tempo. — meu namorado rugiu para ele.

— É uma pena, Sterne. Eu gosto de você, cara. De verdade. Olha só a prova. — então ele abaixou sua espada, lançando uma piscadela para o garoto frustrado de cabelos azuis. — Apenas vim para buscar sua namorada.

Foi a vez de Adam rir com depreciação:

— Vai sonhando. Não deixarei que a leve.

— Creio que não é você quem decide isso, Adam. — Ector de virou para mim, a curva dos lábios se ampliando. — E aí, Edyth? Por que correu pra cá? Achei que tivesse dito que iria comigo.

Naquele instante cada ser vivo e não vivo daquele vestíbulo correu com seus olhos em minha direção, cheios de incredulidade e julgamento. Era como se até os vasos persas que decoravam o lugar me olhassem com decepção. 

Droga...

—Por favor... não façam isso. — implorei, chorando, pois sabia que ele entendia que era sobre a Cam.

— Sinto muito, Edyth. Te demos suas opções e você escolheu a que fazia sentido. Mas precisamos ir logo, querida.

O choro veio com mais força, me fazendo soluçar. Adam me olhava totalmente confuso e novamente: incrédulo.

E então era aquilo? Se eu ficasse e contasse tudo ao Adam e à Rainha, Camilla morria, mais uma vez alguém morreria por minha causa. Mas se eu fosse com Ector, sob a condição de não contar nada e cooperasse com Victor e toda essa merda, Camilla permaneceria respirando. Mas para isso eu teria que trair a confiança de todas as pessoas que prometeram me cuidar. Estaria traindo a Rainha e todo o povo, tanto como estaria o fazendo com a Tropa e os Sterne. Jade, Lake, Hiram, Vlad... todos indo para o espaço pela minha traição que salvaria Camilla.

Mas principalmente, eu partiria o coração de Adam Sterne: o cara que havia dito que me amava poucas horas atrás, com todo seu coração.

O garoto que eu mesma amava com todo meu corpo, alma e mente. Cada átomo que se uniu para formar meu corpo amava Adam mais do que eu poderia medir.

E mesmo assim, guardei isso para mim por dois motivos: (1) estava estarrecida e irritada demais para dizer e (2) ele não acreditaria em mim, não se eu fosse fazer o que meu coração, despedaçado, dizia que eu deveria fazer.

Todos estavam estáticos em seus lugares, enquanto o vórtex negro de Ector fazia um barulho perturbador.

Foquei meu olhar em Adam, gravando cada pedacinho dele em minha mente, como se estivesse entalhando seu rosto, seu corpo e cada curva dele em um bloco de mármore e levando comigo.

Me desculpe, Adam...

Quando comecei a andar vi o alívio exalar dele, convencido que tudo o que Ector dissera era mentira e que eu nunca iria embora. Mas ele estava enganado.

Com os lábios tremendo, mas tentando me manter firme, andei o mais rápido que meu desespero e pavor permitiam. Eu quase, quase consegui ouvir o barulho dos caquinhos cardíacos caindo no chão, estilhaçando e se espalhando pelo chão de mármore.

Ouvi o grunhido de Adam quando me coloquei ao lado de Ector, contraindo o rosto de nojo do que eu mesma estava fazendo.

Pense na Camilla... pense na Camilla... pense na Camilla... pense na Camilla....

Camilla.

Camilla.

Isso estava me custando muito. Era bom que Victor mantivesse o acordo, pois a minha parte estava sendo cumprida e muito bem, por sinal, uma vez que Adam estava roxo de ódio.

Eu só torcia que não fosse por mim.

Ele se aproximou, girando a espada nervosamente em sua mão esquerda. Girava tão rápido que eu ouvia o silvo da lâmina no ar. Por dois segundos me lembrou as hélices de um helicóptero.

— Edyth. O que está fazendo? — seu queixo estava travado, as palavras saindo por entre os dentes trincados.

Meu queixo tremeu, mas eu me recusei a chorar. Eu voltaria, não ficaria presa a Victor para sempre. Eu fugiria.

— E-eu sinto muito. — mas não gaguejar era impossível.

— O que está fazendo? — meu coração despedaçou um pouco mais quando vi as lágrimas brilhando em seus olhos.

Ector me puxou para trás, segurando-me pelo braço. Neguei com a cabeça para Adam, tentando dizer o quando eu sentia muito. Mas acho que nada adiantaria muito.

Eu já sentia sua raiva por mim me atingindo em cheio, mesmo de longe.

— Vai partir com ele? — sua voz, pela primeira vez, me parecia frágil. Era rouca e instável, como se ele fosse desmoronar com um simples sopro, feito um castelo de cartas.

Não respondi, sentindo o braço indesejado de Ector passar ao meu redor feito um laço.

— Senhorita... — foi sua última tentativa de me fazer sentir algo para desistir, quando mal sabia ele que eu sentia. E sentia até demais.

Sua expressão era dolorosa, um crime sendo cometido por mim. Aquela era a última coisa que eu queria ver: o sofrimento dele. Era demais para mim, se eu o visse por tempo demais Camilla terminaria aquela noite morta, sem sua cabeça ou pior. Torturada até que seu corpo humano sucumbisse.

Me virei para a Fenda escura, fechando os olhos e permitindo que as lágrimas escorressem.

Ouvi a risada baixa e cruel de Ector. Ele tripudiava de alguém, provavelmente Adam. Mais tarde, algum dia desses, ele pagaria por isso e mais um pouco. 

Enquanto atravessava aquele portal estranho com Ector, podia sentir o olhar de todos queimarem em minhas costas.

James, a Rainha, Uma, todos os súditos de Ericantus...

Adam.

Meu precioso Adam.

Muito provavelmente, esse pronome possessivo não seja mais adequado em relação a ele. 


 

Estava frio, mas eu me recusava a usar a cama ou os cobertores de aparência cara. Fiz menos questão ainda de trocar meu vestido branco sujo e minha capa rasgada por alguma das roupas mundanas no armário.

Deitei-me no tapete, me encolhi feito uma bola e abracei os joelhos próximos ao peito, tentando comprimir toda a dor que eu estava sentindo. Tentando, inutilmente, fazer com que todo o sofrimento que me afetava desaparecesse.

Eu não queria sentir mais nada. Absolutamente nada.

Nem as lágrimas desciam mais. Se recolheram para meu interior por vergonha de serem as lágrimas de uma traidora feito eu. Elas secaram em meus olhos e se recusaram a me dar a aparência de arrependimento.

Eu não merecia isso, nem mesmo por fazer tudo o que fiz apenas para salvar minha amiga.

Para mim, eu não merecia mais nada.

Nem mesmo o perdão de todos aqueles que deixei para trás.

Merecia apenas o vazio gritante e solitário, cheio de eco e escuridão.

Cheio de nada. 
 

A  D  A  M     S  T  E  R  N  E
 

Ela me deixou.

Nos deixou.

Virou às costas a tudo que eu havia planejado e simplesmente desapareceu com o cara que matou o pai dela.

Ela me deixou. 

E minha única reação após aquele buraco-negro desgraçado ter desaparecido foi correr para fora, aparecer na cidade, onde o caos estava instalado e arrancar as tripas de cada soldado ou ser sobrenatural que lutava contra meus amigos e companheiros.

Consegui alguns ferimentos, mas nada que fosse capaz de me machucar ou doer mais do que vê-la partir, sem ao menos ter me dado um último beijo ou explicações.

O que havia acontecido? Ela havia sido ameaçada? Mas quem mais Victor ameaçaria quando a família toda estava morta? Duvido que tenha sido eu. Ela saberia que não tinha que ter preocupações. Se fosse eu ela teria me contado ali mesmo e da mesma forma eu teria acabado com Ector.

Então não era uma ameaça.

Mas... por quê? Eu me recusava a acreditar que havia sido simplesmente... a vontade dela. Me recusava... era simplesmente incabível.

Edyth era doce, meiga e boa. Nunca nos viraria as costas. Nunca me trairia...

Mas o que seria então? Eu só podia estar esquecendo algo...

Suspirei, sentado na cadeira da sala de reuniões do Conclave. O Conselho estava reunido com a Rainha também. Depois que conseguimos neutralizar todo o pessoal de Victor, a maioria estando morta e a outra metade nas celas do Castelo de Ferro, como Alexis sugeriu, todos os soldados voltaram à Arena. Tivemos apenas alguns feridos e e nenhum morto. Morgana ficou por um tempo na Arena, ajudando a tratar os ferimentos. Contei à ela sobre o ocorrido, sem lhe poupar detalhes. Morgana estava chocada, incrédula tanto quanto eu.

Sobre a passagem que Ector usou, ela disse que Eclipsa, sua irmã, deve tê-la feito usando sua maior especialidade: magia negra. Eclipsa foi expulsa perpetuamente para o Vale das Sombras há muitos anos, por fazer o uso indevido da magia. Como de costume parte de sua mágica foi drenada, mas ela deve ter ficado mais forte com tanto tempo, forte o bastante para conseguir um portal temporário. A magia, muito provavelmente, estava fraca demais, impedidas pelas barreiras da Morgana, então Ector devia ser rápido.

Se Eclipsa podia fazer um portal, era hora de tomarmos mais cuidado. Da próxima vez, a guerra seria pra valer.

Meu pai, que naquele momento estava mais para Comandante Roger do que para meu pai, questionava firmemente todos, principalmente Uma e James. Ela não falava nada, já James contava toda a estranheza que havia sido aquele momento. Meus olhos não saiam de Uma, que achava mais interessante encarar o tampão de vidro da mesa do que responder às perguntas que o Comandante fazia. 

A faísca de raiva que se acendeu em mim quando a vi segurando Edyth voltou acompanhada de vários pontos de interrogação. Estreitei os olhos, com a mão no queixo e recostado na cadeira para analisá-la melhor. 

Quando Edyth se foi, ouvi alguns burburinhos sobre traição, como era esperado. Mas ouvi também sobre provas oculares de tal ato. E elas pertenciam à soldada de cabelos esbranquiçados que olhava estranhamente para o nada.

Se ela sabia de algo, teria que contar. E se sabia, por que já não disse?

Senti o corte em minha costela fisgar quando me levantei, produto produzido por um lobo de focinho pintado na segunda vez que saí. Meu braço estava cortado também, mas isso era bobagem, não era um estrago grande. Morgana me deu Eisblume, mas não tomei nenhum gole.

— Uma. — chamei-a, exagerando no tom rude.

Ela me encarou, sobressaltada. James e meu pai, os únicos que estavam falando, pararam quando me viram de pé. Uma não disse nada, apenas ficou me olhando, então concluí que eu devia prosseguir.

Me aproximei e curvei-me sobre a mesa, me apoiando com um braço e olhando-a nos olhos.

— Ouvi por aí que você tem provas de que Edyth traiu o Trono. É verdade?

Ela vacilou por um instante, mas logo voltou ao seu normal.

— A vi na floresta, conversando com Ector sobre ela ir com ele para o esconderijo de Victor. — ela disse, um pouco afetada ao falar do irmão. — Ela parecia bem... confortável ao lado dele.

Dei uma risadinha debochada. Claro que a última parte foi para me atingir, mas eu conhecia a Edyth e sabia do tipo de sentimento que ela nutria por ele. Ela só estaria confortável ao seu lado se a cabeça dele estivesse rolando no chão e seu corpo caído chão, após ela mesma cortar seu pescoço.

— Engraçado dizer isso... foi exatamente o contrário do que Lake e Jade me disseram quando se recuperaram do ataque que sofreram na floresta. Jade disse que enquanto Lake e Savannah brigavam com os lobos do seu irmão, após ele ter matado Eric, Ector bateu em Jade e com muita relutância da parte da minha namorada, ele a levou. — falei, cada vez mais próximo dela, causando-lhe pressão. — Quem está mentindo, querida?

Se tinha uma coisa que Uma não era pra mim, era querida.

— Já pensou que a sua namoradinha podia ter armado, encenado tudo isso? E que por dentro ela queria era que todos morressem?

— Vlad disse que a viu correndo pela cidade. — Dylan disse confrontando Uma, que estava sentada de frente para ele. Ergueu uma sobrancelha em sua direção, a desafiando a desmenti-lo. — Ela estava assustada, mas ele não pôde socorrê-la porque estava contendo vampiros inimigos. E ele te viu com ela, Uma.

Vi o movimento em sua garganta quando ela engoliu seco, mas esse foi o único ato de nervosismo que ela deixou escapar, pois continuava com aquela cara de sonsa que ela tinha toda vez que mentia. E aquilo me irritava tanto...

— O que tem a dizer, Bosch? — Roger perguntou, com a cara nada satisfeita. — Se meus soldados mentem para mim e me negligenciam as informações, em quem confiarei? 

— Não estou mentindo, senhor.— ela estava "ultrajada", olhando feio para o Comandante Sterne.— Eu a vi na floresta, senhor, com meu irmão. 

Ele a observava, tentando analisar suas feições. Estaria, a pobre Uma, traída pelo irmão e órfã de pai, falando a verdade sobre o que diz ter visto na floresta?

— E o que fazia na floresta se as ordens do Comandante eram ficar no perímetro da cidade? — James sorria com a chance de pressioná-la, estava se divertindo.

Ela o encarou, incrédula.

— Vi sinal de fogo, me preocupei e fui checar, James. — ela cuspiu as palavras para ele, genuinamente irritada.

Girei sua cadeira e a forcei a me olhar. A raiva deixava seu rosto pálido corado e cruel, como se ela fosse matar alguém dali uns segundos. Dava para ver o quanto ela se incomodava em ser questionada, afinal era de se esperar que todos confiássemos nela de olhos fechados. Ou talvez não...

— Diga a verdade, soldada. Pode acabar presa por mentir. Ou quem sabe pior p...

— Pare de me acusar, seu idiota! Acha que eu arriscaria minha cabeça para mentir sobre sua namorada imbecil? Eu sei o quanto ela é preciosa para a Rainha. — ela riu sem humor, demonstrando as feições de alguém que está prestes a provocar as pessoas. Ela vivia com aquela expressão. — Sei que a Rainha gosta de te manter feliz, por mais que você a afaste, Adam.

Endureci o rosto. Ela adorava jogar aquela história na minha cara, sempre que tinha oportunidade resmungava sobre o que ela achava que era o motivo do nosso término: fofocas e mentiras contadas por um certo alguém da corte. Nem um de nós dois gostávamos muito dessa pessoa, era a única coisa que tínhamos em comum. Só que a Uma fingia melhor, mantendo-se próxima.

— Isso é assunto encerrado, Uma. —falei entredentes.

Ela achou graça, rindo com depreciação. Parou de rir de repente, me encarando mordazmente. Ela ainda estava com as mágoas antigas entaladas em sua garganta, nunca superou nosso relacionamento ter terminado e nunca culpou alguém que não fosse eu. 

Acha que a magoei de propósito. Eu se quer achava que ela realmente tinha sentimentos para magoar. Amava pisar nas pessoas e dava risada como se fosse normal. Não aguentei uma semana daquela tortura.

Uma era cruel, prepotente e egoísta. Continuou do mesmo jeito mesmo depois de eu ter dito que era seu jeito que me havia afastado dela. Mas ela preferiu me xingar e me acusar.

  — Não gosta da verdade, Adam? Ela te incomoda, bastardo? —  ela se levantou e me empurrou, nervosa. — Pois vamos lá, docinho. Sua namorada, aquela vagabunda, deve ter caído nas graças do Ector. Ele deve ter usado todo o charme dele contra ela e advinha só? Lá está sua garota: nos braços do meu irmão, em sua cama, seja onde for que ela fica. Está fazendo a mesma coisa que fez comigo!

Enfurecido, agarrei seu braço e a puxei ameaçadoramente.

— Não repita isso. Cale a sua boca agora! — murmurei entredentes, a beira de um colapso.

— Edyth está te traindo de todas as maneiras que ela conseguir, seu babaca! Está doendo, Adam? — ela parecia uma lunática, me olhando com os olhos arregalados e com lágrimas de crocodilo nas bordas. — Eu espero que esteja, espero mais ainda que piore, da mesma forma que aconteceu comigo!

— Acalmem-se vocês dois. — James disse.

— Cretina, desgraçada. Pare de falar. — grunhi.

— Está sentindo o chifre nascendo? — ela gargalhou alto. Essa garota não tinha cura, era dali direto para o hospício. — Sua namoradinha não é santa como todos achamos... bem, eu não achava, mas ela enganou vocês direitinho. Ela foi burra feito a mãe dela e se bandeou pro lado errado.

— Pare de ofendê-la, ela não está aqui para se defender e isso é mentira. Portanto, cale a porra da boca antes que eu perca a cabeça.

— Que medo, Adam. Vai me bater? Sabe que eu não me importo em brigar de igual para igual. — ela me empurra, fazendo nós dois irmos para trás.

— Sei que gosta de brigar, mas eu não. Me deixe em paz. — agora era ela que me prendia, bufando de raiva.

— Procurou confusão, Sterne. — seus olhos se arregalaram em falsa inocência, inclinando a cabeça para o lado. — Achou.

Ela sacou de sua bainha uma adaga, que me lembro pertencer ao Ector. Leona deve ter deixado que ela ficasse com a adaga. Mas eu tinha certeza de já tê-la visto em outro lugar que não eram as mãos perigosas da psicopata da Uma...

Uma me golpeou, mas segurei seus pulsos antes que a ponta afiada entrasse em minha carne. Assim que me afastei, mesmo que ainda a segurasse, ela me chutou na barriga, fazendo-me soltar um grunhido. Me esforcei para continuar impedindo que ela me atacasse com a adaga familiar, mas ela era uma soldada, uma das melhores e era muito forte. 

Se livrou de uma de minhas mãos e me deu um soco, sabendo que eu não faria a mesma coisa com ela. Soltei um grunhido irritado, empurrando-a na direção da mesa, onde todos se levantaram e começaram a gritar para que parássemos. Na verdade, eu só estava recebendo chutes e alguns murros sem força. Joguei suas costas com mais força contra o vidro, enquanto ela gritava dezenas de palavrões e esperneava.

De tanto ela se agitar, a lâmina fez um rasgo em meu rosto. Me retraí de surpresa e ao mesmo tempo de dor. Soltei seus pulsos e me joguei para trás, tocando meu rosto e vendo o sangue manchar meus dedos. Em sua primeira oportunidade ela me socou de novo, mas por reflexo eu revidei, acertando seu estômago.

Mas que merda, eu não queria revidar! 

— Me desculpe.— meu próximo reflexo foi me desculpar e tentar ajudá-la.

Quando ela me encarou,  havia apenas ódio e deboche.

— Não peça, eu não pedirei.

Seu pé se levantou até o alto e atingiu meu peito, fazendo com que minhas costas batessem contra a parede. Desviei quando ela ia me chutar de novo e segurei seu pé no ar, torcendo-o e pressionando-a de barriga na mesa com brutalidade. Para arrancar adaga de sua mão tive que abrir cada um dos dedos e a joguei longe, segurei suas mãos no alto da cabeça e a imobilizei, curvado sobre ela para mantê-la parada sob meu peso.

— Já chega! Merda. 

— Vamos lá... foi divertido, Adam.— ela se desfaleceu de rir, com lágrimas nos olhos. Sua respiração estava pesada tanto quanto a minha. — Quanto tempo faz que não ficamos nessa posição?

Argh, que insuportável...

James notou meu desconforto e tomou meu lugar, levantando Uma da mesa e levando-a na direção da porta.

— Sua perturbada, vai se tratar.

— Vai se arrepender, Adam. Por tudo, todas as palavras que me disse e tudo o que fez! Você, a Edyth e aquela outra vadia! Vou acabar com todos vocês!— ela gritou, com os braços presos nas costas por James. Alexis os acompanhou para fora. Ela berrou tão alto, que ainda consegui ouvir sua voz vindo do corredor lá fora: — Se prepare, Adam! Vou abrir a temporada de caça a Edyth Cole...

Ela deve ter dito alguma outra coisa, mas sua voz começou a sumir gradativamente, enquanto Alex e James a arrastavam pelo corredor.

 

 

No outro dia, decidi que não iria para a Arena. Eu precisava de um tempo, para digerir, tentar achar uma razão cabível ou qualquer coisa que desse cem porcento de inocência à Edyth. 

Morgana me informou sobre a Corte que a Rainha reuniu, com todos os membros do Concelho, menos meu pai, que estava ocupado demais com o Conclave. O Concelho do Trono discutiu a possível traição da Edyth. Compondo todo o Concelho estão as principais representações políticas da cidade e do mundo da magia: Meus pais como os Soldados, Hiram como o Alfa da maior alcateia, Vlad como o líder do maior clã, que não reside em Ericantus mas sim na Pensilvânia, Morgana representa o povo mágico da floresta e Alister Lovegood representa os mundanos, sendo ele um mago, que é a espécie que predomina a residência na cidade além dos feiticeiros e outros seres. 

Fizeram um debate longo, aconselharam a Rainha com seus pontos de vista, tendo Hiram e Vlad como os maiores defensores de que Edyth foi, sim, irrevogavelmente coagida a fugir com Ector e que tudo o que fez foi contra sua vontade. 

Mamãe fez o possível ao falar sobre a convivência dela com minha namorada, não se cansando de dizer o quanto ela tinha certeza de que Edyth seria incapaz de dar às costas para mim sem um motivo muito bom. 

A Rainha escutou cada palavra de todos eles, que em sua maioria, dizia que devíamos resgatá-la, interrogá-la e julgá-la devida e justamente. Tendo em mente que manter Edyth em segurança era prioridade até que, muito dificilmente, ela fosse declarada traidora.

A Majestade ouviu e pensou, tendo sua decisão tomada.

Ambreer Folk declarou que, até que fosse provado o contrário, Edyth, a garota que perdeu os pais por culpa do irmão dela, é uma traidora do Trono e que sua pena ainda está sendo discutida. Falou ainda que as buscas por ela estão vetadas, "ela será pega junto com seus novos companheiros", assim como ela mesma disse.

Morgana e James foram os portadores da notícia ruim. 

— Nós sentimos muito, Adam. — James disse, pondo sua mão em meu ombro.

Estávamos na janela do quarto que Edyth ocupava. As coisas dela ainda estavam por aí, cada canto me lembrando de sua presença.

— Juro que o Concelho não aprova as decisões da Ambreer, tentamos pará-la, mas... — ela suspirou, em derrota. — Sinto muito, Adam.

Assenti, com os punhos cerrados repousados no peitoril da janela, a brisa batendo em meu rosto completamente imóvel:

— Está tudo bem. — disse. — Podem me deixar sozinho?

Eles assentiram. Morgana me deixou um beijo na bochecha antes de partir, levando James consigo pela mão. 

Fechei os olhos e me lembrei de cada detalhe que me atraiu na Edyth.

Eu recordo de todas as boas lembranças, desde a primeira vez que a vi, entrando pela porta dos fundos daquela casa com os olhos vagantes e perdidos, usando saia e coturnos. Quero preservar o sorriso dela, genuíno e doce, toda a vez que eu chegava. O cheiro de seus cabelos e como eles ficavam perfeitamente encaixados entre meus dedos quando a beijava. O toque aveludado de sua pele na minha, e a cor alucinante de seus olhos. A maneira como ela revirava os olhos quando estava irritada ...   

Me perdi em mim mesmo por dois segundos ... até um estalo ecoar em meu cérebro.

Os fundos daquela casa ... a casa de Samantha Shell, uma pista que eu estava seguindo há meses atrás, mesmo que não fizesse mais parte da Tropa. Fui à uma festa em sua casa, a mesma festa que Edyth foi, quando a conheci, por um convite de ...

Camilla.


Notas Finais


Eiiiitchaa. Q seis acharam? N sei se vcs se enfureceram, acho que não. Na primeira versão desse capítulo, acreditem, o Adam estava um embuste, ganhou até soco do James ksksksksk. Mas aí eu vi que tava quebrando meu filho e pensei melhor, além de que ia ficar muito sem sentido... btw, gostei desse capítulo e espero que eu não seja nocauteada pelo vírus do Bloqueio Criativo quando começar a escrever o próximo, pq ele tá babadeira!

Espero que tenham gostado, me esforcei e espero que esteja a altura dos meus belos e malavilosos leitores O/. Obrigado por estarem me acompanhando, está sendo mt importante pra mim <3<3.

Comentem oq acharam, caso vejam algum erro me informem, please! Obrigada por ler até aqui e até mais!
#SabadouFazendoMaratonaDeReign

XOXO '3'


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