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História Dark Destiny - Capítulo 7


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Notas do Autor


O capítulo ia sair ontem, mas por problemas pessoais não deu.
Agradeço todo o apoio de vocês e sinto que voltei normalmente com minhas escritas, então acho que vocês nem sentirão nada, pois os capítulos estão adiantados mesmo.
O capítulo de hoje não tem romance, porém já mostra um lado “perigoso” da Azurah. Enfim, espero que gostem. Para aqueles que leio as fanfics, vou comentar em breve, desculpem a longa ausência ^^

Boa leitura!

Capítulo 7 - Nightly hunt


Eu amo a escuridão 

e como ela reflete quem realmente

somos: nada mais do que a ausência de luz.”

 

 

 

Mais uma madrugada mal dormida, o que já não é de se surpreender. Desta vez não houve visões ou pesadelos, foi somente porque o sono não veio, por isso eram nem sete da manhã e eu já estava tomando café da manhã na companhia de Yuuki, enquanto os outros residentes da mansão deveriam estar no mais profundo sono. O mordomo me questionou sobre minha insônia e a única resposta que encontrei para isso foi a ansiedade de saber mais sobre meus poderes e linhagem, o que não pareceu agradá-lo, pois eu devo me preocupar mais com minha saúde do que com qualquer outra coisa. Às vezes, penso que Yuuki é muito dramático, preocupado em excesso comigo, mas também não posso culpá-lo, visto todas as vezes que eu desmaiei ou quase morri.

Com meu grimório e os novos livros que peguei na biblioteca, me direciono à sala de estudos, querendo deixar um pouco aquele ambiente cor-de-rosa. Sentando no divã que geralmente era ocupada pela pessoa mais vagal daquela mansão, estico minhas pernas e começo a me aprofundar na leitura, consumindo o maior número de informações que minha mente desgastada consegue.

Com as cortinas puxadas, permitindo os raios solares adentrem naquela sala cheia de livros e as coisas de ciência de Reiji, pratico um pouco de magia e leio sobre o “diagrama das memórias”, a qual não apenas ensina a expandir sua mente e recuperar memórias esquecidas, como também acessar almas de pessoas já falecidas, fazendo contato com essas coisas do além. É bem interessante, apesar de ser expositivo demais, e diz sobre como os anjos têm a tarefa de guiar as almas perdidas, fazendo-as encontrar seu caminho.

Entretanto, o que me chama atenção é como recuperar memórias perdidas. Pelo feitiço exposto aqui, dificilmente eu recupero minhas memórias da minha outra vida como celestial, pois precisaria de alguém que me conheceu nessa época; mas é possível para Yuma. Tenho que conversar com ele sobre isso, porém para alcançá-lo também precisaria da colaboração de Shu, o que seria definitivamente algo difícil.

São tantas informações, tantos problemas, que é por isso que eu não consigo dormir.

—Ora, ora... Que surpresa vê-la aqui. —Diz sua voz rígida e com um tom mais descontraído, o que é de se surpreender vindo dele.

—Reiji-san. Já acordado? —Pergunto cordialmente encarando sua figura alta adentrar naquela que muitos consideravam como sua sala.

—Já são quase quinze horas. —Informa fazendo meus olhos se arregalarem pela surpresa. —Pelo visto ficou bastante absorta na sua leitura. Praticando magia?

Fiquei surpresa com o interesse do segundo Sakamaki, mas não pela sua cordialidade e a maneira distante com que me trata, isso já estou acostumada. Ainda não tinha falado com ele após o episódio que o “humilhei” na sala de estar, ainda mais em um ambiente com apenas nós dois.

—Sim. Esse tipo de coisa demanda muita atenção e concentração. —Indico assim que o grimório se fecha automaticamente no meu colo, diante da sua presença vampírica. —Por isso não vi o tempo passar.

Ele apenas assentiu a cabeça antes de se dirigir à sua mesa de poções e começar a separar algumas de suas coisas, ficando de costas para mim.

—Pelo visto você não conseguirá se livrar de mim tão cedo, Reiji-san. —Digo com um sorriso provocativo.

—Não imaginava conseguir me livrar de você mesmo. —Confessa levemente alterado.

Eu e Reiji tínhamos um trato: quando descobrisse a verdade, eu deveria deixar a mansão. No entanto, com o imenso interesse de seu pai sobre mim e também a nossa ligação de sangue, esse trato não pode ser cumprido — mas é óbvio que eu não planejo passar a eternidade aqui, apenas preciso de mais tempo.

—Sei que você odeia compartilhar o mesmo sangue que uma “mulher vulgar” como eu. —Digo referindo-me à maneira como ele sempre se dirigia a mim.

—Não é isso que me irrita. —Diz voltando-se para me encarar com aqueles olhos rubis por trás das finas lentes. —O que me irrita era o fato de nossa mãe ter sido uma celestial e eu nunca ter descoberto isso.

Esse tipo de reação é esperado de Reiji Sakamaki: sempre desejando uma quantidade imensurável de conhecimento.

—Beatrix não era uma celestial completa. —Esclareço, recebendo em resposta um olhar rígido. —Enfim, não quero que nosso relacionamento fique pior depois do que ocorreu.

—Eu compreendo que você não confie em mim. —Diz ajeitando seus óculos.

—Você está sendo compreensivo. —Não posso deixar de me surpreender. —Bem, eu tenho a leve tendência a odiar aqueles que tentam me controlar ou que mentem para mim... E você fez os dois, Reiji-san.

—Não posso dizer que me arrependo. —Sua sinceridade somada a sua postura séria e fechada é desconcertante.

—Acho que podemos começar de novo. —Proponho ficando de pé e evidenciando nossa diferença de tamanhos. —Além do mais, sei dos seus interesses para cima da minha amiga.

No mesmo instante sua pose inatingível vacilou, piscou algumas vezes em sinal de surpresa antes de tentar soar inalterado.

—A caçadora? —Ri descrente. —Eu a ajudei quando ela precisou, nada mais.

—Acho que você esqueceu que ela é minha melhor amiga e, diferentemente de como funciona com vocês, nós não escondemos as coisas uma da outra. —Dito isso, sua postura ficou tensa e um pouco abalada. —Bem, não posso falar que apoio vocês até ter certeza que você é a pessoa indicada para ela.

—Foi apenas um momento de fraqueza, não vai acontecer de novo. —Assegura seriamente.

Reviro os olhos. Se eu ganhasse uma moeda a cada vez que alguém me diz isso, eu já estaria rica.

—Isso é com vocês, não tem haver comigo. —Digo tirando-me da situação. —Mas já aviso logo, se você a machucá-la...

—Eu não ousaria! —Exclama parecendo firme naquilo.

—Reiji-san, sempre tão cavalheiro. —Digo com certa ironia, por mais que seja verdade em partes. —Espero que possam aproveitar a viagem de vocês. Pois eu confio em você que nada irá acontecer com Lia.

O vampiro apenas assente, antes que eu começasse a recolher meus livros. Eles irão partir hoje, talvez eu devesse deixá-lo com suas coisas e ir ver como a ruiva está se saindo.

—Posso lhe perguntar algo, Azurah? —Sua voz me surpreende, fazendo-me virar em sua direção antes de atravessar a porta para retirar-me dali. —Onde pretende chegar com isso?

—Não entendo. —Confesso, olhando-o com curiosidade.

—Eu li um pouco sobre celestiais desde a descoberta, pois não quero as coisas saiam do controle nesta casa. —Seu tom tem novamente sua marca autoritária. —Com seus poderes em expansão, o que espera conseguir?

Paro por um momento, permanecendo pensativa. Sou uma pessoa imediatista, por mais que seja bastante calculista e observadora, não tenho o costume de pensar muito sobre o futuro, já que não espero passar dos 25 anos.

—Respeito, autoridade. —Respondo, fazendo-o me encarar de maneira analítica. —Vocês, sanguessugas, sempre tiveram tudo o que queriam, todo o prestígio que queriam graças ao seus poderes e a sua força vampírica... Principalmente vocês, Sakamakis. Apenas penso que está na hora disso mudar.

—Você quer ter controle... influência, certo? —Indaga desconfiado.

—Não. Quero tudo, Reiji-san. —Seu olhar vacila diante da minha expressão sádica. —Talvez eu seja ambiciosa demais, mas eu terei cada um de vocês comendo na minha mão, incluindo você. Eu terei poder suficiente para isso, seja por magia, seja por carisma ou sedução... Como insetos em uma lâmpada, vocês serão meus.

Dou um sorriso perverso, antes de dar as costas.

—Prometo que será indolor. Você nem irá sentir quando isso acontecer.

Pretendo dominá-los? Sim. Alguns eu desejo mais do que outros, mas no final será tudo igual. Quando eu entrei para a gangue, com quatorze anos, todos disseram que eu não conseguiria, que eu não passava de uma garotinha e os caras riram de mim, até, um por um, começarem a cair aos meus pés — eu sou muito mais forte do que eles imaginam.

Afasto as memórias do meu passado de gângster, porque esse período foi bem sombrio, principalmente quando fiquei sem Lola por um ano, sem ninguém para colocar um freio nesse trem descontrolado que sou: era bandidagem, drogas e sexo. E eu era feliz — ou depois de duas garrafas de whisky e cocaína, você nem saiba mais quem é. Mesmo hoje me drogando quase dia sim, dia não, ainda estou totalmente sob controle, pois se eu voltar para essa vida, não tenho certeza se posso ser “consertada”. Prefiro não pensar isso, porque começo a desejar as drogas de novo, então apenas sigo até o quarto da caçadora.

Bato em sua porta até que a mesma me permite entrar. Seu quarto branco e de cores pastéis está novamente bagunçado, o que me causa um certo toque, mas sei que isso é por conta da ruiva estar arrumando a sua mala.

—Tem tanta coisa assim para levar? —Pergunto olhando a bagunça.

—Desculpa, Azu. Eu sou meio bagunçada assim mesmo com minhas coisas. —Diz um pouco constrangida. —Principalmente com tanta coisa. E sim, tem bastante coisa, mas a maioria é equipamento e munição.

Ao dizer isso, sinto que meu coração deu um pulo. Lia já me deu alguns presentinhos de caçador de vampiros: a adaga de prata que carregava para cima e para baixo, duas pistolas que estão descarregadas de veneno para vampiro, um par de botas que escondem numa faca de prata na sola e luvas com garras de prata — já usei todas contra meus sanguessugas. Só de pensar que há mais, fico excitada.

—Ei, não! —Exclama batendo na minha mão que se direcionou até uma grande maleta preta ao lado da sua cama.

—Ah Lia! Não seja cruel! —Exclamo fazendo uma expressão emburrada.

—Não venha com esse lindos olhinhos que eu não sou retarda como os seus vampiros para cair nisso. —Acusa-me, o que me faz rir.

—O que tem nela? —Pergunto curiosa.

—Uma metralhadora. —Na mesma hora, meus olhos negros se arregalam apaixonados. —A trava é de prata com os códigos em verbena, nenhum vampiro pode acessa-la.

—E você não vai deixar a sua melhor amiga ver? 

—Azurah, eu te conheço. —Bufo vendo que vai ser impossível convencê-la a me mostrar. —Estou levando bastante coisa, mas muita coisa ainda ficará aqui. Por isso...

—Tá tá. Não vou mexer! —Digo como uma criança que está de castigo por tocar nas coisas dos pais sem permissão.

—Eu ia te dar isso. —Diz pegando uma pequena maleta que estava atrás de uma pilha de livros. Meus olhos negros encaram-na encantada. —É uma coleção de cinco facas prateadas, munição para as suas pistolas e uma única bala de prata.

Eu grito animada antes de me jogar em seus braços e pendurando-me em seu pescoço, aproveitando que ela é oito centímetros maior do que eu. A ruiva corou de surpresa, pois não esperava aquela reação excitada de mim.

—Você é a melhor amiga do mundo! —Exclamo alegremente. —Mas você sabe que eu tenho o poder para arrancar o coração deles do peito.

—Eu sei. —Diz assim que me acalmo um pouco. —Porém me preocupo de você usar sua magia sem nenhum precaução, pode ser perigoso.

Separo-me dela para revirar os olhos. Lia, às vezes, é racional demais para mim, não aceita tomar riscos e isso é um pouco chato.

—Você sabe que está dando armas para uma sociopata amante de vampiros, não? —Indago provocativa, tomando meu presente com muita empolgação.

A ruiva ri, voltando a apanhar algumas roupas. Eu, por outro lado, sento-me na sua cama de solteiro e abro a maleta, me deparando com um saquinho com os soníferos e cinco pequenas facas, daquelas que você gira no dedo antes de lançar — gosto delas, são leves e podem ser guardadas em qualquer lugar. Porém meu olhar obscuro vai rapidamente à bala de prata, isso mata um vampiro se eu acertar no seu coração, para matar um impuro nem isso é preciso, seu corpo vai apodrecer se ele não amputar a parte atingida.

—Azurah... —A caçadora me chama, percebendo meu olhar sádico enquanto brincava com a bala entre meus dedos. —Você sabe que eu não te dei isso para você brincar com esses vampiros.

—Eu sei. —Digo guardando-a. —Vou guarda-la pra um vampiro especial. Lorde Merz.

A ruiva sorri, como se essa fosse a resposta que esperava.

—Eu dou conta deles sem precisar matá-los. —Explico pegando uma das facas e girando-a no meu dedo indicador. —Faz um tempo que não ameaço alguém com uma faca. Deu até saudades de amarrar eles como fiz com Ayato uma vez.

—Azu, você está bem? —Pergunta com um semblante de preocupação, fazendo-me encara-la confusa. —Não é a primeira vez que você diz uma coisa assim, ameaçadora.

Dou uma risada contida.

—Por que? Te dou medo, Lia? —Questiono insinuativa.

—Eu só fico preocupada. —Responde, olhando-me de maneira fraternal.

—Acho que você se preocupa demais. —Digo entediada.

Eu estou bem, estou maravilhosamente bem, como nunca estive, sentindo uma força incrível e muita confiança — sinto que dominaria os sanguessugas em cinco segundos.

—Você não acha que está com sua bipolaridade atacada?

—Já disse que não sofro de bipolaridade! —Exclamo irritada. —Só me sinto confiante. Tem algo de errado nisso?

Lia para um instante a fim de me analisar. Não tem com que ela se preocupar, estou completamente bem e sóbria, coisa rara.

—Você sabe que com Reiji fora e eu também... Outra pessoa vai ficar no comando da mansão. —Conta com certa hesitação.

—Poderia ser eu... —Resmungo sabendo que colocariam até Laito para administrar isso, mas não colocariam a mim.

—Lógico que o cabeça sempre será Sakamaki Shu, mas sabemos que ele nunca toma a responsabilidade. —Sim, todo mundo sabe disso, que o primeiro Sakamaki é o pecado preguiça encarnado. —Por isso, Reiji decidiu deixar no controle Mukami Ruki.

Quase engasguei com o ar.

—O que!? Eles se odeiam! —Exclamo incrédula. 

—Mas ele é a pessoa mais responsável dessa casa. —Infelizmente é verdade, porém vai ser mais uma oportunidade para esse pretensioso tentar me controlar. —Você sabe que ele me desagrada, porém sinto que posso confiar nele para olhar você.

Não escondo minha surpresa diante daquele olhar castanho-esverdeado.

—Você está brincando, né!? 

—Azurah, vocês já até transaram, não faça tanto drama. —Bufo impaciente. —Apenas quero me certificar de que nessa semana que estarei fora, você irá se comportar.

—Não vai querer deixar o Mukami de babá? —Indago furiosa.

—Claro que não! Mas sei que ele saberá tomar as medidas necessárias caso algo saia do controle. —Do jeito que ela fala, parece que sou uma total descontrolada e que precisa ser observada pois vai acabar matando alguém ou a si mesma; talvez eu seja, só não queira admitir. —Só que confio mais em você que manterá a palavra e não fará nada que se arrependa depois.

—Você diz transar loucamente com um vampiro?

—Isso também. —Aponta seriamente. —É uma decisão sua ficar com quem quiser, porém saiba das consequências. Além do mais, soube que quase brigou com alguém no colégio.

—Ruki-kun quem te contou? —A ruiva confirma. Bufei, pois já faz dias isso. —Foi aquela vadia da Akemi, aquela que espalhou que eu tinha encontros escondidos com o Shu na sala de música.

—Sei que ela é retardada, mas você quase socou ela. —Responde duramente. —Você sabe o que um soco seu faz com um vampiro, você imagina o que faria com essa garota...

—Agora você me excitou com a ideia. —Digo maliciosa.

—Estou falando sério, Azurah! —Exclama autoritária. —Quando você perde o controle, você não mede a sua força e isso pode ser perigoso.

—Eu não vou matar ninguém enquanto você estiver fora. —Asseguro emburrada.

—Não quero que fique chateado comigo quando apenas me preocupo com você. —Esclarece a fim de me acalmar, sorrindo gentilmente.

Eu respondo com um sorriso falso. Essa preocupação toda é um saco! Não devia importar para ela ou para ninguém o que eu faço da minha vida, mesmo que goste de ter Lia do meu lado, é bom para não me sentir sozinha, só que ela vai embora, mesmo que por uma semana apenas, mas a sensação de abandono nunca se esvai — será que é por que sou órfã ou por que estou acostumada às pessoas me abandonarem sem remorço? Não quero pensar nisso, pois estou me sentindo mais forte do que nunca.

 

—//—

 

Fomos ao colégio. Prometi a Lia que me despediria melhor quando voltasse, mas é claro que já dei um beijão naquelas bochechas sardentas, o que a deixou vermelha diante dos olhares dos sanguessugas — queria provocar só um pouquinho. No colégio, tudo seguiu normalmente até o horário do intervalo, quando sentei-me no refeitório com as garotas falando sobre assuntos que não dou a mínima enquanto tomo minha vitamina de morango batizada com um pouco de vodka que guardo na mochila, porque só assim para não ficar entediada. Observo os arredores com meus olhos negros, surpreendendo-me ao ver Shu discutir algo com Ruki — é tão incomum ver os dois juntos.

Os Sakamaki, com exceção de Subaru e de Reiji, estão sentados juntos numa mesa ao lado dos Mukamis. Shu, surpreendentemente sentado, está inclinado na direção do primeiro Mukami, o qual fala algo que parece entedia-lo — queria ter uma audição vampírica para saber o que estão conversando. Talvez seja como ficará a mansão com a viagem de Reiji.

—Shu-san ou Ruki-san? Qual você prefere, Azurah-san? —Questiona Kira acompanhando o meu olhar.

—Ai, com certeza Shu-san. —Afirma Aiko, que estuda na minha sala junto com Ayane.

—Os dois são lindos! —Exclama Misa com um olhar apaixonado. —Todos eles são.

—Limpa a baba, Misa. ‘Tá escorrendo. —Zoa Ayane jogando um guardanapo para cima da mais nova, fazendo-me rir pela primeira vez.

—Já disse que não tenho preferido. —Respondo encarando fixamente os dois.

Podem disputar o quanto quiserem os dois, eles já são meus.

—Mas nem um deles é seu namorado? —Pergunta Aiko curiosa. —Digo, vocês moram juntos há tanto tempo.

Nego, porém isso me faz ter uma ideia de algo.

—Vocês sabem quem era o namorado da Akemi? —Indago curiosa. Mal vi a cara dessa vadia depois do que ocorreu, ela mal ousou se aproximar de mim mesmo que agora estudemos na mesma sala.

—Você não sabe? —Nego diante do olhar incrédulo de Ayane. —Shumizu Hiroshi.

—O presidente gostoso do Grêmio estudantil? —Fico boquiaberta. 

Realmente dei uns amassos nele quando faltei uma semana no colégio por conta da pneumonia que peguei depois de correr de Kanato na chuva. Fui na sala do Grêmio pegar a matéria que perdi (porque nem morta que eu ia pedir para Reiji ou Ruki, na época não me dava bem com Kou e o Shu é causa perdida), estávamos só nós lá, eu me redimi por ter dado o bolo nele, dizendo que aconteceu um imprevisto — quando na verdade estava com Shu — e aí rolou uns amassos.

—Ele é super inteligente, como foi parar com uma descompensada como a Akemi? —Pergunto interessada.

—Também achava isso. —Kira ri debochadamente. —Acho que é porque os pais deles se conhecem.

—Eles terminaram no começo do ano letivo, logo depois que você chegou roubando todos os olhares. —Conta Misa encantada.

—Mas Hiroshi-san não é tão santinho quanto parece. —O comentário de Ayane me deixa curiosa, ela sempre sabe de tudo nesse colégio. —Soube que ele tem uns amiguinhos barra pesada, que vendem droga no colégio.

—Ele é amigo do Luka e Kai? —Questiono surpresa. Já fiquei com os dois, longa história, e também comprei drogas deles porque não consigo sair da mansão sem levantar suspeita.

—Sim, eles eram o melhor trio antes da chegada dos Sakamaki-Mukami’s. —Completa Aiko.

—Ele só é presidente por causa do pai e também porque dá prestígio, limpa a barra dos coleguinhas. —Explica Ayane por fim.

—Agora estou mais interessada nele do que nunca. —Comento maliciosa, mordendo o canudo no copo.

—Isso é por causa do que a Akemi fez? —Pergunta Misa nervosa.

—Isso e porque adoro um garoto problema. —Respondo com um tom brincalhão, fazendo-as rir juntamente.

Tenho o número do presidente do grêmio no meu celular e ligo para ele diante dos olhares curiosos das garotas, as quais ficam completamente caladas.

“Azurah-san?” Pergunta confuso do outro lado da linha.

Faço contato visual com ele, bem na entrada do refeitório. Sorrio galantemente.

—Hiroshi-kun, se lembra daquela bebida que ficamos de marcar faz tempo? —Questiono ficando de lado na cadeira para vê-lo melhor, cruzando minhas pernas propositalmente.

“Achei que tinha se esquecido de mim.” Confessa em um tom levemente provocativo.

—Tenho muitos problemas em casa, é difícil conciliar tudo. —Explico com uma expressão infeliz. —Quer me encontrar hoje? —Pergunto arrastando uma mecha negra atrás da orelha.

“Não seria eu quem deveria convida-la?”

—Não seja antiquado, Hiroshi-kun. Gosto de homens modernos. —Brinco mordendo o lábio inferior.

“Claro. Tem um barzinho dois quarteirões para frente.” Propõe quase me comendo com o olhar por trás das grossas lentes do seu óculos.

—Ótimo! —Exclamo alegremente. —Posso te encontrar mais cedo, antes do sinal bater? Não quero meus irmãos postiços me atrapalhando.

“Ok. Te mando uma mensagem.” Pisca para mim antes de desligar.

—Azurah-san! Você é incrível! —Comemora Kira encantada.

Sorrio triunfante.

—Agora Akemi terá um bom motivo para me odiar. —Tomo o restante da vitamina em um gole. —Ninguém que meche com Azurah sai impune. Ninguém! —Digo confiante e sorrindo maldosamente.

 

—//—

 

Me jogo na cama extasiada, talvez mais pela droga do que por esse sexo meia-boca, pelo menos, diferente dos sanguessugas, ele me deixa liderar durante todo o tempo, tendo o controle que eu tanto gosto. Me estico até o criado-mudo do lado da cama do motel, puxando um canudinho e cheirando uma nova fileira que havia já pronto. Sexo e drogas... Que combinação perfeita.

—Você é mesmo a melhor, Azurah. —Diz Hiroshi distribuindo beijos pela minha barriga, subindo até meus seios livres.

—Sim, eu sou. —Pego uma taça de champanhe, sorrindo maravilhada.

Garotos ricos são entediantes, mas sempre tem as melhores coisas para oferecer, além de serem mais fáceis de brincar.

—Agora sei porque Kai e Luka estão se desentendendo por sua causa. —Ele sobe até meus lábios, arrastando-me para um beijo lento.

—Você entende que eu só quero brincar, né Hiroshi-kun? —Indago com uma expressão manhosa. —Mas foi maravilhoso termos chegado até aqui e você ter trazido cocaína para nós.

—Achei que o seu negócio era heroína. —Comenta pegando um pouco mais do pó espalhado no criado mudo para cheirar.

—Meu negócio é qualquer coisa que me excite. —Responde mordendo seu ombro antes de dar um chupão no seu pescoço.

—Não consigo cheirar com você me excitando desse jeito. —Confessa rindo antes de morder o meu braço em resposta.

—Não me morda! —Exclamo furiosa, dando-lhe um empurrão para afastá-lo de mim.

—Você me mordeu durante a transa toda, por que não posso fazer o mesmo por você? —Não respondo, apenas subo nele paradar um beijo fulminante.

“Não são os seus dentes que eu desejo.” Que merda eu estou pensando! Estou transando com outro cara para tirar esse sexo sanguinário da minha cabeça, mas se alguém me morder, vou querer que seja com mais força. Isso é a conformação que estou pirando de vez, ou esteja mais drogada do que imagino, ou ainda esteja convivendo demais com o Laito e fico fel dando perversões típicas dele.

De repente, meu celular toca. Minha chance!

—Merda! —Digo me separando dele e fingindo estar chateada. —Tenho que ir. Tenho que me despedir de uma amiga que vai viajar.

Levanto da cama e começo a apanhar minha lingerie preta, antes de procurar onde joguei meu uniforme do colégio.

—Achei que fosse ficar... —Comenta infeliz.

—Hiroshi, não entenda por mal... Mas eu nunca fico. —Respondo vestindo minha blusa e começando a abotoá-la. —Além do mais, tenho hora para chegar em casa.

—Duvido. Tá na cara que você faz o que bem entende com aqueles caras. —Acabo rindo.

—Digamos que é mais o menos isso. —Lanço-lhe uma piscadela divertida. —Vou pedir um táxi.

—Te empresto o carro que viemos. —Propõe Hiroshi gentilmente, também se levantando para se trocar.

—Você sabe que eu roubei a moto do Luka, não? —Questiono ajeitando minha aparência no pequeno espelho que havia no quarto, antes de vestir meu casaco.

Estou tão acostumada a lidar com os problemáticos sanguessugas, de coração frio, que esqueci como meus amantes humanos são tão gentis em fornecer até mais do que peço, somente para me agradar e me ver sorrir encantadoramente.

—Acho que ele gostou de ser roubado por você. —Responde envolvendo a minha cintura para beijar o meu pescoço. —Assim como você roubou o meu coração.

Garotos... Tão fáceis de brincar. 

—Se eu tivesse um coração, juro que seria seu. —Minto antes de me virar para beija-lo novamente.

—Você é uma mulher cruel. Tanto quanto o próprio diabo. —Forço uma risada. Já ouvi demais isso.

—Sou uma mulher perigosa, gosto de ser. —Digo separando-me dele com um sorriso malicioso.

Descemos pelas escadas, pois estou com pressa. Paguei o quarto, mesmo que Hiroshi queria ser aquele que arcasse com tudo, porém eu disse que como ele trouxe a droga, eu pagava o quarto e o champanhe que pedimos. Felizmente tenho um cartão, presente de Tougo Sakamaki, o qual deposita uma boa quantidade por mês para mim — tem muito direito, já que só gasto com roupas e maquiagem, o que não é muita coisa assim pois não sou consumista.

—Te vejo no colégio? —Pergunta antes de se separa de mim, entregando-me as chaves do seu carro. —Eu quero meu carro de volta.

Dou um rápido selinho em seus lábios.

—Fica com meu beijo e depois vem recebê-lo. —Mordo o lábio inferior antes de me separar dele.

—Deixei uma lembrancinha na sua bolsa. —Isso me surpreende. —A heroína que você não quis usar hoje. —Desta vez, sorrio de verdade.

—Você é um verdadeiro galanteador, Shumizu Hiroshi. —Um taxi para em frente ao motel e o humano entra nele, despedindo-se de mim com um aceno.

Antes de me dirigir até onde Hiroshi estacionou o carro anteriormente, sinto uma presença familiar.

—Ayato-sama, você é o melhor. 

Volto meu olhar negro para trás, dando de cara com o ruivo saindo do mesmo motel que eu com uma mulher com um vestido vermelho tão curto que dava quase para ver sua calcinha por baixo da meia-arrastão e dos saltos altos também vermelhos, que a deixavam do tamanho do vampiro — em seu pescoço, as marcas de mordidas eram evidentes. Seus olhos de um brilhante verde se arregalam assim que me veem.

—Coxas grossas... —Ele pareceu levemente assustado ao me ver ali, além de uma expressão levemente enfurecida.

—De todos os motéis, eu fui parar no mesmo que você. —Resmungo irritada.

—Você também estava aqui? —Uma expressão maliciosa surge em sua face arrogante. —Decidiu parar de transar com meus irmãos?

—Estou deixando eles na geladeira antes de esquentar de novo. —Respondo provocativa. —Mas pelo menos eu não tenho que pagar por sexo. —Lanço um olhar arrastado para a prostituta agarrada ao seu pescoço.

—Eu não... —Ele tentou me contrariar, mas eu conheço pessoas dessa profissão.

—Ninguém te chamaria de “Ayato-sama” por livre e espontânea vontade, garoto pequeno. —Rebato sorrindo maldosamente. —Não se preocupe moça, o garoto está em boas mãos agora.

—Ayato-sama... —Ela ia dizer algo, mas o vampiro se separa irritado dela.

—Já te paguei, pode ir. —Sorri triunfante diante da constatação que estou certa.

Ela desceu os últimos degraus apressadamente, antes de partir no meio da noite após lançar uma rápida piscadela para mim, a qual eu retribui — parecia ser uma boa garota.

—Seus irmãos sabem que você fica gastando dinheiro com prostituta? —Questiono provocativa.

—Cala a boca, coxas grossas! —Exclama furioso. —E é melhor você não contar nada sobre mim porque senão exponho que você estava aqui com um garoto qualquer. —Reviro os olhos, sem tempo para discutir com o ego inflamado.

—Estou voltando para mansão, quer carona? —Pergunto girando as chaves do carro em meus dedos.

—Roubou um carro? —Indaga surpreso.

—Não, eu ganhei por hoje. —Respondo sem perder o tom insinuativo. —Na verdade, é emprestado.

—Eu diria então que você que está fazendo programa. —Acusa-me com arrogância.

—Logo vai chover... —Comento olhando para o céu escuro da madrugada, com brilhante lua cheia coberta pelas pesadas nuvens escuras, deveria ser por volta das duas da manhã. —Você pode se molhar um pouquinho. Afinal é um vampiro, não vai ficar resfriado. 

Começo a andar lentamente pela rua, com as mãos dentro do bolso do meu casaco. Faz um frio de madrugada aqui.

—Espera, coxas grossas. —Pede o ruivo agarrando o meu braço, fazendo-me parar e retornar meu olhar negro para ele. —Se chegarmos juntos, ninguém vai desconfiar da gente e os caras não vou ficar surtados por você ter estado sozinha.

O ponto de Ayato é, pela primeira vez, muito interessante.

—Não me faça querer reconsiderar, Ayato-kun. —Esclareço apontando aonde está o carro. —Uma gracinha e eu te empurro para fora com o carro em velocidade. 

O ruivo ri antes de soltar o meu braço. Acho que ele não entendeu que eu estava falando sério.

Tínhamos que atravessar um pequeno beco para chegar do outro lado da rua, já vendo o Mercedes conversível parado no mesmo lugar. Começamos a andar normalmente, quando o ruivo volta a deter o meu braço.

—Tem mais alguém aqui... —Comenta parecendo farejar algo no ar.

Começo a olhar para todos os lados, não vendo ninguém e nem sentindo nada. Quando retorno para frente, vejo a figura de duas pessoas encapuzadas bloqueando o nosso caminho.

—Caçadores. —Diz espumando de raiva como um animal raivoso.

—Realmente um dos Sakamaki. —Comenta uma caçadora descendo de cima de um dos prédios.

—Renda-se. —Ordena um homem atrás de nós, apontando uma arma para o ruivo.

Ao todo são seis caçadores de vampiros, quatro deles impedindo nossa fuga pelas únicas saídas daquele pequeno beco escuro, o que é um maior problema para mim que não tenho uma visão ampliada como o vampiro e seus caçadores.

—Vocês acham realmente que tem poder contra ore-sama? —O ruivo ri debochadamente.

—Entregue a presa e renda-se, vampiro. —Ordena outro caçador.

Presa, eu? Eles estão loucos! Antes que eu pudesse retruca-los, a voz vaidosa de Ayato soou primeiro.

—Não, a coxas grossas volta comigo. —Diz decidido. —Vocês que deveriam se render. A Igreja não pode com caras como eu.

Alguns dos caçadores riem.

—Vocês vampiros realmente se acham no poder de exigir o que quiserem. —Diz a mulher com irritação e nojo. —Isso vai mudar. Karlheinz não tem mais influência sobre nós.

—Nós levaremos um dos filhos dele para provar isso. —Completa mais um caçador.

Eles não sabem quem sou eu? Bem, isso é de grande ajuda.

—Me ajudem! —Berro empurrando Ayato e correndo até a mulher que estava mais próxima de nós. —Me salvem desse vampiro nojento!

—Sua... —Range suas presas furioso. 

Que estúpido! Será que ele não percebe que minhas lágrimas são teatro e que estou causando uma distração. 

—Tudo bem agora, querida. —Diz a caçadora tentando me acalmar, que finjo estar em um estado de completo desespero. —A Igreja irá recebê-la como uma de suas muitas irmãs.

Puxo do bolso da minha mochila uma das pequenas facas que Lia havia me presenteado, cortando a garganta da caçadora que tentou me conter. No mesmo instante, Ayato voou sobre o outro caçador ao seu lado, arrancando sua cabeça. Com a mesma faca, acertei no meio da testa de outro caçador.

—Azurah! —Escuto Ayato berrar antes de me empurrar para o lado.

O som de um disparo e seu grito estridente.

—Ayato! —Gritei vendo-o ceder ao chão com seu sangue jorrando após ter tomado um tiro de um caçador de vampiros.

 

De repente, tudo ficou branco.


Notas Finais


Será que uma amizade pode surgir da relação tão complexa entre Ayato e Azurah? Bem, talvez eu responda no próximo capítulo.
Para quem não conhece o real potencial da bipolaridade, em seu estado mais crítico, é exatamente como a Azurah, que nesse momento está sentindo como uma “super mulher”, mas em contrapartida tem momentos de depressão profunda, que irão ocorrer em breve.

Continuo em breve^^ Bjus vampirinhos safados😘🖤


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