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História Dark Paradise - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Leiam todos!

1. Alguns dos personagens encontrados nesta história e universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores, os criadores da série ONCE UPON A TIME. Não é necessário ter visto a série para entender a história. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual.

2. Dark Paradise se passa logo após o final da terceira temporada da série Once Upon a Time, desconsiderando os acontecimentos posteriores da série.

3. NÃO PLAGIE, NÃO COPIE, NÃO SE INSPIRE.

4. AVISO 🔞: Essa história não é recomendada para menores de 18 anos. Estupro, relacionamento abusivo, violência, linguagem imprópria, suicídio, tortura, manipulação, sexo e mutilação são alguns temas abordados. Se não tem problemas com esses temas, fica por sua responsabilidade ler.

5. Eu amo muito essa história e amo demais o Peter Pan de OUAT! É muito especial pra mim então espero que, caso resolva ler, faça isso consciente do meu amor insano por ele ♥️ a Dark Paradise foi escrita por volta de 2015 e 2016 (se não me engano), inicialmente no Spirit e depois aqui, mas tirei de publicação e agora estou novamente repostando enquanto reviso. Qualquer erro que encontrarem por favor, me avise.

Capítulo 1 - Think Lovely Thoughts


Fanfic / Fanfiction Dark Paradise - Capítulo 1 - Think Lovely Thoughts

 

Introdução 

A adaga do Dark One perfurou suas costas, e ele voltou à infame aparência. Traços de quarenta anos, barba pra fazer, o vício por álcool e jogos, os maus costumes, os reflexos de viver uma realidade dolorosa. Malcolm já não era mais Peter Pan quando seu filho Rumple o derrotou, fazendo retornar para Neverland. Viu-se jogado em sua ilha paradisíaca abandonada, agora deserta feito um sonho pós-apocalíptico. Flutuante, veio a Sombra, negra como a essência desprezível.

- Me... ajude... - murmurou Peter Pan na aparência verdadeira.

- A ilha está morrendo. - disse a Sombra, com a voz profunda. - Todas as crianças fugiram, voltaram para suas famílias. Seu amigo Felix, aquele que esteve ao seu lado o tempo todo, você matou.

- Ah... o que foi que eu fiz? - perguntou ele, rastejando.

A Sombra deslizou para perto.

- Vê a névoa? Vai tomar conta de tudo, de seus pensamentos, de seus sonhos... de sua crença. Você está morrendo, Peter Pan.

- Me ajude! - ele gritou, os olhos repletos de lágrimas.

- Vou tomar seu corpo, e seremos apenas um. - explicou a Sombra - Você voltará à forma juvenil, porém, sem poderes. Sem magia e sem força, apenas um imortal abandonado nesse paraíso sombrio.

- Não me importo. Apenas me salve... Eu quero viver!

Preferindo viver também, a Sombra desceu para o corpo de Malcolm, invadindo e tornando no jovem de sempre. Dessa vez o garoto podia ficar de pé. Estava fraco e sozinho. Encarou o mar, o oceano sem vida, opaco como sua alma desamparada. Não haviam estrelas, e uma densa camada de brumas cobria a ilha por completo.

- Estou em casa... afinal. - ele disse, num suspiro inconsolável.

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Alguns anos depois - Nova York

 

Joelhos ralados, cabelos emaranhados, maquiagem borrada, lábios trêmulos. Grace piscou duas vezes quando soltou um soluço entrecortado, evitando encarar a figura paterna à frente. Os cenhos franzidos demonstravam uma marca de estresse constante, como se a expressão de rancor fizesse parte de sua face delicada.

James se levantou. Ele era bem maior que a filha.

- Agora, obedeça.

Grace segurou a barra da saia, e uma lágrima correu de seus olhos para as bochechas vermelhas pela vergonha, pelo ódio e pânico.

- Eu... eu não quero!

- Agora! - ele gritou.

O coração saltou. Fechando os olhos com força, desejando sumir dali, obedeceu e levantou a saia devagar. As coxas juvenis apareceram. A pele era branca mas marcada com hematomas.

O pai dela, quem deveria protegê-la, sorriu.

- Mais. - ordenou.

Ela continuou até que a saia estivesse na altura da cintura, revelando a virtude não mais imaculada, escondida debaixo da calcinha.

- Ótimo. - o homem se aproximou, e segurou o rosto da filha.

"Pense coisas bonitas... pense coisas bonitas... pense coisas bonitas."

Alguns minutos depois, estava à mercê de seu horrível destino, a rotina agonizante. Aquilo matava pouco a pouco.

Sempre que se entregava, sua alma gritava, e os sons ao redor pareciam berrar em sintonia: as folhas das árvores lá fora balançando com o vento, batendo na janela fechada; a goteira na pia, insistente e ritmicamente junto com o tique taque do relógio; a respiração ruidosa e ofegante do pai, rouco e insuportável.

"Pensamentos felizes, Grace, pense... pense em coisas bonitas!" - pedia com urgência.

A vista se perdia. Encarava a parede transpirando junto com o cômodo, e junto com o peso do monstro em cima do seu corpo frágil. A boca estava seca, e a única coisa que ela queria era desaparecer, para sempre.

"Pense coisas bonitas... por favor, pense, pense... Já vai acabar..."

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Era de costume, depois que o pai terminava, Grace ia para o banheiro. Tomava banho, lavava as feridas, e então ia pra cama. O apartamento onde moravam era silencioso, e ele era tudo o que ela tinha.

Com seus 16 anos, tinha que obedecer o pai quando ele ordenava que ela tirasse as roupas, quando ele mandava que o tocasse. Lutou tantas vezes, e a punição era maior. Não podia fazer nada pra se livrar. Ir pra escola piorava tudo. Não tinha condições de prestar atenção nas aulas. Os outros alunos que deveriam ser seus amigos, tratavam-na como lixo devido a sua aparência sombria, reclusa, introspectiva. Quase toda semana arrumava encrenca com alguém, descontando a fúria que não podia contra seu pai, em cima dos outros. Não tinha coragem de falar pros professores os abusos que sofria, por vergonha e temor de piorar ainda mais.

Grace era bonita, mas os traumas a afetavam dia após dia. Os olhos claros e cristalinos seriam extraordinários se suas pálpebras não estivessem sempre tão inchadas devido ao choro constante. Os lábios delicados tinham feridas, secos, calados e vazios de expressão. As vezes, ela fechava os olhos e se imaginava voando sobre uma floresta, o vento gélido levando pra longe, onde pudesse fugir e esquecer.

Mas a realidade miserável puxava de volta, junto com as mãos pesadas do pai.

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Após seu banho, encarou no espelho o rosto pálido, doentio.   Odiava seu pai, as pessoas da escola, e acima de tudo odiava a si mesma por ser tão fraca. Suspirou, decepcionada com tanta injustiça, e deitou-se pronta pra dormir.

"Pense coisas bonitas.... pensamentos felizes te fazem voar. " Cansada, viu-se novamente voando.

O oceano passava rápido lá embaixo, a medida que mais alto ela voava. Permitiu-se sorrir um pouco, iludida com aquela fantasia maravilhosa, onde nada nem ninguém poderia feri-la. Mais adiante viu uma ilha. Era pequena, com praias curtas, repleta de ilhotas ao seu redor, porém com aspecto abandonado. Voou graciosamente até uma das praias, pousando seus pés descalços em cima da areia fria e macia. A névoa estranha tornava o cenário pouco visível.

- Quem é você?? - ouviu uma voz.

Um arrepiou percorreu o corpo antes que compreendesse quem era. Virou-se assustada, e o viu pela primeira vez. Um menino apareceu na praia, caminhando em sua direção. Era de um encanto único, inexplicável. Ela abriu a boca duas vezes pronta pra falar, e nenhum som saiu.

- O que foi? Algum gato comeu sua língua? - perguntou debochado.

- Eu... sou Grace Graham.

- Oh, eu sou Peter. Peter Pan. - respondeu, parando frente a ela.

Grace não deixou de observar a aparência excêntrica. Não devia ser muito mais velho que ela, mas seus olhos verdes esbanjavam maturidade. Algo suavemente perverso brilhava na pupila, e era intenso demais para desvendar.

- Eu estou sonhando, Peter? - perguntou confusa.

- Provavelmente. - respondeu ele. - Engraçado, faz anos que ninguém me visita.

- O que...? Parece real. É mesmo um sonho?

- Pra você sim.

- Então... você é real? Essa ilha inteira também? - perguntou olhando ao redor.

- Sim, é real. Mas você não está aqui de verdade. Você só poderia vir pra cá se eu te buscasse, ou se você pudesse atravessar a barreira que separa os nossos mundos.

- Quer dizer que logo vou acordar??

- Exato, por enquanto você só está me fazendo uma visita.

- Você poderia ir me buscar, Peter? Preciso fugir.

- O que te faz tanto querer fugir? - perguntou surpreso. Era raro alguém parecer interessado em viver ali.

- Ah... muitas coisas. Por favor! Eu adoraria ficar aqui com você.

- Bom, eu até gostaria. - respondeu ele, arqueando uma sobrancelha. Era extremamente expressivo. - Mas não posso. Faz anos que estou sozinho e abandonado. Sem magia, não consigo sair, nem buscar ninguém, muito menos voar. Eu tinha uma Sombra, que fazia isso por mim, mas pra me manter vivo abrigo essa Sombra dentro de meu corpo.

Grace não estava entendendo nada. Ainda assim, como sabia que era um sonho, não queria perder a chance de ir para longe de seu pai, mesmo que isso significasse passar a eternidade numa ilha com um garoto desconhecido.

- Deve haver um jeito! Peter, eu vou acordar, mas prometo que vou arrumar uma maneira de vir pra cá. É minha última esperança... eu preciso fugir da minha realidade!

- Boa sorte. Duvido que consiga. - falou com desdém, cruzando os braços. - Além do mais, quem disse que quero companhia?

- Você disse que gostaria... não? Está há tanto tempo sozinho. Isso deve ser horrível.

- Estou sozinho. Mas sem magia não haverá nada pra você fazer aqui. Nenhuma aventura pra ser vivida. Se você vir pra Neverland, seremos dois prisioneiros. Não vai mudar em nada.

- Podemos tentar. Permite que eu fique aqui com você? - perguntou ela arquejante.

Com uma sobrancelha erguida, o menino olhou pro lado, parecendo pensativo. Em seguida, revirou os olhos, um pouco apático.

- Tanto faz. Se quiser, que venha.

- Eu acredito! - ela exclamou, pra surpresa dele.

Peter a fitou confuso. Há tempos não ouvia ou "sentia" o poder daquela frase. Um simples 'Eu acredito' acertou o seu coração amortecido, causando um conforto estranho.

Grace sabia que dentro de si ainda existia algo bom, algo para o que lutar. Voar, sonhar, desaparecer do seu mundo lastimável. E tudo se resumia no rosto infantil de Peter.

E então... ela abriu os olhos. Lá estava, no quarto horrível que tanto odiava. Havia acordado. Mas dessa vez, sorriu ao despertar. Era como se acordasse de um sonho fabuloso, e por alguns segundos teve medo que não passasse disso.

- Peter! - exclamou, pondo-se de pé e correndo em direção à janela. Abriu com rapidez, e se apoiou no parapeito encarando o nascer do sol.

Era sublime saber que longe, além do céu poluído e sujo, existia um universo onde se refugiar, uma ilha que pudesse a abrigar de todos seus pesadelos.

 

 


Notas Finais


Muito obrigada à Luiny pela capa perfeita!!


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