História Dark Past - Jikook (Oneshot) - Capítulo 1


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Taehyung (V)
Tags Bangtan Boys (BTS), Época, Hoseok, Jeon, Jikook, Jimin, Jimin!bottom, Jjk, Jungkook, Jungkook!seme, Jungkook!top, Kookmin, Lemon, Namjoon, Oneshot, One-shot, Park, Pjm, Pwp, Taehyung, Vampiro, Yaoi
Visualizações 129
Palavras 8.326
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drabble, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Hentai, Lemon, LGBT, Luta, Magia, Romance e Novela, Shonen-Ai, Sobrenatural, Survival, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


OLAAAA MEUS AMORES! Brotei do nada pra postar essa One que ficou um tantooo grande demais ksksks Confesso que ela tava guardada a tempo demais é só agora tomei coragem pra postar, ela não está laaaa aquelas coisas mas eu sinceramente gostei dela demais!!! Não sei vocês mas eu adoro esse tema de Vampirooooo!! Eu até tava pensando em uma long fic com esse tema, então é isso. Se gostaram me avisem que eu possa estar escrevendo pra postar! Beijinhos na bunda ❤️❤️❤️

Capítulo 1 - Dark Past


Fanfic / Fanfiction Dark Past - Jikook (Oneshot) - Capítulo 1 - Dark Past

Chicago, Illinois. 1918.

Durante a primeira guerra mundial a epidemia da gripe espanhola devastava a grande Chicago. A doença já havia matado centenas de pessoas, estava um verdadeiro inferno!

Jeon Jungkook, 17 anos, órfão de pai há dois meses pela maldita gripe espanhola. Sua mãe? O laudo dizia o mesmo há uma semana, contudo ele sabia que não era verdade, todos o chamavam de louco, mas ele estava convicto de que não estava. Gripe espanhola não deixava a vítima no estado que encontrou sua terna mãe, Elizabeth, no leito daquela maca no hospital, abandonada como tantos.

— ... o seguimento da Primeira Guerra mundial, estamos lidando com a praga que tomou conta de nossa cidade, a gripe espanhola. - O locutor do rádio dizia, enquanto Jungkook cerrava o punho em volta de sua xícara com chá.

Ele estava sentado em uma das quatro cadeiras em sua pequena cozinha, antes aquelas cadeiras eram ocupadas por seus pais e duas vezes na semana pelo vizinho, Thomas, que morava há alguns quilômetros dali. Pois a residência dos Jeon ficava um pouco afastada do centro, moravam por entre a floresta, não exatamente dentro, mas ao redor.

— Como se isso já não fosse o suficiente, a delegacia de Illinois tem atendido a chamados de desaparecimentos e ataques de animais. O que está acontecendo com o mundo? Está um verdadeiro caos.

Jungkook semicerrou seus olhos verdes na direção do rádio e o aumentou, para ouvir mais a respeito. Ele precisava se cuidar, pois morava próximo a floresta que rodeava a cidade, aquilo poderia ser um verdadeiro perigo à ele, principalmente agora que não tinha mais ninguém. Estava sozinho naquele maldito mundo, devastado com mortes, pragas e agora animais ferozes.

Batidas bruscas chamaram sua atenção, fazendo-o olhar para sua porta de madeira. Será que era Thomas?

— Já vai. - Sibilou, mas mesmo com o aviso, as batidas continuaram frenéticas. Jungkook se irritou. Diabos! Pra quê todo aquele desespero? — Já estou indo, Thomas. - Repetiu e então abriu a porta, relaxando suas feições ao ver o lindo garoto a sua frente.

Ele era lindo. Não, lindo ainda não era o atributo que fazia jus a sua beleza. Jungkook nunca acreditou em amor à primeira vista, mas com certeza sua crença ganhou crédito ao vislumbrar o rosto corado daquele anjo de olhos achocolatados.

— Por favor. - Implorou com sua voz melodiosa. — Me ajude.

— O que aconteceu? - Perguntou preocupado, olhando por cima dos ombros dele e procurando por vestígios de algum assaltante ou estuprador.

Ah! Pobre infeliz que se atrevesse a fazer algum mal à aquele garoto. Mas a verdade era que naquela região, mais afastada, o crime era praticamente zero. Então logo sua mente o levou para algum animal grande e terrível que talvez a tivesse atacado.

— Posso entrar? Por favor! Preciso de abrigo, eu juro que não estou infectado, por favor, por favor! - As lágrimas começaram a descer por suas maças do rosto e Jungkook reprimiu o desejo de tomá-lo em seus braços e acalentá-ló.

Ele não respondeu, apenas abriu mais a porta, dando passagem para que o moreno entrasse. Jungkook não sabia se ele falava a verdade sobre não estar com a gripe espanhola, mas por suas feições, olhos vivos, bochechas coradas e com bastante disposição física – tinha certeza de que ele estava correndo –, acreditou em suas palavras.

— O que aconteceu? - Ele perguntou, oferecendo uma das cadeiras para que se sentasse. — Aceita alguma coisa?

— Água, obrigado. — Respondeu rapidamente e aceitou de bom grado o assento e a bebida que prontamente ele lhe trouxe.

— Está mais calmo? - Sentou-se à sua frente e franziu o cenho. Ele ainda parecia muito aterrorizado e aquilo o estava deixando nervoso.

— Meu nome é Park Jimin, há dois meses eu perdi minha mãe para a gripe espanhola e meu pai está na guerra, fiquei tão desamparado e quando ele bateu a minha porta... - começou a chorar novamente. —, ele parecia tão gentil, eu juro. Ele me ofereceu ajuda. Disse que se eu me casasse com ele, eu não passaria necessidades e eu estava tão desesperado! Ele me cortejou por um mês e então marcamos a data do casamento. - Voltou a tomar o resto da água, tentando controlar sua respiração.

Jungkook aguardou pacientemente, sentia muito por ele já ser casado, aquilo era realmente uma pena, mas estava curioso demais para saber o epílogo daquela narração para se preocupar tanto com esse ponto, pelo menos agora.

— Nos casamos ontem à noite em uma pequena cerimônia, depois ele me levou até sua casa, nossa casa - se corrigiu, sorrindo ironicamente. —, e estávamos nos preparando para a consumação e... - Ele colocou a mão sobre a boca, seus ombros tremiam.

Jungkook se inclinou, tentando de algum jeito lhe dá apoio.

— Ele te violentou? Foi isso? - Seu maxilar travou de ódio com a chance daquilo ter acontecido.

— Não, senhor... - balançou a cabeça negativamente. — Não foi nada disso. Não houve consumação. - Esclareceu e Jungkook não pôde deixar de ficar aliviado e... feliz em saber daquilo, pois se o casamento não havia sido consumado, então ele poderia cortejá-lo.

— O que aconteceu, então?

— Você vai pensar que eu perdi o juízo se eu disser, vai querer me internar em um sanatório. - Arregalou os olhos com a hipótese, pois não havia pensado naquilo, apenas fugira sem direção, só queria um lugar para se esconder.

— Me diga, o que aconteceu?

— Ele tentou me atacar, ele não é humano, tinha presas e.... seus olhos estavam diferentes, estavam vermelhos, eu nunca havia os visto direito, porque nossos encontros sempre eram à noite mas na penumbra do quarto, a lua cheia estava tão clara e eu pude ver, seus olhos eram vermelhos. Parecia a face do próprio demônio.

Jungkook arqueou uma sobrancelha, confuso.

— Presas? Como... - o olhou inquisitivo.

— Sim, senhor, como um... - suspirou, sentindo cada pelo de seu corpo se eriçar. — Como um vampiro.

Vampiro. Jungkook não sabia muito a respeito, apenas o que todos tinham conhecimento. Não saiam a luz do Sol, eram incrivelmente brancos, temiam água benta e bebiam sangue como forma de sobreviver.

De repente a máscara de confusão foi se desfazendo do rosto de Jungkook. A compreensão o dominou, deixando-o petrificado.

Sua mãe! Sua mãe, Elizabeth, sobre aquela maca e com marcas estranhas em seu pescoço – que foram cobertas rapidamente – e ele sentia-a tão mais pálida e fria para alguém que havia falecido a apenas alguns minutos, suas veias estavam escuras demais, era como se... como se alguém tivesse drenado todo o sangue de seu corpo.

— Não. - Ele ofegou.

— O que? - Jimin perguntou. — Não acredita em mim?

Jungkook se levantou, andando de um lado para o outro, com as mãos sobre o rosto.

— Não, não, não. - Repetia. — Não pode ser. - O encarou.

— O que? - Perguntou outra vez.

— Minha mãe! Eu sempre soube que não havia sido a gripe espanhola que tinha a matado. Eu sabia que tinha alguma coisa de estranho. - Assentiu com a cabeça algumas vezes. — É isso. Minha mãe foi morta por um... um vampiro! - Cuspiu a palavra. Ele sabia que aquilo poderia ser um grande absurdo, mas era o que as evidencias diziam.

Ali, a sua frente, ele tinha a prova viva de uma pessoa que se casou com um vampiro. E só a existência desses monstros explicava a marca no corpo de sua mãe. Era isso então. Ele ainda estava absorvendo toda aquela história.

O que havia acontecido com o mundo? Se questionava.

— O que vamos fazer? - Perguntou e rapidamente se explicou. — Perdoe-me te envolver nisso. - Levantou-se. — É melhor eu ir embora, não quero que Taehyung me ache aqui, ele pode fazer alguma coisa com você. Perdoe-me mais uma vez, senhor. - Se desculpou, mas sua voz tremia, não queria sair, não queria ficar a campo aberto onde seria fácil para Taehyung a tomar para si.

— Não. - Ele o impediu de dá mais um passo em direção a porta, segurando gentilmente seu braço desnudo, pois a camiseta que usava estava com as mangas dobradas. — Por favor, não vá. É perigoso.

— Continuará sendo perigoso se eu permanecer, senhor.

— Jungkook, meu nome é Jeon Jungkook. — Se apresentou cordialmente, lhe presenteando com seu mais perfeito sorriso torto.

Sorriso esse que conquistou a confiança e simpatia de Jimin.

— Pode me chamar de Jimin. - Comentou, devolvendo o sorriso.

— Lhe cai bem. - Disse beijando as costas de sua mão e ambos se arrepiaram com o contato.

Jimin corou furiosamente e Jungkook achou aquilo extremamente encantador.

 — Por favor, não vá. Eu aposto que ele está a sua procura e... - soltou a mão dela, a contra gosto. — Como você conseguiu fugir dele? - Perguntou interessado.

— Bem, o candelabro estava aceso sobre o criado mudo, quando Taehyung tentou me atacar, eu o joguei sobre ele, suas roupas começaram a pegar fogo e ele entrou em pânico, então eu comecei a gritar e ele saiu pela janela. Eu aproveitei para fugir. Estive correndo por ai desde então. Pensei em me esconder na casa de Hoseok, mas achei arriscado, não queria colocá-lo em perigo. - refletiu e suspirou, caminhando até a janela, admirando a vista que a casa de Jungkook proporcionava da imensa floresta que se seguia. — Como eu estou colocando você. - Olhou para Jungkook.

— Não pense assim.

— Mas é verdade. Eu vou aproveitar que já amanheceu e partir.

— Está nublado. - Lembrou. — O inverno se aproxima, acho que isso não vai impedi-lo de sair de dia também.

Jimin curvou os ombros para baixo, sentindo-se perdido.

— Quem é Hoseok? - Perguntou, sua mente coçava, incomodando-o para saber de quem se tratava.

— É um amigo do meu pai, ele não foi para a guerra, pois já é idoso, ele me viu crescer, sempre diz que se tivesse tido um filho gostaria que fosse como a mim. - Sorriu lembrando-se do amigo. — Na verdade... - disse com certo orgulho. — Certa vez até mesmo disse que gostaria que eu fosse seu filho, meu pai não gostou muito. - Riu e Jungkook não pôde deixar de sorrir com Jimin.

Tinha certeza de que qualquer um seria um homem felizardo de tê-lo como filho ... e de tê-lo como esposo. Ele era lindo e parecia muito astuto e meigo, ele o instigava a cada minuto.

— Taehyung é o nome do vampiro? - Continuou a perguntar.

— Sim, Taehyung.

Jungkook fez questão de gravar aquele nome, pois tinha certeza que esse era o nome do assassino de sua mãe e ele iria fazê-lo pagar, de um jeito ou de outro.

— De qualquer forma... - Jimin disse, chamando sua atenção mais uma vez. — É melhor eu indo. Obrigado por ter aberto a porta e pelo copo d’água. - Ele se aproximou, segurando suas mãos e Jungkook sentiu uma carga elétrica atravessar seu corpo. — Você é muito bom, senhor. - abaixou um pouco a cabeça. — Que Deus o proteja. - E então se afastou, rápido demais para Jungkook.

— Por favor. - Pediu, mais uma vez, segurando gentilmente seu braço. — Fique.

— Não poderia. Penso eu que mora sozinho, não é?

— Sim... - lamentou. — Perdi meus pais a pouco tempo.

— Eu sinto muito.

— Me vingarei. - Disse confiante, fazendo Jimin estremecer, tanto com suas palavras como pelo toque da mão dele que ainda estava sobre seu braço.

— Como?

— Irei caçar esse maldito Taehyung, tenho certeza que ele é o culpado pela morte de minha mãe. - Soltou o braço de Jimin, mas permaneceu próximo, seus corpos quase se tocando. — Mas preciso saber que você ficará bem.

— Eu ficarei.

— Só acreditarei se permanecer aqui.

— Não poderia, Jungkook. - Sua voz o traia, pois ele gostaria de ficar sim, muito.

— Por que não?

— Mora sozinho. - Disse como se fosse óbvio. — O que os outros diriam?

Jungkook sabia que a sociedade olharia para Jimin com o pior dos pensamentos, todos acusadores.

— Mas é uma questão de sobrevivência.

— Não acho que seja uma questão de sobrevivência você sair por ai se arriscando para caçar um vampiro. - Olhou ao redor como se alguém pudesse ouvi-los. — Nem sabemos se as coisas que dizem a respeito deles é verdadeira. Então não temos como matá-lo.

— Podemos tentar. Até agora ele se mostrou fiel as lendas de vampiros. - Jimin o olhou inquisitivo e ele se explicou. — Você disse que nunca o viu durante o dia, apenas à noite; o inverno se aproxima então deve ser por isso que ele veio para cá.

Jimin pensou a respeito. Sim, aquilo fazia sentido, mas ainda não sabiam se as fraquezas de um vampiro realmente eram estacas, alhos e água benta.

— Mas por que pra cá? - Jungkook perguntou mais para si mesmo do que para Jimin, mas ele acabou respondendo sem pensar.

— A gripe espanhola tem matado muita gente por aqui, se pararmos para pensar, seria o lugar perfeito para se alimentar sem chamar a atenção, visto que teriam a gripe para culpar pelas mortes.

Jungkook assentiu, concordando plenamente com as palavras.

— Você está certo.

Sua indignação aumentou após concluir que sua mãe morreu pelas mãos de um vampiro por esse monstro achar que já que ela morreria de qualquer jeito, por que sua morte não poderia ser útil e o alimentar? Sanguessuga maldito!

— Hoseok trabalha com carpintaria. - Jimin comentou. — Talvez ele possa nos fazer algumas estacas. - Jimin sabia que era loucura concordar com o plano de Jungkook, mas era palpável o desejo que ele tinha de vingança e já que Jungkook o havia ajudado, por que não retribuir o favor? Mesmo que aquilo pudesse levá-lo a morte... aquele pensamento o deixou petrificada. Droga, não devia ter aberto a boca.

— Seria perfeito.

Jimin se afastou, ficando de costas para ele.

— Não, me desculpe. É uma péssima ideia.

Jungkook se aproximou, ainda mirando as costas dele.

— Por que diz isso? Não quer que eu mate seu marido, é isso? - Em sua voz havia tristeza e raiva.

Jimin se virou abruptamente, como se ele o tivesse ofendido.

— Ele não é meu marido! Ele é um assassino! Um verdadeiro monstro! - Vociferou, mas depois respirou fundo, controlando-se. — E ele matou sua mãe, como eu poderia ter compaixão por alguém que comete uma atrocidade dessas? Desculpe, não quis ofendê-lo. -

Jimin suavizou sua expressão.

— Por que não quer me ajudar, então? - Jungkook voltou a perguntar.

— Bem... - corou novamente e ele ficou ainda mais curioso para saber a resposta que tanta o deixava constrangido. — Eu não quero que nada te aconteça. - respondeu olhando para seus sapatos de e depois levantou o olhar para Jungkook. — Temo pela sua morte, senhor.

Jungkook descobriu que adorava quando Jimin o chamava de senhor, adorava quando ele corava, adorava o jeito como o olhava e adorava o jeito como se preocupava com ele. Sentiu seu coração acelerar e suas mãos suarem. O que era tudo aquilo?

— Não tema, querido. - Sem perceber, ele levantou a mão na direção de sua bochecha e então acariciou-a, notando que Jimin fechara os olhos, aproveitando a carícia.

Jungkook não sabia se aquilo era certo ou não, pois Jimin era um homem casado. Contudo não havia consumado aquela relação, não é mesmo? Então talvez aquilo não fosse tão errado.

Aproximou-se um pouco mais, sua respiração soprando como uma brisa leve e suave sobre o rosto dele. Ele sentia o hálito quente de Jimin em sua própria boca, mal conseguia se segurar em ansiedade para tocar seus lábios, mas antes que isso ocorresse, seus narizes se tocaram e Jimin abriu os olhos, afastando-se rapidamente.

— Então, acho que é melhor irmos até a cidade para falarmos com o Hoseok, e-eu penso... - gaguejou nervoso, pois não estava acreditando no que estava prestes a fazer. Céus! Nem mesmo Taehyung havia tocado seus lábios e ele teria mesmo permitido que aquele estranho o fizesse? — Bem, eu penso que quanto mais cedo tivermos as estacas melhor, não é?

Jungkook sorriu torto, assentindo e causando em Jimin uma confusão em seu estômago, assim como em sua cabeça e em seu coração.

***

Hoseok trabalhava sozinho em sua carpintaria, terminava um par de cadeiras, quando ouviu os passos sobre o piso e logo um sorriso surgiu em seus lábios.

— Chim! - Hoseok o saudou, mas logo seu sorriso diminuiu quando viu o rapaz que o acompanhava.

Ele era alto, porte nem muito forte e nem muito magricela, seu cabelo era negro e os olhos verdes. Com certeza qualquer moça que o visse se encantaria com apenas sua aparência. Ele usava sapato social marrom, calça de giz preta, camisa de botões branca e um colete cinza, estava sem gravata e com os primeiros botões da camiseta abertos.

— Bom dia, Hoseok! - Jimin o abraçou carinhosamente.

— Como está, menino? - Perguntou ainda medindo Jungkook dos pés à cabeça. — Onde está seu esposo? Não sabe que não é certo estar acompanhado, sozinho, com um rapaz que não é seu esposo? - Ralhou com o garoto, fazendo-o corar e baixar a cabeça.

— Não é nada disso, Hope.

— Sou Jeon Jungkook, senhor. - Jungkook se apresentou, esticando a mão e Hoseok a apertou, com os olhos crispados.

— Hoseok. - Devolveu o cumprimento, apertando a mão do rapaz com firmeza.

Durante o percurso, Jungkook e Jimin decidiram não envolver Hoseok em toda aquela confusão, não seria certo e também seria arriscado, sem falar que havia a grande possibilidade de Hoseok não acreditar neles e aquilo só pioraria tudo.

— Encontrei com Jungkook no caminho até a padaria, Hoseok, ele perguntou se eu sabia onde havia uma carpintaria e eu indiquei a sua, então o acompanhei, pois já estávamos perto daqui mesmo. Não achei que fosse ser algo tão grave. - Jimin explicou, colocando a mão sobre o peito, fingindo falso remorso e Jungkook não pôde deixar de sorrir por dentro com a interpretação de seu garoto.

Hoseok aliviou sua expressão dura e abriu um pequeno sorriso.

— Obrigado, querido. - Depois se virou para Jungkook. — O que o rapaz deseja?

Jungkook jogou os braços para trás e segurou em seu pulso, ficando ereto e tentando parecer o mais normal possível.

— O senhor trabalha com estacas?

Hoseok franziu o cenho e riu.

— Estacas? Está a caça de que exatamente, garoto?

Jimin ofegou. Por que ele falou sobre caça? Ele sabia de alguma coisa? Céus! Ele iria pegá-los no pulo.

— Na verdade é para colecionar, senhor. Meu pai, que Deus o tenha, gostava muito de coisas relacionadas a... - umedeceu os lábios, trocando um rápido olhar com Jimin. — Caça. Gostaria de fazer uma estante em sua homenagem com objetos de caça. - Não pôde deixar de pronunciar a palavra com um sorriso nos lábios. — Uma em especial, de colecionador. - Acrescentou.

Hoseok pareceu ficar animado com a proposta, pois nunca ninguém havia lhe pedido para fazer um objeto como aquele e ele adorava desafios.

— Bem, eu posso tentar, sem dúvidas. - Seu sorriso aumentou e Jimin conseguiu respirar aliviado.

— Eu poderia passar aqui... - Jungkook olhou em seu relógio de bolso. — Ao meio da tarde?

— Bem, não sei se conseguirei fazer tão rápido, mas com certeza tentarei. - O assegurou e Jungkook assentiu, compreensível.

— Poderei pagar tudo na busca do produto?

— Claro, claro. Por ter sido indicação de meu pequeno Jimin. - olhou para o garoto que os ouvia atentamente e ao escutar seu nome, sorriu. — Lhe cobrarei um bom valor.

— Obrigado, senhor. - Deram mais um aperto de mãos e então Jungkook saiu, esperando Jimin do lado de fora, porém escondido para que Hoseok não o visse.

— Desculpe, querido, não quis te ofender. - Hoseok disse para Jimin.

— Tudo bem, Hope. Não ofendeu. - Se aproximou dele, arrumando sua gravata. — Como o senhor está?

— Bem, obrigado. Gripe nenhuma irá me pegar. - Disse sorrindo feliz e fazendo Jimin rir graciosamente.

— Com certeza que não.

— Como está a vida de casado? Não esperava vê-lobtão cedo pela cidade.

Aquele assunto era delicado e Jimin não queria entrar em detalhes, então tentou ser o mais breve possível.

— Tudo bem, Taehyung amanheceu tossindo um pouco, resolvi ir até a padaria e depois até a loja de ervas, quero lhe preparar um chá.

— Por Deus, Chim! Que não seja a maldita gripe espanhola. - Bradou. — Aqui... - caminhou até sua mesinha e de lá retirou uma folha. — Essa é uma receita muito boa para um remédio muito eficaz. Siga as instruções. - Jimin pegou a folha.

— Eficaz contra a gripe espanhola? - Perguntou chocado, pois se fosse, eles precisavam levar aquilo até as autoridades, porque poderia salvar muitas vidas.

— Eficaz contra tudo. Catapora, resfriado, inchaço nas juntas... - Começou a enumerar e Jimin sorriu divertido, Hoseok era realmente único. Jimin o abraçou fortemente, interrompendo-o.

— Eu te amo, Hoseok. Fique bem.

Hoseok se surpreendeu com a atitude do garoto , mas retribuiu o abraço.

— Eu ficarei, Chim, eu ficarei. - Garantiu-a. — Eu também te amo, você sabe que o tenho como um filho. Meu verdadeiro desejo é que um dia eu possa realizar esse sonho de ser seu pai.

Eles se separaram e Jimin sorriu.

— Só se for em outra vida.

Hoseok devolveu o sorriso.

— Por mim está perfeito.

Quem os contemplava, escondido entre as sombras do beco a alguns metros, era Taehyung. Seus olhos faiscavam e seu sorriso diabólico apresentava suas presas.

***

Jungkook e Jimin resolveram alguns detalhes até dá o horário que ele impusera a Hoseok. Tomaram café juntos – sobre olhares acusadores, então não se demoraram muito em lugares públicos – e foram até a casa onde Jimin morou sua vida toda com seus pais, pois ele queria entregar à Jungkook algumas coisas de seu pai, talvez pudesse ajuda-lo em sua busca por Taehyung, coisas de guerra, então era uma artilharia pesada.

— Você vai mesmo seguir em frente com isso? - Jimin perguntou sentado no sofá, enquanto o assistia admirar a espingarda que segurava.

— Acho que balas normais não devem causar muito dano, mas deve atrasá-lo, será bom ter uma dessas por perto. - Comentou e depois o olhou. — E sim, eu vou seguir com isso. Eu não vou conseguir continuar com a minha vida sabendo que a da minha mãe foi tirada por uma aberração dessas. E que ele continua à solta.

Jimin se levantou, ficando próximo à ele.

— Lamento não poder acompanha-lo.

— Não lamente. - Ele colocou a espingarda sobre a mesa próxima ao sofá. — Uma parte de mim fica feliz em saber que você estará em segurança.

— E a outra? - Sussurrou e ele se aproximou ainda mais, quase encostando as palmas de suas mãos sobre a cintura de Jimin.

— A outra deseja que você fique ao meu lado, mas essa parte é uma parte egoísta. - Explicou e ele piscou, fazendo seus cílios mexerem de maneira hipnotizante para Jungkook.

— Talvez eu fique ao seu lado. - Disse sem pensar. — Depois… - Acrescentou. — Se você prometer que ficará bem. - Sorriu timidamente.

Jungkook sorriu torto, fazendo o coração de Jimin acelerar.

— Serei capaz de cumprir essa promessa se eu souber que você está me esperando. - Ele roçou levemente sua mão sobre a cintura do menor este que sentiu seu corpo esquentar. Não sabia explicar o que eram aquelas sensações que começavam a despontar.

— Acho que Hoseok já deve estar te esperando. - Disse corando e Jungkook suspirou, ainda sorrindo.

— Acredito que sim.

Ele sabia que uma hora ou outra eles acabariam concretizando aquele beijo e ele mal conseguia se aguentar de ansiedade.

— Vou deixar a espingarda aqui, tudo bem? Eu passo aqui na volta e a busco. - Na verdade aquilo fora apenas uma desculpa para voltar a vê-lo mais uma vez.

— Claro, como desejar. - Disse atenciosamente, sorrindo. Jungkook lhe deu um aceno com a cabeça e Jimin o acompanhou até a porta, onde continuou a mirar as costas de Jungkook durante a curva até a esquina.

Felizmente a carpintaria de Hoseok não ficava muito distante da casa onde Jimin morava antes de se casar, então rapidamente Jungkook chegou até o estabelecimento, contudo estranhou ao notar que a porta estava fechada.

— Senhor Hoseok? - Chamou dando algumas batidas na porta, porém ao não obter resposta deu mais algumas batidas. — Sou eu, Jungkook. - Aguardou, mas ainda nada.

Ele olhou de um lado para o outro. Não havia muito movimento, mas seria um verdadeiro escândalo se alguém o visse tentado invadir a propriedade do senhor Hoseok. Suspirou e bateu novamente na porta, contudo com mais força, fazendo-a abrir. Jungkook franziu o cenho e com mais uma espiada para um fim da rua, ele entrou.

— Senhor Hoseok, sou eu Jungkook, eu vim... - ele sentiu cada pelo de seu corpo se eriçar e um grito de horror ficar preso em sua garganta. — Não… - Sussurrou.

Hoseokon jazia morto com uma foice cravada – que Hoseok usava como ferramenta – em seu peito, contudo suas roupas estavam sujas de sangue e parecia que havia acontecido uma luta no local.

— Não, não! - Jungkook se desesperou e o puxou, ainda sem tocar na ferramenta que lhe tirara a vida, e segurou o corpo – já sem vida – de Hoseok — Não. - Ele sentiu seus olhos arderem.

Mal conhecia o homem, mas seu coração estava apertado, era como se alguém o tivesse entre as mãos e o esmagasse friamente, sem dó nem piedade.

— Hoseok, não. Por favor. - Lembrou-se de Jimin e ficou ainda mais desesperado. — Não, não. - Com cuidado, puxou a foice de seu peito, mas a manteve nas mãos, para o caso de seu assassino voltar, e notou que havia uma grande marca em sua jugular. — Maldito! Desgraçado! - As lágrimas por fim escorreram de seus olhos, banhando seu rosto. — Taehyung, você vai pagar por isso! - Prometeu a si mesmo, enquanto passava a mão pela face de Hoseok, fazendo com que os olhos achocolatados se fechassem para sempre.

Jungkook ouviu passos e gritos, não teve tempo nem mesmo de absorver tudo o que aconteceu. Mas uma senhora estava na porta da carpintaria e o acusava de assassinato.

— Socorro! Alguém! - Gritou e Jungkook arregalou os olhos.

— Não! Não! - Colocou o corpo de Hoseok sobre o chão. — Não, por favor. Não é nada disso, eu...

— Assassino! Socorro! - Depois de ouvir isso, Jungkook apenas a empurrou e saiu correndo.

Aquilo não podia estar acontecendo, ele não havia matado ninguém. Pelo menos não ainda, pensou travando o maxilar, sentindo uma raiva crescente o dominar.

Jungkook rapidamente bateu na porta de Jimin, que não demorou para abrir – felizmente – e o recebeu com um sorriso nos lábios.

— Então ele... - Jungkook entrou depressa, o sobressaltando. — O que aconteceu? - Ele mesmo fechou a porta.

— Aconteceu uma tragédia. - Fechou as cortinas. — Eu preciso fugir, preciso! Se eu quero matar esse desgraçado do Taehyung eu não posso ser preso. - Andou de um lado para o outro enquanto recolhia as armas que Jimin o havia dado.

— Preso? - perguntou chocado. — O que está havendo?

— Eu sinto muito. - Ele parou a sua frente. — Eu sinto muito mesmo.

— Jungkook, está me assustando.

— Quando cheguei à carpintaria, encontrei Hoseok morto... - Jimin arregalou os olhos e colocou a mão sobre o peito, mas dessa vez não era teatro, Jimin sentia seus pés flutuando, pois o chão havia desaparecido. — Taehyung o matou e agora todos pensam que fui eu! - Vociferou.

Jimin ainda não podia acreditar nas palavras de Jungkook.

Hoseok, morto? Morto pelo monstro com quem se casou. Dos olhos de Jimin, lágrimas de tristeza e ódio desciam por seu rosto.

— Eu sinto muito. - Jungkook tentou acalentá-li, mas ele não queria ser consolado, ah, não! Jimin, pela primeira vez, sentiu vontade de matar alguém com as próprias mãos. Ele queria vingança.

Taehyung não devia ter encostado em um fio sequer do cabelo de Hoseok. Aquele demônio pagaria por todos os seus pecados.

— Eu tenho que sair daqui, preciso ir pra bem longe e planejar um jeito de matar o Taehyung.

— Eu vou com você. - Disse firmemente, limpando o rosto com as costas da mão.

Jungkook o olhou surpreso.

— O que?

— Ele matou o Hoseok, isso não vai ficar assim.

A parte egoísta de Jungkook não pôde deixar de sorrir. Ganhara um aliado em sua vingança.

***

Jungkook e Jimin preferiram se dividir, pois enquanto ele ia para sua casa, pegar mantimentos, Jimin foi até a carpintaria de Hoseok – que já havia sido recolhido – para ver se conseguia encontrar as estacas, orando para que Hoseok tivesse conseguido fazê-las. Felizmente as encontrou, eram apenas duas, mas tudo bem, precisariam de apenas uma para matar Taehyung e teriam duas tentativas para isso.

Jungkook recolheu em uma grande bolsa, alimentos, água, roupas e cobertas. Em outra bolsa ele colocou as armas que Jimin havia lhe entregado.

Jimin encontrou com Jungkook na soleira da porta da casa dele, à beira da floresta. Não podiam voltar para a cidade, pois todos estavam procurando por ele pela morte de Hoseok.

— Pronto? - Jungkook perguntou e ele assentiu.

— Vamos matar um vampiro. - Jungkook sorriu e os dois saíram rumo a estrada de terra.

O plano seria pegá-lo em sua própria casa, contudo, Taehyung já estava aguardando por eles, sobre o telhado da casa de Jungkook. Uma grande nuvem carregada cobria o Sol e ele tinha isso a seu favor, porém – felizmente – Jimin ouviu um grande estrondo, como se uma enorme ave levantasse voo e então olhou para trás, deparando-se com o vampiro louro.

— Cuidado! - Gritou abaixando-se e impulsionando Jungkook com as mãos para baixo também.

Os dois caíram no chão e Taehyung se colocou em pé, diante deles.

— Maldito! - Jungkook gritou e mirou a espingarda nele, atirando bem no meio de seu torso.

Taehyung apenas se desequilibrou, dando um passo para trás e travando o maxilar, depois sorriu.

— Inútil. - Rosnou.

— Só queria ter certeza de que tipo de monstro é você.

— Um monstro forte e imortal, que antes do amanhecer do próximo dia irá ter sua alma nas mãos.

Jimin sentiu cada pelo de seu corpo se eriçar, mas a adrenalina era tanta em suas veias que ele pegou uma das estacas e a enfiou com tudo na direção de Taehyung, que notou o ataque e se moveu, porém Jimin já o havia acertado.

Taehyung gritou e arrancou à estaca que pegou de raspão em seu coração.

— Desgraçado! - Vociferou e quando se preparou para atacá-lo, Jungkook lhe deu outro tiro com a espingarda, na coxa dessa vez, fazendo-o se desequilibrar ainda mais.

Taehyung era mais forte que eles, mas estava com dor e seu coração quase fora atingindo, fazendo-o perder a concentração. Ele olhou para o céu e notou que as nuvens estavam quase deixando o Sol a vista, então lançou a Jungkook e a Jimin um olhar carregado de ódio e desapareceu por entre as arvores.

— Droga! - Jungkook disse cerrando os punhos.

— Vamos atrás dele. - Jimin disse ofegante. Ainda não estava acreditando naquilo tudo que haviam feito.

— Teremos vantagem enquanto for dia, mas não temos muito tempo. Vamos. - Eles correram para dentro da floresta.

— Enquanto ele estiver machucado nós também teremos mais chance de alcançá-lo. - Jimin comentou enquanto se desviava de alguns galhos.

— Você foi incrível. - Jungkook disse orgulhoso e Jimin acabou corando. Certas manias nunca teriam fim.

— Obrigado, acho que não pensei direito.

— Foi ótimo. - Sorriu para ele.

— Agora só temos uma estaca. - Lamentou.

— Será o bastante. - Ele o assegurou e Jimin devolveu o sorriso.

Notaram que talvez não tenha sido uma boa ideia adentrarem a floresta, pois o Sol já havia se posto e o tempo esfriara, as nuvens carregadas tomaram conta do céu, escondendo as estrelas e a lua.

— Desculpe. Acho que nos levei direto para a boca do leão. - Estava irritado consigo mesmo e estava com mais raiva ainda por ter colocado Jimin naquilo tudo, agora estavam os dois no meio da floresta, perdidos e no total breu.

— Não diga isso. - Sussurrou. — Se nos escondermos e ficarmos quietos, talvez ainda teremos alguma chance. Precisamos de um plano.

Jungkook assentiu, ainda estava chateado, se Taehyung se aproximasse ele teria que matá-lo, não permitiria que ele fizesse mal algum à Jimin – que mostrou ser bastante capaz de se defender, mas mesmo assim ele sentia necessidade de protegê-lo.

— Olha. - Ele devolveu em um sussurro, enquanto apontava na direção de três grandes e grossas arvores em volta de um rochedo.

— Aquilo é o que eu acho que é? - Jimin perguntou abrindo um sorriso de alivio nos lábios.

— Sim. - Ele segurou o pulso do garoto e rapidamente foram até a fenda no meio da rocha.

Ficar a céu aberto era terrível para a sobrevivência deles, então terem achado uma caverna, e tão bem escondida entre aquelas arvores, era maravilhoso.

Infelizmente, mesmo eles estando protegidos pela caverna, ainda estava bastante frio e eles não podiam acender uma fogueira, pois isso chamaria a atenção e chamar a atenção era a última coisa que gostariam naquele momento.

Jungkook colocou no chão um dos cobertores e depois entregou outro para Jimin, que dividiu com ele. Eles sentaram-se no meio da caverna, sobre o felpudo cobertor que Jungkook havia estendido no chão, e tentavam se aquecer, enquanto comiam carne seca e tomavam água.

Jimin tinha noção da proximidade do corpo de Jungkook e suas bochechas pegaram fogo, nunca havia ficado tão perto de um rapaz, nem mesmo com Taehyung havia tido tal intimidade. Jungkook queria bater em si mesmo por estar “naquela condição” nos países baixos, mas ele não estava conseguindo se controlar. Jimin tinha um corpo tão macio e cheiroso, sua mão coçava para acariciá-lo.

— E-eu… - Jimin gaguejou, tentando distrair tanto a si mesmo como a Jungkook , pois havia mexido o braço e acabou encostando no membro de Jungkook, que ficou rígido na mesma hora. — Eu acho que você não devia ter aberto a porta. - Sorriu sem graça.

— Por que diz isso? - Franziu o cenho.

— Bem, porque…  - umedeceu os lábios e Jungkook não conseguia desviar sua atenção de sua boca avermelhada. — Eu só te trouxe problemas, Jungkook.

Jimin se sentia mal de ter envolvido ele naquilo tudo, ele sabia que sem Jungkook,  provavelmente estaria morto, mas também não podia ter sido egoísta e o colocado em toda aquela confusão.

— Eu não lamento por isso. - Sussurrou sobre seu rosto, fazendo-o levantar seus olhos achocolatados.

— Eu sou um problema. - Insistiu e Jungkook levantou a mão, massageando sua maça do rosto. Jimin sentiu seu corpo pegar fogo com o contato, ele devia se afastar, mas não conseguia, não conseguia e não queria.

— Sim, você é. Mas é o meu problema. - Sorriu torto, fazendo o coração do garoto disparar. — Você é meu garoto problema. - Por fim eles fecharam os olhos e selaram os lábios em um beijo castro.

— Você está tremendo. - Jimin constatou e Jungkook se afastou, muito à contra gosto, de seus lábios.

— Eu estou bem. - Declarou tentando controlar sua voz. Nunca havia sentido tanto desejo por uma pessoa em toda sua vida. — Tente dormir um pouco. Você precisa descansar. Amanhã será um longo dia. - Argumentou se afastando.

— Tem muito espaço aqui, Jungkook. - Respondeu jogando os cabelos para trás ao sentir suas bochechas esquentarem. — Não precisa ficar do lado de fora se não quiser. - Acrescentou torcendo para que ele viesse para seu lado. O queria o mais perto possível de seu corpo.

— Eu não acho que isso seria apropriado.

— Você não... me quer? - Perguntou mesmo temendo a resposta e Jungkook negou prontamente.

— Não! Eu só acho que nenhum de nós conseguiria dormir se eu me juntasse a você. - Indagou olhando em seus olhos.

— Está muito frio, Jungkook. Eu não conseguiria dormir sabendo que o deixei congelando. - Respondeu seriamente e ele pôde ver que Jimin não mudaria de ideia. Então vagarosamente se aproximou, entrando de baixo do cobertor com ele.

— Agora você pode dormir. - Disse acariciando seu rosto e então fechou os olhos, apreciando seu toque.

— O que faremos amanhã? - Perguntou abrindo os olhos. Não podia esquecer o porquê de estarem ali. Mesmo que a presença de Jungkook fosse completamente inebriante, eles estavam lá por um único motivo.

— Vamos matar aquele maldito. - Respondeu travando o maxilar de tamanho ódio que sentia por Taehyung.

— Sim, nós vamos. - Replicou se aproximando um pouco mais dele.

— Temos que aproveitar a luz do dia e caçá-lo. - Acrescentou ainda acariciando sua bochecha e Jimin estremeceu. — Não tenha medo.

— Eu não posso evitar. - Retrucou. — Eu o quero morto mais que tudo, mas se as coisas fugirem do controle...

— Não pense nisso. Eu estarei com você o tempo todo. - Disse o puxando contra o peito e o garoto parou de respirar com a proximidade. Podia sentir suas bochechas, que a essa altura estavam vermelhas com certeza, pegarem fogo. — Eu jamais permitirei que ele se aproxime de você. Entende isso? - Questionou gentilmente, voltando a circular suas bochechas coradas com sua mão.

Os dedos de Jimin subiram para seu pescoço, alcançando o ponto de seu queixo onde começava uma barba cerrada e ia até o canto de sua boca, o fazendo abrir os lábios e suspirar com as carícias.

— Jungkook. - Murmurou. — Me chame pelo meu nome.

— Não parece muito adequado.

— Por favor. - Suplicou levando sua mão até o cabelo negro dele. — Gostaria de ouvi-lo dizer.

Ele aproximou seu rosto do de Jimin, ficando tão perto que seus lábios quase se tocavam.

— Jimin. - Sussurrou em seu ouvido, o fazendo estremecer em seus braços.

Incapaz de esperar mais, Jimin acabou com o último espaço que havia entre eles, colando seus lábios nos dele novamente. Tão rápido quanto ele perdeu o controle, Jungkook também havia se rendido ao que sentia. Girou seu corpo, se colocando sobre ao do menor e aprofundando o beijo, desesperadamente.

Suas mãos passeavam afoitamente por todo o corpo de Jimin, assim como as dele passeavam pelo seu.

Seus pulmões gritavam por oxigênio, mas o desejo que sentiam era muito maior. As mãos de Jimin desceram por suas costas, parando na abertura de sua calça, Jungkook tentou se afastar, mas foi detido pelas pernas alheia, que circulavam sua cintura, o prendendo junto a Jimin.

O garoto desabotoou a camisa social de Jungkook e ele esticou os braços, o ajudando a se livrar da peça. Depois puxou os próprios botões de sua camisa exposto a sua carne branca a Jungkook, que arfou loucamente. Jimin nunca havia considerado seu corpo extraordinário, não até ver os olhos de Jungkook escurecerem ao se voltarem para ele. Não até vê-lo se abaixando para beijá-lo com mais desejo do que antes. 

— Jimin. - O chamou, ofegante, com o rosto na curva de seu pescoço. — Não podemos.

— Sim, nós podemos. - Respondeu o puxando para mais perto de si e voltando a prendê-lo com suas pernas e o beijando com ainda mais intensidade.

— Tem certeza?

— Sim, Jungkook. Por favor. - Suplicou, olhando em seus olhos.

A mente dele parecia fervilhar, tentando decidir o que era certo e errado, mas seu corpo fazia o oposto, se arrepiando aos toques.

— Eu não quero machucá-lo. - Declarou se posicionando entre suas pernas. — Além disso, eu nunca...

— Confio em você. - Rebateu com um sorriso, mordendo os lábios.

— Se eu lhe machucar...

— Não vai. - O interrompeu, puxando-o para perto, envolvendo a cintura dele com suas pernas e as costas dele com seus braços. O prendendo, ainda mais.

Já nus, ele avançou com cuidado, sempre observando sua expressão.

Enquanto o beijava, avançava aos poucos. Ninguém havia o preparado para a dor que sentiu.

Sua pele formigava com o contato com a dele e foi como se uma parte de si tivesse sido rasgada.

Estava tão perdido com as sensações que sentia, que não havia notado as lágrimas que caiam de seus olhos. Jungkook ao olhar para seu rosto, contorcido pela dor, parou de se movimentar e passou a depositar suaves beijos em suas pálpebras fechadas.

— Não imagina o quanto tenho sonhado com isso. -Disse gemendo e enterrado seu rosto no vão do pescoço do menor.

Quando voltou a olhá-lo, seu olhos verdes, estavam escuros pelo desejo avassalador que sentia, e ali Jimin soube: soube que ele o desejava tanto quanto o mesmo.

Não haviam barreiras entre eles. Era apenas pele na pele e ambos gemeram com as sensações inimagináveis que sentiam pela primeira vez. Era como se um campo de força passasse por seus corpos, já suados. 

— Já vai passar, querido. - Tentou confortá-lo. A última coisa que desejava era machucá-lo. — Prometo não me mexer até a dor passar. - O assegurou, sentindo um fio de suor se formar em sua testa com o esforço de ficar parado.

— Jungkook... Por favor... - Suplicou gemendo seu nome.

— Você quer que eu pare, Jimin? - Perguntou se preparando para sair dele, se assim desejasse.  E suas pernas, que estavam abertas, enlaçaram seu quadril, o impedindo de deixá-lo. 

— Mais... Rápido... Por favor... - Pediu e ele vendo que seu garoto não sentia mais dor, por que Jimin não sabia ainda, mas seria seu garoto, começou a se movimentar. 

Jimin cravou suas unhas nas costas dele e arqueou seu corpo, pressionando seu peito ao dele.

Jungkook se movimentava lentamente, fazendo com que ambos sentissem um prazer inesgotável.  Ele continuou seus movimentos, até que tocou em um ponto; os lábios de Jimin se separaram, devido ao enorme prazer que sentia e ambos gemeram em uníssono, ele o penetrou com mais força e intensidade.

Com mais algumas estocadas, Jimin atingiu seu orgasmo, gritando seu nome e Jungkook ao sentir que seu ápice se aproximava, e mesmo contra sua vontade, saiu de dentro do menor, que protestou na mesma hora. Por mais que gostasse de Jimin, não poderia colocá-lo em risco.  Ele atingiu seu êxtase, já fora de Jimin, e desabou sobre seu corpo , fechando os olhos enquanto Jimin acariciava seus cabelos. Ali naquele momento, perceberam que não importava o que o dia seguinte lhes reservava. Tudo ficaria bem, se ainda tivessem um ao outro.

Mesmo estando naquele momento feliz ao lado de Jimin, os pensamentos de Jungkook o traíram, fazendo-o se lembrar de Taehyung. Ele travou o maxilar.

— Qualquer coisa seria melhor do que passar a eternidade como um desses monstros. - Ele comentou, lembrando que Taehyung fora o culpado pela morte de sua mãe.

— Qualquer coisa. - Jimin concordou. — Até mesmo gripe espanhola. - Jungkook assentiu.

— Vamos fazer um juramento. - Disse de repente e Jimin arqueou uma sobrancelha.

— Que juramento?

— Se um de nós dois chegar a se transformar em vampiro, o outro deverá matar, poupando-o de uma vida miserável. - Disse firmemente e Jimin pareceu refletir, o ar faltando em seus pulmões, mas por fim concordou.

— Eu juro.

— Eu juro. - Jungkook assentiu e o menor também.

Eles ouviram passos do lado de fora e rapidamente se colocaram em alerta. Ele sentiu seu coração acelerar e Jimin sentiu seu corpo paralisar. Eles se entreolharam e Jungkook ergueu o queixo, começando a se vestir rapidamente e como se aquilo trouxesse Jimin a realidade, ele engoliu em seco e voltou a se vestir também.

— Pegue. - Jungkook a entregou uma espingarda carregada e ele pegou à estaca. — Estarei sempre ao seu lado. - Ele o assegurou e o menor assentiu.

Jungkook saiu da caverna e Jimin seguiu ao seu lado.

— Patético. - Bradou Taehyung.

Jungkook e Jimin se colocaram em posição de ataque.

— Tão patético quanto o filho do pastor anglicano que transformei nos esgotos de Londres. - Comentou com um sorriso brincando nos lábios. — Admito que foi divertido enquanto durou, mas agora já chega! - O sorriso morreu e ele se impulsionou para frente, tentando chegar até Jimin, contudo ele atirou, fazendo-o ser jogado para trás e cair no chão.

Jungkook correu até ele, mas Taehyung era mais rápido e logo ele estava de pé.

— Desgraçado! - Jungkook levantou à estaca na direção do coração de Taehyung, mas o vampiro lhe puxou e enterrou o rosto em seu ombro, depois o golpeou no peito, fazendo Jungkook tirar os pés do chão e bater as costas contra o rochedo, ao cair ele sentiu falta de ar e uma forte pressão em sua coxa.

Os olhos esmeraldas caíram até a região que queimava e ele notou que havia caído em cima de uma rocha media pontiaguda, que cortara a carne da coxa dele. Jungkook deu um grito ao sentir a dor dominar seu sistema nervoso.

O cheiro de sangue enlouqueceu Taehyung.

— Não! - Jimin rosnou ao notar que o louro estava prestes a avançar em Jungkook, porém Jimin lhe deu mais um tiro, só que dessa vez na cabeça, fazendo-o cair desacordado.

Jimin correu até Jungkook e colocou suas mãos sobre ele.

— Jungkook. - Sua garganta fechou.

— Rápido, não temos muito tempo. - Ele lhe entregou à estaca e os olhos de Jimin brilhavam pelas lágrimas.

Ele pegou à estaca e correu até onde Taehyung começava a despertar. Ajoelhou-se ao lado dele e segurando à estaca com as duas mãos, viu o momento exato em que Taehyung abriu os olhos, arregalando-os ao sentir seu coração sendo atingido.

— Isso foi por todas as vidas que você tirou. Mas principalmente pela mãe de Jungkook e por Hoseok.

Taehyung pôde dá um último sorriso, sentindo-se vitorioso mesmo com a morte batendo à sua porta.

— E por Jungkook? Você não vai incluí-lo nessa adorável e deliciosa lista? - Jimin ofegou e se afastou de Taehyung, que jazia morto.

— Jungkook? - Jimin se virou para o homem e depois correu até ele. — Jungkook! - Gritou ao notar que ele estava com os olhos fechados e com uma das mãos sobre o ombro. — Jungkook? - Chamou-o em um sussurro.

De repente ele abriu os olhos e sorriu, um sorriso que não alcançou seu olhar.

— Jimin.

Ele colocou a mão sobre a de Jungkook, que estava em seu ombro, e a retirou.

— Não. - Sua voz subiu uma oitava e os olhos de Jungkook caiu sobre seu ferimento.

Taehyung o havia mordido.

— Não! - ele gritou desesperado. — Não! - Olhou para Jimin, que se afastava aos poucos. — Jimin, por favor.

— Jungkook…  - as lágrimas molhavam os olhos do garoto. — Jungkook, eu sinto muito.

— Jimin, por favor! - Ele implorou enquanto o outro balançou a cabeça negativamente, enquanto soluçava. — Jimin! - Seu grito partiu o coração dele.

— Me perdoa, Jungkook, eu sinto muito.

— Me mate, Jimin! Por favor! Estou te implorando! Me mate! - Suas palavras estavam carregadas de dor e desespero.

— Eu lamento, eu não consigo! Me perdoa!

— Jimin! - já não adiantava mais, pois Park Jimin desapareceu por entre as árvores , enquanto corria para longe dele, com as lágrimas transbordando de agonia e medo que estava cheio seu coração. — Não! Jimin! Não! Por favor! - ele se debatia, enquanto se arrastava pelo chão.

Sua coxa queimava, assim como a ferida aberta em seu ombro, carregada de veneno de vampiro. Ele estava perdido, não sabia o que fazer, a única coisa da qual ele tinha certeza era que talvez tivesse feito o mesmo que Jimin, talvez ele tivesse fugido, pois não conseguiria machucá-lo. Mas ele seria capaz de se auto machucar. Ele precisava se matar.

Por isso que com lágrimas nos olhos, ele se arrastou até o corpo de Taehyung e puxou de seu peito à estaca. Ele precisava fazer aquilo, não podia virar o mesmo monstro que matara sua mãe.

No exato momento em que ele ia enfiar à estaca no seu coração, alguém o impediu.

— O que...? - Jungkook olhou para o homem de roupas simples e belas, de olhar carregado de compaixão e com um sorriso convidativo.

— Não faça isso.

— Quem é você? - Puxou sua mão do aperto do homem louro. — Afaste-se de mim! Você não sabe no que estou me transformando, me deixe em paz!

— Por favor, rapaz, não faça isso. - Pediu mais uma vez, abaixando-se para ficar na altura dele. — Eu sei pelo o que você está passando.

— Eu duvido muito. -Jungkook rosnou.

— Deixe-me ajudá-lo.

— Se quer tanto me ajudar… -entregou-lhe à estaca. —Pegue! Enfia-a bem aqui! - Ele abriu os botões de sua camisa e apontou para seu coração. — Anda! Vamos! Me mate! - Gritou.

— Não com esse - olhou para o objeto de madeira. — Tipo de ajuda. - Largou à estaca no chão. — Por favor, deixe-me ajudá-lo, deixe-me agradecer pelo que fez por mim. - Disse olhando para o corpo morto de Taehyung.

Jungkook franziu o cenho.

— Eu não sei do que você está falando.

— Eu sei que não, mas você vai saber e vai compreender. Compreender que nem tudo é do jeito que você pensa, as coisas podem ser diferentes, veja tudo isso como uma segunda chance.

Jungkook não fazia ideia do que aquele homem estava falando, ele não queria ouvir nada, só queria morrer e já que nem isso conseguia mais, ele só desejava ficar sozinho.

— Qual o seu nome?

— Jeon Jungkook. - Respondeu.

— O meu é Kim Namjoon. - Abriu um sorriso gentil e Jungkook fez uma careta de dor.

Namjoon notou que a mordida havia sido no ombro, aquilo iria ser demorado.

— Jungkook, isso pode ser doloroso, permita-me acabar logo com isso? - Perguntou se aproximando e Jungkook se encolheu.

— O que?

— A transformação. - Explicou e Jungkook engoliu em seco.

— Só… - suspirou. — Só faça parar. - Dito isso, Namjoon se aproximou ainda mais de Jungkook e por fim mordeu seu pescoço, injetando seu veneno na corrente sanguínea do garoto, fazendo a transformação ser mais rápida.

Jungkook travou o maxilar pela dor devastadora que tomou seu corpo, mas não era uma dor lenta e torturante, ela foi rápida. Namjoon colocou a mão sobre o braço dele, como se estivesse lhe dando apoio.

Jungkook desviou sua atenção do rosto dele e olhou na direção da floresta.

— Quem era? - Namjoon perguntou curioso, ele não estava ali a muito tempo, mas viu quando um jovem rapaz correu para longe de Jungkook.

— Ninguém. - Sentiu seu coração se apertar. — Só um garoto problema. - Sorriu sem humor e olhou para o chão, depois levantou o olhar de novo, tentando achá-lo dentro da escuridão. — Mas era o meu garoto problema.

Jungkook sorriu em meio a tanta dor, ele sabia que não tardaria para encontrar novamente seu amado. Nessa vida, ou na próxima. 


 



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