História Dark Side - Capítulo 2


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Visualizações 103
Palavras 5.350
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção Adolescente, Luta, Magia, Mistério, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Survival, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Pansexualidade, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Primeiro venho pedir desculpas pela demora, eu sou sozinha então já sabem, além também por causa do número de palavras, que não foi pouco para mim. Alguns personagens não apareceram ainda, por isso peço que não fiquem desesperados. Na realidade, o capítulo não bateu as minhas expectativas, e ficou meio cotidiano, mas não se preocupem, eu vou melhorar com o tempo.
[Imagem meramente ilustrativa]

Capítulo 2 - ,;;;1,1::internal chaos;;;.


DIA 17

  A atmosfera estava fria e melancólica, Seul estava em um de seus dias sem cor, os quais eram cobertos por uma leve neblina, em que o frio parecia querer entrar nas residências aquecidas e bem iluminadas. Não havia sinal de chuva, apenas alguns resíduos de neve espalhadas pelo chão, ou cobrindo alguns galhos secos de algumas árvores distribuídas na beirada das calçadas.

  Com o coração em mãos e olhar cabisbaixo, a terceirista da Namsan High School caminhava com um semblante triste entre as poucas pessoas que passavam por ali. Ela estava se sentindo triste, sozinha, culpada, entre outros sentimentos negativos que não queriam abandoná-la, mesmo com um sorriso e dizendo que nada havia acontecido na escola para seus familiares, o sentimento de felicidade não estava mais com ela. Ela havia deixado de honrar seu nome, MiHi não estava mais alegre, em menos de dois dias tudo fora arrancado dela com um único golpe e, aquilo machucou, a dor era agoniante e lenta, assim como uma faca cortante descendo por sua garganta.

  Os bons momentos com sua melhor amiga a atormentavam, ela ainda podia ouvir o som das risadas e dos consolos que recebia diariamente, Junghee era um porto seguro para a Lee e, ambas sabiam daquilo. Mesmo ás vezes não estando em seus melhores dias, a Tae nunca deixou de ser educada e gentil com MiHi, que sabia apreciar cada segundo ao lado da amiga, mas como não podia ser diferente, ela deixo-a. “Tae Junghee está morta”. A frase se passava em sua cabeça várias vezes ao dia, apenas para entristecê-la mais, para lembrá-la que quem a apoiava não estava mais a seu lado. Até mesmo de quem ela não era próxima antes a afetava, mesmo que indiretamente, era inegável sua preocupação com Im Hyeji, a qual as acompanhava de vez em quando no caminho da escola. Ninguém sabia se ela ainda estava em Busan, ou se tinha sumido por aí, visto que desde o dia em que o corpo de Junghee fora encontrado, ninguém soube mais nada dela, ela estava desaparecida, mesmo que a polícia não tenha confirmado nada.

 Ainda pensando em tudo que estava passando ultimamente, a Lee esbarrou-se com alguém e, ao se virar para pedir desculpas, viu um garoto bem mais alto que ela. Já havia o visto, cabelo preto e rosto bem marcado, se lembrava bem.

Colégio Sangguri, Ji Sowoo.”

Ela já havia visto aquele garoto, com a mesma identificação de nome e uniforme.

 “Aquela era uma manhã ensolarada de verão, MiHi trajava o uniforme branco da Namsan, o qual era feito especialmente para tal estação. Com um sorriso no rosto e um refresco em mãos, caminhava em direção a escola enquanto ficava à espera do momento em que sua melhor amiga apareceria a chamando de longe, e como o esperado, a voz suave em um tom mais elevado preencheu seus ouvidos. Há alguns metros viu Tae Junghee e Im Hyeji correndo em sua direção, a de cabelos pretos tinha um sorriso no rosto, enquanto Hyeji vinha com sua carranca matinal e cabelos roxos trançados de um lado da cabeça.

Não vejo necessidade nisso. — reclamou a Im um pouco ofegante.

  Enquanto Hyeji estava num estado mais aceitável — por ser boa em esportes — a Tae estava com o rosto vermelho e com uma respiração bem ofegante. Preferia mil vezes livros do que atividades que exigiam de seu físico pequeno e mal desenvolvido.

— Bebe. — MiHi entendeu seu copo colorido com alguma bebida gelada em direção a Junghee, que parecia que ia ter um ataque cardíaco a qualquer estante.

— Obrigada. — bebeu um pouco e devolveu para a mesma. — Você me salvou. MiHi, eu te promovo para minha heroína!

  Hyeji deu um risada nasal e puxou a mochila da Tae para trás, fazendo-a ir junto na direção puxada soltando um pequeno gritinho.

— Deixa que eu levo. Não quero que você morra antes de chegar na escola. — Junghee tirou seu primeiro braço da alça, mas antes que tirasse o da esquerda, a Im fez um sinal para que parasse. As três direcionaram seu olhar para um adolescente, que estava à frente delas.

 ‘Colégio Sangguri, Ji Sowoo.’

  Ele tinha um bom físico, cabelos extremamente pretos e aparentava ser da idade de Hyeji, era consideravelmente atraente. Seu uniforme indicava que estudava em uma das escolas de Jung-gu, o que fez com que Junghee o olhasse torto, a mesma odiava alunos de tal bairro, mais precisamente por sempre ganharem da Namsan nas competições de estudos, a Tae não tolerava perder, principalmente para a ‘escola dos selvagens’. Como se já conhecesse o grupo, deu um passo à frente e encostou sua cabeça no ombro de Hyeji, que não estava gostando nenhum pouco de ter contato com o Ji.

  MiHi deu um passo atrás completamente surpresa, não sabia que Hyeji tinha alguém fixo, assim como a Tae, que ficou vermelha quase que instantaneamente. Sem dizer nada, a mão da Lee deslizou sob as da Tae e começou a puxá-la para trás, dando um espaço considerável para que o tal Sowoo e Hyeji pudessem conversar sem serem ouvidos pelas duas. De tal distância, era perceptível o rosto do garoto virado na direção em que estavam, o mesmo passou as mãos pela cintura fina da Im e disse algo no ouvido dela, logo dando um sorriso ‘doce’.

— Você não acha eles fofos? — comentou a Lee, desviando sua atenção do casal para Junghee, que estava borbulhando ao seu lado. — Está tudo bem? — MiHi não estava entendendo o comportamento de sua amiga, ela nunca fora do tipo ciumenta... Algo estava de errado com ela.

— Ela se esqueceu da gente.

  A mais velha apontou para a silhueta bem formada de Hyeji atravessando a rua contrária da que levava a escola e, saiu bufando sem olhar para trás. Pronta para seguir sua melhor amiga, MiHi se virou e deu dois passos à frente, até que sentiu uma enorme necessidade de olhar para trás uma última vez, e quando o fez, viu uma cena que não parecia nenhum pouco agradável. O casal havia parada na sombra de uma grande árvore, a qual cobria a calçada toda, e bem escorados num muro que havia ali, haviam dois homens com expressões nenhum pouco amigáveis. O Ji empurrou a de cabelos roxos em direção aos dois homens, que riram como dois idiotas ao assistir a mesma sendo empurrada tão facilmente por ele.

— O que está fazendo MiHi? — escutou a Tae à frente. — Não espere por ela, Hyeji não gosta que se metam na sua vida fodida, muito menos com quem se relaciona. Aprendi faz alguns anos.

— Certo. — concordou enquanto tentava alcançar a outra, com um certo incômodo por não ter coragem de ir lá defendê-la.”

 Recebendo um olhar desagradável do garoto, o mesmo bateu uma de suas mãos por seu uniforme amarrotado, como se estivesse tirando algum tipo de poeira que seu trombo com a Lee pudesse tê-lo sujado de alguma forma.

— Olhe por onde anda, garota. — reclamou se afastando.

  Decisivamente era ele, se lembrava perfeitamente e, por um instante o pensamento de chamá-lo para perguntar sobre Im Hyeji se passou por sua cabeça, mas a lembrança de como ele a tratou após ela e a Tae terem se afastado se fez presente, fazendo-a desistir e voltar sua atenção para o relógio em seu pulso. Estava atrasada mais de cinco minutos, aquilo seria um problema, porque os portões já deveriam estar se fechando e ainda estava na metade do caminho para a escola.

  Apressadamente ela ajeitou sua bolsa nas costas e deu uma última olhada para trás, vislumbrando o Ji virando a esquina e sumindo completamente. Ele de fato tinha algo a haver com Hyeji, mas não é como se MiHi fosse querer descobrir depois de algumas séries de acontecimentos.

  O som original do cômodo cheio de computadores com uma mesa oval no centro, era de dedos indo contra o teclado, mas não é como se fosse apenas um par de mãos, mas sim dois. Mesmo distantes um do outro, a rapidez presente nos dedos era a mesma, como se fossem movimentos sincronizados um com outro; Jiseok estava em um dos computadores no fundo da sala com dois fones enormes na cabeça, enquanto o platinado Go escrevia qualquer coisa em seu notebook, sentado na mesa que ficava de frente para a porta do clube.

  Go Seungmin, um dos alunos mais odiados e ao mesmo tempo poderosos dentro da escola, não estava mais em seus dias ouro e, pode-se dizer, que fingia muito bem para os outros que nada estava de errado com ele, apesar de ser bem ao contrário. Desde alguns acontecimentos, ele não conseguia escrever mais nenhuma notícia digna de primeira página, e isso o irritava demais, mas não era esse o sentimento predominante em si, mas sim a culpa, sentia que por não conseguir controlar sua língua solta, Junghee estava morta e Hyeji desaparecida. Era culpa sua, por aumentar demais coisas simples que presenciou, sem nem saber se era aquilo que escutou e viu, era o que presumiu ser ou outra coisa. Mas agora já tinha acontecido, a Tae já estava morta, e a Im sem nenhum paradeiro aparente, não havia nada que pudesse mudar para melhorar sua situação atual.

  Junghee sempre fora gentil com ele, até mesmo quando estava errado sobre algumas coisas relacionadas com a escola, inclusive com seu relacionamento atribulado com Hyeji. A Im, bom, ela foi seu primeiro amor, o qual de maneira surpreendente foi correspondido, mas terminado apenas com uma mensagem de duas palavras, num dia tão especial para os dois.

“Vamos terminar. — Enviado ás 22:30 pm.”

  Na época, ela não veio mais para a escola e se transferiu para Busan, ela não o queria mais — pelo menos é isso que o Go pensava — mas não foi por isso; por que uma pessoa que ama a outra termina um relacionamento estável e até que feliz? Confuso não? A partir daí o mesmo começou a odiá-la, não gostava mais de ouvir seu nome pelos corredores, muito menos de encontrar algo pertencente a ela misturado a sua coisas. E tudo só piorou quando ela retornou a escola — quando ele já havia a superado — porém dessa vez fingindo que nem o conhecia. Ambos agindo como estranhos não era algo que Junghee gostava, porque sabia que não fazia bem aos dois, contudo não deixava de se sentir feliz ao mesmo tempo.

  Era estranho para Seungmin não ouvir nenhum choramingo de alguém que apanhou da Im pela manhã, muitos menos de ouvir Junghee brigando com ela dizendo que não podia bater nos alunos sendo que o conselho estudantil poderia resolver. O Go podia estar tentando seguir sua vida, mas a culpa estava de mãos dadas com ele onde quer que fosse.

 — Hei, terra chamando Go Seungmin. — o som da batida da mão de Gayoon indo contra a mesa que o mesmo digitava, fez com que rapidamente tirasse sua mão do teclado do notebook e a olhasse assustado por conta da ação inesperada. — Você está bem?

  O garoto ajeitou seus óculos redondos sobre o nariz, e olhou para a de cabelos negros suavizando sua expressão assustada.

— Estou.

— Não parece. — a Woon contornou a mesa e puxou sem nenhuma delicadeza uma da cadeiras giratórias que estava ali, a colocando próxima a de Seungmin e se sentando de maneira relaxada. — Qual é a desses vários Y? — olhou para o Word a qual o Go trabalhava antes dela entrar e, deu uma risada nasal ao ver vários parágrafos apenas com a letra Y. Ele tinha deixado pressionado tal tecla enquanto pensava sobre sua situação atual, por isso dos parágrafos com a mesma letra.

— Não é nada.

  Fechou o notebook e olhou em direção a sua melhor amiga, que não parecia surpresa com seu comportamento estranho.

— Entendi. Mas você soube sobre a Moonhee do segundo e o Eunjung da nossa sala? — comentou com um leve sorriso no rosto. Gayoon e Seungmin eram de fato os mais informados da escola, gostavam de passar horas apenas falando dos outros — no mal sentido é claro.

  O de cabelo rosa levantou-se e pegou uma pilha de papéis, carregando-os com certa dificuldade até a mesa central da sala, onde eram montadas as bases dos “jornais físicos”.

— O que tem? — largou desajeitadamente a pilha sobre a mesa e olhou para Gayoon, a qual tinha uma expressão indecifrável.

— Você ao menos sabe o que está fazendo?

  Antes que pudesse abrir a boca para responder, a porta da sala — que já estava aberta — foi de encontro com a parede, realizando um ruído em reação a batida. Um garoto de cabelos extremamente pretos e um bom físico entrou de maneira rápida, se colocando em frente a Seungmin. O mesmo passou a mão por seus cabelos e lançou um olhar totalmente aflitivo para o Go, ignorando a presença de Jiseok e Gayoon no cômodo.

— Eu que deveria fazer essa pergunta. Você ao menos sabe o que está fazendo, Seungmin?

— Não sei do que está falando Kangdae. Seja específico. — respondeu de maneira ignorante. Começou a separar a pilha de papéis em três pilhas menores, sem nem se importar mais com o coreano.

— Você não poderia ser mais gentil com o que escreve? Estou tentando te ajudar. — foi quando ao virar-se percebeu mais duas pessoas na sala. Ele podia ter repetido a frase de Gayoon ao tê-la ouvido assim que entrou, mas não percebeu de imediato de quem o timbre pertencia, apenas estava inebriado pelo novo problema que havia surgido. — Estou dizendo sobre o artigo da Hyeji. Por que foi tão mal? Sei que se odeiam, mas não achei que chegaria a isso.

  O mesmo parou no instante em que ouviu o nome ser pronunciado, não sabia se sentia raiva ou culpa, quem sabe até mesmo os dois em conjunto? Olhando de lado, pôs seu olhar sobre a morena Woon, a qual estava lendo qualquer coisa escrita em sua mesa sem nenhum entusiasmo, para Jiseok nem quis perder seu tempo, visto que ela não era alguém “importante” ali.

— Que artigo você está falando?

  Se virou totalmente para o Moon, o qual deu um longo suspiro e se escorou com o braço na mesa.

— Todo mundo sabe que foi você que escreveu, o jeito de escrever é o mesmo, além de você sempre usar os mesmos adjetivos para descrever alguém. Mas dessa vez, você pegou pesado. — fez uma pausa. — Além dele ter sido imprimido e copiado nessa sala, isso faz o conselho pensar que foi tudo feito aqui, e você é o principal suspeito.

— Então estou sendo acusado por algo que eu não fiz? Essa é nova. — deu um riso debochado.

— Não acho que tenha sido escrito por ele. — a voz melodiosa de Gayoon se fez presente. A mesma que já estava em pé, caminhou em direção aos dois e parou ao estar numa certa distância de proximidade. — Apesar de ter as mesmas “marcas” dele, a escrita era menos desenvolvida, além de ter tido dois erros de ortografia no artigo. O Seungmin não comete erros e, além de sempre ser objetivo, ele gosta de proporcionar uma leitura dinâmica. De escrita eu entendo, então tenho mais do que certeza que não foi ele que escreveu.

  Surpreendido, Kangdae ficou em uma posição ereta, se desapoiando da mesa e olhando para a Woon.

— Você conseguiu ler? Tenho absoluta certeza que recolhi todas as cópias do chão antes de ninguém chegar.

  A garota lhe lançou um olhar enigmático e respondeu sem se importar com sua próxima reação:

— Sim, e acho que a sua “absoluta certeza” não é mais absoluta. Eu não fui a única a ler.

  O garoto fez uma careta desgostosa e tirou do bolso um papel, mais parecido com um bilhete. Seungmin entendeu direto do que se tratava tal e deu um sorriso sem emoção.

— Como isso foi passado para a direção, não posso te ajudar mais do já fiz. Eles querem que você vá agora.

  Sem dizer mais nada, Kangdae saiu da sala sendo seguido por Seungmin, o qual parecia não ligar muito para a situação em que estava, e de fato era verdade. Ele não estava se importando nenhum pouco, apenas estava um pouco curioso, e Gayoon sabendo disso, deixou a sala do clube indo atrás de Kangdae para conseguir satisfações sobre tal acusação. Com a porta fechada, Jiseok tirou os fones que estavam desconectados e deu um sorriso maldoso em direção a porta, sussurrando para si mesma logo em seguida.

— Espero que morra, Seungmin.

  Os passos ecoavam pelo corredor enquanto o céu escurecia ocultando o grande sol, com a pouca iluminação do lado de fora, o cômodo ficou quase escuro, fazendo com que a garota de cabelos pretos olhasse ao redor se perguntando onde estava a iluminação quando ela precisava. A escola tinha muita verba vinda em razão dos vários investidores, então no que a velha, ou melhor, diretora, estava fazendo da vida dela em vez de arrumar as luzes do corredor.

 — Não tem ninguém aí? — Micha perguntou em um tom mais alto.

  Se lembrou que estava em horário de intervalo, ou seja, ninguém estava naquela andar, apenas ela. A temperatura começou a cair rapidamente, os pelos do corpo da Kim foram se arrepiando e sua respiração ficando acelerada, aquilo não era algo normal ao seus olhos, ela podia não ser a garota mais comum da escola, mas passar por esse tipo de situação não era algo que esperava. As luzes do corredor foram se acendendo uma por uma, o que a aliviou, pensando que poderia ter acabado a energia e que só naquele instante a mesma poderia ter começado a voltar, porém estava enganada. As mesmas iniciaram uma sessão de dança, piscando sincronicamente em uma velocidade anormal.

  Sentindo uma presença no final do corredor a observando de costas, a mesma se virou e olhou fixamente para o centro do mesmo. Apesar de não estar vendo nada, sentia algo lá, a observando em silêncio absoluto enquanto brincava com as lâmpadas sobre a sua cabeça.

— Eu posso sentir. O que você quer de mim? — berrou de onde estava.

  Em resposta, as janelas começaram a romper seus vidros e a abrir e fechar sincronizadas com as lâmpadas, deixando o ambiente mais barulhento e assustador possível. Caminhando sobre os vidros estilhaçados que repousavam pelo chão, a Kim não estava com medo, ele podia ser como Minah, mas também havia a opção de não ser. Micha não estava em seu juízo perfeito, mas havia algum momento em que estava? Quando já encontrava-se próxima do final do corredor, sua visão começou a ficar turva, porém não desistiu apenas por esse contratempo, continuou andando mesmo que com dificuldade, não desistiria facilmente.

  Um clarão surgiu a frente de onde estava, e quando deu por si já estava caída em meio aos cacos de vidro; a última coisa que viu foi uma cópia sua a olhando preocupada, ela era Minah, sua irmã morta.

  O clima estava estranho desde a morte de Tae Junghee, era como se ambos tivessem uma ligação, mas para os alunos daquela escola, não passava de apenas mais um dia normal sem a Tae. O terraço estava vazio exceto pela presença de uma silhueta masculina ali, estando quase vergado sobre a grade de segurança, Chiba Takeshi segurava em mãos um celular digital enquanto olhava o tempo se escurecendo — próspero a uma tempestade. Os dedos do garoto deslizaram sobre a tela, desenhando o padrão e logo discando um número não tão conhecido por ele, colocando o aparelho próximo ao ouvido, o som da chamada que acabará de se iniciar se fez presente, mas inesperadamente desligou-se, em seguida fazendo o garoto bufar em desagrado.

“Apenas chamadas de emergência”.

  Takeshi bateu as mãos na grade irritado, e disse de maneira bruta:

— Mas é uma emergência, porra.

  O japonês tirou outro celular do bolso, o qual era do mesmo modelo que o seu, porém possuindo uma única diferença, havia um tipo de pingente com a letra H preso a uma cordinha na beirada do mesmo. O adolescente pressionou um botão na lateral e viu o mesmo iniciando com a logo da marca, revirou os olhos irritadiço e voltou seu olhar para os céus enquanto esperava o mesmo terminar de ligar. Sabia que não deveria estar fazendo aquilo, mas não havia ninguém para impedi-lo, já estava em uma posição mais do que desfavorável por conta da detetive Yoon, então não estaria ariscando mais do que já tinha antes.

  Assim que o mesmo iniciou, o garoto deslizou a tela para cima e viu que havia duas mensagens não lidas, sem pensar duas vezes abriu a caixa de mensagens e deslumbrou dos vários contatos que o mesmo possuía, até de pessoas que ele nunca pensou que Junghee teria contato. Entre elas estavam: Go Seungmin, Choi Haneul e Shin Hana. Quem diria que ela mantinha contado com todos os tipos de alunos, desde os mais fofoqueiros até os mais santinhos e encrenqueiros, realmente, ela definitivamente era alguém de muitos segredos. Mesmo não ligando mais para nada, a memória do aviso da garota permanecia em sua mente.

  “A garota segurava em mãos um celular bem conhecido por ela, enquanto estava sentada no gramado de maneira relaxada, a mesma observava Chiba encostado no tronco da grande árvore próxima a si, fumando e olhando o céu azul despreocupado. Ela sabia que no fundo ele estava ao menos inquieto, pois o celular era um ponto extremamente importante, mas não iria tocar no assunto tão livremente, pois a liberdade de vida de ambos estava ali, naquele aparelho.

— Amanhã irei para Busan com a minha irmã. Então vou deixar ele com você por segurança. — se levantou da grama, estendo o aparelho em direção ao japonês. — Não mexa nele enquanto eu estiver fora, e lembre de me manter atualizada, não quero sujar mais o meu nome. Qualquer coisa me ligue.

— Eu entendi, Hyeji. Não vou mexer nele. — pegou de qualquer jeito e jogou dentro de uns dos bolsos de sua calça. — Não tem mais nada para dizer? — direcionou seu olhar para a garota, que balançou a cabeça e começou a andar em direção a escola, deixando-o para trás.”

— Lembrança idiota. — resmungou bloqueando o celular. — Você disse que iria me ajudar Im, onde diabos você está?

  Ouvindo passos se aproximando de si sorrateiramente, olhou pela canto do olho avistando uma cabeleira bagunçada de cor avermelhada, reconhecendo rapidamente de quem se travava apenas ao ver tal característica, revirou os olhos. Nada mais era do que Bae Pietro, ou para todos na Namsan, Bae Jaeseong, o coreano bronzeado que veio da américa central.

— Falando sozinho, Chiba? — olhou para o japonês. — Achei que não fosse do tipo sem amigos.

  O cubano deu uma risada sarcástica após sua fala e direcionou seu olhar para o céu nublado, irritando ainda mais o japonês; Chiba trincou seu maxilar e se virou para o lado, vendo a expressão risonha do mesmo.

— Que coisa. Achei que não fossemos próximos para você conversar nesse tom comigo, principalmente com essa proximidade.

  Pietro deu uma risada mais alta, e mudou rapidamente de expressão para uma mais ameaçadora, o que como o esperado, não fez com que um do maiores encrenqueiros da escola se sentisse ameaçado. Chiba raramente se sentia intimidado por alguém, e não era à toa que na lista de Kangdae sempre aparecia o nome do japonês na semana, sendo por fumar ou brigar, sempre um ou o outro.

— Eu falo do jeito que eu quiser com quem eu quiser. — o Bae deu um passo à frente, respondendo de maneira fria. — Até quando vai ficar com o que não é seu? Me devolva esse celular, Chiba. — tentou tomar da mão do garoto, que rapidamente se esguiou e deu um soco certeiro com sua mão livre na cabeça do cubano.

— Quer brigar? Vamos brigar então. — rapidamente Takeshi colocou o celular no bolço de seu uniforme e partiu para cima do de cabelos vermelhos.

  A briga de fato estava feia, era claro quem iria ganhá-la, Pietro apenas não queria pensar naquilo, porque também nem conseguia, resultado dos tantos socos que recebia no rosto. Seu nariz sangrava e em sua boca já havia algumas marcas, logo o de cabelos pretos também não estava tão diferente, visto que antes de saírem rolando pelo chão, o Bae havia dado alguns chutes em sua barriga e outros socos em seu rosto. Ambos poderiam ficar naquilo até se sentirem cansados, mas foram impedidos por duas pessoas específicas, as quais apenas procuravam um lugar calmo como o terraço para poderem conversar sobre a situação da escola desde o falecimento de Junghee.

— Professor, me solta. Ele tem algo que é meu! — Jaeseong se remexia nos braços do Oh, o qual segurava os dois braços do mesmo por trás enquanto dizia para se acalmar.

  Chiba nem precisou ser segurado, visto que não tinha mais motivos para ir para cima do cubano. Kangdae simplesmente o chamou para uma parte mais afastada do terraço, após avisar seu professor que iria “conversar” sobre o ocorrido de mais cedo.

— Você enlouqueceu de vez? Quer ser expulso direto? — Kangdae simplesmente se sentou em um dos bancos de madeira refinada que haviam ali, encarando seu amigo dos pés à cabeça; seu estado era deplorável. — Não basta você já ter conseguido um mês e meio de trabalho voluntário porque as suspensões não adiantam? Agora três brigas por dia... — fez uma pausa para um suspiro. — Meu melhor amigo é realmente incrível.

— Me dá um tempo, Kangdae. — tirou de um dos bolsos da calça uma caixa branca amassada — provavelmente por conta da briga — e um pequeno isqueiro, retirando um cigarro e o acendendo ainda pé.

— Me passa um também. — estendeu a mão direita em direção ao amigo, enquanto tinha um leve sorriso cúmplice.

  Ambos eram melhores amigos, tinham gostos em comum, apenas o que os diferenciavam era a ridícula pose de tesoureiro certinho que Kangdae adquiria quando estava nos corredores. Não era à toa que o mesmo se sentia na obrigação de ser como Junghee, pois agora ela não está mais lá para cuidar dos outros alunos que a apunhalavam pelas costas, apenas sobrava o Moon que realmente se importava com o conselho, e que não o via apenas com um concessor de títulos.

  O cheiro forte de remédios preencheu o cômodo após a porta dupla branca ser aberta, inebriando o quarto gelado com uma mistura estranha de remédios e flores, que de fato não foi uma das melhores fragrâncias que entraram pelo nariz da Lin. A mulher por volta de seus trinta anos se aproximou lentamente da cama, onde uma garota sentada a olhava sem vida, presa a cada movimento que a mais velha fazia.

  A psicóloga puxou uma das cadeiras almofadadas que descansavam num canto para próximo da cama, onde sentou-se e olhou para jovem adolescente. Ela tinha cabelos longos acastanhados, e estava extremamente pálida, facilmente poderia compara-la com um folha branca de papel, sem nada redigido ou ilustrado, visto que ela parecia estar sem vida, sem cor. A Lin poderia estar vidrada na adolescente, que lembrava muito de si quando mais nova, porém sua mente estava no corredor, momentos antes dela entrar naquele quarto esmarrido e todo branco.

  “O homem de cabelos brancos e de barba mal feita, encarou a mulher com um olhar triste, e estendeu um tipo de controle onde haviam dois botões, um azul e um vermelho. A Lin aceitou um tanto perdida e, vendo tal reação vindo dela, o médico pôs-se a explicar.

— Tente não fazer muitas perguntas, ou citar nomes a ela. A paciente pode ficar agitada demais e, caso ela perca o controle sobre si, aperte o botão azul. Você é psicóloga, sei que fazer o certo.

— O que senhor que dizer com ficar agitada demais?

— Há alguns anos ela sofreu um problema psicológico, e felizmente ela se recuperou sem tratamento. Mas agora, é como se ele tivesse voltado, e ainda junto com outro. É como se fosse uma síndrome de abandono, você precisa saber apenas disso. — Deu uma pausa. — Agora vá.”

  A mulher apertou o controle com as duas mãos e deu sorriso em direção a garota, que permaneceu com a mesma expressão.

  — Eu ouvi muito sobre você. Sou sua nova psicóloga, Lin Sooyoung. — a garota nem se mexeu, apenas ficou como estava. A mais velha não sabia como agir diante aquela situação, nunca havia passado por isso antes. — Seu cabelo ficou bonito assim, mais natural, não acha?

— Ele já não era assim? — a voz rouca da menina preencheu a sala, fazendo a mulher estremecer na cadeira.

  Sooyoung não sabia o que dizer, ela não se lembrava? Quando pediu uma foto de sua nova paciente, ela era recente, onde mostrava a garota com os cabelos roxos trançados sorrindo ao lado de uma outra de cabelos negros. Duas semanas atrás, não passavam nem de um mês. Ela poderia estar confusa por acordar de repente num hospital, mas como ela não se lembraria de algo recente assim?

— Seu cabelo era roxo. Você não se lembra? — questionou.

  A garota indiferente sobre a fala da mais velha, balançou os ombros, mas continuou a olhá-la.

Eu quero respostas sobre ela, Sooyoung.”

  Tente não fazer muitas perguntas, ou citar nomes a ela.”

  A Lin não sabia o que fazer, estava na dúvida. Eram tantas coisas a se pensar, sobre o bem-estar da sua paciente, sua situação financeira, a pressão posta a ela vinda de Minseok. Tudo aquilo a deixava nervosa e desconfortável, queria pôr a menina em primeiro lugar, mas só conseguia pensar em si mesma. Retirando de sua bolsa de lado uma pasta, ela abriu-a e colocou em uma página especifica.

“Anuário Namsan High School 2017 — Página 7.”

  Ela passou seus olhos por algumas fotos e nomes, até encontrar um rosto já visto por ela.

— O que acha dessa garota? Tae Junghee, 17 anos. — levantou-se e colocou a pasta sobre o colo da garota, que estava coberto por um edredom. — Conhece?

— Eu não sei. — ela virou o rosto para a direção contrário da mulher, o que a deixou de certo modo feliz, pois esse tipo de reação poderia resultar nas respostas que procurava.

— E que tal essa garoto? Olha só, estrangeiro, bonito, Bae Pietro?

  Mais uma vez a garota olhou a foto e teve a mesma reação, ela estava visivelmente desconfortável. E mais uma vez Sooyoung insistiu em outras rostos, os quais de fato a garota conhecia.

— E esses, Go Seungmin e Ji Sowoo, não se lembra deles?

  Ao ver os olhos da garota ganharem vida e seu rosto ficar mais agressivo, e mulher deu um passo atrás, sentindo medo do que viria a seguir.

— Ninguém me ama! — a garota gritou, adquirindo uma expressão raivosa e ao mesmo tempo chorosa. — Seungmin não me ama mais! Hyejin não me ama mais! A Omma não me ama mais! Por quê!? Eu amei eles mais que tudo! Por quê!? Eu amei todos eles!

  Apavorada com a adolescente a mulher caiu no chão, e por sorte conseguiu alcançar o controle que havia recebido, o qual estava colocado sobre o estofado da cadeira que antes estava sentada. De onde estava Sooyoung apenas assistia Hyeji retirando o soro de si mesma enquanto chorava e berrava palavras que não conseguia ouvir por estar tão assustada.

  A porta do quarto fora aberta e várias enfermeiras acompanhadas do médico entraram correndo, o homem carregava um olhar de decepção para Sooyoung, que nem estava prestando atenção nisso. Ora olhava para o chão, ora para as enfermeiras que seguravam os braços da garota, enquanto ela berrava outros nomes que a Lin nunca tinha ouvido. Antes de se tornar psicóloga havia passado por uma situação assim, e não fora nada saudável, queria gritar para que a soltassem, mas faltava-lhe coragem, e mais uma vez pensou apenas em si. Assim que os gritos cessaram, o médico se aproximou de Sooyoung e estendeu-lhe a mão, ainda com a mesma expressão de antes.

— Ela já foi sedada. Você está bem, psicóloga Lin?

  Aquele homem não fazia ideia do quão mal ela estava, tanto por ver de si naquela menina, quanto por presenciar tamanha cena de horror. A mulher estava se sentindo culpada, ela deveria tê-lo ouvido quando avisou sobre as perguntas e os nomes, mas ela acabou sendo cega pela quantia que lhe seria paga caso conseguisse algumas informações com a jovem. Sooyoung havia estragado tudo.


Notas Finais


[Elenco Atual — https://goo.gl/vsbcfQ]
O que acharam? Qualquer erro por favor me avisem, as vezes posso deixar passar sem querer.
Críticas construtivas são mais que bem vindas! Obrigada por lerem <3


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